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Fotografia com história dentro (79)

Leão Zargo, em 07.01.18

 

Sporting Rangers 3 Nov 1971.jpg

 

Os penáltis que afinal não valeram

 

O Sporting recebeu o Glasgow Rangers no Estádio de Alvalade, em 3 de Novembro de 1971, para a segunda mão dos oitavos-de-final da Taça dos Vencedores das Taças. Os escoceses tinham vencido na primeira mão por 3-2 e a eliminatória estava em aberto.

 

O jogo em Alvalade terminou no tempo regulamentar com o mesmo resultado de 3-2, mas agora favorável aos leões. No final do prolongamento o resultado estava em 4-3, ainda a favor do Sporting. Desconhecendo uma alteração recente do regulamento da UEFA, o árbitro holandês Van Ravens considerou a eliminatória empatada porque as duas equipas tinham os mesmos golos (6-6). Por essa razão, determinou que se procedesse à marcação de pontapés de grande penalidade.

 

Vítor Damas defendeu quatro remates de grande penalidade e Alvalade festejou. Pedro Gomes recordou assim no site Mais Futebol: "Todo o estádio era alegria e exuberância, nós festejávamos todos. Quando regressámos à cabine, foi uma desilusão." É que, entretanto, o árbitro e o delegado ao jogo foram alertados para a alteração do regulamento e reconheceram o erro. Declararam o apuramento do Glasgow Rangers, pois os escoceses tinham marcado mais golos no campo do Sporting.

 

As defesas de Vítor Damas nas penalidades de nada serviram e o Rangers acabaria por conquistar nesse ano o único troféu europeu da sua história. "Deu-me um grande gozo defender aqueles penáltis todos, mas tudo acabou por não passar de um episódio bizarro e triste", diria mais tarde o guarda-redes leonino.

 

Ficha de jogo:

 

Taça dos Vencedores das Taças (oitavos-de-final)

Sporting 4 - Rangers 3

Estádio de Alvalade, 3 de Novembro de 1971

Árbitro: Van Ravens (Holanda)

 

Sporting: Vítor Damas; Pedro Gomes, Caló, Laranjeira e Hilário; Tomé (Nélson, 65 m), Vagner e Fernando Peres; Lourenço, Yazalde e Dinis (Marinho, 81 m)

 

Treinador: Fernando Vaz

 

Rangers: McLoy; Greig, McKinnon (Smith, 73 m), Jackson e Mathison; Jardine e Conn; Henderson, Stein, Johnston (McLean, 65 m) e McDonald

 

Treinador: William Waddell

 

Marcadores: 1-0, Yazalde (25 m), 1-1, Stein (26 m), 2-1, Tomé (38 m), 2-2, Stein (46 m), 3-2, Pedro Gomes (86 m), 3-3, Henderson (100 m) e 4-3, Peres (115m, g.p.)

 

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publicado às 12:32

Fotografia com história dentro (77)

Leão Zargo, em 24.12.17

 

Damas na Aldeia Nova de S. Bento 1966.jpg

 

O jovem Vítor Damas

 

No Verão de 1966, António Damas Oliveira, pai de Vítor Damas, organizou um grupo de jovens futebolistas lisboetas, quase todos com ligação ao Sporting, para um jogo com o Atlético Aldenovense, na Aldeia Nova de S. Bento. A fotografia refere-se a esse jogo na povoação do Baixo Alentejo e simboliza um momento de transição na vida de Damas, que foi o guarda-redes dessa equipa improvisada. O jovem guardião, apenas com dezoito anos de idade, preparava-se para iniciar a sua primeira época no plantel sénior sportinguista. O irmão dele também esteve lá.

 

Damas estreou-se na equipa principal num Sporting - Benfica, na festa de homenagem ao belenense Vicente Lucas em 22 de Janeiro de 1967, e oficialmente num Sporting - FC Porto, para o Campeonato Nacional em 12 de Fevereiro de 1967. Terminou a época como titular da baliza leonina. Os Neptunos da Estefânia, os torneios de Futebol de Salão no Cruzeirense e na Rua do Passadiço e os juvenis e juniores do Sporting já eram um passado distante. Aquela tarde de Verão numa aldeia alentejana tinha estabelecido simbolicamente o tempo da mudança.

 

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publicado às 12:00

Recordar Vítor Damas !

Leão Zargo, em 13.09.17

 

carvalho e damas.jpg

 

Carvalho defendeu a baliza do Sporting durante cerca de nove anos, até que Vítor Damas, na época de 1968-69, conquistou a titularidade e iniciou uma nova saga leonina.

 

Mais tarde, depois do falecimento de Damas em 2003, Carvalho referiu-se assim ao seu companheiro de equipa: “O Vítor tornou-se num dos meus ídolos. Substituiu-me num jogo com o Belenenses em que me lesionei e a partir daí passou a titular da equipa. Eu próprio, depois de uma ausência prolongada, queria que ele continuasse como primeiro guarda-redes, pela qualidade que tinha. Um dado curioso: nunca me tratou por tu, como lhe pedi por várias vezes. Sempre por sr. Carvalho”.

 

Damas vestiu a camisola leonina pela primeira vez em Fevereiro de 1961, quando uma equipa de juvenis do Sporting defrontou o Palmelense. Depois, o que se seguiu faz parte da história do futebol português até um Académico de Viseu – Sporting, no Estádio do Fontelo, em 27 de Novembro de 1988. Foi o último jogo do inesquecível guarda-redes, que equipou de leão em mais de 700 jogos.

 

Em memória de Vítor Damas, a baliza do topo sul do Estádio José Alvalade foi baptizada com o seu nome em 2009. Hoje, 13 de Setembro de 2017, completam-se catorze anos sobre o seu falecimento.

 

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publicado às 11:16

Fotografia com história dentro (45)

Leão Zargo, em 07.05.17

 

Ac. Viseu - Sporting 27.11.1988.jpg

 

O último jogo de Damas

  

Vítor Damas vestiu pela última vez a camisola leonina no Estádio do Fontelo, em 27 de Novembro de 1988. Foi num Académico de Viseu – Sporting (empate a 2-2), num tempo muito conturbado do Clube, com a instabilidade da presidência de Jorge Gonçalves a minar o desempenho da equipa de futebol. Um jogo difícil, os leões conseguiram colocar-se à frente no marcador, mas, no último minuto um desentendimento na defensiva sportinguista permitiu o golo do empate viseense. José Alhinho foi o marcador do golo.

 

Poucos dias depois, em 30 de Novembro, Damas anunciou, em conferência de imprensa, o final da sua carreira de futebolista. Quando foi questionado sobre a razão, afirmou que por intuição sentiu que chegara o momento de terminar. Tinha 41 anos de idade e despediu-se de forma amargurada, quase anónima, um dos maiores símbolos da história do Sporting, cuja presença na baliza impunha respeito aos adversários pelo seu carisma pessoal, sentido posicional e personalidade que revelava em todos os momentos dos jogos. Foi o fim de um ciclo que se iniciou num longínquo 4 de Fevereiro de 1961, quando uma equipa de juvenis do Sporting defrontou o Palmelense.

 

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publicado às 12:00

Fotografia com história dentro (41)

Leão Zargo, em 16.04.17

 

Damas e Eusébio.png

 

Vítor Damas e o desportivismo

 

É frequente depararmo-nos com um discurso contraditório sobre o desportivismo no futebol. Por um lado, lê-se que o futebol é uma escola de virtudes e de fair-play. Mas, também se ouve dizer que o fair-play não existe, que se trata de uma treta. Tudo isso no interior de um mesmo clube de acordo com as circunstâncias e para o exterior conforme os intervenientes.

 

Esta fotografia mostra o inesquecível Vítor Damas a cumprimentar Eusébio depois de um golo que este lhe marcou. Tratava-se de um derby, o Estádio estava cheio e imagina-se que o barulho seria ensurdecedor. O tempo ficou suspenso. Mas, o guarda-redes leonino agiu como sempre: um comandante entre os companheiros, um cavalheiro para com os adversários.

 

Nestes dias que por nós passam velozes o futebol parece dominado por uma cultura provocatória e sectária que surge frequentemente associada ao ódio e à intolerância. No entanto, apesar de tudo, o futebol tem de continuar a ser uma escola de aprendizagem de valores éticos e de exercício de uma sociabilidade saudável. Tal como Vítor Damas sempre praticou.

 

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publicado às 12:47

Pedroto e Vítor Damas

Leão Zargo, em 02.08.15

 

imagesNVTP3X3U.jpg

O treinador José Maria Pedroto tinha uma profunda admiração por Vítor Damas que, aliás, nunca escondeu. Em 1976 quando o guarda-redes leonino estava de malas aviadas para o Racing Santander constou que o FC Porto de Pedroto tinha tudo preparado para o conduzir à Cidade Invicta a troco do salário principesco de cem contos por mês. No entanto, por artes e engenho de João Rocha o destino foi mesmo Santander.

 

Damas regressou a Portugal, em 1980, com destino ao Vitória de Guimarães treinado pelo mister Pedroto. Finalmente, o carismático treinador e o extraordinário guardião cruzavam-se no mesmo clube.

 

A propósito de ambos, Alcino Pedrosa, professor de História, investigador na área do Desporto e blogger do Leitura de Jogo, contou que, ainda jovem estudante universitário, conseguiu em 1978 uma entrevista com Vítor Santos, director de A Bola, para um trabalho académico. Quando chegou à Travessa da Queimada o jornalista estava a conversar com José Maria Pedroto.

 

Um dos temas da conversa era o futebol inglês e o Inglaterra-Portugal, disputado no Estádio de Wembley em Novembro de 1975, a contar para a fase de apuramento do Europeu de 1976. O jogo terminara empatado a zero golos graças a uma série de defesas espantosas de Damas. Antes do jogo, os ingleses estavam de tal forma convencidos da goleada que o diário Daily Mail distribuiu um cupão em papel para que os adeptos pudessem registar os golos marcados pelos Three Lions.

 

untitled.png

Pedroto conversou longamente sobre o jogo e as suas peripécias. Em determinado momento, considerou que o futebol inglês era bastante previsível, pouco avesso a alterações tácticas, perdendo consistência se na primeira meia hora não se impusesse ao adversário. Segundo o técnico, a solução passava pelo controlo do jogo a meio do campo. Contou, ainda, como tinha analisado os jogos da selecção inglesa em Wembley nos últimos vinte anos.

 

Atento, o jovem Alcino Pedrosa aguardava pela oportunidade para se dirigir ao Mestre Pedroto. Quando surgiu, perguntou-lhe de rompante: “Senhor Pedroto, e se, em algum momento, falhasse a sua estratégia?” A resposta saiu pronta ao antigo seleccionador: “Tinha o Vítor [Damas] na baliza capaz de fazer defesas impossíveis”.

 

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publicado às 13:38

Arquivo do Passado (1)

Rui Gomes, em 01.04.13

 

Época 1973/74: O saudoso Vítor Damas sofre golo pelo remate de cabeça do meu afilhado Francisco Bolota. O Sporting acabou por ser campeão nessa época e o Chico marcou 14 dos seus 30 golos ao serviço da União de Tomar. Os outros dois jogadores do Sporting na foto são Tomé e Alhinho.

 

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publicado às 03:08

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