Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Jorge Jesus procura extremo esquerdo

Rui Gomes, em 08.06.17

 

É sempre causa para suspeita a origem destes apontamentos noticiosos, contudo, de vez em quando até acertam. Este último, relativamente ao alegado desejo de Jorge Jesus em ter um novo extremo esquerdo, dado que os que existem no actual plantel não lhe "enchem as medidas".

 

Jorge+Jesus+Sporting+CP+Training+Press+Conference+

 

O técnico já terá definido o perfil do jogador para esta posição: inteligente, forte fisicamente, tecnicamente evoluído. Se o jogador tiver ainda experiência internacional tanto melhor.

 

Uma das opções em cima da mesa seria a de Fábio Martins, extremo do SC Braga que em 2015/16 representou o Desportivo de Chaves, como já referimos num outro post. Desconhecemos, no entanto, se o jogador agrada a Jesus.

 

Recorde-se que o Sporting tem para esta posição três jogadores: Bryan Ruiz, Matheus Pereira e Bruno César. O costa-riquenho baixou de forma, até consta que está na lista dos transferíveis e caso acabe por ficar, o seu rendimento é uma incógnita. Uma segunda opção é Matheus Pereira, embora na minha opinião não seja um extremo natural, mas ainda é jovem e é muito provável que venha a ser emprestado. Por fim, temos Bruno César, o homem mais polivalente da equipa no desempenho de várias posições. Tem sido útil mas nunca é uma solução total, pelo menos ao nível que se deseja para um Sporting ganhador.

 

Não duvido, minimamente, que a real preferência de Jorge Jesus é ir fora fronteiras contratar uma "truta" cara mas experiente. Se Bruno de Carvalho está disposto a fazer-lhe vontade é uma proposição sem resposta neste momento.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:58

O "fumo" não desaparece

Rui Gomes, em 30.05.17

 

Ou é mesmo verdade ou, então, é a comunicação social que insiste em alimentar um caso sensacionalista para seu próprio benefício.

 

Após a recém-afirmação do presidente do Paris Saint-Germain sobre o futuro de Unai Emery ao leme do clube francês, ficou a ideia de que o assunto era, na realidade, um não assunto, e que a ida de Jorge Jesus para Paris não era mais do que uma história de ficção fruto de uma qualquer muito fértil imaginação.

 

psg-antero-henrique-deja-au-travail-avant-meme-de-

 

Dito isto, Antero Henrique chegou esta segunda-feira a Paris, devendo ser anunciado nas próximas horas como o novo director-geral do futebol do PSG e, insiste a comunicação social, continua com o nome de Jorge Jesus em carteira para o comando técnico da equipa parisiense.

 

Sabendo-se que os argumentos financeiros não são um problema para o PSG e admitindo que esta será mesmo a perspectiva de Antero Henrique, veremos, então, se ele poderá convencer os dirigentes do seu novo emblema a apostar no ainda treinador do Sporting.

 

Pode não haver fogo, mas o fumo não desaparece.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:42

Vai e não voltes !

Ricardo Leão, em 26.05.17

 

img_770x4332016_01_30_02_05_08_1057975.jpg

 

Seria a melhor venda de Azevedo de Carvalho. Era demasiado bom para ser verdade!

Mas a esperança é a última coisa a morrer!

 

PS - Podes levar o ainda presidente contigo. Sem custos.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:58

Novos rumores sobre Jorge Jesus

Rui Gomes, em 26.05.17

 

rumores-mercado.jpg

 

É possível que o futebol não esteja no topo da tabela de rumores desportivos, mas não deve estar muito distante.

 

Já há vários dias que consta na praça que Antero Henrique poderá ser apresentado em breve como director desportivo do PSG. Pelo menos é o que adiantou o jornal francês L'Équipe, que garante que o antigo dirigente do FC Porto será apresentado nos próximos dias. No entanto, outros rumores indicam que ainda há pormenores a acertar, pelo que a situação não está ainda completamente concluída.

 

Agora, um site francês voltou à carga e acrescentou um novo nome à equação. Segundo o Le10Sport uma das mudanças que Antero Henrique vai levar a cargo será a de treinador, com Unai Emery a ter os dias contados como treinador do PSG.

 

Assim, na lista de nomes que Antero quer a liderar a equipa está o do português Jorge Jesus, do Sporting, que, segundo o site, é amigo do dirigente português e que poderia, por isso, rumar à capital francesa.

 

Rumores não faltam para divertir os adeptos enquanto a bola não regressa às quatro linhas. Sendo verdade, talvez haja aqui uma nova oportunidade para Bruno de Carvalho fazer mais uns milhões com um treinador.

 

Adenda: Jornal de Notícias adianta que Jorge Jesus já tem na sua posse uma proposta do Paris Saint-Germain e que está muito tentado a ter a sua primeira experiência no estrangeiro. Mais, na notícia é dito perentoriamente que o PSG não terá qualquer problema em pagar a indemnização ao Sporting relativamente aos dois anos de contrato que Jesus tem ainda por cumprir. Ou seja, grosso modo estamos a falar de 15 milhões de euros.

O jornal ressalva que Bruno de Carvalho já foi inteirado por Jorge Jesus da oferta do PSG e que "dificilmente" o presidente do Sporting, que está na Roménia a acompanhar a equipa de andebol, terá argumentos para manter o treinador em Alvalade. A finalizar, é dito que a saída de Jorge Jesus pode ser anunciada nas próximas horas.

 

Na minha opinião, tudo isto é mero fogo de artifício para adornar as páginas noticiosas cá do burgo. Jorge Jesus vai continuar no Sporting na próxima temporada. Ponto !

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:44

Quantos reforços quer Jorge Jesus ?

Rui Gomes, em 24.05.17

 

A867UWVW.jpg

 

Será a pergunta que mais inquieta os adeptos nesta altura e muito em especial após uma época de tão vincado insucesso.

 

Alguns rumores noticiosos dão o técnico do Sporting a exigir mudanças imediatas no plantel, com cinco reforços para todos os sectores da equipa: dois defesas esquerdos, um médio ofensivo, um extremo esquerdo e um avançado.

 

Desta forma, Jesus poderá não contar com Marvin Zeegelear e Jefferson para a próxima temporada e quer precaver as possíveis saídas de William Carvalho e Bryan Ruiz, para além de tentar encontrar um parceiro para Bas Dost na frente do ataque.

 

Este será um dossier importante para a SAD do Sporting, visto que o treinador pediu para tentar assegurar os reforços o mais cedo possível, para que possa começar logo a trabalhar com os novos jogadores, ao invés do que aconteceu na época passada, em que apenas Alan Ruiz e Petrovic participaram no estágio na Suíça.

 

Recorde-se que o Sporting já assegurou três reforços para a próxima temporada, com a contratação de Mattheus Oliveira (Estoril), André Pinto (SC Braga) e Cristiano Piccini (Bétis de Sevilha).

 

Não obstante os desejos de Jorge Jesus, é de esperar que Bruno de Carvalho pretenda realizar uns largos milhões através de vendas, proposição que muito provavelmente implicará transferir jogadores considerados nucleares, a exemplo dos dois médios, William e Adrien, e porventura até Gelson Martins, embora este seja um caso especial por razões óbvias. Isto, para além de reequilibrar financeiramente a SAD, mas também para proporcionar o precioso fôlego se de facto é a intenção ir ao mercado fazer mais compras, na sequência de um enorme investimento em 2016/17 com os resultados conhecidos.

 

Além de alguns excedentários, William será, de resto, o jogador do plantel que demonstra maior abertura para transaccionar, mas os responsáveis da SAD sabem que a negociação do internacional, por si só, será insuficiente para atingir o valores pretendidos. Portanto, a confirmarem-se as perspectivas mais realistas, o Sporting poderá perder mais do que uma jóia da sua coroa. O próprio técnico Jorge Jesus está preparado para a eventualidade de perder elementos nucleares e já o exprimiu publicamente.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:35

O Sporting segundo Jorge Jesus

Rui Gomes, em 22.05.17

 

Considerações de Jorge Jesus, em conferência de imprensa, no final do último jogo da época 2016/17, frente ao Chaves:

 

jesus-2.jpg

 

Atitude da equipa: "Equipas que perdem os objectivos, queira-se ou não, perdem a alma e crença. Atitude há, mas perde-se a crença. Esse problema passa-se com todas as equipas que entram neste processo.

 

Futuro da equipa: "Temos de ir à procura do Sporting do primeiro ano. Foi um ano muito forte. Só não fomos campeões. Adeptos acreditaram que este ano seria mais fácil. Temos de nos preparar para a próxima época os nossos rivais lutam pelo título há muitos anos."

 

Estrutura: "O Sporting, para se equilibrar tem de fazer um esforço muito grande. Tem estado a melhorar muito em termos de infra-estruturas. Adeptos pensam que, para ser campeão, é só escolher um treinador e jogadores e está feito. Não chega. Tem de criar estruturas e uma cultura de quem não ganha há 16 anos. Não é de um ano para o outro. No primeiro ano ia sendo um milagre. Faltou pouco. Temos de ter capacidade financeira para podermos adquirir jogadores e estar ao nível dos nossos dois rivais."

 

Jogadores da Academia: "Academia será sempre o futuro do Sporting. Nenhum treinador pôs tantos jogadores da Academia a jogar como eu. Talvez o Paulo Bento. Mas não é só esse o caminho. A Academia não consegue criar uma equipa para ser campeão. Temos de fazer uma junção da qualidade dos jogadores da Academia, que andam a suportar isto, com jogadores de fora, de qualidade."

 

Críticas dos adeptos: "Quando não se ganha, arranjamos questões para se poder apontar à equipa. Se não ganhamos é porque algo não está bem. Queríamos acabar com uma vitória para dar aos adeptos. Mesmo sem objectivos demonstraram que estão com a equipa. Fizemos espectacular."

 

ng8537381.jpg

 

Balanço da época: "Fizemos menos 16 pontos que no ano passado. É uma grande diferença. Na primeira época fizemos 86 e agora 70. O campeão deste ano fez 82... Foi o que foi. Temos de assumir. o Sporting para ser campeão precisa recuperar muito tempo perdido. As pessoas não valorizam nem sabem o que se está a passar. Não é por acaso que os rivais têm a hegemonia no futebol português, estamos à procura do nosso caminho para chegar ao nível dos nossos rivais. O Sporting não estava habituado a contratar jogadores de 10 milhões, mas é só com esses jogadores que podes fazer equilíbrio com os nossos rivais, que compram jogadores de 20 milhões".

 

Evolução de Gelson ao longo da época. "Cresceu muito colectivamente. Jogava muito sozinho e hoje sabe jogar com a equipa. Tem uma disciplina tácita de realçar. Está um jogador mais completo e cada vez melhor."

 

Bas Dost: "Fez um grande campeonato. Sporting foi contratar um jogador por 10 milhões, algo que para o Sporting era fora do normal. Conseguiu-se porque alavancamos o Sporting no primeiro ano com condições financeiras para acontecer isto. Mas perdemos muita coisa e isso reflectiu-se na equipa. Espero que, no próximo ano, possamos ter capacidades financeiras para adquirir jogadores com patamar de qualidade."

 

Estreia de Gelson Dala - "Está a treinar comigo há duas semanas, não conhece as ideias da equipa em termos de estratégia. Vai ter tempo de fazer a pré-época e de mostrar-se no próximo ano que ainda vai ser de adaptação."

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:29

 

Poderá ser entendido como um ponto final na especulação em torno da (não) continuidade de Jorge Jesus como treinador do Sporting, mas, na realidade, para os mais atentos, nunca houve grandes dúvidas sobre isso, e algum sombrio que existia foi rapidamente suprimido com o surgimento em cena de José Maria Ricciardi.

 

img_770x433$2017_05_16_01_38_34_1265302.jpg

 

Presidente e treinador estiveram finalmente reunidos esta segunda-feira, em Alvalade, e muito embora detalhes do encontro ainda não tenham chegado à praça, não é segredo de Estado algum a agenda de discussão sobre a mesa. Além de lapidar algumas arestas pontiagudas inerentes ao que se tem passado nestas últimas dolorosas semanas, os dois "cabeças" do futebol leonino terão debatido os prós e contras (mais contras do que prós) da época que no próximo domingo chega ao seu termo, assim como o futuro do futebol verde-e-branco.

 

Indiferente do que terá ocorrido e das opiniões que decerto se fizeram ouvir pelas partes, o que sai cá para fora é que a reunião de cerca de duas horas terminou num "clima de convergência de posições" e que presidente e treinador estão em perfeita "sintonia". Nada menos seria de esperar.

 

Mais uma vez somos confrontados pela forte indicação que este é o enquadramento real da chamada "estrutura" e que o (in) sucesso da próxima temporada depende exclusivamente da capacidade de planeamento e liderança destas duas figuras. As contratações já começaram e partimos do princípio que foram levadas a cabo com o aval mútuo. Por muito que se possa opinar neste momento sobre os dois novos reforços, só o passar do tempo esclarecerá se são de facto mais-valias. Para já, nenhum deles deslumbra com o seu currículo, mas será prematuro e injusto adiantar muito mais.

 

Seria interessante saber as exigências que Jorge Jesus terá apresentado no que diz respeito ao plantel, assim como a disponibilidade, financeira de não só, de Bruno de Carvalho, ao que concerne a venda de activos. Ainda com o apoio da Banca, tudo indica, muito leva a crer que ele evitará a saída especialmente de jogadores considerados nucleares, salvo por números irrecusáveis. Coincidentemente, neste contexto, leu-se a notícia referente à presença em Lisboa de representates de Adrien, jogador que decerto terá interessados no mercado.

 

Confesso que não sinto muito entusiasmo - pelo menos o entusiasmo que sempre senti ao longo dos anos - com a expectativa de ver o plantel do Sporting complementado com talentos reconhecidos. Muito terá a ver com a minha pouca, para não dizer nenhuma, confiança nas duas supracitadas figuras, mas vamos esperar para ver se o futuro não muito distante nos oferece alguma causa para um maior optimismo.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:09

Jorge Jesus explicou... muito pouco !

Rui Gomes, em 14.05.17

 

mw-860.jpg

 

«Não fizemos um mau jogo, mas tivemos alguma falta de crença e de confiança, não direi de motivação, mas a derrota no último fim de semana sentiu-se neste jogo. Voltámos a sofrer dois golos de bola parada, outra vez numa grande penalidade desnecessária. Temos vindo a cometer alguns erros que nos penalizaram nestes dois jogos. É uma equipa que nota que se entrega ao jogo, mas o jogo é que manda sem ter objectivo. A equipa esteve abaixo em relação ao que costuma fazer.

 

Para além de acabar a época bem, o Sporting tem de ter muito cuidado. O grande problema vai ser o início da próxima época. O Sporting vai ter a eliminatória da Champions, vai ter 9/10 jogadores na Taça das Confederações e Europeu sub-21. Vai fazer a pré-época com 10/11 jogadores e essa é a grande preocupação. Tenho de me preocupar com isso. Não há volta a dar».

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 05:03

 

Há causa para acreditar que José Maria Ricciardi e Jorge Jesus encontraram-se esta quarta-feira no Hotel Ritz em Lisboa. Neste momento - não obstante especulação jornalística - desconhece-se se o encontro foi de mera forma casual ou se houve uma outra agenda.

 

img_FanaticaBig$2017_05_10_23_14_09_1262699.jpg

 

O timing, pelos rumores que circulam na praça sobre o futuro de Jorge Jesus, é intrigante e não surpreenderá que venha a servir de pano de fundo para as inevitáveis manchetes noticiosas.

 

Pelo facto de José Maria Ricciardi ser um conhecido banqueiro e membro do Conselho Leonino, haverá quem se dê a adiantar que o contrato de milhões do treinador foi o alvo principal da conversa, mas, na minha opinião, a haver uma agenda, esta não passou de uma tentativa a serenar os ânimos, provavelmente a pedido de Bruno de Carvalho, dado que Jesus não terá gostado das suas recém-palavras.

 

Entretanto, a reunião do presidente do Sporting com o treinador ainda não se realizou nem tem data marcada, mas tudo indica que terá lugar num futuro muito próximo.

 

Já referi em outros escritos e não hesito em reiterar que neste momento não acredito no 'divórcio' entre Bruno de Carvalho e Jorge Jesus. É por de mais evidente que decisões têm de ser tomadas em relação à próxima época, mas um novo treinador não faz parte da equação.

 

Com ou sem razão, face à exibição e consequente resultado diante o Belenenses, mais uma prova da incapacidade de liderança e egocentrismo de Bruno de Carvalho ao trazer para a praça pública uma 'conversa' que devia ter ficado no foro interno. Com timing mais oportuno e em termos mais adequados, poderia então ter dirigido uma mensagem aos adeptos, evitando todo este desnecessário e pouco salutar sensacionalismo.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:59

 

img_770x433$2017_01_13_12_13_24_1207009.jpg

 

A bem dizer, isto chegou a um ponto em que Jorge Jesus nem merece ser comentado, tal o nível da sua oratória para desculpar o que foi à vista até dos mais distraídos uma época muito mal planeada e conseguida. Há meses que a equipa do Sporting deixou de ter objectivos pela frente, mas, mesmo assim, o treinador de milhões (de euros) ainda tem a ousadia e o indecoro de apontar responsabilidades a tudo e a todos menos a si próprio, e, já agora, ao presidente.

 

Na conferência de imprensa de antevisão ao jogo de hoje com o Belenenses, Jorge Jesus teve isto para dizer ao ser questionado se o Sporting ainda estaria na luta pelo título caso o vídeo-árbitro tivesse sido introduzido no início da época:

 

«No primeiro terço do campeonato, 10/11 jogos, é muito importante tu não perderes o pelotão da frente. Não pelo que tu jogavas mas porque foste empurrado. Se fosse uma etapa de ciclismo, meteram-nos muitas pedras no caminho e empurraram-nos. Mas continuamos a saber andar de bicicleta. Fomos obrigados a percorrer um caminho que já não conseguimos recuperar».

 

Decerto que nas outras competições da época e na Europa a causa do descalabro terá sido o mesmo !?!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 05:32

 

Jorge Jesus agradeceu esta quarta-feira as "palavras de apoio e solidariedade" na sequência da morte do seu pai, Virgolino de Jesus, aos 92 anos, na semana passada, assim como a presença de todos aqueles no velório na Igreja Velha da Amadora:

 

img_770x433$2017_05_03_11_00_31_1259278.jpg

 
"Venho por este meio agradecer às muitas centenas de pessoas, de todos os quadrantes clubísticos e sociais, que, nos últimos dias, se me dirigiram fazendo-me chegar palavras de apoio e solidariedade na sequência do falecimento do meu Pai.

Humanamente, e em consciência, não podia ficar indiferente a tantas manifestações de carinho e afeto que, não podendo naturalmente diminuir a dor da minha perda e da minha família, me encheram a alma, incentivaram e ajudaram a enfrentar estas horas tão difíceis.

O Desporto em geral e o Futebol em particular, ao longo das últimas décadas, têm-me mostrado que, para além das rivalidades saudáveis, existe algo muito mais importante: a solidariedade e o respeito pelo ser humano.

Estou, por isso, profundamente grato a dirigentes, treinadores, atletas, árbitros e aos muitos cidadãos anónimos que fizeram questão de, através de mim, prestar homenagem ao meu Pai.

Obrigado a todos,
Jorge Jesus"

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:39

 

Jorge Jesus, um dos oradores no congresso internacional The Future of Football, teve isto para dizer sobre o desempenho de um treinador e os sistemas de jogo:


«Qual é a influência do treinador no treino? Entendo que o treinador é um criador. Do quê? Da filosofia que ele tem, das ideias de equipa, do método e dos objetivos do treino e também da ciência, que hoje nos ajuda a controlar o treino em várias vertentes.

 

img_FanaticaBig$2017_04_26_19_34_59_1256276.jpg
Porque é que eu defino que o treinador é o criador? Porque tentamos desenvolver estas competências. Não levem a mal o que vou dizer: isto não é uma cartilha coletiva, é uma ideia que eu tenho das competências do treinador. As três questões são básicas: sistema, modelo de jogador e de equipa, são estes os princípios fundamentais para um treinador ter influência na equipa.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:14

Jesus a perder a graça ?

Leão Zargo, em 26.04.17

 

20391799_1azzF.jpg

 

 

Para muitos sportinguistas, Jorge Jesus perdeu a graça. Nas conversas, no Estádio de Alvalade ou nas redes sociais percebe-se isso mesmo. Os aspectos negativos do seu trabalho sobrepuseram-se (e muito) aos aspectos positivos.

 

Cada vez mais adeptos leoninos recordam que a equipa que conquistou a Supertaça foi quase a mesma da final da Taça de Portugal em 2015. Concluem que Jesus deu seguimento ao trabalho de Marco Silva. Este ano, a pré-época foi mal preparada. Com Jesus, jogadores medianos tornaram-se medíocres. E grandes jogadores não chegaram ao estrelato. Nele, a relação custo – benefício é catastrófica. O próprio salário. O fiasco de tantas (demasiadas!) contratações. Um plantel com uma massa salarial absurda. A Formação que parece que secou. O absoluto fracasso desportivo de uma época errática (2016-17). As desculpas de mau pagador. As incoerências. A prosápia. Na verdade, ninguém pode ser ele mesmo e o seu oposto. Ou é, ou não é.

 

Era crucial vencer o derby do fim-de-semana. Por várias razões, nomeadamente por três: reafirmar o orgulho leonino, garantir a dignidade competitiva da equipa até ao fim da época e lançar a próxima. Jesus não teve a ambição de ganhar, jogou para não perder. Ederson não defendeu sequer um remate. À lentidão geral do jogo da equipa, juntou a lentidão natural de Bryan Ruiz. A entrada de Podence aos 80 minutos tornou-se reveladora. Quase que não houve um canto, um livre ou um lançamento da linha lateral que revelassem preparação nos treinos. Agora, o Sporting de Jesus para alcançar a pontuação do Sporting de Marco Silva tem de vencer todos os jogos até ao final do Campeonato.

 

Uma coisa é certa, quem perde a graça, mais cedo ou mais tarde, cai em desgraça. Não há volta a dar a isso.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:07

Jorge Jesus vs Rui Vitória

Rui Gomes, em 20.04.17

 

img_infografias$2017_04_19_08_34_32_1253415.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:45

 

img_770x433$2017_04_01_15_41_55_1245266.jpg

 

«Clássico? Seja qual for o resultado, não favorece o Sporting».

 

«Normalmente, sou eu que estou a discutir os primeiros lugares. Estou habituado a estar lá em primeiro».

 

«O Matheus, o Podence, Gelson, Semedo, Esgaio, o Francisco Geraldes e o Palhinha estão numa estratégia que temos em função da qualidade dos jogadores».

 

«Com os jogadores que já perdi, tinha feito grandes equipas ao longo dos anos, não só para Portugal, mas para disputar a Champions».

 

«Quando vim para o Sporting foi para ser campeão. Nunca me vou esquecer que fiz 86 pontos e não fui campeão».

 

«O presidente e o Octávio têm grande responsabilidade no Sporting. Estamos sempre em sintonia quando temos razão. E isto são questões factuais. O que disseram já está dito».

 

«Arouca tem jogadores com alguma qualidade, mas nós jogamos com a pressão da vitória e temos de jogar para sair de lá com a vitória».

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:05

 

Manuel Sérgio tem 83 anos e é licenciado em Filosofia pela Universidade de Lisboa, doutorado e professor catedrático convidado (jubilado) da Faculdade de Motricidade Humana.

 

Apresentamos um excerto de uma entrevista sua ao jornal Expresso, conduzida pela jornalista Mariana Cabral, em que adianta um bom número de considerações sobre treinadores de futebol portugueses. Para o efeito deste post, por razões óbvias, damos destaque ao que é relevante a Jorge Jesus, com quem Manuel Sérgio já trabalhou.

 

manuel_sergio12.jpg

 

Já foi a Alvalade ver o Jesus?


Já, claro. E já fui à Luz e ao Dragão. O Jesus é muito meu amigo. Ele tem lá a sua maneira de ver o futebol.

 

Mas essa maneira de ver o futebol não é contrária à sua?


É.

 

Então como é que trabalharam juntos no Benfica?


Entendiamo-nos. Vamos lá ver, o Jorge Jesus é muito boa pessoa, é um bom tipo. Só posso dizer bem dele. É como o Pedroto, era um tipo que gramava à brava ouvir-me. É muito giro isto. Você sabe que sou um tipo pobre, não tenho casas ricas para lhes dizer "venha aqui ter comigo". Eles vêm para conversar. São indivíduos curiosos, porque ouvem um falar diferente e querem saber mais: "O que é que este gajo terá para dizer?" O Pedroto era um grande treinador de futebol. Muito curioso.

 

Como é que o conheceu?


Eu era amigo de um médico chamado Aníbal Costa, que foi durante muitos anos o presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Desportiva. Um dia ele pediu-me para ajudar o filho. "Veja bem que o meu rapaz quer ir para medicina, eh pá, mas está com 11 em filosofia. Você tem de segurá-lo e tal". E então comecei a dar-lhe umas explicações. No 2ª período passou para 15 e no 3º teve 17. Fiquei bem visto [risos]. É engraçado, eu sou um tipo com sorte. Tenho gente de cultura que gosta de falar comigo. E agora vai haver o colóquio onde gente do melhor da nossa cultura vai falar. E eu não pedi a ninguém. Eu nem quero dizer o que eles me dizem, tenho vergonha, se não as pessoas dizem que sou um vaidoso.

 

Um pianista para ser melhor pianista não corre à volta do piano. Senta-se e toca piano.


Precisamente. Se anda ali às voltas um gajo nunca mais lá vai. Falava nisso nas aulas.

 

O Mourinho depois citou-o nisso, correcto?


Pois, creio que sim. Mas um tipo com a minha idade, às vezes... Como um sou um furioso na leitura, leio muito e estudo muito, é uma mania, então às vezes há coisas que julgo que são minhas e depois não são, ou vice-versa. Mas não é por mal. Bom, mas essa do piano julgo que é minha. Houve coisas que eu disse pela primeira vez em língua portuguesa, tenho a certeza. Sobre o cartesianismo e a educação física. Alguém no futebol sabia quem era o Descartes? Não jogava no Benfica, o gajo. [risos] Ligar uma coisa à outra... Ir a estas coisas através da filosofia... Porque eu gosto da filosofia, não falo por obrigação.

 

Mas percebe que relacionar filosofia e futebol não é comum.


Não bate certo. Mas de facto uni essas duas áreas. Não devia dizer isto, mas até acho que disse coisas que fui o primeiro na Europa a dizê-las. Não há educação do físico mas de pessoas no movimento intencional da transcendência, a criação de um paradigma novo nesta área. Até parece mal estar a atirar isto para o ar. "Olha, lá está o velho, é um vaidoso do caraças". Mas quando se fala nas coisas não é o divino Espírito Santo que as põe cá, há sempre um trabalho feito. Bom, foi assim que conheci o Pedroto e ele então convidou-me para ir conversar com ele.

 

E foi.


Fui, fui ter com eles a um estágio. Não dormia lá, mas ia lá ter com ele quando podia. Ele punha a malta toda nos quartos e depois descia para conversarmos. O senhor Pedroto é um homem que eu nunca esquecerei. Há três treinadores assim: José Maria Pedroto, José Mourinho e Jorge Jesus. E o Jesus quis trabalhar comigo, o que é uma coisa que parece contraditória.

 

Exacto.


Acho que ele tem por mim um carinho especial, mas eu tinha a sensação que as coisas entravam a 100 e saíam a 200. Repare, para ser treinador de futebol são precisas qualidades várias. O Jesus tem muitas delas. Dá uns treinos que é um espectáculo. O jogador... Os treinadores não fazem o jogador, o jogador nasce. O treinador só tem de arranjar espaços para ele desenvolver o que tem. Se não eram Eusébios todos os dias, não era? E Messis e afins. Ainda no outro dia li uma entrevista do Messi... O Ronaldo vai muito ao ginásio e perguntaram ao Messi se ele o fazia, e ele disse que joga à bola tal como jogava em 'chiquito', em garoto, que aquilo é dele, não é de um treinador. É por isso que é necessário um diálogo permanente com o treinador. Não é o treinador dizer "eu mando e tal". Tem de se dirigir, comandar nunca. É o que digo: a grande revolução a fazer no desporto é cultural.

 

Como costuma dizer, não há remates, há jogadores que rematam. É isso?


Eu digo assim: não há remates, há pessoas que rematam; não há fintas, há pessoas que fintam. Se não conhecer as pessoas, não percebo as fintas. Isto é uma revolução, pá. Depois não sou convidado para nada, porque não vendo. O que é preciso é os gajos "ah você é isto, você é aquilo" e é uma vergonha, passa-se duas horas nisto. Algo está podre no reino da Dinamarca. É que aquilo nem futebol é. Mas dá dinheiro. É o nosso tempo e isso reflecte-se no futebol. Costumo dizer também: o desporto reproduz e multiplica as taras da sociedade capitalista. A mania do rendimento, do recorde, da medida, da alta competição... Isto é tudo típico da economia capitalista. Portanto isto tudo para dizer que foi assim que conheci o Pedroto.

 

E o Mourinho?


O Mourinho de vez em quando dialoga comigo, ainda hoje. No outro dia mandei-lhe um email e ele respondeu-me: "Professor, belo texto para ler e aprender". O José Mourinho é, intelectualmente, um superdotado. Ele não sabe mais de futebol do que os outros, é é mais inteligente. O que distingue o Mourinho não é o futebol, são as capacidades intelectuais que o tipo tem, que são anormais, pode crer. Oiça, o que distingue um treinador não é saber mais de futebol. O que é que é saber mais futebol?

 

Saber mais do jogo e de como transmiti-lo aos jogadores...


Ó minha querida, todos sabem praticamente o mesmo. O que distingue, depois, é o homem. Também costumo dizer: é o homem que se é, que triunfa no treinador que se pode ser. A diferença está aí, não está na tática.

 

O sucesso do Rui Vitória no Benfica explica-se por aí?


Claro, vamos lá ver... Hoje em dia um homem só não vale nada, tem de haver uma organização. O Benfica está tecnologicamente tão bem preparado como qualquer equipa europeia. Mas os homens é que comandam a tecnologia. O Rui Vitória foi meu aluno e posso dizer-lhe que foi um bom aluno. Sabe, eu dizia ao Jesus aquela frase do Marx...

 

"A prática é o critério da verdade".


Isso. Está a ver agora, por exemplo, o Leonardo Jardim? Não o conheço, mas está a provar... Eu até tenho de pedir desculpa aos treinadores que não conheço, mas de facto não falo dos outros porque não os conheço, não é? Olhe, há um treinador no Sacavanense, chamado Tuck, que no dia em que tiver a sorte de lhe abrirem uma porta vai ser outro Jorge Jesus.

 

Porquê?


Acho que vai ser. Falo muito com ele e com o adjunto dele. A equipa dele é só amadores e vai nos primeiros lugares, quando os outros são profissionais. O tipo tem ali qualquer coisa que bate certo. E tem um adjunto chamado Bruno Dias, que é um tipo sensacional. Repito: sou um tipo com muita sorte. Repare, sou professor no INEF quando o Jesualdo Ferreira, o Arselino Mirandela da Costa, o Carlos Queiroz, o Nelo Vingada começam a pensar numa frase que o senhor Pedroto dizia muitas vezes: "Faltam 30 metros ao futebol português". É aí que começa a nascer o novo treinador de futebol, com a entrada em cena dos indivíduos licenciados.

 

Os sucessos do treinador português.


Vamos lá ver, os êxitos dos nossos treinadores são humanos. Não é porque sabem mais ciência do que os outros. É porque são mais simpáticos, mais compreensivos... porque o futebol, "toma lá a bola", e quem tem jeito desenvolve o que tem, com um bom líder, alguém com boa leitura de jogo. Trabalhei um ano no departamento de futebol do Benfica e estou eternamente grato ao Jorge Jesus porque permitiu que eu visse o futebol por dentro.

 

Ele normalmente não deixa que assistam aos treinos.


Pois é, mas a mim deixou. Um ano inteiro ali. E um malandro como eu, que não deixo escapar nada. Sou aqueles atentos que parece que andam sempre distraídos. Falava com os jogadores, falava com este, com aquele, ia aos serviços todos...

 

Os jogadores dizem que o Jesus é muito picuinhas nos treinos.


Vou-lhe dizer as grandes qualidades do Jesus: é um indivíduo precioso, vai ao pormenor, tem uma leitura de jogo excecional, olha e vê. O tipo tem coisas... está de costas e diz que a bola vai para fora por causa do som que fez e outras coisas assim. O Jesus tem coisas de treinador excepcional. Agora, há outras coisas a fazer. Há sempre que estudar mais. Não compreendo o treinador de futuro sem estudo.

 

Estudar o quê?


Ah, aí é que está [risos]. É o grande mal. O que tem de estudar é só isto: é o que é específico das ciências humanas, porque o desporto é uma ciência humana. Temos de saber os nossos limites, não é? Até onde podemos ir. Quando não podemos ir, aprendemos, se aquilo nos interessa. Mas tudo é tempo. Tudo envelhece rapidamente. Mas quando eu digo estas coisas na década de 60 e 70, julgo que era tudo novo.

 

Comparando os treinos de então com os de agora, já vê uma grande diferença, não?


Sem dúvida. Mas aqueles treinos de carregar com o colega às costas pelas escadas já eu dizia naquela altura que estavam mal, era apenas um treino físico que nada tinha a ver com a tática. Há que ter uma visão sistémica do treino. Isso dizia eu nos anos 60 e 70. E está tudo escrito. Gerei anticorpos porque fui contra os grandes ícones do treino e da educação física. A fisiologia não, o objeto de estudo é o ser humano. Cada ciência humana estuda o ser humano, cada qual à sua maneira. A história estuda o passado, é o conhecimento sistemático do passado do ser humano; a psicologia estuda o comportamento do indíviduo em relação ao ambiente; a antropologia é o ser humano como ser cultural... E nós estudamos o ser humano no movimento intencional da transcendência. A fisiologia está lá, mas é superada. Como aquela expressão do Hegel, a verdade é o todo. Se eu não conheço o todo, não chego à verdade. Ora o todo, no treino, é o ser humano. Por isso não digo periodização tática, digo periodização antropológica e tática, porque ao mesmo tempo que preparo a tática, tenho de preparar o homem que faz a tática.

 

Costuma dizer que "só sabe de futebol quem sabe mais do que futebol".


Perfeitamente. Se não há jogos, há pessoas que jogam, saber de desporto não chega para estar no desporto. Isto é tão fácil. Mas para chegar aqui foi preciso estudar, foi preciso marrar. Não há jogos, há pessoas que jogam. E a partir daqui é que se vê o resto. Não posso passar a vida na tática se desconheço o resto. Muitas vezes, nas aulas, eu entrava com um livro do Torga, ou do Régio, ou do Jorge de Sena, ou do Rodrigues Miguéis, e dizia aos alunos que para perceber de desporto era preciso ler aqueles escritores.

 

E eles?


Hoje já me levam a sério, com o passar dos anos. Sei que fui um desestabilizador, mas um filósofo que não desestabiliza não é filósofo.

 

Continua a estudar?


Leio muito e dialogo ainda mais. Preciso muito do diálogo com os jogadores e com os treinadores desportivos. Saber é um trabalho de pura interdisciplinaridade entre a prática e a teoria. Convivi com grandes treinadores e aprendi com eles. O José Maria Pedroto, o Fernando Vaz - este gajo era um retórico, com uma cultura literária invulgar -, o Mário Wilson, o Artur Jorge, o José Mourinho e o Jorge Jesus. A todos devo o conceito que hoje tenho de futebol. E a questão não está na tática, está na forma como eu, como líder, sei estar em todas as situações necessárias num departamento de futebol.

 

Mas nós dizemos que o Jesus é o mestre da tática.


E fazem bem. O Jesus é o mestre da tática. O problema é que o futebol não é só tática. Vou-lhe contar uma conversa que tive uma vez com o Saviola, quando fomos almoçar fora ali numa tasquinha no Seixal, à beirinha da água. Perguntei ao Saviola pelos anos que tinha passado no Barcelona e quais os treinadores que tinha tido. Creio que me disse o Carles Rexach, o Rijkaard e o Van Gaal. Então perguntei-lhe dos três, qual lhe tinha parecido ser o melhor treinador. Resposta do Saviola, que não me respondeu, mas respondeu na mesma: "Eles de futebol sabiam todos, o melhor treinador é sempre o melhor nas relações humanas". Está a ver? Por isso é que eu digo, leiam os grandes escritores. Porque há esta mania, primeiro ano fisiologia, segundo ano treino... e anda-se a bater sempre no mesmo. Mas é à medida que compreendo melhor a vida que compreendo melhor o desporto. Como dizia Ortega Y Gasset, eu sou eu e a minha cirscunstância. Portanto quando me analisam não posso ser só eu. É a minha família, a minha cultura, a minha ideologia, a visão que tenho... há tanta coisa para ver.

 

Os jogadores também vão falar consigo?


Jogadores nem tanto. É mais treinadores. Com o José Augusto, António Simões... Eles fizeram parte da melhor equipa de futebol que conheci. Vejo futebol desde a década de 30, desde miúdo. As Salésias eram o único campo relvado do país e os jogos internacionais eram lá todos, e eu estava sempre lá. Ainda assisti à primeira final da Taça de Portugal que a Académica ganhou 4-3 ao Benfica. Estava lá a ver, com o meu pai, claro. Mas a maior equipa de futebol portuguesa de todos os tempos foi aquela equipa do Benfica. Nunca houve melhor. Eram os melhores da Europa. O Real Madrid estava a descer, mesmo com o Di Stéfano e o Puskás, e o Benfica tinha o José Augusto, o Simões, o Coluna... tudo aquilo era de luxo. Nós, lisboetas, íamos ver o Benfica como quem ia à ópera. "Eh pá, hoje joga o Benfica!" Já sabíamos que era espectáculo garantido. Grandes jogadores. Está por fazer-se uma homenagem àquela equipa. Não era só o Eusébio. O Eusébio secou o resto [risos]. Havia um central que foi o central com mais classe que já vi, o Germano. Tudo era bom. Uma equipa que vai três anos consecutivos à final da Taça dos Campeões Europeus... nunca aconteceu em Portugal. E dificilmente acontecerá.

 

Hoje em dia há alguma equipa que goste mais de ver?


Gosto de ver o Barcelona, de vez em quando. Viu o Barcelona-PSG? Qual era a tática? É capaz de me dizer? Ganhou a equipa que tinha génios. E nesse dia houve génio de alguém que dentro de dois ou três anos vai ser o melhor do mundo, o Neymar. Mostrou tudo o que tinha.

 

O que é para si um bom treinador?


É, em primeiro lugar, um gestor de conhecimento. Tem de se dizer isto, porque nós vivemos na sociedade do conhecimento. Uma pessoa que saiba organizar e organizar-se. Se sabe que vai treinar pessoas e não objetos, deve organizar-se mais para dirigir do que para comandar. Quem dirige põe os outros a pensar com ele, quem comanda normalmente não ouve os outros e quem ouve os outros aprende muito com eles. O treinador é especialista em humanidade.

 

E em futebol?


Se os jogadores não o aceitam como homem, de nada vale saber muito de futebol.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:40

 

img_770x433$2017_03_17_19_22_23_1238674.jpg

 

Algumas das considerações de Jorge Jesus, em síntese, na conferência de imprensa de antevisão ao jogo deste sábado com o Nacional. Abordou as declarações de Rui Jorge, a lesão de Adrien Silva, a suposta eficácia de Bryan Ruiz e Bruno César a jogar na posição do capitão, o apoio dos adeptos, o encontro com Luís Filipe Vieira, e, entre os inevitáveis auto-elogios, ainda houve ocasião para prestar bajulação ao presidente. Em resumo, o usual Jorge Jesus, a falar muito mas a dizer muito pouco:

 

«Concordo plenamente com Rui Jorge. Todos os seleccionadores estão dependentes dos treinadores dos clubes. São os treinadores que formam os jogadores, não são os seleccionadores. É importante que os seleccionáveis estejam a jogar, mas jogar no Sporting é uma coisa e no Moreirense, para não cair de divisão, é outra. Por isso é que o Sporting e o Benfica lutam para o título, a qualidade tem de ser diferente».

«O Chico está lesionado, estamos a falar do Podence. Se há alguém que acredita no Podence sou eu, e ele sabe onde é que estava quando cheguei ao Sporting. Agora, temos de ter cuidado, formar os jogadores como formámos o Gelson, que já é uma certeza. Foi formado debaixo de um grande jogador chamado João Mário, teve o tempo dele e quando chegou disse presente».

 

«É a segunda vez, este ano, que Adrien vai estar de fora à volta de um mês e meio, dois meses. Praticamente, esta época, esteve quatro meses sem poder jogar. Segundo o Dr. Varandas, a recuperação está boa, dentro dos prazos que departamento médico estabeleceu, para que o Adrien possa ser uma solução daqui a uns jogos. Esta lesão obrigou-me a fazer alguns ajustes. Experiências. Não direi inventar, pois não inventei nada, mas acertei com o Bryan ou com o Bruno. Aquela posição tem estado bem ultimamente. O Bryan esteve bem no jogo com o Tondela».

 

«O Nacional é uma equipa que está, neste momento, a lutar para não cair de divisão e todos os jogos são como finais. Não é pela classificação que qualificamos o seu valor. Queremos, dentro do que temos feito nestes 5 jogos, ter um bom comportamento, qualidade, ser uma equipa alegre e dar alegrias aos nossos adeptos porque eles são especiais. São especiais, porque estamos no 3.º lugar, a correr para a frente, praticamente sem possibilidades e eles não se afastam. Cada vez acreditam mais no projecto desta equipa e, portanto, temos a responsabilidade de ser Sporting, jogar sempre para ganhar e satisfazer os adeptos em todos os jogos. Porque eles merecem».

 

«Estamos aqui para fazer o lançamento do jogo, mas está a falar do meu passado. Foi um presidente com quem trabalhei durante seis anos, como trabalhei com vários. Tive sempre uma boa relação com todos eles e, com o presidente do Benfica, é exatamente a mesma coisa. Quando estava no Benfica, também cumprimentava o presidente do FC Porto. A minha relação com as pessoas é uma coisa, com os clubes é outra. Felizmente, o meu pai ensinou-me a respeitar sempre o próximo e eu faço-o».

 
«Eles julgam que sim. É uma forma de querer calar (queixas do Benfica), de não te poderes exprimir em relação ao que é um facto, como foi o caso do jogo da Luz. Mas o presidente justificou muito bem, é o nosso líder e esteve à altura dos queixinhas. Como é óbvio, numa época desportiva, mesmo quando a conquistas, ela tem sempre de ser corrigida. Quando a analisas, como o Sporting não ganhar títulos, também tem de ser corrigida. Há coisas que fizemos bem e as coisas que não foram tão bem não se caracteriza só com leitura em relação à equipa, caracteriza-se àquilo que não nos deixaram fazer bem. A minha experiência e o conhecimento do presidente vão dar ideias para que o Sporting possa incomodar mais os rivais. O ano passado incomodou muito, quase totalmente».
 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 05:01

 

711297.jpg

 

Em declarações ao jornal turco Ajansspor, Ahmet Nur Çebi, vice-presidente do Besiktas, desmentiu as recém-notícias que reportaram o interesse do clube turco na contratação de Jorge Jesus:

 

«As notícias de um alegado acordo com Jorge Jesus em nada correspondem à verdade. Não temos qualquer interesse».

 

Questionado quanto ao futuro do técnico Senol Gunes, cujo contrato termina no final da presente temporada, Ahmet Nur Çebi não esclareceu se a renovação irá avançar:

 

 «Não é a altura para falar disso. Temos o jogo com o Olympiacos para a Liga Europa, competição que queremos vencer. Somos melhores e espero que os planos não saiam furados».

 

Não temos conhecimento de causa e nem sequer pretendemos alimentar este cenário, mas como bem sabemos, no futebol, o que ontem era verdade hoje é mentira, e vice-versa.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:16

Consideração do dia

Rui Gomes, em 13.03.17

 

Jesus.jpg

 

É muito improvável que haja qualquer fundamento concreto com os rumores que circulam esta segunda-feira que dão Jorge Jesus a mudar-se para a Turquia no Verão.

 

A acreditar, o Besiktas procura substituto para Senol Gunes que termina o seu contrato com os campeões turcos esta época e ainda não renovou. Jorge Jesus será um dos alvos prioritários, a quem estarão dispostos a oferecer seis milhões de euros líquidos por ano.

 

Um cenário improvável, como já referi, mas que poderia ser uma boa opção para o Sporting. Baixar significativamente a sua folha salarial e ver-se livre do enorme ego do melhor treinador do Planeta e arredores. Além do mais, a exemplo do que sucedeu com Leonardo Jardim, o negócio poderia permitir um encaixe financeiro agradável.

 

Já como Bruno de Carvalho irá conseguir viver sem o seu "camarada em armas" favorito, é uma conversa lateral.

 

Em 2015 constou que o Fenerbahçe tinha apresentado uma proposta a Jesus, contudo, foi rejeitada por motivos pessoais não revelados.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:38

 

4137_4f109d64f7aee2fa63876439cb3f212a (2).jpg

 

Considerando o notório egocentrismo de Jorge Jesus é, mais vezes do que não, missão complicada fazer a distinção entre a sua sinceridade e a bazófia interesseira. Embora com alguma reserva, vou tentar dar-lhe o benefício da dúvida nesta ocasião.

 

O técnico do Sporting teve isto para dizer na conferência de imprensa de antevisão ao jogo com o Tondela, de modo a justificar a sua não utilização de Francisco Geraldes desde que foi "resgatado" do Moreirense:

 

«O Chico não tem características para ser um segundo médio. Vai ser um jogador ao estilo do João Mário. Jogar numa ala fechado ou a segundo avançado. É uma posição que tens de ter muita cultura táctica e ainda lhe falta isso. Todos estes jovens têm qualidade individual, mas o futebol tem duas componentes colectiva e individual.

Olhando para os 90 minutos de um jogo, tirando o Messi, em 80 minutos os jogadores não têm bola. Por isso se não ensinarmos os jogadores os aspectos tácticos não serve de nada ter muita técnica. Se passa 85 minutos sem bola no pé, não interessa nada. O Messi e o Ronaldo é que passam mais tempo com bola. Nós só olhamos para o jogador quando ele tem bola e não pode ser assim».

 

"Jogar numa ala fechado"...? Nem lhe reconheço características semelhantes a João Mário, mas será por isso que ele é o treinador e eu não.

 

Com tudo isto, continuamos a não perceber a real ideia de não o deixar terminar a época em Moreira de Cónegos, tal como Daniel Podence, aliás, mas há muito nesta pseudo-estrutura do futebol do Sporting que não está ao alcance de meros mortais.

 

Há quem diga que a inteligência de Francisco Geraldes intimida Jorge Jesus, cuja escassez de faculdades intelectuais é notória.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:10

Comentar

Para comentar, o leitor necessita de se identificar através do seu nome ou de um pseudónimo.




Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Taça das Taças 1963-64



Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D




Cristiano Ronaldo