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Problema sério

Rui Gomes, em 11.01.18

 

O racismo é um problema. Reconhecê-lo é a primeira forma de o combater.

 

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1 - A notícia de que o Pleno do Conselho de Disciplina ilibou o Sporting de Braga de quaisquer acusações de racismo é reconfortante a vários níveis. Desde logo, por assegurar que o Braga é um clube decente, ao garantir que não há "qualquer facto que permita afirmar que promoveu, consentiu ou tolerou qualquer ato de cariz racista ou xenófobo por parte dos seus adeptos". O contrário representaria, obviamente, um comportamento intolerável e uma mancha indelével na honra de um emblema histórico.

 

Igualmente reconfortante é perceber que as instituições da justiça desportiva funcionam, nomeadamente assegurando as condições para que um clube possa limpar o respetivo nome de uma acusação tão grave como aquela que lhe foi feita através dos meios legais colocados à sua disposição. Dito isto, convém que esta decisão não nos faça baixar a guarda. Basta passar por qualquer caixa de comentários de qualquer jornal para perceber que racismo existe e é um problema. Reconhecê-lo é o primeiro passo para combatê-lo.

 

2 - Ouve-se Jesus dizer que Wendel terá dificuldades para apanhar o comboio e percebe-se nas palavras do treinador do Sporting, mais do que um desafio lançado ao brasileiro, a necessidade de enviar uma mensagem de tranquilidade à equipa. Depois dos pedidos insistentes de prendas dirigidos ao presidente, sob ameaça de hipoteca de alguma das frentes em que a equipa se encontra envolvida, as sucessivas notícias da chegada de reforços a Alvalade que tem marcado os últimos dias tinham um potencial considerável de criação de bolsas de resistência e consequente desestabilização do balneário.

 

Até por isso, agora que os reforços estão assegurados, é apenas normal que o treinador sinta a necessidade de mostrar publicamente que confia nos outros, os que trataram de lhe garantir a presença nas tais quatro frentes que ainda tem para disputar. Afinal, não adianta nada ganhar três ou quatro reforços se se perderem outros tantos jogadores no processo.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:00

Bom, mesmo, só para o Dragão

Rui Gomes, em 06.01.18

 

Resultado do dérbi foi mau para o Sporting, mas pior para o Benfica. Mas os sinais do jogo também contam.

 

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Jorge Jesus garantiu que o empate no dérbi não é um bom resultado para o Sporting, mas é pior para o Benfica, e tem razão. Desde logo, porque os encarnados fizeram muito mais para ganhar o jogo do que os leões, mas sobretudo porque, depois das contas feitas, a liderança ficou agora a cinco pontos de distância, sem que a diferença para o Sporting tenha diminuído.

 

O Benfica é mais terceiro depois do dérbi do que era antes, mas a verdade é que voltou a sobreviver ao confronto directo com um dos rivais e até deu uma prova de vida capaz de adiar a condenação definitiva de Rui Vitória ao cadafalso. É verdade que as águias estavam entre a espada e a parede e o espaço ainda se estreitou mais depois do golo do Sporting, mas arriscaram tudo e chegam à última jornada da primeira volta vivas, mesmo sem ter conseguido quebrar o enguiço dos jogos à semana. Um problema que os encarnados não voltam a ter tão cedo.

 

Quanto ao Sporting, é impossível não ver no dérbi de ontem uma oportunidade perdida, até pela vantagem de que a equipa beneficiou desde cedo. Jesus não costumava ficar satisfeito com tão pouco, mas a idade muda as pessoas e aquilo que se viu foi uma equipa amontoada em frente da baliza de Rui Patrício e incapaz de explorar o contra-ataque. Uns dias antes e não sei se ia ter as prendas que pediu a Bruno de Carvalho.

 

Já Sérgio Conceição ganhou argumentos para pedir reforços. O FC Porto ganhou e isolou-se na frente, mas sofreu e percebeu-se que a equipa precisa de argumentos não só para discutir com os adversários, mas também para resistir a outro tipo de interferências. Há limites para além dos quais nenhum treinador consegue esticar um plantel.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:36

O pragmatismo aplicado ao dérbi

Rui Gomes, em 03.01.18

 

O Benfica precisa de sobreviver ao jogo com o Sporting. Ganhar será o ideal, claro, mas não perder também serve.

 

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Rui Vitória diz que não lhe interessa ganhar um jogo contra um clube grande se a seguir perder contra uma equipa qualquer. Provavelmente, a abordagem do Benfica aos clássicos com o FC Porto e o Sporting nunca foi assumida de uma forma tão clara pelo treinador dos encarnados. Tal como aconteceu nos últimos anos, tal como ficou claro no jogo do Dragão, o objectivo do Benfica nos jogos com os grandes é sobreviver-lhes, para decidir o campeonato a seguir, nos encontros com as outras equipas.

 

Amanhã (hoje), Rui Vitória vai jogar uma parte importante do resto da temporada frente ao Sporting. Nesta altura, e olhando para a sequência de resultados mais recentes, parece evidente que os leões estão mais fortes e mais estáveis, mas um clássico é sempre um jogo de tripla. A jogar em casa, perante os seus adeptos, em desvantagem em relação aos rivais, e apenas com o campeonato para disputar depois das eliminações na Taça de Portugal, na Champions e na Taça da Liga, seria de esperar que o Benfica assumisse a iniciativa do jogo para dar uma prova de vida. A questão é que foi em condições parecidas que os encarnados foram jogar ao Dragão e nem por isso deixaram de celebrar o empate arrancado a ferros frente ao FC Porto como se de uma vitória se tratasse.

 

Com o campeonato ainda na primeira volta, com os rivais envolvidos em quatro frentes, o objectivo do Benfica para o dérbi com o Sporting é sobreviver. Ganhando de preferência, como é óbvio, mas sobretudo não perdendo. No fundo, garantindo que 2018 não começa pelo fim.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:44

Regresso à anormalidade

Rui Gomes, em 22.12.17

 

Depois da goleada no jogo com o Tondela, o Benfica voltou à normalidade das exibições sofríveis e dos resultados comprometedores.

 

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Afinal, as recém-notícias da retoma do Benfica eram francamente exageradas. O empate de ontem, frente a um Portimonense que Vítor Oliveira submeteu a oito mexidas em relação ao jogo com o Sporting, deixa os encarnados com um pé fora da Taça da Liga e dependente de resultados de terceiros para poder sonhar com o apuramento. Depois da participação catastrófica na Liga dos Campeões e da eliminação na Taça de Portugal, a Taça da Liga, prova onde o clube até tem tradições, parecia o lugar certo para ganhar balanço para o decisivo dérbi de 3 de Janeiro com o Sporting, mas o que se viu foi, mais uma vez, um Benfica tacticamente instável, emocionalmente frágil e a atravessar uma enorme crise de confiança.

 

Perder uma vantagem de dois golos para acabar com o credo na boca, jogando em casa e frente a uma equipa que aproveitou para dar minutos a jogadores que ainda não os tinham tido - Vítor Oliveira destacou os casos de Inácio, Jadson e Ryuki - diz quase tudo sobre o momento que os encarnados atravessam, desmentindo a "boa fase" que Rui Vitória imaginou estar a atravessar depois da goleada que o Tondela permitiu. Salvo uma conjugação de resultados altamente improvável, o Benfica arrisca chegar ao final do ano apenas com o campeonato na agenda e isso implica jogar o dérbi com o Sporting com a corda ainda mais apertada na garganta. Uma situação desconfortável, especialmente considerando a demonstração de força que os leões protagonizaram ontem em Alvalade e a vontade que Jesus terá de estreitar o laço.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:53

 

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"O VAR funcionou no domingo em Braga, anulando bem o que teria sido um dos golos do campeonato, marcado por Hassan. Perdeu-se uma pequena obra de arte, mas ganhou-se verdade desportiva e provou-se, mais uma vez, que o videoárbitro é uma ferramenta que funciona, desde que seja usada. O que só faz aumentar a perplexidade com o número de vezes em que tem sido pura e simplesmente ignorada pelos árbitros.

 

Árbitros agredidos, invasões de campo, jogos interrompidos. Pode dar jeito a alguns discursos dizê-lo, mas o problema não começou nem vai acabar neste fim de semana. E ninguém pode atirar pedras ao vizinho".

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

Entretanto, o vídeo-árbitro voltou a assumir papel decisivo no Estoril-Portimonense desta segunda-feira. Aos 55 minutos, a equipa algarvia marcou e, numa fase inicial, o árbitro Bruno Paixão validou o golo.

 

No entanto, o juiz recorreu ao VAR para verificar a legalidade do lance e, verificando que um jogador do Portimonense se encontrava em posição irregular, reverteu a decisão, anulando o golo e mantendo o nulo no marcador.

 

Pelos vistos, nem todos os árbitros ignoram o vídeo-árbitro, mas como refere Jorge Maia, o problema não começou nem vai acabar este fim de semana.

 

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publicado às 04:37

A medida da Champions

Rui Gomes, em 21.11.17

 

A Europa também reflecte o momento que cada um dos três grandes atravessa.

 

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E agora algo completamente diferente. A Liga dos Campeões é aquela competição que coloca os três grandes clubes portugueses na posição desconfortável de terem de olhar para os adversários de baixo para cima ou, na melhor das hipóteses, olhos nos olhos e, em qualquer dos casos, apoiados nos bicos de pés para não se notar tanto da diferença de tamanho. Claro que quem já esteve numa posição semelhante sabe como pode ser difícil mantê-la por muito tempo, o que há de explicar os problemas que as equipas portuguesas têm sentido para se afirmarem na liga milionária.

 

Claro que há diferenças entre os três grandes. O Sporting e, especialmente, o FC Porto têm as hipóteses de apuramento intactas, o que, em contrapartida, desautoriza poupanças na liga milionária numa altura em que o calendário aperta e os plantéis não esticam. O Benfica, por seu lado, já resolveu o problema. Com quatro derrotas, dez golos sofridos e apenas um marcado, as hipóteses de apuramento são tão remotas que Rui Vitória não tem sentido qualquer problema, não apenas para poupar jogadores tão decisivos como Jonas para as competições internas, como ainda para fazer o baptismo de fogo de alguns jovens (Svilar, Rúben Dias ou Diogo Gonçalves por exemplo) numa prova em que os eventuais erros são facilmente digeridos pelos adeptos e pouco menos que irrelevantes em termos desportivos.

 

Claro que, por outro lado, o sofrível desempenho do Benfica na Liga dos Campeões, que se estende da defesa ao ataque mas também ao capítulo disciplinar, não ajuda nada a sustentar o discurso oficial segundo o qual os problemas sentidos a nível interno se devem a factores extra futebol. Mas essa é uma outra conversa.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:46

Renovação inevitável

Rui Gomes, em 08.11.17

 

Alguns sectores da Selecção Nacional estão a chegar ao limite do prazo de validade.

 

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Não é provável que um par de amigáveis e uma mão-cheia de treinos em Outubro influenciem de maneira determinante as decisões que Fernando Santos há de tomar em relação aos 23 convocados para o Mundial do próximo ano. Mais ainda quando os jogadores chamados para os jogos com a Arábia Saudita e os Estados Unidos vão actuar num contexto que não é exactamente o da Selecção que nos habituámos a reconhecer, desde logo ao longo do apuramento. Afinal, uma equipa sem Rui Patrício, William, João Moutinho ou Cristiano Ronaldo, para citar apenas os mais óbvios ausentes, não pode ser exactamente a mesma coisa e todos sabemos que os jogadores são eles próprios e as respectivas circunstâncias.

 

O que não invalida a importância da observação que o seleccionador Fernando Santos vai fazer de alguns dos valores emergentes no futebol português. A renovação da Selecção é uma inevitabilidade, mesmo sendo provável que o Mundial da Rússia sirva muito mais como uma porta de saída para a geração actual do que propriamente como uma porta de entrada para a seguinte. De resto, como todos sabemos, há sectores que simplesmente não podem esperar mais por essa renovação, a começar pelo eixo da defesa.

 

No último jogo da fase de apuramento, frente à Suíça, Pepe (34 anos) e Fonte (33 anos) eram os únicos centrais disponíveis, mas as alternativas, Bruno Alves (35) e Neto (29), não são exactamente jovens com grande margem de progressão, pelo que se saúdam as actuais chamadas de Edgar Ié e Ricardo Ferreira e se olha com interesse para a evolução de jogadores como Rúben Dias ou André Pinto.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:49

Altos e baixos

Rui Gomes, em 02.11.17

 

O Benfica fica à espera de um milagre na Champions; o Sporting ainda respira pelos próprios meios.

 

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Há boas e más notícias para retirar dos dois jogos de terça-feira. Ora, manda o senso comum guardar o melhor para o fim, pelo que o mais sensato será arrumar já com a parte desagradável. O Benfica voltou a perder e a não conseguir marcar, tornando o apuramento num exercício de fé e matemática.

 

Para o conseguirem, os encarnados terão de vencer os dois jogos que restam, esperar que o Manchester faça o mesmo e ainda anular a desvantagem que carregam nos factores de desempate em relação a CSKA e Basileia.

 

Não é impossível, mas nunca foi feito e a verdade é que, até a julgar pelo alinhamento de terça-feira, com Jonas - autor de cinco dos últimos oito golos do clube da Luz - a começar no banco, parece-me evidente que o foco de Rui Vitória já está no campeonato. Aliás, considerando não apenas o tormento em que se tornou a carreira europeia, mas também o impacto que tem tido no campeonato (cinco pontos perdidos nos jogos realizados após jornadas europeias), uma saída prematura da Europa pode ser exactamente o que o doutor receitou.

 

O que nos traz até ao Sporting e à evidência de que faltam 10-15 minutos aos leões para discutirem até ao fim um dos grupos mais complicados da Champions. Faltou isso em Itália e voltou a faltar anteontem, apesar da excelente resposta que a equipa deu às ausências de Mathieu, Coentrão, Piccini e William, sobretudo graças à energia inesgotável de Gelson.

 

E se é verdade que o empate deixa a equipa na luta, mesmo que a lógica aponte o foco para a Liga Europa, não é menos certo que a recém-sucessão de lesões musculares e a fadiga acumulada ainda se podem reflectir no campeonato, desde logo em jogos mais exigentes, como o próximo, com o SC Braga. Ainda assim, ao contrário do Benfica, o Sporting ainda respira pelos seus próprios meios na Champions. E essa é uma boa notícia.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 10:00

Detalhes que fazem diferença

Rui Gomes, em 29.10.17

 

Feirense e Rio Ave voltaram a mostrar que o campeonato não é um simples passeio para os grandes.

 

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"É sempre possível dividir o jogo e discutir o resultado", afirmação de Nuno Manta, treinador do Feirense, depois da sua equipa ter obrigado o Benfica a suar as estopinhas para garantir a segunda vitória consecutiva no campeonato. Um pouco mais tarde, o Rio Ave forçava o Sporting a um esforço semelhante, desmentindo, mais uma vez, a ideia de que o campeonato se divide necessariamente entre os grandes e a carne para canhão.

 

No limite, pode dizer-se que, nos dois jogos de ontem, a diferença esteve nos detalhes, embora seja um claro exagero chamar "detalhe" a goleadores da dimensão de Jonas ou Bas Dost. Aliás, basta olhar para a enorme exibição de Rui Patrício, ou para o lance desperdiçado por Guedes, de baliza aberta, instantes antes do golo do Sporting, para perceber que, de facto, são os pequenos detalhes que fazem as grandes diferenças. E sim, o VAR também entra nestas contas. Mas adiante.

 

Para a história do campeonato ficam as duas vitórias, tão importantes para o Benfica que, mesmo timidamente, sacudiram a crise que pairava sobre a Luz, como para o Sporting que, apesar de ter perdido jogadores tão influentes como Mathieu e Piccini, manteve a pressão alta sobre o FC Porto. Ora, se a vitória sobre o Benfica e o facto de o Boavista ainda não ter perdido para o campeonato desde a mudança de treinador não tiver chegado para avisar Sérgio Conceição sobre os riscos que a deslocação de hoje ao Bessa encerra, talvez os dois jogos de ontem sirvam de alerta definitivo.

 

Afinal, se não há jogos fáceis, os dérbis são um bocadinho mais jogos do que os outros e nem sempre é possível contar com os detalhes.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 02:20

Solução interna

Rui Gomes, em 14.10.17

 

Boas indicações dos jogadores lançados por Jirge Jesus em Oleiros dão que pensar.

 

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Mais importantes do que os quatro golos da vitória natural sobre o Oleiros, através dos quais o Sporting garantiu a passagem à quarta eliminatória da Taça de Portugal, foram as boas indicações deixadas a Jorge Jesus por uma mão-cheia de jogadores à procura de espaço em Alvalade.

 

João Palhinha terá exagerado um bocadinho quando disse que a equipa enfrentou o jogo como se o adversário fosse "o Barcelona, o FC Porto ou a Juventus", mas é verdade que tanto ele como Gelson Dala, Matheus Oliveira, Daniel Podence ou Iuri Medeiros ultrapassaram as dificuldades colocadas mais pelo diminuto sintético que propriamente pelo Oleiros para demonstrar que, com alguma paciência, a solução para alguns dos problemas que o treinador tem identificado no plantel pode ser encontrada dentro de casa. Talvez seja só uma questão de deixar de procurá-la fora.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:28

Fórmula resolvente

Rui Gomes, em 10.10.17

 

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Há um ponto comum a todas as vitórias de Portugal no apuramento para o Mundial do próximo ano: a dupla Cristiano Ronaldo e André Silva no ataque. Mesmo frente a Andorra, o jogo só foi desbloqueado depois de Fernando Santos recuperar essa espécie de fórmula resolvente para os ancestrais problemas de finalização da Selecção Nacional.

 

Juntos, Ronaldo e André Silva são responsáveis por 23 dos 30 golos marcados pela Selecção até agora, mais de 76 por cento do total. Ora, curiosamente, nenhum dos dois jogou frente à Suíça em Setembro do ano passado, na única derrota sofrida até agora e no único jogo em que Portugal não marcou qualquer golo durante a fase de apuramento. Escrito assim, e considerando que, tal como o seleccionador sublinhou no final do jogo com Andorra, ganhar à Suíça é o único remédio e que não se pode ganhar sem marcar golos, a titularidade de ambos parece um dado adquirido no decisivo jogo de hoje.

 

É verdade que a Suíça não é Andorra, nem a Hungria, nem a Letónia. E também é verdade que o sistema 4x2x3x1 dos helvéticos convida ao reforço do meio-campo para equilibrar a discussão numa zona decisiva do campo, não só para garantir o municiamento ofensivo, mas também para evitar uma surpresa desagradável num lance de contra-ataque. Mas foi precisamente isso que o seleccionador tentou fazer no jogo do ano passado, com o resultado que se conhece. Depois, nessa altura, Fernando Santos não podia contar com Ronaldo nem tinha descoberto a simbiose perfeita que se desenvolveu entre o melhor jogador do mundo e André Silva.

 

Portugal tem o segundo (para já) e quarto melhores marcadores da fase de apuramento para o Mundial de 2018 e pode usá-los amanhã. Parece evidente que são os suíços que têm de estar preocupados, não?

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:58

Abriu-se uma caixa de Pandora

Rui Gomes, em 30.09.17

 

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Era inevitável que o castigo de três jogos de suspensão a Jorge Sousa, por palavras dirigidas ao guarda-redes da equipa B do Sporting, acabasse por ter réplicas ao longo do campeonato. As expulsões Zainadine e Jubal, por linguagem grosseira, dificilmente teriam acontecido fora desse contexto que tornou os árbitros - ou pelo menos Fábio Veríssimo - mais sensíveis a eventuais excessos.

 

Claro que, depois de se abrir uma caixa de Pandora, não se pode voltar a fechá-la. Os excessos de linguagem dos jogadores são constantemente perceptíveis nas imagens das televisões e audíveis nas bancadas. A partir de agora, não puni-los ou, pior, punir uns e ignorar outros, passa a ser tema de polémica. Era mesmo o que a arbitragem portuguesa precisava, não era?

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 16:15

Desafio Champions

Rui Gomes, em 12.09.17

 

O arranque das provas europeias vai colocar os candidatos ao título sob pressão.

 

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Na última época, o Sporting perdeu duas vezes para o campeonato e empatou outras duas em jornadas disputadas imediatamente a seguir a jogos da fase de grupos da Champions. Ao todo, os leões perderam dez pontos no campeonato enquanto disputaram a liga milionária, passando do primeiro lugar e de uma vantagem de dois pontos sobre o Benfica para o terceiro, a cinco pontos dos encarnados. Muito do que foi a última época do Sporting ficou definido durante esse período.

 

Conseguir lidar com a pressão e o desgaste, tanto físico como emocional, provocados pela necessidade de jogar ao mais alto nível duas vezes por semana representa um desafio de gestão considerável para qualquer um dos candidatos ao título e, simultaneamente, uma oportunidade para os adversários internos, que, como se viu mais uma vez na última jornada, estão longe de ser carne para canhão. É todo um novo campeonato, o que vai começar esta semana.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:16

Punição indirecta

Rui Gomes, em 09.09.17

 

Foram os árbitros a pagar pela entrada de Eliseu.

 

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Afinal, o caso Eliseu teve consequências disciplinares. Não para o jogador, como já todos sabemos, mas para os árbitros que não viram ou fecharam os olhos ao lance. Sim, há uma diferença entre não ver e fechar os olhos. Rui Costa, o árbitro, não terá visto; Vasco Santos, o video-árbitro, não pode alegar o mesmo. O próprio admitiu ter visto o lance de vários ângulos diferentes, para concluir, contra a opinião do próprio CA, tratar-se de um lance normal, o que explicará o facto de, mais uma vez, não ter sido nomeado como VAR - o árbitro do Porto ainda não fez as provas físicas pelo que apenas pode desempenhar funções de video-árbitro - para nenhum dos jogos do próximo fim de semana. Rui Costa, em contrapartida, saltou da jarra para apitar, mas na II Liga. É verdade que Eliseu se terá ficado a rir, mas não deixa de ser um bom sinal que uma entrada assim não passe sem punição. À atenção dos árbitros.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 11:00

Octávio passageiro

Rui Gomes, em 24.07.17

 

Não era difícil prever que a relação entre Octávio Machado e Bruno de Carvalho chegasse ao fim com estrondo.

 

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Há mais ou menos dois anos, quando foi anunciada a contratação de Octávio Machado pelo Sporting, antecipei neste espaço que a relação entre o novo director-geral e Bruno de Carvalho tinha tudo para funcionar mais ou menos como os submarinos que, como todos sabemos, até podem flutuar, mas foram feitos para afundar.

 

De resto, considerando a rigidez, beligerância e inflexibilidade das personalidades em causa, era tão previsível a rotura que agora se confirma, como fatal o estrondo provocado pelo inevitável choque que se lhe seguiu. Expressões como "cobarde", "passarinho", "terceira escolha" ou "isto não é a Santa Casa" e "um especialista em áreas mentais que trate dele" são tão duras como pouco surpreendentes, considerando os protagonistas.

 

Quanto a consequências, também é possível antecipar algumas. Para Octávio Machado, que já tinha batido a porta do FC Porto com a mesma violência e que passou os últimos dois anos nas trincheiras de Alvalade a disparar sobre o Benfica, o tumultuoso processo de saída do Sporting significa muito provavelmente o fim do envolvimento directo no futebol português ao mais alto nível. Para Bruno de Carvalho, mais uma separação litigiosa pode encerrar pelo menos uma lição importante: é muito complicado apontar ao futuro apostando em soluções do passado.

 

Mais difíceis de prever são as consequências que tudo isto poderá ter no relacionamento entre o presidente leonino e Jorge Jesus, principal responsável pela chegada de Octávio a Alvalade. Talvez depois de ouvirmos o que o treinador terá a dizer sobre o assunto tudo fique mais claro.

 

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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Entretanto, Octávio Machado, em declarações ao jornal O Jogo, deu o caso da guerra aberta entre ele e Bruno de Carvalho por encerrado:

 

«O Sporting e os sportinguistas não merecem que isto se estenda no tempo. Dado todo o respeito que tenho pela instituição e a sua massa associativa e adepta, é 'finito'.

 

Nada disto deveria ter acontecido. O Sporting precisa de estabilidade, mas lamento profundamente. Não podia permitir as ofensas que me foram feitas. Fico-me por aqui».

 

Ainda bem que o bom senso prevaleceu, tardio mas ainda assim bem vindo, e esperamos que isto seja mesmo o fim de um episódio indecoroso em que só o Sporting saiu a perder.

 

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publicado às 04:25

Maus hábitos e boas práticas

Rui Gomes, em 09.07.17

 

Fernando Gomes sentiu a necessidade de recordar que à mulher de César não basta ser honesta

 

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Não deixa de ser relevante que Fernando Gomes tenha sentido a necessidade de recordar, por carta dirigida aos presidentes dos órgãos sociais da Federação Portuguesa de Futebol, que os elementos que os integram não devem solicitar nenhum tipo de oferta a qualquer agente desportivo. Nem deixa de ser significativo que a missiva mencione de forma específica os pedidos de bilhetes para jogos de futebol. Afinal, a oferta de ingressos, precisamente a elementos de órgãos sociais da FPF, é um dos temas levantados em alguns dos alegados emails recentemente divulgados pelo FC Porto.

 

Sendo obviamente de louvar a preocupação do presidente da Federação com a moralização do futebol português, o facto de sentir a necessidade de o fazer precisamente agora e de forma pública há de significar alguma coisa. Quer dizer, se os maus hábitos não existissem, não havia necessidade de recordar as boas práticas, pois não?

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:41

Tem a palavra a Federação

Rui Gomes, em 16.06.17

 

A confirmação da existência dos emails divulgados pelo FC Porto obriga a FPF a agir rapidamente.

 

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Bem espremido, o essencial do comunicado emitido ontem por Mário Figueiredo, ex-presidente da Liga, é fácil de resumir: os emails divulgados pelo FC Porto na véspera existem mesmo. Depois há o facto de não chegar a explicar porque se despede de Luís Filipe Vieira dizendo "sempre tenho estado e estou ao TEU LADO", assim mesmo, em maiúsculas, embora por esta altura se perceba que a linguagem utilizada nestas trocas de mensagens é muitas vezes carinhosa e até ternurenta, como fica evidente no "só quero ser um menino querido para vocês" enviado por Nuno Cabral a Paulo Gonçalves.

 

Também faltou a Mário Figueiredo explicar a diligente resposta ao "pedido" do mesmo Paulo Gonçalves, quando o assessor jurídico da SAD do Benfica intercedeu a favor do "menino querido" para lhe garantir a presença num jogo da I Liga, mas talvez ainda venha a ter oportunidade de o fazer. Aliás, aquilo que é justo esperar de toda esta polémica é que tudo seja devida e cabalmente explicado, conforme, de resto, foi solicitado pela APAF aos organismos competentes da Federação Portuguesa de Futebol.

 

Neste momento há uma incontornável suspeita sobre a forma como o atual quadro de árbitros e delegados foi sendo definido ao longo dos últimos anos para favorecer os interesses de um clube, a começar pelas evidências de influência sobre o sistema de avaliação. Uma suspeita que não pode ficar sem resposta, sob risco de descrédito de todo o edifício do futebol português. Sendo os árbitros que estão em causa, é natural que sejam eles os primeiros a querer levar o caso até às últimas consequências, mas não podem ser os únicos. Tem a palavra a Federação.

 

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:53

Fantasmas

Rui Gomes, em 18.05.17

 

Mais do que fazer questão de manter Jesus em Alvalade, Bruno de Carvalho não o quer ver no Dragão.

 

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Jorge Jesus tem uma dívida de gratidão para com o FC Porto que se mede em milhões de euros. Muitos milhões de euros, para ser mais exacto, que o agora treinador do Sporting e antes treinador do Benfica ganhou ao longo dos últimos anos graças ao FC Porto.

 

Ou pelo menos ao fantasma do FC Porto que assombrou Luís Filipe Vieira, levando-o a inflacionar-lhe catastroficamente os ordenados, e que agora assombra Bruno de Carvalho, mantendo o presidente leonino pouco menos do que refém do treinador.

 

Afinal, por esta altura, parece evidente que, mais do que querer manter Jesus em Alvalade, o presidente do Sporting não quer correr o risco de o ver no Dragão. Exactamente até onde estará disposto a ir para o garantir é o que resta saber. Isso e quanto Jesus ganhará ao certo desta vez.

 

 

Texto da autoria de Jorge Maia, jornal O Jogo.

 

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publicado às 15:00

Pequenos passos

Rui Gomes, em 17.05.17

 

Se quiserem reduzir a diferença para o Benfica, Sporting e FC Porto têm de meter pés ao caminho.

 

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Enquanto o Benfica festejava a conquista do tetra, desta vez na Câmara Municipal de Lisboa, Sporting e FC Porto davam passos na preparação da próxima temporada. Os leões anunciaram a contratação de Piccini e Mattheus para juntar na lista de reforços a André Pinto, enquanto os dragões oficializavam as renovações com Galeno e Kayembe, ambos com lugar reservado pelo menos na pré-época.

 

A esta distância, não se pode dizer que sejam passos enormes, mas são passos e, se não significarem mais nada, significam que tanto em Alvalade como no Dragão há a consciência de que é preciso pôr os pés ao caminho. Nos festejos do tetra, Luís Filipe Vieira disse que o Benfica tinha pelo menos dez anos de avanço sobre os rivais. Até olhando para aquilo que foi o campeonato até há um par de jornadas, talvez dez anos seja um exagero, mas é verdade que os encarnados partem para a próxima temporada como partiram para as últimas quatro: em vantagem.

 

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 17:35

Continua a ser cada um por si

Rui Gomes, em 29.04.17

 

Antes de começarem a cantar cumbayá todos juntos, os presidentes dos principais clubes podiam começar por serem capazes de trabalhar em conjunto.

 

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Como já se tornou habitual, Bruno de Carvalho exagerou. Outra vez. Ninguém espera que os presidentes dos três grandes digam que se dão muito bem e cantem cumbayá todos juntos, até porque de cânticos deprimentes está o futebol português cheio. Aquilo que se devia poder esperar de qualquer pessoa, de todos os dirigentes, e por maioria de razão dos responsáveis pelos principais clubes era, isso sim, que actuassem de forma responsável e não passassem a vida a trocar insultos, acusações e suspeitas.

 

Sendo isso aparentemente impossível, talvez fosse razoável esperar que, no mínimo, fossem capazes de trabalhar juntos para proteger a credibilidade, se não do desporto em si, pelo menos do negócio. Afinal, independentemente das respectivas cores, pelo menos esse é certamente um interesse que todos têm em comum.

 

Claro que quando se ouve o presidente do Sporting dizer que as intervenções dos dirigentes "tiram a pressão da panela" e nos recordamos de como, à força de os ouvirmos a eles e aos ecos que têm espalhados em cada esquina, todos a adivinhamos prestes a explodir ainda antes da morte de Marco Ficini, percebe-se que não há muito a fazer. Vai continuar a ser cada um por si e salve-se quem puder, com a certeza de que nesta, como em qualquer luta de elefantes, quem perde é o capim.

 

 

Jorge Maia - jornal O Jogo

 

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publicado às 13:05

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