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Todo o jornalista e, por extensão, editorialista e comentador, quer seja na imprensa escrita, rádio ou televisão, deve ter um senso de ética e responsabilidade - uma bússula moral. Enquanto que a independência é requisito básico da comunicação de massa,  a pedra angular da sua confiabilidade, a fonte da sua credibilidade, ainda é a sua precisão, honestidade intelectual e capacidade de informar - não a sua devoção a um determinado grupo ou resultado. Mesmo em um mundo de expansão de vozes, a precisão é o alicerce sobre o qual tudo é construido - contexto, interpretação, comentário, análise, crítica e debate. A verdade ao longo do tempo, surge a partir deste fórum.

Não sendo novidade de relevo, isto vem a propósito da aleivosia de que o Sporting é frequentemente alvo pelo comentário desportivo de massa, numa incessante tentativa de desprestigiar e infamar a sua constituição centenária. Um prezado amigo meu - devoto sportinguista - não teve a disponibilidade para assistir pela televisão ao recém-embate em Paços de Ferreira mas, pelo seu fervor leonino, foi ouvindo o relato da Rádio Renascença. A uma certa altura (61 minutos de jogo) foi alertado para um lance polémico que pelas iniciais expressões audíveis deixou-lhe a distinta sensação de ter existido uma situação de grande penalidade a favor do Sporting. Quem relatava o jogo não tardou a afirmar que não era penálti e o comentador "in loco" disse que foi um lance "limpinho, limpinho, limpinho" - em clara alusão à notória expressão do treinador do Benfica após o "derby" da Luz. Um terceiro elemento desta equipa técnica, o que se encontrava no estúdio, não hesitou em também confirmar que não era penálti, e o meu amigo, perante tanto testemunho, aceitou a fiabilidade e a precisão da comunicação radiofónica. Qual o seu espanto, e irritação, quando mais tarde teve ocasião de ver as imagens na televisão e ouvir as opiniões unânimes quando à existência de uma falta para grande penalidade que ficou por assinalar pelo árbitro Pedro Proença. Perante esta oblíqua circunstância, não é só lógico mas também justo, questionar o profissionalismo e a capacidade intelectual não apenas de um, nem dois, mas de três comentadores da Rádio Renascença sob a incontornável obrigatoriedade de informar com precisão e objectividade, muito além, ainda, do comentário sibilino com referência a uma frase que deturpa a verdade desportiva e desrespeita o Sporting e os seus três milhões de adeptos. Lamento que o meu amigo não tenha captado os nomes destes "ilustres" fincionários desta emissora, para permitir a sua publicação neste espaço, no entanto, ele já teve o cuidado de enviar uma carta a quem de direito a exigir uma explicação. 

O comentário informativo pode não perseguir a verdade em um sentido filosófico, mas pode - e deve - procurar fazê-lo em um sentido prático, um exercício que requere disciplina profissional e lealdade aos cidadãos. É por de mais evidente que estes preceitos morais e funcionais infrequentemente são aplicáveis a tudo quanto é Sporting, porventura, na defesa da "verdade desportiva portuguesa" à conveniência.

 

* Texto publicado hoje no Jornal do Sporting

 

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publicado às 06:10

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2 comentários

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De Fernando Albuquerque a 09.05.2013 às 09:08

Prezado Rui Gomes

Infelizmente a comunicação social desportiva que temos e não só, continuam a denegrir a imagem do nosso SCP . Há muitos anos que não compro os jornais desportivos, pois não suporto que digam sempre mal do nosso clube, pois isso não acontece com os outros , pois branqueiam muitos casos, alguns bastante graves. Eu penso que fazem esta perseguição, porque o SCP nunca teve um Presidente que não tivesse medo de enfrentar esta escumalha que abunda na citada comunicação. Na TV, cujos rostos estão presentes, o descaramento é igual, incluindo alguns"amigos"sportinguistas, que ajudam a achincalhar ainda mais. Esta época desportiva que felizmente está a terminar, foi desastrosa, primeiro porque desportivamente foi miserável, depois aproveitaram a parte financeira para arrastar o SCP para o fundo do poço e tudo isto junto deu azo a um fartote de gozo feito por imbecis que não sabem respeitar uma Instituição que ao longo da sua vida tem sido um baluarte do Desporto em Portugal.

Como não suporto e o mais grave de tudo pago todos os meses uma mesada para ter direito a ver os jogos que pretendo assistir, dizia eu que não suporto ouvir os comentários da maioria dos profissionais e comentadores de Sport TV , desligo o som e ouvia a rádio. Se por um lado chove no outro está tudo molhado, pois existem rádios cujos profissionais, alguns pagos por nós, o que é uma vergonha, que são impossíveis de aturar e por isso vejo os jogos em total silêncio. Na Capela da Luz tudo é maravilhoso, extraordinário, jogadores fantásticos, nada é reprovável, as arbitragens são tudo limpinho, limpinho etc. etc. e como eu costumo dizer cada um tem aquilo que merece. Se fosse mais novo seguia a sugestão do nosso PM e emigrava. Como isso não é possível, vou tendo a esperança, que o nosso Presidente ponha esta gentalha no seu devido lugar e que os faça respeitar o nosso SCP . Aos jornalistas, que são sérios e isentos e felizmente ainda existem vários, peço que continuem a exercer a sua profissão com a maior rectidão possível, não denegrindo e amachucando tantos adeptos que o SCP tem em todo o Mundo.

Um abraço leonino Fernando Albuquerque
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De Rui Gomes a 09.05.2013 às 09:43

Uma análise honesta e correcta da situação, caro Fernando Albuquerque.

Não o aconselho a emigrar porque, ao que concerne o Sporting, o acesso ao mau profissionalismo da comunicação social desportiva portuguesa é o mesmo que estar em Portugal.

Enquanto uma postura invulgar e extraordinariamente forte não for tomada pelo Sporting, só é de esperar mais do mesmo, sempre.

Um abraço

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