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Incoerência maliciosa

Rui Gomes, em 22.11.12

 

Apesar da não novidade, temos aqui um perfeito exemplo de incoerência maliciosa por parte da comunicação social desportiva - neste caso, em particular, do «quasi-oficioso» emissário do clube da Luz - através do qual a informação é coordenada e manipulada à conveniência dos prevalecentes interesses. Sob a manchete: «Tivemos sorte em conseguir a vitória», eis o que o periódico desportivo «A Bola» publicou sobre as declarações de Franky Vercateren no final do embate com o Sporting Clube de Braga:

 

«A Bola»: Depois do final do jogo em que o S.C. Braga chegou a encostar o Sporting na sua grande área, o treinador dos leões reconheceu que a formação de Alvalade teve alguma sorte em ter conseguido terminar o jogo com os três pontos no bolso.

 

Vercauteren: Pode-se dizer que tivemos sorte em conseguir esta vitória, se calhar a sorte que nos faltou nos outros jogos. O adversário esteve forte, sobretudo no segundo tempo, mas estou satisfeito com o que fizemos no primeiro tempo. Sempre acreditei que a vitória ia chegar.

 

«A Bola»: Questionado sobre o golo invalidado ao SC Braga, Vercauteren defendeu que «o árbitro tem sempre razão e que as suas decisões têm sempre de ser aceites» e deixou elogios a Eric Dier, o jovem que lançou.

 

O artigo do jornal limitou-se a isto. Vejamos, então, a versão fidedigna das declarações do treinador do Sporting:

 

«Se o resultado me parece justo no final do encontro ? Depende de como se olha para o jogo. Se virmos só a segunda parte, temos de admitir que tivemos sorte, talvez a sorte que nos faltou nos outros jogos. Se virmos a primeira parte, então merecemos a vitória. Tivemos ocasiões de golo e dominámos a maior parte do tempo. Por isso acho que merecemos esta vitória que os jogadores já procuravam há tanto tempo, sobretudo pelo que fizemos na primeira parte. Defrontámos uma equipa muito boa, bem organizada e isso também nos dá valor».

 

«Se me pareceu bem anulado o golo de Alan ? Sim, vi logo que é falta. Mas acho que devemos dar paz aos árbitros e falar o menos possível deles para lhes dar condições para fazer um bom trabalho».

 

Seguiu-se um comentário sobre Eric Dier, semelhante ao que A Bola publicou e, depois, a última parte que o jornal deixou omissa:

 

«Se continuo a acreditar que podemos chegar à Liga dos Campeões ? Ainda é um longo caminho. Nós mantemos a ambição, mas ainda temos um longo caminho pela frente, que exige muito trabalho. Vamos continuar a trabalhar bem e, com o apoio dos adeptos, podemos chegar lá todos juntos. A vitória sobre o SC Braga não resolveu nada, mas é um passo importante no rumo que pretendemos seguir».

 

É por de mais evidente que «A Bola» compôe hábil e maliciosamente o que publica e deixa omisso o inconveniente. A predisposição para textos desta reduzida fidedignidade não é causa para espanto, pelo notórios precedentes de longa data, no entanto, nem por isso deixa de ser menos decepcionante que o conceito sobre os princípios da difusão de informação precisa e confiável, assentes em um impecável senso de ética e responsabilidade - quase como uma bossúla moral - sejam tão vulgarmente desprezados em um País que de há uns tempos a esta parte nutre a independência e a diversidade de expressão intelectual como pilares base de uma sociedade livre e diversificada.

 

* Artigo publicado hoje no Jornal do Sporting

 

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publicado às 01:10

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2 comentários

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De A. Santos a 22.11.2012 às 12:15

Caro Rui Gomes,

É por demais evidente, a linha de orientação deste reles pasquim. Eu já li e ouvi muitos sportinguistas, e muito bem, defenderem o boicote completo a este pseudo jornal desportivo. Eu da minha parte não contribuo para a sua existência... Estou de consciência tranquila.

Cumprimentos
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De Rui Gomes a 22.11.2012 às 12:36

Caro A. Santos,

Infelizmente, poucos se alguns apoiam ou, pelo menos, são justos com o Sporting. O Record foi durante muitos anos mais moderado, agora ainda é pior que A Bola. O Jogo tenta ser equilibrado mas, como bem sabemos, as suas lealdades residem mais para o norte do país. Temos «areias movediças» por todo o lado, e o segredo é saber navegá-las sem ir ao fundo. Como eu, há outros que não hesitam em desmascarar esta injustiça, sempre que for necessário.

Cumprimentos

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