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Estórias de Alvalade - João Morais

Rui Gomes, em 13.12.12

«Eu era sempre o escolhido pelo grupo para falar com os directores, porque conseguia dizer as coisas sérias com ar de brincadeira. No regresso de Manchester, ainda no avião, foi isso que aconteceu. Meia dúzia de jogadores, aqueles mais importantes, juntaram-se e pediram-me para falar com o dirigente Mário Cunha. «Morais, nós perdemos em Manchester porque o Lúcio não cumpriu a obrigação dele», foi mais ou menos o tom da conversa. Jogámos numa quarta-feira, chegámos numa quinta a Lisboa e pedimos imediatamente uma reunião a Mário Cunha. Ficou marcada para sexta-feira, às 21 e 30 na secção de futebol. Mas ele apareceu mais cedo, ainda durante o treino. Estávamos no campo, lá vinha ele de sobretudo amarelo, perguntando logo ao treinador se o treino ainda demorava muito. Depois pediu-lhe que dispensasse o Fernando Mendes, o Hilário, o Carvalho e eu porque queria falar connosco.

Lá fomos. Havia um ambiente desconfortável, ninguém queria tomar a responsabilidade de começar a conversa. O Mário Cunha olhou para nós e disse, «é pá, se têm vergonha de falar, não tenham». Eu, claro, tomei a palavra e disse:«o Mendes, ou está com medo ou tem medo. Sabe uma coisa: nós não queremos o Lúcio a jogar na nossa equipa porque ele foi o carrasco do 4-1. Além disso, o Lúcio não respeita o estágio como nós respeitamos, sobretudo em termos de alimentação. E se o senhor Mário estivesse de acordo nós gostaríamos de ver o Lúcio fora da equipa o mais depressa possível.» o Mário Cunha fez uma pausa e perguntou, «quem é que vocês metiam a jogar no lugar dele?» - «O Alexandre Baptista» - respondemos quase todos ao mesmo tempo. Morais, Alexandre Baptista, José Carlos e Hilário...não havia melhor defesa. Depois, como prova do nosso empenho e boa vontade, prontificámo-nos a ir para estágio durante 15 dias, até ao jogo da segunda mão com o Manchester United. O Mário Cunha ficou parvo! No dia em que pedimos para ficar em estágio, abraçámo-nos todos, demos as mãos e lançámos o mote: «Vamos a eles! Temos que os comer am Alvalade.»

 

* Do livro «Estórias d'Alvalade» por Luís Miguel Pereira

 

 

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publicado às 00:33


2 comentários

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De A. Santos a 13.12.2012 às 12:45

Caro Rui Gomes

Este relato é fantástico, e prova como o Sporting se tornou GRANDE. É este carácter, esta mística, que queremos que volte ao clube! Os jogadores actuais deviam ler estas "estórias", para saberem honrar o legado destes HOMENS.

Cumprimentos
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De Rui Gomes a 13.12.2012 às 13:21

Caro A. Santos,

Existia o tal amor e brilho pela camisola que, no mundo mercenário de hoje, é sentimento raro. Não é fácil recuperar este sentimento face aos valores da actualidade. O mais que se pode exigir é profissionalismo total.

Cumprimentos

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