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Fotografia com história dentro (7)

Leão Zargo, em 31.07.16

 

FCP SCP 1939-40.jpg

FC Porto - Sporting (1940)

 

 

Lição de vida

 

O FC Porto ganhou o Campeonato Nacional em 1939-40, ficando o Sporting em 2º lugar. A fotografia refere-se ao clássico disputado no Campo da Constituição em Fevereiro de 1940, que rebentava pelas costuras. Na imagem, o guarda-redes portista Rosado parece agarrar a vitória, perante a inoperância dos sportinguistas. O Sporting não venceu qualquer das competições em que participou.

 

Essa época encerrou uma grande lição para o Sporting. O presidente Joaquim Oliveira Duarte pretendeu demitir o Mister Joseph Szabo porque, afinal, ele não estaria a corresponder às expectativas. No entanto, Peyroteo convenceu o dirigente leonino a manter o treinador. A nova época foi absolutamente vitoriosa: os leões conquistaram o Campeonato Nacional, a Taça de Portugal e o Campeonato de Lisboa, dando início a um período de hegemonia no futebol português. 

 

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publicado às 14:39

 

O nadador americano Pablo Morales, vencedor de medalhas de ouro em dois Jogos Olímpicos, referiu-se à atmosfera especial que une atletas e espectadores: “Os atletas e os espectadores do desporto perdem-se em intensidade concentrada”. Há como que uma insularidade, um isolamento, em todos eles, pois ficam de tal forma absorvidos no que se passa que o tempo quotidiano parece ter desaparecido. No futebol todos aguardam por uma aparição repentina, um remate inimaginável, uma acção inesperada, sabendo-se que tudo será irrepetível.

 

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É o que se verifica cada vez que observamos a movimentação em campo de Cristiano Ronaldo. Como aconteceu há cerca de setenta anos com Fernando Peyroteo, com a diferença que o primeiro está largamente documentado em suporte de imagens e do segundo resta, apenas, algum registo fotográfico e diversa descrição jornalística. Mas, ambos possuem uma dimensão mítica no imaginário dos sportinguistas como não se verificará com mais nenhum jogador de futebol.

 

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Essa dimensão mítica decorre do currículo excepcionalmente invulgar de Peyroteo e de Cristiano Ronaldo. Pelos títulos conquistados, pelo número de jogos realizados, pelos golos marcados, pelas internacionalizações conseguidas, pelos admiráveis feitos desportivos. E pelo facto dos seus méritos terem sido obtidos nos campos de futebol, verdadeiro arquivo da memória de muitos (e muitos !) milhões de adeptos, um reflexo da imagem do espaço social e cenário da existência individual e colectiva.

 

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publicado às 14:10

 

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* Realizou 12 temporadas de "leão ao peito" (1937/38 a 1948/49), com 543 golos em 334 jogos oficiais. Um registo de 1,63 golos/jogo, o maior goleador da história do futebol português:

 

* Na sua carreira, marcou por 694 vezes em 432 jogos, um registo de 1,61 golos/jogo;

 

* Na Liga Portuguesa (Campeonato Nacional) Fernando Peyroteo é o melhor marcador de sempre com 331 golos em 197 jogos.

 

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publicado às 04:19

 

Sabe-se de ciência certa que um jogo de futebol é semelhante a uma peça de teatro. Nele encontram-se os ingredientes principais da arte dramática, sendo que o campo é o próprio palco, o treinador faz de director de cena e os jogadores são os actores. O público, esse, só pode ser o coro como numa tragédia grega. Alcino Pedrosa num belíssimo texto (O Teatro e o Futebol) no Leitura de Jogo mostrou que é assim mesmo.

 

Esta conversa vem a propósito de um dos dérbis mais espectaculares de que alguma vez ouvi falar. Foi um Benfica-Sporting disputado na Estância de Madeira, no Campo Grande, em 25 de Abril de 1948. Os leões precisavam de vencer por três golos de diferença para, tendo a mesma pontuação do rival, ultrapassá-lo na tabela classificativa do Campeonato Nacional. 

 

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Na primeira volta o Sporting foi derrotado no Estádio José Alvalade (antigo Stadium Lisboa) por 1-3. O golo leonino foi conseguido por Travassos aos 89 minutos, mas o desalento da derrota impediu o festejo. Provavelmente, o Zé da Europa não imaginou nesse dia o valor que pode ter um golo marcado a um minuto do final de um jogo de futebol. Daquela vez, nem o coro foi capaz de anunciar o que estava para acontecer.

 

O Sporting era treinado por Cândido de Oliveira, um benfiquista que jogou de águia ao peito até sair em 1920 para ser um dos fundadores do Casa Pia Atlético Clube. Os jogadores eram do melhor que alguma vez vestira a camisola do leão rampante. Os “Cinco Violinos” e companhia não tremiam no momento de enfrentar o destino num campo de futebol.

 

A semana que precedeu o dérbi foi de arrasar os nervos para os lados de Alvalade. Peyroteo andou adoentado com febre e, para piorar tudo, na direcção do Clube houve quem desconfiasse da táctica que o treinador estava a preparar para o grande confronto. Houve quem garantisse que seria suicida, desconfiando do benfiquismo de Mister Cândido. Pelos vistos, já não havia memória daquela tarde de Junho de 1923, em Coimbra, quando Cândido de Oliveira foi o massagista dos leões num Sporting-FC Porto nas meias-finais do Campeonato de Portugal.

 

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O Sporting apresentou-se muito forte no Campo Grande. Peyroteo fintou a febre e depositou um póquer de ases na baliza do infortunado Contreiras. Espírito Santo ainda reduziu o marcador, mas os quatro golos do bombardeiro de Alvalade determinaram o destino do título de campeão nacional. Não esquecendo o golinho do Travassos ao cair do pano no dérbi da primeira volta, como que a hybris da tragédia grega (a acção contra o estabelecido) naquele campeonato. Muitos anos mais tarde os Deolinda cantariam que “o que tem de ser tem muita força”. Nem mais !

 

Então, no meio dos festejos e senhor do seu destino, Cândido de Oliveira profere a célebre frase "somos bestiais quando ganhamos e bestas quando perdemos" e apresenta o pedido de demissão. O director do Sporting que duvidou do treinador procurou-o no emprego para o demover, jurando que a demissão seria a dele, o dirigente. Cândido, grande como sempre, apertou-lhe a mão dizendo que ficavam os dois para a conquista do título.

 

O Sporting passou para a liderança do campeonato pela diferença de um golo, não havendo alteração até ao final da competição. Os leões foram derrotados em Setúbal, mas às águias aconteceu o mesmo em Elvas. Campeão por uma singela bola que atravessou a fatídica linha da baliza. Uma bola, uma bolinha… um berlinde! Os benfiquistas, desesperados, chamaram-lhe o "campeonato do pirolito". Pegou de estaca até aos nossos dias essa do pirolito, a bebida gaseificada e doce que era feita à base de ácido cítrico e de essência de limão, com um berlinde de vidro a fazer de rolha.

 

Por ter sido o Campeão Nacional em 1947-48 o Sporting tomou posse da monumental “Taça O Século”, com 1,23m de altura. Venceu, ainda, a Taça de Portugal ao derrotar o Benfica nas meias-finais (3-0) e o Belenenses na final (3-1), coroando uma época memorável com a segunda dobradinha da sua História, para além da vitória na Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa.

 

Ficha do jogo

 

Campeonato Nacional da I Divisão (1947-48)

22ª jornada

Benfica 1 - Sporting 4

25 de Abril de 1948, Estância de Madeira (Campo Grande)

Árbitro - Libertino Domingues (Setúbal)

 

Benfica - Contreiras, Jacinto e Fernandes, Moreira, Félix e Francisco Ferreira, Espírito Santo, Arsénio, Julinho, Corona e Rogério “Pipi”

 

Treinador - Lipo Hertzka

 

Marcador - Espírito Santo (75m)

 

Sporting - Azevedo, Álvaro Cardoso e Juvenal, Carlos Canário, Luís Moreira e Veríssimo, Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano

 

Treinador - Cândido de Oliveira

 

Marcador - Peyroteo (35, 41, 58 e 69m)

 

 

Nota: Fotografia da equipa do Sporting com os três troféus que conquistou na época de 1947-48 e de Fernando Peyroteo num dérbi com o Benfica (não datado).

 

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publicado às 13:19

Peyroteo lembrado

Rui Gomes, em 26.10.15

 

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O Sporting conseguiu, neste domingo, a maior vitória da sua história em jogos da I Liga disputados no Estádio da Luz, onde já não vencia desde 2006, ao derrotar as águias por 3-0, na 8.ª jornada da I Liga.

 

Desde 1948 que o Sporting não vencia por números tão expressivos em casa do Benfica - na altura ganhou por 4-1, "póquer" de Peyroteo, mas o jogo foi disputado no Campo Grande -  mas o regresso de Jorge Jesus a uma casa que tão bem conhece traduziu-se num resultado histórico para a equipa leonina, que foi sempre melhor que a do rival.

 

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publicado às 09:32

Peyroteo, Goleador e Cavalheiro

Leão Zargo, em 10.10.15

 

Há citações de determinados autores que se colam de tal maneira à pele de jogadores de futebol que, quando pensamos neles, imaginamos cada palavra desenhada no seu corpo. É o caso de uma afirmação escrita por Albert Camus, em Argel, na década de 1950: “Tudo quanto sei com maior certeza sobre a moral e as obrigações dos homens devo-o ao futebol e ao que aprendi no Racing Universitário de Argel".

 

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Quando me vem à ideia esta frase do autor de “O Estrangeiro” que teve uma carreira de guarda-redes interrompida pela tuberculose, e a associo a um jogador, é em Fernando Peyroteo que penso em primeiro lugar. O jogador leonino é uma figura incontornável do futebol português pela qualidade e eficácia do seu desempenho como avançado de centro, pela honestidade e galhardia com que se batia contra os adversários e pela ética e sentido de honra que revelou sempre como praticante desportivo.

 

Nascido em Angola, chegou a Lisboa apenas com 19 anos para jogar nos leões, vindo da filial de Luanda. Esperavam-no, para além de familiares, o amigo de adolescência e jogador leonino Aníbal Paciência e directores do Sporting, dirigindo-se todos de imediato à sede do Clube no Palácio Foz. Apesar de muito jovem, Peyroteo já era um futebolista conhecido o que explica o assédio apertado feito pelo Benfica e pelo Porto nas semanas que se seguiram. Recusou os dois clubes de modo peremptório, garantindo que já tinha contrato assinado, embora na realidade ainda não o tivesse formalizado. A sua palavra valia como uma assinatura.

 

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Ficou conhecido o cavalheirismo com que se relacionava com todos aqueles que o rodeavam no futebol, nomeadamente os rivais. Entre estes destacava-se outro angolano, o avançado benfiquista Guilherme Espírito Santo com quem manteve uma longa relação fraterna. Sobre ele, o grande Peyroteo que muitos consideram o melhor avançado português de sempre, afirmou o seguinte: “O Guilherme sempre foi melhor jogador de futebol do que eu, mais técnica, mais jogo. Menos prático, menos golos? Sim, também é verdade. Mas mais jogador.” O futebol e as suas histórias. E o que seria do futebol sem histórias para contar?

 

Peyroteo encarava o futebol com uma seriedade e integridade inultrapassáveis. Na sua festa de despedida em 5 de Outubro de 1949 num jogo frente ao Atlético de Madrid, justificou o abandono que muitos consideraram prematuro por ter marcado 40 golos em 23 jogos do Campeonato Nacional: "Fui soldado nas fileiras do desporto nacional e um soldado não foge ao cumprimento do seu dever, seja qual for e em que circunstâncias for! Mas, de hoje em diante, reconheço que sou um soldado velho, não posso corresponder às exigências de preparação de um jogador de futebol que queira manter-se em forma e ser útil ao seu Clube e à modalidade que pratica. Quando entro em campo, vou cheio de vontade de jogar, mas, depois de meia dúzia de pontapés na bola, apodera-se de mim um enfastiamento inexplicável.” Afinal de contas, um campo de futebol é como que um arquivo de memórias e o jogador não quis aceitar que a realidade do seu declínio físico ensombrasse o imaginário que os adeptos construíram de uma carreira invulgarmente prodigiosa e épica.

 

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José do Carmo Francisco dedicou a Peyroteo um belíssimo poema publicado em "Pedro Barbosa, Jesus Correia, Vítor Damas e  outros retratos”, livro que já foi referido aqui no Camarote Leonino. O poeta invocou a chegada de Peyroteo ao Cais da Rocha do Conde de Óbidos, em 1937, embarcado no navio Niassa.

 

Peyroteo – 1937

 

Como são lentos os eléctricos da carreira de Belém

Que vejo passar bem perto da amurada deste navio

Cheguei de Angola com saudades da minha mãe

Sem nada saber do que se diz nos cafés do Rossio

 

Há um comboio em Sintra a sair pela madrugada

Que me larga no Rossio para apanhar um amarelo

É muito duro o caminho. Triunfar é uma estrada

Talvez demasiado longa para o meu olhar singelo

 

Os golos que vou marcar no país e no estrangeiro

Nascem destas longas manhãs de treino e cansaço

Tudo o que faço é sincero e verdadeiro

A mentira desonesta não tem lugar no meu espaço

 

Sem carta de desobrigação eu aqui não jogava

Ainda hoje estou para saber qual foi a razão

Em Lisboa os directores e toda a gente evitava

Explicar porque não a trouxe eu na minha mão

 

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publicado às 12:37

 

O húngaro Joseph Szabo e Fernando Peyroteo são duas figuras míticas do Sporting Clube de Portugal e que trabalharam em conjunto ente 1937 e 1945. Nutriam, entre eles, o maior respeito e a mais absoluta admiração.

 

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Szabo, treinador húngaro, revolucionou o futebol do Sporting ao impor uma disciplina férrea no quotidiano dos atletas, o planeamento desportivo da época, o rigor absoluto nos treinos e um sistema táctico revolucionário, o WM. Era frequente utilizar um tabuleiro com vinte e duas figuras para explicar a “táctica”.

 

Por vezes algum jogador mais brincalhão escondia-lhe os “bonecos” o que provocava fúrias ao treinador que rapidamente se esmoreciam. No fundo, o húngaro era um grande folgazão com um forte espírito disciplinador.

 

É Szabo quem está na origem dos "Cinco Violinos", ao descobrir o talento ímpar de Peyroteo e de Jesus Correia e conceber o esquema táctico que iria integrar os cinco avançados. Permaneceu oito épocas consecutivas à frente da equipa do Sporting, conquistando treze títulos, um record que ainda hoje se mantém. Voltaria ao Sporting, mais tarde, nas décadas de 1950 e de 1960.

 

A época de 1939-40 foi particularmente desastrosa, uma vez que o Sporting não conquistou qualquer título nas provas em que participou. O F. C. Porto venceu o Campeonato Nacional e o Benfica a Taça de Portugal e o Campeonato Regional de Lisboa. A contestação foi forte até porque Szabo também fazia questão de granjear as suas animosidades e o presidente Joaquim Oliveira Duarte hesitava na renovação do contrato. Perante a indecisão do presidente e a contestação de alguns directores e sócios, Peyroteo assumiu a defesa do treinador e aconselhou o presidente a manter o técnico. E assim aconteceu.

 

Ninguém podia adivinhar, mas a época 1940-41 seria extraordinária pois o Sporting venceu pela primeira vez o Campeonato Nacional e a Taça de Portugal, nos novos moldes, para além do Campeonato Regional de Lisboa. O “tri”, como se dizia na altura!

 

Curiosamente, Szabo não era nada “meigo” com Peyroteo, o seu jogador eleição e que ele considerava a grande estrela da equipa. É célebre a sua exclamação quando Peyroteo se acercava da baliza adversária e o golo era eminente: “Cárega, Maria”! Precisamente por isso, por ser o melhor jogador, Peyroteo tinha responsabilidades acrescidas.

 

Num dia em que Szabo prolongou a prelecção muito para além do que era habitual e Peyroteo e outros tinham comprado bilhetes para a “matinée”, tendo soado um reparo, de pronto se ouviu o mestre: “Sinhor Férnando, o seu cinéma é este”. Sempre o goleador a ter que dar o exemplo!

 

Naquele tempo de semi-profissionalismo os jogadores treinavam antes de irem para os empregos. No Sporting, era normal o treino iniciar-se às 7.45 horas ou até antes. Peyroteo residia em Sintra e tinha de apanhar o comboio das 6.03 horas para chegar a tempo ao treino. Um dia que se atrasou, Szabo não permitiu que Peyroteo se juntasse aos jogadores em exercícios de aquecimento. Antes, mandou-o dar quatro voltas em corrida e quatro em marcha ao rectângulo de jogo.

 

Nesse tempo a equipa realizava dois treinos semanais, mas Peyroteo, que treinava ainda outros dois dias com nove quilómetros de corrida e treino com bola, ficou confiante que o assunto ficaria arrumado com um pedido de desculpas e uma justificação a propósito do despertador que não o teria acordado.

 

Nada disso. No final do treino, Szabo chamou-o de parte e disse-lhe: “Sinhor Férnando, ter que ser multado dez per cente no ordenado, Férnando ter quê dar exemplo. Tudos égales, Férnando... Ok, Férnando, você treinar quatro vezes por sêmana, eles dois, mas não treinar para mim, treinar para si. Não poder desculpar, outros dizer quê você mênino bonito... Todos égales.”

 

Como era costume, depois do treino ambos apanharam o eléctrico do Lumiar para os Restauradores. Szabo tinha um plano e Peyroteo começou a desconfiar que o assunto não estaria arrumado. Então, para quebrar o gelo entre ambos, o treinador prazenteiro virou-se para a estrela e disse que lhe perdoava a multa se comprasse um despertador novo escolhido por ele. Peyroteo, aliviado, disse logo que sim. Entraram numa relojoaria da Baixa e foi Szabo que escolheu o despertador. Caríssimo, terá custado 50 escudos!

 

No domingo, antes do jogo, durante a prelecção à equipa, Szabo estava muito bem humorado: “Sinhores, Férnando não chigar mais atrasado a training. Fumos comprar déspertador, experimentar tocar lá na loja e fazer barulheira quê Azêvedo vai ouvir no Bareiro”.

 

 

(Texto adaptado de “Fernando Peyroteo”, por Carlos Loures, e da Wiki Sporting)

 

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publicado às 16:27

Memórias de Peyroteo

Rui Gomes, em 03.07.13

 

A CAMINHO DE LISBOA

 

«Em Abril de 1936, recebi, em Luanda, uma carta de minha Mãe na qual me informava de que os médicos impunham a sua vinda a Lisboa, para se tratar. Como funcionária do Estado - professora oficial em Moçâmedes - tinha direito a gozar licença graciosa na metrópole. Porque o seu estado de saúde não permitia que viajasse sozinha, convidava-me a vir com ela.

Embora a possibilidade de conhecer Lisboa me desse grande satisfação, contrariava-me o facto de ser forçado a abandonar o emprego. Por outro lado, não podia nem devia negar-me.

Quando, em Luanda, se soube da minha projectada viagem, agitou-se o meio desportivo. A novidade era comentada em toda a Cidade. Assediavam-me com perguntas, davam-me conselhos e faziam-me recomendações. Até o meu Chefe de Repartição, senhor Vasconcelos, me recomendou não deixasse de ir ao "Terreiro do Paço" cumprimentar o cavalo do D. José e ver bem qual era a "pata direita". Com o ar mais grave e sisudo que lhe conheci, dizia ser praxe a cumprir pelos africanos, na sua primeira visita a Lisboa !

Claro que a gracinha nãp pegou porque eu sabia bem que a pata que está direita é a esquerda. Ou não fossem meus pais naturais da Metrópole, para nos falarem, com saudade, destes trocadilhos.»

 

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publicado às 00:06

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