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A "brincar" diz-se muitas verdades

Rui Gomes, em 20.09.17

 

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Na realidade, estamos perante mais uma crónica humorística do nosso bem conhecido Rogério Casanova, jornal Expresso, que eu optei por não apresentar no usual formato da rubrica "Futebol bom humor à mistura", por ser um jogo da Taça da Liga.

 

Deste modo, escolhi meia dúzia de apontamentos do autor sobre a performance de jogadores do Sporting que até ao momento não tínhamos tido oportunidade de ver jogar em competição oficial. Isso, e mais um ou dois dos usuais.

 

Ristovski

Pode parecer pouca coisa, mas a Macedónia detinha, na Antiguidade Clássica, uma invejável reputação enquanto líder na tecnologia de cercos militares. Para o Cerco de Rodes, por exemplo, o Rei Demétrio I encomendou de propósito uma torre com catapulta de quarenta metros de altura, oito rodas gigantescas e operada por milhares de soldados, capaz de espatifar a mais bonita arquitectura. Ristovski, de acordo com a internet, mede apenas um metro e oitenta, e não tem rodas, embora a sua omnipresença hoje deixe dúvidas sobre esta última informação. Foi o melhor em campo e, mesmo não sendo as circunstâncias ideais para conclusões entusiásticas, é inevitável pensar que os dois milhões e duzentos mil euros que custou configuram um caso óbvio de avaliação incorrecta.

 

Petrovic

Depois de um longo blackout abandonou hoje a pose serena de mutismo institucional e apresentou-se em campo cheio de vontade de implementar uma estratégia de comunicação. Fartou-se de fazer comunicados pertinentes, anúncios competentes, updates concisos. A dada altura chegou mesmo a promover uma conferência de imprensa simultânea com as canelas e a anca de um jogador do Marítimo, tendo conseguido esclarecer todos os envolvidos de forma robusta. Mostrou a habitual simplicidade lúcida na construção, sendo, além de Ruiz, o único jogador em campo a conseguir passar a bola a colegas que se encontrassem a mais de dois metros. Bom jogo.

 

Iuri Medeiros

Começou mal, com uma corrida desenfreada do lado errado da linha lateral, e nunca conseguiu melhorar. Pouco preciso nos cruzamentos, tanto de bola parada como de bola corrida, e pouco hábil a livrar-se das marcações, passou a noite assombrado por sucessivos ataques de esprit de l'escalier: a pensar nas jogadas que devia ter feito, em vez daquelas.

 

Mattheus Oliveira

Jogou não como o recipiente de instruções tácticas pormenorizadas, mas sim como o portador de um segredo terrível, cuja natureza era sua missão proteger a qualquer custo. Sente-se que grande parte das suas acções no terreno são concebidas para poupar tempo. Mas poupar tempo para quê? Para quem? O que é que acontece a todo esse tempo poupado? Onde é que o guardou? Para que efeito? Dá para ir lá buscar algum? Não é mau jogador. Sabe jogar ao primeiro toque, por exemplo (o pior são os toques seguintes). Mas o motivo da sua contratação continua a não ser claro. Um mistério quase tão grande como aquela consoante duplicada no seu nome, como se alguém tivesse tentado fazer batota no Scrabble.

 

Doumbia

Num jogador tão compenetrado em fazer o seu trabalho, que é marcar golos, podem notar-se poucas diferenças na sua linguagem corporal entre as ocasiões em que o consegue e aquelas em que não consegue, como hoje. Mas há que ter em atenção que Doumbia é imortal, e não mede o tempo como nós, nem, por conseguinte, avalia os acontecimentos da mesma forma. Ricardo Quaresma sempre me pareceu jogar como se não soubesse qual era o adversário nem a competição em que se encontrava. Doumbia joga como se não soubesse sequer em que década estamos. Muito menos há cá "jogos", no plural: na sua percepção tudo o que acontece faz parte do mesmo interminável jogo de futebol, em que de vez em quando se marcam golos, e de vez em quando não se marca. Ele não está ali para vistas curtas, mas para a eternidade. Não fiquem nervosos que ele também não.

 

Battaglia

Comprovou o que já se suspeitava: se a ideia é utilizá-lo vindo do banco, será sempre um suplente mais útil em ocasiões de risco, quando é preciso segurar um resultado perigoso, como nos jogos em que nos encontramos tragicamente a ganhar por 3-0 a dez minutos do fim. Para empates a 0 como o de hoje, quando está toda a gente calma e descontraída, as suas características não são as mais indicadas.

 

Alan Ruiz

Esta frase, recentemente inaugurada, e ainda, de certa maneira, tocada pela recordação - é a palavra certa - de outras frases que a antecederam no tempo, deverá, por assim dizer, iniciar um processo que, expondo humildemente as suas fraquezas intrínsecas - de um modo consciente e até, dir-se-ia, orgulhoso da sua condição precária - se predisponha ainda assim, sem a precipitação tantas vezes funesta do entusiasmo, à execução das manobras que pareçam as mais apropriadas, na medida em que, não renegando a sua natureza efectiva de manobras, evitem um compromisso inequívoco com a concisão, a concluir um raciocínio sobre o paciente estilo de jogo de Alan Ruiz, e demonstrando por isso uma fidelidade extrema à sua própria maneira de executar uma jogada, não sei se me faço entender.

 

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publicado às 04:43

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1 comentário

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De PSousa a 20.09.2017 às 14:26

O Ristovski, surpreendeu-me pela positiva. Acho que temos mesmo a alternativa a Piccini, apesar de ouvir o JJ a dizer que o "miúdo" iria jogar quando o Piccini, estivesse menos bem! Para mim era mesmo ao contrário face às boas indicações que deu neste jogo.
O homem até a "mota" do Marítimo conseguiu apanhar com uns 5 metros de atraso!

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