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A limpeza das matas

Rui Gomes, em 14.02.18

 

O Conselho de Arbitragem faz sempre bem quando esclarece, mas tem de lhe juntar a prevenção de incêndios.

 

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O Conselho de Arbitragem fez uma referência pública ao golo anulado ao Sporting, anteontem, por entender que foi um erro de interpretação do protocolo do VAR. O protocolo estipula que os lances podem ser analisados até ao início da jogada, e a falta de Bruno Fernandes que foi detectada pelo vídeo-árbitro aconteceu, claramente, antes disso. A explicação que me foi dada para não ter havido o mesmo esclarecimento noutros exemplos, incluindo o fora de jogo que cancelou um golo ao FC Porto no clássico com o Benfica, é que esses foram erros de análise. A instrução para que o árbitro retarde o apito, de maneira a permitir o recurso ao VAR, não consta do protocolo.

 

Percebo a distinção e também percebo que ela tenha de existir, para que o CA não passe a vida a explicar-se em público a dezoito clubes que, em princípio, partilham os mesmos direitos. Mas também há um detalhe chamado impacto e outro chamado povo. O erro do FC Porto-Benfica pesou no resultado e criou bastante mais discussão e desconfiança do que outro qualquer. Marcou o arranque do VAR. Entre a massa de portistas, adiantará pouco esta minha explicação para a conduta do Conselho de Arbitragem. Na prática, sentem o ato de efectiva transparência do CA como a prova de um duplo critério. Essa gestão do que o transeunte pensa, ou poderá pensar, também tem de ser feita, mesmo que não se pratique o exercício importante de distinguir o mau relacionamento com dirigentes do mau relacionamento com adeptos. O adepto que ganhou rancor à arbitragem vai pressionar o presidente. A isso os sapadores florestais chamam matéria combustível.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 15:53

Herói do teclado

Rui Gomes, em 06.02.18

 

O Sporting não perdeu por causa da assembleia geral, mas Bruno de Carvalho tornou a derrota maior do que devia ser. Como sempre.

 

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O Sporting perdeu porque Bruno de Carvalho teve um dos seus acessos na assembleia geral de sábado? Claro que não. Se calhar, nem sequer perdeu por Jorge Jesus ter dito na véspera, como se nada fosse, que Bas Dost e Gelson são cinquenta por cento da equipa (era, com certeza, psicologia invertida para reforçar a auto-estima dos outros cinquenta por cento). O jogador de futebol é uma criatura à margem das notícias e demasiado focado nele próprio.

 

O Sporting perdeu porque é a mesma equipa que jogou pouco no Estádio da Luz, que jogou pouco na final-four da Taça da Liga e que, na semana passada, esteve a minutos de empatar com o V. Guimarães em Alvalade. Corrijo: a mesma equipa que fez esses jogos, agora sem Gelson nem Bas Dost, e jogando com um Estoril inteligente e melhorado.

 

As neuroses de Bruno de Carvalho que contribuíram mais para esta percepção do Sporting foram as anteriores; as que confundiram uma Taça da Liga e uma vantagem folicular no campeonato com um prémio Nobel do futebol, não para a equipa, mas para ele próprio. Logo depois de Braga, partiu para uma maratona de recolha de louros, expressão que no seu caso significa sempre humilhar e rebaixar uma mão-cheia de pessoas e entidades por razões revanchistas e, em geral, fúteis. O que o Sporting constrói com esforço (e mérito) por um lado, Bruno destrói pelo outro, sem esforço algum. Será até por isso que quer cada vez mais modalidades: porque os seus impulsos destrutivos pedem cada vez mais combustível. Não é difícil olhar para o cenário da assembleia geral e perceber como era fácil ter a maioria daqueles "sportingados" do lado do presidente. Bastava um pouco de boa educação. E índole.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:05

Da energia a mais à energia a menos

Rui Gomes, em 27.01.18

 

Meia-final da Taça da Liga confirmou tendências dos clássicos. Falta requinte à potência do FC Porto; falta pulmão à tática do Sporting.

 

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Três clássicos, zero golos marcados pelo FC Porto. Três clássicos, três desfalecimentos do Sporting. Cada jogo tem a sua desculpa. O FC Porto marcou ao Benfica no Dragão e ao Sporting na quarta-feira - antes de chegar o árbitro - e vários analistas ligaram a queda física da equipa de Jorge Jesus à lesão de Gelson Martins, mas os jogos não acabam quando se anula um golo, nem um jogador apenas explica uma tendência de 270 minutos.

 

Apesar de potentes e rápidos, os avançados do FC Porto não são propriamente requintados no momento de pensar ou finalizar. E o Sporting encheu-se de gigantes com mais de um metro e noventa (são quatro), e nem todos frescos como alfaces. No pugilismo, quando se "joga" (é assim que se diz, lamento) com um adversário grande e pesado, a melhor estratégia é cansá-lo. O Sporting cansa-se depressa, é um facto, para além de perder muitas vezes naquela última pontinha de jogo, outro sintoma não negligenciável (por outro lado, está tranquilo nas bolas paradas e despejos).

 

O FC Porto demora a cansar-se e cresce com o cansaço alheio. Por causa desse detalhe, a meia-final da Taça da Liga não foi equilibrada, nem lá andou perto. Quem o diz são as estatísticas e as oportunidades, que Sérgio Conceição já tinha conseguido também nos dois clássicos anteriores. Mas não ganha os jogos quem pisa a área do adversário mais vezes. Como não ganha também, em princípio, quem fica a deitar os bofes pela boca ao fim de quinze minutos.

 

Qual dessas insuficiências pesa menos para ganhar campeonatos, é o que veremos.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:31

Agora, sim, é só ruído

Rui Gomes, em 23.01.18

 

As duas últimas semanas foram destrutivas, sem nexo e prejudiciais para quem quer ver esclarecidas as suspeitas que importa.

 

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Muito do que aconteceu é consequência directa da Assembleia Geral da Liga que oficializou o azedume entre os 13 clubes do G15, o FC Porto e o Sporting. E, tal como o sentido de oportunidade do G15, acabou por servir apenas para agravar (muito) o ambiente e espalhar a infecção, também as consequências e retaliações foram inúteis e destrutivas.

 

Só numa circunstância se pode aceitar que o empenho de jogadores e treinadores seja questionado, como aconteceu no Tondela-Benfica e no Braga-Benfica: quando a polícia investiga, e mesmo assim com cuidado. Estamos a falar da relva; não das alcatifas dos gabinetes. A última coisa que os clubes podem querer é que os adeptos percam as ilusões. Não há nenhuma fonte mais credível, aos ouvidos do público, do que o futebol a dizer sobre si próprio que não tem carácter: não é uma suspeita que se levanta; é uma confissão. Foi isso que, sobretudo, Bruno de Carvalho e Nuno Saraiva fizeram, com uma ligeireza agoniante.

 

Está bem que há hipocrisia da parte de quem usou métodos semelhantes durante anos e anos, mas a teoria do olho por olho só produz cegos. O mesmo se aplica às últimas revelações dos emails. Nestes meses, ficámos a saber de muitas coisas importantes, que não são ruído, nem cabalas, nem campanhas, nem "ataques ao coração do Benfica", como Rui Vitória lhe chamou (sem pensar na quantidade de pessoas que ofendia, ele que é um cavalheiro). Lançar suspeitas sobre outros clubes, como sucedeu no último Universo de Bancada, é perder o foco, diluir o assunto, fornecer álibis fáceis a quem sabe usá-los. Estas, sim, foram duas semanas de puro ruído.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:19

Os Centenos são centenas

Rui Gomes, em 10.01.18

 

O Estado não pode ir ver o Benfica há 45 anos. Nem o FC Porto. Nem o Sporting. Mas vai e já não tem margem para isso.

 

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Nos nossos dias, dizer a verdade é uma arma que não se pode usar só quando achamos conveniente. E a verdade desta última semana é que o circuito dos convites para jogos nunca foi exclusivo do Benfica, nem de Mário Centeno. Na tribuna presidencial ou dois metros ao lado, sempre houve ministros e adjacentes. Se formos vasculhar a correspondência de todos os clubes, concluiremos que, com ou sem pedido, são enviados para chefes da polícia, das repartições de Finanças, e outros. E não há qualquer problema, até ao dia em que um jornal conecta um perdão fiscal a um email do ministro das Finanças a solicitar lugar nos camarotes.

 

Centeno explicou que vai ao estádio ver o Benfica há 45 anos: errado. Isso era o Mário Centeno economista; o Mário Centeno ministro das Finanças é o Estado. Se o Estado for ver o Benfica de borla e houver um perdão fiscal, os cidadãos passam a desconfiar do Estado. O próprio Mário Centeno passou a ser um activo do país; flagelando-se, prejudica-nos. Não é uma questão apenas do Benfica, nem dos emails (ao contrário dos convites e ressarcimento de favores a quadros intermédios da Liga). Diz respeito a todos, e ultrapassa o futebol.

 

Só não aceito que, à conta de oportunismos sacanas, misturem nesse aparte os jornalistas, cuja função é mesmo ter acesso às fontes de notícia: é para gerir esse relacionamento inevitável que há um código deontológico. Política e justiça não têm a mesma explicação para um contacto permanente, nem gozam, infelizmente, de um ambiente higiénico que nos faça transbordar de confiança no próximo. Vivemos num mundo que é o oposto da higiene. Se os emails não provarem mais nada, ao menos essa parte ficou cristalina de uma vez por todas.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

 

NOTA: Em assunto relacionado, a Federação Portuguesa de Futebol revelou em comunicado oficial que, a partir desta quarta-feira, os elementos que fazem parte do Conselho de Disciplina da FPF estão proibidos de pedir aos clubes "convites, bilhetes ou ofertas para eventos desportivos ou outros relacionados com futebol".

 

Esta é a novidade de destaque do novo Regimento do Conselho de Disciplina e que está sustendada na introdução de um novo artigo, o 11.º, que fala em 'Dever de Reserva' dos membros que compõem o órgão disciplinar.

 

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publicado às 04:52

O dérbi lisboeta do pós-Ferrari

Rui Gomes, em 04.01.18

 

Os papéis inverteram-se mesmo e talvez não haja explicação racional. A cilindrada trocou de lado da Segunda Circular.

 

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Nos últimos quatro anos deu-se uma inversão estranha que culmina no inimaginável quando, em Alvalade, o treinador era Leonardo Jardim: das duas equipas que hoje estarão na Luz, a que vale mais dinheiro é a do Sporting. Nunca foi possível discernir se isso aconteceu por opção administrativa, por talento persuasivo de Jorge Jesus, voluntarismo exagerado de Rui Vitória ou - o mais certo - pelos três motivos todos juntos.

 

Claramente, Bruno de Carvalho cedeu muito aos apetites do treinador e, do outro lado, Rui Vitória cedeu o mesmo à demagogia da formação. Sem dados para ter certezas, resta o que me parece evidente: é um dérbi de Lisboa desequilibrado a favor do Sporting, como não sucedia há muitos anos. Já não dá para falar de Ferrraris. Para Jesus é uma oportunidade única; para Vitória é um atalho apertado que pode tirar o Benfica do labirinto.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 15:31

A revolução de veludo

Rui Gomes, em 02.01.18

 

Depois do G15, o mundo está melhor para quem? É a pergunta do milhão de dólares.

 

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A ordem natural das coisas ditaria que as assembleias gerais da Liga pusessem quase sempre em conflito os clubes grandes e os pequenos. Não sejamos preconceituosos com a palavra: é dos conflitos que saem os equilíbrios, ou seja, quando não há conflitos entre duas forças tão desproporcionadas, provavelmente alguém está a ajoelhar-se mais do que devia.

 

Seria bom que o despertar do denominado G15 significasse que os clubes evoluíram para a emancipação, mas a AG da semana passada tornou óbvio que FC Porto e Sporting vêem o movimento como uma marioneta que o Benfica usou para mais uma manobra de diversão ao caso dos emails. Em concreto, sabemos que o clima negativo entre os três grandes e a defesa da indústria foram os primeiros motivos assumidos para a criação do grupo. Depois, juntou-se-lhes a disparidade financeira.

 

Concluída a AG de emergência, é difícil perceber que contributo prático foi dado pelo G15 para a pacificação (a não ser, talvez, alargar a rebaldaria de dois contra um para dois contra 16), e também não será simples encontrar nas alterações aos regulamentos algum detalhe que mude substancialmente seja o que for, nem para calar os incendiários, nem para modificar os equilíbrios financeiros entre ricos e pobres e nem sequer para a arbitragem, porque as câmaras extra que os clubes "decidiram" obrigar a pôr em todos os estádios, para uso do vídeo-árbitro, teriam de ser pagas por alguém.

 

Até me surpreenderam as reacções de Bruno de Carvalho (pensando bem, nem por isso) e Pinto da Costa por tão pouco. Impõe-se a pergunta do milhão de dólares, que todos devemos fazer-nos depois de cada incidente no futebol nacional: feitas as contas, quem ganhou com o G15?

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:38

É oficial: todos são suspeitos

Rui Gomes, em 30.12.17

 

Portugal é pobre e pouco educado, o futebol atrai as moscas e as apostas não trazem só receita. Habituemo-nos.

 

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A confirmação de que quatro jogadores do Rio Ave são arguidos num caso de viciação de resultado completa o círculo da suspeita: chegámos ao relvado. A primeira boa notícia é que, daqui para a frente, não há mais nada do que desconfiar; aliás, não há mais nada, ponto final. Já podemos dizer, oficialmente, que suspeitamos todos uns dos outros e na maioria dos casos com indícios bastantes para suportar investigações policiais. Podem até ser menos do que condenações, por agora, mas são muito mais do que tolices que um irresponsável atira ao microfone.

 

Não se chega a um ponto destes sem culpas de toda a gente, começando no adepto cego aos abusos do seu clube e hipersensível aos abusos do vizinho e acabando em anos de arbitrariedades várias que foram anestesiando escrúpulos, prestigiando parasitas e, nalguns casos, criando uma mentalidade de olho por olho. Dito assim, parece um drama, mas não chega a ser. São só as circunstâncias naturais de um país pobre e pouco educado, de um futebol que já nos chega desregulado lá de fora e do novo fenómeno (para nós) das apostas online. Não lidamos com santos, trabalhamos num meio que atrai os bandidos e somos alvos fáceis para a corrupção: habituemo-nos. Há muitos séculos que problemas como este se resolvem com penas duras, vigilância e bons exemplos.

 

A segunda boa notícia espremida deste ano eléctrico de 2017 é que, em qualquer das três áreas, só podemos melhorar.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:20

 

Não tem de repudiar nada: tem de perguntar ao Benfica que e-mail é aquele.

 

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O comunicado da PSP em resposta à menção do nome da instituição num e-mail enviado pelo director de segurança do Benfica a um administrador só pode ser lido assim: como é que nos safamos de perguntar, pela via oficial, ao Benfica por que diabo está o nosso nome metido numa suposta estratégia para retardar a entrada dos adeptos do FC Porto no Estádio da Luz?

 

A conclusão atingida pela Polícia de Segurança Pública foi, curiosamente, a mesma a que chegou o notável Instituto Superior do Desporto a respeito das claques do Benfica: falar de uma realidade alternativa, fingir com o mesmo descaramento do IPDJ que não há factos, nem indícios, à vista de toda a gente, e desconversar. A PSP é metida ao barulho no caso dos e-mails porque consta de um e-mail, não porque o FC Porto a acuse ou deixe de acusar. Está metida ao barulho, porque trabalha para nós, contribuintes (todos, de norte a sul), e porque não é suposto que participe em estratégias de clubes de natureza alguma. Portanto, se não participou, não tem de repudiar acusações: tem de perguntar ao Benfica por que razão a "estratégia incluía a participação da PSP".

 

Gostava de escrever agora "chega de brincar às instituições públicas", mas não escrevo, porque sei que vamos continuar a brincar às instituições públicas. E aos secretários de Estado, e aos ministros, etc.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 15:42

Jesus e a raça superior da bola

Rui Gomes, em 12.12.17

 

A função dos "atrasados mensais" não é ter razão: é criar razão. Até os pobres futexcluídos conseguem.

 

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Jorge Jesus chamou "atrasados mensais" a quem o censurou por não ter discutido a Liga dos Campeões até ao último metro. A minha interpretação do trocadilho é esta: mais ou menos uma vez por mês, algum treinador faz questão de nos lembrar de como é inferior a raça dos que, não tendo a pureza genética necessária para jogar, insistem em meter nos mistérios da bola os seus gémeos atrofiados e os seus narizes intocados pelo fedor do balneário.

 

Podíamos misturar muitos assuntos num só; falar do que cada profissão sabe das outras; da complexidade que o futebol tem ou não; do conhecimento que se traz de outras modalidades; do trabalho específico de um comentador; ou do muito que se aprende (é verdade) nos livros e com a simples observação. Mas a lição de hoje, dedicada a Jorge Jesus e aos outros autoproclamados representantes da raça superior, não entra por aí. A função dos críticos, numa sociedade saudável, não é ter razão; é criar razão. Levantar discussões. Debater. Não ganha sempre quem está certo, infelizmente, e neste tempo do Facebook e do Twitter cada vez a razão importa menos.

 

O crítico está a ser trocado pelo militante e as discussões trocadas pela demagogia reles. Em todos os colóquios e conferências sobre comunicação, a conversa é sempre a mesma: "Já ninguém ouve o outro lado". E ouvir ou ler os nossos "atrasados mensais", em vez dos nossos fanáticos pessoais, é a única forma de irmos sabendo se ainda temos razão ou se, como costumo dizer, não a teremos perdido pelo caminho. Nunca precisámos tanto dos críticos. Jesus acima de todos, parece-me.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 14:24

A batalha passa às transferências

Rui Gomes, em 08.12.17

 

"Oitavos" da Champions capitalizam FC Porto para a outra guerra que o clássico abriu.

 

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Aos olhos de administrador financeiro, metade da época do FC Porto está feita. Há um ano, nem perder agora o título incomodaria muito, porque o terceiro lugar e o play-off da Liga dos Campeões davam ainda mais dinheiro. É um objectivo cumprido por Sérgio Conceição que casa bem com as finanças do clube no arame, mas casa ainda melhor com o mercado de Janeiro.

 

O FC Porto-Benfica de há uma semana não era só um jogo de futebol, nem apenas mais um clássico: era uma etapa estratégica para se chegar à reabertura das inscrições em situação de escolher entre apostar no título ou guardar as economias para a época seguinte. O resultado prático destas duas últimas semanas é que nem Sporting nem Benfica vão guardar as economias, mesmo com o desbaste que a Liga dos Campeões fez nelas.

 

Depois das batalhas nos estúdios, nos relvados, na sala do VAR, nas páginas dos jornais e nas cabeças confusas de alguns moralistas de ocasião, vai chegar a batalha mais sanguinária de todas, que é a das compras. Provavelmente, sem cumprir o primeiro objectivo, isto é, sem os 7,5 milhões de euros que o jogo com o Mónaco valeu, o FC Porto não poderia entrar nesses apertos. Ou, pelo menos, não seria com certeza mais fácil que a UEFA lhe permitisse reforços de Inverno. O que nos leva à segunda parte do desafio portista: o FC Porto versão Conceição provou que é genial a não gastar dinheiro e ninguém lhe pode tirar esse mérito, mas às vezes não ter outra opção é um descanso.

 

José Manuel Ribeiro jornal O Jogo

 

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publicado às 03:01

A Champions não é um biscate

Rui Gomes, em 06.12.17

 

Nenhum grande clube português pode assobiar para o lado quando fracassa na Europa.

 

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Da Europa, falta dizer isto: não importam as discrepâncias nos salários nem nos orçamentos; não importam os nomes de craques que nos entram pelos estádios dentro a cada jornada europeia; não importa quanto crescem as diferenças entre clubes ricos e clubes pobres. Essas alegadas injustiças não mudam nada. Para as grandes equipas portuguesas, a Europa será sempre a única escapatória.

 

A Liga dos Campeões, principalmente, é um factor de multiplicação de tudo: receitas, exposição, afirmação, patrocínios, etc. Por ela se explica boa parte dos últimos quarenta anos do futebol nacional. Gerações de sucesso, até na Selecção, formaram-se nesses jogos; vários treinadores portugueses foram lá buscar uma reputação que nunca ganhariam cá dentro.

 

A Europa não é um biscate que se faz depois do serviço, nem se pode aceitar um simples encolher de ombros quando corre mal. Se chegarmos a esse ponto, no país, num clube ou nos apetites do adepto, acabaram-se a ambição e as perspectivas.

 

Tem de ser esta a reflexão perante o esforço duvidoso que o Sporting fez ontem em Barcelona e perante o zero literal que foi o Benfica (tetracampeão e cabeça de série no sorteio) nesta fase de grupos, como será também se o FC Porto fracassar hoje. Os elogios aos miúdos lançados por Rui Vitória que vão encher crónicas e noticiários, em lugar das naturais críticas por um desfecho muito negativo, dirão bastante sobre bastantes coisas.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 17:20

A arbitragem autogoleia-se

Rui Gomes, em 03.12.17

 

O maior factor de instabilidade do futebol profissional não são os clubes: são os maus árbitros. Admitam-no !

 

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O que influenciará mais os maus fígados dos adeptos contra os árbitros? O que se escreve nos jornais e diz na televisão ou erros grosseiros de arbitragem que, em duas semanas, ajudam (não foram a única razão, claro) a abater quatro pontos ao líder do campeonato?

 

Erros grosseiros que, por razões diferentes, passaram ao lado do video-árbitro; na jornada anterior porque o árbitro Rui Costa nem sequer quis reavaliar a grande penalidade sobre Danilo Pereira, do FC Porto, e agora porque um árbitro assistente não viu Aboubakar três metros em jogo, nem respeitou a instrução de esperar pela análise do VAR num lance de golo, impedindo o recurso a essa ferramenta.

 

A arbitragem perdeu o clássico com estrondo e deve admiti-lo para que subsista um mínimo de sanidade e confiança nas instituições. Os árbitros não estão a fazer o seu papel de juízes equidistantes na decisão do campeonato e vão demolir o video-árbitro muito mais depressa do que os críticos. São eles o maior factor de instabilidade no futebol profissional, como já foram no ano passado e no anterior. Não se confunda os sintomas com a doença.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:18

O sucesso é isto

Rui Gomes, em 27.11.17

 

O futebol profissional não está a murchar: está a crescer. E o FC Porto-Benfica de sexta-feira é o topo.

 

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1 Nas últimas quatro épocas, o clima desagradável chamou, em média/jogo, mais 10 mil pessoas ao Estádio da Luz, mais 11 mil a Alvalade, mais 13 mil ao Dragão, mais 5 mil ao D. Afonso Henriques e mais 3 mil ao Municipal de Braga. São 42 mil pessoas adicionais só nestes cinco estádios desde 2014/15. A leitura está errada à nascença: não é a baixaria que afasta as pessoas do futebol, porque está visto que não afasta (na melhor das hipóteses, atrai-as); é a sofreguidão das pessoas pelos clubes que chama a baixaria, como a lâmpada atrai as moscas. De certa forma, o futebol profissional está a ter problemas em lidar com a pequena margem de sucesso interno que se vai vendo nas lotações, mas também nos saldos positivos de cada vez mais clubes. Admitam: um FC Porto-Benfica como o de sexta-feira, a espumar de tensão e a pôr um país a latejar, é tudo o que se ambiciona num grande campeonato.

 

2 Compreender de onde vem a sabujice não a torna tolerável, nem pode dispensá-la de escrutínio. Neste domingo, gerou-se um debate em volta de um vídeo posto a circular pelo Benfica. Em causa estava o alegado penálti por marcar no Aves-FC Porto de sábado, que as novas imagens supostamente desmentiam. Num vídeo comparativo de resposta, o FC Porto parece demonstrar que essas novas imagens foram manipuladas através do corte de alguns "frames" no momento em que Amilton atinge Danilo. É o tipo de irrelevância que, para a Imprensa, não é irrelevância nenhuma e que a Liga e a Federação deviam esclarecer pela via disciplinar. Importa, e muito, saber quem nos mente.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 16:18

 

O raciocínio do G15: do que o futebol precisa é de menos escrutínio, porque está fartinho de provar que se pode confiar nas pessoas que lá andam.

 

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Sabem quem está fora do controlo da Federação e da Liga? O Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ). A proposta-chave do G15 - isto é, dos clubes da I Divisão excepto Benfica, FC Porto e Sporting - é autonomizar a arbitragem, no preciso momento em que decorre uma investigação judicial sobre os desmandos que lá terão ocorrido, apesar de estar sob controlo da Federação e até da Liga, através dos clubes que votam na AG da FPF.

 

Ter menos olhos e intervenção em cima da arbitragem torna-a, na extraordinária visão do G15 (e do filantrópico presidente do Benfica), muito mais confiável, o que me fez recordar imediatamente o IPDJ, por coincidência também fora do controlo da FPF e da Liga, com resultados (vou soletrar) for-mi-dá-veis. As revelações, reacções e excreções destes últimos meses ainda não atestaram crimes, mas provaram a toda a gente, para lá de qualquer dúvida, que em Portugal é demasiado fácil encontrar pessoas para todo o género de tarefas sujas e tarefas sujas para todo o género de pessoas.

 

Neste cenário, tem lógica pedir-se confiança cega nas escolhas totalmente alheias que alguém (boa pergunta) faria para dirigir essa arbitragem autónoma, e mais lógica ainda a crença de que isso tornaria, não só, o futebol mais respeitador como encheria as igrejas ao domingo de manhã e acabaria com a fome no mundo. Por último, o prato forte: o bem que faria à vida dos árbitros abandonarem a sombra da FPF e do seu presidente protector. Olhemos para estes meses recentes e imaginemos como seria.

 

Se estou enganado e, apesar da lista de inconvenientes, a proposta de autonomização da arbitragem é oportuna, expliquem-me porquê, por favor. Sozinho, estou como estariam os árbitros: não chego lá.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:41

Maus fígados

Rui Gomes, em 15.11.17

 

O destino de Itália talvez demonstre que os grandes adversários, mesmo desleais, são imprescindíveis.

 

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O futebol italiano teve tudo. Foi a Premier League antes de haver Premier League. Houve tempos de excursões ao Milanello, o centro de treinos do Milan, para espasmos de admiração colectiva. Os grandes clubes italianos eram a grande vanguarda do futebol em todas as áreas, da prospecção às geringonças médicas, das legiões estrangeiras de fãs ao monopólio dos Maradonas e Van Bastens. Quem encontrava um treinador italiano não podia resistir ao impulso de levar a mão à carteira. Hoje é o treinador italiano que desconfia das segundas intenções do mais simplório dos adversários.

 

O "calcio" perdeu duas décadas, incluindo o salto para o século XX, que só está a dar agora. As razões são à escolha, mas a corrupção, a batota e a bancarrota financeira são incontornáveis, bem como um derivado desses problemas: a falta de competitividade em diferentes fases de paralisação deste século XXI, repartido entre o império do Inter (cinco títulos seguidos), o império da Juventus (seis) e um trono ao deus-dará. Ter adversários de ponta é imprescindível. O stress e a busca continuada de melhores métodos e recursos são a única forma de manter vivos os clubes e as ligas.

 

O irónico do ambiente em Portugal é que qualquer um dos três grandes - Sporting, Benfica e FC Porto - deve alguma coisa aos outros dois, ou porque seguiu descaradamente um caminho aberto por eles, ou porque se deixou aburguesar e precisou do enxovalho dos rivais para voltar aos trilhos. Compreendo as queixas, assinei muitas nos últimos 20 anos, mas também seria simpático reconhecer que a testosterona extra desta guerra dos grandes não produz só caos e vergonha. Se, no próximo Mundial, Fernando Santos tiver de forçar os neurónios porque há 17 bons jogadores a mais na Selecção, também isso se ficará a dever aos maus fígados de Sporting,  Benfica e FC Porto.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 09:45

A bola não chega

Rui Gomes, em 11.11.17

 

Conhecer o futebol é tão importante como saber jogá-lo. João Mário e André Silva estão a pagar por essa lição.

 

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Miguel Layún confessa-se inquieto por jogar pouco. O adjectivo importa. Numa "carreira curta", alguns meses perdidos são uma eternidade e uma aflição. Essa carreira curta devia exigir cultura aos jogadores de futebol e a quem os representa. Conhecer o percurso e o momento dos clubes, avaliar o treinador e os colegas com que se vai concorrer, escolher entre o contrato e a carreira, ter noção realista do que se vale. Nem tudo pode ser planeado, mas há margem para farejar muitos riscos à distância.

 

Os dois clubes milaneses, Milan e Inter, são talvez a maior ameaça às possibilidades de Portugal no Mundial 2018 e, no entanto, só lhes faltava uma tabuleta de néon a piscar: "Lepra: fujam daqui." Apesar disso, João Mário deixou-se encaminhar para o Inter, onde agora exercem a demência de o achar um estorvo (não é só aos jogadores que falta cultura), e André Silva aceitou submeter-se à lei das improbabilidades num Milan que consegue desconchavar futebolistas feitos, quanto mais um ponta de lança ainda em formação.

 

Para a nova seleção portuguesa, também deve ser um desespero ter dois homens-chave entregues, por mais seis meses ainda, à insegurança e desorientação daqueles dois gigantes esclerosados. É claro que há uma pequena possibilidade de que eles vençam o desafio duplo (o deles e o derrotismo mórbido das equipas milanesas) e uma possibilidade um pouco maior de que sejam emprestados ou vão jogando o suficiente para não chegarem a maio com as articulações calcificadas, mas em nenhum dos dois casos se pode falar em evolução na carreira. Foram passos ao lado, de desfecho previsível, para dois talentos que mereciam (e tinham o direito) de esperar por clubes saudáveis e vencedores.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:22

Os vira-casacas e a arbitragem

Rui Gomes, em 10.11.17

 

Eram humanos coagidos há quinze dias e agora são maus árbitros. E o Conselho de Arbitragem, que fazia bem em calar-se, agora faria bem se falasse.

 

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Há apenas duas semanas, os árbitros eram mártires sob coação infame e intolerável. Em quinze dias passaram a ser de qualidade muito duvidosa e os seus erros demasiado graves para que o Conselho de Arbitragem continue calado. No entanto, são as mesmas pessoas e os erros também não variam muito, excepto no nome das equipas beneficiadas ou prejudicadas.

 

O que mudou foram algumas opiniões, antes muito severas com os críticos e meigas com os árbitros, agora muito severas com os árbitros e meigas com os críticos. Calculo que o contrário também seja verdade. A incoerência é o contributo dos jornalistas para o ruído e para a desinformação, com as mesmas responsabilidades dos directores de comunicação que todos gostamos de censurar ou das manobras de propaganda que ora denunciamos, ora aceitamos como acções legítimas dos clubes.

 

Os árbitros não mudaram: o Conselho de Arbitragem (CA) continua a gerir um grupo enfraquecido pela inexperiência e, nalguns casos, falta de qualidade evidente; uma parte desse grupo continua marcada pelas ligações, justas ou injustas, a um processo judicial pendente que tornaria sempre inevitável a ultra-vigilância de FC Porto e Sporting (e dos portistas e sportinguistas), como aconteceria com quaisquer outros clubes na mesma situação.

 

O VAR complica tudo, porque amplifica os erros que prometia atenuar e distribui as culpas pela arbitragem inteira. Por isso, partilho a opinião dos vira-casacas (ou melhor, são eles que agora partilham comigo) de que o CA deve ser o mais transparente possível quanto à mecânica do video-árbitro, quanto aos castigos pelos maus desempenhos e quanto ao esclarecimento dos erros. Era assim há duas semanas e continua a ser.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 13:13

O que os clubes vendem às tevês

Rui Gomes, em 06.11.17

 

Nem a Liga nem a FPF negociaram direitos de transmissão. Nessa altura é que se discute com os operadores quem joga ao sábado e quem joga ao domingo.

 

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Intercalar o calendário da UEFA com as ligas nacionais é um drama bem conhecido e requentado, que já ouvimos, e voltamos a ouvir, interpretado por tenores como José Mourinho ou Arsène Wenger. Em Portugal, as queixas das equipas que jogam a Liga Europa à quinta-feira são tão frequentes como inevitáveis.

 

Se houver um tampão das selecções nacionais na segunda-feira seguinte, a margem de manobra é nula, e piora nos casos em que há viagens compridas pelo meio. A desvantagem dos que jogam a Liga Europa atenua-se ao contrário, no tempo de descanso entre o campeonato e a jornada internacional, mas pode dizer-se que são eles os mais flagelados, assumindo que, nesta matéria, não há privilégios. Já todos foram estrangulados, nalguma ocasião, pelo cruzamento da agenda europeia com a portuguesa, que está entregue a uma boa dose de aleatoriedade. O que não é aleatório são as necessidades dos operadores de televisão.

 

Se os calendários explicam a fatalidade de se jogar amanhã o Sporting-Braga e o V. Guimarães-Benfica, são os direitos de transmissão o motivo de se jogar hoje o FC Porto-Belenenses. Ora, como toda a gente sabe, os direitos de transmissão não foram negociados pela Liga, nem pela FPF, nem pelo Conselho de Disciplina; foram negociados pelos clubes diretamente com as pessoas que, em última instância, decidem quem joga ao sábado e quem joga ao domingo. Esse é que era o momento certo para discutir a equidade desportiva: antes de venderem o direito a impor regras.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:35

Desrespeito não gera respeito

Rui Gomes, em 02.11.17

 

Sporting tinha boas perguntas para fazer à FPF. Bruno de Carvalho preferiu o abandalhamento.

 

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A discussão iniciada pela visita de Fernando Gomes ao Parlamento podia ser séria e adulta. Entre outras motivações, o Sporting tinha legitimidade para perguntar se há assim tanta diferença entre propor a interdição de cigarros electrónicos, como aconteceu na Liga há uns meses, ou um curso de ética para os dirigentes "que se sentam no banco".

 

Infelizmente, Bruno de Carvalho preferiu responder em vez de interrogar e transformou, mais uma vez, um ponto a seu favor em dois pontos contra. Culpar o presidente da FPF pelas más arbitragens da UEFA devolve a discussão à forma mais infame e rasteira de política, em que toda a manipulação de factos e palavras é válida, desde que pareça atingir o adversário e ponha as hostes a aplaudir. Com isso, só garante um tipo de futuro: aquele em que levará, muito mais vezes, com tiradas como as dos cigarros electrónicos e dos cursos de ética.

 

O desrespeito não gera respeito. Nem soluções.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 17:27

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