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Futebol com humor à mistura

Rui Gomes, em 30.07.17

 

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Rogério Casanova, jornal Expresso, comenta as performances individuais dos jogadores do Sporting no jogo com a Fiorentina, na disputa do Troféu Cinco Violinos, com o seu usual humor:

 

Rui Patrício

 

Na maior ocasião de perigo criada pela Fiorentina, saiu bem a fazer a mancha aos pés do filho de Hagi, vendo depois sair por cima da barra um remate feito pelo filho de Chiesa, num jogo tão descansadinho que o seu lugar até podia ter sido ocupado pelo filho do pai do Azbe Jug.

 

Piccini

 

A sua primeira intervenção depois do intervalo foi uma homenagem tão sentida ao antecessor que quase parecia copy-paste: falhou a receção de uma bola alta, perdeu-a para o adversário, conseguiu recuperar na raça, iniciou um galope de vários metros que desequilibrou toda a gente e no momento decisivo falhou a abertura para Gelson, antes de desatar a correr para vir recuperar a posição. Schelotto fez umas oitenta jogadas semelhantes; Piccini, arrisco, fará umas vinte. A principal diferença entre ambos não é sequer o lance em que circum-navegou a Fiorentina inteira antes de servir Podence na pequena área; Schelotto também fez umas quantas avarias parecidas. A diferença é um incremento moderado, mas real de solidez defensiva e de capacidade global, mas, acima de tudo, uma noção bastante mais saudável das suas qualidades e defeitos. Piccini, tal como Schelotto e Zeegelaar, não é, nem nunca, será um grande lateral. Mas ao contrário deles, sabe o que é e o que não é, e sabe proteger-se. O que acaba por me proteger a mim também, especialmente ao nível psiquiátrico.

 

Tobias Figueiredo

 

Um defesa-central dos anos 80 com uma fidelidade intempestiva a exigências de cariz quase arqueológico, trasladado para esta cruel modernidade que já não aprecia nem tolera os tempos que a linha de fora-de-jogo podia ser medida por bigodes e patilhas, em que a lama era mais confortável do que a relva, em que uma bola podia e devia ser chutada com a maior força possível, de preferência para fora do estádio, e onde mariquices como a construção de jogo eram melhor deixadas a colegas com técnica mais apurada, como William, ou Patrício, ou o massagista. Teve o seu melhor e mais característico lance ao minuto 83, quando conseguiu dar uma joelhada no pâncreas de um adversário sem nunca tirar os olhos da bola, uma proeza de coordenação motora que deixaria qualquer defesa do Millwall orgulhoso.

 

William

 

Formou uma excelente dupla de centrais consigo próprio, passando o jogo inteiro a explicar calmamente aos avançados da Fiorentina que "estes não são os dróides que vocês procuram", e a fazer a sua própria fotossíntese, nutrindo-se directamente da luz do sol sem precisar de comida, ou de colegas.

 

Fábio Coentrão

 

I dress a wound in the side, deep, deep,

But a day or two more, for see the frame all wasted and sinking,

And the yellow-blue countenance see.

I dress the perforated shoulder, the foot with the bullet-wound,

Cleanse the one with a gnawing and putrid gangrene, so sickening, so offensive,

While the attendant stands behind aside me holding the tray and pail.

I am faithful, I do not give out,

The fractur’d thigh, the knee, the wound in the abdomen,

These and more I dress with impassive hand, (yet deep in my breast a fire, a burning flame.)

- Walt Whitman, "The Wound Dresser"

 

Battaglia

 

O estilo de jogo de alguns trincos com as suas características físicas e limitações técnicas costuma ser justamente comparado ao de um cachorrinho a perseguir automóveis. Battaglia hoje pareceu um automóvel a perseguir cachorrinhos. Escangalhou uma dúzia de jogadas da Fiorentina na primeira parte, com uma impressionante colecção de desarmes, jogadas de antecipação, impondo o físico, enchendo o seu terço do campo, e saindo várias vezes a rinaudar, com transportes verticais que mudavam rapidamente o centro de operações. Não tem recursos para variações rápidas de flanco ou para verticalizar o jogo com passes longos; mas tem inteligência para substituir essas opções por outras igualmente eficazes. E, não sendo um fora-de-série, representa talvez o tipo de jogador que mais falta fez no plantel nos últimos doze meses.

 

Gelson Martins

 

Na vastidão do cosmos, o conceito de "agora" é mais ou menos irrelevante. Devido à ligação inextricável entre tempo distância e velocidade de sinal, é impossível saber o que se está a passar "agora", por exemplo em Alpha Centauri. Sabemos apenas o que se passou há 4 anos e meio, o tempo que a luz demora a fazer a viagem. Acontecia algo parecido com os contra-ataques do Sporting conduzidos por Gelson na época anterior, e que o resto da equipa acompanhava invariavelmente a vários anos-luz de distância, muitas vezes descobrindo o que se tinha passado apenas ao ver as repetições em casa. Esta época, o facto de ter um colega com igual capacidade supersónica abre-lhe novas opções. Apesar de tudo, esteve hoje bem pior no cruzamento e no último passe do que tinha estado contra o Mónaco, E ainda bem, que as bancadas estão repletas de gente estrangeira com montes de dinheiro e más intenções.

 

Bruno Fernandes

 

Um par de bolas perdidas e uma exibição globalmente menos impressionante do que já fez nesta pré-época, mas continua incapaz de provocar o mais leve vestígio de dúvidas a alguém: qualidade de recepção e de passe, rapidez de raciocínio e de execução, e a capacidade para já saber quase sempre o que vai fazer à bola um segundo e meio antes de esta lhe chegar aos pés.

 

Acuña

 

Já deu para perceber que o seu estilo no 1x1 é semelhante ao de Coentrão: dar um toque na bola três metros para a frente e apostar em chegar lá antes dos outros. Quanto melhor for a pujança física, mais vezes vai resultar. Para já, o que salta à vista é a sua invulgar qualidade sem bola: a ajudar o lateral, a cortar linhas de passe, a saber quando ir fazer superioridade numérica no meio. Percebe muito de futebol, o que é logo meia batalha ganha. Se revelar em devido tempo a mesma qualidade a desequilibrar que já mostra a equilibrar, será um enorme reforço.

 

Podence

 

Aos 12 minutos, rompeu sozinho pelo meio e só foi travado em falta por Vitor Hugo, homónimo de um escritor francês também ele com um historial de anões problemáticos. A jogada mais candidata a aparecer no resumo televisivo será a do minuto 27, quando girou sobre Astori e rematou em arco para uma grande defesa. Tão ou mais impressionante foi o que fez 5 minutos antes, quando mostrou aquilo que faz melhor do que ninguém no Sporting actual: recuou, recebeu a bola de costas para o ataque, rodopiou para tirar o marcador directo da jogada, e descobriu uma diagonal de Dost sem sequer olhar, isolando-o na área. É o melhor jogador do clube a fazer este movimento específico desde João Vieira Pinto. Agora falta fazê-lo 30 vezes por ano, se faz favor.

 

Bas Dost

 

Testemunhou na primeira fila mais um caso gravíssimo de assassinato tecnológico do futebol. Um momento penoso para a saúde do desporto-Rei, onde foi tão indisfarçável o desconforto dos adeptos, cruelmente obrigados a festejar o mesmo golo duas vezes, como a preocupação de Dost perante este novo desafio à sua capacidade para distribuir afectos com justiça e celeridade pelas pessoas que o assistem.

 

Jonathan

 

Sofreu mais faltas duras do que as que fez, talvez uma estreia na sua carreira. Perto do fim, conseguiu não ser expulso por agressão depois de um adversário lhe puxar os cabelos, numa das situações menos argentinas em toda a história do futebol.

 

Bruno César

 

Muito bem a sofrer faltas na faixa direita. É nesta altura um dos mais competentes jogadores do plantel a sofrer faltas, tanto na faixa direita, como na esquerda, como no meio.

 

Adrien

 

Logo que entrou teve uma oportunidade de ouro para mostrar a sua recém-adquirida especialidade: a cobrança inofensiva de bolas paradas. Não desiludiu.

 

Alan Ruiz

 

Às dezanove horas e cinquenta e sete minutos do dia vinte e nove de julho do ano dois mil e dezassete da era cristã, Alan Nahuel Ruiz, mais conhecido como El Mago, foi fintado por um guarda-redes.

 

Doumbia

 

Compreende-se-lhe algum desalento com esta insistência em obrigá-lo a fazer jogadas de combinação com Alan Ruiz, especialmente quando a ocasião mais promissora em que se viu envolvido resultou não de uma combinação com o colega, mas de uma combinação com um adversário: o defesa da Fiorentina que o deixou roubar a bola.

 

Matias Fernández

 

Foi muito agradável voltar a vê-lo.

 

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publicado às 06:09

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2 comentários

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De Carlos N.T. a 30.07.2017 às 10:54

Sorry Casablanca..
Traduz o comentário sobre o Fabio Coentrão.
Por saber-mos o significado de uma ou palavrita, não significa que todos sabemos falar ou ler estrangeiro.

A não ser que só escreveste para os teus amigos!!..
Se assim foi, desculpa, mil desculpas...
Se foi para o publico em geral, é uma critica, mesmo crítica da minha parte. Sorry!!!

P. S. Matias Fernandez, sem dúvida. Apreciamos a visita, nada mais..
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De Carlos N.T. a 30.07.2017 às 15:33

Upps!!..
Só agora é que reparei.
Casanova, não Casablanca

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