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Olhando para o que se passa lá fora, os treinadores não fazem e desfazem a mala tantas vezes. Nas ligas espanhola e alemã, só oito clubes já trocaram de treinador esta época, número que encolhe na Ligue 1 francesa (sete), na Premier League inglesa (cinco) e na Série A italiana (cinco). Em Portugal, apenas cinco equipas - Benfica, FC Porto, Sporting, V. Guimarães e V. Setúbal - não trocaram de treinadores, o que mostra claramente como a paciência de quem manda ferve em pouca água, num país onde os clubes têm orçamentos muitíssimo mais magros, ganham bem menos dinheiro com bilhética, receitas televisivas e desempenho nas provas do que as cinco maiores ligas da Europa.

 

A inevitável conclusão, portanto, é que despedir ou trocar sai mais caro em Portugal, apesar da menor capacidade para indemnizações e aumentos da folha salarial, no entanto, isso acaba por ser complicado de medir, pois nem todos os clubes estão cotados na bolsa e, como tal, os seus relatórios e contas não são públicos.

 

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Pública, e bem conhecida, é a falta de paciência que os clubes portugueses, ao mínimo amontoado de resultados que não vitórias, têm para com as pessoas que escolhem. Na primeira Liga já houve 15 trocas de treinadores entre os 13 clubes em que tempo é dinheiro, num mercado em que a divisa não é o tempo.

 

Os treinadores têm-no cada vez menos, sobretudo os que trabalham em equipas cuja vida é sobreviver e não viver à base de títulos - na segunda metade da tabela do campeonato, apenas o Vitória de Setúbal não trocou de técnico. Um em nove, portanto. Em Itália e Inglaterra, a relação é de seis em 10; em França, de quatro em 10, em Espanha, de três em 10; e na Alemanha, de dois em 10.

 

Mesmo que em níveis distintos, a paciência e o tempo parecem ser mais baratos lá fora. Por cá, os portugueses preferem negociar à chicotada. Podem ser psicológicas, mas talvez já sejam demasiadas. Salvo no caso de Jorge Jesus, obviamente, treinador bem protegido com o seu contrato milionário e o apadrinhamento temporal do presidente do Sporting.

 

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publicado às 04:11

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3 comentários

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De Mike Portugal a 21.03.2017 às 11:19

O Moreirense despediu o Inácio que lhes ganhou a Taça de Liga. São tão atrasados mentais, meu deus. Como é que poderiam esperar manter a mesma qualidade de jogo sem o Podence e o Geraldes? Petit vai lá fazer o quê?
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De Pinheirinho a 21.03.2017 às 11:58

não se trata apenas de paciência ou da falta dela, o problema aqui é cultura.
À uns anos Manuel Machado chegava ao Nacional e querendo fazer da equipa, alguém que lutasse por mais que a manutenção, decidiu começar por fazer treinos bidiários,
3 treinos depois os jogadores brasileiros do plantel fizeram queixa ao presidente, assim iam embora, solução, treinos diários 4 vezes por semana.
Esta falta de cultura dos presidentes é que leva a tantos despedimentos, os treinadores não têm tempo nem autoridade para trabalhar, Cruyf dizia que o treinador devia de ser sempre o mais bem pago do plantel, só assim seria respeitado pelos jogadores, tirando no sporting, isso não acontece em mais clube nenhum em portugal.
Logo um treinador tem de poder trabalhar e os jogadores têm de obedecer a quem manda, o treinador tem de estar acima do presidente no que ao futebol diz respeito, tem de ser o comandante supremo e tem de ter tempo e espaço e acima de tudo autoridade para trabalhar.
PS: só o Arouca e Chaves é que substituíram treinadores por promoção, o de chaves foi para braga, o do arouca para Israel. sendo que moreirense e estoril já estão no 3º treinador desta época, até final da época acredito que nacional, braga, tondela para lá caminhem.
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De Maria a 21.03.2017 às 15:47

É uma questão de cultura. Ou falta dela, melhor dizendo.

Três factores principais pesam nesse clima de instabilidade, na minha opinião.

1 - Parca capacidade financeira e "Casa onde não há pão..:"

Somos os que temos menos dinheiro porque à excepção de um todos os clubes vivem para/e do Futebol e pouco mais. Logo a sustentabilidade é para lá de perliquintante.


2 - "Ser um País pequeno não quer dizer nada" disse alguém um dia. Quer dizer TUDO, digo eu

Depois é a cultura da intimidação e tudo é demasiado mais próximo do que poderia (deveria?!) ser.

Vê-se nos clubes estrangeiros em que os treinadores participam em acções de campanha do clube, em várias aliás, mas a sua vida pessoal/familiar é quase incólume no contacto com o cidadão no dia a dia. ( ocorreu-me agora que a tristeza (e não só) inicial de Mourinho quando chegou ao Machester United e o quase não sair do hotel/falta de núcleo familiar o deixou completamente desgovernado a início.) Aqui são gente do povo, um de nós, para o bem mas tanto para o mal. E à mínima é a tromba de quem serve o cafézinho da manhã. São os miúdos que "levam" na escola etc etc


3 - "Levantai HOJE DE NOVO..."

E assim se cria um ciclo que é vicioso em que ninguém sai a ganhar. Fala-se demais. Diz-se demais e feio e isso acaba incendiando gente já por si de... fraca cabecinha. E quanto mais fraca a cabecinha mais imediato se quer o resultado que se quer. "Campeão já". "E com 120 pontos de avanço sobre o segundo". "Este ano é para ganhar tudo".
Nenhuma religião, nenhum treinador, nenhum Homem subsiste ou vinga em tal clima.

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