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A idade adulta

Rui Gomes, em 22.05.17

 

Jorge Jesus e Bruno de Carvalho estão agrilhoados um ao outro, mas o que lhes convém é uma autoavaliação. Dura.

 

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Antes de ser uma decisão, a permanência de Jesus no Sporting era uma fatalidade e, depois de ser uma fatalidade, tornou-se uma condenação. Uma condenação dupla, para um treinador incapaz de perceber os seus limites ou a responsabilidade que o ordenado e o egocentrismo lhe dão, e para um presidente que gera vinte problemas desnecessários por cada um que resolve.

 

A culpa há de ser nossa, dos jornais, porque a melhor forma de administrar a má relação entre os dois é mentindo, mas nós não somos importantes. Importante, para o Sporting e para os sportinguistas, seria que, sendo um belo treinador, Jesus intuísse o temperamento, a preparação e o equilíbrio que lhe faltam para ser o senhor absoluto de um grande clube no século XXI. E que Bruno de Carvalho percebesse algo parecido sobre si próprio, mais, eventualmente, a noção de que terá de ser outro o interlocutor de Jesus no Sporting. Alguém com mais futebol no sangue e uma bagagem profissional que o ponha meio degrau acima do treinador.

 

Provavelmente, qualquer uma destas premissas é pedir de mais a duas pessoas inflexíveis e ao mercado de diretores desportivos carismáticos, mas já não seria mau para esta nova época que Jesus metesse, finalmente, na cabeça que o Sporting não o contratou para gastar o mesmo dinheiro que ele gastava no Benfica: contratou-o porque era suposto ele ser um génio a produzir craques do vácuo (palavra do senhor, quase literal). Por outro lado, ser presidente implica compreender o que está à volta; perceber as dificuldades alheias; assumir que ir ao mercado comprar jogadores exige conhecimento e experiência; admitir as culpas próprias, quer na montagem da equipa, quer na instabilidade que tantas vezes provoca com aquela ingenuidade mascarada de convicção.

 

A palavra que vou usar para acabar pesa como chumbo, mas é justa: o Sporting precisa de adultos.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:00

Fantasmas

Rui Gomes, em 18.05.17

 

Mais do que fazer questão de manter Jesus em Alvalade, Bruno de Carvalho não o quer ver no Dragão.

 

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Jorge Jesus tem uma dívida de gratidão para com o FC Porto que se mede em milhões de euros. Muitos milhões de euros, para ser mais exacto, que o agora treinador do Sporting e antes treinador do Benfica ganhou ao longo dos últimos anos graças ao FC Porto.

 

Ou pelo menos ao fantasma do FC Porto que assombrou Luís Filipe Vieira, levando-o a inflacionar-lhe catastroficamente os ordenados, e que agora assombra Bruno de Carvalho, mantendo o presidente leonino pouco menos do que refém do treinador.

 

Afinal, por esta altura, parece evidente que, mais do que querer manter Jesus em Alvalade, o presidente do Sporting não quer correr o risco de o ver no Dragão. Exactamente até onde estará disposto a ir para o garantir é o que resta saber. Isso e quanto Jesus ganhará ao certo desta vez.

 

 

Texto da autoria de Jorge Maia, jornal O Jogo.

 

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publicado às 15:00

Pequenos passos

Rui Gomes, em 17.05.17

 

Se quiserem reduzir a diferença para o Benfica, Sporting e FC Porto têm de meter pés ao caminho.

 

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Enquanto o Benfica festejava a conquista do tetra, desta vez na Câmara Municipal de Lisboa, Sporting e FC Porto davam passos na preparação da próxima temporada. Os leões anunciaram a contratação de Piccini e Mattheus para juntar na lista de reforços a André Pinto, enquanto os dragões oficializavam as renovações com Galeno e Kayembe, ambos com lugar reservado pelo menos na pré-época.

 

A esta distância, não se pode dizer que sejam passos enormes, mas são passos e, se não significarem mais nada, significam que tanto em Alvalade como no Dragão há a consciência de que é preciso pôr os pés ao caminho. Nos festejos do tetra, Luís Filipe Vieira disse que o Benfica tinha pelo menos dez anos de avanço sobre os rivais. Até olhando para aquilo que foi o campeonato até há um par de jornadas, talvez dez anos seja um exagero, mas é verdade que os encarnados partem para a próxima temporada como partiram para as últimas quatro: em vantagem.

 

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 17:35

A faca e o queijo

Rui Gomes, em 13.05.17

 

Tudo na mesma mão

 

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É possível que eu esteja a ler tudo isto à luz errada, e de qualquer modo ainda vai ser preciso esperar algum tempo até que não restem dúvidas sobre os resultados desta crise no Sporting. Hoje, o que me parece é que Jesus saiu fortalecido no status quo leonino.

 

Bruno de Carvalho criticou-o e criticou-o bem. Jesus é um grande treinador e faz agora um ano que quase operava um dos mais extraordinários milagres da história do futebol português. Mas era o que faltava o presidente de um clube como o Sporting não poder indignar-se com uma época tão miserável como a que agora finda.

 

Apesar disso, e menos curiosamente do que talvez fosse conveniente, Jesus conservou com facilidade não só o ónus, mas o próprio (digamos) privilégio da palavra sobre a sua continuidade. Vendeu a mensagem de que poderia ouvir outras propostas e ainda conseguiu mobilizar José Maria Ricciardi para um (vá lá) casualíssimo encontro de intercedência beata.

 

Já então os sinais apontavam todos no mesmo sentido: vitória do treinador. Teria de ser o inevitável post vespertino de BdC - sobretudo se fosse mal escrito, provando autoria efetiva - a declinar a impressão. Pois, feliz ou infelizmente, por cada burocrático sinal de autoridade há nele um ruidoso ponto de exclamação (ou outro superlativo qualquer) a brindar o treinador.

 

Quem saiba mais de semiótica poderá fazer melhor leitura. A mim, o que isto sugere é que Bruno de Carvalho quer muito reclamar a soberania, mas desconfia que não pode dar-se a esse luxo.

 

Resta saber porquê. Se é porque está demasiado amarrado ao treinador, contratual e estrategicamente, não será bom. Se é porque nem sequer concebe outra solução - e represente o Conselho Leonino o papel que nisso representar -, será pior.

 

 

Joel Neto, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:03

O herói Bruno e o juiz Vieira

Rui Gomes, em 08.05.17

 

Afinal, foi a Liga quem atropelou um adepto e o bom senso. Sporting e Benfica estão aí para nos salvar.

 

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A Federação Portuguesa de Futebol teve um enorme rasgo de génio comunicacional e fez implodir as más arbitragens (i.e. a raiz de todos os males) com a aceleração do video-árbitro (VAR) já para 2017/18. Esse anúncio resultou em duas excrescências, para além das reações normais e adultas das pessoas adultas e normais: a primeira foi partir à descoberta de a quem dar a bicicleta, se ao comentador Rui Santos, se ao presidente do Sporting.

 

Aparentemente, foi por genial intervenção de um deles que, ao fim de duas décadas de debate e intransigência, o International Board lá aprovou o uso do VAR, em junho de 2016. Consta que do dossiê de apoio faziam parte 4667 entrevistas de Bruno de Carvalho e dez cópias autografadas da petição "Pela Verdade Desportiva". A segunda excrescência é a transformação de um ato normal da FPF (a arbitragem pertence-lhe e a liquidez financeira também) numa derrota da Liga, através de um comunicado extraordinário do Benfica. Ou seja, menos de duas semanas depois de uma morte, os dois clubes diretamente implicados no conflito querem sair dele por cima.

 

Um é o herói da revolução, que descobriu a penicilina do futebol; o outro é o juiz supremo, inimputável e acusador, que escolheu acusar a Liga, com certeza porque é a Liga que inflama os adeptos e é na Liga que estão a arbitragem e o poder disciplinar. Claro que não o faz por causa disso: fá-lo porque Pedro Proença tem o apoio do FC Porto e porque a ilação a tirar deste período de poucas-vergonhas é que faz falta uma guerra nova já a seguir, para branquear os aborrecimentos (houve algum?) da anterior. E se ajudar a levar também esse restinho de futebol para Lisboa, perfeito.

 

 

José Manuel Ribeiro - jornal O Jogo

 

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publicado às 03:31

Continua a ser cada um por si

Rui Gomes, em 29.04.17

 

Antes de começarem a cantar cumbayá todos juntos, os presidentes dos principais clubes podiam começar por serem capazes de trabalhar em conjunto.

 

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Como já se tornou habitual, Bruno de Carvalho exagerou. Outra vez. Ninguém espera que os presidentes dos três grandes digam que se dão muito bem e cantem cumbayá todos juntos, até porque de cânticos deprimentes está o futebol português cheio. Aquilo que se devia poder esperar de qualquer pessoa, de todos os dirigentes, e por maioria de razão dos responsáveis pelos principais clubes era, isso sim, que actuassem de forma responsável e não passassem a vida a trocar insultos, acusações e suspeitas.

 

Sendo isso aparentemente impossível, talvez fosse razoável esperar que, no mínimo, fossem capazes de trabalhar juntos para proteger a credibilidade, se não do desporto em si, pelo menos do negócio. Afinal, independentemente das respectivas cores, pelo menos esse é certamente um interesse que todos têm em comum.

 

Claro que quando se ouve o presidente do Sporting dizer que as intervenções dos dirigentes "tiram a pressão da panela" e nos recordamos de como, à força de os ouvirmos a eles e aos ecos que têm espalhados em cada esquina, todos a adivinhamos prestes a explodir ainda antes da morte de Marco Ficini, percebe-se que não há muito a fazer. Vai continuar a ser cada um por si e salve-se quem puder, com a certeza de que nesta, como em qualquer luta de elefantes, quem perde é o capim.

 

 

Jorge Maia - jornal O Jogo

 

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publicado às 13:05

Falta um incêndio a cada oito dias

Rui Gomes, em 28.04.17

 

É a constatação amadurecida por Bruno de Carvalho depois da tragédia. Mas parece que Vieira pensa o mesmo.

 

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Reduzir o reboliço dos últimos anos a uma "troca de piropos entre presidentes" é tão descarado que pode ser entendido como um reconhecimento, por Bruno de Carvalho, da contribuição que deu para esta quase guerra civil no futebol. Os dirigentes e as políticas de comunicação que teceram, várias delas explorando a mentira e o insulto sem uma sombra de escrúpulo, podem não ter matado ninguém, mas viraram muitas mesas de café pelo país fora.

 

Só que Bruno não esteve sozinho, nem mesmo quando, perante uma morte, foi a correr para os tribunais jogar o milionésimo pingue-pongue da leviandade com Vieira, que, aliás, iniciara a partida: no momento mais trágico, os presidentes de Benfica e Sporting puseram as indignações pessoalíssimas à frente do travão que se impunha e com isso disseram exactamente a que ponto aquele drama os incomodava. Não vale muito a Luís Filipe Vieira a pose de Estado tão cultivada se a primeira reacção a uma morte é processar Bruno de Carvalho, em vez de parar apenas, como se impunha.

 

É demasiado fácil dizer que os "piropos" não contam para depois poder continuar, alegremente, o tiroteio da Segunda Circular. Tudo conta e nada conta, se quisermos. Quatro dias depois, o presidente do Sporting, que desconfia da justiça desportiva de 40 mil maneiras diferentes, estava na FPF a pedir o regresso dos processos sumaríssimos, com grande probabilidade responsáveis pelo título do Benfica em 2004/05. A constatação que Bruno faz deste cúmulo que o futebol atingiu é aritmética: faz falta, precisamente, mais um incêndio por semana.

 

 

José Manuel Ribeiro - jornal O Jogo

 

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publicado às 03:10

Os homens da bola (23)

Rui Gomes, em 26.04.17

 

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«(...) O que fica do fim de semana é o espectáculo deplorável proporcionado por Luís Filipe Vieira e Bruno de Carvalho. Ou vice-versa: nem sequer me interessa quem começou.

 

A simples crispação entre os dois, no momento que o futebol - e o futebol português em particular - atravessa, já era uma irresponsabilidade. Os termos que utilizaram para se qualificarem um ao outro são intoleráveis, não apenas para dois presidentes de grandes clubes, mas para dois homens.

 

Não tenhamos dúvidas: este disparate, esta boçalidade, faz mais em favor da violência do que fazem contra ela todos os hipócritas apelos anteriores. Devia haver maturidade nestas pessoas. Ou ao menos vergonha».

 

 

Joel Neto, jornal O Jogo, num artigo intitulado "Tenham vergonha".

 

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publicado às 10:00

 

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Um homicídio, qualquer homicídio, é um caso de polícia. O de Marco Ficini não será diferente. Há um homicida, há cúmplices, há instigadores e há fugitivos, incluindo os alegados comparsas da vítima, que, entre outras coisas, são culpados de não lhe prestar auxílio, naquela que é uma repugnante demonstração de cobardia.

 

Marco Ficini cometeu o erro de se imaginar entre amigos e morreu sozinho, longe de casa, numa rua de Lisboa, vítima de uma guerra que até pode ter comprado, mas que não era dele. Também por isso, mas sobretudo porque um país decente não pode tolerar assassinos e muito menos corpos abandonados pelas ruas, é importante que todos os responsáveis directos sejam rapidamente identificados, detidos e levados à justiça.

 

Em simultâneo, é fundamental assumir que é mesmo de uma guerra que se trata e que há mais culpados pela tragédia da madrugada de sábado na Avenida Machado Santos. A começar pelos dirigentes dos clubes, que usam a virtude dos comunicados públicos de repúdio para esconder os vícios das provocações subliminares e dos apoios mais ou menos encapotados a claques e grupos de adeptos para quem a provocação, a intimidação e a violência são uma forma de vida. Mas também do poder político, que se limita a assobiar para o lado, muito mais preocupado em não beliscar clientelas ou arriscar a antipatia de grupos com peso eleitoral do que em assumir medidas claras de controlo e prevenção da violência.

 

E depois de todos nós, adeptos, comentadores e jornalistas, que contribuímos com a nossa quota-parte de irresponsabilidade e indiferença para o clima que proporcionou o homicídio de Marco Ficini. Fomos todos, dirigentes, governantes, adeptos, comentadores e jornalistas, ignorando os sinais de alarme e adiando a solução do problema, convencidos de que podíamos esconder-nos atrás do reconfortante "um dia destes ainda morre alguém". Pois bem, esse dia foi ontem.

 

 

Artigo da autoria de Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 11:30

Inflamável

Rui Gomes, em 28.03.17

 

A Selecção não se livrou de ficar chamuscada pelo clássico. E ainda lhe falta disputar mais um jogo...

 

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Optimista como é, Fernando Santos declarou na conferência de antevisão do jogo com a Hungria que o clássico ficava à porta da Selecção. Enganou-se. Alguma vez tinha de ser. O clássico forçou a entrada, como já se esperava que fizesse, pelo menos desde que o Benfica tratou de arrastar a Selecção para o meio da mais recente guerra com a FPF, ao boicotar o jogo com a Hungria realizado na Luz. O resto, as ameaças a Jaime Marta Soares à chegada ao estádio, a troca de insultos entre a "claque" da Selecção e adeptos do Benfica, as inevitáveis trocas de acusações nas redes sociais e as ameaças de processos cruzados são apenas o resultado disso e, há falta de erros de arbitragem fresquinhos, o pretexto desta semana para que a habitual corja de incendiários profissionais possa começar já a regar o clássico de gasolina.

 

Às vezes, o futebol português é tão previsível que já enjoa por antecipação.

 

 

Jorge Maia - jornal O Jogo

 

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publicado às 11:32

Inferno em 2017/18

Rui Gomes, em 26.03.17

 

Proença quer castigar, mas o inimigo é invisível e vai ser mais reles na época que vem.

 

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A má conduta dos dirigentes e clubes das ligas profissionais choca Pedro Proença e o presidente da Liga ainda não viu nada. Não viu nada, primeiro, porque os piores comportamentos não se destinam a ser vistos; e depois, porque o que está em causa em 2016/17 não se compara com o que vai jogar-se em 2017/18.

 

Os departamentos de comunicação entraram em campo para ficar e só sairão quando houver lata para os substituir por bichos piores, que serão, basicamente, departamentos de propaganda com outros nomes (já existem os departamentos de "inteligência competitiva"). Os blogues instrumentalizados, as notícias plantadas com ciência e as indignações conduzidas por controlo remoto nas redes sociais não são fiscalizáveis pela Liga, nem puníveis pelos regulamentos disciplinares.

 

Se Pedro Proença está a pensar nas ameaças pintadas em paredes, castigar os clubes hipoteticamente relacionados com elas também resulta ao contrário, como é evidente. Ao aliciante de, eventualmente, falsificar uma coisa dessas para prejudicar a reputação do adversário, junta-se o da multa, da interdição ou da perda de pontos (imaginando, claro, que seria constitucional punir uma instituição pelo que cidadãos anónimos fazem na rua). Entrámos numa era em que a maior virtude que qualquer organismo público pode ter é a capacidade para distinguir a realidade da ficção.

 

Será com esse espírito inventivo que Benfica, FC Porto e Sporting vão discutir, a partir do próximo mês de agosto, a única vaga garantida no novo formato da Liga dos Campeões. Não é a primeira vez que acontece? É verdade que não, mas antes não havia tantos Goebbels (ministro da propaganda de Hitler) por aí, nem o prémio da Champions chegava aos (pausa para absorver o número) 70 milhões de euros, como a UEFA tem prometido nos corredores.

 

 

José Manuel Ribeiro - jornal O Jogo

 

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publicado às 04:16

Uma escola de aberrações

Rui Gomes, em 23.03.17

 

As chicotadas formam treinadores e clubes. Uns a borrar-se de medo e os outros a crescer à toa.

 

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1. Dezassete mudanças de treinador é um número bárbaro que inclui chicotadas recíprocas: do clube ao treinador e do treinador ao clube. Mas há um número pior, por quase não existir, que é o das equipas que seguram um técnico duas épocas seguidas. Duas épocas. Fora Benfica e Sporting, havia dois casos, ou melhor, caso e meio e nem esses vingaram. No primeiro exemplo, Manuel Machado capitulou à quinta temporada no Nacional, que já era uma anomalia para os hábitos portugueses; no segundo, foi o Arouca que não teve como amarrar Lito Vidigal, porque isso também acontece: se o treinador não funciona vai embora; se funciona, vêm buscá-lo facilmente. Falta pensar dois minutos (para combinar com as duas épocas) no que isto faz ao crescimento dos clubes e à formação dos treinadores. Alguém cresce a mudar de ideias a cada seis meses? Alguém pode aprender se tiver sempre o pescoço no cepo e for obrigado a vergar-se a jogadores, dirigentes, patrocinadores e quem mais queira dar palpites? Isso forma treinadores ou relações públicas? Raramente um técnico, ou um clube, apanhado neste ciclo consegue sair dele.

 

2. Há algumas semanas, o Benfica atacou o antijogo, com toda a razão, e o FC Porto fê-lo esta semana, com tanta razão como o Benfica. Um ou outro hão de acabar a praticá-lo de sábado a oito dias, no Estádio da Luz. Vão fazê-lo porque é possível e porque, na verdade, ninguém o condena, nem o acha especialmente grave, nem condenável, quando a vítima é o outro, apesar dos comunicados. Escrevo-o porque Fernando Santos acaba de convocar o guarda-redes do V. Setúbal para a selecção A. Só falta ouvi-lo dizer "bardamerda".

 

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publicado às 02:57

Uma corrida a dezoito

Rui Gomes, em 22.03.17

 

Imaginar que a corrida ao título se pode resolver numa jornada seria um erro para qualquer dos candidatos.

 

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Por esta altura já todos o devíamos saber, mas a última jornada tratou de o recordar de uma forma particularmente eloquente: o título não se discute a dois, nem sequer a três, discute-se a 18. Tal como já tinha acontecido antes com o Boavista, o Marítimo, o Belenenses ou o Tondela, desta vez foram o Paços de Ferreira e o Vitória de Setúbal a fazer questão de ter uma palavra a dizer sobre o assunto, mas basta um relance pelo calendário para perceber que, até ao final do campeonato, não faltará quem queira, possa e trate de meter uma colherada na relação entre Benfica e FC Porto.

 

Até por isso, faz algum sentido relativizar a importância do clássico da próxima jornada. Relativizar, sublinhe-se, não é o mesmo que desvalorizar. O clássico é importantíssimo, talvez decisivo, mas não necessariamente por causa dos três pontos que vale no confronto direto entre os dois candidatos ao título que, pelo que se viu até agora, estão longe de estabelecer uma diferença irrecuperável seja qual for o resultado final. O Benfica-FC Porto será determinante, isso sim, para definir o estado de espírito com que ambos vão enfrentar a fase decisiva do campeonato, especialmente depois das dúvidas que esta ronda terá semeado nos balneários da Luz e do Dragão.

 

A questão é simples: faltam oito jornadas para o final do campeonato. Imaginar que tudo se resume à próxima seria um erro, para qualquer dos candidatos. Afinal, como se viu ainda agora, ninguém tropeça em montanhas.

 

 

Jorge Maia - jornal O Jogo

 

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publicado às 04:00

"Querido inimigo"

Rui Gomes, em 10.02.17

 

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Mesmo considerando a agressividade que sempre marcou a retórica do presidente do Sporting, não deixa de ser surpreendente a violência dos ataques que Bruno de Carvalho tem dirigido a Madeira Rodrigues. Referências a "zeros à esquerda" ou aos "imbecis" que, garante, não volta a tolerar dentro do clube calcam o limite do debate civilizado e soam algo deslocadas, desde logo porque, pelo menos para já, parece mais ou menos evidente que o candidato da oposição não representa uma verdadeira ameaça ao poder instalado no clube de Alvalade.

 

Por outro lado, talvez a explicação se encontre precisamente aí. Afastado da discussão do título, eliminado da Taça e da Taça da Liga e arredado das competições europeias, Bruno de Carvalho está limitado a uma conquista com algum impacto mediático esta temporada: ganhar as eleições. É natural que faça questão de a tornar tão estrondosa quanto possível.

 

 

Jorge Maia, O Jogo

 

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publicado às 03:46

Madeira não é Carvalho

Rui Gomes, em 29.01.17

 

O candidato da oposição às eleições do Sporting fala tão baixo que praticamente não se consegue ouvir.

 

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A favor de Pedro Madeira Rodrigues, é justo dizer que não é fácil fazer oposição no Sporting. Trata-se de uma questão conceptual: não se pode ser alternativa a Bruno de Carvalho e usar o mesmo tipo de discurso belicista, destemperado e de confronto que o actual presidente reclamou como assinatura desde os tempos em que era, ele próprio, pretendente ao trono. A questão é que, depois de quatro anos com a pulsação a disparar a cada provocação dirigida aos rivais publicada no Facebook, não é fácil chegar aos ouvidos e ainda menos ao coração dos sportinguistas pelo lado da moderação, da sensibilidade e do bom senso.

 

Ora, a contenção, que Madeira Rodrigues é obrigado a usar para se distinguir de Bruno de Carvalho é uma desvantagem provavelmente inultrapassável para o candidato da oposição que, apesar de se desmultiplicar em entrevistas e não obstante a razoabilidade de algumas posições - é evidente que Jesus não podia tomar partido por nenhuma das candidaturas, especialmente considerando que o respectivo contrato vai para além do mandato do actual presidente - continua a ser pouco mais do que uma nota de rodapé. Um pequeno drama, especialmente se considerarmos todos os problemas que a actual gestão do clube tem enfrentado nos últimos tempos.

 

Uma época perdida, contratações milionárias falhadas, um treinador tão caro que não pode ser despedido, dívidas de milhões criadas a rasgar contratos: há inúmeras pontas por onde um candidato diferente podia pegar. Um candidato como Bruno de Carvalho já foi, por exemplo, havia de fazer a vida num inferno ao presidente responsável por um cenário destes.

 

 

Jorge Maia, jornalista O Jogo

 

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publicado às 11:27

A responsabilidade do incomum imortal

Rui Gomes, em 25.01.17

 

Pelo que ganha, pelo que lhe deram e, sobretudo, pelo que fala, Jesus nunca terá a moral pelo seu lado.

 

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Dificilmente a salvação do Sporting estará na troca de treinador (talvez esteja em restringi-lo aos afazeres de treinador, se não for tarde para isso), mas em toda esta autópsia prematura que se está a fazer da época sportinguista há um equívoco: Jesus não é um comum mortal, como os onze chicoteados da I Liga; é um mortal que custa oito milhões de euros ao patrão; que pediu e teve mais reforços do que os dois antecessores; que pôs a folha salarial do Sporting falido quase ao nível das de FC Porto e Benfica; e que se descreve a si próprio como o melhor do universo e arredores.

 

Na véspera de jogo, em plena convulsão sportinguista, lembrou a um adepto do antigo clube que foi ele quem ensinou os benfiquistas a ganhar. Na perspectiva de que o campeonato fuja em definitivo, e aceitando a fortíssima sugestão de que esta equipa não tem grande margem de crescimento (ou seja, de que não é o princípio de coisa alguma), Jesus deveria ser o primeiro a pôr a hipótese de rescisão. Como dizia o tio do Homem-Aranha, com grandes poderes, grandes responsabilidades. Mesmo que metade desses grandes poderes seja só conversa de um ego excessivo.

 

 

José Manuel Ribeiro, director-adjunto jornal O Jogo

 

 

P:S.: Preza-me verificar que José Manuel Ribeiro tem visitado o Camarote Leonino. A expressão "melhor treinador do universo (planeta) e arredores", tem direitos de autor.

 

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publicado às 04:18

Aguentar a pancada

Rui Gomes, em 21.01.17

 

Depois de quatro anos a coleccionar guerras e inimigos, Bruno de Carvalho não pode esperar uma trégua agora que está fragilizado.

 

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Uma das propostas apresentadas ontem por Pedro Madeira Rodrigues para mudar o futebol do Sporting é "impor a utilização do equipamento principal tradicional e travar a banalização e excessiva secundarização do equipamento Stromp, com utilização apenas em ocasiões relevantes". Há outras, mas esta é a mais concreta e definida. As outras são generalidades ocas, do género "criar uma nova estrutura para o futebol aproveitando as melhores práticas mundiais" que, bem espremidas, não significam grande coisa.

 

A questão é que depois de lidas as propostas e depois de avaliado o próprio impacto mediático que a apresentação do programa eleitoral do candidato da oposição teve, aumenta a sensação de que o principal adversário de Bruno de Carvalho, nas próximas eleições para a presidência do Sporting, será o mau momento da equipa, mas sobretudo ele próprio e a herança de quatro anos a comprar guerras com este mundo e o outro.

 

O inimigo Luís Filipe Vieira, por exemplo, não vai querer perder a hipótese de explorar o momento de fraqueza do rival para ajustar contas, depois das feridas abertas pela saída de Jesus para Alvalade. Desviar Coates para a Luz é não apenas garantir um central de nível internacional, capaz de, por exemplo, substituir Luisão por uma parcela do ordenado do brasileiro, mas também um golpe profundo e doloroso no já tão maltratado orgulho dos sportinguistas. O tipo de coisa que, no contexto actual, pode influenciar uma eleição. Pelo menos, mais do que "travar a banalização e excessiva secundarização do equipamento Stromp".

 

Artigo da autoria de Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:33

 

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O Pedro Proença passou por centenas de túneis ao longo da carreira como árbitro. Aquilo que se viu em Alvalade, entre os presidentes do Sporting e do Arouca, é algo a que costumava assistir?

 

Percebo onde pretende chegar, mas não vou comentar um caso que ainda está sob a esfera disciplinar.

 

Mas toda a gente viu aquelas imagens...

 

É verdade e aquilo que deve ser dito sobre isso é que todos temos de reflectir sobre os comportamentos que algumas vezes acontecem. E fico por aqui, porque faço questão de respeitar a separação entre o poder disciplinar e aquilo que me diz respeito, que é a organização das competições.

 

Isto e muito mais, numa entrevista de Pedro Proença ao jornal O Jogo.

 

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publicado às 14:00

 

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Algumas considerações de Carlos Mané - agora ao serviço do Estugarda por cedência do Sporting - em entrevista ao jornal O Jogo:

 

«Um jogador para marcar golos precisa de confiança e de estar motivado. O ano passado não joguei muito e acho que perdi confiança, que era algo que tinha de sobre nos últimos anos e resultava em golos. Agora recuperei os níveis de confiança e a minha alegria de jogar futebol.

 

Fiquei por lá e acabei por não evoluir nada. Um jogador jovem, como é o meu caso, tem de somar minutos para adquirir ritmo e ganhar experiência. Dessa maneira, acabei por não sobressair e acho que foi muito mau para mim não ter saído do Sporting seis meses antes porque estagnei.

 

Jorge Jesus é um grande treinador que está a fazer um bom trabalho no Sporting, tal como fizeram o Marco Silva e o Leonardo Jardim. Acho que se tivessem continuado no Sporting, iriam fazer um trabalho semelhante ao de Jesus.

 

Emiliano Insúa (colega no Estugarda) gosta muito do Sporting. Passou lá bons momentos, mas acho que ele está concentrado em fazer bons jogos pelo Estugarda. Contudo, ele diz-me que no futuro nunca se sabe se não poderá voltar a Alvalade. Parece-me claro que ele gostava de voltar, mas, tal como já disse, estamos com a cabeça no campeonato e totalmente focados no regresso à primeira divisão».

 

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publicado às 10:40

 

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«O avançado André vive os últimos dias com a camisola do Corinthians, estando a poucos dias de viajar para Portugal. O JOGO sabe que o Sporting tem um emissário em São Paulo para ultimar a transferência, com o jogador a preparar-se para viajar rumo a Lisboa no início da semana - a sua chegada está perspectivada para terça-feira.

 

Apesar de estar prestes a mudar-se de armas a bagagens para Alvalade, André, de 25 anos, ainda se treinou ontem com o plantel do Timão, que se prepara para enfrentar amanhã o Vitória da Baía, mas o jogador já não deve tomar parte no desafio. Recorde-se que o acordo entre o Sporting e o Corinthians foi facilitado pela necessidade de encaixe financeiro do emblema brasileiro, que ainda devia parte do prémio de assinatura ao jogador, o qual abdicou dessa verba para ser leão».

 

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«O interesse do West Brom em Slimani não é novo, mas parece que a formação inglesa também está interessada em Adrien Silva, médio português que esteve presente no Euro 2016. Segundo avança o jornal "Express and Star", Tony Pulis, técnico dos "baggies", pretende contar com os serviços dos dois jogadores para atacar a presente temporada.

 

Apesar disso, a luta pelo concurso do internacional português não será fácil, uma vez que clubes como Tottenham e Everton também estão interessados em assegurar os préstimos do futebolista de 27 anos. Adrien apontou nove golos em 41 jogos com a camisola dos leões na época passada».

 

E é de esperar que até ao dia 31 de Agosto - data em que o mercado fecha - ainda vamos ser mimoseados com um frenesim de ruídos noticiosos, que, a bem dizer, não serão apenas da exclusividade do diário do Norte. Todos eles, no entanto, com o bem estar do Sporting em mente. Nem outra coisa podia ser !?!

 

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publicado às 18:12

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