Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Renovação inevitável

Rui Gomes, em 08.11.17

 

Alguns sectores da Selecção Nacional estão a chegar ao limite do prazo de validade.

 

20199859_bZzDY.jpg

Não é provável que um par de amigáveis e uma mão-cheia de treinos em Outubro influenciem de maneira determinante as decisões que Fernando Santos há de tomar em relação aos 23 convocados para o Mundial do próximo ano. Mais ainda quando os jogadores chamados para os jogos com a Arábia Saudita e os Estados Unidos vão actuar num contexto que não é exactamente o da Selecção que nos habituámos a reconhecer, desde logo ao longo do apuramento. Afinal, uma equipa sem Rui Patrício, William, João Moutinho ou Cristiano Ronaldo, para citar apenas os mais óbvios ausentes, não pode ser exactamente a mesma coisa e todos sabemos que os jogadores são eles próprios e as respectivas circunstâncias.

 

O que não invalida a importância da observação que o seleccionador Fernando Santos vai fazer de alguns dos valores emergentes no futebol português. A renovação da Selecção é uma inevitabilidade, mesmo sendo provável que o Mundial da Rússia sirva muito mais como uma porta de saída para a geração actual do que propriamente como uma porta de entrada para a seguinte. De resto, como todos sabemos, há sectores que simplesmente não podem esperar mais por essa renovação, a começar pelo eixo da defesa.

 

No último jogo da fase de apuramento, frente à Suíça, Pepe (34 anos) e Fonte (33 anos) eram os únicos centrais disponíveis, mas as alternativas, Bruno Alves (35) e Neto (29), não são exactamente jovens com grande margem de progressão, pelo que se saúdam as actuais chamadas de Edgar Ié e Ricardo Ferreira e se olha com interesse para a evolução de jogadores como Rúben Dias ou André Pinto.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:49

Altos e baixos

Rui Gomes, em 02.11.17

 

O Benfica fica à espera de um milagre na Champions; o Sporting ainda respira pelos próprios meios.

 

20199859_bZzDY.jpg

Há boas e más notícias para retirar dos dois jogos de terça-feira. Ora, manda o senso comum guardar o melhor para o fim, pelo que o mais sensato será arrumar já com a parte desagradável. O Benfica voltou a perder e a não conseguir marcar, tornando o apuramento num exercício de fé e matemática.

 

Para o conseguirem, os encarnados terão de vencer os dois jogos que restam, esperar que o Manchester faça o mesmo e ainda anular a desvantagem que carregam nos factores de desempate em relação a CSKA e Basileia.

 

Não é impossível, mas nunca foi feito e a verdade é que, até a julgar pelo alinhamento de terça-feira, com Jonas - autor de cinco dos últimos oito golos do clube da Luz - a começar no banco, parece-me evidente que o foco de Rui Vitória já está no campeonato. Aliás, considerando não apenas o tormento em que se tornou a carreira europeia, mas também o impacto que tem tido no campeonato (cinco pontos perdidos nos jogos realizados após jornadas europeias), uma saída prematura da Europa pode ser exactamente o que o doutor receitou.

 

O que nos traz até ao Sporting e à evidência de que faltam 10-15 minutos aos leões para discutirem até ao fim um dos grupos mais complicados da Champions. Faltou isso em Itália e voltou a faltar anteontem, apesar da excelente resposta que a equipa deu às ausências de Mathieu, Coentrão, Piccini e William, sobretudo graças à energia inesgotável de Gelson.

 

E se é verdade que o empate deixa a equipa na luta, mesmo que a lógica aponte o foco para a Liga Europa, não é menos certo que a recém-sucessão de lesões musculares e a fadiga acumulada ainda se podem reflectir no campeonato, desde logo em jogos mais exigentes, como o próximo, com o SC Braga. Ainda assim, ao contrário do Benfica, o Sporting ainda respira pelos seus próprios meios na Champions. E essa é uma boa notícia.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:00

Detalhes que fazem diferença

Rui Gomes, em 29.10.17

 

Feirense e Rio Ave voltaram a mostrar que o campeonato não é um simples passeio para os grandes.

 

20199859_bZzDY.jpg

"É sempre possível dividir o jogo e discutir o resultado", afirmação de Nuno Manta, treinador do Feirense, depois da sua equipa ter obrigado o Benfica a suar as estopinhas para garantir a segunda vitória consecutiva no campeonato. Um pouco mais tarde, o Rio Ave forçava o Sporting a um esforço semelhante, desmentindo, mais uma vez, a ideia de que o campeonato se divide necessariamente entre os grandes e a carne para canhão.

 

No limite, pode dizer-se que, nos dois jogos de ontem, a diferença esteve nos detalhes, embora seja um claro exagero chamar "detalhe" a goleadores da dimensão de Jonas ou Bas Dost. Aliás, basta olhar para a enorme exibição de Rui Patrício, ou para o lance desperdiçado por Guedes, de baliza aberta, instantes antes do golo do Sporting, para perceber que, de facto, são os pequenos detalhes que fazem as grandes diferenças. E sim, o VAR também entra nestas contas. Mas adiante.

 

Para a história do campeonato ficam as duas vitórias, tão importantes para o Benfica que, mesmo timidamente, sacudiram a crise que pairava sobre a Luz, como para o Sporting que, apesar de ter perdido jogadores tão influentes como Mathieu e Piccini, manteve a pressão alta sobre o FC Porto. Ora, se a vitória sobre o Benfica e o facto de o Boavista ainda não ter perdido para o campeonato desde a mudança de treinador não tiver chegado para avisar Sérgio Conceição sobre os riscos que a deslocação de hoje ao Bessa encerra, talvez os dois jogos de ontem sirvam de alerta definitivo.

 

Afinal, se não há jogos fáceis, os dérbis são um bocadinho mais jogos do que os outros e nem sempre é possível contar com os detalhes.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 02:20

Solução interna

Rui Gomes, em 14.10.17

 

Boas indicações dos jogadores lançados por Jirge Jesus em Oleiros dão que pensar.

 

20199859_bZzDY.jpg

Mais importantes do que os quatro golos da vitória natural sobre o Oleiros, através dos quais o Sporting garantiu a passagem à quarta eliminatória da Taça de Portugal, foram as boas indicações deixadas a Jorge Jesus por uma mão-cheia de jogadores à procura de espaço em Alvalade.

 

João Palhinha terá exagerado um bocadinho quando disse que a equipa enfrentou o jogo como se o adversário fosse "o Barcelona, o FC Porto ou a Juventus", mas é verdade que tanto ele como Gelson Dala, Matheus Oliveira, Daniel Podence ou Iuri Medeiros ultrapassaram as dificuldades colocadas mais pelo diminuto sintético que propriamente pelo Oleiros para demonstrar que, com alguma paciência, a solução para alguns dos problemas que o treinador tem identificado no plantel pode ser encontrada dentro de casa. Talvez seja só uma questão de deixar de procurá-la fora.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:28

Fórmula resolvente

Rui Gomes, em 10.10.17

 

20199859_bZzDY.jpg

Há um ponto comum a todas as vitórias de Portugal no apuramento para o Mundial do próximo ano: a dupla Cristiano Ronaldo e André Silva no ataque. Mesmo frente a Andorra, o jogo só foi desbloqueado depois de Fernando Santos recuperar essa espécie de fórmula resolvente para os ancestrais problemas de finalização da Selecção Nacional.

 

Juntos, Ronaldo e André Silva são responsáveis por 23 dos 30 golos marcados pela Selecção até agora, mais de 76 por cento do total. Ora, curiosamente, nenhum dos dois jogou frente à Suíça em Setembro do ano passado, na única derrota sofrida até agora e no único jogo em que Portugal não marcou qualquer golo durante a fase de apuramento. Escrito assim, e considerando que, tal como o seleccionador sublinhou no final do jogo com Andorra, ganhar à Suíça é o único remédio e que não se pode ganhar sem marcar golos, a titularidade de ambos parece um dado adquirido no decisivo jogo de hoje.

 

É verdade que a Suíça não é Andorra, nem a Hungria, nem a Letónia. E também é verdade que o sistema 4x2x3x1 dos helvéticos convida ao reforço do meio-campo para equilibrar a discussão numa zona decisiva do campo, não só para garantir o municiamento ofensivo, mas também para evitar uma surpresa desagradável num lance de contra-ataque. Mas foi precisamente isso que o seleccionador tentou fazer no jogo do ano passado, com o resultado que se conhece. Depois, nessa altura, Fernando Santos não podia contar com Ronaldo nem tinha descoberto a simbiose perfeita que se desenvolveu entre o melhor jogador do mundo e André Silva.

 

Portugal tem o segundo (para já) e quarto melhores marcadores da fase de apuramento para o Mundial de 2018 e pode usá-los amanhã. Parece evidente que são os suíços que têm de estar preocupados, não?

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 05:58

Abriu-se uma caixa de Pandora

Rui Gomes, em 30.09.17

 

20199859_bZzDY.jpg

 

Era inevitável que o castigo de três jogos de suspensão a Jorge Sousa, por palavras dirigidas ao guarda-redes da equipa B do Sporting, acabasse por ter réplicas ao longo do campeonato. As expulsões Zainadine e Jubal, por linguagem grosseira, dificilmente teriam acontecido fora desse contexto que tornou os árbitros - ou pelo menos Fábio Veríssimo - mais sensíveis a eventuais excessos.

 

Claro que, depois de se abrir uma caixa de Pandora, não se pode voltar a fechá-la. Os excessos de linguagem dos jogadores são constantemente perceptíveis nas imagens das televisões e audíveis nas bancadas. A partir de agora, não puni-los ou, pior, punir uns e ignorar outros, passa a ser tema de polémica. Era mesmo o que a arbitragem portuguesa precisava, não era?

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:15

Desafio Champions

Rui Gomes, em 12.09.17

 

O arranque das provas europeias vai colocar os candidatos ao título sob pressão.

 

20199859_bZzDY.jpg

Na última época, o Sporting perdeu duas vezes para o campeonato e empatou outras duas em jornadas disputadas imediatamente a seguir a jogos da fase de grupos da Champions. Ao todo, os leões perderam dez pontos no campeonato enquanto disputaram a liga milionária, passando do primeiro lugar e de uma vantagem de dois pontos sobre o Benfica para o terceiro, a cinco pontos dos encarnados. Muito do que foi a última época do Sporting ficou definido durante esse período.

 

Conseguir lidar com a pressão e o desgaste, tanto físico como emocional, provocados pela necessidade de jogar ao mais alto nível duas vezes por semana representa um desafio de gestão considerável para qualquer um dos candidatos ao título e, simultaneamente, uma oportunidade para os adversários internos, que, como se viu mais uma vez na última jornada, estão longe de ser carne para canhão. É todo um novo campeonato, o que vai começar esta semana.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:16

Punição indirecta

Rui Gomes, em 09.09.17

 

Foram os árbitros a pagar pela entrada de Eliseu.

 

20199859_bZzDY.jpg

Afinal, o caso Eliseu teve consequências disciplinares. Não para o jogador, como já todos sabemos, mas para os árbitros que não viram ou fecharam os olhos ao lance. Sim, há uma diferença entre não ver e fechar os olhos. Rui Costa, o árbitro, não terá visto; Vasco Santos, o video-árbitro, não pode alegar o mesmo. O próprio admitiu ter visto o lance de vários ângulos diferentes, para concluir, contra a opinião do próprio CA, tratar-se de um lance normal, o que explicará o facto de, mais uma vez, não ter sido nomeado como VAR - o árbitro do Porto ainda não fez as provas físicas pelo que apenas pode desempenhar funções de video-árbitro - para nenhum dos jogos do próximo fim de semana. Rui Costa, em contrapartida, saltou da jarra para apitar, mas na II Liga. É verdade que Eliseu se terá ficado a rir, mas não deixa de ser um bom sinal que uma entrada assim não passe sem punição. À atenção dos árbitros.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:00

Octávio passageiro

Rui Gomes, em 24.07.17

 

Não era difícil prever que a relação entre Octávio Machado e Bruno de Carvalho chegasse ao fim com estrondo.

 

20199859_bZzDY.jpg

Há mais ou menos dois anos, quando foi anunciada a contratação de Octávio Machado pelo Sporting, antecipei neste espaço que a relação entre o novo director-geral e Bruno de Carvalho tinha tudo para funcionar mais ou menos como os submarinos que, como todos sabemos, até podem flutuar, mas foram feitos para afundar.

 

De resto, considerando a rigidez, beligerância e inflexibilidade das personalidades em causa, era tão previsível a rotura que agora se confirma, como fatal o estrondo provocado pelo inevitável choque que se lhe seguiu. Expressões como "cobarde", "passarinho", "terceira escolha" ou "isto não é a Santa Casa" e "um especialista em áreas mentais que trate dele" são tão duras como pouco surpreendentes, considerando os protagonistas.

 

Quanto a consequências, também é possível antecipar algumas. Para Octávio Machado, que já tinha batido a porta do FC Porto com a mesma violência e que passou os últimos dois anos nas trincheiras de Alvalade a disparar sobre o Benfica, o tumultuoso processo de saída do Sporting significa muito provavelmente o fim do envolvimento directo no futebol português ao mais alto nível. Para Bruno de Carvalho, mais uma separação litigiosa pode encerrar pelo menos uma lição importante: é muito complicado apontar ao futuro apostando em soluções do passado.

 

Mais difíceis de prever são as consequências que tudo isto poderá ter no relacionamento entre o presidente leonino e Jorge Jesus, principal responsável pela chegada de Octávio a Alvalade. Talvez depois de ouvirmos o que o treinador terá a dizer sobre o assunto tudo fique mais claro.

 

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

_________________________________________________

 

nova-gente-50234-noticia-octavio-machado-internado

 

Entretanto, Octávio Machado, em declarações ao jornal O Jogo, deu o caso da guerra aberta entre ele e Bruno de Carvalho por encerrado:

 

«O Sporting e os sportinguistas não merecem que isto se estenda no tempo. Dado todo o respeito que tenho pela instituição e a sua massa associativa e adepta, é 'finito'.

 

Nada disto deveria ter acontecido. O Sporting precisa de estabilidade, mas lamento profundamente. Não podia permitir as ofensas que me foram feitas. Fico-me por aqui».

 

Ainda bem que o bom senso prevaleceu, tardio mas ainda assim bem vindo, e esperamos que isto seja mesmo o fim de um episódio indecoroso em que só o Sporting saiu a perder.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:25

Maus hábitos e boas práticas

Rui Gomes, em 09.07.17

 

Fernando Gomes sentiu a necessidade de recordar que à mulher de César não basta ser honesta

 

20199859_bZzDY.jpg

Não deixa de ser relevante que Fernando Gomes tenha sentido a necessidade de recordar, por carta dirigida aos presidentes dos órgãos sociais da Federação Portuguesa de Futebol, que os elementos que os integram não devem solicitar nenhum tipo de oferta a qualquer agente desportivo. Nem deixa de ser significativo que a missiva mencione de forma específica os pedidos de bilhetes para jogos de futebol. Afinal, a oferta de ingressos, precisamente a elementos de órgãos sociais da FPF, é um dos temas levantados em alguns dos alegados emails recentemente divulgados pelo FC Porto.

 

Sendo obviamente de louvar a preocupação do presidente da Federação com a moralização do futebol português, o facto de sentir a necessidade de o fazer precisamente agora e de forma pública há de significar alguma coisa. Quer dizer, se os maus hábitos não existissem, não havia necessidade de recordar as boas práticas, pois não?

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:41

Tem a palavra a Federação

Rui Gomes, em 16.06.17

 

A confirmação da existência dos emails divulgados pelo FC Porto obriga a FPF a agir rapidamente.

 

20199859_bZzDY.jpg

Bem espremido, o essencial do comunicado emitido ontem por Mário Figueiredo, ex-presidente da Liga, é fácil de resumir: os emails divulgados pelo FC Porto na véspera existem mesmo. Depois há o facto de não chegar a explicar porque se despede de Luís Filipe Vieira dizendo "sempre tenho estado e estou ao TEU LADO", assim mesmo, em maiúsculas, embora por esta altura se perceba que a linguagem utilizada nestas trocas de mensagens é muitas vezes carinhosa e até ternurenta, como fica evidente no "só quero ser um menino querido para vocês" enviado por Nuno Cabral a Paulo Gonçalves.

 

Também faltou a Mário Figueiredo explicar a diligente resposta ao "pedido" do mesmo Paulo Gonçalves, quando o assessor jurídico da SAD do Benfica intercedeu a favor do "menino querido" para lhe garantir a presença num jogo da I Liga, mas talvez ainda venha a ter oportunidade de o fazer. Aliás, aquilo que é justo esperar de toda esta polémica é que tudo seja devida e cabalmente explicado, conforme, de resto, foi solicitado pela APAF aos organismos competentes da Federação Portuguesa de Futebol.

 

Neste momento há uma incontornável suspeita sobre a forma como o atual quadro de árbitros e delegados foi sendo definido ao longo dos últimos anos para favorecer os interesses de um clube, a começar pelas evidências de influência sobre o sistema de avaliação. Uma suspeita que não pode ficar sem resposta, sob risco de descrédito de todo o edifício do futebol português. Sendo os árbitros que estão em causa, é natural que sejam eles os primeiros a querer levar o caso até às últimas consequências, mas não podem ser os únicos. Tem a palavra a Federação.

 

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:53

Fantasmas

Rui Gomes, em 18.05.17

 

Mais do que fazer questão de manter Jesus em Alvalade, Bruno de Carvalho não o quer ver no Dragão.

 

20199859_bZzDY.jpg

Jorge Jesus tem uma dívida de gratidão para com o FC Porto que se mede em milhões de euros. Muitos milhões de euros, para ser mais exacto, que o agora treinador do Sporting e antes treinador do Benfica ganhou ao longo dos últimos anos graças ao FC Porto.

 

Ou pelo menos ao fantasma do FC Porto que assombrou Luís Filipe Vieira, levando-o a inflacionar-lhe catastroficamente os ordenados, e que agora assombra Bruno de Carvalho, mantendo o presidente leonino pouco menos do que refém do treinador.

 

Afinal, por esta altura, parece evidente que, mais do que querer manter Jesus em Alvalade, o presidente do Sporting não quer correr o risco de o ver no Dragão. Exactamente até onde estará disposto a ir para o garantir é o que resta saber. Isso e quanto Jesus ganhará ao certo desta vez.

 

 

Texto da autoria de Jorge Maia, jornal O Jogo.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:00

Pequenos passos

Rui Gomes, em 17.05.17

 

Se quiserem reduzir a diferença para o Benfica, Sporting e FC Porto têm de meter pés ao caminho.

 

20199859_bZzDY.jpg

Enquanto o Benfica festejava a conquista do tetra, desta vez na Câmara Municipal de Lisboa, Sporting e FC Porto davam passos na preparação da próxima temporada. Os leões anunciaram a contratação de Piccini e Mattheus para juntar na lista de reforços a André Pinto, enquanto os dragões oficializavam as renovações com Galeno e Kayembe, ambos com lugar reservado pelo menos na pré-época.

 

A esta distância, não se pode dizer que sejam passos enormes, mas são passos e, se não significarem mais nada, significam que tanto em Alvalade como no Dragão há a consciência de que é preciso pôr os pés ao caminho. Nos festejos do tetra, Luís Filipe Vieira disse que o Benfica tinha pelo menos dez anos de avanço sobre os rivais. Até olhando para aquilo que foi o campeonato até há um par de jornadas, talvez dez anos seja um exagero, mas é verdade que os encarnados partem para a próxima temporada como partiram para as últimas quatro: em vantagem.

 

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:35

Continua a ser cada um por si

Rui Gomes, em 29.04.17

 

Antes de começarem a cantar cumbayá todos juntos, os presidentes dos principais clubes podiam começar por serem capazes de trabalhar em conjunto.

 

20199859_bZzDY.jpg

Como já se tornou habitual, Bruno de Carvalho exagerou. Outra vez. Ninguém espera que os presidentes dos três grandes digam que se dão muito bem e cantem cumbayá todos juntos, até porque de cânticos deprimentes está o futebol português cheio. Aquilo que se devia poder esperar de qualquer pessoa, de todos os dirigentes, e por maioria de razão dos responsáveis pelos principais clubes era, isso sim, que actuassem de forma responsável e não passassem a vida a trocar insultos, acusações e suspeitas.

 

Sendo isso aparentemente impossível, talvez fosse razoável esperar que, no mínimo, fossem capazes de trabalhar juntos para proteger a credibilidade, se não do desporto em si, pelo menos do negócio. Afinal, independentemente das respectivas cores, pelo menos esse é certamente um interesse que todos têm em comum.

 

Claro que quando se ouve o presidente do Sporting dizer que as intervenções dos dirigentes "tiram a pressão da panela" e nos recordamos de como, à força de os ouvirmos a eles e aos ecos que têm espalhados em cada esquina, todos a adivinhamos prestes a explodir ainda antes da morte de Marco Ficini, percebe-se que não há muito a fazer. Vai continuar a ser cada um por si e salve-se quem puder, com a certeza de que nesta, como em qualquer luta de elefantes, quem perde é o capim.

 

 

Jorge Maia - jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:05

 

20199859_bZzDY.jpg

Um homicídio, qualquer homicídio, é um caso de polícia. O de Marco Ficini não será diferente. Há um homicida, há cúmplices, há instigadores e há fugitivos, incluindo os alegados comparsas da vítima, que, entre outras coisas, são culpados de não lhe prestar auxílio, naquela que é uma repugnante demonstração de cobardia.

 

Marco Ficini cometeu o erro de se imaginar entre amigos e morreu sozinho, longe de casa, numa rua de Lisboa, vítima de uma guerra que até pode ter comprado, mas que não era dele. Também por isso, mas sobretudo porque um país decente não pode tolerar assassinos e muito menos corpos abandonados pelas ruas, é importante que todos os responsáveis directos sejam rapidamente identificados, detidos e levados à justiça.

 

Em simultâneo, é fundamental assumir que é mesmo de uma guerra que se trata e que há mais culpados pela tragédia da madrugada de sábado na Avenida Machado Santos. A começar pelos dirigentes dos clubes, que usam a virtude dos comunicados públicos de repúdio para esconder os vícios das provocações subliminares e dos apoios mais ou menos encapotados a claques e grupos de adeptos para quem a provocação, a intimidação e a violência são uma forma de vida. Mas também do poder político, que se limita a assobiar para o lado, muito mais preocupado em não beliscar clientelas ou arriscar a antipatia de grupos com peso eleitoral do que em assumir medidas claras de controlo e prevenção da violência.

 

E depois de todos nós, adeptos, comentadores e jornalistas, que contribuímos com a nossa quota-parte de irresponsabilidade e indiferença para o clima que proporcionou o homicídio de Marco Ficini. Fomos todos, dirigentes, governantes, adeptos, comentadores e jornalistas, ignorando os sinais de alarme e adiando a solução do problema, convencidos de que podíamos esconder-nos atrás do reconfortante "um dia destes ainda morre alguém". Pois bem, esse dia foi ontem.

 

 

Artigo da autoria de Jorge Maia, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:30

Inflamável

Rui Gomes, em 28.03.17

 

A Selecção não se livrou de ficar chamuscada pelo clássico. E ainda lhe falta disputar mais um jogo...

 

20199859_bZzDY.jpg

Optimista como é, Fernando Santos declarou na conferência de antevisão do jogo com a Hungria que o clássico ficava à porta da Selecção. Enganou-se. Alguma vez tinha de ser. O clássico forçou a entrada, como já se esperava que fizesse, pelo menos desde que o Benfica tratou de arrastar a Selecção para o meio da mais recente guerra com a FPF, ao boicotar o jogo com a Hungria realizado na Luz. O resto, as ameaças a Jaime Marta Soares à chegada ao estádio, a troca de insultos entre a "claque" da Selecção e adeptos do Benfica, as inevitáveis trocas de acusações nas redes sociais e as ameaças de processos cruzados são apenas o resultado disso e, há falta de erros de arbitragem fresquinhos, o pretexto desta semana para que a habitual corja de incendiários profissionais possa começar já a regar o clássico de gasolina.

 

Às vezes, o futebol português é tão previsível que já enjoa por antecipação.

 

 

Jorge Maia - jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:32

Uma corrida a dezoito

Rui Gomes, em 22.03.17

 

Imaginar que a corrida ao título se pode resolver numa jornada seria um erro para qualquer dos candidatos.

 

20199859_bZzDY.jpg

Por esta altura já todos o devíamos saber, mas a última jornada tratou de o recordar de uma forma particularmente eloquente: o título não se discute a dois, nem sequer a três, discute-se a 18. Tal como já tinha acontecido antes com o Boavista, o Marítimo, o Belenenses ou o Tondela, desta vez foram o Paços de Ferreira e o Vitória de Setúbal a fazer questão de ter uma palavra a dizer sobre o assunto, mas basta um relance pelo calendário para perceber que, até ao final do campeonato, não faltará quem queira, possa e trate de meter uma colherada na relação entre Benfica e FC Porto.

 

Até por isso, faz algum sentido relativizar a importância do clássico da próxima jornada. Relativizar, sublinhe-se, não é o mesmo que desvalorizar. O clássico é importantíssimo, talvez decisivo, mas não necessariamente por causa dos três pontos que vale no confronto direto entre os dois candidatos ao título que, pelo que se viu até agora, estão longe de estabelecer uma diferença irrecuperável seja qual for o resultado final. O Benfica-FC Porto será determinante, isso sim, para definir o estado de espírito com que ambos vão enfrentar a fase decisiva do campeonato, especialmente depois das dúvidas que esta ronda terá semeado nos balneários da Luz e do Dragão.

 

A questão é simples: faltam oito jornadas para o final do campeonato. Imaginar que tudo se resume à próxima seria um erro, para qualquer dos candidatos. Afinal, como se viu ainda agora, ninguém tropeça em montanhas.

 

 

Jorge Maia - jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:00

Pior do que não ganhar é perder

Rui Gomes, em 09.03.17

 

Ninguém saiu a ganhar com o regresso de Geraldes e Podence a Alvalade.

 

20199859_bZzDY.jpg

O Moreirense não voltou a ganhar desde a conquista da Taça da Liga, no final de janeiro. Outra maneira de colocar as coisas é dizer que não voltou a ganhar desde que perdeu Geraldes e Podence para o Sporting. No total, são seis jogos, três derrotas e outros tantos empates que deixam o "campeão de inverno" apenas com o pescoço acima da linha de água.

 

Mas não foi só o Moreirense que perdeu com o regresso de Geraldes e Podence a Alvalade. Jesus bem pode dizer que um lugar no banco de suplentes do Sporting é melhor do que a titularidade na maior parte da equipas da I Liga, mas aos 21 anos jogar regularmente é fundamental. E se Podence ainda tem sido usado, mesmo que de forma intermitente, a carreira de Geraldes travou a fundo e entrou em "stand-by". O facto de não ser alternativa mesmo quando Jesus não tem Adrien e se vê forçado a improvisar soluções de recurso para o meio-campo diz qualquer coisa sobre convicção com que o treinador o foi buscar a Moreira de Cónegos.

 

Mas mais do que o Moreirense ou os jogadores, foi o Sporting que perdeu com o regresso prematuro dos dois jovens à casa de partida. Não apenas por não conseguir rentabilizá-los, como os resultados demonstram para lá de qualquer dúvida razoável, mas sobretudo por ter travado o processo de amadurecimento que, se fosse levado até ao fim no Moreirense, onde até trabalha um treinador de confiança dos leões, lhe podia garantir dois reforços de peso para a próxima temporada. Assim, para já, perderam todos. E esse, já se sabe, é um péssimo resultado.

 

 

Jorge Maia - jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:00

Um sinal evidente de preocupação...

Rui Gomes, em 01.03.17

 

20199859_bZzDY.jpg

Pelos vistos, Bruno de Carvalho acha que perdeu o debate de quinta-feira com Pedro Madeira Rodrigues. Pelo menos essa é a explicação mais plausível para o facto de ter passado os últimos dias completamente vocacionado a tentar ganhá-lo para lá do tempo regulamentar, multiplicando as críticas ao adversário no Facebook, onde não corre o risco de ser contrariado. Um sinal evidente de preocupação que se imaginaria impensável há algumas semanas e que diz qualquer coisa sobre a forma como, depois de um arranque soluçante, a campanha de Madeira Rodrigues tem ganho balanço nos últimos dias.

 

Aliás, com mais tempo para, por exemplo, explorar o conteúdo de algumas escutas, talvez o candidato da oposição pudesse ser mais do que incómodo. Com as eleições marcadas para o próximo fim de semana, contudo, o mais provável é a reeleição de Bruno de Carvalho para um segundo mandato, mas com uma certeza: agora todos os sportinguistas sabem que há uma alternativa.

 

 

Jorge Maia - O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:24

Problema ou oportunidade

Rui Gomes, em 22.02.17

 

20199859_bZzDY.jpg

A ausência de Adrien, que se admite possa prolongar-se durante oito semanas, é um problema, mas também uma oportunidade para o Sporting.

 

O problema é mais fácil de identificar. Esta época, os leões ainda não conseguiram ganhar na I Liga sem Adrien Silva. O médio lesionou-se em Guimarães, à sétima jornada. Quando saiu de campo, o Sporting estava a vencer por 1-0, mas o jogo terminou empatado [3-3], o mesmo desfecho das duas partidas seguintes, frente ao Tondela [1-1] e contra o Nacional [0-0]. Antes de Adrien se lesionar, o Sporting estava no segundo lugar, a um ponto do Benfica; quando Adrien voltou, os leões estavam na quarta posição, a sete pontos do líder.

 

Não é preciso muito mais do que isto para ilustrar o peso que o capitão tem para a eficácia do futebol leonino ou para justificar as preocupações que uma ausência prolongada suscite em Alvalade, especialmente numa altura em que as alternativas não são as mesmas que existiam em Outubro. O que nos traz à tal oportunidade de que falava no início. Uma oportunidade para Francisco Geraldes, que Jesus não se pode dar ao luxo de continuar a ignorar, por exemplo. Ou até para reabilitar Palhinha, depois do atropelamento que sofreu no Dragão. No mínimo dos mínimos, uma boa oportunidade para a equipa encontrar alternativas e começar a livrar-se da dependência em relação a Adrien.

 

O médio esteve para sair de Alvalade no verão passado e, tal como nesta época está a escrever-se, deve ser ainda mais difícil convencê-lo a ficar no próximo. Ora, se mais cedo ou mais tarde o Sporting vai ter de aprender a viver sem ele, talvez o melhor seja começar já.

 

 

Jorge Maia - O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:37

Comentar

Para comentar, o leitor necessita de se identificar através do seu nome ou de um pseudónimo.




Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Taça das Taças 1963-64



Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D




Cristiano Ronaldo