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Ainda Tomás Aires

Rui Gomes, em 10.12.12

Dando seguimento ao prévio post, sinto alguma dificuldade em equacionar, no contexto Sporting, uma das considerações evocadas pelo eng. Tomás Aires, ao que concerne o que ele entende que deve ser o modelo desportivo do Clube, centrado na formação nos moldes gestionados pelo Barcelona. Isto, porque a realidade entre os dois emblemas difere significativamente e muito embora ambos sejam reconhecidos pela qualidade da sua formação, o clube da Catalunha possui meios financeiros muito superiores para complementar a mesma, tanto quanto ao marketing de jogadores como relativamente à sua introdução e eventual produtividade na equipa principal. Concordo com a sua visão de que o projecto global Sporting deve ser assente em jogadores, vitórias e títulos e menos em activos, passivos, juros, fundos e outras questões do género, fundamentalmente porque é o produto de base - o futebol - que dispensa os meios para tudo o resto. Aparenta ainda existir alguma incompreenção que não é a formação que tem falhado, em contrário, mas sim a equipa principal. Os jogadores formados só poderão ser rentabilizados, desportiva e financeiramente, com a equipa principal a competir pelo título com regularidade, a conquistar o mesmo com maior frequência e com presença constante nas competições europeias, designadamente a «Champions». Não é lógico esperar - nem acontece mesmo - que um jovem, por muito talentoso que seja, possa continuar com a sua evolução e vir a realizar o seu potencial numa equipa sénior pouco competitiva ou medíocre.

Regressando ao aparato do Barcelona, não pode passar despercebido de que apesar da sua reconhecida «cantera», o clube complementa a equipa principal com talentos adquiridos a «peso do ouro», algo que é impossível ao Sporting. Num cenário ideal ,a exemplo do que é feito pelo Barça, o Sporting preservaria os melhores talentos do seu plantel sénior actual, promoveria os melhores da equipa B, mediante as posições com maior necessidade de reforço e, então, iria ao mercado adquirir jogadores de elevado nível técnico e atlético, com a já comprovada capacidade para fazer a diferença, mas a troco de $$$$ milhões.

Pela sensação do plantel que milita em Camp Nou em anos mais recentes, vejamos esta componente da sua real actualidade, relativamente a jogadores oriundos do mercado e não da sua formação: David Villa custou 40 milhões de euros, Javier Mascherano 24 milhões, Alexis Sanchez 26 milhões mais 11 em objectivos, Daniel Alves 23 milhões mais objectivos, Alex Song 15 milhões, Èric Abidal 15 milhões e até Cesc Fàbregas, formado no clube mas readquirido ao Arsenal por 29 milhões de euros mais objectivos. O que temos é um investimento adicional de aproximadamente 200 milhões - sem sequer evocar os seus elevadíssimos salários - para reforçar todos aqueles oriundos da formação, os casos de Messi, Xavi, Iniesta e companhia.

Na generalidade, o plano é atractivo mas mais fácil de idealizar do que concretizar. A única possibilidade de sucesso relaciona-se, porventura, com o modelo do Barcelona mas a um nível muito mais modesto e menos ambicioso, permitindo a desejada competitividade com regularidade e acesso às provas europeias.

  

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publicado às 15:14


2 comentários

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De A. Santos a 10.12.2012 às 16:46

Caro Rui Gomes,

Concordo inteiramente com a sua visão. Um dos problemas principais em relação ao processo formação, é o pós academia... A mesma formação pós academia, tem que estar na base de construção de uma equipa que compita regularmente em todas as competições, principalmente na Champions, donde se retiram os maiores proveitos financeiros. Julgava-se no mandato de Soares Franco, com Paulo Bento como treinador, que esta vertente fosse uma realidade, mas faltou a outra parte fundamental, que foi a falta de investimento em outros jogadores de fora, com valor que acrescentasse competitividade à equipa. Foi pena Soares Franco não ter enveredado por esse caminho. Sabemos que a situação financeira nessa altura era também difícil, mas perdeu-se uma excelente oportunidade de consolidação de uma equipa competitiva. Mesmo assim, Paulo Bento obteve bons resultados.

Cumprimentos
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De Rui Gomes a 10.12.2012 às 16:57

Caro A. Santos,

A visão, quanto à generalidade do plano/projecto é acertada, mas a condição terá de ser complementada pelos tais talentos acima da média. No tempo Soares Franco/Paulo Bento, sem tirar ps devidos méritos, se em quatro anos vimos meia dúzia de bons jogos de futebol foi muito. Resultados apareceram mas falta o resto para fazer brilhar a equipa e, por associação, valorizar os jovens formados. Concordo com Tomás Aires, aliás já venho a bater esta tecla há anos, que sempre houve falta do projecto completo para o futebol do Sporting, e tudo parte desse ponto, porque sem ele não não há encaixe financeiro aos níveis desejados e necessários. Não sei se era a ideia de Duque/Freitas, mas se era, com muita ambiguidade à mistura. Igualmente importante, é saber comprar caro. O Elias, a exemplo, pode muito bem vir a ser uma compra cara falhada. É bom jogador mas, até agora, ainda não justificou, pese o lamentável estado da equipa que anulará qualquer justa avaliação.

Cumprimentos

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