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Fotografia com história dentro (66)

Leão Zargo, em 08.10.17

 

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João Martins e a Bola de Prata 1953-54

  

João Martins foi o melhor avançado-centro do Sporting na década de 1950. No entanto, quando alguém o observava fora dos campos de futebol, magro e tímido como era, com o característico falar arrastado de alentejano, teria grande dificuldade em imaginá-lo com a camisola nº 9 da equipa leonina. Naquele tempo, os jogos de futebol ainda não eram classificados como sendo de alto risco, mas “lá dentro” disputavam-se com grande vigor e dureza. Aquilo era para homens de barba rija.

 

O avançado leonino tem sido desvalorizado pelos próprios sportinguistas, talvez por ter sucedido ao inesquecível Peyroteo. No entanto, ele foi um avançado extraordinário, versátil e corajoso, veloz e audacioso, muito eficaz, que no Sporting jogou em todas as posições da linha avançada antes de se fixar como avançado-centro. Até foi guarda-redes em duas ocasiões por ainda não haver lugar a substituições. Dir-se-ia hoje que nunca se escondia do jogo.

 

Depois da despedida de Peyroteo em 1949, o treinador Randolph Galloway experimentou vários jogadores no centro do ataque. Mário Wilson, Joaquim Pacheco, Galileu, Jesus Correia e João Martins jogaram no lugar de avançado-centro.

 

João Martins levou algum tempo a afirmar-se nessa posição pois no início da década de 1950 imaginava-se que seria para um jogador encaixado no eixo do ataque, entre os dois interiores, onde daria luta aos defesas adversários. Exigia-se que fosse possante, resiliente, combativo e marcador de golos. O futebol de João Martins era diferente, menos físico e estático, mais tecnicista e versátil, um avançado moderno que jogava de uma forma rara na época. Na verdade, ajudou a criar um novo conceito para o nº 9.

 

Há palavras que perduram para sempre por serem extraordinárias. O violino Travassos, companheiro de equipa, no dia da morte de Martins, fez-lhe um elogio invulgar garantindo que “foi o melhor avançado-centro que já existiu no futebol português. Desmarcava-se muito bem, isolava-se com facilidade, fugindo à marcação dos adversários, e tinha excelente aptidão para o jogo de cabeça, o que causava o pânico entre as equipas que defrontávamos”. O nosso ‘Zé da Europa’ jogou ao lado dos grandes avançados do seu tempo, inclusivamente do mítico Peyroteo.

 

João Martins, sportinguista convicto por admiração ao ciclista Alfredo Trindade, foi sete vezes Campeão Nacional, realizou 248 jogos oficiais e marcou 163 golos, sendo o autor do primeiro golo no jogo inaugural da Taça dos Campeões Europeus (Sporting - Partizan em 4 de Setembro de 1955). Nunca sofreu um castigo disciplinar nos jogos em que participou. Conquistou a Bola de Prata em 1953-54, sendo o melhor marcador do Campeonato com 31 golos, à frente de António Teixeira (26) e José Águas (24).

 

Na fotografia, Ribeiro dos Reis, director do jornal A Bola, entrega a João Martins o troféu Bola de Prata referente à época de 1953-54.

 

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publicado às 12:45

Fotografia com história dentro (55)

Leão Zargo, em 16.07.17

 

Azevedo Sporting.jpg

  

O último jogo do “Hércules do Barreiro” no Sporting

 

O mítico João Azevedo já acusava alguma veterania em 1950 quando o jovem Carlos Gomes foi contratado pelo Sporting ao Barreirense. O “Hércules do Barreiro”, também conhecido por “Gato de Frankfurt”, era o dono da baliza leonina desde um longínquo jogo com o Belenenses nas Salésias em Dezembro de 1936, mas continuava ágil entre os postes, valente nas bolas pelo ar e corajoso nas saídas. Carlos Gomes teve de esperar pela sua oportunidade.

 

Na época seguinte, em 1951-52, na primeira jornada do Campeonato Nacional o Sporting foi às Salésias para defrontar o Belenenses. As mesmas Salésias onde Azevedo tinha conquistado a titularidade a Dyson e Jaguaré. Mas, nos azuis havia Matateu, e naquele dia o moçambicano estava com a pontaria muito afinada: marcou quatro golos e os de Belém venceram por 4-3. Os leões perderam o desafio e houve olhares desconfiados na direcção do guarda-redes.

 

O “Hércules do Barreiro” já não entrou em campo no domingo seguinte com a Académica, pois o treinador Randolph Galloway mandou avançar Carlos Gomes para a baliza. Azevedo que chegou a jogar com vértebras e costelas fracturadas, com um pé partido ou com doze pontos na cabeça, e que tinha de fumar um cigarrinho antes dos jogos para acalmar os nervos, não sobreviveu à tarde de génio de Matateu. Foi o seu último dia com a camisola leonina.

 

A fotografia refere-se a uma fase da juventude de João Azevedo. Quando ainda não era um ícone e estava a começar a construir a lenda.

 

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publicado às 12:32

Fotografia com história dentro (22)

Leão Zargo, em 13.11.16

 

Randolph Galloway, Azevedo, Wilson e Vieirinha..jp

 

Preparados para vencer

 

 

“Não é a vontade de vencer que importa – todo o mundo tem isso. O que importa é a vontade de se preparar para vencer.” Paul Bear Bryant, técnico de futebol americano.

 

Num primeiro momento, esta fotografia (época de 1950-51) suscita alguma surpresa. O ambiente é descontraído, impera a boa disposição, e o treinador Randolph Galloway parece um velho professor explicando a matéria aos seus alunos (Azevedo, Wilson e Vieirinha). Afinal, estava preparando os jogadores, a equipa, para vencer.

 

Na realidade, o técnico inglês era um trabalhador incansável, metódico e disciplinador, que treinou o Sporting durante três épocas (1950-51 a 1952-53) e foi três vezes Campeão Nacional. Saiu em 1953, mas deixou a equipa preparada para conquistar o tetra sob a orientação de Tavares da Silva e de Joseph Szabo.

 

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publicado às 12:02

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