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O que os clubes vendem às tevês

Rui Gomes, em 06.11.17

 

Nem a Liga nem a FPF negociaram direitos de transmissão. Nessa altura é que se discute com os operadores quem joga ao sábado e quem joga ao domingo.

 

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Intercalar o calendário da UEFA com as ligas nacionais é um drama bem conhecido e requentado, que já ouvimos, e voltamos a ouvir, interpretado por tenores como José Mourinho ou Arsène Wenger. Em Portugal, as queixas das equipas que jogam a Liga Europa à quinta-feira são tão frequentes como inevitáveis.

 

Se houver um tampão das selecções nacionais na segunda-feira seguinte, a margem de manobra é nula, e piora nos casos em que há viagens compridas pelo meio. A desvantagem dos que jogam a Liga Europa atenua-se ao contrário, no tempo de descanso entre o campeonato e a jornada internacional, mas pode dizer-se que são eles os mais flagelados, assumindo que, nesta matéria, não há privilégios. Já todos foram estrangulados, nalguma ocasião, pelo cruzamento da agenda europeia com a portuguesa, que está entregue a uma boa dose de aleatoriedade. O que não é aleatório são as necessidades dos operadores de televisão.

 

Se os calendários explicam a fatalidade de se jogar amanhã o Sporting-Braga e o V. Guimarães-Benfica, são os direitos de transmissão o motivo de se jogar hoje o FC Porto-Belenenses. Ora, como toda a gente sabe, os direitos de transmissão não foram negociados pela Liga, nem pela FPF, nem pelo Conselho de Disciplina; foram negociados pelos clubes diretamente com as pessoas que, em última instância, decidem quem joga ao sábado e quem joga ao domingo. Esse é que era o momento certo para discutir a equidade desportiva: antes de venderem o direito a impor regras.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:35

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6 comentários

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De Francisco Pereira a 06.11.2017 às 13:18

Mais um artigo cirúrgico deste juntaletras, que deve ter chegado ao futebol apenas à um par de anos atrás. Esta nova questão da equidade na calendarização já é uma velha questão para o Benfica, e aliás a principal razão pela qual o Benfica rompe com a SporTV. Mas na altura como a fava saia sempre ao Benfica chutava-se o assunto para canto, agora que começou a mordiscar o Porto, já é preciso resolver. Já era preciso à muitos anos e o Benfica sempre mostrou disponibilidade para se sentar à mesa, agora enquanto houver SporTV será muito difícil sentarem o Benfica à mesa.

Cumprimentos
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De Rui Gomes a 06.11.2017 às 14:34

Qualquer cadeia televisiva terá uma palavra importante no calendário de jogos. A questão aqui vai muito além dos interesses do "glorioso inocente" e a sua luta com a Sport TV.

Os direitos televisivos, a exemplo de muitas outras Ligas dignas do nome, deviam ser negociados em pacote pela Liga de Portugal, e estações de clubes não deviam ser permitidas, seja o canal do SLB ou outro.

Já não é fácil lidar com o agendamento das provas europeias pela UEFA. Mais difícil ainda, quando os clubes portugueses nunca se unem para defender os interesses do todo.
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De Francisco Pereira a 06.11.2017 às 16:37

Essa união que fala devia ter sido feita na eleição do Presidente da Liga de Clubes, e se aí tivesse imperado o bom senso penso que hoje estaríamos a caminhar para centralização, em vez de estarmos na estaca 0 (zero conversações, zero ideias, zero cedências). Em vez disso temos o tradicional circo dos programas desportivos a dizer que a BTV não põe linhas, a SporTV não dá repetições, quando o verdadeiro problema sempre residiu na calendarização da prova. Se perguntar aos benfiquistas penso que será óbvio que todos eles prefiram pagar apenas uma mensalidade para ver os jogos do seu clube, mas ao mesmo tempo é um assunto que não é fraturante dentro do clube.
Veja só um exemplo de tratamento dado pela SporTV ao Benfica numa deslocação ao União da Madeira, o jogo ficou adiado tendo ficado o Benfica a 8 pontos do líder Sporting. Nessa mesma temporada o FC Porto na Madeira contra o Nacional foi forçado o início do jogo sem condições, interrompido ao intervalo e retomado na Segunda-feira seguinte.
Já para não falar no tempo dos três clubes na SporTV, coisa que já ninguém se lembra que era o Porto andava sempre ou com um jogo de atraso ou de avanço conforme fosse mais conveniente, coisa essa que nunca mais aconteceu desde o início da BTV.

Se me perguntar se é desleal o que o Benfica faz, concordo consigo porque ainda na semana passada o Sporting levou com a fava de o Benfica transmitir o jogo em casa escolher a hora que quis e empurrar o Sporting para jogar às nove da noite num terreno bem difícil. Mas também acredito que o Benfica o faz porque foi obrigado e acredite que se o Sporting tivesse massa crítica e disponibilidade financeira para arriscar também o faria. Porque também é bom lembrar que o Benfica correu grandes riscos com o início das transmissões dos jogos. Na altura toda a gente se ria e falava que o Benfica ganhava menos financeiramente na BTV do que com a SporTV. E deixo a pergunta nestes últimos 4 anos qual foi melhor para o Benfica a vantagem financeira ou a vantagem da calendarização? Como é que o Benfica podia entregar a sua calendarização a um presidente da liga que foi eleito à sua revelia? Seria perpetuar os erros que estavam a ser cometidos no passado.

Para terminar digo-lhe que será muito difícil o Benfica sentar-se à mesa com SporTV pela simples razão quando isso acontecer LFVieira perde as eleições. Acha que será uma possibilidade?

Cumprimentos


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De Rui Gomes a 06.11.2017 às 17:07

Garanto-lhe que nunca concordaria com o Sporting transmitir os seus próprios jogos da I Liga.

Se a memória não me falha, na AG eleitoral da Liga que refere, nem sequer estiveram presentes todos os clubes.
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De Francisco Pereira a 06.11.2017 às 18:10

Quando falo à revelia, refiro-me ao facto de Porto e Sporting partirem para uma solução (Pedro Proença) sem o consenso do Benfica. Não quero com isto dizer que Pedro Proença seja mau presidente, poderia ser à mesma o presidente mas numa base de entendimento mais alargada. E pode-me dizer Porto e Sporting não precisam do consenso do Benfica nessa matéria, é verdade mas é um caminho que não está a levar a lado nenhum com o Benfica sempre a fazer finca-pé, como se tem comprovado. A única alteração de fundo no futebol nestes anos de Pedro Proença prende-se com o VAR e é um assunto da iniciativa da Federação e não da Liga.

Falo isto porque essa brincadeira está a sair muito cara ao futebol português, em que o Porto agiu à sua imagem de sempre viu Pedro Proença e a sua promessa de centralização e agarrou-se a ele para forçar o Benfica de volta ao barco dos direitos televisivos e entretanto pelo caminho agarrou o apoio do Sporting que estava de costas voltadas com a liga à conta da eleição de Luís Duque que por muita razão que pudesse ter Bruno de Carvalho essa sim teve de ser uma eleição forçada porque a liga precisava de estabilidade e credibilidade naquele momento (Nessa altura falava-se de Porto e Benfica entrarem com dinheiro para a subsistência da liga).
E digo isto sabendo que mesmo estando o Benfica com o pé no travão, seria o Benfica o mais beneficiado com a modernização da liga ou do futebol português pois foi dos três grandes o primeiro a modernizar-se e a atingir o patamar digamos "corporate (imagem, marca, clube, negócio)". Apenas tem esta postura porque esse avanço tem que ser pelo menos com os três grande à mesa, o que na minha opinião acho que é o que faz mais sentido mas ao mesmo tempo vejo isso mais longe com o extremar das posições dos seus dirigentes.

Cumprimentos
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De Schmeichel a 06.11.2017 às 22:49

Em relação ao agendamento dos jogos em Portugal raramente se fala do mais importante.... o adepto!
Jogos domingo à noite, segunda à noite.... os treinadores portugueses batem palmas.... mas quando observamos o melhor campeonato do mundo o inglês, é raro o jogo depois das 17 horas....
O cansaço contraria-se com rotatividade e tacticamente com melhor gestão da bola... isto é o trabalho dos treinadores!
Não ouvi ninguém a defender o adepto que vai ao estádio... esse sim a razão dos clubes existirem!

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