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As palavras do Dr. Ricciardi

Desert Lion, em 21.10.13

 

 

 

Respondendo a um desafio do nosso comentador HY, que apesar de muitas vezes estar em desacordo connosco, sempre o fez com enorme inteligência, respeito e educação, permitindo um debate civilizado de ideias - ao contrário de outros que parecem ter inclinações mais belicosas -, passarei aqui a dar a minha interpretação sobre as palavras do Dr. Ricciardi:

 

O que eu penso que se conseguiu foi uma reestruturação que foi positiva, não só para os dois bancos (BCP e BES) como para o Sporting, mas também muito dura. Estávamos a falar há pouco da consolidação das nossas contas públicas, ora o que isso representa para o Sporting também é muito duro [...] O Sporting passou a ter de ter um orçamento que é talvez menos de metade daquele que tinha anteriormente, mas, como se vê, no futebol profissional não é só o dinheiro que faz com que os clubes consigam ter melhores ou piores desempenhos. Basta olhar para exemplos como o Braga ou o Paços de Ferreira, que, no ano passado ficou em terceiro lugar. Foi uma boa reestruturação, acho que se conseguiu que o Sporting ficasse com a situação financeira estabilizada, mas, por outro lado, para que isso fosse possível, foi preciso que o Sporting fizesse um trabalho extremamente duro e corajoso na diminuição dos seus custos [...] Fiquei surpreso, não por ser este presidente, mas porque a tarefa seria muito difícil para qualquer um”.


No que concerne às palavras finais, de louvor ao trabalho duro e a capacidade para enfrentar a dificuldade da tarefa da reestruturação, penso

que essa será a opinião geral, e também nós aqui já o havíamos louvado e referido. Passo a citar parte do meu post de análise aos primeiros 6 meses de vigência desta Direcção Leonina:


“- Gostei da reestruturação financeira. Quem não tem cão caça com gato e foi o que a nova Direcção fez. Ameaçou não pagar e, aproveitando a fraqueza estrutural dos nossos credores (BCP e BES estão com graves prejuízos que não podem deixar agravar ainda mais), conseguimos um acordo que nos permitiu sobreviver, se bem que limitados e dentro de baias extremamente curtas.

- Gostei que tivesse avançado a redefinição de meios – incluindo meios humanos - do Clube e SAD. Apesar de não ter sido feita nos moldes que me pareciam mais adequados, houve a coragem de reestruturar e mexer com hábitos e direitos adquiridos, o que é de louvar.

- Gostei da reestruturação informada das actividades amadoras – contra a qual antes batalhei e do aqui faço um mea culpa. O presidente referiu que as diminuições de orçamentos estariam em linha com o que os outros grandes iriam fazer e, tanto quanto fui lendo, parece que tal se confirmou. Foi pois bem pensado e estrategicamente correcto reduzir os orçamentos quando a concorrência também o fez, não desperdiçando os muito escassos meios de que vamos dispondo.”

 

Pergunta depois o HY porque é que, estando o Dr. Ricciardi no CFD há tanto tempo, nunca se lembrou de que talvez este caminho, do corte radical de custos, fosse o mais correcto. E posso-lhe responder aqui que estou certo de que, muitas vezes, se terá lembrado disso. No entanto, houve sempre a convicção de que assumir um orçamento de 20 milhões, contra cerca do triplo ou quádruplo dos nossos rivais, Benfica e Porto, nos condenaria a uma situação de subalternidade competitiva permanente, pontuada aqui e ali por um ou outro sucesso, obtido de modo não sustentável. Assumiu-se que a sustentabilidade de um Clube que terá cerca de metade da massa crítica do seu maior rival (Benfica) só poderia advir de uma gestão semelhante à do outro rival (Porto), em que os sucessos desportivos, propiciassem receitas (via TV, Champions, bilheteira, patrocínios, venda de jogadores e outras), que por sua vez permitiriam reforçar a componente desportiva, para se gerarem mais sucessos, e assim sucessivamente. Esta aposta precisaria de um esforço inicial de investimento, que foi o que vários presidentes tentaram fazer – o Dr. Soares Franco com a venda do património e as VMOCS iniciais, o Dr. Bettencourt com crédito (até lho cortarem...), e o Eng. Godinho Lopes com recurso a crédito e recursos diversos de Fundos -, para depois se colherem os frutos em vitórias. Um Clube vencedor atrairia também investidores externos e, com as essas injecções de capital, liquidar-se-iam os créditos iniciais, deixando o Clube a gerir tranquilamente os seus activos vencedores, sob controlo de profissionais do desporto e finanças.

 

Esta estratégia de risco nunca resultou, fundamentalmente porque nunca houve uma gestão desportiva capaz no Sporting. Centenas de jogadores entraram e saíram sem sequer se saber sequer se eram bons ou maus. Mas também porque, sejamos justos para quem passou pelo Clube, nos foram cortadas as pernas em momentos críticos da ultima década e meia... E sim, estou a falar de arbitragens “frutadas” que nos arredaram da compita, geralmente logo antes do Natal. Estas, não só nos destruíram campeonatos, como nos impediram de solidificar equipas e jogadores, transformando os bons em médios e os médios em medíocres. Como referi no meu primeiro post neste blogue, só durante três épocas houve sorteio nas nomeações de árbitros em Portugal, tendo, curiosamente, o Sporting sido campeão em duas delas.

 

Gostava ainda de aqui recordar que também o actual presidente do SCP advogava essa política mais “pró-investimento”, há dois anos e meio atrás. Foi ele que apareceu com um Fundo de 50 milhões de euros para comprar jogadores para o Sporting que, naturalmente, comparticiparia dessas compras e pagaria os salários e os outros custos. Ou seja, as filosofias de gestão que nos foram propostas aos longo dos últimos anos não diferiram muito, até o Clube chegar a uma situação em que já não havia dinheiro (nem crédito) para nada. Chegados aí, quer BdC quer Couceiro prometeram fazer uma redução das despesas e adaptar o Clube à sua realidade. BdC ganhou e fê-lo, não se notando quebras de competitividade, pelo menos até esta altura. Só podemos aplaudir e desejar que se consiga manter o mesmo nível ao longo  de toda a época, quer no futebol (SAD), quer nas modalidades a cargo do Clube.

 

Apenas uma última nota para a posição do Dr. Ricciardi, que sempre se “esticou” muito pelo SCP. Os montantes investidos pelo BES no Clube foram, constantemente, objecto da discordância da generalidade do Conselho de Administração (o que, aliás, é público), sendo o Dr. Ricciardi a, de uma forma quase pessoal, insistir para que fosse permitido o aumento de exposição da Banca ao Clube (com taxas de juro e condições invejáveis), nos momentos em que este mais precisou.

 

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publicado às 12:41

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17 comentários

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De Rui Gomes a 21.10.2013 às 14:17

Nada menos do que excelente caro Desert Lion.

Um abraço.
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De Visconde a 21.10.2013 às 14:31

A lógica das nossas politicas de investimento desportivo eram arquitectadas com base na obtenção de um ciclo virtruoso, mas nunca conseguimos ultrpassar o circulo vicioso. E espero que os mais entusiasmados tenham a plena consciência que ainda falta muito para quebrar esse ciclo. Não são meia dúzia de vitórias que nos podem desviar do rumo. A fazer fé neste novo ciclo, o que se pode verificar no final da época é a constatação que a gestão desportiva está muito mais ligada há competência, que aos fundos disponíveis. Num campeonato como o português uma equipa como o SCP pode arriscar-se perfeitamente a ser campeão com muito menos recursos que os seus opositores, nada que não tenha já acontecido.
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De Visconde a 21.10.2013 às 14:39

Já quanto ás modalidades a situação também não é brilhante. O desinvestimento foi sendo gradual e significativo e a par disso, vimos-nos ultrapassados por outros clubes no que concerne á formação. Exemplo flagrante do Atletismo. Enquanto outros investiram num projecto de formação, nós deixamo-nos adormecer. Hoje eles colhem o fruto dessa aposta e nós corremos atrás deles. O SCP que se orgulha de ser um clube ecletico e que tem na sua genese a formação foi sendo ultrapassado. Há que inverter esse rumo, porque a continuar assim o monopolio passará inevitavelmente para outros lados.
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De Fredy a 21.10.2013 às 14:43

Excelente comentário Desert Lion.
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De Petinga a 21.10.2013 às 15:57

Temos discordado em muitos pontos (penso que de forma saudável) aqui no blogue, mas este post está excelente, caro Desert Lion.

Arriscaria referir apenas um ponto que me parece fulcral e que por vezes as pessoas desvalorizam. No Sporting, para se ter sucesso desportivo (futebol) é preciso nao só uma boa gestao mas também uma "sincronizacao" feliz com os momentos desportivos dos dois maiores rivais. O Sporting atingiu sempre o pico da sua performance no futebol no século XXI quando um dos rivais revelou uma gestao menos conseguida. Em 1999-2002 o Benfica (e depois até o Porto) esteve muito por baixo e no "período Paulo Bento" 2006-2009 algumas das insuficiencias da gestao (que no final das contas foi relativamente rigorosa e fiel à formacao) foram completamente mascaradas por nova débacle prolongada do Benfica. O colapso do paradigma-Bento e o próprio falhanco acelerado de Domingos foram motivados em grande parte pela ressurgencia dos dois rivais a um nível muito elevado.

Posso estar errado, mas nao me parece nada fácil encontrar espaco para tres grandes a competirem simultaneamente a um nível como FCP e SLB competiram em 2012-13 (i.e. campeonato quase perfeito em termos de aproveitamento pontual).
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De Visconde a 21.10.2013 às 16:08

Já tivemos um Presidente que disse isso, mas ninguém acreditou. Em Portugal não é fácil ter mercado para 3 equipas grandes, sobretudo ao nível do futebol. E é por causa disso que me farto de rir, quando alguma imprensa quer fazer do SC Braga o 4º grande do futebol português. Nem percebem que eles têm de dividir o mercado local com outros clubes, sobretudo com o Guimarães.
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De Balajic a 22.10.2013 às 14:51

Isso do não ter mercado para 3 clubes grandes é um mito.

Em que outro país, com dimensão similar ao nosso, existem 3 jornais desportivos diários que são dos mais vendidos no país?

O que não existe é vontade por parte de quem manda no futebol de ter uma competição verdadeiramente limpa e equitativa, nem capacidade para fazer um trabalho realmente estrutural no futebol português, porque decide-se tudo nas reuniões da Liga e da FPF com cedências daqui e para ali...
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De HY a 21.10.2013 às 20:23

Obrigado pelo seu excelente trabalho, DL.

Não estou seguro de merecer as suas amáveis palavras, pois algumas vezes também a minha troca de argumentos com os autores do blog, em particular com o Rui, que é quem mais me atura, roçou o desagradável, mas é verdade que, mesmo com alguma maldade aqui e ali sempre tentei argumentar e nunca insultar ( pelo menos, nunca insultar por insultar). Nao escondo que discordo da orientação geral do blog, mas se cá venho é porque acho que tem coisas positivas.

Para mim, a maioria dos Sportinguistas nao é nem croquete, nem brunete ( eu nao sou). Acho que a maioria quer é ver um Sporting a bater-se pela vitoria em todos os jogos, presente em todas as modalidades e sem problemas que o possam levar a fechar a porta.

Lamento muito que um projecto tão inovador como o que parecíamos ter em meados dos anos 90 tenha falhado redondamente. A maioria dos Sportinguistas agora escolheu outra via, vamos ver o que dá. Para já, as coisas estão a correr menos mal. Mas ainda é muito cedo e há que esperar que quando correrem pior nao vamos imediatamente pôr tudo em causa. Por isso, acho que palavras como as de JMRICCIARDI, se ajudarem à pacificação do clube são úteis. Se estiverem certas e significarem que estamos mesmo no bom caminho, tanto melhor.

Continuo sem perceber porque quem concorda com este rumo e teve hipóteses de o impor mais cedo (ou nao teve?), nao o fez. Mas, como há senhores do antigamente que continuam a dizer que o Sporting nao tem futuro, espero que a sua análise esteja certa e possamos continuar no bom caminho, sabendo que a caminhada será muito, muito difícil

Finalmente, uma palavra para a campanha dos ódios: nao acho que BdC seja um deus acima de qualquer critíca. Mas também nao concordo que seja criticado apenas porque é ele. Nao o conheço e nem sequer aprecio excessivamente o seu estilo. Mas enquanto se bater pelos interesses do Sporting e tomar decisões em geral positivas estou disposto a valorizar mais o positivo do que o negativo ( que existirá sempre). Um ex: nao valerá a pena tirar-lhe mérito pela reestruturacao com o argumento que de qualquer modo foi a banca que o impôs e nao teria alternativa. Talvez seja assim...mas também era tão fácil fazer cozer o ovo de Colombo, nao era?

Mais uma vez obrigado pela sua excelente análise.

Saudações leoninas
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De Lionheart a 21.10.2013 às 21:26

"Continuo sem perceber porque quem concorda com este rumo e teve hipóteses de o impor mais cedo (ou nao teve?), nao o fez."

Você tem estado "hibernado"? É que só pode, ou então quer fazer dos outros parvos. O que é que foi toda a turbulência no Sporting desde que Dias da Cunha deixou a presidência, por causa da diferença de orçamentos entre o Sporting e os rivais? Esta conversa já cansa, e depois aparecem uns tipos que parece que no Sporting nunca se fez oposição a nada.

Grande parte do sucesso do clube até aqui é que o ambiente permite que o actual presidente tenha mais margem para falhar, porque o deixam aprender sem que haja toda a espécie de veneno destilado em redes sociais e blogues contra ele, e assim os adversários e os seus meios de comunicação social não se alimentam disso. Permite que o Carvalho tenha podido aprovar uma reestruturação financeira em três tempos com os bancos, que se fossem os "croquetes" a ter de fazer o mesmo os HYs desta praça andavam a pedir um levantamento de rancho para a direcção cair. E depois vêm para aqui com ar de santinhos, a perguntar porque é que nunca se fez isto. Como se fosse fácil. Haja pachorra. A sorte do Carvalho não é os brunetes que o idolatram, é que quem não gosta dele não lhe faz a ele o que fez aos outros. Metam isso na cabeça e deixem-se de merdas.

Quanto ao mais, o campeonato ainda nem vai a metade, muita coisa pode correr mal, como correu mal para os outros. Por isso não se fiem que descobriram a pólvora depois da guerra. Se o carnide e o porto derem a volta e continuarem muito fortes, o terceiro lugar vai ser sempre o nosso campeonato. Façam obra primeiro e depois falem.
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De Bruno Martins a 22.10.2013 às 10:29

Ok, então as administrações anteriores não fizeram esta inversão de política por causa do ambiente exterior? Isso é o chamado revisionismo histórico, que neste caso colhe tanto como quando Ahmedinejad dizia que o Holocausto nunca existiu.

Mesmo que o ambiente externo tenha desempenhado um papel importante, o foco nunca pode ser esse. É que o ambiente não "cai do céu", Lionheart. É favorável ou não consoante existe ou não uma percepcão generalizada, no universo sportinguista, acerca de um determinado rumo. O que ficou claro, a partir de um certo momento, foi aquilo que uma pequena minoria já vinha combatendo desde já anos: a alienação do património imobiliário do clube, a alienação do património imaterial do clube (sócios e adeptos), e uma total incompetência tanto na definição do rumo como na implementação desse rumo estavam a levar o Sporting ao descalabro.

Ricciardi - e quem gravitava em torno dele - nunca fez nada para inverter este ciclo, muito pelo contrário.
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De Ánónimo a 22.10.2013 às 11:13

Dá para tudo este comentário do Bruno Martins: para falar à boca cheia de uma das maiores atrocidades da história da humanidade, de a comparar ao que aconteceu(!) no Sporting e/ou à opinião de outra pessoa e ainda lhe juntar uns pozinhos de erro flagrante, sintoma de uma memória que não é selectiva, é só um tanto fraquinha.

"Então administrações anteriores não fizeram esta inversão de política por causa do ambiente exterior?". De facto, a expressão usada pelo Lionheart é um tanto errónea. A administração anterior não fez "esta inversão de política" porque a mesma NÃO foi sufragada pelos associados do Sporting em Assembleia-Geral eleitoral e nas subsequentes Assembleias-Gerais onde a estratégia proposta foi discutida e aprovada. Convém não esquecer que em 2011 A ESTRATÉGIA proposta pela lista vencedora encontrava, no que diz respeito ao investimento, encontrava um paralelo claro nas propostas estratégicas das 4 listas que obtiveram melhores resultados: Godinho Lopes prometeu o cheque e a vassoura, o Carvalho prometeu mundos e fundos russos para juntar a um treinador que não seria barato, Dias Ferreira fazia voar charters de chineses com o beneplácito do Futre e da sua lista de contratações que incluíam o Alexis Sanchez, Bryan Ruiz, o Bojan Krkic, o Drenthe, entre tantos outros, o Pedro Baltazar prometia recuperar ainda o Adriano (Imperador) da vida de alcoolismo que escolheu para si. Em suma, em Assembleia-Geral Eleitoral, os associados do Sporting depositaram 99% dos seus votos nas listas encabeçadas pelos quatro acima referidos.

Será este o "ambiente exterior" a que se referia o Lionheart? Não sei. Mas sei que aquele que quisesse incumprir o prometido perante os associados, invertendo (ou negando) a estratégia que propunha aos eleitores não mereceria grande respeito. Afinal, quem manda são os associados porque o Sporting ainda era nosso nessa altura.

E não deixa de ser curiosa a referência indiscriminada às gestões anteriores. A de Soares Franco, que equilibraram a gestão do clube e que materializaram uma efetiva "aposta na formação" - um "pequeno" mandato que durou mais do que os dois anteriores - é simplesmente ignorada. E como lá estava um tal de José Maria Ricciardi no Conselho Fiscal - mais os seus croquetes e chás na quinta da Marinha - deve ser para descontar...

De facto, hoje o Sporting tem um rumo. O rumo do Carvalho. Curiosamente (ou talvez não), é um rumo distinto do rumo do Carvalho v. 2011.

O que fica também claro é que o "rumo" determinado pela "pequena minoria" dos verdadeiros, bravos e justos sportinguistas, é o rumo certo. Ou melhor... se é o rumo certo, talvez ainda seja cedo para aferir. Mas que já é o rumo certo para vindicar tantos anos de combate e que é o rumo certo para - qual revisionismo! - reescrever umas páginas dos caminhos sinuosos da "pequena minoria" até chegar ao poder, lá isso é.

Agora, elogiar as consoantes dobradas e alguma figura do "antigo regime". Defender a sua acção e justificá-lo? BLASFÉMIA! Pois foi Bruno de Carvalho quem veio ao mundo para a remissão dos pecados, foi Bruno de Carvalho quem nasceu da imaculada conceição com a estratégia da contenção financeira e quem deu voz aos pobres, fracos e oprimidos.

Viva Bruno de Carvalho o nosso salvador.
Para a fogueira os judas que traíram o Sporting.
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De Bruno Martins a 22.10.2013 às 12:25

Caro anónimo, extrapole à vontade. Quem falou em consoantes dobradas, Bruno salvador, remissão dos pecados, quintas da Marinha, não fui eu, nem nada no meu comentário usa esse tipo de vocabulário nem alude a essa dicotomia que deixa subentendida.

Claro que, como diz o Lionheart, o campeonato ainda não vai a metade e muita coisa pode suceder. Aliás, estou plenamente convicto que este ritmo dificilmente se manterá até ao fim - porque a equipa ainda é jovem e porque o plantel é amplamente mais fraco do que os nossos dois rivais. Desta época não espero nada. Por isso, neste caso concreto deste ano, como no de Soares Franco, ganhar ou não alguma coisa não influencia decisivamente o meu julgamento - da mesma forma que os segundos lugares e as taças de Franco não me fazem esquecer o terror que foi o seu mandato e a vergonha (alheia e própria) que senti depois de muitas das suas intervenções. Nunca o Sporting foi tanto uma empresa sem alma como no seu mandato. Foi por isso com grande alegria que li a sua entrevista há umas semanas em que referiu que não ficou mais tempo por causa da acção de uma minoria de bloqueio.

Só um detalhe: as pessoas que travaram essas batalhas não estão nesta direcção - só para esclarecer. Por isso, não é correcto dizer que chegaram ao poder por caminhos sinuosos. Nem sinuosos, nem escorreitos.

O caro anónimo está no seu pleno direito de achar que a direcção de Soares Franco foi positiva. Eu fico apenas contente por o caro anónimo ser, hoje, uma minoria. Simplesmente isso.

Se acha que eu comparei os mandatos das direcções ao holocausto, não sei o que lhe faça. Mas eu sei que não acha. Simplesmente junta-se isso ao "Bruno salvador" e às "consoantes dobradas" e assim o argumento fica mais redondo, não é?
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De HY a 22.10.2013 às 18:45

Correndo o risco de desmentir as amáveis palavras do DL, começaria por lhe dizer que não tenho qualquer intenção de fazer ninguém de parvo…mas verifico que para algumas pessoas também não é necessário. Quanto a hibernação, é verdade, vivo, infelizmente, a 2 km de Alvalade e ainda mais dos mentideiros leoninos, por isso nunca hesito em admitir que há coisas que em escapam.
Posso saber exactamente de que é que me acusa? Por colocar a questão de porquê pessoas que concordam com certas mudanças não as terem propulsionado antes? Aconselho-o a ler o comentário em que sugeria o post ao Rui Gomes. Está lá bem claro: “Talvez seja uma questão de legitimidade: terá sido necessário bater no fundo para que os dois principais candidatos tenham pelejado pelos votos anunciando cortes? Se BdC tivesse ganho há dois anos poderia ter feito o mesmo? Os adeptos teriam aceitado?”
Se ler o comentário também verá que sei muito bem a importância das contingências desportivas e que só espero (também esperei com GL e com todas as direcções anteriores) que a direcção não mude de rumo quando os resultados desportivos forem negativos. É que o pior de tudo é a ausência de rumo e infelizmente o Sporting tem dado demasiado para esse peditório. Mas eu não sou dos que esperam o fracasso desportivo do Sporting para se imporem como os novos senhores. Eu não sou dos que esperam que a vida corra mal ao Sporting para poderem impor-se. Mas reconheço o mérito a quem parece ter criado algumas condições (nem só dinheiro conta) para que a carreira desportiva do clube seja melhor do que vinha sendo (até agora, já sei).
Por isso, escusa de me colar rótulos ou atribuir militâncias ideológicas. O meu propósito foi simples: não dominando esta matéria surpreenderam-me as declarações de JMR (agradavelmente, diga-se, tal como MF, antes, que também refiro no texto atrás citado, e tal como as de Soares Franco). Queria também perceber porquê agora (para JMR sobretudo) mas como prova a citação acima isso não tinha qualquer intenção malévola, ao contrário do que você pensa. Pensei que era importante incentivar este blog a discutir este tema, apesar de muitas vezes não concordar com a sua orientação e achar que tem tendência a concentrar-se em questões menores – na minha opinião, claro – em relação à quais é mais fácil surgir “chicana política”. Nada mais. Se isso o incomoda…
E estou satisfeito por o ter feito, porque o post do DL parece-me excelente e a discussão de nível. Até do seu comentário pelo menos agressivo retirei alguma coisa, veja lá, tão fanático que sou…
Continue assim, vá classificando quem não pensa como você de alma danada do novo presidente. Finalmente: você não sabe nada sobre o que eu fiz ou não fiz pelo Sporting ao longo dos meus mais de 50 anos de sócio. Limitemo-nos a discutir argumentos, ok?
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De HY a 22.10.2013 às 19:36

O meu comentário era detinado ao Lionheart, claro.
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De Lionheart a 22.10.2013 às 21:11

"Mas eu não sou dos que esperam o fracasso..."

Eu também não e com nenhuma direcção, ao contrário de outros. E para não me alongar muito, insisto que o se está a passar agora, em que parece que se descobriu a pólvora depois da guerra, não é inédito. Nos primeiros tempos do Paulo Bento e do Soares Franco - especificamente as duas primeiras épocas - o Sporting foi competitivo no campeonato, tendo ficado a seis pontos do Porto no primeiro ano e a um no segundo. Tudo "apontava" para que estivéssemos quase lá, mas logo a seguir foi o descalabro, dado que os rivais aumentaram o investimento, subindo de nível, e o Sporting nunca passou do mesmo registo.

Por isso o período que se vive actualmente, apesar de agradável, porque é melhor do que nada, não me ilude. Competitivamente o Sporting ainda não provou nada. Apenas está a fazer uma época normal à sua escala (tendo em conta os adversários que defrontou até agora), como referiu o Carvalho há tempos e bem, mas que dada a miséria dos últimos anos, até parece um feito. Não é. Como não sou dos que tem saudades do Paulo Bento e do Soares Franco, nem mudei de opinião em relação à questão dos orçamentos. Acho que se está a confundir um bom início de campeonato com a realidade, e também concordo que o ritmo de vitórias que a equipa tem tido não se vai manter, daí que seja extemporâneo estar a projectar o que quer que seja para o passado e para o futuro.
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De Leão 1906 a 21.10.2013 às 20:48

Penso que ficámos todos esclarecidos em relação ao tema em questão.Apenas fiquei com dúvidas aqui:

"Assumiu-se que a sustentabilidade de um Clube que terá cerca de metade da massa crítica do seu maior rival (Benfica)..."

O que entende por metade da massa crítica?Metade dos adeptos?
Como sabe,esse é um tema muito controverso.
ROC,tão detestado por muitos,mas um homem das sondagens,afirmou,no "Dia Seguinte" que o Sporting tem cerca de 3 milhões de adeptos em Portugal ,o Porto 2 milhões e o Benfica um pouco mais de 4 milhões(4,2 se não me engano) e afirmava que a sondagem a que se referia era a única realizada verdadeiramente credível e que servia de referência em termos de marketing(regra do 4-3-2).

Além do mais,em muitos países há um clube mais popular e outro mais "elitista",na mesma cidade,sem que isso afecte o estatuto (e as possibilidades) de qualquer das equipas.
Qual é o factor compensador para as equipas menos populares?

Pelo menos 2 presidentes do Sporting(Dias da Cunha e GL),referiram-se ,em declarações à CS, a estudos que mostravam que usando determinadas medidas(rendimento disponível,bens duradouros...) o Sporting estava à frente dos rivais.
Simplificando:se um clube está implantado sobretudo na classe média,média-baixa e baixa então tem mais adeptos ,mas estes têm menor poder de compra.Se outro está implantado,sobretudo na classe média,média-alta e alta,tem menos adeptos mas estes têm maior poder de compra.

É óbvio que o Sporting e os seus rivais estão em todas as classes sociais,o Porto,regionalista,será o clube de todas as classes e nós teremos esta diferença com o Benfica.Gostaria de consubstanciar estas afirmações mas não tenho acesso aos estudos referidos...mas parece-me que empiricamente estas conclusões parecem correctas.Tem um conhecimento mais concreto que refira a implantação social dos clubes em Portugal?

Em qualquer caso, o Sporting não precisa de "muletas" para compensar em relação a nenhum clube.O sucesso desportivo é o objectivo de todos.Quando não se tem massa crítica ,o sucesso desportivo sustentável não é possível.
Não me parece o caso do nosso clube.

Acrescento um link para um estudo que está presente em

http://www.universidadedofutebol.com.br/Noticia/16279/buscar

e que vai em apoio destas ideias.Embora o SLB lidere as audiências televisivas,a diferença não é o dobro e note-se:SLB(1) e FCP(2) foram campeões neste período e as épocas de 2009/10 e 2010/11 correspondem a duas das piores do Sporting.Infelizmente o site que realizou este estudo fechou mas não tenho motivos para duvidar da sua credibilidade.


Seja qual for o motivo,a razão porque o Sporting está como está não se deve a nenhuma desvantagem "natural" para o Benfica ou Porto mas a uma péssima gestão desportivo e a outros factores...e também talvez devido...a um complexo Benfica?

PS-as minhas desculpas pelo comentário tão longo.




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De Balakov10 a 22.10.2013 às 04:16

Excelente post. Muitas vezes não concordo com o que aqui é defendido e ainda bem, porque ao menos assim promove-se o debate e não se fica preso a um seguidismo cego ao nosso presidente, mesmo que esteja do lado dele na grande maioria das vezes.

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