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Bom senso e bom gosto

Naçao Valente, em 21.04.17

Que as claques são escolas de maus costumes, todos sabemos. Que as claques servem de guardas pretorianas ao serviço de jogos de poder, é uma evidência. Que as claques promovem o ódio, é inegável. Que as claques não sejam exemplos de bom senso, pela sua natureza, compreende-se. Agora que sejam os dirigentes os focos principais dos comportamentos condenáveis é de lamentar.

 

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O presidente Bruno de Carvalho, declarou durante a campanha eleitoral para a Direcção do Sporting, que ia ser mais comedido. Palavras sem significado como se comprova pelas suas últimas afirmações. Enquanto o presidente fez o trabalho que lhe compete e se remeteu ao silêncio senti-me bastante aliviado e até pensei, é desta que o homem toma senso. Sol de pouca dura. Não consegue fujir à sua natureza. E assim que abre a boca sai disparate. Utilizar, por exemplo, a pedofilia, uma prática criminosa grave, e associada a indivíduos com perturbações mentais, como termo de comparação com a chamada “cartilha” não revela apenas falta de bom senso, mostra muito mau gosto. O que é mais preocupante é que o uso destas formulações é recorrente. Lembram-se termos como “belfodil” ou “as duas nádegas”., para se questionar se isto não estará relacionado com traumas de âmbito sexual.


Pouco me interessa que o cidadão Bruno de Carvalho, use ou abuse deste tipo de expressões, o que me envergonha é que o presidente do clube de que sou adepto há mais de sessenta anos, o faça na sua qualidade de dirigente máximo. Talvez seja urgente fazer formação intensiva de "bom senso e de bom gosto", para este e outros presidentes, com a certeza, porém, que só aprende quem está receptivo à aprendizagem.


PS: A pressão da opinião pública, expressa na comunicação social a propósito da irracionalidade das claques, demonstrada na ausência de humanismo (falta de respeito pela vida humana) levou alguns dirigentes a fazerem uma espécie de “mea culpa”. O presidente do meu clube também o fez, cavalgando a mesma onda. Merecem elogios, mas não sei porquê, parece-me hipocrisia.

 

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publicado às 17:22

A Inaudita Guerra da Segunda Circular

Naçao Valente, em 08.04.17

 

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O escritor Mário Carvalho escreveu uma história intitulada a "A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho", onde um grupo de berberes do século XII, montados nos seus cavalos, invadiam a dita avenida, depois da musa da história enlear dois fios de tempos distintos. Quando o exército português chega ao local, desvanece-se o passado, e este fica sem saber o que faz ali. Com a habitual qualidade literária é , em certo sentido, uma narrativa do absurdo. Esta narrativa veio-me à memória a propósito do clima de guerrilha quase diária que se estabeleceu entre os dois clubes da Segunda Circular. São muitas as semelhanças, começando pela sua absurdidade e terminando na sua inutilidade.


É certo que a rivalidade entre os dois clubes já vem de longe, do tempo em que a Segunda Circular ainda nem era uma miragem. É certo que sempre houve episódios de guerrilha, muitas vezes por motivo de contratações, mas sempre pontuais e transitórios. A natural rivalidade concentrava-se, sobretudo, como deve ser, dentro das quatro linhas. Esta guerra arcaica do século XXI, com palco na comunicação social, transformou-se na principal razão de existir da vida dos dois clubes. São queixas, queixinhas, insinuações, insultos, golpes baixos. Vale tudo. Mobilizam-se os adeptos para uma espécie de cruzada contra os infiéis, inimigos figadais que é preciso destruir. É a repescagem do que de pior têm as religiões. O ódio, a intolerância, o fundamentalismo.

 

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A explicação para esta guerra contínua, inútil e degradante, encontramo-la na qualidade das lideranças. Quer de um lado, quer de outro, do rio de alcatrão que os divide ,estão dirigentes de baixa qualidade. De facto, o dirigismo desportivo nunca esteve tão no fundo como actualmente. Os generais que ocupam a presidência dos dois centenários clubes, não passam de sargentos de má qualidade, arvorados em oficiais de estrelas de latão. Sem a devida formação cívica, formados à pressa na escola das claques ou na tarimba  de pequenos clubes, são presidentes sem classe, sem preparação e algumas vezes sem carácter. Fazem da guerra um modo de vida, um objectivo permanente, procurando, por essa via, manter as 'tropas' unidas. É uma perigosa união assente na irracionalidade das massas, apelando aos seus instintos mais primários. A violência gratuita ,já visível a olho nu, é o caminho desta deriva guerreira.


Os presidentes/caudilhos nascem ,vivem e alimentam-se da guerra. Precisam dela para subsistir, como de pão para a boca. Têm os 'soldados' presos ao seu magnetismo. E mesmo quando o ataque atinge as raias do ridículo, como aquando das últimas queixinhas do general do lado Norte ,todos o seguem cegamente. Em abono da verdade, situações idênticas também acontecem do lado Sul. Destas guerras inauditas ninguém tirará qualquer proveito palpável. Nem o desporto, nem o futebol. Perdem todos. Perdem principalmente as duas grandes instituições arrastadas para este lamaçal por aventureiros oportunistas.

 

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publicado às 05:31

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