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Fotografia com história dentro (53)

Leão Zargo, em 02.07.17

 

 António Oliveira Sporting CP.jpg

 

António Oliveira e o Sporting

  

O presidente João Rocha contratou os serviços de António Oliveira no Verão de 1981, quando ele exercia as funções de treinador-jogador no Penafiel. Chegou a Alvalade como jogador, juntando-se a Manuel Fernandes, Jordão, Eurico, Carlos Xavier, Meszaros, Bastos, Inácio e Mário Jorge, entre outros. Uma grande equipa. Permaneceu no Sporting durante quatro épocas.

 

Os sportinguistas recordam-se bem de Oliveira, até porque formou com Manuel Fernandes e Jordão um triângulo ofensivo inesquecível. Houve sempre uma história de conflitos de egos entre eles, mas o treinador Malcolm Allison tirou o capitão dessa equação, garantindo que “Manuel Fernandes era o mais envergonhado, altruísta”. Os problemas terão surgido depois da saída de 'Big Mal'.

 

No início da temporada de 1982-83, João Rocha entregou-lhe a orientação técnica da equipa na sequência de uma pré-época polémica na Bulgária com Malcolm Allison. Assim, Oliveira passou a treinador-jogador, conquistou a Supertaça e conduziu o Sporting até aos quartos-de-final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, a melhor prestação do Clube nesta competição.

 

No dia 29 de Setembro de 1982 o Sporting recebeu o Dínamo de Zagreb, campeão da Jugoslávia, na primeira eliminatória da Taça dos Campeões Europeus. Na primeira mão os jugoslavos tinham vencido por 1-0. O jogo de Alvalade disputou-se num contexto de grande conflito emocional para Oliveira pois o seu pai tinha sido hospitalizado e estava entre a vida e a morte.

 

No entanto, ele quis jogar para “vingar aquele momento trágico”. Nas bancadas foi-se conhecendo a terrível situação do camisola dez. No relvado o jogador realizou uma exibição magistral culminada com três golos fabulosos. Ciro Blatzevic, o treinador do Zagreb, exclamou que “Oliveira é um fora-de-série”. Poucas horas depois, o jogador teve conhecimento da morte do pai.

 

A época de 1982-83 não correu bem aos leões. Se calhar, já estava escrito nas estrelas. Num derby na Luz que o Sporting perdeu por 3-0, Oliveira não compareceu alegando motivos de saúde. João Rocha percebeu o erro que tinha cometido e contratou Josef Venglos. Depois, muita coisa aconteceu no Sporting, mas desde aquele jogo com o Zagreb tenho uma dívida de gratidão para com António Oliveira!

 

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publicado às 12:33

Fotografia com história dentro (48)

Leão Zargo, em 28.05.17

 

H. Yazalde J. Rocha F. Méric 1975.jpg

 

O último dia do ‘leão’ Yazalde

  

A fotografia é do jornal francês L´Équipe e refere-se ao jogo em que o Sporting defrontou o Fluminense para o Torneio de Paris, em 19 de Junho de 1975. Hector Yazalde não se equipou e dois dias antes tinha feito o seu último jogo com a camisola leonina frente ao Paris Saint-Germain. O Olympique de Marseille pagou 12 500 contos e levou o goleador argentino.

 

Que se tratava do fim de um ciclo para uns e do início para outros é bem evidente nas expressões dos presidentes João Rocha e Fernand Méric, do Marselha. Méric procurava um goleador que substituísse Josip Skoblar, “l’Aigle Dalmate”. O presidente sportinguista ainda não podia imaginar o que Manuel Fernandes seria capaz de fazer com a camisola nove do ‘Chirola’.

 

Optimismo e dúvida. Expectativa e tensão. Ou como uma fotografia origina uma percepção invulgar da emoção quando consegue captar a atmosfera do momento e constitui um testemunho do acontecimento. A história pela imagem !

 

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publicado às 13:51

Fotografia com história dentro (35)

Leão Zargo, em 26.02.17

 

20278114_iaZNr.jpg

 

O presidente João Rocha e o Hóquei em Patins

 

João Rocha foi um dos presidentes do Sporting que deu maior importância ao ecletismo do Clube. Com ele na presidência, o Hóquei em Patins leonino alcançou um nível extraordinário, tendo conquistado uma Taça dos Campeões Europeus, duas Taças das Taças e uma Taça CERS.

 

Nesta fotografia tirada em Alvalade em 18 de Junho de 1977, o presidente João Rocha está acompanhado pelos seus filhos, e um deles segura o troféu dos Campeões Europeus conquistado na final contra os espanhóis do Villanueva. Houve festa rija no Estádio, com os jogadores e técnicos a serem recebidos em euforia por uma multidão de sportinguistas, depois de um cortejo triunfal.

 

Foi o tempo da Equipa Maravilha, os nossos “cinco magníficos” do Hóquei em Patins: Ramalhete, Rendeiro, Sobrinho, Livramento e ‘Chana’. Foi a melhor equipa portuguesa de sempre no hóquei patinado, ganhou tudo o que havia por conquistar!

 

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publicado às 12:15

 

simbolo_sporting.jpg

 

Trata-se de um lugar comum afirmar-se não ser possível identificarmos o presente sem se conhecer o passado. Avaliar as conjunturas presentes dos modelos de reestruturação que assistem ao Sporting, carecem de total compreensão se desapoiados de exemplos outrora permitidos pela história. Designar os contornos de um futuro auspicioso ao clube sem uma visão sobre anteriores planeamentos semelhantes, tendo apenas como base as diversas notas e entrevistas concedidas por elementos desta direcção, é colocar o adepto, sócio e simpatizante com uma crença questionável, baseando o conhecimento em especulação. 

 

Revisitar o Passado

 

O Sporting Clube de Portugal foi em diversos momentos na sua história um clube pioneiro, estruturado e de visão alargada nos próprios fundamentos de grandiosidade desportiva. Com diversas linhas presidenciais vocacionadas para abordagens inovadoras de modelos de gestão financeira e comercial, dois grandes projectos destacaram-se pela liderança de empresários bem-sucedidos em actividades económicas – João Rocha e José Roquette. A seu tempo, foram uma verdadeira “pedrada no charco” quando comparadas em cronologia ou mesmo em génese a qualquer outra estratégia semelhante adoptada por algum outro rival, exibindo com orgulho ao país os seus passos de profissionalização.

 

É infelizmente reconhecido que os dois projectos falharam. Um falhanço não relacionado por lacunas na essência, implementabilidade ou qualidade dos diversos intervenientes; realisticamente falando, os programas foram aplicados em períodos errados. O Projecto de João Rocha, apoiado por comparticipação do estado num plano que visava o próprio desenvolvimento do desporto nacional, assim como também pelo financiamento derivante de actividades relacionadas com construção, terá sido “traído” pela revolução sucedida no país um ano após a sua aprovação em assembleia geral. O resto é história: João Rocha levou o plano por diante através de financiamento bancário, numa operação demais arriscada em tal período: turbulência na inflação e taxas de juro para “maiores de 18 anos” sobreendividaram o Sporting, colocando-o em crise financeira aguda. Ainda hoje acredito que este terá sido o maior desgosto de João Rocha, levando-o a compreender em diversas ocasiões, que estava na altura do próprio dar lugar a um substituto. Importante de referir que até 1974, o Estado apresentava-se como o maior investidor nacional em todo o sector privado, tendo sido inicialmente assertiva a orientação do dito "Projecto Rocha".

 

Será injusto qualificar a presidência de João Rocha apenas pela observação financeira. O Sporting alcançou uma percentagem significativa de troféus desportivos nas suas diversas modalidades (embora poucos em futebol) e manifestou com orgulho a sua presença em diversos palcos. Terá sido todavia uma presidência pouco prudente na gestão financeira, sendo reconhecido que os ecos de tal falhanço perduraram muito, muito tempo. Criou-se património, mas deixou-se um endividamento bancário calculado em 90% do passivo. Pior, foi mesmo o Sporting – após a saída de Rocha – ter ficado em expectativa de algo melhor, ao longo de décadas. Afirma-se, com razão, que o clube ficou "orfão" muito tempo.

 

A Loucura Económica dos 90

 

Até surgir o “Projecto Roquette”, dois senhores não fizeram melhor. Supostos fantasmas de aristocratas responsáveis pela catástrofe financeira do clube, levaram a uma “caça ás bruxas” pelas presidências ultra populares de Gonçalves e Cintra. Com uma “mão cheia de nada”, investiram de sobremaneira em planteis demasiado ambiciosos para os retornos que se obtiveram. "Devolveram" o clube aos sócios, por assim dizer, sem qualquer ironia, mas entregaram-no ao mesmo tempo aos credores bancários.

 

Quando José Roquette assume o cargo do clube (com um passivo no dobro do valor que Sousa Cintra encontrou), duas medidas imediatas foram implementadas: o saneamento de dívidas ao estado e uma aproximação à banca para a diluição de spread de obrigações correntes. De seguida, a criação de uma Sociedade Desportiva organizada, envolvida num conceito muito interessante de financiamento não-dependente de resultados desportivos. Resumidamente podemos afirmar que este plano de Roquette falhou porque nunca se estimou a dimensão económica real do nosso país, em previsões económicas que nunca poderiam prever um novo volte-face da própria economia nacional, sendo uma das causas que mais uma vez assombrava o arranque de uma nova era. Para o leitor compreender, a Economia é uma ciência de "tentativa-erro-tentativa" que não permite previsões de  futurologia quando se sustenta em medidas não testadas na prática.

 

Um diferente Destino

 

Será igualmente injusto designar totalmente negativa esta matriz financeira do projecto de José Roquette. Mas em abono da verdade, foi o falhanço derivante da continuidade (por personagens em declínio e pouco hábeis) deste plano demasiado audacioso que mais uma vez marcou o Sporting. O "Projecto Roquette", para o leitor ter uma visão sobre o mesmo, é de algum modo semelhante a modelos económicos que fundamentaram uma nova era na Premier League. Não obstante, se a esta presidência tem sido acompanhada de mais dois campeonatos aliados a boas prestações na Europa (com todos os contratos e revenues derivantes dessa mesma exposição) hoje provavelmente tínhamos o clube mais moderno de Portugal.

 

Mas isto são suposições.

 

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publicado às 12:11

Estórias de Alvalade - João Rocha

Rui Gomes, em 13.09.13

 

«Os famosos 7-1! Os 7-1 em que o Manuel Fernandes estava para ser substituído e acabou por marcar 4 golos. Nesse jogo convenci-me que, às vezes, certas substituições não se devem fazer. Foi um jogo extraordinário. No final fui ao lado contrário, onde estava a Juventude Leonina, para abraçar aquela gente. Sete golos é muito golo! De qualquer maneira, durante o jogo na tribuna, comportámo-nos com civismo em relação ao Fernando Martins, o presidente do Benfica, e à sua direcção. Não houve exploração da vitória.

Houve alegria, claro, até porque 7-1 era e é o recorde entre os dois clubes. Eu comemorei os golos, e de que maneira! A única coisa que disse ao presidente Fernando Martins depois do jogo foi: "o senhor é que é o culpado por este resultado, por se ter associado ao FC Porto."

Fui ao balneário dar um grande abraço ao Manuel Fernandes. Eu tinha uma grande amizade com o Manuel Fernandes. É um grande sportinguista. Percebi isso quando ele ainda estava na CUF e o presidente me ligou a dizer, "leva-me este tipo daqui! Ao intervalo dos jogos, a primeira coisa que ele quer saber é qual é o resultado do Sporting! O gajo só pensa no Sporting! Não pensa na CUF!".»

 

Do livro "Estórias d'Alvalade" por Luís Miguel Pereira

 

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publicado às 11:17

Estórias de Alvalade - João Rocha

Rui Gomes, em 09.03.13

«Penso que ia realizar-se uma Taça dos Campeões Europeus de atletismo no estádio de Alvalade. Uma semana antes, o professor Moniz Pereira não acreditava que a nova bancada estivesse pronta a tempo e horas. Por isso, mandou fazer bilhetes dessa competição para o estádio Nacional. Dias antes, numa reunião de Direcção, mostrou-me os ingressos. Eu peguei neles, rasguei-os e disse-lhe, «Professor, como estava programado, a prova vai realizar-se em Alvalade.» Moniz Pereira acatou o meu acto e não fez má cara.

Tinha a noção de que a tarefa era muito complicada, por isso era o primeiro a entrar em Alvalade e o último a sair. Os homens que fizeram a nova bancada chegaram a trabalhar dia e noite. Até os meus familiares lá trabalharam: os meus filhos, a minha filha, o meu genro... até os meus empregados de escritórios e alguns sócios. Foi uma mobilização geral. Todos eles ajudavam a carregar tijolos, a pintar, era verdadeiros serventes. As pinturas, por exemplo, foram acabadas no próprio dia da inauguração. Foi uma obra muito complicada. Debaixo da bancada, o nível friático era muito elevado porque passava ali uma ribeira. Tivemos que fazer túneis para a água passar. Tivemos que rebentar com a pista de ciclismo para fazer mais bancadas.»

 

* Do livro «Estórias d'Alvalade» por Luís Miguel Pereira.

 

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publicado às 05:08

 

Acompanhado pelo seu filho Gonçalo Rocha (2003)

 

- Luiz Godinho Lopes: Família sportinguista está de luto. 

 

- Mário Moniz Pereira: Sporting deve muito a João Rocha.

 

- José Roquette: Nenhum sportinguista pode ficar indiferente nesta altura.

 

- Pedro Santana Lopes: Um amigo e o melhor presidente.

 

- Aurélio Pereira: Muito avançado para a época.

                                                                       

- José Eduardo Bettencourt: Eu já era simpatizante e com ele tornei-me militante.

 

- José Manuel Torcato: Deixou uma grande obra.

 

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publicado às 18:23

Estórias de Alvalade - João Rocha

Rui Gomes, em 02.01.13

«O Manuel Fernandes é dos homens que mais admiro no futebol. Tínhamos uma relação muito especial, assente em gestos que nos marcam para toda a vida. Um dia, numa final de Taça no Jamor, os jogadores do Sporting trocaram todos de camisolas com os adversários, menos o Manel. Tínhamos ganho a Taça e ele, na qualidade de capitão, encaminhou-se para a tribuna para receber o troféu das mãos do Presidente da República Ramalho Eanes. À medida que ele subia as escadas reparei que ia despedindo a camisola. Os repórteres começaram a dizer que ele se preparava para oferecê-la ao Presidente da República. O Manel chegou à tribuna, eu estava mesmo ao lado do General, e ele dá-me um abraço e oferece-me a camisola.

Apesar da cumplicidade, nunca perdi de vista a hierarquia: ele era o capitão de equipa mas eu era o presidente do Clube. Por isso, custou-me muito ter que tomar a atitude drástica quand o Manel criticou publicamente a nomeação de António Oliveira para treinador-jogador. Foi em Alvalade. Cheguei ao balneário e disse-lhe: «Manel, vou ter que lhe tirar a braçadeira de capitão, você não devia ter feito considerações dessa natureza.» Pediu-me para não fazer isso, que era um grande desgosto para ele, mas eu não desarmei. «Vou sofrer mais com isto que está a acontecer do que você, acredite, mas vai ter que ser.» Foi antes de um jogo para a Supertaça com o Braga. O Manuel Fernandes marcou três golos. Fiquei lá em cima na tribuna até as luzes se apagarem. Depois desci ao balneário. Já toda a gente tinha ido embora, menos o Manuel Fernandes. Estava lá equipado à minha espera, a chorar.»

 

* Do livro «Estórias d'Alvalade» por Luís Miguel Pereira

 

 

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publicado às 11:40

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