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Extremar pelo exagero desrespeitoso

Rui Gomes, em 15.11.12

Se não fossem tão pretenciosas e desrespeitosas, as recém-declarações de António Salvador até poderiam ser descartadas como a irrealista ambição de um líder que pretende elevar o seu clube a uma dimensão inalcançável: « Nos últimos três ou quatro anos, o Sporting Clube de Braga tornou-se na terceira força desportiva em Portugal ». Se este seu conceito se fica a dever simplesmente a fanfarrice pelos sete pontos que separam os dois clubes na tabela classificativa, neste momento, ou a qualquer outra operação do espírito muito mais profunda, é caso que carece de explicação urgente da parte de especialistas versados em fenómenos filosóficos que tratam da alma e das suas manifestações. Para que conste, esta minha apreciação é somente dirigida à supracitada pessoa e de modo algum reflecte os meus sentimentos pelo clube minhoto, instituição cujas cores já enverguei e até tive a honra de liderar uma filial sua a feitos históricos no campo futebolístico. Dito isto, não acredito que uma mentira contada mil vezes se torne em uma verdade.

A contenda mais pertinente será questionar o que é que o SC Braga conquistou, futebolisticamente, nos seus 91 anos de existência: a Taça de Portugal na época de 1965-66, a Taça da FPF em 1976-77 (única edição desta prova), a Taça Intertoto em 2008, o 2.º lugar no campeonato pela primeira e única ocasião em 2009-10 e chegou à final da Taça UEFA em 2010-11. A servir de análise, nas últimas dez épocas da Liga, a partir de 2002-03, apenas se classificou duas vezes à frente do Sporting, em 2009-10 e 2011-12. No resumo da década, a diferença pontual é de 81 pontos, a favorecer o Sporting. Considerando estes factos de registo, onde reside o fundamento da ilação de que «nos últimos três ou quatro anos tornou-se na terceira força desportiva em Portugal», mesmo limitando a discussão ao futebol ?

Muito dá para entender que esta linha de pensamento do presidente António Salvador obedece a um plano mestre mais alargado - obra do seu mentor - cujo escopo é abater a imagem e a grandiosidade do Sporting Clube de Portugal, sustentando as há muito sentidas «areias movediças» e aproveitando esta fase da sua vida de menor estailidade financeira e desportiva para, em simultâneo, expandir o domínio do Norte sobre o «milieu», desporto e indústria. Não ao acaso, mas com um raciocínio que ultrapassa o domínio da sensatez, a comunicação social desportiva portuguesa, como quase sempre, é parte do problema e não da solução, sensacionalizando este movimento contencioso ao mais pequeno ensejo e sem a mínima observância dos deveres e honorabilidade de colocar os factos em um contexto significativo e sem perseguir a verdade em um sentido absoluto. Mesmo neste nosso mundo de expansão de vozes, a precisão é o alicerce sobre o qual tudo é construído, noção e obrigação, por de mais evidente, descartada em prol de outras considerações à conveniência. A vida ensina-nos de que a responsabilidade que hoje se ilude. será eventualmente retribuída e transferida aos irresponsáveis. É só uma questão de tempo !

 

Artigo publicado hoje no Jornal do Sporting 

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publicado às 03:24

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2 comentários

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De A. Santos a 15.11.2012 às 11:15

Caro Rui Gomes,

O facto de os dirigentes e pessoas ligadas ao Braga se colocarem em bicos de pés, só por si demonstra o seu complexo de inferioridade em relação ao SCP.
O nosso presidente teve a amabilidade de mostrar o museu do SCP ao presidente António Salvador (nada contra), mas eu não me daria a esse tipo de cortesias. O Sr. António Salvador conhece muito bem a riquíssima história do nosso clube. Até porque foi logo dado outro sentido a essa iniciativa...

Saudações Leoninas
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De Rui Gomes a 15.11.2012 às 13:31


Caro A. Santos,

Não discordo, mas é uma questão de interpretação. Eu entendi a iniciativa do presidente como uma bofetada sem mão e pelas imagens que vi na TV, o Salvador estava à procura de um buraco para se esconder. Em última análise, como citei no texto, acredito que tudo isto faz parte de um plano mestre, por desenho do Pinto da Costa, visando o domínio sobre o futebol. A arrogància do Salvador, de há uns tempos a esta parte, é pelo seu reconhecimento que está protegido. Vamos ver mais do mesmo, no futuro, por outras palavras e acções. Cumprimentos

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