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O teste do pato

Rui Gomes, em 30.05.13

 

O "teste do pato" é um termo, ou se desejar, um provérbio, cunhado há séculos, que serve perfeitamente para contrariar argumentos abstrusos de que algo não é o que parece ser: "Se se parece com um pato, nada como um pato e grasna como um pato, então provavelmente é um pato". Este, o raciocínio indutivo aplicável às ironias vazias do presidente do FC Porto pela sua fútil tentativa de desviar atenções do que "só" é uma conclusão lógica e universal sobre a negociata envolvente da transferência de João Moutinho e James Rodriguez para o AS Mónaco por 70 milhões de euros, atribuindo a menor "fatia" - 25 milhões - ao formado do Sporting.

A bem dizer, não é inesperado, já que o líder portista é bem conhecido por favorecer este modelo de negociatas, em que havendo conivência da outra parte, nunca se chega a saber o real valor de uma transferência de um jogador. A venda ao Atlético de Madrid de de Radamel Falcão e Rúbem Micael é outro exemplo do género. Não está, ou pelo menos não devia estar, em discussão os contornos da venda do jogador, pelo Sporting, em 2010. Esse processo é uma outra "novela", ou melhor, um "complot", que merece dissecação à parte. A realidade é que um componente integral desse acordo concedeu ao Sporting 25 por cento das mais-valias de uma futura transferência. É por de mais evidente que quanto mais baixa for a verba declarada dessa transferência, menor é a parte que compete ao Sporting receber. Por isto, não convém ao clube do Norte - hoje e sempre, efectuar uma venda singular em que o espaço de "manobra" é limitado e a possibilidade de dissimular as verbas envolvidas nula. Só esta disposição explica a recusa ao Tottenham, no Verão passado, por cerca de 30 milhões de euros.

Em três época no Dragão, João Moutinho foi nada menos do que o alicerce fulcral e indispensável da equipa portista, com participação em 140 jogos, 10760 minutos de jogo e ainda contribuindo com 10 golos. Com estas credenciais e ainda com 26 anos de idade, foi desvalorizado em 20 milhões de euros perante um colega de equipa apenas quatro anos mais jovem e ainda com muito por provar, não obstante o seu reconhecido potencial. É bem verdade, se se parece com pato, nada com um pato...

Pela ausência de comprovativos e mecanismos que permitam ao Sporting contestar este negócio, não ofende a ideia de fazer uma exposição do caso a quem de direito, seja a CMVM, a UEFA ou a FIFA. Por fim, e para que fique claro o parecer deste sportinguista, nada de tudo isto altera, minimamente, o comportamento, a indignidade, a desonestidade e a ingratidão do jogador para com quem lhe proporcionou a oportunidade de crescer para o futebol, indiferente se houve ou não maior ou menor capacidade negocial do então presidente do Sporting. Sendo um excelente futebolista, é e sempre será, como homem, uma "maçã podre", o legado, que um dia deixará aos seus filhos.

 

Publicado hoje no jornal "Sporting".

 

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publicado às 05:36

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4 comentários

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De haja luz a 30.05.2013 às 08:54

Enganaram-se, trocaram os nomes
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De Rui Gomes a 30.05.2013 às 12:25

Sem dúvida... um pequeno engano.
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De MM a 30.05.2013 às 14:49

Caro Rui Gomes,

Não desfazendo o sentido da mensagem, uma que subscrevo, as dificuldades para na época passada tanto Tottenham como Chelsea terem falhado as contratações de J. Moutinho e Hulk (respectivamente), prendem-se provavelmente com a proibição da partilha de direitos económicos em Inglaterra.

Os clubes teriam de "adquirir" o atleta não só ao FCP como aos fundos / parceiros / agentes que detêm percentagens dos seus passes. Já em transferências para Espanha, Ucrânia, Rússia ou tantos outros países Europeus, essa obrigatoriedade não existe.

À parte disto, entre os 3 maiores clubes de Portugal, a SAD portista é a que mantém mais mistério sobre todos os negócios que envolvem os seus jogadores. É-nos difícil (público) perceber muitas vezes as percentagens que têm do jogador A, por quanto a alienaram, por quanto a recompraram, por quanto vendem, etc.
Só com João Moutinho o FCP alienou e recomprou direitos do jogador salvo erro mais de 3 vezes, ao longos dos últimos 3 anos.

Um abraço grande.
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De Rui Gomes a 30.05.2013 às 15:26

seCaro MM,

Essa situação que descreve quanto à Inglaterra é bem pertinente, já que aumenta os custos para qualquer clube que pretenda adquirir um qualquer jogador que tenha percentagens do seu passa nas mãos de fundos. Quando fazem uma oferta ao clube detentor dos direitos desportivos são forçados a contabilizar esses custos adicionais.

Também concordo com a sua apreciação sobre os métodos de operação do FC Porto. Sinto dificuldade em compreender como é possível efectuarem vendas e compras de percentagens de passes sem participação à CMVM. Ou recorrem a qualquer "loophole" ou, então, há outra explicação mais obscura.

Recordo no passado não muito distante da CMVM surgir com exigências ao Sporting sobre questões quase insignificantes, no entanto, esse critério não aparenta ser aplicável ao clube do Norte.

Eu penso que a FIFA deveria intervir com regras mais rigorosas, porque enquanto houver conivência entre as partes, este modelo de negócios continuará. Como já indiquei em um outro post, estas coisas depois surgem em cadeia, a exemplo do Falcão. A sua venda ao Atlétio de Madrid é suspeita e, agora, o mesmo acontece pela venda ao Mónaco. Tudo isto não implica somente evadir pagamentos a terceiras partes, como é o caso do Sporting, também envolve fugas ao fisco.

Em resumo, o João Moutinho acabou por valer bom dinheiro e é muito duvidoso que se tivesse valorizado tanto tivesse ele permanecido no Sporting. Fico irritado com as críticas - mal fundamentadas - a JEB pela transferência original, quando ele fez o melhor possível perante uma situação impossível, que envolveu um "complot" que poucos do lá de fora compreendem na sua totalidade e, ainda, com um Sporting sem dinheiro para poder lutar em termos de igualdade. Tendo conhecimento dos factos, a única crítica que fiz então foi a não exigência ao FC Porto de pagamento a pronto. Querem ?... Muito bem... vão procurar crédito algures porque nós queremos pagamento imediato (e não em três tranches).

Não me vou alargar mais, mas é importante reconhecer que têm existido figuras no futebol português - ainda existem, aliás - que não olham a meios para atingir fins. Os seus objecvtivos não passam apenas por reforçar os seus clubes mas tanto ou mais enfraquecer os adversário. Um deles, era o José Veiga, que passava a vida a procurar meios para tirar ou destruir activos de valor - jogadores e treinadores - a adversários. Um dos exemplos mais clássicos do seu "modus operandi" foi o Jardel. Ele verificou que enquanti Jardel permanecesse no Sporting este seria campeão, ou provável campeão. Daí a sua decisão de ou o conseguia roubar para o Benfica ou o destruia. Destruiu-o.

Um grande abraço.

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