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Problema sério

Rui Gomes, em 11.01.18

 

O racismo é um problema. Reconhecê-lo é a primeira forma de o combater.

 

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1 - A notícia de que o Pleno do Conselho de Disciplina ilibou o Sporting de Braga de quaisquer acusações de racismo é reconfortante a vários níveis. Desde logo, por assegurar que o Braga é um clube decente, ao garantir que não há "qualquer facto que permita afirmar que promoveu, consentiu ou tolerou qualquer ato de cariz racista ou xenófobo por parte dos seus adeptos". O contrário representaria, obviamente, um comportamento intolerável e uma mancha indelével na honra de um emblema histórico.

 

Igualmente reconfortante é perceber que as instituições da justiça desportiva funcionam, nomeadamente assegurando as condições para que um clube possa limpar o respetivo nome de uma acusação tão grave como aquela que lhe foi feita através dos meios legais colocados à sua disposição. Dito isto, convém que esta decisão não nos faça baixar a guarda. Basta passar por qualquer caixa de comentários de qualquer jornal para perceber que racismo existe e é um problema. Reconhecê-lo é o primeiro passo para combatê-lo.

 

2 - Ouve-se Jesus dizer que Wendel terá dificuldades para apanhar o comboio e percebe-se nas palavras do treinador do Sporting, mais do que um desafio lançado ao brasileiro, a necessidade de enviar uma mensagem de tranquilidade à equipa. Depois dos pedidos insistentes de prendas dirigidos ao presidente, sob ameaça de hipoteca de alguma das frentes em que a equipa se encontra envolvida, as sucessivas notícias da chegada de reforços a Alvalade que tem marcado os últimos dias tinham um potencial considerável de criação de bolsas de resistência e consequente desestabilização do balneário.

 

Até por isso, agora que os reforços estão assegurados, é apenas normal que o treinador sinta a necessidade de mostrar publicamente que confia nos outros, os que trataram de lhe garantir a presença nas tais quatro frentes que ainda tem para disputar. Afinal, não adianta nada ganhar três ou quatro reforços se se perderem outros tantos jogadores no processo.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:00

Os Centenos são centenas

Rui Gomes, em 10.01.18

 

O Estado não pode ir ver o Benfica há 45 anos. Nem o FC Porto. Nem o Sporting. Mas vai e já não tem margem para isso.

 

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Nos nossos dias, dizer a verdade é uma arma que não se pode usar só quando achamos conveniente. E a verdade desta última semana é que o circuito dos convites para jogos nunca foi exclusivo do Benfica, nem de Mário Centeno. Na tribuna presidencial ou dois metros ao lado, sempre houve ministros e adjacentes. Se formos vasculhar a correspondência de todos os clubes, concluiremos que, com ou sem pedido, são enviados para chefes da polícia, das repartições de Finanças, e outros. E não há qualquer problema, até ao dia em que um jornal conecta um perdão fiscal a um email do ministro das Finanças a solicitar lugar nos camarotes.

 

Centeno explicou que vai ao estádio ver o Benfica há 45 anos: errado. Isso era o Mário Centeno economista; o Mário Centeno ministro das Finanças é o Estado. Se o Estado for ver o Benfica de borla e houver um perdão fiscal, os cidadãos passam a desconfiar do Estado. O próprio Mário Centeno passou a ser um activo do país; flagelando-se, prejudica-nos. Não é uma questão apenas do Benfica, nem dos emails (ao contrário dos convites e ressarcimento de favores a quadros intermédios da Liga). Diz respeito a todos, e ultrapassa o futebol.

 

Só não aceito que, à conta de oportunismos sacanas, misturem nesse aparte os jornalistas, cuja função é mesmo ter acesso às fontes de notícia: é para gerir esse relacionamento inevitável que há um código deontológico. Política e justiça não têm a mesma explicação para um contacto permanente, nem gozam, infelizmente, de um ambiente higiénico que nos faça transbordar de confiança no próximo. Vivemos num mundo que é o oposto da higiene. Se os emails não provarem mais nada, ao menos essa parte ficou cristalina de uma vez por todas.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

 

NOTA: Em assunto relacionado, a Federação Portuguesa de Futebol revelou em comunicado oficial que, a partir desta quarta-feira, os elementos que fazem parte do Conselho de Disciplina da FPF estão proibidos de pedir aos clubes "convites, bilhetes ou ofertas para eventos desportivos ou outros relacionados com futebol".

 

Esta é a novidade de destaque do novo Regimento do Conselho de Disciplina e que está sustendada na introdução de um novo artigo, o 11.º, que fala em 'Dever de Reserva' dos membros que compõem o órgão disciplinar.

 

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publicado às 04:52

Ainda um trio

Rui Gomes, em 09.01.18

 

Jesus não concorda. Como não gostou de ver que a moral pública lhe "tirou" o ponto da Luz, retaliou e excluiu o Benfica das contas.

 

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Terminada a primeira volta nas contas do título, fica a promessa da continuação de um grande campeonato e de três candidatos efectivos. Tanto a classificação como o futebol em campo apontam nesta altura para haver maiores razões para estar optimista no Dragão ou mesmo em Alvalade do que na Luz, até por ser o Benfica o único entre o trio a não depender dele próprio. Jorge Jesus apenas consegue estar parcialmente de acordo com esta análise. Mesmo deixando dito que o Benfica tem ainda uma palavra a dizer, afirmou que as decisões da época estão todas centradas entre Sporting e FC Porto.

 

As decisões não vão ser todas entre Sporting e FC Porto. Aliás, mano a mano só poderá mesmo acontecer na Liga. De resto, entre eles vão decidir quem disputará a final da Taça da Liga e há a hipótese de poderem vir a encontrar-se também numa meia-final da Taça de Portugal, mas só acontecerá se passarem ambos a próxima eliminatória. E, a seguir, um cai e o outro segue para a decisão.

 

Jorge Jesus aproveitou a euforia de uma mão cheia de golos aplicada ao Marítimo para prolongar o dérbi e dar um jeitinho de não o perder, depois de ter visto o empate transformado numa mini vitória benfiquista. O treinador do Sporting tem um modo próprio de ir à guerra. Ficou contente com o ponto registado na Luz, mas ao perceber que lho tiravam do ponto de vista moral, não resistiu a retaliar e tirou o Benfica para fora das contas. Esse é o real motivo da provocação.

 

Carlos Machado, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:04

Bom, mesmo, só para o Dragão

Rui Gomes, em 06.01.18

 

Resultado do dérbi foi mau para o Sporting, mas pior para o Benfica. Mas os sinais do jogo também contam.

 

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Jorge Jesus garantiu que o empate no dérbi não é um bom resultado para o Sporting, mas é pior para o Benfica, e tem razão. Desde logo, porque os encarnados fizeram muito mais para ganhar o jogo do que os leões, mas sobretudo porque, depois das contas feitas, a liderança ficou agora a cinco pontos de distância, sem que a diferença para o Sporting tenha diminuído.

 

O Benfica é mais terceiro depois do dérbi do que era antes, mas a verdade é que voltou a sobreviver ao confronto directo com um dos rivais e até deu uma prova de vida capaz de adiar a condenação definitiva de Rui Vitória ao cadafalso. É verdade que as águias estavam entre a espada e a parede e o espaço ainda se estreitou mais depois do golo do Sporting, mas arriscaram tudo e chegam à última jornada da primeira volta vivas, mesmo sem ter conseguido quebrar o enguiço dos jogos à semana. Um problema que os encarnados não voltam a ter tão cedo.

 

Quanto ao Sporting, é impossível não ver no dérbi de ontem uma oportunidade perdida, até pela vantagem de que a equipa beneficiou desde cedo. Jesus não costumava ficar satisfeito com tão pouco, mas a idade muda as pessoas e aquilo que se viu foi uma equipa amontoada em frente da baliza de Rui Patrício e incapaz de explorar o contra-ataque. Uns dias antes e não sei se ia ter as prendas que pediu a Bruno de Carvalho.

 

Já Sérgio Conceição ganhou argumentos para pedir reforços. O FC Porto ganhou e isolou-se na frente, mas sofreu e percebeu-se que a equipa precisa de argumentos não só para discutir com os adversários, mas também para resistir a outro tipo de interferências. Há limites para além dos quais nenhum treinador consegue esticar um plantel.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:36

O dérbi lisboeta do pós-Ferrari

Rui Gomes, em 04.01.18

 

Os papéis inverteram-se mesmo e talvez não haja explicação racional. A cilindrada trocou de lado da Segunda Circular.

 

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Nos últimos quatro anos deu-se uma inversão estranha que culmina no inimaginável quando, em Alvalade, o treinador era Leonardo Jardim: das duas equipas que hoje estarão na Luz, a que vale mais dinheiro é a do Sporting. Nunca foi possível discernir se isso aconteceu por opção administrativa, por talento persuasivo de Jorge Jesus, voluntarismo exagerado de Rui Vitória ou - o mais certo - pelos três motivos todos juntos.

 

Claramente, Bruno de Carvalho cedeu muito aos apetites do treinador e, do outro lado, Rui Vitória cedeu o mesmo à demagogia da formação. Sem dados para ter certezas, resta o que me parece evidente: é um dérbi de Lisboa desequilibrado a favor do Sporting, como não sucedia há muitos anos. Já não dá para falar de Ferrraris. Para Jesus é uma oportunidade única; para Vitória é um atalho apertado que pode tirar o Benfica do labirinto.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 15:31

O pragmatismo aplicado ao dérbi

Rui Gomes, em 03.01.18

 

O Benfica precisa de sobreviver ao jogo com o Sporting. Ganhar será o ideal, claro, mas não perder também serve.

 

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Rui Vitória diz que não lhe interessa ganhar um jogo contra um clube grande se a seguir perder contra uma equipa qualquer. Provavelmente, a abordagem do Benfica aos clássicos com o FC Porto e o Sporting nunca foi assumida de uma forma tão clara pelo treinador dos encarnados. Tal como aconteceu nos últimos anos, tal como ficou claro no jogo do Dragão, o objectivo do Benfica nos jogos com os grandes é sobreviver-lhes, para decidir o campeonato a seguir, nos encontros com as outras equipas.

 

Amanhã (hoje), Rui Vitória vai jogar uma parte importante do resto da temporada frente ao Sporting. Nesta altura, e olhando para a sequência de resultados mais recentes, parece evidente que os leões estão mais fortes e mais estáveis, mas um clássico é sempre um jogo de tripla. A jogar em casa, perante os seus adeptos, em desvantagem em relação aos rivais, e apenas com o campeonato para disputar depois das eliminações na Taça de Portugal, na Champions e na Taça da Liga, seria de esperar que o Benfica assumisse a iniciativa do jogo para dar uma prova de vida. A questão é que foi em condições parecidas que os encarnados foram jogar ao Dragão e nem por isso deixaram de celebrar o empate arrancado a ferros frente ao FC Porto como se de uma vitória se tratasse.

 

Com o campeonato ainda na primeira volta, com os rivais envolvidos em quatro frentes, o objectivo do Benfica para o dérbi com o Sporting é sobreviver. Ganhando de preferência, como é óbvio, mas sobretudo não perdendo. No fundo, garantindo que 2018 não começa pelo fim.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:44

A revolução de veludo

Rui Gomes, em 02.01.18

 

Depois do G15, o mundo está melhor para quem? É a pergunta do milhão de dólares.

 

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A ordem natural das coisas ditaria que as assembleias gerais da Liga pusessem quase sempre em conflito os clubes grandes e os pequenos. Não sejamos preconceituosos com a palavra: é dos conflitos que saem os equilíbrios, ou seja, quando não há conflitos entre duas forças tão desproporcionadas, provavelmente alguém está a ajoelhar-se mais do que devia.

 

Seria bom que o despertar do denominado G15 significasse que os clubes evoluíram para a emancipação, mas a AG da semana passada tornou óbvio que FC Porto e Sporting vêem o movimento como uma marioneta que o Benfica usou para mais uma manobra de diversão ao caso dos emails. Em concreto, sabemos que o clima negativo entre os três grandes e a defesa da indústria foram os primeiros motivos assumidos para a criação do grupo. Depois, juntou-se-lhes a disparidade financeira.

 

Concluída a AG de emergência, é difícil perceber que contributo prático foi dado pelo G15 para a pacificação (a não ser, talvez, alargar a rebaldaria de dois contra um para dois contra 16), e também não será simples encontrar nas alterações aos regulamentos algum detalhe que mude substancialmente seja o que for, nem para calar os incendiários, nem para modificar os equilíbrios financeiros entre ricos e pobres e nem sequer para a arbitragem, porque as câmaras extra que os clubes "decidiram" obrigar a pôr em todos os estádios, para uso do vídeo-árbitro, teriam de ser pagas por alguém.

 

Até me surpreenderam as reacções de Bruno de Carvalho (pensando bem, nem por isso) e Pinto da Costa por tão pouco. Impõe-se a pergunta do milhão de dólares, que todos devemos fazer-nos depois de cada incidente no futebol nacional: feitas as contas, quem ganhou com o G15?

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:38

É oficial: todos são suspeitos

Rui Gomes, em 30.12.17

 

Portugal é pobre e pouco educado, o futebol atrai as moscas e as apostas não trazem só receita. Habituemo-nos.

 

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A confirmação de que quatro jogadores do Rio Ave são arguidos num caso de viciação de resultado completa o círculo da suspeita: chegámos ao relvado. A primeira boa notícia é que, daqui para a frente, não há mais nada do que desconfiar; aliás, não há mais nada, ponto final. Já podemos dizer, oficialmente, que suspeitamos todos uns dos outros e na maioria dos casos com indícios bastantes para suportar investigações policiais. Podem até ser menos do que condenações, por agora, mas são muito mais do que tolices que um irresponsável atira ao microfone.

 

Não se chega a um ponto destes sem culpas de toda a gente, começando no adepto cego aos abusos do seu clube e hipersensível aos abusos do vizinho e acabando em anos de arbitrariedades várias que foram anestesiando escrúpulos, prestigiando parasitas e, nalguns casos, criando uma mentalidade de olho por olho. Dito assim, parece um drama, mas não chega a ser. São só as circunstâncias naturais de um país pobre e pouco educado, de um futebol que já nos chega desregulado lá de fora e do novo fenómeno (para nós) das apostas online. Não lidamos com santos, trabalhamos num meio que atrai os bandidos e somos alvos fáceis para a corrupção: habituemo-nos. Há muitos séculos que problemas como este se resolvem com penas duras, vigilância e bons exemplos.

 

A segunda boa notícia espremida deste ano eléctrico de 2017 é que, em qualquer das três áreas, só podemos melhorar.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:20

Regresso à anormalidade

Rui Gomes, em 22.12.17

 

Depois da goleada no jogo com o Tondela, o Benfica voltou à normalidade das exibições sofríveis e dos resultados comprometedores.

 

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Afinal, as recém-notícias da retoma do Benfica eram francamente exageradas. O empate de ontem, frente a um Portimonense que Vítor Oliveira submeteu a oito mexidas em relação ao jogo com o Sporting, deixa os encarnados com um pé fora da Taça da Liga e dependente de resultados de terceiros para poder sonhar com o apuramento. Depois da participação catastrófica na Liga dos Campeões e da eliminação na Taça de Portugal, a Taça da Liga, prova onde o clube até tem tradições, parecia o lugar certo para ganhar balanço para o decisivo dérbi de 3 de Janeiro com o Sporting, mas o que se viu foi, mais uma vez, um Benfica tacticamente instável, emocionalmente frágil e a atravessar uma enorme crise de confiança.

 

Perder uma vantagem de dois golos para acabar com o credo na boca, jogando em casa e frente a uma equipa que aproveitou para dar minutos a jogadores que ainda não os tinham tido - Vítor Oliveira destacou os casos de Inácio, Jadson e Ryuki - diz quase tudo sobre o momento que os encarnados atravessam, desmentindo a "boa fase" que Rui Vitória imaginou estar a atravessar depois da goleada que o Tondela permitiu. Salvo uma conjugação de resultados altamente improvável, o Benfica arrisca chegar ao final do ano apenas com o campeonato na agenda e isso implica jogar o dérbi com o Sporting com a corda ainda mais apertada na garganta. Uma situação desconfortável, especialmente considerando a demonstração de força que os leões protagonizaram ontem em Alvalade e a vontade que Jesus terá de estreitar o laço.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:53

 

O que os sportinguistas querem não é ter ganho o campeonato: é ganhar o campeonato. E isso é que não há maneira.

 

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A insistência de Bruno de Carvalho na história dos 22 campeonatos ofereceu a Fernando Gomes uma oportunidade de ouro para dar de si mesmo uma imagem de equidade. Vindo do FC Porto e conotado tantas vezes com os interesses estratégicos do Benfica, o presidente da Federação pôde assim, sem esforço, criar uma comissão (a ver se eu não me engano no eufemismo oficial) para estudar a categorização das competições internas, de cujo trabalho - depreende-se vagamente - pode vir a sair um parecer conveniente às pretensões do Sporting.

 

Naturalmente, nada daqui resultará em favor dos ditos 22 campeonatos. E se resultar, bem vistas as coisas, é pior. Para Fernando Gomes, porque terá levado a FPF a ceder a um argumentário absurdo. Para o Sporting, porque terá queimado um cartucho que ainda lhe podia ser útil numa situação de necessidade a sério. E para os adversários do Sporting porque... pensando bem, porque é que haveria de ser mau para os adversários do Sporting isso de o Sporting ter 22 campeonatos? Quem é que se interessa verdadeiramente se o Sporting tem 18 ou 22 campeonatos?

 

Nem os sportinguistas, e esse é que é o maior equívoco do presidente leonino. Claro: vença o Sporting esta insólita demanda e Bruno de Carvalho pode sempre marcar quatro dias de caravana automóvel até ao Marquês, um por cada campeonato. Talvez deva até agendá-los para fins de semana diferenciados, de modo a fazer render o peixe o mais possível. Quanto aos sportinguistas, não me canso de dizê-lo: reescreverem-se os livros de história é coisa para um aplauso entediado, duas conversetas de café e vamos mas é às aquisições. O que os sportinguistas querem não é ter ganho o campeonato: é ganhar o campeonato. E isso é que não há maneira.

 

Joel Neto, jornal O Jogo

 

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publicado às 11:22

Jesus e a raça superior da bola

Rui Gomes, em 12.12.17

 

A função dos "atrasados mensais" não é ter razão: é criar razão. Até os pobres futexcluídos conseguem.

 

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Jorge Jesus chamou "atrasados mensais" a quem o censurou por não ter discutido a Liga dos Campeões até ao último metro. A minha interpretação do trocadilho é esta: mais ou menos uma vez por mês, algum treinador faz questão de nos lembrar de como é inferior a raça dos que, não tendo a pureza genética necessária para jogar, insistem em meter nos mistérios da bola os seus gémeos atrofiados e os seus narizes intocados pelo fedor do balneário.

 

Podíamos misturar muitos assuntos num só; falar do que cada profissão sabe das outras; da complexidade que o futebol tem ou não; do conhecimento que se traz de outras modalidades; do trabalho específico de um comentador; ou do muito que se aprende (é verdade) nos livros e com a simples observação. Mas a lição de hoje, dedicada a Jorge Jesus e aos outros autoproclamados representantes da raça superior, não entra por aí. A função dos críticos, numa sociedade saudável, não é ter razão; é criar razão. Levantar discussões. Debater. Não ganha sempre quem está certo, infelizmente, e neste tempo do Facebook e do Twitter cada vez a razão importa menos.

 

O crítico está a ser trocado pelo militante e as discussões trocadas pela demagogia reles. Em todos os colóquios e conferências sobre comunicação, a conversa é sempre a mesma: "Já ninguém ouve o outro lado". E ouvir ou ler os nossos "atrasados mensais", em vez dos nossos fanáticos pessoais, é a única forma de irmos sabendo se ainda temos razão ou se, como costumo dizer, não a teremos perdido pelo caminho. Nunca precisámos tanto dos críticos. Jesus acima de todos, parece-me.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 14:24

A Champions não é um biscate

Rui Gomes, em 06.12.17

 

Nenhum grande clube português pode assobiar para o lado quando fracassa na Europa.

 

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Da Europa, falta dizer isto: não importam as discrepâncias nos salários nem nos orçamentos; não importam os nomes de craques que nos entram pelos estádios dentro a cada jornada europeia; não importa quanto crescem as diferenças entre clubes ricos e clubes pobres. Essas alegadas injustiças não mudam nada. Para as grandes equipas portuguesas, a Europa será sempre a única escapatória.

 

A Liga dos Campeões, principalmente, é um factor de multiplicação de tudo: receitas, exposição, afirmação, patrocínios, etc. Por ela se explica boa parte dos últimos quarenta anos do futebol nacional. Gerações de sucesso, até na Selecção, formaram-se nesses jogos; vários treinadores portugueses foram lá buscar uma reputação que nunca ganhariam cá dentro.

 

A Europa não é um biscate que se faz depois do serviço, nem se pode aceitar um simples encolher de ombros quando corre mal. Se chegarmos a esse ponto, no país, num clube ou nos apetites do adepto, acabaram-se a ambição e as perspectivas.

 

Tem de ser esta a reflexão perante o esforço duvidoso que o Sporting fez ontem em Barcelona e perante o zero literal que foi o Benfica (tetracampeão e cabeça de série no sorteio) nesta fase de grupos, como será também se o FC Porto fracassar hoje. Os elogios aos miúdos lançados por Rui Vitória que vão encher crónicas e noticiários, em lugar das naturais críticas por um desfecho muito negativo, dirão bastante sobre bastantes coisas.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 17:20

A arbitragem autogoleia-se

Rui Gomes, em 03.12.17

 

O maior factor de instabilidade do futebol profissional não são os clubes: são os maus árbitros. Admitam-no !

 

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O que influenciará mais os maus fígados dos adeptos contra os árbitros? O que se escreve nos jornais e diz na televisão ou erros grosseiros de arbitragem que, em duas semanas, ajudam (não foram a única razão, claro) a abater quatro pontos ao líder do campeonato?

 

Erros grosseiros que, por razões diferentes, passaram ao lado do video-árbitro; na jornada anterior porque o árbitro Rui Costa nem sequer quis reavaliar a grande penalidade sobre Danilo Pereira, do FC Porto, e agora porque um árbitro assistente não viu Aboubakar três metros em jogo, nem respeitou a instrução de esperar pela análise do VAR num lance de golo, impedindo o recurso a essa ferramenta.

 

A arbitragem perdeu o clássico com estrondo e deve admiti-lo para que subsista um mínimo de sanidade e confiança nas instituições. Os árbitros não estão a fazer o seu papel de juízes equidistantes na decisão do campeonato e vão demolir o video-árbitro muito mais depressa do que os críticos. São eles o maior factor de instabilidade no futebol profissional, como já foram no ano passado e no anterior. Não se confunda os sintomas com a doença.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:18

O sucesso é isto

Rui Gomes, em 27.11.17

 

O futebol profissional não está a murchar: está a crescer. E o FC Porto-Benfica de sexta-feira é o topo.

 

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1 Nas últimas quatro épocas, o clima desagradável chamou, em média/jogo, mais 10 mil pessoas ao Estádio da Luz, mais 11 mil a Alvalade, mais 13 mil ao Dragão, mais 5 mil ao D. Afonso Henriques e mais 3 mil ao Municipal de Braga. São 42 mil pessoas adicionais só nestes cinco estádios desde 2014/15. A leitura está errada à nascença: não é a baixaria que afasta as pessoas do futebol, porque está visto que não afasta (na melhor das hipóteses, atrai-as); é a sofreguidão das pessoas pelos clubes que chama a baixaria, como a lâmpada atrai as moscas. De certa forma, o futebol profissional está a ter problemas em lidar com a pequena margem de sucesso interno que se vai vendo nas lotações, mas também nos saldos positivos de cada vez mais clubes. Admitam: um FC Porto-Benfica como o de sexta-feira, a espumar de tensão e a pôr um país a latejar, é tudo o que se ambiciona num grande campeonato.

 

2 Compreender de onde vem a sabujice não a torna tolerável, nem pode dispensá-la de escrutínio. Neste domingo, gerou-se um debate em volta de um vídeo posto a circular pelo Benfica. Em causa estava o alegado penálti por marcar no Aves-FC Porto de sábado, que as novas imagens supostamente desmentiam. Num vídeo comparativo de resposta, o FC Porto parece demonstrar que essas novas imagens foram manipuladas através do corte de alguns "frames" no momento em que Amilton atinge Danilo. É o tipo de irrelevância que, para a Imprensa, não é irrelevância nenhuma e que a Liga e a Federação deviam esclarecer pela via disciplinar. Importa, e muito, saber quem nos mente.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 16:18

 

O raciocínio do G15: do que o futebol precisa é de menos escrutínio, porque está fartinho de provar que se pode confiar nas pessoas que lá andam.

 

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Sabem quem está fora do controlo da Federação e da Liga? O Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ). A proposta-chave do G15 - isto é, dos clubes da I Divisão excepto Benfica, FC Porto e Sporting - é autonomizar a arbitragem, no preciso momento em que decorre uma investigação judicial sobre os desmandos que lá terão ocorrido, apesar de estar sob controlo da Federação e até da Liga, através dos clubes que votam na AG da FPF.

 

Ter menos olhos e intervenção em cima da arbitragem torna-a, na extraordinária visão do G15 (e do filantrópico presidente do Benfica), muito mais confiável, o que me fez recordar imediatamente o IPDJ, por coincidência também fora do controlo da FPF e da Liga, com resultados (vou soletrar) for-mi-dá-veis. As revelações, reacções e excreções destes últimos meses ainda não atestaram crimes, mas provaram a toda a gente, para lá de qualquer dúvida, que em Portugal é demasiado fácil encontrar pessoas para todo o género de tarefas sujas e tarefas sujas para todo o género de pessoas.

 

Neste cenário, tem lógica pedir-se confiança cega nas escolhas totalmente alheias que alguém (boa pergunta) faria para dirigir essa arbitragem autónoma, e mais lógica ainda a crença de que isso tornaria, não só, o futebol mais respeitador como encheria as igrejas ao domingo de manhã e acabaria com a fome no mundo. Por último, o prato forte: o bem que faria à vida dos árbitros abandonarem a sombra da FPF e do seu presidente protector. Olhemos para estes meses recentes e imaginemos como seria.

 

Se estou enganado e, apesar da lista de inconvenientes, a proposta de autonomização da arbitragem é oportuna, expliquem-me porquê, por favor. Sozinho, estou como estariam os árbitros: não chego lá.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:41

A medida da Champions

Rui Gomes, em 21.11.17

 

A Europa também reflecte o momento que cada um dos três grandes atravessa.

 

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E agora algo completamente diferente. A Liga dos Campeões é aquela competição que coloca os três grandes clubes portugueses na posição desconfortável de terem de olhar para os adversários de baixo para cima ou, na melhor das hipóteses, olhos nos olhos e, em qualquer dos casos, apoiados nos bicos de pés para não se notar tanto da diferença de tamanho. Claro que quem já esteve numa posição semelhante sabe como pode ser difícil mantê-la por muito tempo, o que há de explicar os problemas que as equipas portuguesas têm sentido para se afirmarem na liga milionária.

 

Claro que há diferenças entre os três grandes. O Sporting e, especialmente, o FC Porto têm as hipóteses de apuramento intactas, o que, em contrapartida, desautoriza poupanças na liga milionária numa altura em que o calendário aperta e os plantéis não esticam. O Benfica, por seu lado, já resolveu o problema. Com quatro derrotas, dez golos sofridos e apenas um marcado, as hipóteses de apuramento são tão remotas que Rui Vitória não tem sentido qualquer problema, não apenas para poupar jogadores tão decisivos como Jonas para as competições internas, como ainda para fazer o baptismo de fogo de alguns jovens (Svilar, Rúben Dias ou Diogo Gonçalves por exemplo) numa prova em que os eventuais erros são facilmente digeridos pelos adeptos e pouco menos que irrelevantes em termos desportivos.

 

Claro que, por outro lado, o sofrível desempenho do Benfica na Liga dos Campeões, que se estende da defesa ao ataque mas também ao capítulo disciplinar, não ajuda nada a sustentar o discurso oficial segundo o qual os problemas sentidos a nível interno se devem a factores extra futebol. Mas essa é uma outra conversa.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:46

Será possível ?

Rui Gomes, em 18.11.17

 

"Será mesmo possível?

 

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O que eu estranho, nesta fase, já não é a linguagem de Bruno de Carvalho. Bruno de Carvalho deixou-se escorregar para um regime de roda-livre e, agora, qualquer redução de tom, qualquer atitude de homem de Estado - no fundo, qualquer intervenção consentânea com a que deve ser a pose do presidente de um clube com dezenas de milhares de sócios e milhões de adeptos, com desafios exigentes e uma bomba nas mãos - poderia ser entendida como um recuo.

 

O que eu estranho é que, aparentemente, não haja ninguém no Sporting, entre titulares de órgãos sociais e funcionários de alto perfil, a quem esta linguagem incomode. Será mesmo possível que ainda não tenha havido um só a manifestar o seu desconforto por este tom? Será mesmo possível que ninguém exija ao menos que a direcção de comunicação tenha uma palavra a dizer nas intervenções do presidente, quando estas vinculam tão claramente o clube?

 

Onde é que isto vai parar ? Essa é a inevitável pergunta seguinte. Mas, se a resposta à primeira persiste a que parece, "Sim, está tudo confortável", a segunda fica parcialmente respondida: não vai parar em bom lugar".

 

Joel Neto, jornal O Jogo

 

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publicado às 10:00

Maus fígados

Rui Gomes, em 15.11.17

 

O destino de Itália talvez demonstre que os grandes adversários, mesmo desleais, são imprescindíveis.

 

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O futebol italiano teve tudo. Foi a Premier League antes de haver Premier League. Houve tempos de excursões ao Milanello, o centro de treinos do Milan, para espasmos de admiração colectiva. Os grandes clubes italianos eram a grande vanguarda do futebol em todas as áreas, da prospecção às geringonças médicas, das legiões estrangeiras de fãs ao monopólio dos Maradonas e Van Bastens. Quem encontrava um treinador italiano não podia resistir ao impulso de levar a mão à carteira. Hoje é o treinador italiano que desconfia das segundas intenções do mais simplório dos adversários.

 

O "calcio" perdeu duas décadas, incluindo o salto para o século XX, que só está a dar agora. As razões são à escolha, mas a corrupção, a batota e a bancarrota financeira são incontornáveis, bem como um derivado desses problemas: a falta de competitividade em diferentes fases de paralisação deste século XXI, repartido entre o império do Inter (cinco títulos seguidos), o império da Juventus (seis) e um trono ao deus-dará. Ter adversários de ponta é imprescindível. O stress e a busca continuada de melhores métodos e recursos são a única forma de manter vivos os clubes e as ligas.

 

O irónico do ambiente em Portugal é que qualquer um dos três grandes - Sporting, Benfica e FC Porto - deve alguma coisa aos outros dois, ou porque seguiu descaradamente um caminho aberto por eles, ou porque se deixou aburguesar e precisou do enxovalho dos rivais para voltar aos trilhos. Compreendo as queixas, assinei muitas nos últimos 20 anos, mas também seria simpático reconhecer que a testosterona extra desta guerra dos grandes não produz só caos e vergonha. Se, no próximo Mundial, Fernando Santos tiver de forçar os neurónios porque há 17 bons jogadores a mais na Selecção, também isso se ficará a dever aos maus fígados de Sporting,  Benfica e FC Porto.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 09:45

A bola não chega

Rui Gomes, em 11.11.17

 

Conhecer o futebol é tão importante como saber jogá-lo. João Mário e André Silva estão a pagar por essa lição.

 

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Miguel Layún confessa-se inquieto por jogar pouco. O adjectivo importa. Numa "carreira curta", alguns meses perdidos são uma eternidade e uma aflição. Essa carreira curta devia exigir cultura aos jogadores de futebol e a quem os representa. Conhecer o percurso e o momento dos clubes, avaliar o treinador e os colegas com que se vai concorrer, escolher entre o contrato e a carreira, ter noção realista do que se vale. Nem tudo pode ser planeado, mas há margem para farejar muitos riscos à distância.

 

Os dois clubes milaneses, Milan e Inter, são talvez a maior ameaça às possibilidades de Portugal no Mundial 2018 e, no entanto, só lhes faltava uma tabuleta de néon a piscar: "Lepra: fujam daqui." Apesar disso, João Mário deixou-se encaminhar para o Inter, onde agora exercem a demência de o achar um estorvo (não é só aos jogadores que falta cultura), e André Silva aceitou submeter-se à lei das improbabilidades num Milan que consegue desconchavar futebolistas feitos, quanto mais um ponta de lança ainda em formação.

 

Para a nova seleção portuguesa, também deve ser um desespero ter dois homens-chave entregues, por mais seis meses ainda, à insegurança e desorientação daqueles dois gigantes esclerosados. É claro que há uma pequena possibilidade de que eles vençam o desafio duplo (o deles e o derrotismo mórbido das equipas milanesas) e uma possibilidade um pouco maior de que sejam emprestados ou vão jogando o suficiente para não chegarem a maio com as articulações calcificadas, mas em nenhum dos dois casos se pode falar em evolução na carreira. Foram passos ao lado, de desfecho previsível, para dois talentos que mereciam (e tinham o direito) de esperar por clubes saudáveis e vencedores.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:22

Os vira-casacas e a arbitragem

Rui Gomes, em 10.11.17

 

Eram humanos coagidos há quinze dias e agora são maus árbitros. E o Conselho de Arbitragem, que fazia bem em calar-se, agora faria bem se falasse.

 

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Há apenas duas semanas, os árbitros eram mártires sob coação infame e intolerável. Em quinze dias passaram a ser de qualidade muito duvidosa e os seus erros demasiado graves para que o Conselho de Arbitragem continue calado. No entanto, são as mesmas pessoas e os erros também não variam muito, excepto no nome das equipas beneficiadas ou prejudicadas.

 

O que mudou foram algumas opiniões, antes muito severas com os críticos e meigas com os árbitros, agora muito severas com os árbitros e meigas com os críticos. Calculo que o contrário também seja verdade. A incoerência é o contributo dos jornalistas para o ruído e para a desinformação, com as mesmas responsabilidades dos directores de comunicação que todos gostamos de censurar ou das manobras de propaganda que ora denunciamos, ora aceitamos como acções legítimas dos clubes.

 

Os árbitros não mudaram: o Conselho de Arbitragem (CA) continua a gerir um grupo enfraquecido pela inexperiência e, nalguns casos, falta de qualidade evidente; uma parte desse grupo continua marcada pelas ligações, justas ou injustas, a um processo judicial pendente que tornaria sempre inevitável a ultra-vigilância de FC Porto e Sporting (e dos portistas e sportinguistas), como aconteceria com quaisquer outros clubes na mesma situação.

 

O VAR complica tudo, porque amplifica os erros que prometia atenuar e distribui as culpas pela arbitragem inteira. Por isso, partilho a opinião dos vira-casacas (ou melhor, são eles que agora partilham comigo) de que o CA deve ser o mais transparente possível quanto à mecânica do video-árbitro, quanto aos castigos pelos maus desempenhos e quanto ao esclarecimento dos erros. Era assim há duas semanas e continua a ser.

 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 13:13

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