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Manuel Marques, "Mãos de Ouro"

Leão Zargo, em 14.12.16

 

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Manuel Marques é uma figura singular do Sporting Clube de Portugal. Exerceu funções no Clube durante 54 anos, entre 1936 e 1990. Mereceu o respeito e a admiração de milhares de jogadores que vestiram a camisola leonina, da Selecção Nacional e de outros emblemas. Será sempre recordado pela sua competência profissional e pelo seu excepcional humanismo. O antigo capitão Manuel Fernandes sintetizou-o de forma magnífica: “Era um catedrático”!

 

O dia 14 de Dezembro de 1986 foi particularmente relevante para o massagista a quem chamaram de “Mãos de Ouro”. O seu Clube de sempre homenageou-o antes do célebre derby dos 7-1, atribuindo o seu nome à sala do Estádio de Alvalade onde funcionava o Posto Médico do futebol profissional e ofereceu-lhe um leão e uma salva de prata. No novo Estádio de Alvalade o Posto Médico continua a ter o seu nome. Justíssima homenagem a quem uma vez afirmou que só lhe faltava morrer no banco de suplentes.

 

São pessoas como Manuel Marques que têm construído e mantido um Clube centenário e histórico do futebol português.

 

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publicado às 15:19

Fotografia com história dentro (26)

Leão Zargo, em 11.12.16

 

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Manuel Marques

 

Trata-se de uma fotografia duplamente histórica. Aconteceu em 14 de Dezembro de 1986 perante 60 000 espectadores que encheram o Estádio José Alvalade.

 

Histórica porque esta equipa do Sporting derrotou o rival da Luz por um concludente 7-1. Por isso, o jornalista Daniel Reis deu o título de “Seteporting” à sua crónica no jornal A Gazeta dos Desportos.

 

Histórica, principalmente, porque o inesquecível Manuel Marques cumpria cinquenta anos ao serviço do Sporting. Nesse dia, o “Homem das Mãos Milagrosas” juntou-se aos jogadores leoninos para a fotografia da praxe antes do jogo.

 

Manuel Marques, Prémio Stromp nas categorias “Dedicação” e “Especial”, e “Leão de Ouro”, tem o seu nome atribuído ao Posto Médico do Estádio de Alvalade. Um grande leão!

 

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publicado às 12:30

Manuel Marques, o Manecas do Sporting

Leão Zargo, em 31.10.15

 

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O futebol é uma extraordinária manifestação de natureza simbólica. Desde logo, pelo espaço estrutural, o estádio que desempenha uma função visual arquitectónica semelhante à das catedrais medievais e o terreno de jogo que se tornou uma imagem do nosso espaço social e cenário da própria existência. Por outro lado, pelos jogadores que são (ou foram) verdadeiramente excepcionais, quase como que actualizações dos antigos heróis míticos ou dos semi-deuses que se transformaram de homens comuns em verdadeiros super-homens. Manuel Marques, o Manecas do Sporting, pertenceu a essa plêiade de jogadores.

                                                                                                                                                                     

Cada um de nós tem o tamanho dos seus sonhos e Manecas acalentou desde muito jovem o ideal de brilhar com a camisola do leão rampante. Chegou ao Sporting em 1932, quando ainda tinha quinze anos de idade, para jogar nos principiantes. Em 1934 foi campeão de Lisboa em segundas categorias e estreou-se na equipa principal em Março de 1936, jogando a extremo-direito num jogo com o Belenses. Depois, jogaria como médio e como defesa.                      

 

Manuel Marques foi respeitado e admirado por todos os companheiros, um dos grandes capitães da História do Sporting, jogou ao lado dos ‘Cinco Violinos’ e é o segundo jogador do Clube com maior número de títulos conquistados (19), sendo ultrapassado apenas por Azevedo. Venceu o Campeonato de Lisboa (8 vezes), o Campeonato de Portugal (2), o Campeonato Nacional (5) e a Taça de Portugal (4). Permaneceu no Clube até 1950 e envergou a camisola verde e branca em 351 jogos (equipa principal). Apenas Hilário, Damas, Manuel Fernandes, Azevedo e Oceano vestiram a camisola leonina mais vezes do que ele.

 

Para além de Manecas, chamaram-lhe Manuel do Lenço. A mãe cansada de o ver chegar a casa ferido pelos campos pelados, ofereceu-lhe um lenço branco para limpar o sangue dos ferimentos. Usou-o sempre preso à cintura imaculadamente branco. No dia do ‘jogo de despedida’, em 5 de Outubro de 1950, Manuel do Lenço explicou a origem desse hábito: “Quando comecei a dar os primeiros pontapés, a velhota, como aparecia muitas vezes com os joelhos esfolados, deu-me um lenço branco para limpar os ferimentos. Devo, no entanto, acrescentar que até hoje nunca me servi dele, conservando-o sempre como talismã. Todos os anos, no começo da época, recebia um lenço novo, branco como a neve, que a minha mãe me enviava.”

 

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Manuel Marques, que era um jogador duro e voluntarioso, possuía uma personalidade extrovertida e era fundamental para manter a boa disposição no balneário. Observador como era, rapidamente se apercebeu dos pontos fracos de Mestre Joseph Szabo contratado pelo Clube em Março de 1937. O húngaro, disciplinador implacável, não tinha grande sentido de humor, para além de, nesse tempo, falar mal o português. Era conhecido o gosto que Szabo tinha por uns bonecos que utilizava na explicação da táctica, mas, para seu desespero e irritação, por vezes o Manecas escondia-os algures no balneário. "Carágo, sinhores! Mônécas ser maniáco!", exclamava o treinador. Outro dia, antes de um jogo com o Benfica, o jogador fingiu recear o barulho dos adeptos adversários. Furioso, o Mister meteu-o na ordem: “Sinhor Mônécas, não perturbar rapaziada com essas coisas. Fixar, sinhores, fixar, maior dur dê cabeça para gajos é meter bola na baliza. Passar bola bons condições e Fernando [Peyroteo] calar tudos, gajos não piar mais”. Convenhamos que ainda hoje a recomendação do Mestre Szabo tem toda a validade!

 

Manuel Marques disse adeus da sua longa e brilhante carreira desportiva num ‘jogo de despedida’, no Lumiar, que colocou o Sporting e o Benfica frente a frente. O Sporting venceu por 8-1 e, nesse dia, utilizou o lenço branco que a mãe lhe oferecera. Foi para limpar as lágrimas quando explicou a origem desse talismã. O nº 135 da Flama deu grande destaque ao último jogo do grande capitão que foi a capa da revista com a menção de que “Manuel Marques - o Manecas do Sporting - abandona o futebol!”. Nas páginas interiores, a revista titulou um artigo, “Um ídolo que se retira, uma saudade que fica”, dando conta de uma mensagem que o jogador dirigiu a todos os desportistas portugueses.

 

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publicado às 11:25

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