Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



A nódoa

Rui Gomes, em 21.09.17

 

Benfica tem relacionamentos promíscuos com duas figuras centrais no caso Marco Ferreira. Factos.

 

19668301_GZJst.jpg

Um árbitro internacional (e profissional) desce de escalão depois de ter dirigido três derrotas do Benfica. O vice-presidente do Conselho de Arbitragem que, à data, geria as classificações dos árbitros é, posteriormente, apoiado pelo Benfica na candidatura à Associação de Futebol de Coimbra e envia facturas de dezenas de milhares de euros para a Luz. O observador que deu ao árbitro a nota que mais contribuiu para a descida (num jogo perdido pelo Benfica) tem relações altamente promíscuas, se não até ilegais, com o mesmo clube.

 

É isto que se verifica nos emails revelados pelo FC Porto (já descontando várias outras acusações), resumido com clareza, sem gorduras, nem subjectividades. Estes são os factos que constam dos documentos contestados pelo Benfica não como falsificações mas como pirataria informática ou violação de correspondência.

 

O que há a esclarecer, com urgência, como é que um clube com a permanente altivez moral do Benfica pode, primeiro, manter trocas de favores com observadores e ex-responsáveis pelas classificações de árbitros; e, depois, sem nunca negar a autenticidade dos emails, furtar-se de mil maneiras a explicar esses relacionamentos obviamente comprometedores. Mas o Benfica responde aos benfiquistas e a Federação, a quem pertenceram os dois envolvidos, responde aos cidadãos.

 

Se da Luz não vêm esclarecimentos, ao menos que a FPF obrigue os antigos colaboradores a justificarem as suas condutas, em tribunal se for preciso. É muito digno que, da Cidade do Futebol, venha finalmente tanta preocupação com a gritaria que emporcalha o jogo, mas há sempre dois responsáveis quando algo está sujo: quem sujou e quem não limpa.

 

Nota: escrevo isto sabendo que, nas últimas eleições, a lista de Fernando Gomes varreu muita desta gente, incluindo as duas figuras deste comentário, mas, aos olhos do público, a nódoa continua lá.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:05

As vandalizações que beatificam

Rui Gomes, em 11.09.17

 

É muito feio fingir que os mais prejudicados pelos ataques aos árbitros são os mais beneficiados e vice-versa.

 

19668301_GZJst.jpg

A intimidação aos árbitros é intolerável, depois é intolerável, a seguir é intolerável e, por último, é contraproducente e destrutiva. Mesmo que pudéssemos retirar a higiene moral da conversa e falássemos apenas de estratégias maquiavélicas, continuaria a ser péssima de todos e quaisquer ângulos. Cria mártires inconvenientes e aferroa o corporativismo dos árbitros, que, por sua vez, mata qualquer ambição de autocrítica e confronto interno, essenciais neste mau momento.

 

Na actual guerra de facções, estes acontecimentos são tão maus para a causa do FC Porto e bons para a do Benfica que seria inconcebível que, no Dragão, não se fizesse tudo para os evitar e repudiar (por muita preguiça que por aí haja em conceder o óbvio). No entanto, eles continuam a suceder, sem que a única entidade capaz de ajudar a tirar os responsáveis do anonimato dê sinais de ter avançado um milímetro nos vários processos de investigação que ficaram para trás, desde os ataques aos talhos de Manuel Mota. Corro o risco de errar, porque o comando central da PSP recusou dar-nos informações, mas o último caso de que há registo foi o dos nove adeptos do Benfica condenados, em 2012, por ameaçarem um grupo de árbitros - incluindo Vasco Santos - através de mensagens de telemóvel. A brincadeira ficou mesmo pelo preço de uma brincadeira - multas entre os 400 e os mil euros -, ainda assim bem melhor do que se tem conseguido nos casos de ameaças e vandalismo posteriores.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:19

Eliseu: Sporting e FC Porto erram

Rui Gomes, em 10.09.17

 

Castigar o lateral seria pôr os advogados e o perverso CD a jogar o campeonato. É mesmo isso que querem?

 

19668301_GZJst.jpg

Passada uma semana sobre o arquivamento do caso Eliseu pelo Conselho de Disciplina, é o momento de dizer o óbvio ululante, como lhe chamava Nélson Rodrigues: se o CD fosse tão favorável ao Benfica como Sporting e FC Porto defendem, a última coisa que estes dois desejariam era que Eliseu tivesse sido castigado pelo pisão em Diogo Viana.

 

Se José Manuel Meirim transigisse na regra de não julgar acções já analisadas pelos árbitros, condenando o lateral, os jogos passariam a ser uma torrente de processos em potência, à disposição dos departamentos jurídicos dos clubes, a começar pelo mais calculista de todos, que é o do Benfica. Sporting e FC Porto queriam mesmo estender ao pérfido Conselho de Disciplina (dizem eles) dúzias de possibilidades de favorecer o Benfica todas as jornadas?

 

O Conselho de Disciplina é um inimigo desnecessário e muito forçado; uma ilusão de óptica que não ajuda ninguém. Cada vez que Sporting ou FC Porto cedem à demagogia, analisando superficial ou maliciosamente uma polémica, enfraquecem as denúncias dos emails e a verosimilhança do submundo que Francisco J. Marques tem vindo a revelar. Cada vez que seguem uma linha torta aproximam-se dos comportamentos que denunciam.

 

O caso Eliseu é pelouro do Conselho de Arbitragem: os castigados devem ser os árbitros, agora com mais justificação moral ainda, porque se acabou a conversa de que no sofá é fácil analisar os lances e também porque, justa ou injustamente, a sombra dos emails existe. Não lhes cabe o direito de empinar o nariz e fingir que não.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:50

O inferno dos impolutos

Rui Gomes, em 06.09.17

 

Braga e V. Guimarães partiram em busca de uma criatura mítica no futebol atual: a reputação à prova de bala.

 

19668301_GZJst.jpg

Júlio Mendes, presidente do V. Guimarães, estranha o negócio Pedro Neto/Jordão, dois juniores do Braga por quem a Lázio vai pagar 26 milhões de euros. A SAD bracarense ripostou com um comunicado de dezasseis parágrafos a rebentar de indignação. Não vou desempatar. Esquecendo esta transferência específica, que não tenho melhor informação para julgar, nem motivos para duvidar do Braga, a verdade é que a UEFA e a FIFA, bem como todas as ligas e federações nacionais, fecharam os olhos ao crescimento galopante e propositado da complexidade destes negócios.

 

Este defeso houve jogadores que começaram num clube, foram transferidos para outro, vendidos a um terceiro e emprestados por este ao clube de origem. São inúmeros, na Europa, os casos de reforços caros que nunca chegam sequer a treinar por quem os comprou e sempre sem qualquer escrutínio. Com frequência isto é feito às escâncaras, a coberto da suposta subjectividade das opções futebolísticas, que explica todos os disparates. Num sistema assim, não é preciso ser um Madoff para imaginar uma dúzia de formas de cometer fraudes monumentais nas barbas de uma justiça mole e pasmada, para além das engenharias financeiras indecifráveis. E o pior, para voltar ao princípio, é que tudo e todos ficam sob suspeita, façam o que fizerem e digam o que disserem, por maior que seja o grau de indignação. A prova está no comunicado do Braga em resposta a Júlio Mendes: bastou falar nas comissões do Vitória. Porque, no futebol, as comissões de um são as comissões de todos.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 05:15

 

19668301_GZJst.jpg

Um campeão europeu é isto: jogando em Budapeste, a Selecção Nacional teve 67% de posse de bola, fez 23 remates contra oito, somou 11 cantos contra um e 23 cruzamentos contra 11. Arrepiou-se um pouco quando viu o sangue no sobrolho de Pepe e saiu uns minutos de pista, mas reencontrou o sangue-frio a tempo de se poder dizer que teve sempre o jogo bem seguro pelos colarinhos.

 

Quinze meses depois do França 2016, aquele Portugal que ficou em terceiro lugar num grupo ganho pela Hungria cumpriu plenamente a obrigação de justificar "a posteriori" a taça ganha em Paris. É uma selecção adulta, que não depende de humores nem de apetites e que consegue tomar as decisões certas no campo. Ontem, a França vice-campeã europeia empatou com o Luxemburgo em casa (0-0), também ela justificando, à distância, aquele resultado tão incompreensível da final de Paris.

 

Não estou a cantar nenhuma ode à Selecção. Nestes dois jogos, dependeu demasiado de Ronaldo para o que interessa; em quase todos os golos, se não foi ele a marcar, foi ele quem fez a assistência, e continua a ser perturbador ver um médio tão inteligente como João Mário abdicar de um remate flagrante para lhe dar a bola, mas são minudências de que nenhuma equipa se livra. No essencial, Fernando Santos construiu uma Selecção altamente competente e honesta. A partir daqui, tudo o que se possa acrescentar é tão legítimo como subjectivo.

 

Nota: há uma Selecção Nacional com João Mário e outra sem ele. Portugal jogou seriamente mutilado na Taça das Confederações. Há mais jogadores especiais para além de Ronaldo.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:52

Lá fora o vento uiva

Rui Gomes, em 18.08.17

 

Na Luz, no Dragão e em Alvalade (menos) é fácil serem ferozes e implacáveis, mas a Liga decide-se ao relento.

 

19668301_GZJst.jpg

Assim fica difícil adivinhar o campeão nacional à segunda jornada. FC Porto e Benfica, por esta ordem, experimentaram os jogos fora dos seus coliseus cheios de energia patrícia e ficaram a conhecer a dura realidade da vida em Tondela e em Chaves. O Sporting conheceu-a em casa, onde em 2016/17 já fraquejara mais vezes do que os adversários.

 

Rui Vitória reivindicou melhor futebol do que diz um resultado tão demorado (93") como o de ontem, mas há duas verdades paralelas. O Benfica até foi, dos candidatos, o que mais pontos fez fora de casa na época passada, mas também marcou menos golos (23) do que FC Porto (27) ou Sporting (31), apesar da reputação de máquina trituradora e do facto, indesmentível, de ter os melhores e mais eficazes especialistas no ataque. Vinte e três golos a dividir por 17 jogos dá pouco mais de um (1,35) por cada noventa minutos, ou seja, em Chaves viu-se a aplicação da regra Rui Vitória, que já em 2015/16 tivera o melhor ataque em casa mas não fora, e até pontuara menos do que o Sporting.

 

As arenas deste título serão as alheias, em que quanto mais distantes na geografia, mais potencialmente influenciadoras da classificação. Não foi por acaso que Sérgio Conceição, treinador do FC Porto, marcou uma diferença para o seu antecessor, que insistia na ideia de que o Dragão tinha de ser inexpugnável. Conceição acrescentou o que faltava: têm de ser inexpugnáveis o Dragão e a outra metade dos jogos também. Fica a minha previsão: 2017/18 não será para campeões de chinelos e sala de estar.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 05:29

Lei interditada

Rui Gomes, em 02.08.17

 

O processo é este: viola-se a lei durante 13 anos, manda-se o IPDJ pentear macacos, muda-se umas linhas num regulamento e, pronto, caso encerrado.

 

19668301_GZJst.jpg

Uma pergunta ingénua para o Sr. secretário de Estado da Juventude e do Desporto. Imaginemos que, amanhã, um clube profissional permite que se forme, lá dentro de casa, uma claque. Essa claque recusa legalizar-se. Apesar disso, e violando a lei, o clube permite-lhe que entre no estádio com toda a parafernália das claques: bandeiras, bombos, lonas, panos, etc. Vão repetir-se alegações de que até lhe fornece dinheiro e géneros. Isto vai repetir-se todos os jogos, durante os próximos 13 anos, de maneira franca e aberta, comprovável a olho nu por qualquer pessoa com acesso a um televisor. No fim desse tempo, o ruído já vai alto e o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) chama o clube ao lado, para lhe sussurrar: "Faz lá umas mudanças no regulamento do estádio, que estes gajos são muito chatos."

 

À terceira ou quarta insistência, o clube lá aceita rasurar o papelito e, pronto, o executor da lei fez o seu trabalho. É mesmo assim que funciona? É assim que se aplicam as leis de segurança no desporto? Mesmo quando está em causa a claque-fantasma que, segundo os registos da polícia (revista "Sábado" de 4 de Maio último), é responsável pelo maior número de incidentes no desporto nacional, a uma larga distância das outras? A partir do momento em que o IPDJ decidiu estabelecer estes recordes olímpicos da paciência e da compreensão no caso Benfica, por que diabo hão de os clubes preocupar-se em respeitar a lei? Qual será a justificação do IPDJ para lhes interditar um estádio?

 

E da próxima vez que um ministro vier anunciar um novo pacote legislativo para garantir a segurança no desporto - talvez por ocasião da morte de mais um adepto -, esperemos que posicionem um caixote de lixo perto. Para haver um ganho de eficiência.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:01

O Selecções FC

Rui Gomes, em 17.07.17

 

O caminho internacional é mais dos subtítulos do que dos títulos...

 

19668301_GZJst.jpg

O futebol dos clubes está fora do controlo para os portugueses em tudo. Não têm, nem terão, mercado para competir com ingleses, espanhóis e alemães; não têm receitas alternativas a esse mercado; e não têm voz na UEFA ou na FIFA, onde a péssima e suicidária redistribuição da riqueza quase não é tema. Restam as selecções, porque (ainda) não é possível aos ingleses, espanhóis e alemães pilharem os talentos dos outros países "à la carte", como fazem nos clubes.

 

Talvez no futuro a animação que mais esta final do Europeu de sub-19 provocou por cá seja tudo a que Portugal poderá aspirar fora das suas fronteiras. Talvez estejamos prestes a tornar-nos um novo tipo de adeptos dos subtítulos, em vez dos títulos. Talvez o PSD, quando quis dar um tiro na Liga de futebol profissional esta semana, estivesse só a ser misericordioso.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:43

Terra queimada

Rui Gomes, em 11.07.17

 

Não há razões honestas para fazer da Liga uma vítima colateral do caso dos emails

 

19668301_GZJst.jpg

Aparentemente, o Benfica juntou os seus melhores cérebros, foi buscar os manuais de Python e Java e conseguiu piratear um comentário no Facebook da prima do padrinho da avó do alfaiate de alguém por identificar, mas que não é benfiquista. O comentário tem cinco anos, ou seja, o suficiente para provocar uma artrose no dedo indicador que teve de rolar o Facebook da senhora (a directora executiva da Liga, cujo nome o leitor conhece, com certeza, ou não?) até dar com o pecado original.

 

A denúncia, por fonte oficial não identificada, sucede-se ao boicote simbólico do Benfica ao sorteio da Liga, na sexta-feira passada, que por sua vez se segue a uma ameaça de abandono da direcção do mesmo organismo por "falta de posições firmes e claras".

 

Há antecedentes no dossiê Facebook que servem de pretexto ao episódio. O elemento da Comissão Arbitral da Liga indicado pelo Sindicato de Jogadores viu-se forçado a resignar depois de divulgados comentários pró-Benfica em que chamava "puto" ao presidente do Sporting, na sequência do caso Arouca/cigarro electrónico. De uma forma genérica, o tema é pertinente e o Benfica tem tanto direito a levantá-lo como outro clube qualquer.

 

Em concreto, estamos apenas a falar de emails, de Francisco J. Marques, de um presidente da Liga apoiado por FC Porto e Sporting e de um inquérito em andamento na Comissão de Instrutores desse mesmo organismo. Ou seja, a misturar alhos com bugalhos e a brincar com coisas muito sérias, como sucedeu na era Mário Figueiredo, patrocinado por quem sabemos e com os resultados que os associados da Liga têm obrigação de conhecer.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 06:52

As obrigações são do Benfica

Rui Gomes, em 06.07.17

 

Lendo jornais e vendo televisão parece que sim, mas o Sporting não é o candidato rico, nem o tetracampeão.

 

19668301_GZJst.jpg

Em Portugal, há um tetracampeão que fez duzentos milhões de euros em vendas nos dois últimos anos e dois concorrentes sem dinheiro ou gastando por conta. Só fazendo uma leitura dos últimos campeonatos semelhante à que o FC Porto está a fazer dos emails é que o Benfica deixará de ser o favorito à próxima liga, mesmo que, de repente, comece a vender jogadores relevantes, em vez de cortar só as pontas espigadas.

 

Até o discurso público o justifica. Para se defender das cartilhas, missas, SMS, convites e bruxos, o Benfica listou abundantemente as suas qualidades organizativas, a excelência da equipa e até os dons sobrenaturais de Rui Vitória. Ou seja, só por astigmatismo é que as compras fariam do Sporting o candidato dos candidatos, ou de Jesus o treinador mais pressionado. Esse será o que dispõe de um plantel tetracampeão e de financiamento para o manter ou melhorar.

 

As pressões de Jorge Jesus são outras; vêm-lhe do salário mastodôntico e da dúzia de palavras que pronuncia em excesso a cada quinze dias (mais a dúzia de palavras que o presidente pronuncia em excesso a cada quinze minutos). Já as do FC Porto, bem sublinhado por toda a Imprensa o tombo nas finanças, não podem ser as de construir, sem dinheiro, uma equipa que esteja à altura do Benfica, partindo do princípio (lá está) de que a última não estava. A pressão do FC Porto, para começar, é não repetir um Depoitre..

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 06:29

Ronaldo e o 4.º reich

Rui Gomes, em 02.07.17

 

Calhava bem ganhar ao México com uma perna às costas. A Alemanha conseguiu com as duas.

 

19668301_GZJst.jpg

A dispensa de Cristiano Ronaldo é estranha, mas uma Alemanha B também, sobretudo uma Alemanha B que goleia o México A nas meias-finais da Taça das Confederações. No primeiro caso, prefiro (escolho) interpretar a decisão de mandar Ronaldo para Madrid ver as crianças como uma operação Quercus em defesa da espécie. Faço-o porque Fernando Santos é campeão europeu e merece uma balda e também porque a explicação alternativa não seria simpática, nem respeitadora do princípio da igualdade, para além de estar a ser utilizada massivamente por aqueles que amam do fundo do coração odiar Ronaldo só porque sim.

 

A Taça das Confederações é um crime de maus tratos aos jogadores; Ronaldo é o único português capaz de marcar 50 golos por época, sete épocas seguidas, logo tem alguma lógica procurar estender-lhe o prazo de validade, mais do que a qualquer outro. E depois há esta novidade da Alemanha B: uma equipa de segundas figuras que nos atira para a depressão. Uma Alemanha B que passeia, mesmo numa Taça das Confederações, é o prenúncio do quarto reich futebolístico. Faz das outras sete selecções ratos de laboratório nas mãos por lavar do selecionador Joachim Low: a Alemanha não está a competir; está a preparar uma vacina para o próximo (próximos?) campeonato do mundo. Portugal, México, Chile, etc. fazem apenas o papel das amostras do vírus. Não significa que seja má ideia.

 

Se o motivo fosse esse (claramente não é), acharia muito bem que Portugal jogasse o bronze da Taça das Confederações sem Cristiano Ronaldo, quanto mais não fosse porque a Alemanha B goleou o México. O mínimo que a selecção nacional pode fazer é tentar jogar, também, com uma perna às costas. Em nome da pouca dignidade que resta ao futebol extrateutónico.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:12

"Consultas de segunda a sábado"

Rui Gomes, em 30.06.17

 

1424455691882.jpg

 

A assinatura do ex-ministro Rui Gomes da Silva num contrato de bruxedos, divulgado ontem pelo diretor de comunicação do FC Porto, não aquece nem arrefece a opinião dos não benfiquistas - era e continua a ser uma pessoa que os odeia gratuitamente e em voz alta, ponto - mas talvez ajude alguns adeptos do Benfica a reavaliarem os seus representantes no espaço público. Caso contrário, ao menos ganharam um bom contacto para quando precisarem de combater "o mau-olhado, o insucesso no amor, a amarração ou a inveja". Marcação e consultas de segunda a sábado. Sigilo absoluto.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:22

Futebol jogado com as tripas

Rui Gomes, em 27.06.17

 

Com o melhor Chile, não discutes se o futebol é bonito ou feio: discutes se ficas ou foges.

 

19668301_GZJst.jpg

Desde o Verão de 2016 que a selecção Santos sabe jogar com a fé; depois de amanhã, nas meias-finais da Taça das Confederações, verá como se joga com as tripas. O Chile não é daquelas equipas discerníveis a partir da ficha de jogo. Há três ou quatro cidadãos notórios (Alexis Sánchez, Artur Vidal e o guarda-redes Bravo) e um cardume de outras barracudas que jogam nas Américas, longe do primeiro plano e mais ignorados ainda pelos apetites dos tubarões europeus.

 

Para os vermos bem, precisamos de uma radiografia. O Chile é uma daquelas equipas vencedoras que não se explicam totalmente pela táctica nem pela técnica; é preciso levar em conta as entranhas e também as unhas, os dentes e um ou outro fémur que possa saltar. Se houvesse uma escala de competitividade, o recorde mundial (galáctico, universal) seria deles de certeza, embora aceitando que as vitórias os foram amaciando. Podemos colori-los de estratégia e lirismo, recuando aos tempos do seleccionador Marcelo Bielsa, mas até os comovidos crónicos da bola admitirão que seria só um terço da verdade.

 

Se ensinarmos ballet a uma alcateia de lobos, prevalece o ballet ou prevalecem os lobos? O Chile entra com uma precisão suíça no debate corrente de Fernando Santos com a crítica, por ter sido neste curto período da história uma demonstração viva (e aos pontapés) de como é redutor falar só da estética, ou da falta dela. Podemos falar também de vontade, convicção, destemor e mais uma enfiada de subprodutos das glândulas do corpo humano que, até há um ano, a Selecção portuguesa parecia conhecer só de ouvir falar.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:26

 

Dez minutos vezes nove, vezes 34 jornadas: são mais 3060 minutos de futebol ao fim da época. Ou quase quatro jogos por equipa

 

19668301_GZJst.jpg

A minha reacção às molhadas de alterações ao futebol que, de há dois anos para cá, nos vão deprimindo com regularidade é quase sempre a mesma: se estes fulanos gostam assim tanto do jogo, por que diabo insistem em tentar mudá-lo dos pés à cabeça? No caso dos 60 minutos cronometrados, a curiosidade goleia-me.

 

No campeonato português, os jogos chegam ao absurdo de rondar os 40 minutos de tempo útil e raramente se aproximam dos 60. Ver uma liga inteira jogada, garantidamente, a 60 minutos reais seria extraordinário, mesmo que pudesse dar origem a um futebol mutante, muito diferente deste, com seis pernas, quatro braços e a brilhar no escuro. Outra vantagem seria retirar aos árbitros um factor de interferência no jogo, mais uma vez à custa de uma nova e sofisticada tecnologia, neste caso o cronómetro, inventado no século XVIII. Maravilhoso mundo novo.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:06

O Apito Dourado teve consequências

Rui Gomes, em 19.06.17

 

Dois raciocínios que (pasme-se) ficaram por fazer sobre o caso dos emails

 

19668301_GZJst.jpg

1 - Apesar da enxurrada de coisas, a maior parte delas hipocrisias, que o director de comunicação do FC Porto lá conseguiu arrancar à Imprensa de Lisboa (como quem arranca um dente), ainda ficaram pelo menos dois raciocínios por fazer sobre o caso dos emails. O primeiro diz respeito à falácia de que o processo Apito Dourado não teve consequências. Teve. O FC Porto perdeu a face e viu travada a sua expansão pelo país, talvez até pelo mundo, na fase desportiva mais rica da sua história. Quem tem acesso às estatísticas certas (de vendas de jornais que teimaram em encurralar na conotação com o FC Porto, por exemplo) sabe bem disso. Mas essa parte é subjectiva; há uma muito mais concreta: a fragilidade do FC Porto permitiu finalmente que a arbitragem fosse trasladada do Porto para Lisboa, com a disciplina a reboque, e conduziu ao desequilíbrio de forças a que chegámos. O Apito Dourado não teve consequências?!?

 

2 - O Conselho de Disciplina da Federação Portugueaa de Futebol pede celeridade no esclarecimento dos emails. Compreendo o pedido porque compreendo o público ao qual ele se dirige, mas a celeridade não vem ao caso neste dossier dos emails. Só será célere se o objectivo for o encobrimento. Como pode ser célere quando põe em causa talvez uma década de selecção de árbitros nas associações distritais? Como pode ser célere quando envolve um presidente da Liga que cumpriu um mandato cheio de imbróglios e se assume "ao TEU LADO, Luís Filipe"? Como pode ser célere quando remete para a descida de divisão de um árbitro internacional, entre vários outros casos ramificados? A única forma de disputar as competições, "desde o dealbar da época desportiva 2017/18, num ambiente de regularidade e estabilidade", é pedir a Adão Mendes, Pedro Guerra, Paulo Gonçalves, Luís Filipe Vieira, Nuno Cabral e ao inimputável Mário Figueiredo que vão ao CD pôr por escrito que é tudo mentira e depois suspender o FC Porto. Ou, mais pacificador ainda, acabar-lhe com o direito à existência.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:30

Liga profissional de clubes a vapor

Rui Gomes, em 15.06.17

 

Lugares pouco recomendáveis no futebol: túneis, televisões, becos escuros à volta dos estádios e assembleias da Liga.

 

19668301_GZJst.jpg

Os cigarros eletrónicos venceram as claques ilegais enquanto maior ameaça para a segurança das crianças, mães e avós que querem ver futebol e não podem (a acreditar em alguns freis beneditinos). Seguem-se as chicletes e o gel de cabelo.

 

Ao fim de uma época tão abominável como esta, a imagem que os clubes profissionais quiseram passar em Assembleia Geral foi a de marionetas noutro joguinho barato de directores de comunicação. Não é que acrescentar ao regulamento a interdição de estádios por apoio às claques ilegais fosse muito diferente, mas pelo menos não reduzia um órgão nobre da Liga à função de instrumento de anedotas e pirraças. Apesar de tudo, seria menos absurdo propor regras contra um clube (o Benfica) do que contra uma pessoa (o presidente do Sporting), embora tanto um como o outro se desviem quilómetros dos debates que o futebol profissional devia estar agora a fazer, e sejam igualmente inúteis.

 

Em Portugal, não se interdita estádios, de resto uma punição que o Instituto Português do Desporto já podia ter aplicado ao Benfica há muito tempo, e que poderá aplicar no futuro. Isto não significa que tenha lógica fechar os olhos ao primeiro lugar destacado que os adeptos do Benfica ocupam no número de incidentes registados nos últimos anos (ver revista Sábado do dia 4 de maio); ou fazer de conta que as atitudes de Bruno de Carvalho não cultivam legiões de germes. Significa apenas que um grupo de adultos assumiria estes problemas em voz alta e negociaria formas de os resolver em conjunto, em vez de se transformar apenas noutra arena de mesquinhez, a juntar aos túneis, às televisões e aos becos escuros em volta dos estádios.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:01

As missas negras de Adão Mendes

Rui Gomes, em 08.06.17

 

O apuramento da raça e a confiança ilimitada do Benfica na arbitragem

 

19668301_GZJst.jpg

O FC Porto divulgou, ontem, um pingue-pongue de e-mails entre o ex-árbitro Adão Mendes e o diretor da Benfica TV, e comentador, Pedro Guerra. Esses e-mails falam, sobretudo, de uma confiança sem limites na arbitragem, especialmente bem traduzida por uma frase que vem ao encontro de um diagnóstico feito, desde há alguns anos, por muita gente ligada aos apitos e que (não duvido) esteve na origem do afastamento do anterior presidente do Conselho de Arbitragem da FPF: "Vamos ter os padres que escolhemos e ordenámos nas missas que celebramos." (Aqui devemos marcar um limite: nas conversas reveladas pelo FC Porto, são mencionados oito árbitros, mas isso não faz deles culpados.)

 

A tese de que houve uma espécie de apuramento cuidadoso da raça nos últimos anos, levando à constituição de um lote de árbitros de acordo com gostos muito específicos, não é estranha a ninguém, nem à FPF, nem ao actual Conselho de Arbitragem, que enfrenta esse problema a cada nomeação. Eu próprio escrevi sobre o tema várias vezes, até para explicar a prisão de movimentos do CA de Fontelas Gomes, e nunca recebi reclamações.

 

O diálogo de Adão Mendes com Pedro Guerra, datado de 2013/14, vem apenas tornar mais desconfortável a posição de quem não quer explicar como acabou o futebol profissional nesta camisa de forças, manietado ao ponto de ser irrelevante quem preside ao CA. A conversa está ali, existe (como existem as escutas do Apito Dourado, sim, e essas foram julgadas), provavelmente passará em claro na Imprensa de Lisboa, porque é assim a vida, mas era bom, num mundo perfeito, que esclarecêssemos bem esclarecida essa confiança tão grande de Adão Mendes na arbitragem e também, se não for já muito incómodo, quem castiga, afinal, os incautos que ainda se atrevem a prejudicar o Benfica.

 

José Manuel Ribeiro , jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:34

 

 

Rebanho das redes sociais pôs a cabeça de um jornalista d'O JOGO a prémio. Não duvido de que o Sporting agirá correctamente.

 

19668301_GZJst.jpg

FranSCP@Aldo_Dusher é o endereço postiço, no Twitter, de um percevejo que se esconde atrás do nome e imagem de um antigo médio argentino do Sporting, como podia esconder-se atrás de um arbusto ou de uma pilha de dejectos de cavalo. Ontem escreveu isto: "Dizem no fórum que foi este jornalista que levou o gravador a Alvalade. Agora é fazer justiça." A foto que mostrava era a de um profissional d'O JOGO e o nome também, ambos verdadeiros ao contrário dos que este insecto utiliza.

 

Antes devo explicar do que falava o invertebrado: Bruno de Carvalho reuniu quinze jornalistas para uma conversa informal e previamente estabelecida como sendo 100% confidencial e off-the-record. Alguém nesse encontro gravou a conversa à socapa e divulgou agora um excerto cheio de vernáculo do presidente do Sporting. O JOGO teve o cuidado e a elegância de não citar uma palavra que fosse: noticiámos só a indignação do Sporting, em 350 ou 400 carateres, ou três tweets para falarmos a língua dos sapos. Se foi um jornalista que furou o off-the-record, está ao nível desta bactéria que se aninha atrás do FranSCP@Aldo_Dusher.

 

N'O JOGO não há disso, nem maus profissionais nem bactérias, e até tive o cuidado de falar com o director de Comunicação do Sporting para saber se existiria o mínimo indício (nem que isso justificasse alguma coisa). Não há, como é evidente. Só há esta lombriga a que tive de prestar atenção pela primeira e última vez, e uma série de outras que foram atrás para ameaçar o nosso colega e pedir mais informações para chegar até ele. Como ainda não somos governados pelo Twitter, passamos a palavra às autoridades, para o desparasitante, e ao Sporting, para a necessária condenação.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:23

A idade adulta

Rui Gomes, em 22.05.17

 

Jorge Jesus e Bruno de Carvalho estão agrilhoados um ao outro, mas o que lhes convém é uma autoavaliação. Dura.

 

19668301_GZJst.jpg

Antes de ser uma decisão, a permanência de Jesus no Sporting era uma fatalidade e, depois de ser uma fatalidade, tornou-se uma condenação. Uma condenação dupla, para um treinador incapaz de perceber os seus limites ou a responsabilidade que o ordenado e o egocentrismo lhe dão, e para um presidente que gera vinte problemas desnecessários por cada um que resolve.

 

A culpa há de ser nossa, dos jornais, porque a melhor forma de administrar a má relação entre os dois é mentindo, mas nós não somos importantes. Importante, para o Sporting e para os sportinguistas, seria que, sendo um belo treinador, Jesus intuísse o temperamento, a preparação e o equilíbrio que lhe faltam para ser o senhor absoluto de um grande clube no século XXI. E que Bruno de Carvalho percebesse algo parecido sobre si próprio, mais, eventualmente, a noção de que terá de ser outro o interlocutor de Jesus no Sporting. Alguém com mais futebol no sangue e uma bagagem profissional que o ponha meio degrau acima do treinador.

 

Provavelmente, qualquer uma destas premissas é pedir de mais a duas pessoas inflexíveis e ao mercado de diretores desportivos carismáticos, mas já não seria mau para esta nova época que Jesus metesse, finalmente, na cabeça que o Sporting não o contratou para gastar o mesmo dinheiro que ele gastava no Benfica: contratou-o porque era suposto ele ser um génio a produzir craques do vácuo (palavra do senhor, quase literal). Por outro lado, ser presidente implica compreender o que está à volta; perceber as dificuldades alheias; assumir que ir ao mercado comprar jogadores exige conhecimento e experiência; admitir as culpas próprias, quer na montagem da equipa, quer na instabilidade que tantas vezes provoca com aquela ingenuidade mascarada de convicção.

 

A palavra que vou usar para acabar pesa como chumbo, mas é justa: o Sporting precisa de adultos.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:00

O treinador está em segundo lugar

Rui Gomes, em 19.05.17

 

Ter uma equipa para treinar é muito diferente de treinar para ter uma equipa.

 

19668301_GZJst.jpg

Os destinos imediatos de Brahimi, Danilo Pereira, Felipe, André, Adrien Silva, William Carvalho, Rui Patrício e Bas Dost são, provavelmente, mais relevantes para FC Porto e Sporting do que o quebra-cabeças repetido quase todos os anos por esta altura à volta da substituição, ou não, do treinador. Acrescentei este "provavelmente" para ser simpático e para não desvalorizar a radiografia que pode ler hoje, neste jornal, às épocas de Rui Vitória, Nuno Espírito Santo e Jorge Jesus.

 

É muito mais fácil que um mau treinador ganhe com uma equipa bem montada do que o contrário; e nenhum destes três é mau naquilo que faz. O essencial, até no Benfica, será perceber, primeiro, quem são os jogadores-âncora, que devem ser mantidos fora do mercado a qualquer custo. Nem sempre se tem a perceção correta deste lado do ecrã.

 

Nestas quatro épocas, o Benfica sobreviveu, sem aparente dificuldade, à perda de figuras incontestáveis como Cardozo, Matic, Lima, Enzo Perez ou Gaitán. O FC Porto saiu fulminado das vendas de Hulk, João Moutinho e Jackson Martínez; e o Sporting encolheu sem Slimani e João Mário. Centrar tanto o debate nos treinadores inverte as prioridades de uma forma perigosa; claro que devem ser bem escolhidos de acordo com os requisitos de uma equipa grande, e nunca será negativo que tenham uma palavra nas escolhas, mas o fundamental são os jogadores. Conhecer bem os que estão, saber ler os que se quer comprar. Ter uma equipa para treinar é muito diferente de treinar para ter uma equipa.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:31

Comentar

Para comentar, o leitor necessita de se identificar através do seu nome ou de um pseudónimo.




Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Taça das Taças 1963-64



Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D




Cristiano Ronaldo