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Turbulência no horizonte

Rui Gomes, em 20.11.12

O futuro não muito distante ameaça severa turbulência para muitos clubes, caso a FIFA vá em frente com a sua mais recente proposição. O Comité para o futebol do organismo mundial, liderado por Michel Platini (presidente da UEFA), solicitou oficialmente a «criação de regulamentos que proíbam a propriedade por parte de terceiros» de passes de jogadores. Países como a Inglaterra e a França não permitem este recurso, ao contrário de Portugal, onde por exemplo os clubes «grandes» costumam vender parte dos passes a empresários ou fundos. Aliás, tem sido uma importante base para a sustentabilidade dos emblemas todos, no que toca a investimentos em jogadores. A FIFA pretende apresentar, no próximo ano, a proposta ao painel de especialistas formado pelo próprio Michel Platini e pelos ex-futebolistas Franz Beckenbauer, Steffi Jones, George Weah e Kalusha Bnalya.

 

Aqueles que apoiam a medida argumentam que a prática em vigor é comparável a tráfico humano, atraiçoando os clubes que investem na formação de atletas e com o acrescido negativo de se tornar em um factor desestabilizador que permite partes externas terem influência sobre clubes e jogadores. O contra argumento, por parte de empresários e dos gestores dos fundos, é que o investimento do exterior permite clubes adquirirem jogadores de grande nível, onde não têm capacidade financeira para o fazer e com risco muito reduzido, melhorando por essa via a sua competitividade e possibilidade de assegurar receitas substanciais. 

 

No que ao Sporting concerne, o regulamento proposto provocaria um grande problema a curto prazo, considerando as percentagens de passes dos seus activos que estão na posse de fundos mas, a longo prazo, seria altamente benéfico pela sua formação sem ímpar a nível nacional. A realidade é que a prática tem duas faces: uma, que funciona quase como um cartão de crédito, permitindo ao consumidor adquirir reforços sem ter disponibilidade financeira para esse fim e com a valorização dos activos o potencial para encaixe financeiro. A segunda, mais pelo negativo, a não valorização do jogador que, pela prática, já foi adquirido a preço inflacionado, resultando no aumento da dívida. Como em tudo na vida, a consideração terá o mínimo de impacto nos clubes poderosos, já que estes não dependem em fundos para a constituição dos seus planteis, mas afectará, e muito, os emblemas sul americanos, que dependem do actual estado das coisas para a exportação do seu produto para a Europa. Esta situação ja há muito que anda a ser debatida nos corredores do poder do futebol, europeu e mundial, e é transparente que as duas primodiais preocupações recaiem sobre o impacto na formação de atletas e, sobretudo, na influência nebulosa do exterior por quem controla os fundos. Muito dá para perceber que é apenas uma questão de tempo para a prática vir a ser abolida.

 

 

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publicado às 10:38


4 comentários

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De A. Santos a 20.11.2012 às 14:52

Caro Rui Gomes,

Ao Sporting interessa tudo o que valorize e proteja a sua formação. Terá obrigatoriamente que ser um dos principais pilares de sustentação do clube. Quanto à alienação de percentagens dos passes dos jogadores a fundos de investimento, será uma situação que o SCP terá que resolver no futuro, para poder obter resultados financeiros significativos com a venda de activos. Sei que não é uma situação fácil de resolver, mas terá que estar presente na agenda dos órgãos directivos, seja em que mandato for.

Cumprimentos
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De Rui Gomes a 20.11.2012 às 16:48

Caro A. Santos,

Com ou sem os regulamentos que a FIFA tem em mente, não sei como é que o Sporting - entre muitos outros - vai resolver este problema, especialmente no curto prazo, algo que eu considero impossivel. Imagine que de um momento para o outro o cidadão mediano fica sem cartões de crédito. Teria que aprender a viver sem eles, evidentemente, mas até regularizar as contas, o sofrimento não será pouco. A lucrativa venda de activos está directamente ligada à competitividade da equipa principal e é discutível se esta consegue atingir o nível exigido sem recursos do exterior. Fundamentalmente, concordo com o que a FIFA (e a UEFA) pretendem fazer. Eles estão alarmados com o número de estrangeiros na Europa e a redução da formação. Além de tudo isso, eles melhor do que ninguém também reconhecem que o mercado está inflacionado muito pelo acesso a fundos e que estes exercem muita influência sobre a gestão de clubes e o movimento de jogadores. O ideal é existir um modelo de gestão económica e desportiva equilibrado, mas pelo precário estado actual dos clubes, vai levar o seu tempo a chegar lá. O Sporting, como indica, tem de proteger a sua formação, mas para esta ter o efeito devido, a equipa principal tem de lutar anualmente pelo título e ir à Champions. É a realidade dos tempos que vivemos.

Cumprimentos
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De A. Santos a 20.11.2012 às 17:21


Uma equipa competitiva ao mais alto nível, é de facto o factor mais importante para a resolução dos problemas. Estou completamente de acordo com o que diz. É essa a prioridade das prioridades no curto prazo.

Cumprimentos
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De Rui Gomes a 20.11.2012 às 17:43

Esta é uma daquelas obras que muito embora tenha de ter um trabalho sólido de base, o seu sucesso depende do que vier de cima, infalivelmente. Há excepções à regra, claro, mas na generalidade é esta a realidade. Nenhum jovem activo vai valer valores substanciais, sem estar primeiro incorporado na montra do topo competitivo e, se incluir títulos, melhor ainda.

Cumprimento

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