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Fotografia com história dentro (58)

Leão Zargo, em 06.08.17

 

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Um jogo de enganos

 

Em 31 de Março de 1974 disputou-se um Sporting – Benfica que é irrepetível. Alguns minutos antes do apito inicial do árbitro, Marcello Caetano, o Presidente do Conselho de Ministros, dirigiu-se à tribuna presidencial do Estádio de Alvalade acompanhado por João Rocha e Borges Coutinho, presidentes do Sporting e do Benfica, e Veiga Simão, Ministro da Educação Nacional. A multidão, calculada em 60 000 espectadores, tributou-lhe uma enorme ovação.

 

O antigo primeiro-ministro considerou que a ida a Alvalade era um teste político. Poucos dias antes, em 16 de Março, tinha-se verificado a sublevação do Regimento de Infantaria 5, nas Caldas da Rainha, e a marcha militar sobre Lisboa que obrigou Marcello a refugiar-se num quartel militar em Monsanto. No seu livro “Depoimento”, publicado em 1974, ele refere que ficou descansado pelo ambiente no Estádio, para além de que “as informações que chegavam ao governo também garantiam sossego geral e apoio ao regime”.

 

Afinal, saber-se-ia depois, tratou-se de um jogo de enganos. O Sporting mesmo tendo perdido por 5-3, conquistou o título de campeão, e a vitória do Benfica não foi decisiva nas contas finais. Para além de se ter falado durante a semana de um árbitro estrangeiro que afinal não houve. E Marcello Caetano, apesar de se ter convencido de que não corria o perigo de um golpe militar, menos de um mês depois estava confrontado com a Revolução do 25 de Abril. Um jogo de enganos!

 

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publicado às 12:09

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13 comentários

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De Bruxo_Empata_Fada a 06.08.2017 às 14:06

Caro Leão Zargo,

Se me permite, acrescento uma história com outras estorias que aconteceram 24 dias depois, desse Sporting 3 Benfica 5!

24 de Abril de 1974, Magdburgo da ex RDA 2 Sporting 1, 2ª mão da Meia Final da Taça das Taças, o Sporting tinha empatado a um golo na 1ª mão em Alvalade. Na Alemanha, o Sporting privado do Yazalde lesionado, entrou mal no jogo, cedo a perder 0-2, e a ver fugir a sua 2ª Final Europeia (curiosamente, 10 anos depois da 1ª Final Europeia). Mas a 10 minutos do fim, o Marinho faz o 1-2, e alimenta alguma esperança para os minutos finais, esperança essa desperdiçada pelo sadino Tomé com a baliza alemã escancarada, porque não conseguiu abrir as portas à tão desejada 2ª Final Europeia do Sporting!

Entretanto, no regresso, acontece a Revolução de Abril, e a Equipa do Sporting fica retida na Alemanha, para posteriormente arrancar para Portugal via Madrid. Chegados a Madrid, a alternativa seria regressar a Lisboa de autocarro, mas as fronteiras, estavam também fechadas ...

Curioso, essa eliminatória na ex RDA, e a viagem de regresso, também acaba por entroncar neste post : "Fotografia com história dentro" (nem faltou na fotografia Marcelo Caetano).
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De Leão Zargo a 06.08.2017 às 15:23

Tem razão, o jogo com o Magdeburgo foi verdadeiramente dramático. Mais tarde, Tomé diria que aquele golo em Magdeburgo foi o que ele mais desejou ter marcado. Se a bolinha tivesse entrado na baliza o Sporting iria à final da Taça das Taças…

Como refere no comentário, a comitiva leonina saiu de Portugal com um regime político e regressou noutro! Épico!

Mas, na realidade, a época desportiva de 1973-74 foi muito boa. Conquista do Campeonato e da Taça de Portugal e meias-finais da Taça das Taças. Nada mau!
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De Rodrigues Alves a 06.08.2017 às 15:26

Segundo os relatos da época foram os adeptos do Benfica (o clube do regime) que aplaudiram o presidente do Conselho.
O Sporting foi o primeiro campeão pós 25 de Abril.
O Campeão da Liberdade, como ficou conhecido.
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De Aracaçu a 06.08.2017 às 15:35

Ui, não diga isso que os indignados aqui d´el Rei, virão em hordas a atacá-lo c/ "livros" de blogues bastante "imparciais e conceituados".

Cumprimentos.
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De Leão Zargo a 06.08.2017 às 16:05

Rodrigues Alves

Estava em Alvalade nesse jogo e recordo-me que houve bastantes aplausos a Marcello Caetano. Pode-se dizer que foi uma grande e surpreendente ovação, mas também se pode afirmar que isso era previsível nas circunstâncias daquele tempo. Os aplausos verificaram-se na generalidade do Estádio, independentemente dos adeptos serem sportinguistas ou benfiquistas.
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De julius coelho a 06.08.2017 às 17:00

Pudera !!! quem fosse apanhado a nao bater palmas corria o risco de acabar no labirinto de tuneis por baixo da baixa de Lisboa.
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De MarcoI a 06.08.2017 às 18:28

"Segundo os relatos da época foram os adeptos do Benfica (o clube do regime) que aplaudiram o presidente do Conselho. "

Como manchar um tópico interessante com uma mentira tao descarada (adjectivo simpático! :P ...)

Gostava de saber onde é que esta gente vai buscar os "relatos da época".
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De atitopoteu a 07.08.2017 às 02:00

nada como falar daquilo que não conhece ou a que não assistiu - o vosso adepto Professor Marcelo Caetano, padrinho do actual PR, foi delirantemente aplaudido SIM ... pela Tribuna e por toda a Central (sócios do Sporting !...) - para demonstrar a sua sectária ignorância.

se, como suponho, nem sequer era nascido !... dê uma oportunidade à mosca, reveja a história do clube, antes que passe essa vidinha a bolçar asneiras.
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De Francisco Maria a 07.08.2017 às 10:16

Afinal quem era o "clube do regime"?

Numa crónica publicada no jornal “Record”, em Maio de 2000, Alfredo Barroso,
conhecido sportinguista e homem da oposição ao Antigo Regime, escrevia: “E, no entanto, nos tempos da outra senhora, o Sport Lisboa e Benfica chegou a ser considerado como uma referência democrática, um oásis onde coexistiam vozes de todas as origens políticas e em que algumas figuras notórias da oposição ao Estado Novo chegaram a ser membros dos órgãos sociais do clube. Digo isto com tanto mais admiração e à vontade, quanto é certo que sempre fui adepto do Sporting Clube de Portugal, o qual, pelo contrário, era conhecido pelas suas notórias ligações ao Estado Novo e foi quase sempre dirigido por figuras mais ou menos proeminentes da extrema-direita do regime salazarista. Para grande desespero
de alguns adeptos como eu que, por carolice ou amor à camisola, nunca viraram a casaca, apesar dos dichotes e bicadas (mais que justas) de muitos adeptos do Benfica.”
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De Chico Rã a 06.08.2017 às 17:15

"Clube do Regime"
Tem piada afirmar isto, quando todos sabem que o SCP venceu 14 dos seus 18 títulos, em pleno período do "regime"!!!!

Depois de 1974, em "liberdade" o SCP conquistou 4(!!!!) títulos!!!!!!!

Perguntas acerca do clube do regime... algumas????
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De Leão Zargo a 07.08.2017 às 17:04

Chico Rã

Na verdade, por muita conversa decorra num e noutro sentido, não houve o “Clube do Regime” no salazarismo.

Os regimes fascistas europeus do género do Estado Novo intervieram no futebol de um modo impositivo, como em Portugal nunca se verificou. Talvez porque a Salazar o futebol era absolutamente indiferente e considerava que a vela, ginástica e atletismo eram as modalidades ideais. Aliás nos governos dele, nos anos 40 e 50, receava-se os espectáculos de futebol com milhares de espectadores e o potencial de revolta popular que poderia verificar-se.

O Benfica superou o Sporting a partir dos anos 60 porque profissionalizou e organizou a estrutura do futebol de uma forma que o Sporting e o Porto não foram capazes de fazer. Começou com Otto Glória e Guttmann continuou. Eusébio também foi importante, pois foi o factor individual de desequilíbrio.

A verdade histórica é que vale. Na vida social, política ou desportiva.

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De Naçao Valente a 06.08.2017 às 18:12

Caro Leão Zargo,
Assisti a esse jogo. Fiquei surpreendido, como muitos outros presentes, quando a presença de Marcelo Caetano foi anunciada. Não notei qualquer hostilidade o que me pareceu natural. Estávamos num evento desportivo, e foi na sua condição de convidado que foi recebido. Ironia das ironias, no dia 24 de Abril, estive no largo do Carmo a festejar a queda do Marcelo. Um ano depois, curiosamente, estive na mesma fila onde estava João Rocha, no Liceu Camões, para exercer o direito de voto, nas primeiras eleições democráticas. Mudam-se os tempos, mudam as atitudes.
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De Leão Zargo a 07.08.2017 às 16:46

Caro Nação Valente

Por pouco que não nos cruzámos em Alvalade naquele jogo. E, quase um mês depois, também no Largo do Carmo no momento de todas as decisões. Mas, sobre isso a poetisa Sophia escolheu as palavras certas e necessárias!

A ida de Marcello Caetano ao derby foi devidamente preparada na imprensa nos dias anteriores ao jogo, procurando criar-lhe uma imagem favorável. Mas, fiquei surpreendido com a ovação, lá isso é verdade.

Um grande abraço.

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