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Quo vadis ?

Rui Gomes, em 03.05.13

 

A pergunta que mais corre no mundo do futebol relaciona-se com as intenções de José Mourinho para a próxima época: permanecerá ele no Real Madrid e, se sair, para onde vai ? Após o embate da meia-final da Champions, o técnico garantiu que só no final da época irá discutir o seu futuro com Florentino Pérez. 

 

Nessa conferência de imprensa fizeram-lhe a seguinte pergunta: «Se sair, o seu palmarés será uma Liga, um ou duas Taças e uma Supertaça. Consideraria isso triunfar ?»

 

A resposta de Mourinho: «Penso que quando se valoriza o meu trabalho, nunca se fala de títulos. E a culpa é minha, porque já ganhei tanto, tanto, tanto que as expectativas são altas. Mas vim preparado para quando me perguntassem isso. Vou socorrer-me dos meus famosos papeis para vos dizer: a Liga dos recordes é minha. Podem querer apagá-la, mas não o conseguirão. 20 anos sem ganhar uma taça, isto não é fácil. Também não poderão apagá-lo. A Supertaça é pequenina, mas as três meias-finais da Champions, que a mim não me alimentam o ego nem me deixam satisfeito, que fique bem claro, também não é fácil. Digo-vos que não deve ser fácil porque Toshack, Di Stefano, Beenhakcker, Floro, Capello, Heynckes, Del Bosque, Hiddink, Valdano, Iglesias, Flore, Queiroz, Remón, Camacho, Luxermburgo, Juande, Schuster e Pellegrini, foram 18 treinadores em 21 anos e cinco meias-finais da Champions em 21 anos. E o mau do Mourinho conseguiu três e três anos.»

 

Quer se simpatize com ele ou não, contra factos não há argumentos. Curiosamente, já alcançou mais vitórias no Real Madrid do que em qualquer outro clube que treinou. Com a última vitória frente ao Borussia Dortmund soma 125 ao serviço dos "merengues", contra as 124 no Chelsea, 91 no FC Porto e 67 no Inter de Milão.

 

Outro facto que ele não mencionou mas que é igualmente pertinente ao seu palmarés e às realidades do futebol-indústria de hoje, é que com ele o Real Madrid garantiu a maior receita da sua história: pela primeira vez em 110 anos, os "merengues" chegarão aos 500 milhões de euros de receita, que não inclui venda de jogadores. Na época passada, o clube treinado por José Mourinho chegou aos 479,5 milhões, enquanto que, por comparação, o Barcelona chegou aos 450 milhões e o Manchester United aos 367 milhões. Desde que chegou a Madrid, as receitas do clube na Liga dos Campeões duplicaram. No período entre as temporada 2004/05 e 2009/10, a média das receitas não ultrapassaram os 25 milhões de euros, numa fase em que a equipa foi orientada por Luxemburgo, Caro, Capello, Schuster, Ramos e Pellegrini. No primeiro ano do técnico português foram concretizados 39,3 milhões de receitas e na temporada passada 38,4 milhões e, esta época, os valores serão semelhantes.

 

 

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publicado às 13:26

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6 comentários

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De Lionheart a 03.05.2013 às 17:53

Não acho que se possa dizer que a passagem do José Mourinho tenha sido um fracasso, mas não foi um êxito, como ele está habituado. Em primeiro lugar porque o seu ciclo coincidiu com o melhor Barcelona de todos os tempos (provavelmente a melhor herança que deixa ao Real Madrid é ter contribuído para deixar o Barcelona de pantanas, devido à saída de Guardiola, para a qual o Mourinho contribuiu). Mas apesar da saída do Guardiola e da humilhação na Liga dos Campeões, o Barcelona vai ser campeão, porque foi sempre muito mais regular. E aqui está a segunda razão pela qual o Mourinho não conseguiu o mesmo êxito em Madrid, que é o facto de os jogadores espanhóis nunca terem tido a mesma relação com ele como ele conseguiu estabelecer em todos os clubes até aqui. Quando os jogadores não estão com o treinador, como foi patente esta época no Real, este está a prazo. Poderá ser um questão cultural, pelo facto de ele ser português (acho que este factor teve muita influência), para além de provavelmente aqueles jogadores não estarem habituados a um treinador com um peso tão forte, com tanto protagonismo. O Real Madrid foi o clube com maior palmarés que o Mourinho treinou, sendo que os madridistas têm-se em muito grande conta, e não gostaram que um português fosse para ali mandar mais que figuras consagradas do passado do clube.

Não sei se uma segunda passagem pelo Chelsea seria o mais aconselhável. A conjuntura agora é diferente, com o Man United mais forte financeiramente. Mas ao mesmo tempo tem o aliciante de ter de reconstruir a equipa, porque o Chelsea está a precisar de rejuvenescer, ou será rapidamente ultrapassado pelo Tottenham nos lugares de acesso à Champions. Mas também se não for o Chelsea só vejo o Manchester City e esse cenário é ainda mais complicado. Vamos ver. Mas parece que já se fala que a apresentação em Londres vai ser a 1 de Julho. Tudo aponta para que seja mesmo o Chelsea.
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De Rui Gomes a 03.05.2013 às 18:24

Caro Lionheart,

Concordo na íntegra com a sua análise da adversidade que Mourinho encontrou em Madrid, especialmente considerando que por todo o lado onde passou a sua «arma secreta» foi sempre um balneário unido em torno dele. saindo, faltou-lhe o que ele muito desejava: a Liga dos Campeões. Muitos ainda não compreenderam - possivelmente ele próprio também - o que se passou no primeiro jogo em Dortmundo que, na realidade, não deveria ter eliminado este Real.

Quanto ao futuro, o seu maior desejo é o MAN U, mas isso obedece a um leque de disposições muito complicadas e nada indica que Sir Alex está disposto a abandonar o cargo neste momento. Eu sempre pensei que Mourinho consideraria p PSG, alargando o globo do seu palmarés, mas não parece que está inclinado para essas partes. No fundo, ele deseja voltar ao milieu inglês onde apesar de ser escrutinado à mesma, é respeitado e tratado com mais elegância e sentido de fair-play.
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De Lionheart a 03.05.2013 às 21:45

Se calhar o Alex Ferguson quer vencer a Liga dos Campeões de novo antes de se reformar, não sei. Não parece estar muito inclinado a sair tão cedo.

Nem toda a gente gosta do Mourinho em Inglaterra, naturalmente. Os adeptos dos clubes rivais do dele claro que não gostam dele, nem tinham de gostar. O estilo do Mourinho, especialmente quando levanta suspeita sobre árbitros, é muito criticado pela imprensa, que o acusa de falta de "fair-play". Mas em Inglaterra não há o ambiente doentio contra ele que se nota em Espanha. Talvez porque os ingleses não tenham animosidade para com os portugueses. Mas também sinceramente nunca notei animosidade deles para com alguma nacionalidade no futebol. Mesmo os alemães e os franceses que jogam na Premier League são estimados. Estou-me a lembrar do Klinsmann, do Cantona ou do Ginola que eram adorados.

O Mourinho ainda hoje é muito estimado no Chelsea e nota-se que gosta muito de Londres. Integrou-se muito bem (pudera, a qualidade de vida ali é do melhor, tirando o clima) e o futebol inglês no fundo é o elemento dele, por causa da competitividade e do ambiente. Mas o United era mesmo o clube que lhe permitiria assentar durante muitos anos, porque tem uma sustentação financeira muito sólida. Se calhar é isso que ele procura nesta fase da vida, depois de várias experiências em ligas diferentes.
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De Rui Gomes a 03.05.2013 às 22:35

Também penso que o United era o clube de longo prazo para ele. É uma situação difícil de fazer uma leitura compreensível, já que ele e Ferguson são bons amigos e este recomendaria-o para a posição, no entanto, como diz, aquela parte mais controversa dele não assenta muito bem naquele clube. Por outro lado, Ferguson também mantem uma batalha constante com a arbitragem e a comunicação social. Aqui há uns meses Bobby Charlton disse (palavras para o efeito) que embora reconhecesse as qualidades de Mourinho, que não tem o perfil ideai para o United.

Sim, o que o está a arrasar em Espanha é de facto o ambiente doentio, em geral, e os mafiosos espanhois de balneário, em particular. Consta que se ele sair para o Chelsea Xabi Alonso quer ir com ele, já que o seu contrato termina em Junho e ele recusou renovar. Igualmente para o treinador-adjunto espanhol.

Será um caso interessante de acompanhar. Eu gosto da Inglaterra, já estive sediado em Londres uns meses, em serviço, e tenho vários bons amigos ingleses. Mas o clima arrepia-me, para isso quase preferia o Canadá, onde os invernos agora são muito moderados, especialmente em Toronto, a minha velha base.

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De Lionheart a 04.05.2013 às 00:26

O problema da Espanha, e isso atingiu em cheio o Mourinho, é que no futebol espanhol tudo gira à volta da rivalidade Real Madrid-Barcelona. E depois a política que isso envolve é complicadíssima, e então, no estado em que está a Espanha, pior. É "só" Real Madrid-Barcelona, Barcelona-Real Madrid. Secante, doentio.

Em Inglaterra não é assim. Há várias rivalidades. O Chelsea, por exemplo, tem uma rivalidade próxima com o Fulham, porque são vizinhos, mas depois tem uma rivalidade com o Arsenal e com o Tottenham, por serem de Londres, e pode ter uma rivalidade com o Manchester United se estiverem a discutir o título, ou com o Manchester City, ou com o Liverpool. Há várias combinações possíveis. Várias "pegas" num sentido competitivo, nada mais.

Até o Guardiola, que ganhou tudo o que havia para ganhar e era da casa, fartou-se daquele ambiente e quis mudar de ares, quanto mais o Mourinho.
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De Rui Gomes a 04.05.2013 às 01:14

A bem dizer, até acho a Liga espanhola pouco competitiva. são os dois e depois todos os outros à procura das sobras. Tem razão, a história por detrás da história está muito enraízada no futebol, também.

Não sinto muito respeito por Guardiola e menos ainda pelo estilo de jogo que ele ajudou o Barcelona a praticar. Acho que ele é um cínico, Mourinho arrogante, e não teve a coragem de enfrentar o desafio do futebol inglês. Vai para uma Liga e para um clube que, na realidade, não tem rival. Vai ter uma grande equipa que já é e vai ser ainda mais reforçada a peso do ouro.
Ele deixou o Barça porque não aguentava mais a pressão da competição, e também a história, sem dúvida.

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