Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O inferno dos impolutos

Rui Gomes, em 06.09.17

 

Braga e V. Guimarães partiram em busca de uma criatura mítica no futebol atual: a reputação à prova de bala.

 

19668301_GZJst.jpg

Júlio Mendes, presidente do V. Guimarães, estranha o negócio Pedro Neto/Jordão, dois juniores do Braga por quem a Lázio vai pagar 26 milhões de euros. A SAD bracarense ripostou com um comunicado de dezasseis parágrafos a rebentar de indignação. Não vou desempatar. Esquecendo esta transferência específica, que não tenho melhor informação para julgar, nem motivos para duvidar do Braga, a verdade é que a UEFA e a FIFA, bem como todas as ligas e federações nacionais, fecharam os olhos ao crescimento galopante e propositado da complexidade destes negócios.

 

Este defeso houve jogadores que começaram num clube, foram transferidos para outro, vendidos a um terceiro e emprestados por este ao clube de origem. São inúmeros, na Europa, os casos de reforços caros que nunca chegam sequer a treinar por quem os comprou e sempre sem qualquer escrutínio. Com frequência isto é feito às escâncaras, a coberto da suposta subjectividade das opções futebolísticas, que explica todos os disparates. Num sistema assim, não é preciso ser um Madoff para imaginar uma dúzia de formas de cometer fraudes monumentais nas barbas de uma justiça mole e pasmada, para além das engenharias financeiras indecifráveis. E o pior, para voltar ao princípio, é que tudo e todos ficam sob suspeita, façam o que fizerem e digam o que disserem, por maior que seja o grau de indignação. A prova está no comunicado do Braga em resposta a Júlio Mendes: bastou falar nas comissões do Vitória. Porque, no futebol, as comissões de um são as comissões de todos.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 05:15

 

transferts.jpg

 

O balanço da SAD no que ao mercado de transferências diz respeito traduziu-se num saldo positivo de 25,225 milhões de euros entre o que foram as entradas e saídas de jogadores. Porém, este montante será completamente absorvido pelos compromissos financeiros que a sociedade tem com as entidades bancárias que viabilizaram o plano de reestruturação financeira. No fundo, qualquer operação em torno da alienação de atletas impõe o pagamento de 50 por cento do proveito ao Banco Comercial Português (BCP) e ao Novo Banco, o que, no caso da presente temporada, se traduz em 26,162 milhões de euros.

 

Este procedimento compensatório está definido no acordo-quadro assinado entre as entidades e a Sporting SAD, concretamente pelo clausulado referente ao reembolso antecipado voluntário e obrigatório dos montantes cedidos pela banca no momento do acordo financeiro estabelecido.

 

Tendo presentes esta e outras obrigações, o elenco diretivo liderado por Bruno de Carvalho tinha estabelecido a necessidade de encaixar na última janela de transferências cerca de 70 milhões de euros em mais-valias, provenientes da alienação de ativos. Daí o facto de a estrutura verde e branca ter deixado claro desde cedo que estava disponível para transferir dois dos elementos mais preponderantes do seu plantel, concretamente William Carvalho e Adrien, privilegiando ambos face a Rui Patrício, outro dos capitães de equipa que pediu para sair de Alvalade, a Gelson Martins - extremo que renovou recentemente o seu vínculo laboral até 2022, passando a auferir 1,3 milhões de euros por ano livres de impostos - e a Bas Dost, melhor marcador da equipa e do último campeonato nacional.

 

De facto, consumando-se a transferência de Adrien para o Leicester - falta o OK da FIFA -, a SAD consegue aproximar-se do objetivo definido. Contudo, faltou a concretização de mais um encaixe financeiro substancial para que a sociedade tivesse atingido a meta definida. As obrigações são elevadas e o investimento de 27,1 Meuro na contratação de reforços para atacar o tão desejado título de campeão nacional também o foi.

 

Por força das naturais limitações financeiras, os leões ainda procuraram nas últimas duas semanas de mercado completar o leque de reforços desejado pelo técnico Jorge Jesus, mas olhando sempre para encargos financeiros reduzidos. Jogadores livres ou por empréstimo foram solução, mesmo com a colocação de cláusulas de compra obrigatória, como no caso de Ristovski, e foi assim que o Sporting olhou para Gabriel Barbosa, hoje no Benfica.

 

Artigo da autoria de Rui Miguel Gomes, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:54

Perfeito Agosto

Rui Gomes, em 29.08.17

 

FC Porto e Sporting aproveitaram o tropeção que o Rio Ave provocou no Benfica e isolaram-se na liderança do campeonato, encerrando um mês de Agosto perfeito com duas vitórias tão diferentes como as circunstâncias que as rodearam.

 

20199859_bZzDY.jpg

A equipa de Sérgio Conceição passou o primeiro teste de fogo, vencendo o Braga na Pedreira com uma exibição mais segura do que propriamente formosa. É verdade que o FC Porto foi fiel aos respectivos princípios, entrando bem no jogo e multiplicando as oportunidades de golo antes e depois de o génio de Corona ter desbloqueado o marcador, mas o melhor da exibição portista foi mesmo a capacidade para congelar a partida na segunda parte, asfixiando a previsível reacção dos minhotos com uma tranquilidade e clareza de propósitos difícil de imaginar nas últimas épocas. Claro que o cansaço acumulado pelo Braga no último assalto à fase de grupos da Liga Europa pode ter ajudado, mas isso não invalida a constatação de que, mais do que se limitar a desabar sobre as balizas adversárias, este FC Porto é capaz de perceber quando o importante é manter a de Casillas em segurança.

 

Com um adversário mais acessível e a jogar em casa, o Sporting poderá alegar o cansaço acumulando em Bucareste para justificar a quebra na parte final da partida com o Estoril. Ainda assim, aquele adormecimento não deixa de ser um sinal preocupante para uma equipa cujo grupo na Champions promete algumas ressacas complicadas. Seja como for, encerrada a primeira etapa do campeonato, é evidente que a vantagem para o Benfica não permite quaisquer conclusões, o que não significa que não seja importante. Desde logo, porque o primeiro clássico da temporada coloca FC Porto e Sporting frente a frente e não faz mal nenhum ter alguma margem de manobra.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:54

Danos colaterais

Rui Gomes, em 23.08.17

 

A pressão sobre os grandes está a fazer vítimas. Em 84 anos, é a quarta vez que Benfica, FC Porto e Sporting estão imaculados à terceira jornada.

 

19538816_7lthq.jpg

Os grandes entraram na época a fazer jus ao estatuto que os suporta e foi com toda a naturalidade que o FC Porto conseguiu ontem uma vitória robusta e tranquila, dando a resposta esperada às goleadas de Benfica e Sporting, conseguidas na véspera. A superioridade exibida por este trio deixou Manuel Machado a clamar contra as assimetrias do futebol português, esta época ainda mais evidentes no arranque da temporada.

 

O problema do desequilíbrio de forças havia sido aflorado por Abel Ferreira logo à primeira jornada, após a derrota do Braga na Luz (3-1). Defendeu-se com a diferença de orçamentos, referindo a desproporção de 15 milhões contra 150. A situação deste ano não é diferente das anteriores, existe é sobre os grandes uma pressão incomum.

 

O Benfica procura um penta inédito, o FC Porto nunca antes esteve quatro épocas seguidas sem ganhar na era Pinto da Costa, o Sporting está em jejum há uma década e meia e o investimento feito por Bruno de Carvalho num projecto comandado por Jorge Jesus, após dois anos a passar ao lado, está no limite da validade. A pressão sobre os grandes é perceptível, audível, quase palpável. E as primeiras respostas estão a ser positivas como poucas vezes o foram. Apesar das assimetrias de sempre, atente-se na estatística: em 84 anos de I Divisão/I Liga esta é apenas a quarta (!) ocasião em que o percurso dos três grandes é imaculado à terceira jornada. É inevitável uma luta tão aguerrida provocar danos colaterais, mas os dos outros campeonatos não têm de se sentir dispensáveis. Bater o pé, fintar o destino é um caminho percorrido há mais de oito décadas.

 

 

Carlos Machado, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:38

Lá fora o vento uiva

Rui Gomes, em 18.08.17

 

Na Luz, no Dragão e em Alvalade (menos) é fácil serem ferozes e implacáveis, mas a Liga decide-se ao relento.

 

19668301_GZJst.jpg

Assim fica difícil adivinhar o campeão nacional à segunda jornada. FC Porto e Benfica, por esta ordem, experimentaram os jogos fora dos seus coliseus cheios de energia patrícia e ficaram a conhecer a dura realidade da vida em Tondela e em Chaves. O Sporting conheceu-a em casa, onde em 2016/17 já fraquejara mais vezes do que os adversários.

 

Rui Vitória reivindicou melhor futebol do que diz um resultado tão demorado (93") como o de ontem, mas há duas verdades paralelas. O Benfica até foi, dos candidatos, o que mais pontos fez fora de casa na época passada, mas também marcou menos golos (23) do que FC Porto (27) ou Sporting (31), apesar da reputação de máquina trituradora e do facto, indesmentível, de ter os melhores e mais eficazes especialistas no ataque. Vinte e três golos a dividir por 17 jogos dá pouco mais de um (1,35) por cada noventa minutos, ou seja, em Chaves viu-se a aplicação da regra Rui Vitória, que já em 2015/16 tivera o melhor ataque em casa mas não fora, e até pontuara menos do que o Sporting.

 

As arenas deste título serão as alheias, em que quanto mais distantes na geografia, mais potencialmente influenciadoras da classificação. Não foi por acaso que Sérgio Conceição, treinador do FC Porto, marcou uma diferença para o seu antecessor, que insistia na ideia de que o Dragão tinha de ser inexpugnável. Conceição acrescentou o que faltava: têm de ser inexpugnáveis o Dragão e a outra metade dos jogos também. Fica a minha previsão: 2017/18 não será para campeões de chinelos e sala de estar.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 05:29

Lei interditada

Rui Gomes, em 02.08.17

 

O processo é este: viola-se a lei durante 13 anos, manda-se o IPDJ pentear macacos, muda-se umas linhas num regulamento e, pronto, caso encerrado.

 

19668301_GZJst.jpg

Uma pergunta ingénua para o Sr. secretário de Estado da Juventude e do Desporto. Imaginemos que, amanhã, um clube profissional permite que se forme, lá dentro de casa, uma claque. Essa claque recusa legalizar-se. Apesar disso, e violando a lei, o clube permite-lhe que entre no estádio com toda a parafernália das claques: bandeiras, bombos, lonas, panos, etc. Vão repetir-se alegações de que até lhe fornece dinheiro e géneros. Isto vai repetir-se todos os jogos, durante os próximos 13 anos, de maneira franca e aberta, comprovável a olho nu por qualquer pessoa com acesso a um televisor. No fim desse tempo, o ruído já vai alto e o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) chama o clube ao lado, para lhe sussurrar: "Faz lá umas mudanças no regulamento do estádio, que estes gajos são muito chatos."

 

À terceira ou quarta insistência, o clube lá aceita rasurar o papelito e, pronto, o executor da lei fez o seu trabalho. É mesmo assim que funciona? É assim que se aplicam as leis de segurança no desporto? Mesmo quando está em causa a claque-fantasma que, segundo os registos da polícia (revista "Sábado" de 4 de Maio último), é responsável pelo maior número de incidentes no desporto nacional, a uma larga distância das outras? A partir do momento em que o IPDJ decidiu estabelecer estes recordes olímpicos da paciência e da compreensão no caso Benfica, por que diabo hão de os clubes preocupar-se em respeitar a lei? Qual será a justificação do IPDJ para lhes interditar um estádio?

 

E da próxima vez que um ministro vier anunciar um novo pacote legislativo para garantir a segurança no desporto - talvez por ocasião da morte de mais um adepto -, esperemos que posicionem um caixote de lixo perto. Para haver um ganho de eficiência.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:01

O futebolicídio dos europeus

Rui Gomes, em 26.07.17

 

Europa criou o maior toxicodependente de todos os tempos. E ainda não lhe chega.

 

19668301_GZJst.jpg

FC Porto e Sporting focam-se na teia de poder do Benfica, que julgam ameaçá-los e excluí-los. O Benfica, maquiavélico, imagina-se realeza e candidato (candidato único!) a um lugar na mesa dos ricos da Europa, ou pelo menos às migalhas que eles deixarem cair, neste golpe de Estado à Erdogan que as quatro grandes ligas puseram em andamento na UEFA.

 

A Liga não consegue sair das conversas à Octávio Machado e do dossiê retretes de balneário, assembleia sim, assembleia não. E a FPF delira com o sucesso das selecções nacionais, como todas as federações fariam, porque não me lembro de nenhuma que pensasse para além disso. São os quatro mundos à parte em que vivem as maiores instituições do futebol em Portugal, enquanto o verdadeiro futuro do campeonato português e a expressão internacional dos clubes vão sendo obliterados, às pazadas de 50 e 80 milhões de euros injectadas nas veias roxas e salientes do maior toxicodependente de todos os tempos, que é o futebol europeu.

 

Confirmado, e reconfirmado, o efeito inflacionista dos últimos contratos televisivos das ligas inglesa (sobretudo esta) e espanhola, cada transferência alucinada e cada salário demencial são atentados aos países pequenos e vistos gold para o banditismo descontrolado que tomou conta da FIFA, das transferências, talvez da Federação espanhola e sabe-se lá de mais quantos organismos. O Manchester City gastou 183 milhões de euros em três laterais (dois para o mesmo lado, obviamente) e um guarda-redes. É monopólio, açambarcamento, obscenidade, luxúria, descaramento, cegueira, degradação, inconsciência. Mas parece que no futebol do século XXI só se encontra dois tipos de pessoas: os demasiado espertos e os que pensam que são espertos o suficiente.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

 

img_infografias$2017_07_25_13_44_55_1294141.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:55

Octávio passageiro

Rui Gomes, em 24.07.17

 

Não era difícil prever que a relação entre Octávio Machado e Bruno de Carvalho chegasse ao fim com estrondo.

 

20199859_bZzDY.jpg

Há mais ou menos dois anos, quando foi anunciada a contratação de Octávio Machado pelo Sporting, antecipei neste espaço que a relação entre o novo director-geral e Bruno de Carvalho tinha tudo para funcionar mais ou menos como os submarinos que, como todos sabemos, até podem flutuar, mas foram feitos para afundar.

 

De resto, considerando a rigidez, beligerância e inflexibilidade das personalidades em causa, era tão previsível a rotura que agora se confirma, como fatal o estrondo provocado pelo inevitável choque que se lhe seguiu. Expressões como "cobarde", "passarinho", "terceira escolha" ou "isto não é a Santa Casa" e "um especialista em áreas mentais que trate dele" são tão duras como pouco surpreendentes, considerando os protagonistas.

 

Quanto a consequências, também é possível antecipar algumas. Para Octávio Machado, que já tinha batido a porta do FC Porto com a mesma violência e que passou os últimos dois anos nas trincheiras de Alvalade a disparar sobre o Benfica, o tumultuoso processo de saída do Sporting significa muito provavelmente o fim do envolvimento directo no futebol português ao mais alto nível. Para Bruno de Carvalho, mais uma separação litigiosa pode encerrar pelo menos uma lição importante: é muito complicado apontar ao futuro apostando em soluções do passado.

 

Mais difíceis de prever são as consequências que tudo isto poderá ter no relacionamento entre o presidente leonino e Jorge Jesus, principal responsável pela chegada de Octávio a Alvalade. Talvez depois de ouvirmos o que o treinador terá a dizer sobre o assunto tudo fique mais claro.

 

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

_________________________________________________

 

nova-gente-50234-noticia-octavio-machado-internado

 

Entretanto, Octávio Machado, em declarações ao jornal O Jogo, deu o caso da guerra aberta entre ele e Bruno de Carvalho por encerrado:

 

«O Sporting e os sportinguistas não merecem que isto se estenda no tempo. Dado todo o respeito que tenho pela instituição e a sua massa associativa e adepta, é 'finito'.

 

Nada disto deveria ter acontecido. O Sporting precisa de estabilidade, mas lamento profundamente. Não podia permitir as ofensas que me foram feitas. Fico-me por aqui».

 

Ainda bem que o bom senso prevaleceu, tardio mas ainda assim bem vindo, e esperamos que isto seja mesmo o fim de um episódio indecoroso em que só o Sporting saiu a perder.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:25

O Selecções FC

Rui Gomes, em 17.07.17

 

O caminho internacional é mais dos subtítulos do que dos títulos...

 

19668301_GZJst.jpg

O futebol dos clubes está fora do controlo para os portugueses em tudo. Não têm, nem terão, mercado para competir com ingleses, espanhóis e alemães; não têm receitas alternativas a esse mercado; e não têm voz na UEFA ou na FIFA, onde a péssima e suicidária redistribuição da riqueza quase não é tema. Restam as selecções, porque (ainda) não é possível aos ingleses, espanhóis e alemães pilharem os talentos dos outros países "à la carte", como fazem nos clubes.

 

Talvez no futuro a animação que mais esta final do Europeu de sub-19 provocou por cá seja tudo a que Portugal poderá aspirar fora das suas fronteiras. Talvez estejamos prestes a tornar-nos um novo tipo de adeptos dos subtítulos, em vez dos títulos. Talvez o PSD, quando quis dar um tiro na Liga de futebol profissional esta semana, estivesse só a ser misericordioso.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:43

Maus hábitos e boas práticas

Rui Gomes, em 09.07.17

 

Fernando Gomes sentiu a necessidade de recordar que à mulher de César não basta ser honesta

 

20199859_bZzDY.jpg

Não deixa de ser relevante que Fernando Gomes tenha sentido a necessidade de recordar, por carta dirigida aos presidentes dos órgãos sociais da Federação Portuguesa de Futebol, que os elementos que os integram não devem solicitar nenhum tipo de oferta a qualquer agente desportivo. Nem deixa de ser significativo que a missiva mencione de forma específica os pedidos de bilhetes para jogos de futebol. Afinal, a oferta de ingressos, precisamente a elementos de órgãos sociais da FPF, é um dos temas levantados em alguns dos alegados emails recentemente divulgados pelo FC Porto.

 

Sendo obviamente de louvar a preocupação do presidente da Federação com a moralização do futebol português, o facto de sentir a necessidade de o fazer precisamente agora e de forma pública há de significar alguma coisa. Quer dizer, se os maus hábitos não existissem, não havia necessidade de recordar as boas práticas, pois não?

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:41

Desejo de morte

Rui Gomes, em 23.06.17

 

bulls-eye-logo-cut-grey_02.png

 

O Red Bull Leipzig e o Red Bull Salzburgo foram autorizados a participar na Liga dos Campeões, apesar de serem ambos controlados pela Red Bull. Diz a UEFA que "não há violação" do artigo 5.º, em que se protege a integridade das competições e a verdade da concorrência. Vai passar-nos despercebido, mas é um precedente grave, que abre todo um novo campo de atuação à concentração capitalista, à mercantilização do jogo e - pior - à mentira desportiva, já sob ameaça pelo recrudescimento das apostas ilegais.

 

Às vezes acho que este jogo tem um desejo de morte.

 

Joel Neto, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:57

Tem a palavra a Federação

Rui Gomes, em 16.06.17

 

A confirmação da existência dos emails divulgados pelo FC Porto obriga a FPF a agir rapidamente.

 

20199859_bZzDY.jpg

Bem espremido, o essencial do comunicado emitido ontem por Mário Figueiredo, ex-presidente da Liga, é fácil de resumir: os emails divulgados pelo FC Porto na véspera existem mesmo. Depois há o facto de não chegar a explicar porque se despede de Luís Filipe Vieira dizendo "sempre tenho estado e estou ao TEU LADO", assim mesmo, em maiúsculas, embora por esta altura se perceba que a linguagem utilizada nestas trocas de mensagens é muitas vezes carinhosa e até ternurenta, como fica evidente no "só quero ser um menino querido para vocês" enviado por Nuno Cabral a Paulo Gonçalves.

 

Também faltou a Mário Figueiredo explicar a diligente resposta ao "pedido" do mesmo Paulo Gonçalves, quando o assessor jurídico da SAD do Benfica intercedeu a favor do "menino querido" para lhe garantir a presença num jogo da I Liga, mas talvez ainda venha a ter oportunidade de o fazer. Aliás, aquilo que é justo esperar de toda esta polémica é que tudo seja devida e cabalmente explicado, conforme, de resto, foi solicitado pela APAF aos organismos competentes da Federação Portuguesa de Futebol.

 

Neste momento há uma incontornável suspeita sobre a forma como o atual quadro de árbitros e delegados foi sendo definido ao longo dos últimos anos para favorecer os interesses de um clube, a começar pelas evidências de influência sobre o sistema de avaliação. Uma suspeita que não pode ficar sem resposta, sob risco de descrédito de todo o edifício do futebol português. Sendo os árbitros que estão em causa, é natural que sejam eles os primeiros a querer levar o caso até às últimas consequências, mas não podem ser os únicos. Tem a palavra a Federação.

 

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:53

Liga profissional de clubes a vapor

Rui Gomes, em 15.06.17

 

Lugares pouco recomendáveis no futebol: túneis, televisões, becos escuros à volta dos estádios e assembleias da Liga.

 

19668301_GZJst.jpg

Os cigarros eletrónicos venceram as claques ilegais enquanto maior ameaça para a segurança das crianças, mães e avós que querem ver futebol e não podem (a acreditar em alguns freis beneditinos). Seguem-se as chicletes e o gel de cabelo.

 

Ao fim de uma época tão abominável como esta, a imagem que os clubes profissionais quiseram passar em Assembleia Geral foi a de marionetas noutro joguinho barato de directores de comunicação. Não é que acrescentar ao regulamento a interdição de estádios por apoio às claques ilegais fosse muito diferente, mas pelo menos não reduzia um órgão nobre da Liga à função de instrumento de anedotas e pirraças. Apesar de tudo, seria menos absurdo propor regras contra um clube (o Benfica) do que contra uma pessoa (o presidente do Sporting), embora tanto um como o outro se desviem quilómetros dos debates que o futebol profissional devia estar agora a fazer, e sejam igualmente inúteis.

 

Em Portugal, não se interdita estádios, de resto uma punição que o Instituto Português do Desporto já podia ter aplicado ao Benfica há muito tempo, e que poderá aplicar no futuro. Isto não significa que tenha lógica fechar os olhos ao primeiro lugar destacado que os adeptos do Benfica ocupam no número de incidentes registados nos últimos anos (ver revista Sábado do dia 4 de maio); ou fazer de conta que as atitudes de Bruno de Carvalho não cultivam legiões de germes. Significa apenas que um grupo de adultos assumiria estes problemas em voz alta e negociaria formas de os resolver em conjunto, em vez de se transformar apenas noutra arena de mesquinhez, a juntar aos túneis, às televisões e aos becos escuros em volta dos estádios.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:01

As missas negras de Adão Mendes

Rui Gomes, em 08.06.17

 

O apuramento da raça e a confiança ilimitada do Benfica na arbitragem

 

19668301_GZJst.jpg

O FC Porto divulgou, ontem, um pingue-pongue de e-mails entre o ex-árbitro Adão Mendes e o diretor da Benfica TV, e comentador, Pedro Guerra. Esses e-mails falam, sobretudo, de uma confiança sem limites na arbitragem, especialmente bem traduzida por uma frase que vem ao encontro de um diagnóstico feito, desde há alguns anos, por muita gente ligada aos apitos e que (não duvido) esteve na origem do afastamento do anterior presidente do Conselho de Arbitragem da FPF: "Vamos ter os padres que escolhemos e ordenámos nas missas que celebramos." (Aqui devemos marcar um limite: nas conversas reveladas pelo FC Porto, são mencionados oito árbitros, mas isso não faz deles culpados.)

 

A tese de que houve uma espécie de apuramento cuidadoso da raça nos últimos anos, levando à constituição de um lote de árbitros de acordo com gostos muito específicos, não é estranha a ninguém, nem à FPF, nem ao actual Conselho de Arbitragem, que enfrenta esse problema a cada nomeação. Eu próprio escrevi sobre o tema várias vezes, até para explicar a prisão de movimentos do CA de Fontelas Gomes, e nunca recebi reclamações.

 

O diálogo de Adão Mendes com Pedro Guerra, datado de 2013/14, vem apenas tornar mais desconfortável a posição de quem não quer explicar como acabou o futebol profissional nesta camisa de forças, manietado ao ponto de ser irrelevante quem preside ao CA. A conversa está ali, existe (como existem as escutas do Apito Dourado, sim, e essas foram julgadas), provavelmente passará em claro na Imprensa de Lisboa, porque é assim a vida, mas era bom, num mundo perfeito, que esclarecêssemos bem esclarecida essa confiança tão grande de Adão Mendes na arbitragem e também, se não for já muito incómodo, quem castiga, afinal, os incautos que ainda se atrevem a prejudicar o Benfica.

 

José Manuel Ribeiro , jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:34

O erro de Simão

Rui Gomes, em 01.06.17

 

Faltou a inteligência

 

20411729_tZ9D7.jpg

Não me juntarei ao coro dos que entendem que um futebolista não pode eleger o pior onze com que jogou. O discurso de futebol em Portugal está tão formatado, esvaziado e banalizado que censurar tal possibilidade já nem fica no domínio do politicamente correto, mas no do (digamos) insuportavelmente bafiento.

 

Falta sentido de humor entre nós. Falta ironia e falta autocrítica, e um jogador escolher o pior onze da carreira pode não só constituir uma importante ressalva a essa melancolia, mas trazer uma nova perspectiva a um debate que o excesso de "soundbite" ameaça reduzir a quase nada.

 

Tudo isto em abstracto, claro. Em concreto, Simão foi Simão. Esqueceu-se da delicadeza essencial de se colocar a si mesmo no dito onze. Não por verosimilhança, mas por cortesia: ele próprio, no ataque, ao lado de Ouattara.

 

Teria sido um acto de inteligência capaz de proteger todo o humor da entrevista sem, por exemplo, provocar a reacção - humana, evidentemente - de Fernando Aguiar. Mas eu não esperava melhor de alguém que tantas vezes vilipendiou o clube que o foi buscar pré-adolescente a Trás-os-Montes e lhe deu tecto e sustento até o entregar à oportunidade de se tornar um homem...

 

 

Joel Neto, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:52

Eles vingam-se

Rui Gomes, em 31.05.17

 

Já era tempo disso...

 

20411729_tZ9D7.jpg

E, de repente, podemos bem vir a ficar sem nenhum dos guarda-redes titulares dos grandes: Ederson, Rui Patrício e Casillas estão todos (ou parecem estar) em diferentes estágios de negociação de contratos melhores. Tem uma série de significados, essa coincidência. Mas um sobre todos os outros: os homens da baliza vingam-se.

 

Ainda bem, porque são os jogadores mais negligenciados do futebol. Basta ver o ranking dos mais caros de sempre: apenas três ultrapassam os 25 milhões, e só dois nos últimos quinze anos. Apesar disso, são eles os mais frequentes bodes expiatórios de um fracasso. A eles cabe muitas vezes a conservação da mística do balneário. E nenhuma outra posição prevê tão pouca margem para errar.

 

Os guarda-redes são os bateristas do futebol. Não são tão famosos como os vocalistas, não são tão bem pagos como os guitarristas e só em casos muito excepcionais - como o de Buffon - lhes pertence a liderança da banda. O único consolo que têm é que, como os bateristas, são eles quem parte mais corações às raparigas.

 

É mais uma prova de como elas fazem falta a este jogo: há pelo menos um aspecto em que o percebem melhor do que nós. Não é um aspecto pequeno: sabem bem onde está o heroísmo.

 

É FAZER AS CONTAS

 

Mais glória que plantel

 

Foi uma das melhores épocas da história do Benfica, e Rui Vitória merece-a. Mas vale a pena perguntar se este é um dos melhores plantéis da história encarnada também. Se não for, então as contas são evidentes: foi uma das piores épocas das histórias do FC Porto e do Sporting.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 05:15

A idade adulta

Rui Gomes, em 22.05.17

 

Jorge Jesus e Bruno de Carvalho estão agrilhoados um ao outro, mas o que lhes convém é uma autoavaliação. Dura.

 

19668301_GZJst.jpg

Antes de ser uma decisão, a permanência de Jesus no Sporting era uma fatalidade e, depois de ser uma fatalidade, tornou-se uma condenação. Uma condenação dupla, para um treinador incapaz de perceber os seus limites ou a responsabilidade que o ordenado e o egocentrismo lhe dão, e para um presidente que gera vinte problemas desnecessários por cada um que resolve.

 

A culpa há de ser nossa, dos jornais, porque a melhor forma de administrar a má relação entre os dois é mentindo, mas nós não somos importantes. Importante, para o Sporting e para os sportinguistas, seria que, sendo um belo treinador, Jesus intuísse o temperamento, a preparação e o equilíbrio que lhe faltam para ser o senhor absoluto de um grande clube no século XXI. E que Bruno de Carvalho percebesse algo parecido sobre si próprio, mais, eventualmente, a noção de que terá de ser outro o interlocutor de Jesus no Sporting. Alguém com mais futebol no sangue e uma bagagem profissional que o ponha meio degrau acima do treinador.

 

Provavelmente, qualquer uma destas premissas é pedir de mais a duas pessoas inflexíveis e ao mercado de diretores desportivos carismáticos, mas já não seria mau para esta nova época que Jesus metesse, finalmente, na cabeça que o Sporting não o contratou para gastar o mesmo dinheiro que ele gastava no Benfica: contratou-o porque era suposto ele ser um génio a produzir craques do vácuo (palavra do senhor, quase literal). Por outro lado, ser presidente implica compreender o que está à volta; perceber as dificuldades alheias; assumir que ir ao mercado comprar jogadores exige conhecimento e experiência; admitir as culpas próprias, quer na montagem da equipa, quer na instabilidade que tantas vezes provoca com aquela ingenuidade mascarada de convicção.

 

A palavra que vou usar para acabar pesa como chumbo, mas é justa: o Sporting precisa de adultos.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:00

Fantasmas

Rui Gomes, em 18.05.17

 

Mais do que fazer questão de manter Jesus em Alvalade, Bruno de Carvalho não o quer ver no Dragão.

 

20199859_bZzDY.jpg

Jorge Jesus tem uma dívida de gratidão para com o FC Porto que se mede em milhões de euros. Muitos milhões de euros, para ser mais exacto, que o agora treinador do Sporting e antes treinador do Benfica ganhou ao longo dos últimos anos graças ao FC Porto.

 

Ou pelo menos ao fantasma do FC Porto que assombrou Luís Filipe Vieira, levando-o a inflacionar-lhe catastroficamente os ordenados, e que agora assombra Bruno de Carvalho, mantendo o presidente leonino pouco menos do que refém do treinador.

 

Afinal, por esta altura, parece evidente que, mais do que querer manter Jesus em Alvalade, o presidente do Sporting não quer correr o risco de o ver no Dragão. Exactamente até onde estará disposto a ir para o garantir é o que resta saber. Isso e quanto Jesus ganhará ao certo desta vez.

 

 

Texto da autoria de Jorge Maia, jornal O Jogo.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:00

Pequenos passos

Rui Gomes, em 17.05.17

 

Se quiserem reduzir a diferença para o Benfica, Sporting e FC Porto têm de meter pés ao caminho.

 

20199859_bZzDY.jpg

Enquanto o Benfica festejava a conquista do tetra, desta vez na Câmara Municipal de Lisboa, Sporting e FC Porto davam passos na preparação da próxima temporada. Os leões anunciaram a contratação de Piccini e Mattheus para juntar na lista de reforços a André Pinto, enquanto os dragões oficializavam as renovações com Galeno e Kayembe, ambos com lugar reservado pelo menos na pré-época.

 

A esta distância, não se pode dizer que sejam passos enormes, mas são passos e, se não significarem mais nada, significam que tanto em Alvalade como no Dragão há a consciência de que é preciso pôr os pés ao caminho. Nos festejos do tetra, Luís Filipe Vieira disse que o Benfica tinha pelo menos dez anos de avanço sobre os rivais. Até olhando para aquilo que foi o campeonato até há um par de jornadas, talvez dez anos seja um exagero, mas é verdade que os encarnados partem para a próxima temporada como partiram para as últimas quatro: em vantagem.

 

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:35

A faca e o queijo

Rui Gomes, em 13.05.17

 

Tudo na mesma mão

 

mw-860.jpg

É possível que eu esteja a ler tudo isto à luz errada, e de qualquer modo ainda vai ser preciso esperar algum tempo até que não restem dúvidas sobre os resultados desta crise no Sporting. Hoje, o que me parece é que Jesus saiu fortalecido no status quo leonino.

 

Bruno de Carvalho criticou-o e criticou-o bem. Jesus é um grande treinador e faz agora um ano que quase operava um dos mais extraordinários milagres da história do futebol português. Mas era o que faltava o presidente de um clube como o Sporting não poder indignar-se com uma época tão miserável como a que agora finda.

 

Apesar disso, e menos curiosamente do que talvez fosse conveniente, Jesus conservou com facilidade não só o ónus, mas o próprio (digamos) privilégio da palavra sobre a sua continuidade. Vendeu a mensagem de que poderia ouvir outras propostas e ainda conseguiu mobilizar José Maria Ricciardi para um (vá lá) casualíssimo encontro de intercedência beata.

 

Já então os sinais apontavam todos no mesmo sentido: vitória do treinador. Teria de ser o inevitável post vespertino de BdC - sobretudo se fosse mal escrito, provando autoria efetiva - a declinar a impressão. Pois, feliz ou infelizmente, por cada burocrático sinal de autoridade há nele um ruidoso ponto de exclamação (ou outro superlativo qualquer) a brindar o treinador.

 

Quem saiba mais de semiótica poderá fazer melhor leitura. A mim, o que isto sugere é que Bruno de Carvalho quer muito reclamar a soberania, mas desconfia que não pode dar-se a esse luxo.

 

Resta saber porquê. Se é porque está demasiado amarrado ao treinador, contratual e estrategicamente, não será bom. Se é porque nem sequer concebe outra solução - e represente o Conselho Leonino o papel que nisso representar -, será pior.

 

 

Joel Neto, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:03

Comentar

Para comentar, o leitor necessita de se identificar através do seu nome ou de um pseudónimo.




Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Taça das Taças 1963-64



Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D




Cristiano Ronaldo


subscrever feeds