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Um mundo de diferenças

Rui Gomes, em 02.12.12

O recém-ressugirmento de Valentim Loureiro nas páginas noticiosas reavivou memórias desagradáveis de um passado pouco distante, tanto quanto à sua ignóbil participação na sociedade portuguesa, em geral, como no  futebol, em particular, e confrontrou-me com uma inesperada reflexão sobre um muito sensacional - quase insólito - caso, que viu o seu controvérso desfecho esta semana na grande metrópole de Toronto, Canadá, que, entre outras considerações, serve para sublinhar as distintas diferenças entre sociedades, pese os contornos extremos deste incidente.

 

O presidente da Câmara Municipal de Toronto, Rob Ford, foi esta semana destituído da posição por ordem do Tribunal Superior, numa decisão de 24 páginas em que o juiz explica que «as acções do acusado caracterizam-se por uma ignorância da lei e falta de deligência em pedir aconselhamento sobre o que a lei diz. Na minha opinião, deve ser exigido um alto nível ético àqueles que são eleitos para posições de liderança e responsabilidade ».

 

Começando pelo princípio, o senhor Rob Ford é um reconhecido fervoroso adepto e apoiante do futebol infantil, ao ponto de até treinar uma equipa de crianças, mesmo em simultâneo com as suas funções na autarquia. O caso remonta a agosto de 2010, ocasião em que o autarca solicitou doações para a sua fundação de futebol, utilizando cartas com o cabeçalho oficial da Câmara Municipal. A acção resultou em ofertas no total de 3.150 dólares - cerca de 2,438 euros. A oposição política - de semelhante carácter às que existem por todo o Mundo - vendo uma oportunidade para fazer a vida difícil ao muito popular autarca, levantou acusações de conflito de interesses e conduziu a contenda a debate e a votação na Câmara Municipal, onde foi derrotada, mas que contou com o voto do próprio autarca. Por via de um «cidadão particular», o caso foi parar aos tribunais, não obstante o pedido de desculpas por Rob Ford e a explicação: «Eu sou apenas culpado de querer ajudar crianças a praticar futebol. Talvez tivesse sido mais sensato agir de outra maneira, mas nunca acreditei que houvesse conflito de interesses, porque eu não tinha nada a ganhar e a cidade nada a perder». Estão ainda por esclarecer os próximo passos do presidente destituído, já que uma das sanções impostas pelo juiz aparenta por em causa a sua eligibilidade a se  recandidatar em eventuais eleições intercalares, caso estas se realizem durante o termo do seu actual mandato, que termina em 2014.

 

Com valores sociais e princípios de Direito tão distintos, nem sequer dá para imaginar o que o citado tribunal deliberaria, caso lhe fosse exigido o seu discernimento sobre tanto do que ocorreu em torno de Valentim Loureiro em Portugal. Um mundo de diferenças !

  

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publicado às 12:31


2 comentários

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De A. Santos a 02.12.2012 às 16:41


Sem dúvida caro Rui Gomes! Se essa justiça se aplicasse em Portugal, Valentim Loureiro, Alberto João Jardim, e outros, teriam que fugir do país, ou então era o cabo dos trabalhos...
No entanto, e colocando de lado estes maus exemplos, fico bastante preocupado com o que se está a passar neste momento em Portugal, ao nível dos apoios que eram encaminhados pelas autarquias para o desporto infantil e juvenil. Sei, com conhecimento de causa, que devido à crise financeira instalada no país, as autarquias reduziram substancialmente as verbas anteriormente atribuídas aos clubes locais, assim como o apoio logístico, nomeadamente transporte das equipas (em autocarro) para deslocações longínquas, apoio ao nível de material e equipamentos etc...
Os clubes locais, estão já a passar por dificuldades extremas, estando no limiar das suas capacidades para aguentar com o encargo na área de formação de jovens. É uma pena, caro Rui Gomes, quando está mais do que comprovado, que o desporto, é do ponto de vista social um meio fundamental para o encaminhamento dos jovens, desincentivando-os dos caminhos da droga, e outros vícios malévolos... Estamos em pleno século XXl ano 2012, e é triste verificar este retrocesso civilizacional...

Cumprimentos
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De Rui Gomes a 02.12.2012 às 17:09

Caro A. Santos,

Respondendo ao primeiro ponto, apesar das patentes diferenças entre sociedades, este é um caso extremo, sustentado por leis antiquadas, que apenas servem para o finório aproveitamento da oposição e que contraria a vontade da maioria dos cidadãos da cidade. Quanto à segunda questão, é de facto de lamentar, mas não surpreende pela crise que o Páis está a atravessar. Além disso, como bem sabe, com certeza, a actividade desportiva Portugal para a juventude há muito que é fomentada e sustentada pelos clubes particulares, com enorme destaque para o Sporting, sem o devido e merecido apoio do governo. Este cenário promete agravar-se pelas também dificuldades financeiras destes clubes. É, indiscutivelmente, um retrocesso alarmante, sem sinais de melhoras a curto prazo.

Cumprimentos

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