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Liderar ou não liderar, eis a questão

Naçao Valente, em 16.02.17

 

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“O homem é naturalmente um animal político
Aristóteles


Política "a arte de conquistar, manter e exercer o poder, o governo"
Nicolau Maquiavel, O Príncipe


“O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente
John Emerich Edward Dalberg-Acton


Ponto Prévio: A política como forma de exercício do poder é transversal a todas as áreas da sociedade. As lideranças estão presentes desde a mais alta magistratura até aos mais pequenos poderes. É assim pertinente trazer o assunto das lideranças ao debate, em período de eleições clubistas.


As chefias estão instaladas em todas as instâncias da sociedade. É através delas que se organiza uma cadeia de responsabilidades, que permitem estabelecer uma ordem, fundamental, que está suportada por regras e normas. No entanto, é preciso estabelecer uma destrinça entre chefiar e liderar. Exercer a chefia não significa que se saiba liderar. Como princípio, a chefia escuda-se no poder exercido de forma autoritária: “mando porque porque posso, mando porque tenho esse poder”. Ao invés a liderança orienta. Tem a consciência que o poder deve ser partilhado e a responsabilidade assumida em equipa.


O mundo do futebol, em termos organizativos, é um microcosmo que adapta a estrutura social. Nos clubes, o presidente, autoridade máxima, insere-se e dirige um órgão executivo, que se coordena com uma Assembleia Geral e um Conselho Fiscal. Hoje, há muitos clubes que replicam a democracia representativa, constituindo os seus órgãos através de eleições. Contudo, o exercício democrático é ainda muito imperfeito, começando pelo discutível sistema eleitoral, só por si susceptível de uma análise específica. No entanto, a situação minimiza-se quando em vez de um chefe, existe um líder.


O líder sabe à partida que que só pode prometer aquilo que tem a certeza que pode cumprir. Na política como no futebol. Não inventa para ganhar eleições apresentando, por exemplo na luta clubística, investidores que não existem, nem nunca existirão. O chefe mente, sabe que mente, e sabe que as pessoas preferem a mentira bem construída ou a meia verdade, a uma visão pragmática da realidade. Mais, o chefe mente e continua a mentir, mesmo depois de eleito, porque sabe manipular as diversas variantes da sua acção .O chefe sabe que há quem goste de ser enganado, porque é mais fácil viver na ilusão.


Outro aspecto onde o líder se destaca do chefe é na assunção das responsabilidades. Enquanto o primeiro assume os seus êxitos e os seus falhanços, o segundo sacode,sempre que pode, a água do capote. No caso concreto do futebol se as coisas correm bem , se os resultados são positivos, o mérito é seu, mas se os resultados são maus a culpa é dos outros. É capaz de criticar, e em situações extremas insultar, atletas e colaboradores. Em vez de incentivar atrapalha, complica, em vez de confiar, fiscaliza. O líder usa o plural na assunção do seu poder, diz nós em vez de eu, diz vai lá em vez de vai lá.


O líder, por natureza e formação, entende que o seu poder é limitado no contexto da actividade em que se insere. Com realismo, percebe que não pode moldar a realidade à sua imagem. Tem a consciência que existem estruturas complexas e imperfeitas, mas muito difíceis de mudar. Actua, racionalmente, dentro de uma lógica realista, dando passos pequenos mas seguros. O chefe montado no seu autoritarismo congénito, avança como D. Quixote, contra tudo e contra todos, inventa inimigos, decreta batalhas, e com vitórias de Pirro acaba sempre derrotado. Pior, acaba por complicar os caminhos para a vitória.


Como reflexão final ficam as seguintes questões: Ao longo da História temos ou não sido brindados com líderes e castigados por chefes? Temos, ou não, tido grandes estadistas que das cinzas construíram esperança, e chefes que emergindo de algum caos transitório geraram tragédias? Ainda hoje isso está, ou não, presente no nosso quotidiano? Sementes de ódio que alimentam massas sem memória, até do passado recente, estão, ou não, disponíveis para apoiarem falsos profetas? A culpa é, ou não, nossa, cidadãos, que continuamos a confundir o trigo com o joio? E que por essa fraqueza humana, sacrificamos, ou não, líderes e incensamos, ou não, os chefes.

 

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publicado às 12:00

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