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Jorge Jesus, um dos oradores no congresso internacional The Future of Football, teve isto para dizer sobre o desempenho de um treinador e os sistemas de jogo:


«Qual é a influência do treinador no treino? Entendo que o treinador é um criador. Do quê? Da filosofia que ele tem, das ideias de equipa, do método e dos objetivos do treino e também da ciência, que hoje nos ajuda a controlar o treino em várias vertentes.

 

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Porque é que eu defino que o treinador é o criador? Porque tentamos desenvolver estas competências. Não levem a mal o que vou dizer: isto não é uma cartilha coletiva, é uma ideia que eu tenho das competências do treinador. As três questões são básicas: sistema, modelo de jogador e de equipa, são estes os princípios fundamentais para um treinador ter influência na equipa.

 

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publicado às 11:14

Jesus a perder a graça ?

Leão Zargo, em 26.04.17

 

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Para muitos sportinguistas, Jorge Jesus perdeu a graça. Nas conversas, no Estádio de Alvalade ou nas redes sociais percebe-se isso mesmo. Os aspectos negativos do seu trabalho sobrepuseram-se (e muito) aos aspectos positivos.

 

Cada vez mais adeptos leoninos recordam que a equipa que conquistou a Supertaça foi quase a mesma da final da Taça de Portugal em 2015. Concluem que Jesus deu seguimento ao trabalho de Marco Silva. Este ano, a pré-época foi mal preparada. Com Jesus, jogadores medianos tornaram-se medíocres. E grandes jogadores não chegaram ao estrelato. Nele, a relação custo – benefício é catastrófica. O próprio salário. O fiasco de tantas (demasiadas!) contratações. Um plantel com uma massa salarial absurda. A Formação que parece que secou. O absoluto fracasso desportivo de uma época errática (2016-17). As desculpas de mau pagador. As incoerências. A prosápia. Na verdade, ninguém pode ser ele mesmo e o seu oposto. Ou é, ou não é.

 

Era crucial vencer o derby do fim-de-semana. Por várias razões, nomeadamente por três: reafirmar o orgulho leonino, garantir a dignidade competitiva da equipa até ao fim da época e lançar a próxima. Jesus não teve a ambição de ganhar, jogou para não perder. Ederson não defendeu sequer um remate. À lentidão geral do jogo da equipa, juntou a lentidão natural de Bryan Ruiz. A entrada de Podence aos 80 minutos tornou-se reveladora. Quase que não houve um canto, um livre ou um lançamento da linha lateral que revelassem preparação nos treinos. Agora, o Sporting de Jesus para alcançar a pontuação do Sporting de Marco Silva tem de vencer todos os jogos até ao final do Campeonato.

 

Uma coisa é certa, quem perde a graça, mais cedo ou mais tarde, cai em desgraça. Não há volta a dar a isso.

 

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publicado às 13:07

Jorge Jesus vs Rui Vitória

Rui Gomes, em 20.04.17

 

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publicado às 03:45

 

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«Clássico? Seja qual for o resultado, não favorece o Sporting».

 

«Normalmente, sou eu que estou a discutir os primeiros lugares. Estou habituado a estar lá em primeiro».

 

«O Matheus, o Podence, Gelson, Semedo, Esgaio, o Francisco Geraldes e o Palhinha estão numa estratégia que temos em função da qualidade dos jogadores».

 

«Com os jogadores que já perdi, tinha feito grandes equipas ao longo dos anos, não só para Portugal, mas para disputar a Champions».

 

«Quando vim para o Sporting foi para ser campeão. Nunca me vou esquecer que fiz 86 pontos e não fui campeão».

 

«O presidente e o Octávio têm grande responsabilidade no Sporting. Estamos sempre em sintonia quando temos razão. E isto são questões factuais. O que disseram já está dito».

 

«Arouca tem jogadores com alguma qualidade, mas nós jogamos com a pressão da vitória e temos de jogar para sair de lá com a vitória».

 

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publicado às 18:05

 

Manuel Sérgio tem 83 anos e é licenciado em Filosofia pela Universidade de Lisboa, doutorado e professor catedrático convidado (jubilado) da Faculdade de Motricidade Humana.

 

Apresentamos um excerto de uma entrevista sua ao jornal Expresso, conduzida pela jornalista Mariana Cabral, em que adianta um bom número de considerações sobre treinadores de futebol portugueses. Para o efeito deste post, por razões óbvias, damos destaque ao que é relevante a Jorge Jesus, com quem Manuel Sérgio já trabalhou.

 

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Já foi a Alvalade ver o Jesus?


Já, claro. E já fui à Luz e ao Dragão. O Jesus é muito meu amigo. Ele tem lá a sua maneira de ver o futebol.

 

Mas essa maneira de ver o futebol não é contrária à sua?


É.

 

Então como é que trabalharam juntos no Benfica?


Entendiamo-nos. Vamos lá ver, o Jorge Jesus é muito boa pessoa, é um bom tipo. Só posso dizer bem dele. É como o Pedroto, era um tipo que gramava à brava ouvir-me. É muito giro isto. Você sabe que sou um tipo pobre, não tenho casas ricas para lhes dizer "venha aqui ter comigo". Eles vêm para conversar. São indivíduos curiosos, porque ouvem um falar diferente e querem saber mais: "O que é que este gajo terá para dizer?" O Pedroto era um grande treinador de futebol. Muito curioso.

 

Como é que o conheceu?


Eu era amigo de um médico chamado Aníbal Costa, que foi durante muitos anos o presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Desportiva. Um dia ele pediu-me para ajudar o filho. "Veja bem que o meu rapaz quer ir para medicina, eh pá, mas está com 11 em filosofia. Você tem de segurá-lo e tal". E então comecei a dar-lhe umas explicações. No 2ª período passou para 15 e no 3º teve 17. Fiquei bem visto [risos]. É engraçado, eu sou um tipo com sorte. Tenho gente de cultura que gosta de falar comigo. E agora vai haver o colóquio onde gente do melhor da nossa cultura vai falar. E eu não pedi a ninguém. Eu nem quero dizer o que eles me dizem, tenho vergonha, se não as pessoas dizem que sou um vaidoso.

 

Um pianista para ser melhor pianista não corre à volta do piano. Senta-se e toca piano.


Precisamente. Se anda ali às voltas um gajo nunca mais lá vai. Falava nisso nas aulas.

 

O Mourinho depois citou-o nisso, correcto?


Pois, creio que sim. Mas um tipo com a minha idade, às vezes... Como um sou um furioso na leitura, leio muito e estudo muito, é uma mania, então às vezes há coisas que julgo que são minhas e depois não são, ou vice-versa. Mas não é por mal. Bom, mas essa do piano julgo que é minha. Houve coisas que eu disse pela primeira vez em língua portuguesa, tenho a certeza. Sobre o cartesianismo e a educação física. Alguém no futebol sabia quem era o Descartes? Não jogava no Benfica, o gajo. [risos] Ligar uma coisa à outra... Ir a estas coisas através da filosofia... Porque eu gosto da filosofia, não falo por obrigação.

 

Mas percebe que relacionar filosofia e futebol não é comum.


Não bate certo. Mas de facto uni essas duas áreas. Não devia dizer isto, mas até acho que disse coisas que fui o primeiro na Europa a dizê-las. Não há educação do físico mas de pessoas no movimento intencional da transcendência, a criação de um paradigma novo nesta área. Até parece mal estar a atirar isto para o ar. "Olha, lá está o velho, é um vaidoso do caraças". Mas quando se fala nas coisas não é o divino Espírito Santo que as põe cá, há sempre um trabalho feito. Bom, foi assim que conheci o Pedroto e ele então convidou-me para ir conversar com ele.

 

E foi.


Fui, fui ter com eles a um estágio. Não dormia lá, mas ia lá ter com ele quando podia. Ele punha a malta toda nos quartos e depois descia para conversarmos. O senhor Pedroto é um homem que eu nunca esquecerei. Há três treinadores assim: José Maria Pedroto, José Mourinho e Jorge Jesus. E o Jesus quis trabalhar comigo, o que é uma coisa que parece contraditória.

 

Exacto.


Acho que ele tem por mim um carinho especial, mas eu tinha a sensação que as coisas entravam a 100 e saíam a 200. Repare, para ser treinador de futebol são precisas qualidades várias. O Jesus tem muitas delas. Dá uns treinos que é um espectáculo. O jogador... Os treinadores não fazem o jogador, o jogador nasce. O treinador só tem de arranjar espaços para ele desenvolver o que tem. Se não eram Eusébios todos os dias, não era? E Messis e afins. Ainda no outro dia li uma entrevista do Messi... O Ronaldo vai muito ao ginásio e perguntaram ao Messi se ele o fazia, e ele disse que joga à bola tal como jogava em 'chiquito', em garoto, que aquilo é dele, não é de um treinador. É por isso que é necessário um diálogo permanente com o treinador. Não é o treinador dizer "eu mando e tal". Tem de se dirigir, comandar nunca. É o que digo: a grande revolução a fazer no desporto é cultural.

 

Como costuma dizer, não há remates, há jogadores que rematam. É isso?


Eu digo assim: não há remates, há pessoas que rematam; não há fintas, há pessoas que fintam. Se não conhecer as pessoas, não percebo as fintas. Isto é uma revolução, pá. Depois não sou convidado para nada, porque não vendo. O que é preciso é os gajos "ah você é isto, você é aquilo" e é uma vergonha, passa-se duas horas nisto. Algo está podre no reino da Dinamarca. É que aquilo nem futebol é. Mas dá dinheiro. É o nosso tempo e isso reflecte-se no futebol. Costumo dizer também: o desporto reproduz e multiplica as taras da sociedade capitalista. A mania do rendimento, do recorde, da medida, da alta competição... Isto é tudo típico da economia capitalista. Portanto isto tudo para dizer que foi assim que conheci o Pedroto.

 

E o Mourinho?


O Mourinho de vez em quando dialoga comigo, ainda hoje. No outro dia mandei-lhe um email e ele respondeu-me: "Professor, belo texto para ler e aprender". O José Mourinho é, intelectualmente, um superdotado. Ele não sabe mais de futebol do que os outros, é é mais inteligente. O que distingue o Mourinho não é o futebol, são as capacidades intelectuais que o tipo tem, que são anormais, pode crer. Oiça, o que distingue um treinador não é saber mais de futebol. O que é que é saber mais futebol?

 

Saber mais do jogo e de como transmiti-lo aos jogadores...


Ó minha querida, todos sabem praticamente o mesmo. O que distingue, depois, é o homem. Também costumo dizer: é o homem que se é, que triunfa no treinador que se pode ser. A diferença está aí, não está na tática.

 

O sucesso do Rui Vitória no Benfica explica-se por aí?


Claro, vamos lá ver... Hoje em dia um homem só não vale nada, tem de haver uma organização. O Benfica está tecnologicamente tão bem preparado como qualquer equipa europeia. Mas os homens é que comandam a tecnologia. O Rui Vitória foi meu aluno e posso dizer-lhe que foi um bom aluno. Sabe, eu dizia ao Jesus aquela frase do Marx...

 

"A prática é o critério da verdade".


Isso. Está a ver agora, por exemplo, o Leonardo Jardim? Não o conheço, mas está a provar... Eu até tenho de pedir desculpa aos treinadores que não conheço, mas de facto não falo dos outros porque não os conheço, não é? Olhe, há um treinador no Sacavanense, chamado Tuck, que no dia em que tiver a sorte de lhe abrirem uma porta vai ser outro Jorge Jesus.

 

Porquê?


Acho que vai ser. Falo muito com ele e com o adjunto dele. A equipa dele é só amadores e vai nos primeiros lugares, quando os outros são profissionais. O tipo tem ali qualquer coisa que bate certo. E tem um adjunto chamado Bruno Dias, que é um tipo sensacional. Repito: sou um tipo com muita sorte. Repare, sou professor no INEF quando o Jesualdo Ferreira, o Arselino Mirandela da Costa, o Carlos Queiroz, o Nelo Vingada começam a pensar numa frase que o senhor Pedroto dizia muitas vezes: "Faltam 30 metros ao futebol português". É aí que começa a nascer o novo treinador de futebol, com a entrada em cena dos indivíduos licenciados.

 

Os sucessos do treinador português.


Vamos lá ver, os êxitos dos nossos treinadores são humanos. Não é porque sabem mais ciência do que os outros. É porque são mais simpáticos, mais compreensivos... porque o futebol, "toma lá a bola", e quem tem jeito desenvolve o que tem, com um bom líder, alguém com boa leitura de jogo. Trabalhei um ano no departamento de futebol do Benfica e estou eternamente grato ao Jorge Jesus porque permitiu que eu visse o futebol por dentro.

 

Ele normalmente não deixa que assistam aos treinos.


Pois é, mas a mim deixou. Um ano inteiro ali. E um malandro como eu, que não deixo escapar nada. Sou aqueles atentos que parece que andam sempre distraídos. Falava com os jogadores, falava com este, com aquele, ia aos serviços todos...

 

Os jogadores dizem que o Jesus é muito picuinhas nos treinos.


Vou-lhe dizer as grandes qualidades do Jesus: é um indivíduo precioso, vai ao pormenor, tem uma leitura de jogo excecional, olha e vê. O tipo tem coisas... está de costas e diz que a bola vai para fora por causa do som que fez e outras coisas assim. O Jesus tem coisas de treinador excepcional. Agora, há outras coisas a fazer. Há sempre que estudar mais. Não compreendo o treinador de futuro sem estudo.

 

Estudar o quê?


Ah, aí é que está [risos]. É o grande mal. O que tem de estudar é só isto: é o que é específico das ciências humanas, porque o desporto é uma ciência humana. Temos de saber os nossos limites, não é? Até onde podemos ir. Quando não podemos ir, aprendemos, se aquilo nos interessa. Mas tudo é tempo. Tudo envelhece rapidamente. Mas quando eu digo estas coisas na década de 60 e 70, julgo que era tudo novo.

 

Comparando os treinos de então com os de agora, já vê uma grande diferença, não?


Sem dúvida. Mas aqueles treinos de carregar com o colega às costas pelas escadas já eu dizia naquela altura que estavam mal, era apenas um treino físico que nada tinha a ver com a tática. Há que ter uma visão sistémica do treino. Isso dizia eu nos anos 60 e 70. E está tudo escrito. Gerei anticorpos porque fui contra os grandes ícones do treino e da educação física. A fisiologia não, o objeto de estudo é o ser humano. Cada ciência humana estuda o ser humano, cada qual à sua maneira. A história estuda o passado, é o conhecimento sistemático do passado do ser humano; a psicologia estuda o comportamento do indíviduo em relação ao ambiente; a antropologia é o ser humano como ser cultural... E nós estudamos o ser humano no movimento intencional da transcendência. A fisiologia está lá, mas é superada. Como aquela expressão do Hegel, a verdade é o todo. Se eu não conheço o todo, não chego à verdade. Ora o todo, no treino, é o ser humano. Por isso não digo periodização tática, digo periodização antropológica e tática, porque ao mesmo tempo que preparo a tática, tenho de preparar o homem que faz a tática.

 

Costuma dizer que "só sabe de futebol quem sabe mais do que futebol".


Perfeitamente. Se não há jogos, há pessoas que jogam, saber de desporto não chega para estar no desporto. Isto é tão fácil. Mas para chegar aqui foi preciso estudar, foi preciso marrar. Não há jogos, há pessoas que jogam. E a partir daqui é que se vê o resto. Não posso passar a vida na tática se desconheço o resto. Muitas vezes, nas aulas, eu entrava com um livro do Torga, ou do Régio, ou do Jorge de Sena, ou do Rodrigues Miguéis, e dizia aos alunos que para perceber de desporto era preciso ler aqueles escritores.

 

E eles?


Hoje já me levam a sério, com o passar dos anos. Sei que fui um desestabilizador, mas um filósofo que não desestabiliza não é filósofo.

 

Continua a estudar?


Leio muito e dialogo ainda mais. Preciso muito do diálogo com os jogadores e com os treinadores desportivos. Saber é um trabalho de pura interdisciplinaridade entre a prática e a teoria. Convivi com grandes treinadores e aprendi com eles. O José Maria Pedroto, o Fernando Vaz - este gajo era um retórico, com uma cultura literária invulgar -, o Mário Wilson, o Artur Jorge, o José Mourinho e o Jorge Jesus. A todos devo o conceito que hoje tenho de futebol. E a questão não está na tática, está na forma como eu, como líder, sei estar em todas as situações necessárias num departamento de futebol.

 

Mas nós dizemos que o Jesus é o mestre da tática.


E fazem bem. O Jesus é o mestre da tática. O problema é que o futebol não é só tática. Vou-lhe contar uma conversa que tive uma vez com o Saviola, quando fomos almoçar fora ali numa tasquinha no Seixal, à beirinha da água. Perguntei ao Saviola pelos anos que tinha passado no Barcelona e quais os treinadores que tinha tido. Creio que me disse o Carles Rexach, o Rijkaard e o Van Gaal. Então perguntei-lhe dos três, qual lhe tinha parecido ser o melhor treinador. Resposta do Saviola, que não me respondeu, mas respondeu na mesma: "Eles de futebol sabiam todos, o melhor treinador é sempre o melhor nas relações humanas". Está a ver? Por isso é que eu digo, leiam os grandes escritores. Porque há esta mania, primeiro ano fisiologia, segundo ano treino... e anda-se a bater sempre no mesmo. Mas é à medida que compreendo melhor a vida que compreendo melhor o desporto. Como dizia Ortega Y Gasset, eu sou eu e a minha cirscunstância. Portanto quando me analisam não posso ser só eu. É a minha família, a minha cultura, a minha ideologia, a visão que tenho... há tanta coisa para ver.

 

Os jogadores também vão falar consigo?


Jogadores nem tanto. É mais treinadores. Com o José Augusto, António Simões... Eles fizeram parte da melhor equipa de futebol que conheci. Vejo futebol desde a década de 30, desde miúdo. As Salésias eram o único campo relvado do país e os jogos internacionais eram lá todos, e eu estava sempre lá. Ainda assisti à primeira final da Taça de Portugal que a Académica ganhou 4-3 ao Benfica. Estava lá a ver, com o meu pai, claro. Mas a maior equipa de futebol portuguesa de todos os tempos foi aquela equipa do Benfica. Nunca houve melhor. Eram os melhores da Europa. O Real Madrid estava a descer, mesmo com o Di Stéfano e o Puskás, e o Benfica tinha o José Augusto, o Simões, o Coluna... tudo aquilo era de luxo. Nós, lisboetas, íamos ver o Benfica como quem ia à ópera. "Eh pá, hoje joga o Benfica!" Já sabíamos que era espectáculo garantido. Grandes jogadores. Está por fazer-se uma homenagem àquela equipa. Não era só o Eusébio. O Eusébio secou o resto [risos]. Havia um central que foi o central com mais classe que já vi, o Germano. Tudo era bom. Uma equipa que vai três anos consecutivos à final da Taça dos Campeões Europeus... nunca aconteceu em Portugal. E dificilmente acontecerá.

 

Hoje em dia há alguma equipa que goste mais de ver?


Gosto de ver o Barcelona, de vez em quando. Viu o Barcelona-PSG? Qual era a tática? É capaz de me dizer? Ganhou a equipa que tinha génios. E nesse dia houve génio de alguém que dentro de dois ou três anos vai ser o melhor do mundo, o Neymar. Mostrou tudo o que tinha.

 

O que é para si um bom treinador?


É, em primeiro lugar, um gestor de conhecimento. Tem de se dizer isto, porque nós vivemos na sociedade do conhecimento. Uma pessoa que saiba organizar e organizar-se. Se sabe que vai treinar pessoas e não objetos, deve organizar-se mais para dirigir do que para comandar. Quem dirige põe os outros a pensar com ele, quem comanda normalmente não ouve os outros e quem ouve os outros aprende muito com eles. O treinador é especialista em humanidade.

 

E em futebol?


Se os jogadores não o aceitam como homem, de nada vale saber muito de futebol.

 

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publicado às 13:40

 

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Algumas das considerações de Jorge Jesus, em síntese, na conferência de imprensa de antevisão ao jogo deste sábado com o Nacional. Abordou as declarações de Rui Jorge, a lesão de Adrien Silva, a suposta eficácia de Bryan Ruiz e Bruno César a jogar na posição do capitão, o apoio dos adeptos, o encontro com Luís Filipe Vieira, e, entre os inevitáveis auto-elogios, ainda houve ocasião para prestar bajulação ao presidente. Em resumo, o usual Jorge Jesus, a falar muito mas a dizer muito pouco:

 

«Concordo plenamente com Rui Jorge. Todos os seleccionadores estão dependentes dos treinadores dos clubes. São os treinadores que formam os jogadores, não são os seleccionadores. É importante que os seleccionáveis estejam a jogar, mas jogar no Sporting é uma coisa e no Moreirense, para não cair de divisão, é outra. Por isso é que o Sporting e o Benfica lutam para o título, a qualidade tem de ser diferente».

«O Chico está lesionado, estamos a falar do Podence. Se há alguém que acredita no Podence sou eu, e ele sabe onde é que estava quando cheguei ao Sporting. Agora, temos de ter cuidado, formar os jogadores como formámos o Gelson, que já é uma certeza. Foi formado debaixo de um grande jogador chamado João Mário, teve o tempo dele e quando chegou disse presente».

 

«É a segunda vez, este ano, que Adrien vai estar de fora à volta de um mês e meio, dois meses. Praticamente, esta época, esteve quatro meses sem poder jogar. Segundo o Dr. Varandas, a recuperação está boa, dentro dos prazos que departamento médico estabeleceu, para que o Adrien possa ser uma solução daqui a uns jogos. Esta lesão obrigou-me a fazer alguns ajustes. Experiências. Não direi inventar, pois não inventei nada, mas acertei com o Bryan ou com o Bruno. Aquela posição tem estado bem ultimamente. O Bryan esteve bem no jogo com o Tondela».

 

«O Nacional é uma equipa que está, neste momento, a lutar para não cair de divisão e todos os jogos são como finais. Não é pela classificação que qualificamos o seu valor. Queremos, dentro do que temos feito nestes 5 jogos, ter um bom comportamento, qualidade, ser uma equipa alegre e dar alegrias aos nossos adeptos porque eles são especiais. São especiais, porque estamos no 3.º lugar, a correr para a frente, praticamente sem possibilidades e eles não se afastam. Cada vez acreditam mais no projecto desta equipa e, portanto, temos a responsabilidade de ser Sporting, jogar sempre para ganhar e satisfazer os adeptos em todos os jogos. Porque eles merecem».

 

«Estamos aqui para fazer o lançamento do jogo, mas está a falar do meu passado. Foi um presidente com quem trabalhei durante seis anos, como trabalhei com vários. Tive sempre uma boa relação com todos eles e, com o presidente do Benfica, é exatamente a mesma coisa. Quando estava no Benfica, também cumprimentava o presidente do FC Porto. A minha relação com as pessoas é uma coisa, com os clubes é outra. Felizmente, o meu pai ensinou-me a respeitar sempre o próximo e eu faço-o».

 
«Eles julgam que sim. É uma forma de querer calar (queixas do Benfica), de não te poderes exprimir em relação ao que é um facto, como foi o caso do jogo da Luz. Mas o presidente justificou muito bem, é o nosso líder e esteve à altura dos queixinhas. Como é óbvio, numa época desportiva, mesmo quando a conquistas, ela tem sempre de ser corrigida. Quando a analisas, como o Sporting não ganhar títulos, também tem de ser corrigida. Há coisas que fizemos bem e as coisas que não foram tão bem não se caracteriza só com leitura em relação à equipa, caracteriza-se àquilo que não nos deixaram fazer bem. A minha experiência e o conhecimento do presidente vão dar ideias para que o Sporting possa incomodar mais os rivais. O ano passado incomodou muito, quase totalmente».
 

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publicado às 05:01

 

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Em declarações ao jornal turco Ajansspor, Ahmet Nur Çebi, vice-presidente do Besiktas, desmentiu as recém-notícias que reportaram o interesse do clube turco na contratação de Jorge Jesus:

 

«As notícias de um alegado acordo com Jorge Jesus em nada correspondem à verdade. Não temos qualquer interesse».

 

Questionado quanto ao futuro do técnico Senol Gunes, cujo contrato termina no final da presente temporada, Ahmet Nur Çebi não esclareceu se a renovação irá avançar:

 

 «Não é a altura para falar disso. Temos o jogo com o Olympiacos para a Liga Europa, competição que queremos vencer. Somos melhores e espero que os planos não saiam furados».

 

Não temos conhecimento de causa e nem sequer pretendemos alimentar este cenário, mas como bem sabemos, no futebol, o que ontem era verdade hoje é mentira, e vice-versa.

 

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publicado às 03:16

Consideração do dia

Rui Gomes, em 13.03.17

 

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É muito improvável que haja qualquer fundamento concreto com os rumores que circulam esta segunda-feira que dão Jorge Jesus a mudar-se para a Turquia no Verão.

 

A acreditar, o Besiktas procura substituto para Senol Gunes que termina o seu contrato com os campeões turcos esta época e ainda não renovou. Jorge Jesus será um dos alvos prioritários, a quem estarão dispostos a oferecer seis milhões de euros líquidos por ano.

 

Um cenário improvável, como já referi, mas que poderia ser uma boa opção para o Sporting. Baixar significativamente a sua folha salarial e ver-se livre do enorme ego do melhor treinador do Planeta e arredores. Além do mais, a exemplo do que sucedeu com Leonardo Jardim, o negócio poderia permitir um encaixe financeiro agradável.

 

Já como Bruno de Carvalho irá conseguir viver sem o seu "camarada em armas" favorito, é uma conversa lateral.

 

Em 2015 constou que o Fenerbahçe tinha apresentado uma proposta a Jesus, contudo, foi rejeitada por motivos pessoais não revelados.

 

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publicado às 11:38

 

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Considerando o notório egocentrismo de Jorge Jesus é, mais vezes do que não, missão complicada fazer a distinção entre a sua sinceridade e a bazófia interesseira. Embora com alguma reserva, vou tentar dar-lhe o benefício da dúvida nesta ocasião.

 

O técnico do Sporting teve isto para dizer na conferência de imprensa de antevisão ao jogo com o Tondela, de modo a justificar a sua não utilização de Francisco Geraldes desde que foi "resgatado" do Moreirense:

 

«O Chico não tem características para ser um segundo médio. Vai ser um jogador ao estilo do João Mário. Jogar numa ala fechado ou a segundo avançado. É uma posição que tens de ter muita cultura táctica e ainda lhe falta isso. Todos estes jovens têm qualidade individual, mas o futebol tem duas componentes colectiva e individual.

Olhando para os 90 minutos de um jogo, tirando o Messi, em 80 minutos os jogadores não têm bola. Por isso se não ensinarmos os jogadores os aspectos tácticos não serve de nada ter muita técnica. Se passa 85 minutos sem bola no pé, não interessa nada. O Messi e o Ronaldo é que passam mais tempo com bola. Nós só olhamos para o jogador quando ele tem bola e não pode ser assim».

 

"Jogar numa ala fechado"...? Nem lhe reconheço características semelhantes a João Mário, mas será por isso que ele é o treinador e eu não.

 

Com tudo isto, continuamos a não perceber a real ideia de não o deixar terminar a época em Moreira de Cónegos, tal como Daniel Podence, aliás, mas há muito nesta pseudo-estrutura do futebol do Sporting que não está ao alcance de meros mortais.

 

Há quem diga que a inteligência de Francisco Geraldes intimida Jorge Jesus, cuja escassez de faculdades intelectuais é notória.

 

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publicado às 04:10

 

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Na sequência dos seus queixumes de Domingo após o empate em Alvalade com o Vitória de Guimarães, o jornal Record - novo "quasi-oficioso" porta-voz do Sporting - faz capa esta terça-feira a anunciar que Jorge Jesus "vai ter estrutura reforçada".

 

Bem... já sabemos que parte dessa equação é Azevedo de Carvalho, dado que o próprio anunciou há uns dias que iria assumir um papel mais activo no futebol (irá jogar ?). De resto, só dá para pensar que podemos esperar mais uma carrada de jogadores no Verão.

 

E, claro, como se tem vindo a verificar, uma grande aposta nos talentos da formação.

 

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(Actual estrutura do futebol do Sporting)

 

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publicado às 04:15

Agora dá para compreender...

Rui Gomes, em 06.03.17

 

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... Que tenho andado equivocado nestes últimos quatro anos, muito em especial nos dois com o melhor treinador do Planeta e arredores ao leme da equipa do Sporting. Segundo este, a essência do problema recai sobre o pouco tempo para Bruno de Carvalho e ele próprio, com todos os poderes que lhe foram concedidos, criarem uma estrutura para o futebol.

 

Perante esta explicação de Jorge Jesus, só tenho a dizer àquele sportinguista em cada dez que, como eu, não compreendeu a complexidade desta situação... bardamerda:

 

Eleições: "Mais importante foi a forma como os sócios demonstraram a grandiosidade do Sporting como clube. Foi, na minha opinião. Uma vitória do grande poder da equipa do Sporting e dos seus adeptos. Vai permitir que o clube tenha estabilidade para criar uma estrutura forte dentro e fora, para podermos fazer face à dinâmica dos rivais".

 

Crescimento para atingir nível de Benfica e FC Porto: "No ano passado parámos a dinâmica dos rivais, mas este ano não. Eles têm uma estrutura há vários anos e o Sporting está a começar".

 

Promessa para não falhar: "Falha, o que é falhar? Estamos há dois anos no Sporting. No último, fizemos um trabalho acima do que eu estava à espera. Foi um campeonato sensacional. Não fomos campeões por falta de estrutura. Estamos a trabalhar nesse sentido. O Sporting não é campeão há 15 anos e o caminho faz-se caminhando..."

 

Trabalho de Bruno de Carvalho: "O presidente tem feito um trabalho espectacular. Sei bem do que falo. Estes quatro anos vão dar mais tempo para ele criar uma estrutura forte e para podermos discutir o título".

 

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publicado às 05:58

Os milhões falam mais alto

Rui Gomes, em 04.03.17

 

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Jorge Jesus no jantar de encerramento de campanha

de Bruno de Carvalho realizado na Estufa Fria

 

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publicado às 11:00

 

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Cada vez mais aproximo-me de tomar uma decisão muito pessoal no que ao Sporting diz respeito. Os meus limites de tolerância esgotam-se visivelmente com o passar de cada dia perante o comportamento absolutamente ridículo tanto do ainda presidente Bruno de Carvalho, como do incontornável Jorge Jesus.

 

Ver e ouvir cada um deles individualmente já é missão que extrema a capacidade de meros mortais, mas os dois em conjunto ultrapassa tudo quanto é humanamente aceitável. O ridículo de cada um cresce na proporção em que dependem dele, e essa dependência é cada vez mais audível e visível, ao ponto em que se respira um clima no Clube em que não existe distinção entre achar sério o que é ridículo, e ridículo o que é sério.

 

Isto, a propósito das declarações de Jorge Jesus (comento Bruno de Carvalho num outro post) após o jogo com o Estoril:

 

"O Bas Dost marcou o seu primeiro golo de penálti. Um jogador que nunca marcou um penálti na vida dele, nos clubes por onde passou. Nem queria, quando chegou ao Sporting. Dizia ‘Ei não sei marcar penáltis’ e eu disse ‘não? Eu vou-te ensinar’. E já está a marcar e já fez um golo". (ver aqui).

 

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"Francisco Geraldes, Daniel Podence e João Palhinha são jogadores de futuro e acreditamos neles. O Palhinha já fez o segundo jogo a titular e o Francisco Geraldes e o Podence estiveram no banco. Estar no banco do Sporting já é um grande passo (Podence esteve em campo cerca de 30 segundos, entrando no jogo aos 90+1')".

 

"Fizemos um bom jogo, melhor a segunda parte do que a primeira, melhorámos muito defensivamente, já tínhamos melhorado frente ao Rio Ave. A equipa voltou a ser mais consistente nas suas ideias defensivas e isso deu tempo para fazermos golo. Sem ter muitas oportunidades marcámos".

 

A referência ao melhoramento defensivo frente ao Rio Ave só pode ser em relação a Rui Patrício, que evitou uma derrota por dois ou três golos de diferença.

 

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publicado às 06:22

 

  

Instado a comentar a ausência de Adrien Silva no próximo jogo

 

Adrien sofreu uma pancada no joelho, o mesmo que o afectou quando esteve parado. Mesmo assim, não posso dar mais dados, porque não sei. Será reavaliado pelo departamento médico, que vai fazer uma reavaliação. Não posso acrescentar mais nada. Mesmo assim, já não poderia jogar no Estoril. Hoje acabámos com muita juventude, com o Podence e o Palhinha, numa situação difícil, a ganhar por 1-0. Estiveram bem emocionalmente, confiantes... Temos de crescer, eles têm qualidade.

Temos uma semana para analisar. Temos várias soluções. O Bryan pode fazer a posição do Adrien, assim como o Bruno César. São jogadores que ofensivamente me agradam. O Palhinha também pode, mas é mais um jogador defensivo. Mas há solução e é importante haver.

 

Questionado sobre a hipótese de Francisco Geraldes vir finalmente a jogar

 

Não sei se o Xico joga naquela posição. Que eu saiba não joga. É segundo avançado, ala. Posso adaptá-lo para jogar ali, mas até o posso adaptar a central... Terá mais possibilidades nas posições em que jogava na formação e também no Moreirense, a segundo avançado.

 

Com ou sem ironias, é improvável que Francisco Geraldes vá ter uma oportunidade, mesmo pela ausência de Adrien Silva. Já agora, gostava de ver Bryan Ruiz naquela posição - a título de curiosidade - mas vai ser o homem dos sete ofícios, Bruno César.

 

Não passou despercebido Jesus preocupar-se em sublinhar que "acabámos com muita juventude", como se isso fosse um feito monumental, nas circunstâncias. Adrien Silva lesionado, a equipa a fazer uma exibição insofrível e nenhumas outras alternativas viáveis no banco.

 

Joel Campbell ainda se encontra em Portugal ou já regressou a Inglaterra ?

 

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publicado às 04:38

Até que ponto vai o ego desmedido ?

Rui Gomes, em 18.02.17

 

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Para quem me conhece e/ou acompanha o blogue, não é segredo algum que não sou e nunca fui fã de Jorge Jesus. Faço o possível para o tolerar, tendo em conta que é o actual treinador do Sporting, mas não são poucas as ocasiões em que me leva ao exaspero com as suas acções e/ou afirmações.

 

Por mera coincidência ou não (a recém-notícia sobre o possível descontentamento de Francisco Geraldes), Jesus foi instado a comentar a sua não utilização do jogador desde que foi "regastado" ao Moreirense, durante a conferência de imprensa de antevisão ao jogo com o Rio Ave desta sexta-feira. Não sou treinador de futebol e nunca sequer alimentei essa ambição, mas esta sua justificação é, na minha opinião, de bradar aos céus:

 

«Palhinha, Podence e Geraldes são três jogadores da casa, que regressaram em Janeiro e cada um com características diferentes, cada um com capacidade para ser solicitados durante o jogo e durante as jornadas. A adaptação à forma como trabalhamos não é fácil e os dois que mais se adaptaram à nossa intensidade de treino têm sido os que temos solicitado mais para os jogos (Palhinha e Podence)».

 

Um jogador que lhe chega às mãos com 20 jogos realizados na I Liga, 19 dos quais como titular, com cerca de 1600 minutos de jogo nas pernas (média de 80 minutos por jogo) ainda não se adaptou à "intensidade" dos seus treinos e, por isso, não está em condições de jogar ?

 

O enorme ego de Jorge Jesus já é bem conhecido, mas isto não se trata apenas de uma questão de ego, o homem é um intrujão de primeira ordem, não há outro termo para o descrever. Não sei por quanto mais tempo vou conseguir acompanhar o Sporting com este homem ao leme. Absolutamente exasperante !!!

 

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publicado às 04:01

"Temos dado sinais de melhoria"

Rui Gomes, em 13.02.17

 

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«Esta equipa do Moreirense é uma boa equipa, tinha ganho ao FC Porto e também ao Benfica na Taça da Liga. Já tinha derrotado dois rivais e tem jogadores na frente muito rápidos. Temos dado sinais de melhoria, jogámos bem no Dragão e contra o Paços em casa. Defensivamente ainda cometemos alguns erros, mais individuais - isso é normal porque quando não estás habituado a sofrer golos começas a ter dúvidas em alguns movimentos. Temos de trabalhar a equipa defensivamente porque, ofensivamente, faz golos.

 

As mudanças de táctica foram importantes, as alterações também - a entrada de Podence foi importante, deu largura à equipa, confundiu o adversário, ganhámos o flanco esquerdo e foi por ali que nasceu o 2-2. Esta é uma equipa com alma que anda atrás do prejuízo, não está na classificação que queiramos. Mas defendemos um clube que joga sempre para ganhar independentemente da classificação. Só os objectivos já não são os mesmos. A equipa está bem mental e fisicamente, não se dá por vencida. Mas hoje não estava Casillas do outro lado...».

 

Declarações de Jorge Jesus após o embate em Moreira de Cónegos. Vou deixar a análise ao leitor, mas não posso deixar passar a repetida referência a Casillas para justificar não sei bem o quê, quando o guarda-redes do Moreirense até esteve muito bem no jogo. Num dos golos que sofreu, salvo erro no de Alan Ruiz, a bola tabelou num defesa. A sua outra referência ao Sporting não estar habituado a sofrer golos, quando só na Liga já soma 24, o dobro dos rivais, é irrisório.

 

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publicado às 04:16

 

 

Mais uma vez Jorge Jesus tem razão e o resto do Mundo está errado, como não podia deixar de ser. O treinador do Sporting esclareceu-nos nesse sentido, na conferência de imprensa de antevisão ao jogo com o Moreirense.

 

O erro foi "nosso" ao ter deturpado ou mal interpretado as suas declarações relativamente a João Palhinha, criando um problema onde ele não existe. E, segundo Jesus, tudo se fica a dever a "uma marca desportiva que está há muito tempo no topo em Portugal, chamada cotovelite".

 

Perante tão acentuada clarividência, ficamos sem argumentos para ripostar.

 

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publicado às 05:21

Pedro Barbosa "arrasa" Jorge Jesus

Rui Gomes, em 11.02.17

 

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Pedro Barbosa criticou severamente Jorge Jesus no programa Mais Futebol da TVI24, relativamente às declarações do técnico sobre João Palhinha no final do clássico com o FC Porto. Indo um pouco mais além, o antigo capitão do Sporting apontou algumas verdades sobre a conduta e postura de Jesus, muito embora não seja nada que não se tenha já evocado neste espaço ao longo deste ano e meio da sua estada em Alvalade.

 

«Não lia guiões no meu tempo, mas normalmente davam-me as indicações certas... Pelos vistos o Sporting jogou só com Palhinha, impressionante, esqueceu-se de entrar com 11. 'Não levou o guião certo'... mas quem dá o guião, não é o treinador? 'Perdeu-se na primeira meia hora'... liderar não é isto. Jesus não respeita os seus jogadores, nem a massa associativa, nem os árbitros. Tem sido isto ao longo do tempo e as pessoas vão-se habituando. Isto não é mau, é muito mau. O que ele fez a um jogador que chegou há pouco tempo é muito mau. A responsabilidade da derrota é da equipa do Sporting e da sua figura maior, o treinador. É assim em qualquer equipa. Quando atacas um jovem desta forma, desresponsabilizando-te, é muito mau.

Sobre o apostar na formação "paga-se caro", recorde-se que esta equipa que estava a 9 pontos não tinha jogadores da formação, salvo Gelson e Rúben Semedo. É a tal desresponsabilização. Em Julho chegaram 11 jogadores. Não ficaram no plantel Mané, Iuri, Podence, Geraldes e Palhinha. Isto não é estratégia, é falta de rumo. Depois temos estas tiradas. Inacreditável. Assistimos depois esta semana aos jovens da formação a darem a cara pelo Sporting e a responderem... não sei se foram... se houve pressão para dizerem isto... isto é apenas Jesus no seu pior.

Jesus acaba sempre por surpreender pela negativa. Nenhum plantel se revê neste tipo de declarações. Se fosse jogador não gostava de ver um treinador atacar um colega meu desta forma. Imagino como se tenham sentido. Não entendo...».
 
Nada mais se pode acrescentar. Tudo isto é apenas a verdade nua e crua relativamente ao actual treinador do Sporting. Só não vê quem não quer ver !
 

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publicado às 10:00

 

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Nuno Saraiva esteve uns dias calado, mas foi "sol de pouca dura", lamentavelmente. Depois de um resultado desportivo menos agradável, há sempre a necessidade de desviar atenções e, para o efeito, fomos brindados com mais uma ignóbil missiva de Facebook, a usual panaceia contra todas as maleitas. Este tipo de comunicações já está a provocar náuseas. Eis um breve excerto do mais "importante":

 

«Passaram as últimas 24 horas, tal como o têm feito sempre, mergulhados na mentira e na busca incessante de divisões e fracturas entre o presidente, o treinador e os jogadores. Inventam-se revoltas no balneário e viram-se ao contrário as declarações de Jorge Jesus para servir o propósito e a agenda de quem nos quer desestabilizar».

 

É possível que me tenha passado despercebido, mas não li nem ouvi nada significativo sobre "divisões e fracturas entre o presidente, o treinador e os jogadores". Creio que o centro de atenção foi Jorge Jesus, tanto quanto às suas opções no Dragão e, muito mais, sobre o seu discurso pós-jogo. Neste contexto, Nuno Saraiva demonstra a falta de respeito que ele e a actual Direcção do Sporting têm pelos adeptos, ao afirmar que as declarações de Jorge Jesus foram "viradas ao contrário", quando todos nós as ouvimos in loco e não deixaram margem para interpretação errónea.

 

Lamenta-se que se viva este constante insofrível clima no Sporting de momento. Pior ainda, aparenta haver um bom número de sportinguistas que pretende prorrogar este flébil estado das coisas por mais quatro anos. Eventualmente, não duvido, minimamente, haverá o inevitável ajuste de contas, mas até lá ainda temos muito a sofrer, a começar com o próprio Clube.

 

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publicado às 04:18

As coisas simples da vida

Drake Wilson, em 06.02.17

 

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Coisas que não se esquecem

 

Inglaterra, Dezembro de 1987. O tímido Sol londrino tardava em raiar, depois de uma noite em branco na qual as horas desfilavam por entre o diagnóstico de papéis e relatórios. Aquele seria o dia mais importante da minha vida profissional até então – se algo falhasse… bem, não podia falhar mesmo. Felizmente que naquele dia de chuva intensa tudo acabaria por correr bem, não apenas em Londres como também em Lisboa – o Sporting nessa noite derrotava o Benfica por 3-0 em pleno Estádio da Luz, num jogo a contar para o troféu Supertaça. Apraz-me recordar a camisola do Sporting que me acompanhava na mala de viagem (superstição suponho), assim como o telefonema do meu irmão a dar notícia do acontecimento. Paulinho Cascavel, que tinha sido contratado ao Guimarães, marcou um dos referidos tentos. Burkinshaw era o nosso treinador, e João Amado de Freitas o Presidente – injustamente um dos mais “underrated” Presidentes do Sporting. Outros tempos, velhos problemas, outras conversas.

 

Naquele período, o sistema financeiro em Inglaterra estava num saco de gatos, em contraste com a prosperidade especulativa do início desse ano, um pouco por todo o Mundo – interessante que ao inverso, no Sporting a contenção estava na ordem do dia. As exportações atingiam níveis como nunca, o consumo estava em alta. Em Londres, todo o milionário abria um restaurante de luxo, e até o “jovial” Richard Branson lançava uma marca de preservativos(!). No início do último trimestre porém, uma macro depressão global – com origem no conhecido problema da bolha especulativa que ninguém se preocupou – provocaria o descalabro na Bolsa de Londres (e outras Internacionais), com o mercado de Capitais a entrar num autêntico frenesim. Em consequência, negócios em ruína, preços a cair, com o Governo a impor uma super inflação para suster a crise, sem efeito. Obviamente, um período fértil para as divisas de Oriente e Médio Oriente surgirem. Curiosamente, foi este o início de grandes investimentos na indústria do futebol em terras de Sua-Majestade por parte de investidores não-britânicos. Outras conversas.

 

Pequenas coisas da vida, simples, que nos marcam

 

Voltando ao dito dia de Dezembro. Naquela noite, para celebrar (por dois motivos, recorde-se), fui jantar a um dos mais hipster-restaurant do momento, cuja propriedade estava dividida entre o empresário Nigel Martin e um inarrável famoso Chef de cozinha e ferrenho adepto de um clube de Manchester – naquele momento, até os Chef’s de cozinha eram quase milionários. Em virtude do comum interesse pelo desporto-rei, acabei por oferecer ao Chef o referido jersey do Sporting, recebido de modo muito apreciado pelo excêntrico profissional. Ficámos amigos. Uns anos mais tarde (25 mais propriamente), em Manchester, assistimos os dois a uma das maiores efemérides desportivas internacionais do Sporting – o leitor deve lembrar-se qual. Ele trazia a dita camisola vestida, por fair-play à nossa amizade. Um acto que me surpreendeu, que muito apreciei. Uma camisola que me “deu” sorte, uma vez mais. Pequenas coisas da vida.

 

Coisas do costume

 

A vida é uma coisa simples, acessível. Sempre desconfiei daqueles que muito teorizam sobre o que sabem, sobre o que alcançaram por mérito próprio, sem que daí consigam explicar o óbvio dos seus infortúnios. Acredito que quem usa e abusa da voz para explicar com cientologia coisas triviais, nada mais deseja do que promover intencionalmente a inércia e apatia de quem escuta. O discurso, baseado no inimigo invisível ou num infame sistema, afim de promover a desresponsabilização por ausência de competência, nada mais serve do que para enganar as pessoas que ficam convencidas, viram costas, acreditando que está tudo bem. E nem sempre está, como se regista nesta época. Para mim, olhando para o quadro geral, uma das mais frustrantes de sempre.

 

Jorge Jesus e Bruno de Carvalho são os dois, num imaculado conjunto, o maior biscate que poderia ter acontecido ao Sporting. O treinador mais uma vez se revela meretriz de Pinto da Costa e do FC Porto, para geral indiferença de quem já pouco se importa. Um abraço a Casillas e uma palmada a Palhinha é o simbolismo de um frete de quem anda a ganhar milhões e não consegue provar que sabe mais de “bola” do que um Vitor Pereira, Vilas-Boas ou Nuno Espírito Santo. Tem de haver uma explicação simples para isto, tal como para um índice de aproveitamento de 55% no Campeonato – que a alguns pouco preocupa, pois está ainda distante dos 36% de 2013. É disto que o Sporting tem de viver?

 

E depois, é nas pequenas coisas simples se vê a diferença. André ou Castaignos, como Barcos ou Teo. No convento de Alvalade, qualquer alma perdida tem salvação. Depois, lá surgem os Tiquinhos Soares desta vida. Dono de fisionomia singular de um qualquer mercenário sul-americano, sem pescoço, ombros largos e de olhar assustado sempre que a bola está na mira, a confirmar que o Sporting tem mesmo um fetiche – é o único Clube no mundo que tem sempre duas pré-épocas na mesma temporada. A primeira, recheada de ingredientes e ilusões, serve para entreter a soberba. A segunda, serve sempre para preparar o futuro. Fica uma equipa de retalhos, impreparada, mas cheia de futuro... O problema, é que com o biscate do costume, nem vale a pena falar de futuro, pois o presente é o que se vê.

 

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publicado às 11:00

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