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Estranhos hábitos, pensamentos pequenos

Drake Wilson, em 05.06.17

 

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Seguramente que não me tornei sportinguista apenas pelo facto do meu Sporting ser um Clube constantemente vencedor, ou porque a conquista A, B ou C me tenha impressionado na juventude – acredito que ninguém se torna do Sporting apenas porque este ganha, ou por qualquer promessa paternalista de que o Sporting ganhará sempre. Ser do Sporting ultrapassa a conexa lógica de fé das vitórias. Nós, mesmo que por vezes sem grandes motivações, somos sempre do Sporting, e com orgulho. Eu, seguramente sou. Nunca escondi a camisola verde-e-branca na gaveta porque não ganhávamos, nem precisei que alguém me ensinasse a ter orgulho no meu Clube. Não obstante de Vencer ser a nossa razão de existir – e não simplesmente Ganhar –, uma das razões pelas quais o Sporting é diferente, entende-se no próprio existencialismo dos seus adeptos. Ao contrário do que sucede noutros Clubes, nós nunca nos limitamos a existir apenas quando ganhamos.

 

Porque não descobri o meu sportinguismo numa qualquer esquina da vida, desconfio daqueles que só são felizes quando o Sporting "Ganha". Porque Ganhar, não é o mesmo que Vencer. Quando num Clube se soberbam exibições (Champions, Santiago Barnabéu), se desprezam competições (Taça da Liga de Futebol) para celebrar à conveniência (Taça Challenge, ou Campeonato de Andebol), algo nos diz que este não está ainda toldado para ser Vencedor. À conveniência, a memória é sempre inconveniente. 

 

“Ganhar”, tanto tem de poderoso, como de ingénuo. “Ganhar”, resolve a dívida emocional que se enfrenta quando outrora se perde – daí sentirmos que “tudo fica bem” quando ganhamos. Mas a lógica estrutural que existe em torno desta palavra não garante a idiossincrasia necessária ao alcance ou durabilidade do… Vencer. “Ganhar”, é uma palavra perigosa, porque maravilha as massas em torno de uma crença momentânea. É uma espécie de levitação modorra, que não resolve problemas estruturais de raras vitórias, que facilitam o perder tudo logo de seguida. Sobrevalorizar o "Ganhar, desconhecendo o verdadeiro significado de "Vencer", prejudica o Sporting, porque não existe lógica que assegure que num Clube como o nosso, o ganhar seja sequencial. Eu, como todos, também quero ganhar. Mas quero, igualmente, continuar desconfiado por mais um tempo desta palavra. Sou do Sporting há anos suficientes para perceber como funcionam as coisas na nossa casa.

 

Teste o travão, para assegurar que ele funciona.

 

Todas as genialidades esbarram nos vícios da Vida. Parece-me que só ao fim de quatro anos este Presidente inferiu o engano quando prometeu vitórias constantes e breves. É verdade que se geraram recursos como nunca outrora se geraram, mas igualmente se gastaram recursos como nunca outrora se gastaram. No final, ou seja hoje, mesmo com alguns títulos conquistados, não podemos assegurar que se criou uma estrutura suporte para manter o “Ganhar”, pelo menos, de modo constante. Reconhecer erros de Gestão, não assegura que se detenha suficiente critério ou sagacidade para que, do mesmo modo, se delineie um rumo correcto. Talvez seja suposto esperarmos mais uns anos para todos percebermos se este é o rumo certo.

 

A RTP, Pessoas, e a Marca Sporting

 

Se colocarmos devidamente esta questão na balança, percebemos que poucas instituições portuguesas se revelaram – ao longo da história – gratas ao Sporting pelo natural substanciamento desportivo do nosso Clube à nação – o que confirma a infeliz tendência para que no Sporting as conquistas sejam invariavelmente vistas de um modo incómodo por diversas personalidade com maior ou menor influência. Perdemos recentemente, por diferentes motivos, duas personalidades de topo na nossa estrutura leonina no que às Modalidades respeitava (e não apenas), cujo reconhecido know-how ou influência poderiam ser consideradas de vital importância para o desenvolvimento e imagem exterior do Clube. Alguém de reconhecida capacidade ocupou sequer os respectivos lugares?

 

Que se desconfie da tendência espontânea em delapidar ou perder património humano ou material, sem que uma estratégia de reposição de valores seja adoptada. Que nunca se confie na expansão isolada da marca “Sporting” por Portugal ou por este mundo fora, seja sob formato de cidadania ou de pseudo-pedagogia desportiva nas escolas espalhadas pelo planeta, geradas de modo autónomo pelo Clube. Cuidado com os pretensiosos amigos. Com os novos amigos. Até com os ex-amigos.

 

O Sporting, fruto da inexistência de um organograma estrutural profissionalizado na SAD para este fim, tem dificuldade em seduzir as mais importantes instituições, marcas ou parceiros de maior influência que gravitam em torno da indústria desportiva. Se existe algum departamento técnico-estratégico no nosso Clube que observe tendências globais ou elabore percursos operacionais no que à marca Sporting concerne (à excepção do computador do Jornalista Saraiva), este trabalho não está de todo em funcionamento. Se existem, estes que me desculpem, mas são tão incompetentes quanto quem gere os convenientes conteúdos desportivos da RTP. Observa-se um Sporting efectivamente limitado na sua propensão empresarial, o que gera uma observável menor influência nos media, como o próprio desenvolvimento da instituição.

 

O Sporting está demasiado por “sua conta e risco”, porque mesmo o poder de decisão não está totalmente esclarecido – “este ano sou eu que decido” não é, geralmente, uma boa colheita. Enquanto não se gerarem parcerias mais sólidas, ou se criar uma nomenclatura de personalidades capazes, idóneas, experiente e influentes ao serviço do Sporting, o resultado será sempre uma menor visibilidade para o Clube. Ou a vontade em mudar de canal mais depressa.

 

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publicado às 11:00

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