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Fotografia com história dentro (76)

Leão Zargo, em 17.12.17

Taça de Portugal 1972-73.jpg

 

A Taça de 1972-73

 

Mário Lino, Vítor Damas, Nelson, Yazalde e Tomé seguram a Taça de Portugal de 1972-73. O treinador, o capitão de equipa e os três marcadores dos golos na final com o Vitória de Setúbal (3-2). Uma conquista que chegou a parecer impossível de tão desastrosa que foi a época.  Longas digressões aos Estados Unidos da América, a Moçambique e à Europa de Leste, o fracasso logo na primeira eliminatória da Taça das Taças frente aos escoceses do Hibernian, a invasão de campo num Sporting-Leixões, a interdição do Estádio de Alvalade, a agressão a Damas por adeptos do Montijo, o fracasso de Ronnie Allen como treinador do Sporting, a demissão do presidente Brás Medeiros e um péssimo 5º lugar no Campeonato Nacional.

 

A Taça foi salvação da época. No final do mês de Abril, Mário Lino passou de adjunto a técnico principal e Osvaldo Silva dos juniores avançou para adjunto. Organizaram a “casa” e conquistaram a Taça de Portugal frente ao perigosíssimo Vitória de Setúbal. Yazalde fez um jogo soberbo, assistiu Nelson no 1-0 e fez ele próprio o 2-0 num remate que fulminou Torres. Depois, Tomé elevou para 3-0. O último quarto de hora foi de grande sobressalto por causa dos dois golos sadinos, mas Damas segurou as pontas lá atrás. Com este triunfo, Mário Lino conseguiu o direito de preparar a equipa para a 4ª dobradinha de história do Sporting em 1973-74 e para o percurso vitorioso na Taça das Taças até às meias-finais com o Magdeburgo.

 

Ficha de jogo:

 

Final da Taça de Portugal, 1972-73

Sporting 3 - Vitória de Setúbal 2

Estádio Nacional, 17 de Junho de 1973

Árbitro - Fernando Leite (AF Porto)

 

Sporting - Vítor Damas, Bastos, Laranjeira, Carlos Alhinho, Manaca, Tomé (Hilário, 80m), Vagner, Nelson, Marinho, Yazalde (Chico Faria, 80m) e Dinis 

 

Treinador - Mário Lino

 

Golos - Nelson (23m), Yazalde (34m) e Tomé (66m)

 

Vitória de Setúbal - Torres, Rebelo, João Cardoso, José Mendes, Carriço, Amâncio, José Maria, Câmpora (Vicente), José Torres e Jacinto João (Arcanjo)

 

Treinador - José Maria Pedroto

 

Golos - Duda (76m) e Vicente (84m)

 

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publicado às 12:00

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10 comentários

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De Leão Zargo a 17.12.2017 às 12:17

Este jogo faz parte da história de Hilário: foi a última vez que vestiu a camisola leonina, tendo terminado a sua brilhante carreira de jogador!
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De Carlos N.T. a 17.12.2017 às 12:30

Bela equipa!!.Não fossem os problemas internos.
Aqui começou a nossa travessia do deserto que se mantem até hoje.

Como era difícil, muito difícil ganhar a esse Vitória de Setúbal e ainda mais com o melhor treinador português de sempre!

Anos 70...
Época romântica!!. Aconteceu de tudo.
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De Leão Zargo a 17.12.2017 às 13:32

Carlos

O que refere é muito interessante, mas penso que é difícil identificar-se o momento em que o Sporting perdeu a hegemonia no futebol português. Nos anos 1950, o nosso Clube não foi capaz de fazer uma transição eficaz do semiprofissionalismo para o profissionalismo no futebol. Isso decorreu de uma espécie de tempestade perfeita, com causas internas e externas, onde se conjugaram a matriz ideológica olímpica do Sporting que dificultou essa transição, a demora na compreensão da nova realidade resultante da economia industrial nos anos 1950 e 1960, as persistentes dificuldades financeiras e o Benfica de Otto Glória e Bella Guttman.

Nos anos 1960 o Sporting ainda se bateu com o Benfica, mas a superioridade deles decorreu da presença do Eusébio. Nunca no futebol português um jogador foi tão determinante como ele foi. Quando se entrou na década de 1970 o Benfica já estava claramente à frente, no que refere ao plantel, mas também ao profissionalismo e organização.

Mas, se procurarmos o momento concordo com o meu amigo Rui Câmara Pina que considera o dérbi de Abril de 1960 em que o Octávio de Sá deu três frangos, o Benfica venceu e que lhe deu o título o momento crucial: esse título deu-lhes o direito a participar nos Campeões Europeus na época seguinte, que conquistaram ao Barcelona. Se o Sporting tivesse ganho esse dérbi seria o Campeão e a História seria diferente.
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De Carlos N.T. a 17.12.2017 às 13:49

-"Mas, se procurarmos o momento concordo com o meu amigo Rui Câmara Pina que considera o dérbi de Abril de 1960 em que o Octávio....."
Estou de acordo só, parcialmente!!!
Depois desse "desastre" ainda conseguimos manter a competividade, inclusivé vencer a Taça das Taças.

Concordo sim e muito, com as restantes palavras.
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De Naçao Valente a 17.12.2017 às 14:32

Diz muito bem, caro Leão Zargo, o Sporting falhou na transição do semiprofissionalismo para o profissionalismo, mas no inicio dos anos 70 já o Benfica, estava muito à frente. E na minha opinião, isso deve-se ao facto de o Benfica ter contratado Eusébio, que fez toda a diferença, embora com outros jogadores de grande nível. Tivesse ele ido para o Sporting, como estava previsto, e a história seria diferente. O caso Eusébio também mostra o amadorismo que existia no Sporting.
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De Leão Zargo a 17.12.2017 às 21:33

Sem dúvida, caro Nação Valente. O Eusébio fazia a diferença entre as equipas do Sporting e do Benfica. Frequentemente, os dois planteis equivaliam-se e era ele que desequilibrava. Creio que no início dos anos 70 já não seria assim, com o Benfica a ser claramente mais forte.
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De Bruxo_Empata_Fada a 17.12.2017 às 15:37

Esse adversário do Sporting, era um V Setubal "vintage", nessa mesma temporada, o Vitória de Pedroto só vai cair nos Quartos final da T UEFA, tendo eliminado Florentina, Inter, e vai ser o Tottenham a impedir o V Setubal de atingir a Meia final, e, com um agregado, 0-1 em Inglaterra, e um 2-1 no Bonfim, isto é, foram eliminados pelo golo sofrido em casa. Pedroto num quadriénio fez em Setubal provas Europeias extraordinárias, cairam no Bonfim, grandes Equipas Europeias, internamente, esse Vitória foi vice campeão, ou ficava pelo 3º lugar, e ainda juntou essa Final da Taça de Portugal!

O Sporting apresenta nos seus registos uma estranha particularidade, vejamos, nos ultimos 60 campeonatos, venceu 9, curiosamente todos eles conquistados em ano terminação par, mas não só, pós esses 9 campeonatos conquistados, o Sporting apresenta um padrão, qual é? Na temporada seguinte à conquista do campeonato, o Sporting sempre resvalou para o 3º ou 4º lugar, com uma excepção, temporada 1970/71 foi vice Campeão, após ter sido Campeão na temporada anterior!

Mas, mais recentemente identifiquei outro padrão do Sporting, e este passa novamente pelas classificações. Vejamos, a pior classificação de sempre do Sporting, é recente, e foi registada na temporada 2012/13, o 7º lugar, depois, o Sporting nos 83 campeonatos disputados, regista por 4 X o 5º lugar na classificação, são essas as segundas piores classificações do Sporting, no campeonato, e são identificadas nas décadas de 60 e 70, recordo as temporadas desses 5º lugar:

1964/65 5º lugar, na temporada seguinte 65/66 Campeão Nacional!
1968/69 5º lugar, na temporada seguinte 69/70 Campeão Nacional!
1972/73 5º lugar (justamente a temporada da foto deste post), na temporada seguinte 73/74, Campeão Nacional!
1975/76 finalmente, 5º lugar, na temporada seguinte 1976/77, surge a excepção, o Sporting de Jimmy Hagan foi vice Campeão!

A excepção, a temporada 1976/77, tem também curiosidades, o Sporting de Hagan começa o campeonato a golear o Benfica de Mortimore em Alvalade por 3-0, arranca uma bela 1ª volta, sempre líder isolado, e com margem confortavel, todavia, ao virar para a 2ª volta, o Sporting de Hagan perde 1-2 na Luz, e nunca mais segurou a liderança, vindo mesmo a perder esse campeonato para o Benfica, e por margem dilatada, isto quando nada o fazia perder na 1ª volta!

Termino, e recordo alguns padrões do Sporting que em cima identifiquei:
1 O Sporting quando é Campeão, tendencialmente resvala para o 3º ou 4º lugar, no campeonato seguinte!
2 O Sporting quando termina um campeonato no 5º lugar (uma péssima classificação), na temporada seguinte, tendencialmente é Campeão!

Conclusão, os registos classificativos do Sporting, mais parecem um electrocardiograma nervoso, com pouca, ou nenhuma regularidade classificativa, essa tendencia bem marcada, terá com certeza uma explicação!

Saudações des_Portistas
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De Leão Zargo a 17.12.2017 às 21:38

Bruxo,
um registo interessantíssimo que vou guardar!
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De Aracaçu a 17.12.2017 às 15:42

Mesmo numa época com 4º ou 5º lugar, sendo péssima claro, a Taça de Portugal sempre amenizaria alguma coisa e daria (e isso é o mais importante) um capital de confiança para a temporada seguinte. Não perdoo ao Sá Pinto e aos jogadores ainda a perda da final da Taça contra a Académica que por 1 fio não desceu de divisão esse ano. Quem sabe com a conquista dessa taça não houvesse tanto tumulto a temporada seguinte, e as pessoas teriam mais calma para trabalhar... essa derrota juntamente com o despedimento precoce do Domingos foi o início da sepultura do Godinho Lopes, além das loucuras de contratações da temporada seguinte, com Violas, Pranijs, Boularouz, enfim uma panóplia de nacionalidades e de jogadores não preparados para representar o Sporting.
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De Leão Zargo a 17.12.2017 às 21:40

Aracaçu,
essa final com a Académica antecipou todos os demónios que se abateriam sobre o Sporting. Isso é certo!

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