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O raciocínio do G15: do que o futebol precisa é de menos escrutínio, porque está fartinho de provar que se pode confiar nas pessoas que lá andam.

 

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Sabem quem está fora do controlo da Federação e da Liga? O Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ). A proposta-chave do G15 - isto é, dos clubes da I Divisão excepto Benfica, FC Porto e Sporting - é autonomizar a arbitragem, no preciso momento em que decorre uma investigação judicial sobre os desmandos que lá terão ocorrido, apesar de estar sob controlo da Federação e até da Liga, através dos clubes que votam na AG da FPF.

 

Ter menos olhos e intervenção em cima da arbitragem torna-a, na extraordinária visão do G15 (e do filantrópico presidente do Benfica), muito mais confiável, o que me fez recordar imediatamente o IPDJ, por coincidência também fora do controlo da FPF e da Liga, com resultados (vou soletrar) for-mi-dá-veis. As revelações, reacções e excreções destes últimos meses ainda não atestaram crimes, mas provaram a toda a gente, para lá de qualquer dúvida, que em Portugal é demasiado fácil encontrar pessoas para todo o género de tarefas sujas e tarefas sujas para todo o género de pessoas.

 

Neste cenário, tem lógica pedir-se confiança cega nas escolhas totalmente alheias que alguém (boa pergunta) faria para dirigir essa arbitragem autónoma, e mais lógica ainda a crença de que isso tornaria, não só, o futebol mais respeitador como encheria as igrejas ao domingo de manhã e acabaria com a fome no mundo. Por último, o prato forte: o bem que faria à vida dos árbitros abandonarem a sombra da FPF e do seu presidente protector. Olhemos para estes meses recentes e imaginemos como seria.

 

Se estou enganado e, apesar da lista de inconvenientes, a proposta de autonomização da arbitragem é oportuna, expliquem-me porquê, por favor. Sozinho, estou como estariam os árbitros: não chego lá.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:41

Maus fígados

Rui Gomes, em 15.11.17

 

O destino de Itália talvez demonstre que os grandes adversários, mesmo desleais, são imprescindíveis.

 

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O futebol italiano teve tudo. Foi a Premier League antes de haver Premier League. Houve tempos de excursões ao Milanello, o centro de treinos do Milan, para espasmos de admiração colectiva. Os grandes clubes italianos eram a grande vanguarda do futebol em todas as áreas, da prospecção às geringonças médicas, das legiões estrangeiras de fãs ao monopólio dos Maradonas e Van Bastens. Quem encontrava um treinador italiano não podia resistir ao impulso de levar a mão à carteira. Hoje é o treinador italiano que desconfia das segundas intenções do mais simplório dos adversários.

 

O "calcio" perdeu duas décadas, incluindo o salto para o século XX, que só está a dar agora. As razões são à escolha, mas a corrupção, a batota e a bancarrota financeira são incontornáveis, bem como um derivado desses problemas: a falta de competitividade em diferentes fases de paralisação deste século XXI, repartido entre o império do Inter (cinco títulos seguidos), o império da Juventus (seis) e um trono ao deus-dará. Ter adversários de ponta é imprescindível. O stress e a busca continuada de melhores métodos e recursos são a única forma de manter vivos os clubes e as ligas.

 

O irónico do ambiente em Portugal é que qualquer um dos três grandes - Sporting, Benfica e FC Porto - deve alguma coisa aos outros dois, ou porque seguiu descaradamente um caminho aberto por eles, ou porque se deixou aburguesar e precisou do enxovalho dos rivais para voltar aos trilhos. Compreendo as queixas, assinei muitas nos últimos 20 anos, mas também seria simpático reconhecer que a testosterona extra desta guerra dos grandes não produz só caos e vergonha. Se, no próximo Mundial, Fernando Santos tiver de forçar os neurónios porque há 17 bons jogadores a mais na Selecção, também isso se ficará a dever aos maus fígados de Sporting,  Benfica e FC Porto.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 09:45

A bola não chega

Rui Gomes, em 11.11.17

 

Conhecer o futebol é tão importante como saber jogá-lo. João Mário e André Silva estão a pagar por essa lição.

 

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Miguel Layún confessa-se inquieto por jogar pouco. O adjectivo importa. Numa "carreira curta", alguns meses perdidos são uma eternidade e uma aflição. Essa carreira curta devia exigir cultura aos jogadores de futebol e a quem os representa. Conhecer o percurso e o momento dos clubes, avaliar o treinador e os colegas com que se vai concorrer, escolher entre o contrato e a carreira, ter noção realista do que se vale. Nem tudo pode ser planeado, mas há margem para farejar muitos riscos à distância.

 

Os dois clubes milaneses, Milan e Inter, são talvez a maior ameaça às possibilidades de Portugal no Mundial 2018 e, no entanto, só lhes faltava uma tabuleta de néon a piscar: "Lepra: fujam daqui." Apesar disso, João Mário deixou-se encaminhar para o Inter, onde agora exercem a demência de o achar um estorvo (não é só aos jogadores que falta cultura), e André Silva aceitou submeter-se à lei das improbabilidades num Milan que consegue desconchavar futebolistas feitos, quanto mais um ponta de lança ainda em formação.

 

Para a nova seleção portuguesa, também deve ser um desespero ter dois homens-chave entregues, por mais seis meses ainda, à insegurança e desorientação daqueles dois gigantes esclerosados. É claro que há uma pequena possibilidade de que eles vençam o desafio duplo (o deles e o derrotismo mórbido das equipas milanesas) e uma possibilidade um pouco maior de que sejam emprestados ou vão jogando o suficiente para não chegarem a maio com as articulações calcificadas, mas em nenhum dos dois casos se pode falar em evolução na carreira. Foram passos ao lado, de desfecho previsível, para dois talentos que mereciam (e tinham o direito) de esperar por clubes saudáveis e vencedores.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:22

Os vira-casacas e a arbitragem

Rui Gomes, em 10.11.17

 

Eram humanos coagidos há quinze dias e agora são maus árbitros. E o Conselho de Arbitragem, que fazia bem em calar-se, agora faria bem se falasse.

 

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Há apenas duas semanas, os árbitros eram mártires sob coação infame e intolerável. Em quinze dias passaram a ser de qualidade muito duvidosa e os seus erros demasiado graves para que o Conselho de Arbitragem continue calado. No entanto, são as mesmas pessoas e os erros também não variam muito, excepto no nome das equipas beneficiadas ou prejudicadas.

 

O que mudou foram algumas opiniões, antes muito severas com os críticos e meigas com os árbitros, agora muito severas com os árbitros e meigas com os críticos. Calculo que o contrário também seja verdade. A incoerência é o contributo dos jornalistas para o ruído e para a desinformação, com as mesmas responsabilidades dos directores de comunicação que todos gostamos de censurar ou das manobras de propaganda que ora denunciamos, ora aceitamos como acções legítimas dos clubes.

 

Os árbitros não mudaram: o Conselho de Arbitragem (CA) continua a gerir um grupo enfraquecido pela inexperiência e, nalguns casos, falta de qualidade evidente; uma parte desse grupo continua marcada pelas ligações, justas ou injustas, a um processo judicial pendente que tornaria sempre inevitável a ultra-vigilância de FC Porto e Sporting (e dos portistas e sportinguistas), como aconteceria com quaisquer outros clubes na mesma situação.

 

O VAR complica tudo, porque amplifica os erros que prometia atenuar e distribui as culpas pela arbitragem inteira. Por isso, partilho a opinião dos vira-casacas (ou melhor, são eles que agora partilham comigo) de que o CA deve ser o mais transparente possível quanto à mecânica do video-árbitro, quanto aos castigos pelos maus desempenhos e quanto ao esclarecimento dos erros. Era assim há duas semanas e continua a ser.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 13:13

O que os clubes vendem às tevês

Rui Gomes, em 06.11.17

 

Nem a Liga nem a FPF negociaram direitos de transmissão. Nessa altura é que se discute com os operadores quem joga ao sábado e quem joga ao domingo.

 

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Intercalar o calendário da UEFA com as ligas nacionais é um drama bem conhecido e requentado, que já ouvimos, e voltamos a ouvir, interpretado por tenores como José Mourinho ou Arsène Wenger. Em Portugal, as queixas das equipas que jogam a Liga Europa à quinta-feira são tão frequentes como inevitáveis.

 

Se houver um tampão das selecções nacionais na segunda-feira seguinte, a margem de manobra é nula, e piora nos casos em que há viagens compridas pelo meio. A desvantagem dos que jogam a Liga Europa atenua-se ao contrário, no tempo de descanso entre o campeonato e a jornada internacional, mas pode dizer-se que são eles os mais flagelados, assumindo que, nesta matéria, não há privilégios. Já todos foram estrangulados, nalguma ocasião, pelo cruzamento da agenda europeia com a portuguesa, que está entregue a uma boa dose de aleatoriedade. O que não é aleatório são as necessidades dos operadores de televisão.

 

Se os calendários explicam a fatalidade de se jogar amanhã o Sporting-Braga e o V. Guimarães-Benfica, são os direitos de transmissão o motivo de se jogar hoje o FC Porto-Belenenses. Ora, como toda a gente sabe, os direitos de transmissão não foram negociados pela Liga, nem pela FPF, nem pelo Conselho de Disciplina; foram negociados pelos clubes diretamente com as pessoas que, em última instância, decidem quem joga ao sábado e quem joga ao domingo. Esse é que era o momento certo para discutir a equidade desportiva: antes de venderem o direito a impor regras.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:35

Desrespeito não gera respeito

Rui Gomes, em 02.11.17

 

Sporting tinha boas perguntas para fazer à FPF. Bruno de Carvalho preferiu o abandalhamento.

 

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A discussão iniciada pela visita de Fernando Gomes ao Parlamento podia ser séria e adulta. Entre outras motivações, o Sporting tinha legitimidade para perguntar se há assim tanta diferença entre propor a interdição de cigarros electrónicos, como aconteceu na Liga há uns meses, ou um curso de ética para os dirigentes "que se sentam no banco".

 

Infelizmente, Bruno de Carvalho preferiu responder em vez de interrogar e transformou, mais uma vez, um ponto a seu favor em dois pontos contra. Culpar o presidente da FPF pelas más arbitragens da UEFA devolve a discussão à forma mais infame e rasteira de política, em que toda a manipulação de factos e palavras é válida, desde que pareça atingir o adversário e ponha as hostes a aplaudir. Com isso, só garante um tipo de futuro: aquele em que levará, muito mais vezes, com tiradas como as dos cigarros electrónicos e dos cursos de ética.

 

O desrespeito não gera respeito. Nem soluções.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 17:27

Má jogada

Rui Gomes, em 25.10.17

 

Greve à Taça da Liga é a arbitragem a desconversar depois do Aves-Benfica.

 

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Vamos lá tentar descrever a situação com o máximo de objetividade. O Benfica está a ser investigado por suspeitas de ter condicionado a arbitragem durante, pelo menos, algumas épocas. Anteontem, vinha de sete pontos perdidos em três jogos disputados para a Liga fora do Estádio da Luz que davam uma importância transcendental à visita à Vila das Aves.

 

Nesta circunstância, o Conselho de Arbitragem entendeu que era sensato nomear Nuno Almeida, um dos oito árbitros (bem ou mal) mencionados nos emails que espoletaram a investigação ao Benfica. A partir desse momento, passava a ser, vá lá, provável que qualquer falha na arbitragem fosse entendida da pior maneira e tratada pior ainda. Para cúmulo, as comunicações com o video-árbitro caíram a quase meia hora do final do jogo, período durante o qual foi marcado um penálti, a favor do Benfica, em circunstâncias tão duvidosas quanto isto: os cinco ex-árbitros que analisam os lances para O JOGO, Record e A Bola entendem todos que ficou por marcar uma falta anterior a favor do Aves.

 

A sério que esta é a situação indicada para um Apocalipse de indignação dos árbitros contra os críticos, ao ponto de anunciarem uma greve à Taça da Liga? Por ser um momento em que a arbitragem está cheia de razão? Os comentadores são mais culpados no caso que descrevi do que a arbitragem? Neste fim de semana, quais são os exemplos de comentários fora do habitual? Lamento não ter queda para sonso, mas a greve só pode ser entendida como aquilo que é: uma péssima manobra de diversão para moderar o impacto do Aves-Benfica e a deserção bizarra do video-árbitro, ainda por cima com a intenção descarada (e desnecessária) de prejudicar especificamente a Liga.

 

No tão famoso "clima de ódio" que nos assola, onde encaixa esta guerra surda, e cada vez mais grave, entre a FPF e a irmã mais nova que gere o futebol profissional? São pancadas de amor?

 

Nota: FPF, Conselho de Arbitragem e APAF não percebem mesmo que, aos olhos dos adeptos, estão a escolher uma facção? E isso ajuda-os em quê?

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:57

Gomes na Assembleia da República

Rui Gomes, em 06.10.17

 

A política que vai receber o presidente da FPF é bem capaz de ter inventado o "clima de ódio".

 

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A presença de Fernando Gomes na Assembleia da República, em data ainda por designar, mas já garantida, é um desafio para a imaginação. Começa por sê-lo logo no tema da conversa. O "clima de ódio" e os "sinais de alarme" mencionados pelo presidente da Federação Portuguesa de Futebol, no artigo de opinião que levou ao convite dos partidos, têm significados e origens diversos consoante a facção (ou falta de facção) de quem os interpreta. Uma alta percentagem desses significados é irresolúvel pela política, porque esbarra em três palavrinhas - liberdade de expressão - e num palavrão: propaganda.

 

Por outro lado, está envolvida no "clima" uma quantidade absurda de deputados, ex-deputados, ex-ministros, ex-secretários de Estado, ex-assessores de ministros (o famoso Pedro Guerra) e até é possível defender com bons argumentos que o pai e pioneiro desta modalidade (sem climas nem alarmes!) foi João Gabriel, porta-voz de Jorge Sampaio na Presidência da República.

 

 

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Há poucos meses, pela calada, um grupo de deputados do PSD, com uma colaboração obscura do CDS, tentou legislar a paralisia da Liga. Entre esses deputados estava um vice-presidente do Conselho de Disciplina, que já fora figura importante no caso Apito Final, enquanto membro do Conselho de Justiça. Essa reunião será, até certo grau, como a visita do carneiro ao covil do lobo para se queixar do mesmo lobo. E o que se discutirá lá? "Clima de ódio" e "sinais de alarme" é um nome comprido para uma lista de problemas muito diferentes.

 

O que acontece nas televisões generalistas no primeiro dia da semana (e contra o qual o parlamento pode fazer zero) não é o mesmo que haver indícios fortes de manipulação de classificações de árbitros; o FC Porto que revela emails e faz acusações há seis meses não é o mesmo que o comportamento reiterado, e já com quatro anos, do presidente do Sporting; e quanto às claques, vou encurtar a polémica, mas não, também não são iguais. Quantos dias disseram que vai ter a reunião?

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:09

Discurso à Nação

Rui Gomes, em 23.09.17

 

Fernando Gomes toca nas teclas todas, mas já chega de pintar os árbitros sempre como vítimas.

 

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O presidente da Federação Portuguesa de Futebol, futuro vice-presidente da FIFA, assina hoje um artigo de Estado que me parece dirigido, sobretudo, para dentro de casa. Surge num período de grande controvérsia na arbitragem e no fim de uma semana em que foram noticiados processos movidos por um grupo de árbitros e também pela APAF contra Francisco J. Marques e o FC Porto.

 

Fernando Gomes sossega os seus (a disciplina e a arbitragem) contra as agressões externas e faz bem, porque, no quadro actual, o presidente da FPF tem de ser a trave mestra do futebol e a primeira garantia de que os agentes e o público podem confiar nas instituições. Também está certo quando fala nos perigos da conjuntura internacional, que não ameaçam Benfica, nem FC Porto, nem Sporting, nem V. Setúbal: ameaçam a Liga inteira, por muito que uns se achem mais espertalhões do que os outros. Acerta, igualmente, nos adeptos, que entraram numa espiral de agressões e incidentes meses depois de o Instituto Português do Desporto ter declarado que está tudo legal e maravilhoso.

 

Já a condenação do "constante tom de crítica em relação à arbitragem" confunde-me, porque se casa com o discurso de uma das facções da guerra em curso e porque não são, forçosamente, "actos de cobardia", mas também porque vivi as últimas quatro décadas neste país, de olhos abertos, e nunca conheci uma realidade diferente para melhor, tirando, claro, a cor dos autores das críticas à arbitragem.

 

Fernando Gomes só pode falar por si, admito, e não lhe cabe ralhar aos seus em público, mas talvez a solução para esse grande (e repentino) problema possa começar por alguma autocrítica dos árbitros. As duas últimas semanas dão uma boa montagem de lances que eu, pessoalmente, gostava de saber como eles os explicariam. E não falo de penáltis, nem de golos fantasmas; isso é para quem começou ontem.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:19

A nódoa

Rui Gomes, em 21.09.17

 

Benfica tem relacionamentos promíscuos com duas figuras centrais no caso Marco Ferreira. Factos.

 

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Um árbitro internacional (e profissional) desce de escalão depois de ter dirigido três derrotas do Benfica. O vice-presidente do Conselho de Arbitragem que, à data, geria as classificações dos árbitros é, posteriormente, apoiado pelo Benfica na candidatura à Associação de Futebol de Coimbra e envia facturas de dezenas de milhares de euros para a Luz. O observador que deu ao árbitro a nota que mais contribuiu para a descida (num jogo perdido pelo Benfica) tem relações altamente promíscuas, se não até ilegais, com o mesmo clube.

 

É isto que se verifica nos emails revelados pelo FC Porto (já descontando várias outras acusações), resumido com clareza, sem gorduras, nem subjectividades. Estes são os factos que constam dos documentos contestados pelo Benfica não como falsificações mas como pirataria informática ou violação de correspondência.

 

O que há a esclarecer, com urgência, como é que um clube com a permanente altivez moral do Benfica pode, primeiro, manter trocas de favores com observadores e ex-responsáveis pelas classificações de árbitros; e, depois, sem nunca negar a autenticidade dos emails, furtar-se de mil maneiras a explicar esses relacionamentos obviamente comprometedores. Mas o Benfica responde aos benfiquistas e a Federação, a quem pertenceram os dois envolvidos, responde aos cidadãos.

 

Se da Luz não vêm esclarecimentos, ao menos que a FPF obrigue os antigos colaboradores a justificarem as suas condutas, em tribunal se for preciso. É muito digno que, da Cidade do Futebol, venha finalmente tanta preocupação com a gritaria que emporcalha o jogo, mas há sempre dois responsáveis quando algo está sujo: quem sujou e quem não limpa.

 

Nota: escrevo isto sabendo que, nas últimas eleições, a lista de Fernando Gomes varreu muita desta gente, incluindo as duas figuras deste comentário, mas, aos olhos do público, a nódoa continua lá.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:05

As vandalizações que beatificam

Rui Gomes, em 11.09.17

 

É muito feio fingir que os mais prejudicados pelos ataques aos árbitros são os mais beneficiados e vice-versa.

 

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A intimidação aos árbitros é intolerável, depois é intolerável, a seguir é intolerável e, por último, é contraproducente e destrutiva. Mesmo que pudéssemos retirar a higiene moral da conversa e falássemos apenas de estratégias maquiavélicas, continuaria a ser péssima de todos e quaisquer ângulos. Cria mártires inconvenientes e aferroa o corporativismo dos árbitros, que, por sua vez, mata qualquer ambição de autocrítica e confronto interno, essenciais neste mau momento.

 

Na actual guerra de facções, estes acontecimentos são tão maus para a causa do FC Porto e bons para a do Benfica que seria inconcebível que, no Dragão, não se fizesse tudo para os evitar e repudiar (por muita preguiça que por aí haja em conceder o óbvio). No entanto, eles continuam a suceder, sem que a única entidade capaz de ajudar a tirar os responsáveis do anonimato dê sinais de ter avançado um milímetro nos vários processos de investigação que ficaram para trás, desde os ataques aos talhos de Manuel Mota. Corro o risco de errar, porque o comando central da PSP recusou dar-nos informações, mas o último caso de que há registo foi o dos nove adeptos do Benfica condenados, em 2012, por ameaçarem um grupo de árbitros - incluindo Vasco Santos - através de mensagens de telemóvel. A brincadeira ficou mesmo pelo preço de uma brincadeira - multas entre os 400 e os mil euros -, ainda assim bem melhor do que se tem conseguido nos casos de ameaças e vandalismo posteriores.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:19

Eliseu: Sporting e FC Porto erram

Rui Gomes, em 10.09.17

 

Castigar o lateral seria pôr os advogados e o perverso CD a jogar o campeonato. É mesmo isso que querem?

 

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Passada uma semana sobre o arquivamento do caso Eliseu pelo Conselho de Disciplina, é o momento de dizer o óbvio ululante, como lhe chamava Nélson Rodrigues: se o CD fosse tão favorável ao Benfica como Sporting e FC Porto defendem, a última coisa que estes dois desejariam era que Eliseu tivesse sido castigado pelo pisão em Diogo Viana.

 

Se José Manuel Meirim transigisse na regra de não julgar acções já analisadas pelos árbitros, condenando o lateral, os jogos passariam a ser uma torrente de processos em potência, à disposição dos departamentos jurídicos dos clubes, a começar pelo mais calculista de todos, que é o do Benfica. Sporting e FC Porto queriam mesmo estender ao pérfido Conselho de Disciplina (dizem eles) dúzias de possibilidades de favorecer o Benfica todas as jornadas?

 

O Conselho de Disciplina é um inimigo desnecessário e muito forçado; uma ilusão de óptica que não ajuda ninguém. Cada vez que Sporting ou FC Porto cedem à demagogia, analisando superficial ou maliciosamente uma polémica, enfraquecem as denúncias dos emails e a verosimilhança do submundo que Francisco J. Marques tem vindo a revelar. Cada vez que seguem uma linha torta aproximam-se dos comportamentos que denunciam.

 

O caso Eliseu é pelouro do Conselho de Arbitragem: os castigados devem ser os árbitros, agora com mais justificação moral ainda, porque se acabou a conversa de que no sofá é fácil analisar os lances e também porque, justa ou injustamente, a sombra dos emails existe. Não lhes cabe o direito de empinar o nariz e fingir que não.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:50

O inferno dos impolutos

Rui Gomes, em 06.09.17

 

Braga e V. Guimarães partiram em busca de uma criatura mítica no futebol atual: a reputação à prova de bala.

 

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Júlio Mendes, presidente do V. Guimarães, estranha o negócio Pedro Neto/Jordão, dois juniores do Braga por quem a Lázio vai pagar 26 milhões de euros. A SAD bracarense ripostou com um comunicado de dezasseis parágrafos a rebentar de indignação. Não vou desempatar. Esquecendo esta transferência específica, que não tenho melhor informação para julgar, nem motivos para duvidar do Braga, a verdade é que a UEFA e a FIFA, bem como todas as ligas e federações nacionais, fecharam os olhos ao crescimento galopante e propositado da complexidade destes negócios.

 

Este defeso houve jogadores que começaram num clube, foram transferidos para outro, vendidos a um terceiro e emprestados por este ao clube de origem. São inúmeros, na Europa, os casos de reforços caros que nunca chegam sequer a treinar por quem os comprou e sempre sem qualquer escrutínio. Com frequência isto é feito às escâncaras, a coberto da suposta subjectividade das opções futebolísticas, que explica todos os disparates. Num sistema assim, não é preciso ser um Madoff para imaginar uma dúzia de formas de cometer fraudes monumentais nas barbas de uma justiça mole e pasmada, para além das engenharias financeiras indecifráveis. E o pior, para voltar ao princípio, é que tudo e todos ficam sob suspeita, façam o que fizerem e digam o que disserem, por maior que seja o grau de indignação. A prova está no comunicado do Braga em resposta a Júlio Mendes: bastou falar nas comissões do Vitória. Porque, no futebol, as comissões de um são as comissões de todos.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:15

 

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Um campeão europeu é isto: jogando em Budapeste, a Selecção Nacional teve 67% de posse de bola, fez 23 remates contra oito, somou 11 cantos contra um e 23 cruzamentos contra 11. Arrepiou-se um pouco quando viu o sangue no sobrolho de Pepe e saiu uns minutos de pista, mas reencontrou o sangue-frio a tempo de se poder dizer que teve sempre o jogo bem seguro pelos colarinhos.

 

Quinze meses depois do França 2016, aquele Portugal que ficou em terceiro lugar num grupo ganho pela Hungria cumpriu plenamente a obrigação de justificar "a posteriori" a taça ganha em Paris. É uma selecção adulta, que não depende de humores nem de apetites e que consegue tomar as decisões certas no campo. Ontem, a França vice-campeã europeia empatou com o Luxemburgo em casa (0-0), também ela justificando, à distância, aquele resultado tão incompreensível da final de Paris.

 

Não estou a cantar nenhuma ode à Selecção. Nestes dois jogos, dependeu demasiado de Ronaldo para o que interessa; em quase todos os golos, se não foi ele a marcar, foi ele quem fez a assistência, e continua a ser perturbador ver um médio tão inteligente como João Mário abdicar de um remate flagrante para lhe dar a bola, mas são minudências de que nenhuma equipa se livra. No essencial, Fernando Santos construiu uma Selecção altamente competente e honesta. A partir daqui, tudo o que se possa acrescentar é tão legítimo como subjectivo.

 

Nota: há uma Selecção Nacional com João Mário e outra sem ele. Portugal jogou seriamente mutilado na Taça das Confederações. Há mais jogadores especiais para além de Ronaldo.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:52

Lá fora o vento uiva

Rui Gomes, em 18.08.17

 

Na Luz, no Dragão e em Alvalade (menos) é fácil serem ferozes e implacáveis, mas a Liga decide-se ao relento.

 

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Assim fica difícil adivinhar o campeão nacional à segunda jornada. FC Porto e Benfica, por esta ordem, experimentaram os jogos fora dos seus coliseus cheios de energia patrícia e ficaram a conhecer a dura realidade da vida em Tondela e em Chaves. O Sporting conheceu-a em casa, onde em 2016/17 já fraquejara mais vezes do que os adversários.

 

Rui Vitória reivindicou melhor futebol do que diz um resultado tão demorado (93") como o de ontem, mas há duas verdades paralelas. O Benfica até foi, dos candidatos, o que mais pontos fez fora de casa na época passada, mas também marcou menos golos (23) do que FC Porto (27) ou Sporting (31), apesar da reputação de máquina trituradora e do facto, indesmentível, de ter os melhores e mais eficazes especialistas no ataque. Vinte e três golos a dividir por 17 jogos dá pouco mais de um (1,35) por cada noventa minutos, ou seja, em Chaves viu-se a aplicação da regra Rui Vitória, que já em 2015/16 tivera o melhor ataque em casa mas não fora, e até pontuara menos do que o Sporting.

 

As arenas deste título serão as alheias, em que quanto mais distantes na geografia, mais potencialmente influenciadoras da classificação. Não foi por acaso que Sérgio Conceição, treinador do FC Porto, marcou uma diferença para o seu antecessor, que insistia na ideia de que o Dragão tinha de ser inexpugnável. Conceição acrescentou o que faltava: têm de ser inexpugnáveis o Dragão e a outra metade dos jogos também. Fica a minha previsão: 2017/18 não será para campeões de chinelos e sala de estar.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:29

Lei interditada

Rui Gomes, em 02.08.17

 

O processo é este: viola-se a lei durante 13 anos, manda-se o IPDJ pentear macacos, muda-se umas linhas num regulamento e, pronto, caso encerrado.

 

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Uma pergunta ingénua para o Sr. secretário de Estado da Juventude e do Desporto. Imaginemos que, amanhã, um clube profissional permite que se forme, lá dentro de casa, uma claque. Essa claque recusa legalizar-se. Apesar disso, e violando a lei, o clube permite-lhe que entre no estádio com toda a parafernália das claques: bandeiras, bombos, lonas, panos, etc. Vão repetir-se alegações de que até lhe fornece dinheiro e géneros. Isto vai repetir-se todos os jogos, durante os próximos 13 anos, de maneira franca e aberta, comprovável a olho nu por qualquer pessoa com acesso a um televisor. No fim desse tempo, o ruído já vai alto e o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) chama o clube ao lado, para lhe sussurrar: "Faz lá umas mudanças no regulamento do estádio, que estes gajos são muito chatos."

 

À terceira ou quarta insistência, o clube lá aceita rasurar o papelito e, pronto, o executor da lei fez o seu trabalho. É mesmo assim que funciona? É assim que se aplicam as leis de segurança no desporto? Mesmo quando está em causa a claque-fantasma que, segundo os registos da polícia (revista "Sábado" de 4 de Maio último), é responsável pelo maior número de incidentes no desporto nacional, a uma larga distância das outras? A partir do momento em que o IPDJ decidiu estabelecer estes recordes olímpicos da paciência e da compreensão no caso Benfica, por que diabo hão de os clubes preocupar-se em respeitar a lei? Qual será a justificação do IPDJ para lhes interditar um estádio?

 

E da próxima vez que um ministro vier anunciar um novo pacote legislativo para garantir a segurança no desporto - talvez por ocasião da morte de mais um adepto -, esperemos que posicionem um caixote de lixo perto. Para haver um ganho de eficiência.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 10:01

O Selecções FC

Rui Gomes, em 17.07.17

 

O caminho internacional é mais dos subtítulos do que dos títulos...

 

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O futebol dos clubes está fora do controlo para os portugueses em tudo. Não têm, nem terão, mercado para competir com ingleses, espanhóis e alemães; não têm receitas alternativas a esse mercado; e não têm voz na UEFA ou na FIFA, onde a péssima e suicidária redistribuição da riqueza quase não é tema. Restam as selecções, porque (ainda) não é possível aos ingleses, espanhóis e alemães pilharem os talentos dos outros países "à la carte", como fazem nos clubes.

 

Talvez no futuro a animação que mais esta final do Europeu de sub-19 provocou por cá seja tudo a que Portugal poderá aspirar fora das suas fronteiras. Talvez estejamos prestes a tornar-nos um novo tipo de adeptos dos subtítulos, em vez dos títulos. Talvez o PSD, quando quis dar um tiro na Liga de futebol profissional esta semana, estivesse só a ser misericordioso.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:43

Terra queimada

Rui Gomes, em 11.07.17

 

Não há razões honestas para fazer da Liga uma vítima colateral do caso dos emails

 

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Aparentemente, o Benfica juntou os seus melhores cérebros, foi buscar os manuais de Python e Java e conseguiu piratear um comentário no Facebook da prima do padrinho da avó do alfaiate de alguém por identificar, mas que não é benfiquista. O comentário tem cinco anos, ou seja, o suficiente para provocar uma artrose no dedo indicador que teve de rolar o Facebook da senhora (a directora executiva da Liga, cujo nome o leitor conhece, com certeza, ou não?) até dar com o pecado original.

 

A denúncia, por fonte oficial não identificada, sucede-se ao boicote simbólico do Benfica ao sorteio da Liga, na sexta-feira passada, que por sua vez se segue a uma ameaça de abandono da direcção do mesmo organismo por "falta de posições firmes e claras".

 

Há antecedentes no dossiê Facebook que servem de pretexto ao episódio. O elemento da Comissão Arbitral da Liga indicado pelo Sindicato de Jogadores viu-se forçado a resignar depois de divulgados comentários pró-Benfica em que chamava "puto" ao presidente do Sporting, na sequência do caso Arouca/cigarro electrónico. De uma forma genérica, o tema é pertinente e o Benfica tem tanto direito a levantá-lo como outro clube qualquer.

 

Em concreto, estamos apenas a falar de emails, de Francisco J. Marques, de um presidente da Liga apoiado por FC Porto e Sporting e de um inquérito em andamento na Comissão de Instrutores desse mesmo organismo. Ou seja, a misturar alhos com bugalhos e a brincar com coisas muito sérias, como sucedeu na era Mário Figueiredo, patrocinado por quem sabemos e com os resultados que os associados da Liga têm obrigação de conhecer.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 06:52

As obrigações são do Benfica

Rui Gomes, em 06.07.17

 

Lendo jornais e vendo televisão parece que sim, mas o Sporting não é o candidato rico, nem o tetracampeão.

 

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Em Portugal, há um tetracampeão que fez duzentos milhões de euros em vendas nos dois últimos anos e dois concorrentes sem dinheiro ou gastando por conta. Só fazendo uma leitura dos últimos campeonatos semelhante à que o FC Porto está a fazer dos emails é que o Benfica deixará de ser o favorito à próxima liga, mesmo que, de repente, comece a vender jogadores relevantes, em vez de cortar só as pontas espigadas.

 

Até o discurso público o justifica. Para se defender das cartilhas, missas, SMS, convites e bruxos, o Benfica listou abundantemente as suas qualidades organizativas, a excelência da equipa e até os dons sobrenaturais de Rui Vitória. Ou seja, só por astigmatismo é que as compras fariam do Sporting o candidato dos candidatos, ou de Jesus o treinador mais pressionado. Esse será o que dispõe de um plantel tetracampeão e de financiamento para o manter ou melhorar.

 

As pressões de Jorge Jesus são outras; vêm-lhe do salário mastodôntico e da dúzia de palavras que pronuncia em excesso a cada quinze dias (mais a dúzia de palavras que o presidente pronuncia em excesso a cada quinze minutos). Já as do FC Porto, bem sublinhado por toda a Imprensa o tombo nas finanças, não podem ser as de construir, sem dinheiro, uma equipa que esteja à altura do Benfica, partindo do princípio (lá está) de que a última não estava. A pressão do FC Porto, para começar, é não repetir um Depoitre..

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 06:29

Ronaldo e o 4.º reich

Rui Gomes, em 02.07.17

 

Calhava bem ganhar ao México com uma perna às costas. A Alemanha conseguiu com as duas.

 

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A dispensa de Cristiano Ronaldo é estranha, mas uma Alemanha B também, sobretudo uma Alemanha B que goleia o México A nas meias-finais da Taça das Confederações. No primeiro caso, prefiro (escolho) interpretar a decisão de mandar Ronaldo para Madrid ver as crianças como uma operação Quercus em defesa da espécie. Faço-o porque Fernando Santos é campeão europeu e merece uma balda e também porque a explicação alternativa não seria simpática, nem respeitadora do princípio da igualdade, para além de estar a ser utilizada massivamente por aqueles que amam do fundo do coração odiar Ronaldo só porque sim.

 

A Taça das Confederações é um crime de maus tratos aos jogadores; Ronaldo é o único português capaz de marcar 50 golos por época, sete épocas seguidas, logo tem alguma lógica procurar estender-lhe o prazo de validade, mais do que a qualquer outro. E depois há esta novidade da Alemanha B: uma equipa de segundas figuras que nos atira para a depressão. Uma Alemanha B que passeia, mesmo numa Taça das Confederações, é o prenúncio do quarto reich futebolístico. Faz das outras sete selecções ratos de laboratório nas mãos por lavar do selecionador Joachim Low: a Alemanha não está a competir; está a preparar uma vacina para o próximo (próximos?) campeonato do mundo. Portugal, México, Chile, etc. fazem apenas o papel das amostras do vírus. Não significa que seja má ideia.

 

Se o motivo fosse esse (claramente não é), acharia muito bem que Portugal jogasse o bronze da Taça das Confederações sem Cristiano Ronaldo, quanto mais não fosse porque a Alemanha B goleou o México. O mínimo que a selecção nacional pode fazer é tentar jogar, também, com uma perna às costas. Em nome da pouca dignidade que resta ao futebol extrateutónico.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:12

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