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O sportinguista tem medo de ter sucesso

Drake Wilson, em 27.01.17

 

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*Recentemente, o meu estimado colega Ricardo Leão escreveu um artigo onde destacou uma frase do célebre filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Original, de facto, e nem a propósito...

 

Desconheço se a maioria dos leitores partilham da minha opinião, mas amiúde dou por mim a pensar que nós, adeptos do Sporting, somos provavelmente os adeptos de Futebol mais complicados deste planeta. Talvez por responsabilidade da génese de Alvalade ou pelos moldes como desenvolvemos a nossa militância clubística perante expectativas e fracassos constantes. Talvez mesmo pela incessante imprescindibilidade de identificar responsáveis por crises auto-infligidas, em que a culpa é sempre “daqueles que por cá passaram”. Por vezes, personificamos dilemas semelhantes à ambição de Infante Dom Henrique como da obra non-sense de Friedrich Nietzsche – ora somos progressistas e inovadores ao nível do Quinto Império, ora colapsamos tragicamente agarrados a um cavalo, pela demência dos diversos dogmas que acreditamos serem reais. Infelizmente, tanto a glória dos feitos do Infante fazem parte de um passado, como a obra do filósofo alemão inflige a demência do autor a quem a tenta compreender. Um, realizou e alguém por ele relatou. O outro, relatou como realidade aquilo que nunca foi realizável, nem muito menos real – triste sina de quem alguma vez tentou compreender Nietzsche.

 

O Sporting já vive cheio de dogmas. De doutrinas. De prescrições. O passado glorioso da década de 50 é um dogma. Os Campeonatos de Portugal são um dogma. A formação e o seu real aproveitamento é um dogma. A equipa B é um dogma. Comparar Sporting com Barcelona é um dogma. Treinador “7 Milhões” é um dogma. As cadeiras e o relvado do Estádio são um dogma. A recuperação financeira é um dogma. José Eduardo é um dogma. Dogmas para dar e vender, que tanto entretenimento como mediocridade nos confunde e nos embebeda. O Sporting transformou-se no Clube da discórdia porque religiosamente deixámos que o Dogma se alimentasse ao longo destes anos, perante o inebriamento da palavra do papagaio no poleiro que sabe o que diz, mas não sabe como fazer. Toda esta classe de dirigismo a que o Sporting se tem entregue ao longo das últimas duas décadas, surgiu envergando um manto de grandeza. A verdade, é que com eles ou sem eles, o Sporting continua exactamente igual – perante a falência de um trajecto delineado, percebe-se que afinal não existia consistência alguma, ou projecto algum. Existiam um conjunto de ideias – uma série de Dogmas e problemas de puberdade mal resolvidos – e nada mais. Parafraseando aquele que eu gostaria de um dia ver à frente dos destinos do meu Clube, estes dirigentes foram e são “um nojo de A a Z”.

 

Waterloo, e a teoria de como o Sporting nunca aprende.

 

Perdoa-se Elias. Faz-se um cortejo no aeroporto a Markovic. Despreza-se a formação. Louva-se a Jesus. Uma pré-época do mais amador que poderia haver. Tudo isto ao som da balada de André, com o adorno orgásmico da poesia de Carvalho e a prosa desatinada de Saraiva. Renovam-se os lugares anuais. Eleva-se a esperança. Épico, como o desembarque na Normadia. Afinal, nada mais do que uma espécie de Napoleão em Waterloo, em que tudo apontava para a tragédia mesmo antes de esta acontecer. Não funcionou? Ok, vamos desfazer e voltar a fazer, exactamente ao contrário. Rua Elias, rua Markovic, bem-vinda rapaziada da formação que tanta felicidade proporcionou a quem de vós usufruiu. Pode ser que assim funcione… Em Setembro de 2016, lá dizia eu algumas coisas a este respeito. A resposta foi esta: “…o projecto actual pode não ser ao gosto do Drake Wilson, mas os sportinguistas o que querem é vitórias. É difícil construir um projecto melhor que este.” Afinal, estimado leitor, o que nos trouxe este projecto?

 

Ninguém percebe porque corre tudo mal no Sporting?

 

Tudo corre mal porque o Sporting tem sido gerido por um tal feudo de amigalhaços solidários entre si, alimentados pela esperança de uma massa adepta que não tem culpa de ter escolhido ser sportinguista. Estes feudais, colocam os dogmas em cima da mesa para que o debate entre adeptos se circunscreva em torno de assuntos para os quais não existe resposta, ou assuntos que simplesmente não têm qualquer tipo de interesse. Os adeptos não entendem, mas ficam felizes porque aparenta que “quem de direito diz que é bom”. Não se discute o futuro do Clube, mas discute-se o passado. Ninguém percebe. Somos fantásticos na formação onde coleccionamos títulos, mas poucos são aproveitados para o plantel sénior, exceptuando quando uma época corre mal. Ninguém percebe. Não se discute uma liderança actual, porque simplesmente as anteriores eram piores. Ninguém percebe. A reestruturação financeira é óptima, mas nada mais reduziu do que encargos de tesouraria imediatos. Ninguém percebe. Em Março de 2016 existiam cerca de €134 Milhões em financiamentos a curto e longo prazo, com reservas  acumuladas de €194 Milhões negativos. Ninguém percebe. Constrói-se um pavilhão, com um Director de Encargos que faz parte da Comissão de Honra da actual presidência. Ninguém percebe. Em 2008, o Passivo situava-se nos €150 Milhões, em 2016 apresentou-se a descoberto não-consolidado nos €390 Milhões. Ninguém percebe. 

 

O problema, estimado leitor, não é Bruno de Carvalho. É tudo isto, que ninguém muda. O actual presidente inclusivé.

 

A disciplina do Dogma

 

Tal como em diversas disciplinas da nossa sociedade e da própria vida, é a servidão de um adepto por um Dogma que torna irrealizável qualquer possibilidade de vanguarda. O indivíduo que vive envolvido dogmaticamente com o que acredita, apenas discute o que é periférico. Inibe toda a sua capacidade intelectual e torna-se refém do obsoleto fora-de-prazo. A vanguarda está presente diariamente na vida de todos nós, e é inversamente proporcional à capacidade de um ser humano comum em se adaptar a circunstâncias e progredir – por esse motivo, e por ser esta tão bem explorada por quem a desenvolve, a vanguarda se torna, de facto, cara. Porque para além de depender da genialidade de quem a materializa, é inclusivamente rara.

 

As minhas confidências com o estimado leitor, terminam com algo que defendo há alguns anos: para colocar o Sporting no mapa, o Sporting tem de chamar a si não apenas aqueles que têm desenhado o mapa do Futebol nos últimos anos, como aqueles que têm dado provas na sua vida profissional por este mundo fora, e que são tão sportinguistas quanto nós. Acabar com a esta clandestinidade promovida por actores incompetentes, rasgar o papel de “ser tão grandes quanto os maiores da Europa” e definir uma estratégia autónoma de redimensionamento, afim de promover a discussão contínua de títulos num prazo dos próximos 10 anos, não ano a ano. Se tivermos de perder a maioria do Capital Social, e como tal, sermos geridos por Administradores competentes umbilicalmente ligados ao desenvolvimento e sucesso da marca Sporting, por mim seria já.

 

Portugal foi uma grande nação no passado. Hoje, divaga no podium do País mais pobre da Europa. Temos de acabar definitivamente com este tal encorajamento de vitória por encomenda e grandiosidade do passado, senão um dia, sem percebermos, o Sporting também acaba.

 

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publicado às 14:00

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28 comentários

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De José Sousa a 27.01.2017 às 14:23

Caro Drake Wilson,

Leio sempre com atenção os seus posts, confesso que por vezes na diagonal, não pela complexidade mas por serem demasiado extensos para o meu gosto pessoal.
O facto de serem longos é tão somente um reparo que o caro que permitirá fazer.
Na gíria do futebol, menos rodriguinos com a bola e mais reamates à baliza.

Este seu post é BRILHANTE, de forma resumida e factual traduz o que foi, o que é e para onde iremos senão arrepiarmos caminho.

E os culpados não só os treinadores, jogadores, dirigentes, admnistradores, sómos também nós adeptos e sócios. O Sporing Clube de Portugal é feito por nós e para nós.

Retiro este excerto da sua autoria "Se tivermos de perder a maioria do Capital Social, e como tal, sermos geridos por Administradores competentes umbilicalmente ligados ao desenvolvimento e sucesso da marca Sporting, por mim seria já."

Nem mais, algo que defendo há uns anos. Se não sómos capazes de nos governar, que venha alguém para nos governar!

Está de parabéns!!!
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De Drake Wilson a 27.01.2017 às 15:24

Bom dia estimado José Sousa.
Agradeço as suas palavras.

Um defeito meu, reconheço, que tento evitar sem grande sucesso. A extensão dos meus textos colocam à vista o resultado de se gostar de escrever mas dispor actualmente de poucas oportunidades para o fazer, essencialmente por questões profissionais.


Subscrevo o que acrescentou. Sabemos que o tema da privatização do Clube, que me é caro, transporta questões pouco consensuais entre adeptos que vale a pena entender e respeitar. Mas para mim, seria uma grande solução.
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De José Sousa a 27.01.2017 às 16:09

Caro Drake Wilson,

Não será o tempo de colocar essa questão aos sócios? Nunca foi um tema consensual, sempre foi um assunto tabu, um bicho papão.

Mas os sócios todos devem ter palavra, pelos inúmeros núcleos espalhados pelo país. Isto porque um mora em Lisboa, como eu, é um previligiado nestes assuntos.

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De Drake Wilson a 27.01.2017 às 16:31

Efectivamente José Sousa.

Com ou sem agrado do Conselho Leonino, que como suporte de apoio ao Clube, tem deixado muito a desejar.
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De Rober Mac'Namara a 27.01.2017 às 17:45

Meu caro Drake,

Não há nada de errado com a extensão dos seus textos. Não existe uma métrica ideal quando transpomos para a palavra escrita, os nossos pensamentos, conhecimentos, etc.
Que se mantenha sempre assim, já estou ansioso pelo seu próximo post independentemente do tamanho que este vier a ter.

Cumprimentos,

RM
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De Drake Wilson a 27.01.2017 às 18:40

Boa tarde Robert, obrigado pelas suas palavras.
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De Maria a 27.01.2017 às 15:56

Isto. Tanto isto. Só isto.

"Se tivermos de perder a maioria do Capital Social, e como tal, sermos geridos por Administradores competentes umbilicalmente ligados ao desenvolvimento e sucesso da marca Sporting, por mim seria já."

E para ajudar à festa adeptos, interessados e simpatizantes que parem para ler e entender todos os que escrevem com tamanha dedicação e amor (eu também "passei" pelo post e "boa, boa, isso, isso" enquanto saltitava. Fui responder a outro e tive de voltar porque está por demais claro e coerente. Não podemos só querer saber se a bola entra ou não)

Bom fim de semana!
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De Schmeichel a 27.01.2017 às 15:26

Caro Drake,

Nós sportinguistas somos adeptos especiais... no 8 ou no 80!!

Como se explica que um clube como o nosso que não ganha um titulo em 15 anos, consegue ter tantos sócios e tanta assistência nos estádios?!

Por outro lado, como se explica que num clube que não ganha um titulo em 15 anos, não ter ainda percebido que o rumo a ser seguido tem de ser o da aposta na formação e controlo de custos?!

O problema do Sporting, ano após ano, é não respeitar a sua matriz, o seu ADN de aposta na formação.... rebentamos o orçamento e lá apostamos na formação, e é precisamente com essas equipas de aposta na formação, que conseguimos os melhores resultados desportivos e financeiros.

Também tem que ser dito que boa parte da falta de aposta na formação também resulta da pressão dos adeptos por títulos... e que colocam muita pressão tanto nos treinadores como nas direcções.
Acho que chegámos hoje a um ponto na nossa história em que a generalidade dos sócios, exige a aposta nos jovens da formação.... pode ser que aprendamos alguma coisa com esta época!

SL
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De PSG a 27.01.2017 às 15:46

Não sabe mas eu que sou adepto rival digo-lhe, o Sporting tem esses sócios todos e esses adeptos porque não é um clube só com 15 anos de existência e sim mais de 100, pensei que soubesse isso!!!!!
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De Schmeichel a 27.01.2017 às 17:28

PSG,

Existem muitos clubes em Portugal com mais de 100 anos.... não é isso que distingue o Sporting dos restantes!

Por exemplo a minha família não é sportinguista, e eu tornei-me sportinguista num período em que não ganhávamos....o que só demonstra a nossa diferença.... nós não somos do Sporting porque ganhamos, mas sim porque nos identificamos com o clube.... é esta a principal diferença entre benfiquistas e sportinguistas! Foram vocês que criaram a expressão rasgar o cartão de sócio....
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De Drake Wilson a 27.01.2017 às 16:40

Boa tarde estimado Schmeichel

A nossa militância é impressionante; sem exagero, em muito se assemelha à britânica. O adepto britânico também tem os seus defeitos, é no seu estado natural muito mais conservador que o homólogo lusitano. Porém, gozam do privilégio de observar a elevada capacidade competitiva dos seus clubes e organização profissional, algo que se deveu única e exclusivamente à privatização e profissionalização efectiva dos emblemas e estruturas.

Isto da formação é de bradar aos céus. Só serve como plano B, quando o plano A se revela que não serve. Se até o cidadão comum como você e eu percebemos isto, o que será que quem de direito tem andando a fazer?

Em Portugal por exemplo, nomeia-se um ex-árbitro comprometido com o sistema para acabar com problemas na arbitragem que duram há décadas. Passados 5 anos convocam-se os clubes para debater os mesmos problemas, que entretanto nunca foram resolvidos. Isto não é vida.
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De Ricardo Leão a 27.01.2017 às 15:40

Excelente texto!
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De Drake Wilson a 27.01.2017 às 16:41

Obrigado estimado Ricardo.
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De Rui Gomes a 27.01.2017 às 15:42

Caro Drake Wilson,

Apenas uma breve observação...

Se a memória não me falha, o FC Porto esteve 2/3 anos sem a maioria de capital da SAD e nem por isso perdeu o controlo do seu futebol. Reconheço, no entanto, que o que se faz no Norte, é missão espinhosa no Sul.

Reconheço que esta temática é muito polémica entre adeptos. Eu próprio não me sinto cem por cento confortável com a ideia do Clube perder controlo da SAD, contudo, há muito que argumento que o problema fundamental do futebol do Sporting. hoje e sempre, é de ser dirigido por dirigentes eleitos, disposição que se agrava severamente quando estes insistem em pegar nas rédeas e não contratar profissionais competentes para o efeito.

Por ser a minha área de maior conhecimento, sinto-me perfeitamente à vontade a debater esta questão. Há uma consideração que não sei se o caro Drake tem conhecimento e/ou se já considerou: administradores para a SAD consegue-se em Portugal, no entanto, já o mesmo não direi para a posição que eu apelido de director-técnico, o homem que superintende o dia-a-dia de tudo quanto é futebol profissional, que está por cima do treinador e responde directa e exclusivamente à administração. É uma perícia muito pouco desenvolvida em Portugal, embora seja a minha opinião que os dotes essenciais nascem com a pessoa. Sofrem uma evolução com o passar dos anos e da experiência, mas, em análise final, a pessoa é não é naturalmente competente para o cargo.
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De Rui Gomes a 27.01.2017 às 15:44

Perdão... pretendia dizer "a pessoa é ou não é...".
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De José Sousa a 27.01.2017 às 15:56

Caro Rui Gomes,

"É uma perícia muito pouco desenvolvida em Portugal, embora seja a minha opinião que os dotes essenciais nascem com a pessoa. Sofrem uma evolução com o passar dos anos e da experiência, mas, em análise final, a pessoa é não é naturalmente competente para o cargo."

Mas não se conseguirá no universo sportinguista essa pessoa?

Outra coisa, tendo a dita estrutura externa que gere o clube, precisaremos sempre de pessoas que se movimentem nos bastidores do futebol português que tem as suas particularidades. Já tivemos esta conversa os dois, pois as dita estrutura não se sente à vontade para esse tipo de trabalho no terreno.
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De Rui Gomes a 27.01.2017 às 16:10

Se essa perícia é rara em Portugal, acho que no universo sporting não existe mesmo. Pelo menos, não tenho de conhecimento de ninguém.

Recorde-se dos tempos em que Álvaro Braga Jr. era praticamente o único director-técnico em Portugal e acabou por andar por uma dúzia de clubes, inclusive os grandes.

Pessoas para se movimentarem nos bastidores do poder terão de ser sempre de fora do âmbito técnico, embora em ligação directa com este. Isto obedece a uma análise muito específica da situação e dos organismos, para então recrutar quem tenha maior capacidade para se mexer nesse meio. Não é uma equação que pode ser focada de fora para dentro. É preciso "lá" estar e dar algum tempo. Não acontece de um dia para o outro.
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De geronimo a 27.01.2017 às 16:32

caro rui gomes o que vosso clube precisa de um bom gestor na sad Sporting e um bom director de futebol , não que vocês tem agora , a situação actual do Sporting é difícil de entender quem manda na área financeira que director desportivo tem que não tem opinião nas contratações , porém se vermos os grandes clubes europeus os directores do futebol são quase todos ex-jogadores com conhecimentos que permite uma melhor relacionamento entre clubes e dai que tiram dividendos com as melhores aquisições ou empréstimos .O Sporting não pode continuar na toada que vai vencer sozinho bons relacionamentos internacionais e muito importante nos dias de hoje. contudo a perda do capital da sad pode ser um caminho perigoso entrada de investidores eles deixam de olha para resultados desportivos e começam olhar para lado financeiro EX"Arsenal", e gerido como uma empresa onde todos os anos tem que dar lucro mesmo que não ganhe nada.
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De Rui Gomes a 27.01.2017 às 17:50

Não é necessariamente o caso. Há clubes com ex-jogadores na posição, pessoas que juntaram a sua própria experiência a alguma formação adicional, e há outros que nunca foram jogadores ou treinadores de topo.

E é importante não fazer confusão entre desempenhos. No Benfica, por exemplo, Shéu é o secretário-técnico e não o director-técnico.
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De geronimo a 28.01.2017 às 01:07

Caro Rui Gomes caso do Sheu eu não sei qual é o papel dele mas pelo que me informei ele esta no clube 40 anos ,porem ele não deve ter papel nas contratações penso que isso passa pelo Rui Vitoria ; Rui Costa e presidente , eu como adepto do clube aqui referido , o que não entendo no vosso clube a posição do vosso director desportivo Otávio Machado, que sinceramente não sei o que ele faz porque as contratações foram do treinador e do presidente , Porém não ponho em causa seu profissionalismo como director, mas fica difícil entender, contudo como nao respondeu a parte da perda da maioria da sad leia as ultimas linha do meu ultimo comentário para me poder dar uma opinião sobre o assunto
saudações desportivas
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De Rui Gomes a 28.01.2017 às 01:24

Acho que já expliquei a minha posição em outros comentários sobre a SAD. De qualquer modo, é um assunto muito complexo para ser aqui debatido neste momento.

Compreendo perfeitamente o exemplo do Arsenal. Aliás, Wenger mantem-se no cargo estes anos todos precisamente porque consegue ser suficientemente competitivo, embora com poucos títulos, para em análise final dar lucro.

Também já expliquei que mesmo mantendo a maioria de capital, não estou de acordo - e creio que aqui reside o problema fundamental do Sporting - que o presidente do clube seja o líder do futebol através da sua posição na SAD.

O futebol deve ser dirigido por profissionais. Ponto !

Fico aqui por hoje.

P.S. Poucos compreendem a função de Octávio Machado. Não presto muita atenção ao Benfica, mas não acredito que Rui Costa tenha grande peso nessas decisões. Shéu não terá também, uma vez que é apenas o secretário-técnico. Até que ponto LFV consulta Rui Vitória, não faço ideia.
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De Drake Wilson a 27.01.2017 às 16:24

Boa tarde estimado Rui.

Abrir este tema à opinião pública traz, per si, vantagens inegáveis. Acredito que sensibiliza e estimula uma diversificação intelectual que nos afasta de um estado de reféns das constantes projecções ou devaneios daqueles que são eleitos por empatia ao invés de capacidade.

Observe-se o "consenso" gerado pelo nosso ex-atleta Benedito no que a uma candidatura concerne. Não obstante do seu valor profissional e pessoal, o indivíduo nada nos pode oferecer (para já) do que a simples seriedade que se lhe aparenta e reconhece. Logo, não consigo entender como podem alguns adeptos atestar a sua capacidade para presidente. Este fandango de "um passo à frente, dois para trás e três para o lado" tem de acabar, porque é disto que se trata o estado dos nossos últimos 40 anos.

Privatizar, usando a palavra "privatizar" como termo comum, iria terminar definitivamente com estas legislaturas monárquicas e impor regras, rigor e definição de metas reais a serem alcançadas. Nomear-se-ia para cargos de responsabilidade aqueles que detivessem essencialmente o know-how imprescindível à execução da tarefa, evitando a presença de meros "observadores" de muita palavra e pouca obra.

A insustentabilidade de que os nossos Clubes em Portugal vivem, em muito se deve à economia na qual estão envolvidos, como à precipitação do gestor nacional demasiado comprometido com o sistema. Fazem-se negócios que se aparentam bons, como pagar uma casa em 40 anos ou assinar acordos debaixo de pressão por 10/12 anos (NOS), porque se considera que "melhor não há", sem simplesmente colocar a questão a consultores especializados para o efeito. Isto simplesmente inibe o crescimento e desenvolvimento das pessoas como das instituições.

Uns dizem que precisamos de "entrar no sistema" de modo a retirar proveitos. Eu digo que o Sporting tem de gerar receitas anuais correntes superiores a €100 Milhões para poder querer ser Grande e ditar regras. Fechado na sua dor e irresponsável como é hoje, isto nunca irá acontecer.
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De Balajic a 27.01.2017 às 17:20

"Se tivermos de perder a maioria do Capital Social, e como tal, sermos geridos por Administradores competentes umbilicalmente ligados ao desenvolvimento e sucesso da marca Sporting, por mim seria já."

Pois para mim seria o dia em que entregaria o meu cartão de sócio e mandava o Sporting definitivamente às malvas. E se tivesse algum avô vivo (e rico) ia ter com ele para lhe pedir dinheiro para fazer um clube...

A capacidade para "colocar o Sporting no mapa" tem a ver, pura e simplesmente, com competência. E esta e os "Administradores competentes" não "aterram", pura e simplesmente, por obra e graça da perda de capital.

Este marasmo só acabará quando o Sporting deixar de ser governado pelo tal "feudo de amigalhaços solidários entre si" que pretendem perpetuar-se no poder e ir enriquecendo à custa do Sporting e que, acima de tudo, zelam pelos seus interesses e pela sua carteira mais do que pelos interesses do Sporting.

Há que, de uma vez por todas, acabar com facções, quintinhas e egos de alguns para se construir um clube melhor.

E isso faz-se com gente séria, honesta, íntegra e competente.

De "Administradores competentes" anda a economia do nosso país a precisar que tem um tecido empresarial miserável.

Como é que íamos conseguir descobrir um para o nosso clube?
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De Drake Wilson a 27.01.2017 às 18:27

Boa tarde Balajic.
Obrigado pela sua intervenção.

Você afirma de modo cáustico que o nosso tecido empresarial é miserável. Mas estivesse o tecido empresarial português no governo, provavelmente não se assistia a um Estado Social que abrange quase 60% da nossa população, entre pensionistas, reformados e desempregados. Em troca dão-lhe serviços obsoletos, burocracia e uma mão de esperança cheia de nada.

Políticos de diversas esferas partidárias, sem conhecimentos técnicos nem domínio por sensibilidade económica, enterraram o nosso País. Um País que hoje se congratula pelo controlo de um défice 15% acima das suas possibilidades, é um País condenado.

Em Portugal, as privatizações sucedem quando após anos de má gestão, as instituições não têm alternativa. Isto cria no cidadão Português a sensação de que a privatização é má, o que na realidade é um mito.

Privatização significa a grosso modo, uma injecção de capital financeiro e humano através de uma abertura ao mercado de capitais, afim de promover a solvabilidade e desenvolvimento de uma instituição. Significa colocar uma instituição na órbita dos grandes negócios e de diferentes mercados, mais desenvolvidos e capitalizados, afim de inverter a tendência de sustentabilidade por meios exclusivos impostos por uma Banca ou um Estado.

Uma privatização ao nível de um Valência, naturalmente que estava errada, pois fundamentou-se no mesmo espírito monárquico e auto-didacta que em nada beneficiou qualquer empresa. Mas por este mundo fora, existem exemplos bem sucedidos que merecem a análise.

Pode parecer assustador, mas existem pessoas que sabem como o fazer.
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De sloct a 27.01.2017 às 19:28

Excelente texto!

O Sporting começou o seu "declínio" (propositadamente entre aspas) com o fim dos 5 violinos e com a incapacidade que os dirigentes à época demonstraram para renovar estruturalmente o clube. E essa tinha sido indubitavelmente a altura certa para o fazer. Na altura, mais que dinheiro faltou know-how.

Os dogmas, como de forma muito feliz enuncia, começaram aí, e arrastam-se no tempo. Este é um tema muito interessante, que infelizmente passa ao lado de quem só vê bola nas redes.
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De Drake Wilson a 27.01.2017 às 22:11

Boa noite sloct.

Em boa hora lá surge o Camarote Leonino para debater estes assuntos com maior profundidade.

Um bom fim de semana para si.
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De José Santos a 27.01.2017 às 19:57

Caro Drake Wilson,

Obrigado pelo excelente (e extenso texto)!

O Sporting de hoje está assente no dogmatismo, no culto da personalidade, e no enorme complexo da inferioridade. Poucos são aqueles que podem e/ou conseguem transmitir a grandeza do Sporting dos anos 50. As gerações mais novas não sabem o que isso é, o que representa. Como as coisas estão hoje, quando não se respeita devidamente o passado, quando não se percebe esse mesmo passado, quando não se quer perceber esse passado, o SCP nunca poderá ter um futuro como grande. Hoje vivemos de pequenas vitórias, de uma taça de vez enquanto, das bolas de ouro do CR7, de uma ou outra vitória na casa do rival, da melhor Academia do mundo, de vitórias morais, das voltas olímpicas de um Presidente...até vibramos com vitórias do Moreirense como se fossem nossas. Este não é o espírito do grande Sporting dos anos 50. Somos muitos? Somos. Mas, desculpe a expressão, vai dar um trabalho do caraças para que isto dê a volta.
Um abraço
SL
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De Drake Wilson a 27.01.2017 às 22:14

Boa noite José.
Obrigado pelas palavras.

Acredito que com algum trabalho, pode um dia surgir a solução. Reconhecendo porém, todas as adversidades que uma militância mais conservadora e/ou acomodada possa criar. Desde que a bem do Sporting, tudo me parece bem-vindo.

Um bom fim de semana para si.

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