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Sessão de confusão e... desordem

Rui Gomes, em 31.01.13

O que ocorreu no Auditório Artur Agostinho em Alvalade, foi uma sessão de hipócrisia, contradição, inverdades, barbaridades de Direito e, lamentavelmente, também de desordem cívica, esta última a lembrar, em muito menor escala, os gravíssimos incidentes que tiveram lugar depois dos resultados do acto eleitoral terem sido anunciados em 2011. Nexte contexto, condena-se veemente, mas há que não ter memória selecta.

 

Nunca na minha vida profissional ouvi tamanha barbaridade de Direito, como a que foi enunciada por um elemento da Mesa da Assembleia Geral, de nome João Sampaio, suposto advogado. Antes de chegar a este ponto, Daniel Sampaio já tinha esclarecido que a Mesa aceitou o estipulado no requerimento para a revogação do mandato dos titulares do Conselho Directivo, sem qualquer ponderação ou deliberação sobre as acusações citadas pelos requerentes, o movimento «dar rumo». Quando questionado se iria haver ponto prévio na Assembleia Geral para debater a existência de justa causa - uma vez que o todo do processo, de acordo com os estatutos, é assente nessa premissa - o referido João Sampaio respondeu: «Não é necessário ponto prévio para discutir justa causa. Se a assembleia votar a favor da destituição do Conselho Directivo é porque existe justa causa, se votar contra, é porque não existe.» Nada menos do que incrível e da boca de uma pessoa supostamente formada em Direito!!!... É equivalente ao arguído ir perante o juiz, sem julgamento, e se este pronunciar sentença é porque é culpado, se não a pronunciar, é porque não é. Meu Deus...ao ponto que chegámos!...Um parecer, no mínimo, mal informado, desonesto e, de certo modo, terceiro mundista.

 

O discurso constante de Daniel Sampaio deixou esclarecido que o que é pretendido pela Mesa, sob o manto de dar a palavra aos sócios, é um «linchamento» às mãos do povo. Quando questionado porque é que a Mesa, que considera a situação bastante grave, não assumiu por ela própria a convocação da Assembleia Geral, uma vez que tem o poder para isso, a única resposta foi: «Porque entendemos que não devíamos tomar essa iniciativa, embora possa ainda fazê-lo no futuro.» (deixando clara a ideia de que é uma alternativa a considerar se a Assembleia Geral não decorrer ao agrado da Mesa). O que ficou por explicar, foi que essa falta de iniciativa obedece à estratégia delineada pela oposição, para não parecerem como «os maus da fita».

 

Quando questionado sobre a publicamente conhecida posição da Mesa da AG contra o Conselho Directivo e de lhe ter sido pedido uma explicação quanto às razões para essa posição, Daniel Sampaio respondeu: «A Mesa limitou-se a seguir os estatutos. Não anda a fazer campanha nem para um lado nem para o outro. A Mesa é neutral. Não assume posições.» Esta sua afirmação enriquece o significado de «atirar poeira para os olhos». 

 

Daniel Sampaio - mais uma vez ele - explicou que caso a Direcção caia, o Sporting não vai para a rua. O presidente da Mesa tem o poder de nomear uma comissão de gestão que poderá assumir a gestão do Clube até seis meses. E acrescentou: «Haverá sportinguistas ilustres e notáveis para assumir a gestão do clube até ao processo eleitoral.» Confrontado com as suas prévias declarações que ainda não tinha convidado ninguém, insistiu que isso é falso, mas que sabe que há pessoas disponíveis. 

 

Foi explicado que foram exigidos 25 mil euros ao movimento «dar rumo» para as despesas da Assembleia, montante que determinaram adequado mediante o relatório de despesas que lhes foi apresentado em Outubro. Mas que a razão da Assembleia ser no estádio, deve-se ao custo de qualquer pavilhão em Lisboa e arredores, incluindo o de Odivelas, ser entre os 21 e 26 mil euros. Quando questionado porque é que andaram em outubro a pedir preços, quando o requerimento só foi apresentado em janeiro, um dos elementos da mesa, algo atrapalhado, explicou que «já se falava nisso nessa altura.» Sim...e o sol nasce no poente!

 

Foi também explicado que dos mais de 800 sócios que assinaram o requerimento, apenas 553 foram considerados legítimos, equivalente a 2750 votos.

 

Resumindo e concluindo, mais um vergonhoso episódio para os arquivos históricos do Sporting.

 

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publicado às 23:10

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