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As duas faces da mesma moeda

Rui Gomes, em 16.12.12

Acredito no jargão popular que afirma que «todo homem tem um preço». Porém, a outra face dessa mesma moeda também me seduz a acreditar que para a honestidade não há preço, porque a dignidade de um homem honesto é inestimável. Ser honesto é, pela voz da minha consciência, agir em conformidade com o que é verdade e digno.

Não conheço Franky Vercauteren pessoal e intimamente, como homem, apenas como treinador de futebol e, mesmo nesse contexto, ainda muito pouco. Não sei, portanto, se é um homem honesto. Tudo que sei é que desde que aterrou em Lisboa e entrou em Alvalade, tem vindo a agir perante a enorme e ingrata responsabilidade que o confronta diariamente, conforme à verdade e com dignidade, por conseguinte, honestamente. É discutível se esta é a melhor forma de ser e estar no «mundo cão» do futebol, mas é, evidentemente, a sua.

Em contraste extremo temos o treinador do Benfica. Tal como Franky Vercauteren, não conheço Jorge Jesus pessoal e intimamente, apenas como treinador de futebol. Não sei, portanto, se é um homem honesto e não o acusaria de não ser, sem conhecimento de causa. Tudo que sei é que no seu exercício profissional age e discursa frequentemente com pouca, por vezes nenhuma, dignidade, expondo-se, por esse comportamento, à acusação de não ser honesto.

Poderia citar inúmeros exemplos que sustentam esta percepção pública de Jorge Jesus mas, para o efeito, limito a apreciação às suas recém-declarações após o embate na Luz frente ao Marítimo e que resultou em uma vitória expressiva da sua equipa: «Concordo com a avaliação do árbitro Hugo Pacheco. São daquelas bolas que batem nas mãos de jogadores, uns marcam e outros não marcam. A bola caiu mesmo em cima do braço do defesa do Marítimo e  o fiscal estava atento. O árbitro definiu bem. Como contra o Sporting e hoje, há árbitros novos que estão a aparecer com um critério disciplinar e técnico bom e isso é bom para o futebol.»

Quem conhece Jorge Jesus, o treinador, e relembra a sua conduta ao longo dos anos, não pode se não questionar se esta sua visão das decisões desta arbitragem seriam as mesmas, caso tivesse sido o seu clube penalizado. Ou será que ele diria que o árbitro assinalou falta para grande penalidade por não querer ver outra coisa? A realidade é que o lance em questão não ocorreu exactamente como Jorge Jesus descreve. É verdade que a bola - rematada com força - foi bater no braço do jogador do Marítimo, contudo, deixou omisso a «pequena» consideração de que o jogador não fez qualquer movimento deliberado com o braço, em facto, tentou retirá-lo para trás das costas mas não conseguiu evitar o contacto. À letra das leis do jogo, não devia ser falta, mas bem sabemos que os critérios dos árbitros variam imenso. Por este engrandecimento do trabalho da arbitragem, Jorge Jesus não agiu em conformidade à verdade, mas apenas e tão só à sua conveniência e, aqui, reside a diferença de honestidade e dignidade entre homens.

 

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publicado às 14:07

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