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Como os herdeiros sentem os clubes : José Roquette é neto de José Alfredo Holtreman Roquette, mais conhecido por José Alvalade, fundador do Sporting, a 1 de Julho de 1906.

 

O Sporting é fruto do "amor" de um avô, visconde de Alvalade, pelo seu neto, José Alfredo Augusto das Neves Holtreman (José Alvalade), a quem ajudou a fundar o clube. O visconde sustentou a ideia, a primeira sede e as obras do primeiro campo e seria ele a fazer os estatutos do clube e a ser primeiro presidente do Sporting Clube de Portugal.

 

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Uma história que o neto do fundador, José Roquette, aquele que viria a ser presidente do Sporting (1996-2000), faz questão de contar e preservar: "O meu avô tinha 21 anos, tal como tinham vinte e tal anos os amigos [os irmãos Gavazzo, Francisco Stromp e Almeida Leite Júnior], quando tiveram a ideia de fundar um clube. Os Stromp até seriam melhores atletas e causavam mais impacto, mas o meu avô distinguia-se por ter um avô que o adorava. E como advogado da Casa Real tinha a capacidade financeira para sustentar a criação de uma instituição. Daí a frase "eu vou ter com o meu avozinho e ele resolve. E resolveu...""

 

Hoje, com 80 anos, José Roquette é um dos empresários mais respeitados de Portugal, pai de seis filhos e avô de 21 netos. Alguém que compreende bem esse amor de um avô pelo neto na base da formação do clube. "É preciso que eles saibam de onde vêm para terem alguma noção do que são e da responsabilidade. Não é uma questão de ADN, mas sim de pessoas, do seu carácter e de como isso moldou o clube", defendeu, esperando que tanto a neta mais velha, que tem 27 anos, como os gémeos com menos de um ano retenham que não foi só ir ao notário: "O Sporting foi fruto da relação extraordinária entre um avô e um neto e da força, determinação e garra de um grupo de amigos que queriam fazer a diferença."

 

Daí o lema que consta no registo do Sporting: "Esforço, devoção e glória." E a família Holtreman-Roquette esforça-se para que seja esse o seu lema também, embora "a vida tenha os seus próprios desígnios". Mas o importante a reter, segundo o empresário, é que essas foram raízes do Sporting: "Esforço para ganhar, a devoção como cultura e a glória, que na minha opinião resulta destas duas coisas."

 

Mas devoção sem fanatismos. "As manifestações de populismo que tendem a ser as claques não acrescentam nada à vida das pessoas. Eu gostaria que as gerações que me sucedem possam acrescentar valor. O Sporting é muito mais do que o ódio ao Benfica. Custa-me ouvir aqueles cânticos do very light... foi a coisa mais dolorosa com que tive de lidar como presidente do Sporting. Na final da Taça de Portugal de 1996 morreu um adepto à minha frente. Eu fui-me aproximando para ver se algo me permitia tirar a equipa de campo, era o que eu devia ter feito, mas como o Sporting estava a perder iam dizer que foi por causa disso, e foi o que foi. Ainda hoje, 20 anos depois, me custa lembrar esse momento. O futebol é fenómeno de vida, não de morte."

 

Ser da família do fundador deu e dá algum estatuto: "Quando fui avô e ia à Maternidade Alfredo da Costa visitar a minha filha mais velha havia sempre uma fila enorme de gente para eu assinar as propostas de sócios porque achavam que eu era importante."

 

Mas só se fez sócio aos 16 anos. "Nós vivíamos no Porto e um dia quando vim a Lisboa, o Manuel Dias, que era coadjuvo do meu tio António Casanovas, virou-se para mim e disse: "Você tem de ser sócio do Sporting." E lá me fiz sócio, foi uma decisão adulta já. Hoje existe muito aquela coisa de mal nascem já lá está o carimbo, quer gostes quer não gostes, és do Sporting", explicou o mais velho do clã Holtreman-Roquette, sem memórias do avó José Alvalade, que morreu aos 33 anos de tifo.

 

São histórias como esta que a família recorda na reunião anual: "Não para dizer que o trisavô fez isto e o avô aquilo, mas para nos conhecermos, saber de onde viemos e quem somos, perceber porque somos assim. Os antepassados não são para serem esquecidos." Por isso "foi simples e natural" preservar a herança, depois de uma investigação que permitiu fazer a árvore genealógica da família. Existe mesmo um espólio guardado na Herdade do Esporão, em Redondo (Alentejo), que conta como a história da família se funde com a do Sporting e a do país, da monarquia à democracia actual.

 

 

Isaura Almeida - Diário de Notícias

 

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publicado às 15:17

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3 comentários

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De Leão Zargo a 23.04.2017 às 17:06

É muito interessante ler (e reler) as palavras de José Roquette. É que ele toca o que deveria ser mais fundo, mais permanente na natureza humana. Aquilo que remete para de onde viemos, o que somos e perceber a nossa identidade.

Tudo o que se passa actualmente no Sporting vai contra este pensamento. O aviltamento do Clube e de pessoas, de valores e da memória, leva a pensar que aquilo que se dava por adquirido e perene está, afinal, sujeito à argúcia e ao oportunismo de alguns. Lamento muito.

Registo a convicção de José Roquette: “o futebol é fenómeno de vida, não de morte”. Sem dúvida, em sentido simbólico e literal.
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De Rui Gomes a 23.04.2017 às 17:48

Subscrevo na íntegra caro Leão Zargo.

Desconhecia que ele ponderou retirar a equipa do relvado pela morte do adepto no Jamor.
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De julius coelho a 24.04.2017 às 00:11

Uma grande parte dos adeptos mais jovens nao conhecem a verdadeira identidade do Sporting , a sua verdadeira mística , aquele sentimento muito mágico que nos faz estremecer.
É muito positivo aparecerem sempre posts da história do clube , das origens do clube e como triunfou durante as decadas seguintes , são flashs , pedacinhos essenciais para o conhecimento profundo para se ser um sportinguista convicto e eterno.

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