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Paulo Pereira Cristóvão respondeu em comunicado ao ataque duro de Bruno de Carvalho, refutando todas as declarações de que foi alvo:

 
"No dia de ontem fui confrontado com declarações gravíssimas e atentatórias da minha honra por parte do senhor Azevedo de Carvalho, indivíduo que actualmente ocupa o cargo de presidente do Sporting Clube de Portugal. As mesmas vieram na sequência de duas entrevistas por mim concedidas a meios de comunicação nota social onde aflorei diversos temas da "gestão" deste assalariado do Sporting.

 

Não conseguindo rebater uma única questão das diversas que coloquei publicamente, optou então por descer ao mais ordinário, soez e torpe que aliás, são desde sempre característico da sua personalidade.

 

Referiu então este indivíduo que nunca havia sido suspeito de violação ou de tortura querendo assim então rotular-me de violador e torturador. Sobre isto refiro o seguinte:

 

1º Nunca fui acusado ou sequer constituído arguido em qualquer processo de violação.

 

2º Fui acusado mas absolvido em primeira e segunda instância do crime de tortura.

 

3º Não tenho sobre mim qualquer sentença condenatória transitada em julgado.

 

Tendo perfeita noção disto mesmo, o senhor Azevedo de Carvalho preferiu usar o termo "suspeito" querendo com isso rotular-me e ganhar as primeiras páginas jornalísticas do dia seguinte. Poderia eu seguir o mesmo trilho de "suspeitas" referindo que os crimes de violência doméstica, corrupção, peculato, abuso de poder e branqueamento de capitais também se poderiam aplicar a tal personagem mas não irei por aí porquanto. Apesar dos diversos equívocos em que incorrem amiúde, respeito as instituições judiciais, as suas investigações e consequentes conclusões. Só estas podem chegar a tais conclusões definitivas mesmo que equivocadas.

 

Poderia igualmente referir questões até mais graves da vida pessoal do senhor Azevedo de Carvalho mas, pelo respeito que me merecem as suas filhas, uma das quais já tendo acesso à informação, não o farei, tendo assim o cuidado e respeito pelas suas filhas que ele não teve para com as minhas.

 

O senhor Azevedo de Carvalho, por muito que tente disfarçar, não tem a dimensão humana e muito menos profissional para presidir aos destinos do Sporting Clube de Portugal sendo certo que, ou pelas mãos dos sócios ou da Justiça, a sua passagem por este emprego terminará da forma que mais se adequa à forma como ele "governou", mal.

 

Questões como a auditoria de gestão a actos muito concretos ocorridos no Clube e SAD, terão obrigatoriamente que ser levadas por diante, doa a quem doer e com os resultados que daí advierem.

 

Lisboa, 02 de Março de 2017

Paulo Pereira Cristóvão".

 

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publicado às 04:30

 

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Só se lamenta que isto venha de quem vem, porque as questões levantadas são pertinentes. Em recém-entrevista, Paulo Pereira Cristóvão comenta a sua visita a Alvalade como acompanhante de João Pedro Paiva dos Santos, relativamente à auditoria de gestão solicitada por este:

 

«Lamento que o presidente do Sporting não nos tenha recebido, no âmbito de uma auditoria de gestão às contas destes últimos quatro anos em áreas muito específicas. Um presidente sem medo descia ao hall VIP e explicaria, olhos nos olhos, as suas razões. Isso era um presidente sem medo. O presidente Azevedo de Carvalho fez uma coisa diferente: mandou lá abaixo aquele tal de Geraldes, fotografar-nos ao longe, e a enviar mensagens para onde estava Bruno de Carvalho. E eis que, quando saímos para ir falar com os jornalistas, tanto eu como Paiva dos Santos vimos Bruno de Carvalho atrás duma cortina a espreitar na zona do Conselho Directivo.

 

Ainda assim, Bruno de Carvalho vai ser auditado e toda a sua conduta naquelas áreas vai ser devida e profundamente escalpelizada. "Quem é que pagou os advogados que o senhor Bruno de Carvalho andou a usar?”.

 

Pelo que me é dado a ver nestes quatro anos, dá-me para lhe perguntar através de si (jornalista), já que ele comigo tem medo de falar, se sabe o quão longe estará, ou perto, dum processo-crime ?

 

Vamos contabilizar as horas desses advogados e saber quanto é que custaram, pois estiveram a servir o senhor Bruno de Carvalho. Mais: se o senhor Bruno de Carvalho levou a família para um estágio da equipa de futebol, quem pagou as viagens? E a estada? Se a namorada anda com ele nas horas de serviço, quem está a pagar?».

 

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publicado às 10:57

 

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Não era minha intenção voltar a comentar o caso envolvente de Paulo Pereira Cristóvão. Salvo a recém-pronunciada sentença, praticamente tudo já foi dito sobre o processo do ex-vice-presidente do Sporting. Para encerrar o assunto, citamos aqui os principais factos e algumas considerações.

 

Reiteramos, sem hesitação, contudo, que Paulo Pereira Cristóvão teve a ideia certa que pretendeu realizar pelos meios errados e, diga-se, de forma muito ingénua, especialmente considerando que foi um agente da polícia. As então suspeitas sobre o antigo árbitro José Cardinal não desapareceram apenas pelo surgimento deste processo, e tanto assim é, que nunca mais se viu ou ouviu falar da pessoa. Que a Federação Portuguesa de Futebol não se tenha dado a uma investigação profunda das suas actividades, é uma questão que fica por explicar.

 

De qualquer modo, Paulo Pereira Cristóvão foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão com pena suspensa no âmbito do processo Cardinal, pelos crimes de peculato, denúncia caluniosa agravada e acesso ilícito informático, o que deu o cúmulo jurídico de quatro anos e seis meses com pena suspensa.

 

Na leitura do acórdão, não foram dados como comprovados os crimes de danos patrimoniais, uma vez que foram considerados improcedentes. No caso dos danos não patrimoniais, que José Cardinal havia reclamado, o árbitro assistente vai receber 40 mil euros de indemnização.

 

Quanto aos 35 árbitros também envolvidos no processo, com queixas apresentadas, Paulo Pereira Cristóvão foi condenado a pagar 500 euros a cada um, o que perfaz um total de 17.550 euros. No global, o ex-dirigente dos leões vai ter de desembolsar 57.500 para indemnizar os árbitros. E, mediante esta decisão, ficou determinado que Pereira Cristóvão fica obrigado a fazer uma transferência anual de 13 mil euros e de 5.500 euros até ao último ano da pena.

 

Nas alegações finais, a 25 de Janeiro, Paulo Farinha Alves, o advogado do antigo vice-presidente do Sporting, pediu a absolvição de todos os crimes. Na parte do processo que deu nome ao caso e que se relaciona com um depósito de 2.000 euros na conta do árbitro assistente José Cardinal, para posteriormente o acusar de suborno, o advogado Paulo Farinha Alves entendia que o seu cliente devia ser ilibado.

 

De acordo com a acusação, Paulo Pereira Cristóvão terá pedido ao seu colaborador Rui Martins para ir ao Funchal efectuar um depósito de 2.000 euros na conta de Cardinal, para posteriormente o acusar de ter sido subornado antes de um jogo entre o Sporting e o Marítimo.

 

Paulo Pereira Cristóvão era também acusado de ter criado uma lista com dados pessoais de árbitros, 35 dos quais reclamaram o pagamento de indemnizações cíveis, por se sentirem intimidados com a divulgação da mesma, tendo o antigo dirigente sido condenado então ao referido pagamento de 500 euros a cada.

 

O Sporting, que foi testemunha no processo, garantiu ter dado imediato conhecimento à Federação Portuguesa de Futebol, da recepção de uma carta que denunciava um alegado suborno ao árbitro assistente que deveria ter integrado a equipa de arbitragem de um jogo seu e o Marítimo.

 

Em tribunal, Godinho Lopes, à data presidente do clube, reconheceu que sabia que era feita vigilância aos jogadores, admitindo ter sido "demasiado 'naif'" em certos aspectos, nomeadamente na delegação de competências em Paulo Pereira Cristóvão.

 

Acredito que Godinho Lopes não tenha tido prévio conhecimento da operação Cardinal, no entanto, o todo da sua óbvia ingenuidade recai inteiramente sobre a escolha de pessoas para o então elenco directivo do Sporting, neste caso concreto, Paulo Pereira Cristóvão.

 

Isto não obstante, já aqui o afirmei, logo no primeiro dia, e volto a reiterar, que nem sequer começo por compreender o que de errado ocorreu com a vigilância aos jogadores - uma das práticas mais velhas do futebol - e muito menos ainda como foi parar ao foro jurídico.

 

Um episódio lamentável que chega agora ao seu termo.

 

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publicado às 05:02

O ex-dirigente do Sporting deu uma entrevista arrasante ao jornal «Expresso», onde comenta e critica pessoas e situações, inclusive os «crimes» de que é acusado. Eis uma sinopse das suas declarações mais reveladoras:

 

- «Godinho Lopes é presidente de um clube de loucos.»

 

- «É preciso calar os papagaios.»

 

- «Eduardo Barroso é um tolo, a quem chamo «enfant térrible», por educação. Está a tornar o clube alvo de chacota.»

 

- «José Eduardo, ex-jogador do Sporting, o que tem a solução do futuro do clube, é fornecedor de catering do Sporting e se não receber os 50 mil euros da distribuíção não há comida durante os jogos - é esse o sportinguismo dele.»

 

- «Os piores inimigos são alguns sportinguistas, mas nem todos estão lá num ninho, porque senão aquilo pegava fogo.»

 

- «Há uma coisa que assumo: ter montado uma rede de informação estática que nos permitia saber os comportamentos que poderiam colocar em causa os nossos activos. Uma estrutura que permite alertar a toda a hora online comportamentos desviantes dos activos é mau?...Espionagem é andar escondido em carros e isso não havia.»

 

- «Olhe, expremidos os sete crimes, sou acusado de ter ficado com 57 mil euros daquele contrato de ter colocado quatro telemóveis do Sporting nas mãos de outras pessoas e de ter mandado o Rui Martins meter dinheiro na conta do árbitro. Mas vão pagar por isso, não por mim, mas pela minha mãe que ainda está no hospital e até passou lá o Natal. E mais: se um dia o tribunal disser que o contrato com o Sporting foi lesivo, eu vou lá depositar 57 mil euros na hora.»

 

Não comento os crimes de que é acusado porque o processo está em segredo de justiça e, sobretudo, por não haver conhecimento público de factos concretos alguns, salvo rumores e pseudo-notícias que se fizerem circular pelo sensacionalismo da comunicação social.

Para quem anda mais atento, está à vista que Paulo Pereira Cristóvão tem razão quanto a algumas das situações que cita. Essa de exisistirem pessoas mandatadas por um clube - qualquer clube - a vigiar/espiar os movimentos e certas actividades de jogadores, é uma das práticas mais velhas do futebol, existente em qualquer parte do Mundo e até praticada por dirigentes. Pela minha experiência pessoal no «milieu», não vou aqui relatar os múltiplos métodos que se usa, mas o fim é somente proteger o clube e os seus jogadores. À letra da lei e dos valores sociais da sociedade universal da actualidade, poderá ser considerado invasão de privacidade, mas não deixa de existir, pelas excepcionais circunstâncias em que o futebol - e outras modalidades desportivas de topo - se assenta, tanto no seu contexto desportivo como indústria.

 

Que «os piores inimigos são alguns sportinguistas» não é novidade alguma. Aliás, raro é o dia que não se verifica isso mesmo, através dos referidos «papagaios». Pelo ponto de vista do Sporting, seria melhor, porventura, que Paulo Pereira Cristóvão não se pronunciasse publicamente até ao desfecho do processo judicial. Por outro lado, só ele sabe o que fez e o que não fez, a validade das acusações e como se sente perante a desprestigiante opinião pública que prevalece sobre a sua pessoa. Não o defendo nem o acuso - não tenho o direito de ajuizar - mas quanto mais consta sobre o caso, maior é a sensação de que há muito por esclarecer. 

 

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publicado às 18:24

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