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A acalmia aparente

Rui Gomes, em 03.05.13
 


Tenho vindo a reflectir as recém-palavras de Carlos Barbosa da Cruz - tema de um post aqui no Camarote Leonino - advogado e antigo membro do Conselho Leonino que publica um artigo de opinião semanal no jornal Record. Analisando o momento do Sporting e reiterando o seu apreço pelo trabalho de Jesualdo Ferreira, este sportinguista disse o seguinte sobre a actual Direcção: "O clube também está agora mais estável, maisc organizado e mais competente, mas tenho dificuldade em atribuir créditos a uma Direcção que entrou há tão pouco tempo e com um caderno de encargos pesado. Aquilo que a actual Direcção se defronta não é culpa dela, sejamos justos nessa parte." 

Como apoiante de José Couceiro, até compreendo perfeitamente a sua intenção de não parecer um crítico com interesses alheios, mesmo não atribuindo créditos à nova liderança, como indica. No entanto, sinto alguma dificuldade em raciocinar o fundamento da sua análise quanto à actual alegada estabilidade, organização e competência do Clube. A sensação de acalmia deve-se, em grande parte, à notável recuperação da equipa profissional e dos recentes resultados desportivos, que são suficientemente agradáveis para não levantar ânimos de discórdia. Tudo o resto em relação a operações estruturais e organizacionais - pela evidência à vista - não passa de um processo «cosmético» para projectar precisamente um cenário de recuperação e progresso que não corresponde à realidade.

Como já foi citado neste espaço, em diversos escritos, a estrutura do futebol continua, no mínimo, muito nebulosa. A continuidade de Jesualdo Ferreira, contrário às últimas informações noticiosas, ainda está longe de ser assegurada e tudo o resto relativamente ao «staff» da Academia e da formação ainda está por esclarecer, com muitas dessas pessoas incertas sobre o seu futuro no Clube. Como os específicos do princípio de acordo com os credores - a Banca - não foram divulgados, os sócios do Sporting têm plena razão para se sentirem apreensivos em relação ao efeitos que vão recair sobre o futebol do Sporting, em geral, e da equipa principal, em particular.

Quanto ao Clube, em si, além de comunicados de pouco contexto e efeito e algumas operações de carácter «cosmético», nada é conhecido. As diversas promessas eleitorais caíram num vazio e resta alimentar a esperança que o futuro próximo traga algumas novidades de relevo. No final do dia, a acalmia aparente é isso mesmo, aparente, e pela não existência de uma oposição efectiva, dentro e na periferia do Clube, a família sportinguista aguarda preocupada mas pacientemente que a nova liderança se revele. As démarches que se têm verificado por parte dos simpatizantes do "Bruno" não têm tido o mínimo de impacto, salvo ofender muitos sportinguistas com direito a palavra e opinião. A opção destes em agir de uma forma mais construtiva e civil tem a ver com a sua apreciação pelos superiores interesses do Sporting e não por temerem recorrer ao seu direito a liberdade de expressão. Os dias aproximam-se muito rapidamente em que o Conselho Directivo vai forçosamente ter de mostrar que a sua função não passa somente por enviar recados à plateia, porque como Carlos Barbosa da Cruz diz, e bem, o caderno de encargos é pesado e não pode ser ignorado.

 

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publicado às 16:55

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12 comentários

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De Lionheart a 03.05.2013 às 21:27

Não há oposição organizada, ninguém vai minar o trabalho desta direcção, como o Carvalho fez ao seu antecessor, não haverá razões para que ninguém se vitimize, e depois os sócios julgarão. Depois da catarse que foi os sócios punirem a continuidade nas últimas eleições, estamos agora na fase da "desintoxicação", vendo o que vale a oposição à continuidade. Só depois desta fase o Sporting poderá começar um novo ciclo. Temos de ter (alguma) paciência, embora confesse que sinta imensa frustração pelo tempo que o Sporting está a perder com isto tudo. É o preço a pagar pelos sócios não saberem o que querem e pelas fracturas que se abriram dentro do clube. Fomos de um extremo ao outro, mas cada vez se nota menos capacidade na "liderança". Creio que daqui a uns meses a questão dos investidores na SAD será mais do que pacífica, porque serão os sócios a clamar por isso, em desespero. Só espero é que haja mesmo interesse...
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De Rui Gomes a 03.05.2013 às 21:31

O interesse surgirá pela incontornável realidade, se é que se pretende alongar a existência do Clube. Não quero crer, de forma alguma, que esta instituição centenária será abandonada, venha o que vier.
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De haja luz a 04.05.2013 às 09:22

Vocês disseram quase tudo, mas eu penso que os sportinguistas conscientes estão atentos.
Já agora para mim o projecto da anterior direcção era muito bom, começou-se a desmoronar com a saída do PPC.
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De Rui Gomes a 04.05.2013 às 10:23

Quando os resultados desportivos não aparecem, tudo se desmorona.
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De haja luz a 04.05.2013 às 17:33

Rui

Os resultados estavam a aparecer, tirando a CL, a época passada foi positiva, tivemos o recorde de assistência.
Mas acho que não foi por aí.
Penso que quem dirige o sistema, começou a aperceber-se do nosso potencial, e tentou desmoronar o trabalho.
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De Rui Gomes a 04.05.2013 às 17:52

N]os sabemos que surgiram interferências ruínosas do exterior mas também temos de ser realistas, em que vamos com 4 treinadores em 2 épocas e alguma estabilidade só começou a aparecer depois da chegada de Jesualdo em Janeiro.

Tivemos recorde de assistências devido ao bom trabalho que foi feito para recuperar o adepto mas no final das contas é sempre os resultados desportivos que contam, especialmente considerando que contratámos mais de 20 jogadores e investimos dezenas de milhões no futebol. A gestão desportiva foi um desastre e a promoção de Sá Pinto foi a pior decisão de todas. Foi que deu cabo da equipa e depois vem o Vercauteren a tentar fazer o que Jesualdo está a fazer sem conhecer jogadores nem o futebol português. Eu não fui apologista da demissão de GL e do Conselho Directivo, mas até tive ocasião de lhe apontar pessoalmente alguns dos erros que ele cometeu.
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De haja luz a 04.05.2013 às 18:51

Rui

O que está a dizer já foi depois daquela situação, antes isso não acontecia.
Contratamos tantos jogadores e bons porque precisávamos, e a muito baixo preço, e com um orçamento muito inferior ao dos outros.
Como disse o homem missão impossível, gastamos o mesmo numa plantel que is gastam nos retoques de mercado de Janeiro.
A gestão desportiva, ou rendimento que fala, só se começou a notar na segunda época, já depois dele ter saído.
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De Rui Gomes a 04.05.2013 às 19:41

Temos pareceres muito diferentes, neste contexto. O consulado de Domingos ainda hoje está por compreender, verdadeiramente, mas o Sá Pinto destruiu a equipa. Enquanto houve «coração de leão» foi-se lutando até à exaustão e depois quando era necessário preparar a nova época com cabeça tronco e membros ele, e a SAD, falharam completamente. Eu comecei logo a partir do primeiro dia a criticar a organização da nova época: foi simplesmente horrivel, eu eu já organizei dezenas delas e sei muito bem o que deve ou não deve ser feito. Despois Sá Pinto chegou a um ponto que já não sabia o que fazer com a equipa, nã existia sistema de jogo - como se vê agora - e a garra que serviu na parte final da outra época já não era suficiente, tinha de haver mais e esse mais não surgiu. O próprio GL reconheceu isso, mais tarde. Admito que talvez tivesse sido possível GL recuperar algo do desperdiçado mas com a oposição diária, já não houve tempo.
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De haja luz a 04.05.2013 às 19:59

Contínuo a dizer isso já foi depois.
Primeira época a estrutura a funcionar, fizemos uma boa época, dentro do que nos permitiram.
Para mim o melhor jogo da época talvez tenha sido o primeiro, e o segundo também foi mais ou menos, mas fomos logo prejudicados.
Um problema nesta segunda época, foi também a falta de um homem golo.
A pré época foi fraca.
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De Rui Gomes a 04.05.2013 às 21:35

Não vou insistir porque temos pontos de vista diferentes, mas abreviando aconteceu o seguinte: Começámos razoavelmente com o Domingos e fomos prejudicados pela arbitragem, inclusive do boicoite. Depois tivemos os tais 10 jogos bons e a partir dá o Domingos começou a descarrilar até que se deu a sua saída. Vem o Sá Pinto: a sua arma; garra, entrega o tal «coração de leão» que nos levou às meias-finais da Liga Europa e ao termo do campeonato. O princípio do fim com Sá Pinto: a final da Taça de Portugal. Equipa cansada precisava de um sistema de jogo que não apareceu e assim se começou a nova época, etc., etc.
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De haja luz a 04.05.2013 às 20:38

Rui

A pré época foi fraca, foi me dito por uma pessoa conhecida, mas não devo revelar quem é, para evitar conflitos.
Mas isso não é da responsabilidade da direcção, mas sim do preparador físico, que era um dos mais conceituados.
A direcção não podia lá chegar e impor outro esquema.
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De Rui Gomes a 04.05.2013 às 21:29

Não estou a falar da pré-época em si nem singularmente da preparação física, há métodos organizacionais específicos para pré-épocas que simplesmentam não existiram. É difícil de explicar por escrito. Eu até escrevi isto no jornal do Sporting e no fim eles acabaram por me dar razão. Mas isto são coisas que têm de ser conversadas «in loco».

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