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José Couceiro em entrevista

Rui Gomes, em 25.11.12

 

Li e reli, cuidadosamente, um extrato da recém-entrevista de José Couceiro na « A Bola TV» e apesar da evidente ausência de alguns pormenores pertinentes ao tema fulcral da ocasião, deu para apurar que foi abordado pelo Sporting para assumir o cargo de treinador, pela saída de Sá Pinto - disposição que me surpreende - e que as partes não chegaram a um acordo, não pelos valores do vínculo contratual, mas por determinadas exigências que terá apresentado, quanto a funções e poderes, que não foram concedidas pelo Clube. Gostaria de concordar com o seu discernimento de que o Sporting necessita de um «Manager», e só hesito em fazê-lo, porque não explanou a sua visão quanto às especificidades do cargo - considerando que o desempenho é muito ambíguo no futebol, especialmente em Portugal - e, ainda, porque não esclareceu se pretendia acumular funções. Uma condição sua é inaceitável: nem o Sporting nem qualquer outro clube do Mundo dará «poderes absolutos» a um director-técnico, quer exerça ou não, em simultâneo, o cargo de treinador. Nem o histórico Sir Alex Ferguson, que acumula funções no Manchester United, tem esses elevados poderes. Na Inglaterra apelidam de «Manager» os treinadores principais, o que não implica, necessariamente, autoridade absoluta sobre a gestão do futebol do clube.

José Couceiro tem razão quanto à sua apreciação de que o Sporting, neste momento, está dependente do treinador e da equipa profissional e que essa circunstância, no futebol de hoje, põe em causa a própria Direcção, pela ausência de resultados. É igualmente muito sensato quando indica que a constante mudança de presidentes prejudica o clube, porque «pessoas diferentes pensam de forma diferente e os modelos de trabalho são diferentes. Para decidir é preciso saber e dominar os assuntos. Caso contrário a margem de erro é maior. E isso leva anos. É uma situação muito complexa».

Gostaria de ver o sobrinho-neto de Fernando Peyroteo como director-geral da SAD, função que já desempenhou, mas, por agora, não aparenta ser possível. Já a ideia de se tornar treinador principal não me agrada tanto, pura e simplesmente porque não acredito que seja essa a sua maior aptidão e porque não vejo isso como solução definitiva, se é que uma existe. Em última análse, é deveras agradável ouvir alguém que sabe do que fala e que não adianta críticas sem fundamento e objectividade, em contraste com tantos outros que, nos dias de hoje e sempre, desfilam na passarela da presunção vaidosa e maliciosa.

 

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publicado às 00:36


2 comentários

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De A. Santos a 25.11.2012 às 14:55

Caro Rui Gomes,

Concordo com a análise que faz da entrevista de José Couceiro no seu todo. Também gostaria de o ver como director geral da SAD, e não na função de treinador. É uma pessoa ponderada, com conhecimentos e alguma experiência no futebol, e que poderia ser uma mais valia na gestão desportiva do clube, nomeadamente na área do futebol, desde a formação à equipa principal. Por outro lado, é um assumido sportinguista.
No entanto, também achei estranha a sua revelação na entrevista, o facto de ter sido abordado recentemente para regressar ao clube. Isto demonstra, que a sua saída não terá sido da vontade de Godinho Lopes, mas influenciada pelas competências entregues a Luís Duque. Concordo com o que ele diz na entrevista acerca da alternância de presidentes e projectos, que dificulta a implementação de linhas de rumo, mas não tanto na assimilação de poderes absolutos. Uma instituição como o SCP, não pode passar "cheques em branco", seja a quem for... Isto não quer dizer que não lhe fossem dadas as competências necessárias a desenvolver um bom trabalho. De certa maneira, julgo que a Luís Duque foram dadas essas condições. Já por mais que uma vez, tenho afirmado que no universo sportinguista existem pessoas de grande capacidade, pessoas honestas e que gostam do clube, que poderiam colocar os seus conhecimentos ao serviço desta grande instituição.

Cumprimentos
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De Rui Gomes a 25.11.2012 às 17:10

Caro A. Santos,

Como o José Couceiro disse, e bem, é um assunto muito complexo e poucos são aqueles que estão à altura de o discutir inteligentemente. O Godinho Lopes queria que ele continuasse na SAD pelas eleições, ele é que não aceitou porque passaria de director-geral para uma posição subordinada ao Duque, com o qual o presidente estava comprometido pelas eleições. Compreendi a decisão dele, mas acho que deixou o ego «falar» alto de mais. Não foi explicado em pormenor, mas dá para imaginar que se o presidente não aceitou as condições exigidas, que esta tinham de ser muito rigorosas. Essa do poder absoluto, é irrealista da parte de Couceiro. Ele teria de fazer o que eu faria - e que cheguei a exigir ao Cintra - que é poder dentro de certos parâmetros com garantia de não intervenção por parte da administração sem prévia discussão. O trabalho da SAD tem de ser consolidado e muito embora haja uma única viz no comando, o trabalho é de equipa. Já disse inúmeras vezes, que contrário às impressões do exterior, é assim que o FC Porto trabalha sob PInto da Costa. Dão-lhe mais crédito do que é justo, pelas percepções, mas no foro interno, tudo é analisado em pornenor e discutido. Não é uma ditadura. É isto tipo de modelo que nunca se instalou no Sporting, pela sua cultura clubística e dificilmente jamais será adoptada. Concordo quanto à existência de sportinguistas com valor, mas há ter em atenção que para um posto profissional a simpatia emblemática da pessoa é ou devia ser secundária. Outro problema cultural. A questão mais preponderante, e já o digo há anos, não existem «managers» em Portugal, aquilo que eu sempre preferi ser chamado «director-técnico», o homem junto aos atletas e à equipa técnica que responde apenas à administração. Simplesmente não há, porque o todo do futebol português nunca evoluiu esse tipo de formação. Verifique que na Europa, diversos clubes do topo têm essa função preenchida por pessoas de fora. Se eu fosse mais nonvo e com mais saúde, esta era o momento ideal para mim, porque penso que convenceria o Godinho Lopes onde não convenci o Cintra, pelo seu intuito de ser só ele a mandar no futebol. Tudo tem a ver com mentalidades, alé de aptidão, claro. O Sporting perdeu essa mentalidade no futebol há muitos anos e a que chegiu a exstir não seria adequada aos tempos de hoje.É uma temática difícil de descrever, por escrito. A sua análise quanto a presidentes demonstra visão. Nenhum sabe o suficiente quando começa e pela mentalidade dos adeptos, nunca tem tempo de aprender.O Sportinguista, pelo seu complexo de inferioridade perante os resultados das últimas duas décadas, quer ver conquistas, ontem,hoje e amanhã, e não se preocupa com o trabalho base para lá chegar. Perante contrariedades, quer mudar de presidente como se muda de treinadors e até jogadores.

Cumprimentos

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