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"O Sporting é Nosso"

Rui Gomes, em 01.08.13

 

 

Coincidentemente, José Quintela, o novo director do jornal "Sporting", surge no seu editorial de hoje a dar resposta à pergunta que ficou no ar no nosso recém-post "Em resposta a um leitor", quanto ao significado do novo logo tema «O Sporting é Nosso»:

 

"No passado sábado, no jogo de apresentação, foi conhecido o novo logo tema para a época que se inicia, tendo por mote o «Sporting é Nosso». Sim, o Sporting é Nosso, dos sócios, dos adeptos, de todos os que amam o nosso Clube. (...) O emblema criado para a época de 2013/14, pretende reforçar um posicionamento de marca mais orientado para os sócios e adeptos. Graficamente, o símbolo procura potenciar o orgulho e a força de ser «leão», reforçando a identidade sportinguista.»

 

Não tenho problema de maior com esta disposição, mas é impossível separar este slogan da demagogia que marcou o acto eleitoral e que dava claramente a entender uma distinção entre sportinguistas: "nós" e "eles" e, daí, "O Sporting é nosso outra vez", seguido pela outra notória frase "Agora mandamos nós". Nos meus muitos anos de sportinguismo, nunca olhei para o Sporting senão como sendo de todos os sportinguistas e nem uma única vez me veio à ideia que existiam classes diferentes de sportinguistas, em termos associativos e sentimentais. O sócio e o adepto têm hoje essencialmente a mesma ligação ao Clube que tinham há 40 ou mais anos atrás, por conseguinte, não identifico diferenças, em contexto.

 

Decerto que o Conselho Directivo terá as suas ideias quanto "ao posicionamento de marca mais orientado para os sócios e adeptos", mas salvo inovações comerciais de relevo, ainda não se verifica um posicionamento diferente de qualquer outro, na história do clube. A sociedade é diferente e os meios de vida também, por conseguinte, a comunicação e ligação ao sócio e adepto têm de ser forçosamente adaptadas aos tempos.

 

Em última análise, a existir qualquer nível de apreensão quanto ao slogan, relaciona-se inevitavelmente com a demagogia recorrente, dentro e na periferia do Sporting que, em grande dose, projecta indícios de recriminação.

 

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publicado às 16:53

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17 comentários

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De Petinga a 01.08.2013 às 17:47

Excelente análise.

"Nos meus muitos anos de sportinguismo, nunca olhei para o Sporting senão como sendo de todos os sportinguistas e nem uma única vez me veio à ideia que existiam classes diferentes de sportinguistas, em termos associativos e sentimentais."

Se me permite, penso que este ponto é, talvez, um bocadinho discutível? Em todas as associacoes de pessoas há sempre graus diferentes de envolvimento, intensidades diferentes de comunhao com os ideais da associacao e, simplesmente, maneiras diferentes de viver a própria associacao. Isto vale para um clube de futebol, para um grupo de jovens, uma sociedade civil ou até um corpo de bombeiros.

Que isso nao implique a consideracao de "classes diferentes" eu aceito. Mas que possa existir algum ressentimento quando, de forma mais ou menos clara, os destinos dessa associacao sao durante muitos anos a fio conduzidos por uma franja de pessoas com um grau de envolvimento específico e que nao reflecte a forma de estar da maioria, e isto sem sucesso para a dita organizacao, também é compreensível.

Veja-se a reaccao cada vez mais virulenta da sociedade civil em portugal contra a classe política, pessoas com as quais a maioria cada vez menos se identifica e que - para cúmulo - demonstram total incapacidade para a levar (à sociedade civil) a um sucesso enquanto colectivo.

Junte-se a isto a irracionalidade própria do futebol e temos os ingredientes para algo de muito complexo.
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De Rui Gomes a 01.08.2013 às 17:59

É evidente que sempre houve e há sportinguistas de classes sociais distintas, mas no contexto adepto, que é a que eu me refiro, nunca me passou pela mente essa distinção.

Ainda há instantes, perto do meu escritório, fui abordado por "mais" um sportinguista que gosta de fazer conversa comigo. Por vezes, até é de mais, pese as boas intenções. Mas o que conversámos, ou disse-me ele a mim, que se a actual Direcção fosse mais humilde, menos demagógica e mais factual nas suas explicações, teriam maior apoio de todos.

Concordo, na íntegra, com a sua análise sobre a combinação do estado de Portugal e o futebol, algo que de facto torna tudo muito mais complexo.
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De City Lion a 01.08.2013 às 18:48

Rui, este lema é tudo menos feliz numa altura em que a Direcção teria todo o interesse em unir o clube. Faz lembrar o pior das ultimas campanhas eleitorais no clube e que pela 1a vez desde que me lembro criaram uma enorme divisão entre os sportinguistas. Esta Direcção socorre-se de lemas que acreditam podem criar ainda mais fervor entre os seus apoiantes de sempre, ajudando assim a afastar do clube quem não é dos "nossos". A verdade é que todos somos poucos para salvar o Sporting, mas infelizmente continuamos a dar tiros nos pés. As consequências disto podem ser trágicas. PS Diga ao seu amigo vizinho de escritório que se esta Direcção fosse mais humilde e menos demagógica era sinal que não teria o actual Presidente!
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De Rui Gomes a 01.08.2013 às 19:07

É bem verdade meu caro, a divisão continua muito acentuada e não há indicações de melhora. Limito-me a reiterar que nos meus 60 anos de sportinguista, nunca vi uma divisão entre nós como a que se começou a sentir de há sensivelmente 3 anos a esta parte. Lamentável, não diz o suficiente.

Muito por isto, até já não sei o que escrever no jornal - nem tenho escrito, entre falta de ideias e as censuras que já me fizeram. É o Daniel Sampaio - esse tem espaço reservado, muito embora nunca antes tenha colaborado, e um outro, Juvenal qualquer coisa, não me lembro agora do nome - que também escreve artigos ao agrado.

Tento ser objectivo, muito indifique sinais que não me dão razão para grande optimismo.
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De sergiom a 01.08.2013 às 22:23

City permita-me fazer a análise de outro modo, o clube está unido, mais unido que nunca, acredite. Neste momento aqueles que se vão afastando do Sporting são minoria.
Alguns sportinguistas não se querem unir, muitos por teimosia e embirrasse com a actual direção. Veja-se que aqueles que começaram a criticar com duras palavras esta direção irão fazê-lo sempre.

Provavelmente aqueles que estiveram com BdC, após a vitoria eleitoral de Godinho Lopes, aceitaram-no (a maioria) como presidente e falaram todos a uma só voz; ao invés aqueles que não votaram BdC e que ainda não digeriram a sua vitória, não querem aceitá-lo com seu presidente. Mas é!

"(...)pela 1a vez desde que me lembro criaram uma enorme divisão entre os sportinguistas." Deve ser um rapaz muito novo.


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De Rui Gomes a 01.08.2013 às 23:47

Deixo o resto do comentário para o City Lion se ele desejar responder, mas não resisto abordar a parte que refere: "o clube está unido, mais unido que nunca."

Podemos discordar pontualmente com diversas questões, o que é perfeitamente compreensível, mas esta sua afirmação é pura demagogia. Em facto, é uma fantasia do tamanho da Torre Eiffel.



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De Juvenal Carvalho a 01.08.2013 às 22:40

Em resposta ao Rui Gomes, eu sou o Juvenal Carvalho. Serei pelo menos qualquer coisa de relevante junto dos meus amigos e de meus familiares, o que é já qualquer coisa de muito bem.
Vejo que é um homem que já vivenciou muito muito de Sporting, o que é bom. Quero dizer-lhe que eu, que já tenho 20 anos de passado sportinguista como dirigente não remunerado, em modalidades como o basquetebol, andebol e futebol juvenil, dos 47 que tenho de idade e dos 37 de associado, pelo que como vê não cheguei agora na carruagem que me quer colar.
Quanto ao escrever coisas para agradar, faça esses juízos para quem os quiser, mas ou leia as minhas crónicas ou saiba interpretá-las. Saiba mais, não fui votante em Bruno de Carvalho, pessoas próximas dele o sabem, e para mim o presidente que me fez amar o Sporting tem um nome: João Rocha. Tudo o que você pode dizer e pensar são mesmo 'qualquer coisa' de irrelevante para mim. SL
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De Rui Gomes a 01.08.2013 às 23:23

Meu caro,

O facto de na ocasião não me lembrar do seu nome completo, não implica qualquer sentido de depreciação da minha parte. Quanto à minha adjectivação lateral, compreendo que a tenha interpretado de modo menos positivo. Nesse sentido, peço desculpa, embora também não fosse com a intenção de ofender. Desconhecia/desconheço o seu passado no Sporting e nem isso está em questão, porque, além do mais, é livre de escrever o que entender sem ter de me dar satisfações.

É de admitir que o meu raciocínio tenha sido afectado pelo facto de já ter sido censurado (não publicado) em algumas ocasiões desde que esta Direcção assumiu a liderança, sem razão aparente e, pior ainda, sem explicação. Dito isto, este é um problema somente meu.

Dado a muito natural irrelevância da minha opinião sobre os seus escritos, não necessitava de se justificar e, menos ainda, até, de replicar à minha referência à sua pessoa, que não foi mais do que passageira.

Cumprimentos
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De Petinga a 01.08.2013 às 23:48

Já agora: a renovacao de Betinho até 2018 parece demonstrar que, pelo menos no médio prazo, é aposta do clube.
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De Rui Gomes a 01.08.2013 às 23:58

Sim, de certo modo, mas aparentemente não tanto como os outros dois que renovaram até 2019.

Não vou insistir de modo algum que ele já está completamente preparado para "atacar" a equipa principal, mas gostaria de saber a avaliação técnica sobre o seu desenvolvimento. Leonardo Jardim mal o conhece, Abel conhece-o à distância já que só agora o começou a treinar. Talvez Aurélio Pereira fosse a pessoa indicada, não sei.
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De Rui Gomes a 02.08.2013 às 00:07

P.S. Ignore o meu primeiro parágrafo da minha resposta. Li 2016 na ocasião e só agora verifico que é 2018. Tudo bem.

O segundo parágrafo continua a ser relevante, especialmente pela ausência de um ponta de lança de área. Não gosto de ver, como se viu contra o Nacional, o Montero andar lá à frente sozinho a lutar com os centrais por bolas no ar e a correr o campo. Tem de se concentrar mais no jogo no miolo, mas o sistema de LJ é este. Veremos quando for a sério.
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De Petinga a 02.08.2013 às 00:13

Pois eu gostei e muito do que vi no jogo contra o Nacional. Sobretudo porque dois dos estrangeiros que eu pensava serem mais-valias claras do plantel num comentário anterior (Capel e Rinaudo) foram, de forma tao inequivoca quanto surpreendente, suplantados, hoje, em termos de performance e integracao no colectivo por dois jovens (Carvalho e Chaby). Isso e a performance do colectivo, com uma organizacao defensiva e ofensiva que há muito nao via no Sporting durante um jogo inteiro, sao razoes para acreditar que o futuro é verde e pode até ser bem-sucedido (mas nada de euforias).

O Sporting precisa de um avancado "pinheiro" se jogar para ir à linha e cruzar para a área. Nao se jogar como o fez hoje. Betinho terá seguramente o seu espaco
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De Rui Gomes a 02.08.2013 às 00:44

Desculpe, está a falar do Capel que entrou nos últimos 15 minutos e ainda fez uns bons centros ?

Meu caro, eu nunca sou pessimista, é a minha natureza, mas aconselho-o a não se precipitar nesses louvores. Ainda é muito cedo e apesar de tudo não são jogos a doer. Temos muito trabalho pela frente, especialmente no último terço do terreno onde exibimos carências evidentes. Isto, apesar de hoje se ter rematado mais do que contra a Real Sociedade.
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De Petinga a 02.08.2013 às 00:52

Meu caro, eu próprio escrevi que nao entro em euforias. Mas ver uma equipa do Sporting que joga algo digno de se chamar futebol, de forma sustentada, durante 90 minutos, é motivo de satisfacao.

O futebol moderno, ofensivamente, é muito mais do que ir à linha cruzar. Sempre. E a eficácia ofensiva nao se mede pelo número de remates efectuados.

E nada de embandeirar em arco. Só a constatacao tao óbvia, de surpreendente, que a fluidez do meio-campo desapareceu completamente (para nao mais voltar) assim que Carvalho saiu. E que, se perguntar aos defesas do Nacional, lhe dirao todos que Chaby foi muito mais complicado de travar do que Capel.

Há muito trabalho pela frente, mas é impossível nao perceber que ele está a ser bastante bem feito tendo em conta os recursos à disposicao e o (muito desfavorável) ponto de partida.
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De Rui Gomes a 02.08.2013 às 00:58

Gostei da parte sobre o futebol moderno. Já aqui escrevi, repetidamente, que o factor de maior confiança é Leonardo Jardim e, por isso, é de esperar evolução da equipa com o passar dos dias. Mas, como sempre, o verdadeiro teste é quando for a doer.
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De haja luz a 02.08.2013 às 01:29

Rui

Estou praticamente de acordo em tudo que escreveu, quer sobre o post, quer sobre o jogo.
Gostaria de sublinhar alguns comentários seus e do City Lion

\" Nos meus muitos anos de sportinguismo, nunca olhei para o Sporting senão como sendo de todos os sportinguistas e nem uma única vez me veio à ideia que existiam classes diferentes de sportinguistas, em termos associativos e sentimentais.\"

\" pela 1a vez desde que me lembro criaram uma enorme divisão entre os sportinguistas. Esta Direcção socorre-se de lemas que acreditam podem criar ainda mais fervor entre os seus apoiantes de sempre, ajudando assim a afastar do clube quem não é dos \"nossos\".

\" É bem verdade meu caro, a divisão continua muito acentuada e não há indicações de melhora. Limito-me a reiterar que nos meus 60 anos de sportinguista, nunca vi uma divisão entre nós como a que se começou a sentir de há sensivelmente 3 anos a esta parte. Lamentável, não diz o suficiente.\"

É sportinguistas como vocês que me dão alegria
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De Rui Gomes a 02.08.2013 às 01:43

Caro HY,

Fico sem saber se o seu último parágrafo é com sarcasmo ou não, admito que possa ser pelas nossas prévias conversas.

Pode não concordar com o que eu penso, sinto e escrevo, mas faço-o desinteressadamente, salvo pelo Sporting. Se não tenho aliança com esta Direcção, também não a tinha com a de GL e antes dele com a de JEB.

Eu nunca vi e nunca senti esta divisão e tenho vivido o Sporting muito ao perto ao longo dos anos, muito embora, como o HY, que se encontra na zona de Bruxelas, eu já há longo que também estou sediado no estrangeiro, mas nem sempre no mesmo local.

Eu sou crítico quando entendo que devo ser, mas nunca é assente em ideologia alguma, apenas na minha apreciação dos factos disponíveis e das circunstâncias existentes.

Não lhe posso adiantar mais nada.

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