Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




O erro capital de Bruno (Sou o que sou)

Naçao Valente, em 08.09.17

 

Narcissus-Magazine-Jody-Kelly.png

 

Há algum tempo, escrevi neste espaço, que a época futebolística estava a correr bem. Esse período coincidiu com o silêncio (estranho) de Bruno de Carvalho. Se havia ou não relação directa é impossível comprovar, mas se fosse como fosse, criou-me algumas expectativas positivas sobre as atitudes do Presidente. Lamento dizê-lo, mas essas expectativas foram apenas fogo fátuo. Mais cedo que tarde, o Presidente-espectáculo, regressou em todo o seu esplendor.


Utilizando a Sporting TV como uma coutada pessoal , e como um odre que foi enchendo, despejou todas as suas diatribes de uma só vez. Falou e falou bem, como um rei absoluto, para os súbditos fiéis e acríticos. O mesmo discurso vago e vazio de conteúdo e (digo-o com tristeza) ridículo na forma.


EU sou o que sou”, como se a assunção da autocracia, do desrespeito, da presunção, fossem virtudes. Os seus acólitos batem palmas. “EU salvei o Sporting”. Um mito. "O William DEVE-ME a carreira”. Outro mito. Este homem julga viver no Olimpo, vedado aos comuns mortais, mas quem conhece um pouco a mitologia clássica sabe que os deuses tinham defeitos, tal como os homens, e que não os desconheciam. Contudo, BRUNO está muito acima. Nunca erra, nunca mente, foi criado sem pecado original. Veio para salvar o Sporting e todo o futebol. E reconheço que há quem acredite nisto. Veio para moralizar, mas não tem mostrado ponta de moral. Quando muito, pretendia ocupar o espaço que outros, subtilmente, ocupam.


Até agora apenas se salvou a si próprio. O Sporting com mais de cem anos, não precisa, nem nunca precisou de salvadores. Precisa e precisou de homens comuns, com virtudes e defeitos, e que trouxeram o clube, com mais ou menos dificuldades, até aos nossos dias. O Sporting não estava nem nunca esteve para acabar, como afirmam os seus defensores acérrimos.


Depois do que escrevi, decerto que sou insuspeito se disser que Bruno até começou bem. Concretizou a inevitável reestruturação financeira. Mesmo que tivesse sido eleito José Couceiro teria que a fazer. Ajustou, por imposição dos credores, mas ajustou , as despesas à realidade. De motu próprio, ou bem aconselhado, traçou uma estratégia desportiva assente numa progressiva e consistente aproximação aos adversários directos, com a contratação de técnicos competentes e acessíveis aos meios existentes. Essa política, aplicada ao futebol, estava a dar frutos. Um segundo lugar no campeonato e uma taça de Portugal, comprovam-no. Estou convencido que se não tivesse sido interrompida outros títulos teriam sido conquistados.


Num ápice, deitou todo o bom trabalho para o lixo. Numa mudança de rumo abrupta, contratou o técnico mais caro a trabalhar em Portugal, e comprou activos de duvidosa qualidade. Na linha de quem age por impulsos emocionais, convenceu-se que com o novo treinador os títulos estavam garantidos. Usando um pouco de racionalidade e analisando a razão porque os ganhou, no clube de onde veio, não teria dado esse passo. E este, na minha opinião, foi o grande erro capital de Bruno de Carvalho, por ser como é.


Agora continua numa fase de fuga para a frente, de tudo ou nada. Mostra incapacidade de aprender com os erros. Cinco anos depois recusa adequar-se à realidade. Vive num mundo que apenas existe na sua imaginação. Quer estar acima das leis, boas ou más, que regem a indústria do futebol. Com os seus 18 mil votos em três milhões de sportinguistas considera-se intocável. Com a fidelidade incondicional dos que continuam a arranjar argumentos para o defender, mesmo quando não tem razão, mantém a cruzada contra moinhos de vento. E no meio deste reino de loucura está a instituição centenária chamada Sporting Clube de Portugal. Seguramente não irá acabar, mas corre sérios riscos.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:00

Comentar

Para comentar, o leitor necessita de se identificar através do seu nome ou de um pseudónimo.


17 comentários

Sem imagem de perfil

De Bento Jesus Carvalho a 08.09.2017 às 11:56

Excelente texto, bem construído e a fazer uma análise sucinta e lúcida do que tem sido o mandato do Bruno de Carvalho na presidência do Sporting.
Tudo que está escrito no post é verdade e está apoiado na realidade, que não deve ser negada.
A questão da forma e do conteúdo que tanto se tem discutido ultimamente, fica aqui desmitificada.
Poder-se-ia desculpar a forma, que a cada um é inerente, mas o certo é que o conteúdo é cada vez mais vazio.
Apoiar o Sporting e ser Sportinguista não é andar de olhos vendados.
Sem imagem de perfil

De PedroMD a 08.09.2017 às 12:13

Gostaria de referir aqui um ponto que me preocupa bastante, porque, no fundo, tem tudo a ver com a personalidade do presidente).

O Sporting no estrangeiro tem que ser visto como uma marca. Uma marca segura, de confiança, que vende bons jogadores (e não gato por lebre). No fundo, o Sporting tem que oferecer garantias de responsabilidade, seriedade e educação como oferecem todas e quaisquer marcas de excelência nos diversos factores.

Se a personalidade do presidente me assusta para assuntos internos (na ligação com os jogadores, treinadores e restante estrutura desportiva), assusta-me ainda mais a imagem cómica e de má-educação que muitas vezes passa internacionalmente.

Os constantes conflitos com clubes estrangeiros e os seus dirigentes só nos causarão danos graves de imagem e poderão provocar profundos cortes nas boas relações internacionais futuras.

O Sporting precisa de ter boas relações com os clubes internacionais, seja para conseguir empréstimos de jogadores seja para realizar boas vendas.

Demonstrar força em negociações sim, demonstrar falta de educação jamais!

Se o isolamento no futebol português já nos tem causado danos graves, imagine-se quando o isolamento for ainda maior a nível internacional.

E, aos restantes leitores que me possam vir atacar utilizando o exemplo do empréstimo de Fábio Coentrão, só tenho isto a dizer: esse exemplo concreto não me desvia, nem um pouco, das minhas preocupações gerais.
Imagem de perfil

De Naçao Valente a 08.09.2017 às 12:55

PedroMD,
Acrescenta ao debate um ponto que não abordo, mas que tem toda a pertinência. A imagem que o Presidente apresenta quer interna, quer externamente, e que envolve a instituição e a marca Sporting é preocupante. Infelizmente, essa preocupação não é extensível ao adepto comum. Este comprou como boa a ideia passada por esta Direcção que o Sporting estava morto e que o presidente Bruno, o ressuscitou, como único e novo Messias.
Apesar da democratização do ensino no pós-25 de Abril, o nível cultural do povo português continua muito baixo. As competências de análise e crítica não foram desenvolvidas, e implicam fragilidades, que são aproveitadas por charlatões e demagogos. Ainda hoje pude comprovar isso num debate numa TV. Nesta perspectiva muitos adeptos reveem-se no comportamento cómico e mal-educado do Presidente, confundindo arrogância e jactância com firmeza e rigor na defesa dos interesses do Sporting. Muito preocupante.
SL
Sem imagem de perfil

De PedroMD a 08.09.2017 às 14:30

O ponto relativo ao nível cultural do cidadão médio português que foca no seu comentário é muito pertinente e estou totalmente de acordo. Como costumo dizer, apesar das novas gerações (na qual me incluo) terem hoje um acesso gigante através da internet a informação que a geração que hoje tem 40/50 anos não teve na sua juventude não tem provocado um aumento dos níveis de cultura e até mesmo de educação. Costumo dizer que temos hoje muito mais massa que crítica mas que continua acrítica (essencialmente pelo conteúdo). E vemos isto através dos comentários em sites de jornais, televisões, etc.

Essa falta de nível cultural tem levado a que figuras como Bruno de Carvalho possam efetivamente ter sucesso em Portugal, sucesso esse que não me parece que vá diminuir num futuro próximo.

Ter uma figura como Bruno de Carvalho à frente do Sporting Clube de Portugal é assustador, porque a sua imprevisibilidade (infelizmente, sempre no sentido de surpreender pela negativa) não nos permite calcular a que riscos estamos efetivamente sujeitos.

Todas e quaisquer entidades que lidem com o Sporting deviam reconhecer o nosso clube como um clube de rigor, qualidade, liderado por pessoas sérias e de respeito, democrático. Claro que devemos ser um clube sério nas negociações, intransigente naquilo que sentimos ser os direitos do Sporting, mas essa intransigência não poderá nunca ser absoluta e levar uma total falta de respeito e a comportamentos fundados em má-fé.




Sem imagem de perfil

De Luis a 08.09.2017 às 22:04

Não se preocupe com as relações com os grandes clubes.

Confesso que não conheço bem a realidade mas, segundo o que li e ouvi, a criatura não quer pagar comissões a agentes. Ora, de acordo com o que dizem, isso dificulta a venda de jogadores para clubes grandes.



Sem imagem de perfil

De Bento a 08.09.2017 às 12:15

Entrou a ganhar 60.000/ano, depois exigiu 1200.000 agora já vai nos 183.000!
Titulos ZERO.
Ganda Leão!!
Imagem de perfil

De Naçao Valente a 08.09.2017 às 13:05

Um homem que desempenha várias funções como diz num comentário CarlosNT, incluindo a de entertainer, merece isto e muito mais.
Sem imagem de perfil

De Leão da Guia a 08.09.2017 às 12:43



Plenamente de acordo, Nação Valente!
O homem não muda nem aprende. Ao insistir repetidamente na sua ridícula verborreia megalómana, albardeira e fanfarrona, apenas comprova não dispor das mínimas qualificações cívicas, éticas ou morais para presidir a uma instituição centenária, historicamente honrada e prestigiada, como é o Sporting Clube de Portugal – que ele violentou e transformou, ditatorialmente, numa coutada pessoal e num antro familiar nepotista, enxovalhando dolorosamente a dignidade do nosso Sporting dentro e fora do País.

Imagem de perfil

De Naçao Valente a 08.09.2017 às 13:15

Caro Leão da Guia,
Diz bem, mas essa não é a visão do adepto comum, condicionado por uma retórica demagógica e eficaz. Acredita-se mais facilmente numa mentira bem contada do que na verdade mais evidente. O pior cego é o que não quer ver.
Saudações leoninas.
Sem imagem de perfil

De Carlos N.T. a 08.09.2017 às 12:54

Que malandreco o Bruno .. Presidente, treinador, agente de jogador, claqueiro, advogado, economista,
LOOOOOOOOOOLL!!

Correto será..
Você adepto, salvou-me da pobreza!....
Imagem de perfil

De Naçao Valente a 08.09.2017 às 13:02

Bem diz, Carlos NT, com o seu habitual humor. Num aspecto o homem me parece inteligente, encarnou ao idiossincrasia do adepto comum, que vê a sua imagem na Presidência.
Sem imagem de perfil

De sangueverde a 08.09.2017 às 13:45

Excelente texto, concordo com tudo, parabéns.
Morreu nos primeiros anos deste seculo um extraordinário, embora algo louco e excêntrico, escritor português de nome Luis Pacheco. Ora este senhor nos idos anos 50-60, para gozar com o sistema literário português, onde todos se diziam neo qualquer coisa, criou uma nova corrente literária, da qual se dizia o único representante chamada neo-abjecionismo. Ora eu acho que o Carvalho resolveu seguir também esta corrente, só que ao contrário do escritor que era criativo e brilhante, o Carvalho é simplesmente e tão somente ABJETO.
Imagem de perfil

De Naçao Valente a 08.09.2017 às 15:03

sangueverde,
Salvaguardadas as devidas distâncias, foi bem encontrada a comparação entre o abjecionismo crítico de Luís Pacheco e o comportamento abjeto de Carvalho. O problema, na minha perspectiva, é que é esse comportamento que lhe permite sobreviver e mascarar a sua incompetência. Sinal dos tempos. Tempos de medíocres.
SL
Sem imagem de perfil

De Pastor a 08.09.2017 às 14:19

Ora que belo post. Se quisesse concordar mais consigo não conseguia. Texto muito lúcido.

Sem imagem de perfil

De J. a 08.09.2017 às 14:38

Acerta, na minha opinião, apenas na parte em que BdC não consegue deixar de aparecer publicamente onde muito fala mas pouco acerta. Estamos de acordo nisso!
Em tudo o resto, tem existido uma tentativa de colar esse pouco acerto televisio com o resto da obra feita.
E contrariar isso, apenas dá mais força aos seus argumentos.
Dizer que a reestruturação já estava acordada, e que foi apenas um mero seguimento de instruções é de uma enorme desonestidade intelectual. Como se executar um plano deste tipo, fosse apenas mudar umas formulas no excel e aplicar á sociedade sem qualquer tipo de gestão adicional.
E depois é esquecer o que era o Sporting nessa altura. O Sporting do sétimo lugar, dos 33 e pouco por cento de percentagens nos passes dos principais jogadores, das assistências de 20 e poucos mil espectadores, da casa ás costas nas modalidades, dos 40 e muitos milhões de prejuizo sucessivos ano após ano, etc etc....
Ignorar tudo isso, e chamar de acólitos a quem foi votar (foram os 18.000 que fizeram esta tb uma votação histórica) em BdC é o que faz actualmente que praticamente não exista uma oposição credivel ao actual presidente.
É pena!
Imagem de perfil

De Naçao Valente a 08.09.2017 às 15:25

J,
Na minha modesta opinião, uma das virtualidade da direcção de Carvalho é, utilizando os canais da grande comunicação, saber sobrevalorizar-se. Disse no texto e mantenho que o Presidente fez a reestruturação e nisso teve algum mérito. Da mesma forma digo e mantenho que não havia alternativa a essa reestruturação. Se tivesse sido eleito outro Presidente teria sido feita. Desonestidade intelectual é defender que só Carvalho o teria feito, isto é, ele ou o caos.
Também me parece desonestidade intelectual utilizar dois anos de um mau mandato para justificar o vale tudo da actual direcção. Grave teria sido, depois de uma gestão tão desastrosa não fazer melhor. Usando uma expressão utilizada em política, até o Pato Donald faria melhor.
Considerar que a oposição não é credível parece-me, com todo o respeito, uma abordagem muito pouco séria. Se me disser que não existe oposição organizada já aceito, mas não tem que haver. Não estamos em período eleitoral.

Comentar post





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Taça das Taças 1963-64



Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D




Cristiano Ronaldo