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O caso de Niculae reaviva memórias

Rui Gomes, em 01.02.13

Só quem está pasmado com a (in) decisão da FIFA, é quem nunca andou nestas «andanças» do futebol e quem nunca lidou com os mistérios, conspirações e afins de secretaria. A partir do momento que a FPF sentiu a necessidade de consultar o organismo mundial, a sentença ficou pronunciada. Por outro lado, se a FPF tivesse assumido a posição de aceitar a transferência, ninguém a questionaria, por conseguinte, a culpa não é só da FIFA. No todo do processo admite-se falta de capacidade e experiência por parte do Sporting em lidar com estas questões, sobretudo, por deixar os negócios para a última da hora. Poderá haver incompetência, de facto, mas, acima de tudo, é o desespero financeiro que leva os responsáveis a «espremer o limão» quanto possível, percorrendo vias diversas e recorrendo a meios pouco adequados para resolver questões, onde o dinheiro já as teria resolvido há longo. À conveniência, especialmente tendo em conta o clima do momento, os dedos vão ser impiedosamente apontados aos dirigentes, mas não nos devemos deixar levar pela ilusão de que isso explica tudo. Seria até bom para o Sporting que explicasse, mas não explica.

 

De qualquer modo, voltando ao ponto principal do escrito, este caso faz lembrar um outro, entre os diversos contenciosos em que eu estive envolvido, com a distinta diferença de que este foi parar aos tribunais civeis. Num determinado jogo de uma equipa minha, fomos derrotados por um adversário que eu tinha conhecimento de que utilizou um jogador ilegalmente. A razão: esse jogador, no penúltimo jogo antes do nosso, foi advertido com um cartão amarelo - que provocaria um jogo de suspensão por acumulação (5) e, nesse mesmo jogo, também viu um cartão vermelho directo, por agressão. Protestei o jogo, porque o jogador teria de cumprir, no mínimo, dois jogos de suspensão, um por acumulação de amarelos, e um ou mais pela agressão que provocou a expulsão directa. Não estava, portanto, apto para jogar no jogo contra a minha equipa. Protestei o jogo e o protesto foi indeferido, alegando o Conselho de Discilina que o cartão vermelho anulou o amarelo, muito embora não tenha sido o «segundo amarelo». Recorri às diversas instâncias superiores e perdi em todas, não por falta de justa causa, mas sim porque os bastidores do futebol apenas ocasionalmente agem lógica e justamente. Levei o caso para a FIFA que passado algum tempo de deliberação, decidiu devolver «a batata quente» para resolução pela federação. Como esta já tinha dado o seu parecer, era tempo perdido. O caso foi então parar ao tribunal civel, sob «ameaças» da federação e da FIFA, e, nessa instância, o processo não foi indeferido mas o resultado foi o mesmo, porque o juiz em causa recusou ouvi-lo por «não se querer intrometer em matéria do foro regulamentar desportivo». Acabei por abandonar a contenda, mas ainda hoje tenho memória vívida do episódio e o respectivo dossiê, inclusive dos recibos dos muitos milhares que foram despendidos com os diversos processamentos.

 

E este é apenas um caso, entre diversos outros que poderia citar de carácter semelhante, mas com percursos menos extensos. Há longo que aprendi que existem muitos interesses que influenciam questões e decisões do foro futebolístico, invariavelmente, de difícil compreensão, e quanto mais alto se trepa na hierarquia, mais complexo se torna.

 

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publicado às 00:50

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