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Hoje é dia de dérbi !

Leão Zargo, em 05.03.16

 

Sporting Benfica 1951-52.jpg

 

Como é sabido por todos, o primeiro dérbi realizou-se rigorosamente cinco minutos antes da criação do Mundo. Isso já foi há muito tempo, portanto, ali para os lados do Sítio das Mouras.

 

De todos eles há grandes fotografias, umas épicas, outras dramáticas, muitas vitoriosas, outras ainda desesperadas. Vitória e derrota. Sangue, suor e lágrimas no futebol. Mas, também há fotografias simplesmente bonitas. Como esta datada de 18 de Novembro de 1951, no Estádio Nacional.

 

“Que vença o melhor!”, como se costuma dizer sempre que há dérbi. E que o melhor seja o Sporting, pois claro!

 

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publicado às 09:57

E tudo o apito levou

Leão Zargo, em 24.02.16

 

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___ Inácio de Almeida no Estádio da Luz ___

 

 

Temos por hábito dizer que um bom árbitro de futebol é aquele que consegue passar despercebido durante um jogo. Talvez por isso, os adeptos raramente se refiram às boas arbitragens, sendo que as más ainda são citadas muitos anos depois. Os árbitros são recordados pelas piores razões, nomeadamente por penaltis duvidosos, foras de jogo polémicos, expulsões injustas de jogadores, sabe-se lá que mais. Devemos a estes assopradores do apito o enriquecimento da língua portuguesa aplicada ao futebol: ‘campo inclinado’, ‘não deixou jogar’, ‘empurrou a equipa’ ou expressões como ‘limpinho’ e ‘colinho’ que mais parecem passwords de uma qualquer entrada manhosa.

 

Só alguns árbitros alcançaram a imortalidade, precisamente aqueles que quando se pronuncia o seu nome quase todos sabem do que é que se está falar. Por isso, Inácio de Almeida integra um núcleo relativamente restrito. Imortal, portanto.

 

Inácio de Almeida ascendeu a esta condição de imortalidade em grande parte devido à sua actuação num Benfica-Sporting disputado em 2 de Maio de 1981, no Estádio da Luz. Nesse jogo conseguiu tomar várias decisões erradas sempre a favor do mesmo lado. Assinalou um penálti duvidoso contra o Sporting, que mandou repetir depois de Nené ter falhado, e, pior ainda, virou as costas quando Pietra rasteirou Manuel Fernandes dentro da grande área. O árbitro mandou seguir mas, com a pressa de afastar conversas e protestos, Bento atrapalhou-se, largou a bola e permitiu que Jordão marcasse golo. ‘Pé em riste’, decretou o apitador. Foi a cereja em cima do bolo.

 

O erro grosseiro do árbitro foi reconhecido pelos intervenientes. Manuel Fernandes descreveu da seguinte maneira: “Eu ia com a bola desde o meio-campo, entrei na área e o Pietra deu-me um toque por trás. O árbitro não assinalou penálti. Entretanto, naquela 'fossanguice' de recolocar a bola em jogo, o Bento atrapalhou-se e deixou a bola fugir para o Jordão, que a tocou suavemente para dentro da baliza”. João Alves, jogador do Benfica, foi claro: “Quando se gerou a confusão, eu e o Humberto apertámos com o árbitro e com o fiscal de linha. Alegámos que o Jordão tinha pontapeado as mãos do Bento, que devia estar com azeite nas luvas”. Galrinho Bento, o tal do azeite nas luvas, foi peremptório ao garantir que “sobre mim não houve falta. Terá visto uma infracção anterior”.

 

O jornalista Carlos Pinhão escolheu “Favorito sem chama nem assim ganhou” para título da sua crónica do jogo em A Bola, acrescentando que o Benfica “recebeu boas ajudas da arbitragem”. O presidente João Rocha exigiu a irradiação do árbitro, defendendo que “além de incompetente, mostrou ser desonesto, cópia fiel de um tal Inocêncio Calabote”. E, como João Rocha não era pessoa de mandar recados por outros, concluiu dizendo que o árbitro “tem antecedentes e tem uma alergia especial ao Sporting”.

 

Inácio de Almeida, com 49 anos e perto do final da carreira na arbitragem, foi punido com 60 dias de suspensão e não voltou a actuar. Muito mais tarde, em 2003, deu uma entrevista ao jornal Record reconhecendo finalmente o fatídico erro. O antigo árbitro lamentou o que se passou, garantindo que “sempre que se desenterra a polémica, fico duas noites sem dormir”. Mas, aquele jogo no Estádio da Luz teve, ainda, uma simbologia triste: foi o último dérbi em que Benfica e Sporting entraram em campo apenas com jogadores portugueses como titulares.

 

 

Ficha do jogo

 

Campeonato Nacional (27ª jornada)

Estádio da Luz, 2 de Maio de 1981 

Benfica 1 - Sporting 1

Árbitro - Inácio de Almeida (Setúbal)

 

Benfica - Bento (capitão), Veloso, Bastos Lopes, Humberto Coelho, Pietra, Shéu, João Alves, Carlos Manuel (José Luís), Nené, Chalana e Reinaldo (César)

 

Treinador - Lajos Baroti

 

Marcador - Nené (43m)

 

Sporting - Vaz, José Eduardo, Bastos, Eurico, Augusto Inácio, Fraguito, Ademar, Manuel Fernandes (capitão), Marinho, Freire (Lito) e Jordão

 

Treinador - Srecko Radisic 

 

Marcador - Jordão (65m)

 

 

Nota: A fotografia da equipa do Sporting (época de 1980-81) não é do dérbi no Estádio da Luz.

 

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publicado às 13:32

Jesus enganou-se

Leão Zargo, em 23.11.15

 

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No final do dérbi para a Taça de Portugal, Jorge Jesus afirmou que "o Sporting há 60 anos que não ganhava três vezes seguidas ao Benfica". Referia-se às vitórias consecutivas da época de 1953-54 (dois jogos para o Campeonato Nacional e um para a Taça de Portugal).

 

Em rigor, a afirmação de Jorge Jesus não corresponde à verdade pois os leões derrotaram o seu eterno rival três vezes sucessivas em 1994 e 1995. Consultando a utilíssima Wiki Sporting verifica-se que o clube de Alvalade venceu três dérbis contínuos nas épocas de 1994-95 e de 1995-96, pois não se realizou outro entre os que são referidos. A série vitoriosa foi interrompida em 17.Fevereiro.1996 por um empate na Luz (0-0).

 

Os dérbis:

                                                                         

* 01.Dezembro.1994 13ª Jornada Sporting-Benfica 1-0

* 30.Abril.1995 30ª Jornada Benfica-Sporting 1-2

* 04.Outubro.1995 6ª Jornada Sporting-Benfica 2-0

 

Naturalmente que a sequência de três vitórias sob a orientação técnica de Jorge Jesus é memorável. Mas, fica reposta a verdade, até porque um grande treinador não necessita de elogios que não correspondam à verdade dos factos.

 

Sendo assim, faço o desafio de conseguirmos a quarta vitória consecutiva em dérbis… e a necessidade de nova consulta da notável Wiki Sporting para se confirmar o tempo da invulgar proeza !

 

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publicado às 18:02

 

O primeiro dérbi no novo Estádio José Alvalade inaugurado em 1956 realizou-se em 23 de Dezembro desse ano e teve os ingredientes principais dos grandes confrontos com o nosso rival: escaldante e dramático!

 

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A época estava a ser atribulada para os leões que chegaram a andar pelos últimos lugares da classificação a par do Caldas, Covilhã e Atlético. Terminariam num modesto 4º lugar como no campeonato anterior. O argentino Abel Picabêa tinha sido contratado para fazer a renovação da gloriosa equipa dos cinco violinos, mas a empresa revelava-se muito maior do que seria previsível. O Benfica acabou por vencer o campeonato com uma forte ajuda do Sporting que derrotou o FC Porto por 2-1, em Alvalade.

 

Naquela tarde invernosa de Dezembro, à 15ª jornada, o Sporting andava quase pelo meio da tabela classificativa enquanto que águias e andrades lutavam pela liderança. O árbitro foi o célebre Inocêncio Calabote que, com o seu relógio especial, conquistaria a imortalidade alguns anos mais tarde no Estádio da Luz num Benfica-CUF.

 

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O dérbi foi disputadíssimo como é da praxe, verificando-se grande domínio dos leões em quase todo o jogo, mas o Benfica pressionou a baliza de Carlos Gomes nos últimos vinte minutos. O guarda-redes revelou toda a sua categoria mantendo a baliza inviolável e impondo a primeira derrota da época aos da Luz.

 

No final, afirmaria aos jornalistas: “Qualquer das equipas podia ter ganho. Sinceramente achava que nos seria muito difícil derrotar o Benfica, mas todos jogámos com vontade férrea daí resultando um extraordinário desafio como este foi”.

 

O golo solitário foi marcado por Hugo, que veio para substituir o inesquecível Jesus Correia e que envergou a camisola leonina durante dez temporadas, jogando no lado direito da linha avançada. Apesar da vitória no dérbi, a época arrastar-se-ia penosamente para os sportinguistas, constituindo a eliminação pelo Vitória de Setúbal nos quartos-de-final da Taça de Portugal o epílogo de uma época desportiva absolutamente fracassada.

 

O último jogo do Sporting orientado por Abel Picabêa foi no final de Junho com o First Vienna, vindo depois para o seu lugar o reputado Enrique Fernandez. O novo treinador sagrou-se campeão nacional logo no primeiro ano, depois de uma luta titânica com o FC Porto.

                                                                                                                                    

Campeonato Nacional da I Divisão (1956-57)

15ª Jornada

Sporting 1 - Benfica 0

23 de Dezembro de 1956

Estádio José Alvalade (Lisboa)

Árbitro - Inocêncio Calabote (Évora)

 

Sporting - Carlos Gomes, Caldeira, Joaquim Pacheco, Pérides, Passos, Osvaldinho, Hugo, Gabriel Cardoso, Pompeu, Travassos e João Martins

 

Treinador - Abel Picabêa

 

Marcador - Hugo (17m)

 

Benfica - Bastos, Calado, Ângelo, Pegado, Artur Santos, Alfredo, Isidro, Coluna, José Águas, Salvador e Cavém

 

Treinador - Otto Glória

 

 

Nota: Hoje é dia de dérbi. Oxalá que algum dos nossos se inspire no golo solitário de Hugo Sarmento e estabeleça o resultado final! Por um se ganha.

 

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publicado às 11:32

 

Sabe-se de ciência certa que um jogo de futebol é semelhante a uma peça de teatro. Nele encontram-se os ingredientes principais da arte dramática, sendo que o campo é o próprio palco, o treinador faz de director de cena e os jogadores são os actores. O público, esse, só pode ser o coro como numa tragédia grega. Alcino Pedrosa num belíssimo texto (O Teatro e o Futebol) no Leitura de Jogo mostrou que é assim mesmo.

 

Esta conversa vem a propósito de um dos dérbis mais espectaculares de que alguma vez ouvi falar. Foi um Benfica-Sporting disputado na Estância de Madeira, no Campo Grande, em 25 de Abril de 1948. Os leões precisavam de vencer por três golos de diferença para, tendo a mesma pontuação do rival, ultrapassá-lo na tabela classificativa do Campeonato Nacional. 

 

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Na primeira volta o Sporting foi derrotado no Estádio José Alvalade (antigo Stadium Lisboa) por 1-3. O golo leonino foi conseguido por Travassos aos 89 minutos, mas o desalento da derrota impediu o festejo. Provavelmente, o Zé da Europa não imaginou nesse dia o valor que pode ter um golo marcado a um minuto do final de um jogo de futebol. Daquela vez, nem o coro foi capaz de anunciar o que estava para acontecer.

 

O Sporting era treinado por Cândido de Oliveira, um benfiquista que jogou de águia ao peito até sair em 1920 para ser um dos fundadores do Casa Pia Atlético Clube. Os jogadores eram do melhor que alguma vez vestira a camisola do leão rampante. Os “Cinco Violinos” e companhia não tremiam no momento de enfrentar o destino num campo de futebol.

 

A semana que precedeu o dérbi foi de arrasar os nervos para os lados de Alvalade. Peyroteo andou adoentado com febre e, para piorar tudo, na direcção do Clube houve quem desconfiasse da táctica que o treinador estava a preparar para o grande confronto. Houve quem garantisse que seria suicida, desconfiando do benfiquismo de Mister Cândido. Pelos vistos, já não havia memória daquela tarde de Junho de 1923, em Coimbra, quando Cândido de Oliveira foi o massagista dos leões num Sporting-FC Porto nas meias-finais do Campeonato de Portugal.

 

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O Sporting apresentou-se muito forte no Campo Grande. Peyroteo fintou a febre e depositou um póquer de ases na baliza do infortunado Contreiras. Espírito Santo ainda reduziu o marcador, mas os quatro golos do bombardeiro de Alvalade determinaram o destino do título de campeão nacional. Não esquecendo o golinho do Travassos ao cair do pano no dérbi da primeira volta, como que a hybris da tragédia grega (a acção contra o estabelecido) naquele campeonato. Muitos anos mais tarde os Deolinda cantariam que “o que tem de ser tem muita força”. Nem mais !

 

Então, no meio dos festejos e senhor do seu destino, Cândido de Oliveira profere a célebre frase "somos bestiais quando ganhamos e bestas quando perdemos" e apresenta o pedido de demissão. O director do Sporting que duvidou do treinador procurou-o no emprego para o demover, jurando que a demissão seria a dele, o dirigente. Cândido, grande como sempre, apertou-lhe a mão dizendo que ficavam os dois para a conquista do título.

 

O Sporting passou para a liderança do campeonato pela diferença de um golo, não havendo alteração até ao final da competição. Os leões foram derrotados em Setúbal, mas às águias aconteceu o mesmo em Elvas. Campeão por uma singela bola que atravessou a fatídica linha da baliza. Uma bola, uma bolinha… um berlinde! Os benfiquistas, desesperados, chamaram-lhe o "campeonato do pirolito". Pegou de estaca até aos nossos dias essa do pirolito, a bebida gaseificada e doce que era feita à base de ácido cítrico e de essência de limão, com um berlinde de vidro a fazer de rolha.

 

Por ter sido o Campeão Nacional em 1947-48 o Sporting tomou posse da monumental “Taça O Século”, com 1,23m de altura. Venceu, ainda, a Taça de Portugal ao derrotar o Benfica nas meias-finais (3-0) e o Belenenses na final (3-1), coroando uma época memorável com a segunda dobradinha da sua História, para além da vitória na Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa.

 

Ficha do jogo

 

Campeonato Nacional da I Divisão (1947-48)

22ª jornada

Benfica 1 - Sporting 4

25 de Abril de 1948, Estância de Madeira (Campo Grande)

Árbitro - Libertino Domingues (Setúbal)

 

Benfica - Contreiras, Jacinto e Fernandes, Moreira, Félix e Francisco Ferreira, Espírito Santo, Arsénio, Julinho, Corona e Rogério “Pipi”

 

Treinador - Lipo Hertzka

 

Marcador - Espírito Santo (75m)

 

Sporting - Azevedo, Álvaro Cardoso e Juvenal, Carlos Canário, Luís Moreira e Veríssimo, Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano

 

Treinador - Cândido de Oliveira

 

Marcador - Peyroteo (35, 41, 58 e 69m)

 

 

Nota: Fotografia da equipa do Sporting com os três troféus que conquistou na época de 1947-48 e de Fernando Peyroteo num dérbi com o Benfica (não datado).

 

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publicado às 13:19

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