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O Sporting que eu sempre sonhei

Drake Wilson, em 29.12.16

 

20149113_Vwze4.jpg

 Meados de Abril, em 2000, com o Dr. José Roquette

 

 

Quem sabe, um dia.

 

No dia em que ocasionalmente conheci o Dr. Roquette (no dia em que a foto acima foi tirada, em Abril de 2000), entre outros assuntos de natureza profissional, falámos muito sobre o nosso Clube. Preocupações de ambos acerca do presente e futuro eram demais evidentes, mas com a certeza de que só com um caminho racional e sustentado, coisas boas aconteceriam. Teria de se gastar dinheiro sim, e esse dinheiro teria de vir de algum lado seguramente – nada de Banca. Ficou a promessa de que nos voltaríamos a rever, se nesse ano o Sporting se sagrasse campeão. Nesse dia, o Sporting vence na Madeira, e 15 dias depois vence o campeonato. A palavra do Presidente manteve-se, e 10 dias mais tarde são-lhe exclusivamente apresentados pessoalmente, 5 profissionais de primeira categoria em diversos sectores, do meu conhecimento e confiança, cumprindo igualmente a promessa que eu tinha feito. Um português, quatro estrangeiros, e nenhum deles era suspeito – ali estavam os pulmões do maior projecto desportivo em Portugal, com profissionais de extraordinário gabarito, assim como a garantia de um futuro independente.

 

Mas no realismo de uns, sobrava a ansiedade e muita inveja de bastidores, de nomes que um dia terei o prazer de escrever sobre eles, quando tal for oportuno. Estes, infelizmente, dominavam uma ala no Clube e sabotaram a independência do Presidente, contando com o apoio de elementos organizados. Assim, tal os adeptos quiseram e Roquette saíu do Sporting. Os parceiros questionaram a integridade dos que por lá ficaram, furtando-se a designar vínculos com a demagogia. Perdeu o Sporting seguramente. 16 anos mais tarde, chegamos a esta conclusão: dos 5 parceiros colocados à disposição do projecto, um deles lidera actualmente destinos de um clube rival na sua internacionalização. Outro, apoiou a direcção desportiva no Chelsea de Abramovich na sua génese, até se incompatibilizar com Mourinho (Mourinho saiu, ele ficou, porque em Inglaterra a estrutura é uma coisa séria). Outro, viria a investir num clube em Espanha, anos mais tarde. O Sporting, esse, continua adiado, sem se entender que mais valem 5 anos a tentar do que 40 anos a chorar.

 

O Presidente que eu gostava.

 

Se me fosse questionado que Presidente gostaria de ver no meu Sporting, teria alguma dificuldade em responder. Mas seguramente, um ideal de independência orgânica assente em matrizes corporativas, mais do que emotivas. Um pouco de John Maynard Keynes, um pouco de Joseph Schumpeter. Talvez um pouco de João Rocha, com um pouco de José Roquette. Se funcionaria, não sei. Mas acredito que funcionaria. Se me perguntassem como gostaria que fosse o Sporting, como Clube, a minha resposta seria sempre a mesma: aquilo que ele é. As instituições sobrevivem sempre às pessoas, independentemente do que as pessoas considerem como sendo o melhor para as instituições. Sendo que o Clube existe desde a sua fundação, caberá a cada um daqueles que acredite fazer a diferença, expor o que considere fundamental incrementar com o seu conhecimento e sensibilidade. O Clube sai sempre a ganhar quando a excelência é colocada ao serviço dos seus destinos.

 

Schumpeter e Keynes foram os dois economistas que mais admirei. Se Schumpeter fosse, um dia, presidente do Sporting, diria que um dos maiores problemas do Clube debate-se com o Monopólio existente na planície competitiva portuguesa. Para ele, seria a falta de criação de um percurso financeiramente autónomo que não mais do mesmo nos últimos 40 anos – a principal razão pela qual o Sporting, pela falta de métodos, ficou ultrapassado pela concorrência. Já Keynes, no mesmo cargo, diria que perante a incerteza do futuro, teria o Sporting de gerar correlações com todos os agentes desportivos e financeiros à sua disposição na indústria (e mesmo fora dela, diria eu), afim de proteger a sua durabilidade como emblema competitivo a longo prazo, evitando a disfuncional perda de capacidade competitiva alheia à sua vontade. Ambos teriam razão. Schumpeter, inovador como Rinus Michels, o criador do Futebol Total. Keynes, como Cruyff, o expoente que materializaria tal conceito.

 

Entre a placidez de uma maternidade e a insanidade de um hospício, Alvalade (às vezes) é assim.

 

Continuaremos a adiar o Sporting, enquanto a discussão eleitoral estiver apenas e só centralizada no “esqueleto” da serpente, e não na sua adaptabilidade ao meio. Esteve Bruno de Carvalho, a bem da instituição que lidera, alguma vez adaptado ao mundo do Futebol como ele é? Estará algum dia Pedro Madeira Rodrigues apto ao mesmo desafio? Definitivamente que não. Provavelmente nunca nenhum de nós estará. Porque parece que ninguém ainda entendeu que do modo como continuamos a discutir e a entender o futebol, todas as teorias/projectos se esgotarão, mais cedo ou mais tarde, nas quatro linhas de jogo, onde quem determina o destino nunca são os presidentes. Porquê? Porque ninguém tem capacidade nem coragem de fazer um projecto em condições, enquanto todos ralharem sem razão.

 

Caberá a um Presidente digno desse nome, a criação de uma atmosfera fértil em soluções humanas, corporativas e económicas, que privilegiem a materialização de algo que se consiga efectivamente debater. Senão, andaremos todos a discutir nada mais do que promessas, como tem sido apanágio ao longo destes 40 anos. Se um candidato tivesse, algum dia, coragem de admitir a verdade – que o Sporting não tem ainda andamento para ganhar títulos maiores em Futebol – e cujo interesse da sua candidatura nada mais é do que trazer para o Clube as pessoas, parcerias e instituições que tornem o emblema mais poderoso, esse candidato teria o meu voto. É honesto associarmos apenas à gentileza de um sorriso a certeza de futuras conquistas? Se a intenção é desenhar condições para que os Sócios acabem invariavelmente desiludidos, então que se continue assim.

 

Com humor, para finalizar. Vamos lá Sporting!

 

Cândido como sempre, ao bom Futre faltaria um pouco mais de instrução na ternura da sua mensagem. Antes de partir em direcção ao Oriente, em formato Lonely Planet e de Go Pro em punho em busca de Pokemons, o Sporting e os sportinguistas têm de conciliar primeiro passado, presente e futuro – juntar aqueles que fantasiam como Sousa Cintra com os que materializam como João Rocha. Acutilantes como Henrique Medina Carreira como congregadores como Alexandre Soares dos Santos. Tem de se unir na mesma mesa, aqueles que pensam como José Roquette como os que sonham como Bruno de Carvalho. Porque todos são sportinguistas, e todos podem, ao seu jeito e ao serviço do Sporting, contribuir com algo que nos torne mais fortes.

 

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publicado às 10:45

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83 comentários

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De José Santos a 29.12.2016 às 11:00

Bom dia Drake Wilson,

Muito obrigado por este texto. Para refletir, sem dúvida.



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De José Santos a 29.12.2016 às 13:55

Drake Wilson,

Se não nos cruzarmos em comentários no Camarote até dia 31 de Dezembro...desejos de um feliz ano novo para si e para toda a família.

Abraço
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De Drake Wilson a 29.12.2016 às 14:05

José, muito obrigado pelos votos.

Um abraço para si, com desejo de muitas concretizações positivas neste 2017.
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De Balajic a 29.12.2016 às 11:07

Devo confessar que tenho sérias dúvidas do Sportinguismo de José Roquette. Porque não se é só Sportinguista por se ser sócio ou familiar dos fundadores do clube. É preciso algo mais.

E isso, inegavelmente, o actual presidente do Sporting tem...
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De Profeta a 29.12.2016 às 11:11

Dúvidas porquê? Teria ele que ter dado uma volta olímpica para o provar?
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De Drake Wilson a 29.12.2016 às 11:14

Não sei o que lhe dizer perante tão absurdo comentário, Balajic.
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De Balajic a 29.12.2016 às 13:02

Drake e Profeta,

Pensei que poderíamos ter todos o direito à nossa opinião, por mais absurda que ela possa parecer ser.

Já vi aqui muitas aliás...

Mas, parecendo absurda, a minha opinião baseia-se em diversos factos, muitos dos quais comprováveis facilmente.

Vou deixar alguns aqui:
- O que fez José Roquette pelo Sporting antes de ter aparecido como Presidente do Conselho Fiscal de Santana Lopes e "eminência parda" desta direcção?
- E depois? O que fez? O que continua a fazer?
- O que era o património do Sporting antes de Roquette? E depois dele ter saído?
- Os interesses do Sporting foram defendidos no negócio do antigo estádio?

Mas há mais...

E por isso e muito mais, não me restam muitas dúvidas de que José Roquette não vive e sente o Sporting como eu e outros como eu...
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De Drake Wilson a 29.12.2016 às 13:29

Balajic, vamos deixar essa discussão para outro momento, outro Post, que não este.

Não se trata de fugir à discussão, mas sim de evitar perdermos tempo. O Post tem 7 parágrafos, não vale a pena a sua fixação no 1º de todos. Interprete o texto como um todo.
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De Profeta a 29.12.2016 às 13:43

Que eu saiba ele foi vice-presidente do tempo do João Rocha.

"Empresário licenciado em Economia, tri-neto do Visconde de Alvalade e neto de José Alvalade, foi admitido como sócio do Sporting Clube de Portugal em Janeiro de 1960, e teve a sua primeira experiência como dirigente do Clube, quando foi vice-presidente nas primeiras Gerências de João Rocha."

http://www.forumscp.com/wiki/index.php?title=Jos%C3%A9_Roquete


Eu cá gostei de o ver celebrar o título com os adeptos sem bater com o punho no peito.
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De Profeta a 29.12.2016 às 11:10

"Tem de se unir na mesma mesa, aqueles que pensam como José Roquette como os que sonham como Bruno de Carvalho."

Do Roquette tenho boa impressão, quanto ao Bruno, o sonho dele passa por manter o ordenado. Está claramente a mais.

Depois de andar a processar e a ofender sócios, a fazer caças-à-bruxa, a falar mais do Benfica que do Sporting, etc, quero mais é que ele não faça NUNCA parte da solução e que nunca mais se ouça falar dele!

De resto, gostei do post.

Para mim o ideal seria um presidente não-remunerado que apenas teria que acautelar os interesses do Sporting dentro da SAD, escolhendo ele os administradores da mesma (desde que ainda tenhamos a maioria). O que acha?

O Pedro Rodrigues já deu a entender que terá que ser remunerado, mas para mim ser presidente é servir o clube e nunca poderá ser um emprego. Vá, este facilmente terá emprego fora do Sporting, ao contrário do outro, que já proferiu algo como isto: "não me deixem cair".

Esta frase resume o que é o Sporting actual e a falta de projecto para o futuro.
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De Carlos N.T. a 29.12.2016 às 11:21

Nos dias de hoje, especialmente, é impossível nao ser renumerado !!
Ser Presidente de um clube de futebol é super complicado e esgotador....

Se nao for o Presidente renumerado, tem de ser o, um Gerente-Geral, o que vai dar ao mesmo.
Mas, o sistema em Portugal é presidencialista !!
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De Drake Wilson a 29.12.2016 às 11:29

Bom dia Profeta.

Sou da opinião de que é necessário perder esta militância relativamente à exclusiva intervenção de um presidente nos destinos de um Clube.
Estando no topo da hierarquia, deverá este delegar responsabilidades a gestores de excelência, bem remunerados, designando-os como CEO's, nunca deixando de acompanhar todas as decisões, procurando centralizar a sua actuação como representante institucional.

Um Presidente não tem de estar 14 horas por dia no Clube. Os funcionários orgânicos sim. Aliás, duvido da real produtividade de um Presidente sentado atrás de uma secretária, mais do que 2 horas por dia.
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De Profeta a 29.12.2016 às 11:33

" Aliás, duvido da real produtividade de um Presidente sentado atrás de uma secretária, mais do que 2 horas por dia."

Pois. No caso do BdC ele tem sempre tempo para estar no facebook, a viajar, a dar entrevistas, etc etc, mas claro, dizendo sempre que trabalha 24 sob 24 horas.

E digo mais: sendo o futebol um desporto colectivo, torna-se cansativo um regime presidencialista. Mas esta é a minha forma de ver o futebol.
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De Drake Wilson a 29.12.2016 às 11:35

Defendemos posições comuns.
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De Carlos N.T. a 29.12.2016 às 11:11

Gostei muito, mesmo muito deste seu texto

Só esta frase, nao !!
""..... que o Sporting não tem ainda andamento para ganhar títulos maiores em Futebol...... ""
Em Portugal ??... Sim, claro que tem. Como sempre teve.
E viu-se isso mesmo nestes 4 anos do Bruno, por exemplo. Só que o rapaz perdeu-se em conflitos e ansiedade.

Ficamos por aqui com o tema, até porque a ideia do "post" é mostrar otra faceta e estou de acordo.

P.S. Qual dos dois nessa foto é o Drake??.. O mais ou o mais bonito LOOOOOOLL!!
Abrazzzo
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De Drake Wilson a 29.12.2016 às 11:44

Bom dia Carlos.

Na frase que salientou, foi minha pretensão criar um alerta para os habituais clichês de candidaturas, em que se garantem títulos a troco de votos. Como se qualquer um de nós, por artes mágicas, detivesse tal poder.

Como sabemos, o Sporting não têm cadência de conquistas de troféus, pelo histórico recente. O que implica que, mesmo que ganhe hoje, as probabilidades de voltar a ganhar amanhã manter-se-ão diminutas. Não significando que tal não se consiga inverter, com tempo e estrutura...

Não é por meras palavras que se desenvolve uma cultura vencedora. Nada que seguramente o Carlos não saiba.
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De Carlos N.T. a 29.12.2016 às 19:17

Se era a sua pretensao, asim nao o entendi.......Desculpe!!
"""Se um candidato tivesse, algum dia, coragem de admitir a verdade – que o Sporting não tem ainda andamento para ganhar títulos maiores em Futebol – e cujo.... interesse da sua candidatura..... nada mais é do que trazer para o Clube as pessoas, parcerias e instituições que tornem o emblema mais poderoso, esse candidato teria o meu voto.""

Saber ou nao saber, eis a questao ..
Digam essa frase e a eleiccao está condenada ao fracasso.
Nao estou dizendo que a devem dizer!!.. Há várias maneiras de dizer as coisas e o Drake melhor que ninguém sabe isso.

Todos sabemos que um clube tem que assentar em tres pilares fundamentais.
Desportivo, económico, comunicacao..
Se nao forem de mao dada.......Nao há base para o sucesso.
Ainda asssim, o Golo é o farol das multidoes !!
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De Drake Wilson a 30.12.2016 às 00:52

Subscrevo Carlos.
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De Mike Portugal a 29.12.2016 às 11:24

Isto até pode parecer um contrassenso, mas eu gostava do presidente Roquette.
O pecado capital que ele cometeu foi não saber rodear-se de pessoas que percebiam de futebol e consequentemente, nunca acertaram em treinadores de jeito e/ou grandes constratações.

Ainda assim, o presidente que mais acertou em contratações penso que terá sido Dias da Cunha.
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De Profeta a 29.12.2016 às 11:35

Só pode parecer um contrassenso no dias de hoje, porque na altura não gostavam quase todos dele?

Eu tenho essa ideia.
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De Mike Portugal a 29.12.2016 às 11:38

Não. Muitos já não gostavam dele em 1997 porque a equipa do SCP não mostrava ser competitiva. Eu sempre quis que ele continuasse, mas queria que ele tivesse encontrado pessoas que o ajudassem no futebol, coisa que claramente ele percebia pouco. Por mim, com as pessoas certas no futebol, tínhamos tido um presidente por muitos anos.
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De Drake Wilson a 29.12.2016 às 11:48

Bom dia Mike.

Não podia estar mais de acordo consigo.
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De Sérgio Palhas a 29.12.2016 às 12:01

+1
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De Rui Gomes a 29.12.2016 às 11:47

Caro Drake,

Não sei bem se coincide com o seu ponto de vista, mas quem me conhece - acho até que já escrevi algo neste sentido no blogue - sabe que eu há anos que insisto que o Sporting só poderá ser ganhador com regularidade quando a SAD não for liderada por presidentes eleitos.

Reconheço as óbvias implicações, mas mantenho esta minha opinião. Os dirigentes eleitos têm sido de há muitos anos a esta parte o principal obstáculo do futebol leonino, ao nível profissional, claro.

Abraço

P.S. Excelente texto.
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De Drake Wilson a 29.12.2016 às 12:04

A sua intervenção lisonjeia-me Rui.

Será sempre um tema de grande debate, seguramente. A nossa observação diz-nos que são factores essencialmente emocionais que movem os candidatos a recolherem apoios, congregando protocolos de personalidades suas "conhecidas", ao invés de "reconhecidas" pela excelência no desempenho de funções as quais serviriam os melhores interesses do Clube.

Este modelo de candidaturas/presidencialismo promove a constante instabilidade estrutural do Clube pela alteração de pessoas em determinados cargos de decisão, acabando por legitimar descrença, tanto por parte dos Activos como dos Sócios, na legitimidade ou eficácia da instituição.

Mais a mais, alterando toda a orgânica a cada eleição, aumenta-se a dificuldade de avaliação do desempenho ao longo do mandato por parte de entidades independentes, cujo interesse deveria ser a protecção do Clube.
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De jpinto a 29.12.2016 às 12:44

Talvez tenha razão

Mas não é só ter outra pessoa como administrador da SAD - é preciso que essa pessoal tenha independencia total do conselho directivo

Porque salvo erro Luis Duque foi presidente da SAD e não tinha mais poderes que o presidente
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De smoker a 29.12.2016 às 11:49

Um Bom Ano para si caro DW

Uma vez mais um texto que deve ser lido e reflectido, no entanto uma discordância relativamente ao perfil de Presidente, que nada tem de pessoal até porque não nos conhecemos.
Um economista a liderar uma Empresa, uma Corporação, uma Companhia ou uma Instituição como um Clube deixa-me muitas dúvidas. Já como Assessores/Conselheiros/Analistas conhecemos alguns de excelência. Como CEO's assim de repente não me lembro de nenhum.

Uma boa ou uma má presidência é construída essencialmente sobre decisões politicas, naturalmente ponderadas nas realidades económico/financeiras de cada momento, mas não só. Existem, como sabe, outros factores, que não números, que influenciam a decisão e por isso existem Gestores de Sucesso e existem outros gestores.

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De Drake Wilson a 29.12.2016 às 12:14

Bom dia Smoker, agradeço a sua intervenção, desejando-lhe igualmente um bom ano.

Não gosto muito de falar dos nossos rivais, porque tal alimenta polémica e comparação desnecessária. Porém, podemos observar em Portugal, num dos nossos concorrentes directos, a existência de um elemento organicamente considerado CEO, que sob sua intervenção, são decididos a maioria dos actos de gestão do bloco directivo, onde o presidente tem, meramente, um papel protocolar. Ao contrário do que muitos de nós pensem.

Penso que o Smoker sabe a quem me refiro. Porém, devo salientar que tal alusão não visa da minha parte, "glorificar" algo ou alguém na referida instituição – trata-se de um mero exemplo.
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De Gonçalo Matos Ramos a 29.12.2016 às 15:16

E esse CEO é até um sportinguista dos 7 costados, a fazer fé nas "más-línguas", certo, Drake?

Em todo o caso, excelente texto. Também já tinha apreciado muito aquele seu outro texto onde referia a preponderância de Vitorino Bastos e de Vítor Damas em segurar um balneário que não respeitava Inácio. Na foto, qual dos senhores é o Drake?

Continuação de um bom trabalho,
Votos de um Excelente Ano Leonino,
Abraço.
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De Drake Wilson a 30.12.2016 às 00:59

Boa noite Gonçalo.

Sim, de facto referia-me ao Dr. Soares Oliveira. Não apenas por ser sportinguista, mas é de facto um profissional exemplar, com determinante influência no progresso registado da instituição na qual trabalha, ao nível da internacionalização da marca, como na relação com parceiros e investidores. Algo que merece ser registado.

Obrigado pelas suas palavras. Estou no lado esquerdo da fotografia.

Votos para si de um 2017 cheio de coisas positivas.
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De Rui Gomes a 29.12.2016 às 11:54

Caro Drake,

Uma última questão... Já aqui referi e reitero que um dos maiores erros de José Roquette no que ao futebol diz respeito foi o de nomear Simões de Almeida para a liderança.

Como tive ocasião de privar com o Dr. Roquette, perguntei-lhe um dia se ele alguma vez designaria um futebolista para dirigir uma das suas empresas. Isto, porque nunca fez sentido nomear um banqueiro para liderar o futebol.

Deu-me uma resposta ambígua e evasiva.
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De Mike Portugal a 29.12.2016 às 11:55

Foi o que disse ao DW. Ele não se soube rodear das pessoas certas para o futebol e por isso o projeto desportivo desabou.
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De Drake Wilson a 29.12.2016 às 12:29

Rui, vou usar da minha sinceridade, porém com reservas. Creio que até hoje, Simões de Almeida nunca referiu formalmente o motivo que o levou a sair do Sporting – mas sabemos que existia alguém muito poderoso na calha. Advogado, Solicitador, Autarca... o Rui deve saber a quem me refiro.

Não duvido que o referido, assim como Godinho Lopes, moviam mais influências do que poderíamos imaginar.

Mas focando-me no essencial da sua questão, penso que a Simões de Almeida assistiu, em determinada altura, demasiada ingenuidade, nomeadamente em relação ao modo como geriu e "perdeu" a equipa por palavras e acções. No fundo, o que reiteira a afirmação que o Rui fez – Simões de Almeida não tinha a vocação nem o "futebolês" necessário.
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De Drake Wilson a 29.12.2016 às 12:58

Acrescentando algo mais, talvez um pouco como a relação que existia entre Inácio e Bastos. Quantas vezes o Vitorino não apagava fogos que Inácio não sabia como lidar...

Recordo-me das concentrações em Carcavelos, ou Estoril...
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De Sérgio Palhas a 29.12.2016 às 12:06

Excelente post DW.

Eu acho que temos sempre muito aprender quando falhamos e por vezes o aprender com os erros é "esquecido", sendo sempre mais "fácil" começar de novo ... mais tarde ou mais cedo os erros de repetirão e com isso perdeu se tempo e conhecimento.

P.S: Não sabendo se este será ou não o seu último post do ano deixo já os votos de um feliz 2017 para si e para os seus.

SL,
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De Drake Wilson a 29.12.2016 às 12:39

Sérgio, sábias palavras.
Tanto tempo que se perde, em que tudo invariavelmente se adia.

Agradeço e devolvo-lhe os votos. Muita sorte, saúde, dinheiro e amor neste 2017.
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De LdA a 29.12.2016 às 12:15

Antes de mais devo os parabéns ao autor não apenas por este texto mas por vários outros que o antecederam.

Depois gostava de deixar dois comentários:

1-Porque a memória é curta lembro que José Roquette gozou de popularidade muito semelhante à que goza o actual presidente. Infelizmente, tal como hoje, se ao lado dele faltaram pessoas à altura das responsabilidades e desígnios do clube, também do nosso lado, adeptos, faltou sentido critico quando ele mais foi necessário.

2-Relativamente ao futebol, a mola real do clube o que faltava então continua a faltar hoje, por mais massivas que sejam as doses de propaganda: uma estrutura competente capaz de decidir acima dos interesses de circunstância de directores e treinadores, alguém que pense o presente e o futuro.
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De Drake Wilson a 29.12.2016 às 12:48

Boa tarde LdA, grato pela intervenção e palavras.

O seu ponto 1 leva-nos a reconhecer que como sportinguistas, naquele período, todos falhámos. Lamentei profundamente a perca de Roquette do horizonte do nosso Clube – era por demais evidente que muita coisa batia certo naquele modelo, que tanto se revelava de económico, como de respeitador dos valores leoninos, no que ao jovem jogador português dizia respeito, como ao critério na aposta do atleta estrangeiro de categoria.

Aqui há dias, num Post do Camarote, mostrei o meu desagrado pela afronta que considerei o "frente-a-frente" entre Adrien Silva e o líder de claque. Lembrei-me do que se passou com Roquette.

Ontem como hoje, continuam-se a cometer os mesmos erros.
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De Balajic a 29.12.2016 às 13:10

Concordo com os dois comentários do LdA.

Mas quando alguém criticava (eu e alguns malucos como eu) José Roquette nessa altura era quase como sucede agora com o actual presidente - uns infiéis!
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De Drake Wilson a 29.12.2016 às 13:23

José Roquette permitiu a conquista de 2 campeonatos, 1 deles como presidente. Ficámos com um estádio e uma equipa. O actual tem apenas um treinador de €8 Milhões/Ano, e discurso para dar e vender.

A grande diferença, no que a críticas diz respeito, foi na ocasião a instrumentalização de adeptos a pressionar um presidente. Hoje, pressionam os jogadores.

Outros tempos, jovem Balajic.
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De Balajic a 29.12.2016 às 15:10

Caro Drake,

Obrigado pela adjectivação de "jovem". Vou entendê-la como sendo um elogio, uma vez que, quando conquistámos o título em 2000, já tinha um pouco mais de 20 anos de sócio e não fui logo feito sócio à nascença...

Mas já tinha uma cabeça para pensar e para guardar memórias...

Na altura os adeptos também pressionavam os jogadores. E bem mais do que o fazem ou podem fazer agora, pois havia grandes "esperas" na Porta 10-A.

Para além da equipa que ele terá deixado (e que é discutível e não vou entrar por aí) e do estádio que temos actualmente (que não gosto particularmente e acho que tem demasiados erros de estrutura), o presidente José Roquette também deixou um passivo monstruoso, grande parte dele em resultado da dívida bancária contraída para uma (equipa) e outro (estádio) e que ainda hoje andamos a pagar mesmo depois de um dos seus sucessores se ter desfeito da maior parte do património que, supostamente, deveria servir para sustentar o Sporting e fazer com que não ficássemos "dependentes da bola que vai ao poste".

A realidade actual é que estamos, mais do que nunca, dependentes dessa bola...
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De Drake Wilson a 29.12.2016 às 15:43

Balajic, para finalizarmos esta questão.

Foram os Sócios que afiançaram a Roquette o projecto do estádio, assim como a sua redimensão em termos de lotação inicial. Com uma comparticipação do Estado na ordem de meros 25% do custo global da obra, muito teve o Sporting de "penar" pelo sucesso da estrutura. O Euro estava à porta – fácil teria sido dizer não, evitando o endividamento, e ficarmos com um estádio antiquado e obsoleto às necessidades modernas. O Sporting foi em frente.

Definiram-se patamares sustentáveis de ordenados. Alguns jogadores saíram porque desprezaram as condições que o Sporting poderia pagar, outros entraram incrementando qualidade – Schmeichel, Acosta, Duscher, André Cruz...

Planeou-se a Academia. Conseguiu-se apostar na equipa de Futebol, alcançaram-se 2 campeonatos (1 como presidente). A equipa do segundo campeonato era já claramente superior à do primeiro título em 2000. Existiu progresso, desenvolvimento.

Enfim, acho uma enorme falta de respeito qualquer sportinguista que se preze, desconsiderar tudo isto, para comparar com o mandato de Bruno de Carvalho.
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De Drake Wilson a 29.12.2016 às 15:46

Um pequeno ponto que me escapou. Quanto ganhava Inácio como treinador? €10 Mil.

Sabe quanto ganhava Robson com Sousa Cintra?
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De Balajic a 30.12.2016 às 09:55

Drake: e vamos comparar a qualidade e o currículo desses dois treinadores?
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De Balajic a 30.12.2016 às 10:23

Finalizando, então. Ou, pelo menos, tentando...

Eu não comparei os mandatos. Nem, em bom rigor, comparei os presidentes. Comparei um aspecto dessas pessoas: não sinto nem nunca senti em José Roquette "sportinguismo" da mesma forma que sinto que o actual presidente tem.

Por muito (e acredite que é mesmo muito!) que não goste da forma de ser de Bruno de Carvalho, da sua postura, da sua atitude, da sua forma de agir e da forma como vem exercendo o seu cargo, ainda me esforço por não confundir certas coisas e não duvido que ele sinta e sofra com o Sporting.

Já José Roquette...São coisas que se sentem. Não se explicam nem com Keynes nem com Schumpeter.

Quanto ao resto, teríamos mesmo muito que falar.

Começo por dizer que isso de terem sido os sócios a afiançarem o projecto do estádio e o seu redimensionamento é muito bonito. Mas também serve de argumento para dizer que foram os sócios que afiançaram (e como afiançaram!) tudo o que esta direcção de Bruno de Carvalho levou às assembleias gerais.

Isso não quer, porém, dizer que tenha sido correcto ou bem feito.

Mas, apesar de não me querer alongar, não posso deixar de dizer que nunca apreciei mudar de estádio. Preferi sempre que se tivessem demolido aquelas bancadas e feito um estádio novo. Nunca fiquei convencido que tal não pudesse ser feito. Nem na altura, nem hoje. E hoje temos imensos exemplos de estádios que foram assim remodelados/reconstruídos.

Também não concordei com a mudança do projecto do estádio a meio do seu planeamento/construção. O Sporting não ia ficar com um estádio obsoleto porque já estava a avançar na sua construção antes de outros o fazerem e antes sequer de se pensar que ia haver um Euro em Portugal em 2014. Daí o tal "redimensionamento" de que falou...

A mudança dos treinos e dos jovens para Alcochete não me parece (tal como na altura não me pareceu até porque, nesse tempo, havia até a hipótese de ser em Loures, mas Alcochete "falou mais alto" por...outros motivos) que tivesse sido assim tão digna de elogios, até porque isso foi uma das causas do afastamento de muitos sócios da equipa/das camadas jovens.

E nisto, acredite, sei bem do que falo.

Last but not least, falou aí em Schmeichel, Acosta, Duscher, André Cruz que incrementaram qualidade. Mas falando em José Roquette também podíamos falar no reverso da moeda dessa qualidade: p.ex. Missé-Missé, Gil Baiano, Carlos Miguel e, porque não, o defesa esquerdo "melhor do que Maldini" que dava pelo nome de...Balajic.
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De Drake Wilson a 30.12.2016 às 15:00

Boa tarde Balajic.

Eu percebi que este tema de Roquette tem, para si, uma substância deveras emotiva, bastante pessoal. Tudo bem, respeito isso. Como reconhece, a opinião emotiva de cada um de nós será sempre de difícil debate.

Todos os Presidentes que o Sporting teve, desde o último terço do século até hoje, foram mais cedo ou mais tarde questionados. Difícil, para um Clube tão grande, que tal não acontecesse. Podemos até dizer que as duas alas fundamentais de aficionados nunca estiveram de acordo em tudo: houve quem preferisse a ruptura com Gonçalves, Cintra ou o conservadorismo de Roquette, Franco e Cunha.

Sejamos mais conservadores ou liberais, a verdade é que os grandes projectos que o Sporting pretendeu realizar, fosse com Rocha ou Roquette, terminaram invariavelmente condicionados com factores por vezes alheios ao Sporting: tanto na mudança política em 74, como na efeméride desportiva em 2004.

Os mandatos de João Rocha e José Roquette aumentaram a dívida do Clube, de facto, mas também trouxeram algo ao Clube, como reconhecemos. Rocha desejou a dimensão do ecletismo, perdendo fulgor no futebol. Roquette focou-se na dimensão em torno do desporto Rei, mais do que nas modalidades. Ambos trouxeram títulos, ambos foram criticados. Pior, foi nunca se ter encontrado forma de melhorar o que se fez.

O Sporting padece de espírito alternativo a cada grande obra que se elege, porque poucas pessoas em Portugal são efectivamente vanguardistas.

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