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Ainda o negócio de Montero

Rui Gomes, em 24.07.13

É perfeitamente compreensível que nem tudo sobre negócios envolvendo clubes e atletas profissionais pode ser divulgado publicamente, salvo pelas exigências das entidades próprias. Mas tudo aquilo que quem de direito entende pode ser difundido no domínio público, deve ser feito de forma clara, correcta e concreta. A causa do todo da confusão sobre a transferência de Fredy Montero do Seattle Sounders para o Sporting é precisamente a falta de clareza e precisão, especialmente depois do clube norte-americano já ter anunciado a ocorrência no seu site oficial.

 

Verificou-se confusão desnecessária e (des) informação estupeficante, do género da que o Record publicou hoje, alegando que a transferência por empréstimo se deve a  questões de fisco da "Major Soccer League" (MLS) e para evitar pagamento de compensação pela formação de Fredy Montero ao Deportivo Cali da Colômbia. Considerações no mínimo absurdas, quando a simples verdade é que o Sporting, pelos seus condicionantes financeiros, não dispõe dos meios neste momento para comprar a pronto o passe do jogador e teve a habilidade negocial, e felicidade também, de convencer o Seattle Sounders e a MLS a aprovar o negócio agora conhecido.

 

Em primeiro lugar, a questão primordial num negócio deste cariz tem a ver com o que na MLS é denominado "Allocation Money", que se relaciona com o teto orçamental que a Liga impõe aos clubes, e que permite com que determinadas verbas sejam alocadas de forma preferencial, em condições nunca divulgadas pela Liga, pela transferência de activos para o exterior, além de outras considerações.

 

A segunda disposição adiantada pelo diário desportivo é ainda mais ridícula, pela sugestão que a transferência a decorrer desta forma permite com que o Seattle Sounders/MLS fique exempto de compensar o clube formador - Deportivo Cali - pela formação de Fredy Montero. O acordo de solidariedade da FIFA é aplicável em transferências internacionais durante a carreira toda do jogador e obedece a uma tabela de pagamento de acordo com a especificidade do termo da formação, entre os 12 e 23 anos de idade.

 

Resumindo e concluindo, sem revelar os contornos sigilosos do negócio, teria sido suficiente o Sporting participar que o jogador chegou a Alvalade por empréstimo por uma época, com o Clube a deter a opção de compra sob condições pré-acordadas tanto quanto à aquisição do activo a título definitivo como ao que concerne as condições salariais do atleta para as seguintes quatro épocas, cinco, contando com a primeira, por empréstimo. Tão simples como isto !

 

Aqueles que esperam que tudo seja clarificado através de um eventual comunicado à CMVM ficarão desapontados, porque ao abrigo das novas regras para clubes de futebol, não existe a obrigatoriedade de participar todos os detalhes em transacções deste cariz.

 

Esta é a leitura possível da transferência pela informação disponível e tendo em conta as regras relevantes. Se surgirem provas em contrário, não terei quaisquer dificuldades em rectificar o meu parecer.

 

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publicado às 22:28

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