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O golo de Zlatan não é o melhor

Rui Gomes, em 24.11.12

Sim, o mundo do futebol está envolto em ainda mais uma controvérsia, mas, para variar, de uma forma mais encantadora. A discussão do momento não abrange qualquer incidente polémico, gestos ou palavras ofensivas ou, até, conceitos sobre a arbitragem, mas sim a quem atribuir o honroso galardão do melhor golo na história da modalidade. Mais precisamente, será que o quarto dos quatro golos que Zlatan Ibrahimovic marcou à Inglaterra no amistoso da semana passada foi o golo mais espectularmente sublime jamais marcado, pela primazia da finalização ? Possívelmente, sim. Se foi o melhor, enfaticamente, não.

 

Para o adepto que não teve a oportunidade de ver o lance ao vivo, não faltam vídeos no You Tube com repetições. Um remate em «pontapé de bicicleta» de costas e a cerca de 30 metros da baliza, executado com perfeição, traindo o guarda-redes Joe Hart que tinha saído para distanciar o esférico, mas sem conseguir iludir o avançado sueco. Não há qualquer dúvida de que foi um golo soberbo, mas não o melhor de todos tempos, porque para essa prestigiosa consideração tem de se ter em conta o todo das circunstâncias. Depois de o ver, de certo que alguns dos lendários que poderão clamar a distinta honra não ficarão preocupados. Este surgiu num amistoso sem responsabilidade invulgar, sem pressão para vencer ou para garantir um qualquer apuramento ou título. A jogada, no seu todo, não tem nada de encantador, salvo o aproveitamento sensacional pela espectacular finalização de Ibrahimovic. E, daí, o debate eterno. O que deve prevalecer numa discussão deste género, a execução final ou a jogada na sua totalidade ? Há golos brilhantemente apontados que advêm de jogadas fortuitas, até descabidas - muito semelhantes à de Ibrahimovic - e, depois, há os outros em que tudo do princípio ao fim é executado com absoluta perfeição técnica e beleza atlética, por jogadores que, naquele momento, estavam sob a divina protecção dos deuses do futebol.                                                                                                                                                         

Para muitos adeptos por esse mundo fora, há um golo jamais visto antes ou depois, que marcou uma geração e que foi votado pela FIFA, em 2002, o »Golo do Século». O palco é o Estádio Azteca na Cidade do México. Em disputa, os quartos-de-final do Campeonato do Mundo de 1986. Num meio campo, encontram-se os melhores da Terra de Sua Majestade D. Rainha Isabel, no outro, os azuis-e-brancos do País cujo nome é associado às primeiras expedições portuguesas na conquista do Rio de la Plata, no século XVI, que contam nas suas trincheiras com um génio por nome de Diego Maradona. Uma jogada nos limites do surreal em que o avançado argentino «galopa» cerca de 60 metros, dribla cinco defesas ingleses e o guarda-redes Peter Shilton, para, depois, muito delicadamente, introduzir o esférico na baliza. Afirmou Maradona posteriormente: «A minha intenção era de passar a bola ao Jorge Valdano quando cheguei à área, mas como ele estava muito bem marcado, senti que a única alternativa era eu finalizar a jogada ». Quando Diego produziu esta virtuosa obra de garra e execução, foi possível ver, em forma humana, o futebol divino dos deuses e, para mim, o melhor golo de sempre. Sem dúvida que quando Zlatan marcou o dele, também estava sob o seu olhar atento, mas eles estavam com uma disposição mais brincalhona.

 

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publicado às 13:07





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