Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Um comentário muito perspicaz e certeiro por José Manuel Ribeiro no jornal "O Jogo":

 

«Na recém-entrevista colectiva, Bruno de Carvalho sintetizou muito bem a falácia da formação. O antecessor Godinho Lopes permitiu que vários ex-juniores fossem lançados na equipa principal - até com louvores pela façanha e grande coragem - sem os amarrar previamente a contratos maiores. Num mês são putos que ainda pediam licença para usar o cacifo, no seguinte faziam capas de jornais, possuíam lugares de estacionamento privativos e eram namorados por clubes da PlayStation. Não são exactamente as circunstâncias mais favoráveis para negociar com jogadores que ainda mal justificaram os lugares no onze.

 

Mas com ou sem Godinho Lopes, vai ser sempre assim, esse é o genuíno mundo da formação, limpo de demagogia e ingenuidade tradicionais. Sendo verdade que Bruma, por exemplo, se tornou muito mais convincente e apetecível depois de os olheiros terem registado as comichões que provocou a Luisão e Garay no Benfica-Sporting, também é verdade que os tubarões o seguem há muitos anos, de atalaia, à espera de um passo em falso. O central Pedro Mendes deixou de jogar na equipa principal quando alguém percebeu que ele já tinha assinado por um clube italiano.

 

Por muita razão que Bruno de Carvalho possa ter quando culpa os empresários e fala do descuido (ou luta pela sobrevivência ?) de Godinho Lopes, viver da formação é viver na inquietação e em stresse perpétuo, tal como acontece com os clubes que vivem do mercado internacional. A diferença é que, para serem os melhores, estes têm de ver antes dos outros lá fora, e o Sporting precisará de ver antes dos outros dentro da sua próoria casa.»

 

Como sempre, é fácil falar pós-facto da bancada, a origem conveniente da maioria das apreciações, mas como já tive ocasião de sublinhar em diversos escritos, a um determinado ponto da evolução de um jovem da formação uma decisão tem de ser assumida por alguém, fazendo uma apreciação sobre o futuro potencial desse jovem, consciente que se errar poderá comprometer o Sporting com um contrato de muitos anos que não produzirá retorno - desportivo e financeiro - ou, no inverso da moeda, que poderá deixar fugir um talento de qualidade. A trabalhar com tantos jovens e pelo leque de incertezas inerentes à evolução natural, humana e desportiva, destes, é inevitável que algumas decisões menos certeiras aconteçam, é a lei das probabilidades.

 

Ainda recente exasperei-me ao ler um malicioso e, ao mesmo tempo, ingénuo comentário por um fanático apoiante do actual presidente do Sporting, em que o autor atribui culpas a Godinho Lopes pelo presente estado contratual de Bruma e Ilori, esquecendo, ingnorando ou não compreendendo, que o último ainda tem contrato até Junho de 2015, amplo tempo para tomar decisões, e que o primeiro, pelas repetidas afirmações do seu empresário, já tinha chegado a um acordo de renovação quando surgiram as prematuras eleições, ocorrência que os levou a congelar o processo e aguardar o desdobrar de acontecimentos. No lugar deles teria feito o mesmo !... Além de tudo mais, será útil não perder de vista que o Sporting não tem os recursos financeiros de um Barcelona, por exemplo, para comprometer todos da formação a longo prazo, e decidir mais tarde o seu real valor. Tem de fazer o possível para, o mais cedo possível, separar o joio do trigo, missão extremamente complexa e inevitavelmente com algum grau de fabilidade.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:52

Comentar

Para comentar, o leitor necessita de se identificar através do seu nome ou de um pseudónimo.


2 comentários

Sem imagem de perfil

De antónio a 30.05.2013 às 17:10

De facto, “viver da formação é viver na inquietação e no stress perpétuo”. Sendo o futebol, para quase todos os participantes, o “instante”, um “flash”, essa constatação implica uma profunda contradição. A norma acaba por ser a impossibilidade de captar o momento, a capacidade de parar para pensar, por uma questão de cultura, de estrutura social e de espírito mercantil. E de falta de memória relativamente às “aventuras” prematuras mal sucedidas. Paulo Costa, Vasco Faísca? Não conhecem! Fixam-se em Figo e Cristiano Ronaldo. E depois há o receio de uma lesão ou que o comboio não volte a parar no mesmo apeadeiro.
Por isso, permaneço pessimista sobre a possibilidade de contestar os destinos dourados soprados por prestimosas sereias a jovens promessas do futebol. Sim, que, normalmente, são apenas isso!
Imagem de perfil

De Rui Gomes a 30.05.2013 às 19:41

Caro António,

Não invejo quem tem de se assumir na hora certa para separar o "joio do trigo". Não sei as estatísticas exactas, mas o apuramento de talentos superiores e aptos para equipas principais é muito pequeno. Daí, a necessidade da perspicácia de quem faz a selecção. Eu também não acredito, nunca acreditei, que se possa ser competitivo ao nnível desejado, assente na formação, quando esta deve ser integrada progressivamente no escalão superior e ser bem complementada por jogadores experientes.

Comentar post





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Taça das Taças 1963-64



Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D




Cristiano Ronaldo