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Reflexão do dia

Rui Gomes, em 14.12.17

 

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É extremamente chocante, e até penoso, que os múltiplos eventos destinados a exaltar o sportinguismo, a solidificar o espírito de união e de fidelidade entre os sportinguistas, a celebrar os sucessos desportivos do nosso Clube, a homenagear os feitos dos seus atletas, a dignificar a memória da Instituição – tais como os do Grupo Stromp ou do Rugido do Leão e os aniversários dos núcleos ou filiais espalhados por todo o Mundo – sejam sistemática e veementemente infectados ou até sabotados pelas despropositadas intervenções coléricas, acusatórias, arrogantes e agressivas, geralmente eivadas de ordinarice, do personagem alucinado e paranóico que ocupa actualmente a presidência do centenário Sporting Clube de Portugal. Intervenções que transformam, deploravelmente, o festivo ambiente leonino num acontecimento deveras desconfortável, depressivo e fomentador de divisionismo.

A propósito da pertinente observação do leitor Lusitanista acerca da tendência para a perpetuação dos presidentes de colectividades desportivas, convém talvez reflectir no facto de alguns dos maiores devedores pessoais ao fisco e aos bancos portugueses (ligados à construção civil e ao imobiliário) se encontrarem confortavelmente refugiados como altos dirigentes de populares clubes de futebol…  

 

Leão da Guia

 

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publicado às 03:24

 

 

Nunca foi meu hábito exigir a cabeça de treinadores - embora já tenha sido obrigado a demitir alguns - nem é este o caso agora, necessariamente, com Paulo Bento, mas acho que após o regresso a Portugal os principais responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol devem entrar num período de profunda reflexão, porque é por mais evidente que o desempenho da Selecção Nacional no Mundial foi de tal modo negativo, que seria seriamente irresponsável não o fazer.

 

A partir de hoje, e durante alguns dias e semanas, vão surgir muitos artigos do género deste a comentar a história de uma campanha futebolista que não deixa saudades algumas e, inevitavelmente, a apontar dedos e encontrar culpados. É pura natureza humana e quem assume a liderança de um grupo e de um projecto, tem a obrigação de saber que quando as coisas não correm bem, as achas para a fogueira não só vão ser muitas e impiedosas como também vão arder por algum tempo.

 

Para ser justo, devemos reconhecer que não obstante um leque de decisões discutíveis por parte de Paulo Bento e, porventura, também pelos dirigentes federativos, houve uma boa dose de azar: as adversidades que surgiram no jogo inaugural que levaram à goleada pela Alemanha; lesões a jogadores importantes da equipa, como foi o caso de Fábio Coentrão; critérios de arbitragem sem o mínimo de benefício da dúvida, a começar pelo referido primeiro jogo, em que Portugal foi vítima uma grande penalidade (mal assinalada) logo aos 10 minutos e acabou por jogar mais de uma hora apenas com dez elementos em campo; e, sobretudo, um Cristiano Ronaldo significativamente condicionado por problemas físicos.

 

Com tudo isto dito e analisado, é missão praticamente impossível não regressar ao ponto de origem e questionar as escolhas de Paulo Bento. Muito em linha com o seu carácter, insistiu no "núcleo duro" de jogadores que o acompanharam desde o primeiro dia, recusando reconhecer que alguns deles não estavam em condições para satisfazer as exigências da competição no Brasil. Contrário à esperança que a sua pré-convocatória chegou a indicar, acabou por não integrar jogadores para determinadas posições que requeriam alternativa, assim como mais alguma juventude, de modo a dar maior estabilidade e equilíbrio ao grupo.

 

Não me vou dar à ousadia de sugerir que Paulo Bento perdeu a confiança de uma Nação, mas creio que não será exagero algum adiantar que a vasta maioria de portugueses deixou de acreditar na sua capacidade para liderar a Selecção Nacional, apesar de Fernando Gomes já ter reafirmado a sua confiança plena na permanência do técnico até ao Euro 2016. A questão prioritária que está sobre a mesa é se o antigo treinador do Sporting, face ao que sucedeu, é o homem indicado para orquestrar a inevitável renovação que esta selecção terá de ser alvo. E, isto, muito em breve, porque a fase de apuramento começa em Setembro.

 

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publicado às 07:54

Caso para reflexão

Rui Gomes, em 18.01.14
 

 

Ao ler o jornal esta manhã, enquanto tomava o pequeno-almoço no café, como é meu hábito, deparei com uma frase que me impressionou, por a achar interessante e até muito certeira. Referiu o autor (sportinguista) no seu artigo de opinião sobre a morte de Eusébio, que achou de relevância desmesurada que um jornal desportivo, no dia do enterro, e aludindo à chuva copiosa que caiu nesse dia, titulava, na primeira página: "E o céu chorou, no adeus ao rei". Mas, nesse dia de Reis, disse ainda o autor, com cujo funeral quiseram fazer coincidir, a nossa orla marítima estava a ser fustigada por ondas gigantes, deixando, atrás de si, um rasto de destruição de enormes prejuízos para os afectados e também para o País.

 

Mas, voltando á frase que me impressionou, e que terá relevância em qualquer parte do Mundo onde o futebol reina, mas porventura muito mais num país como Portugal com enormes défices de outros valores, incuindo as lideranças políticas, empresariais, sociais, etc.:

 

"O futebol é apenas a coisa mais importante das coisas menos importantes"

 

Em inglês, temos por hábito dizer: "Food for thought", cuja tradução literal significa "alimento para o pensamento", mas em termos mais precisos, "caso para reflexão".

 

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publicado às 17:17

Reflexão: o presente e o futuro

Rui Gomes, em 09.03.13

É facto de registo que a crise financeira do Sporting se deve a um generalizado leque de decisões e acções no todo da gestão do clube ao longo de muitos anos e que o seu sucessivo agravamento, à raiz, centra-se quase exclusivamente na deficitária estrutura do futebol, desde a formação ao profissional. Assente nesta premissa, faz perfeito sentido que qualquer processo de recuperação comece precisamente por esse sector. Para o efeito, a lógica e o bom senso aparentam exigir a cooptação de pessoas completamente identificadas com a modalidade, desporto e indústria, que não passa apenas por uma plataforma teórica, para admitir a realização da missão com moderada probabilidade de sucesso.

O Conselho Directivo de Godinho Lopes herdou uma situação já bastante precária da prévia administração e foi confrontado com duas opções: seguir um curso conservador, mais visado à economia de tesouraria, redução de dívida e obrigações, e por inerência, assumir a garantia de menor competitividade desportiva, ou seguir o curso mais arriscado de investimento/endividamento adicional, visando dividendos superiores a médio prazo. A essência do sucesso com esta segunda alternativa estava inteiramente centrada na realização desportiva, designadamente o futebol profissional e afins, e, como bem sabemos, o resultado foi devastador.

Perante este degradado estado das coisas, a futura administração - clube e SAD - verificará um único curso pela frente: a recuperação económico-financeira através da reestruturação desportiva. Para o efeito, a exigência de uma equipa principal altamente competitiva terá de desaparecer do horizonte sportinguista para os próximos dois ou três anos, no mínimo. Isto não significa que não possa surgir sucesso inesperado, mas o objectivo de títulos é totalmente irrealista. A folha salarial terá de ser ainda mais reduzida, igualmente o teto operacional e, com estes, determinados activos do plantel profissional.

Muito por tudo isto, nenhum candidato deve ou, mais importantre ainda, pode oferecer quaisquer garantias de sucesso com os seus chamados projectos. Uma boa parte da planificação só poderá ser elaborada após a tomada das funções e uma compreensão muito mais profunda quanto aos específicos da situação. O incontornável dilema que confronta os sócios neste momento, e até ao dia 23, é precisamente determinar qual dos três candidatos oferece mais confiança e reune melhores condições - carácter, competência e disponibilidade - para desenvolver esta preeminente missão que, muito provavelmente, determinará a longevidade do Clube.

 

Longe de mim pôr em causa a capacidade intelectual de qualquer um, mas não deixo de questionar quantos verdadeiramente compreendem a monumental decisão que está nas suas mãos, que vai muito além de um mero acto eleitoral.

  

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publicado às 01:00


Não sei o que pensam o resto dos sportiguistas, mas esta campanha eleitoral  ainda agora começou e já estou farto e saturado dela. Para mim, duas semanas no palco eleitoral eram mais do que suficientes para os candidatos comunicarem as suas ideias e objectivos e...vamos a votos. Depois de mais de dois anos de exaspero pelos resultados desportivos, campanhas revolucionárias, divisões internas, os papagaios da praça a fazerem-se ouvir quase diariamente, os pesudo-comentadores desportivos a «ilucidarem-nos» com as suas brilhantes análises e com os periódicos desportivos cá do burgo a explorarem tudo e mais alguma coisa ao mais insólito nivel sensacionalista, sinto imensas saudades dos dias de discutir somente desporto, em geral, e futebol, em particular; as equipas, os atletas, as táticas, os árbitros e, inevitavelmente, os nossos adversários. Parece que entre tudo isto, até estes têm passado despercebidos, na mente de sportinguistas, e eles, sentindo essa condição, tentam tirar o devido proveito. 

Aos candidatos, pela inésima vez, deixem-se de demagogias populistas e insinuações injuriosas, esta campanha é para a liderança de um clube, não da Nação. Comuniquem a v/mensagem sem levar o nome do Sporting ainda mais para o fundo do lamaçal e, sobretudo, diguem o que os sócios têm interesse em ouvir quanto ao futuro do Clube e não relativamente ao seu passado, que já é bem conhecido e não requere ser reavivado minuto a minuto. Acima de tudo, deixem-se de tanto negativismo e apontem-nos na direcção da luz no fim do túnel.

Vamos apoiar os nossos atletas a todos os níveis, porque além dos profissionais de futebol temos muitos outros de «leão ao peito» que têm vindo a honrar de forma notável o nosso Clube, desde o imparável futsal ao atletismo. As camadas jovens de futebol estão todas a ter épocas brilhantes e não as devemos esquecer. Os nossos juniores, sob a liderança de Abel Ferreira, orgulham-nos além fronteiras com a sua excelente prestação na NextGen Series. Temos tantos raios de sol, mas só procuramos a escuridão. «Enough is enough!» 

 

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publicado às 15:46

É possível ir ainda para pior

Rui Gomes, em 19.02.13

Há certas questões que ultrapassam a minha capacidade racional e outras que se associam a um tipo de sportinguismo que eu nunca vi na minha vida e que me deixam com um enorme vazio na alma, ao ponto de deliberar afastar-me do futebol português, em geral, e do Sporting, em particular.

Compreendo perfeitamente o desalento pelos resultados desportivos de há uns anos a esta parte e, mais recente, a danosa gestão que precipitou muito do mal estar que se verifica neste momento no Sporting. Não sinto quaisquer dificuldades em encarar e lidar com isto, criticar objectivamente quando entendo que critícas são merecidas e, se necessário, participar na rectificação pontual de determinadas situações. O que me ultrapassa completamente - e me indigna - é esta nova onda de diabolizar todos aqueles que, de uma forma ou outra, são apontados como os principais responsáveis pelo estado das coisas, como se os gritos dos arruaceiros da rua, ou dos cínicos da escriba, venham a resolver seja o que for quando se chegar à hora da verdade e a sobrevivência do Clube estiver à beira do abismo. Serão esses que irão ter a solução nas mãos para os problemas?... Claro que não, vão-se limitar a mais insultos, a mais ofensas e a gritar novamente para que apareçam outros para resolver os problemas. É tão simples ficar atrás e criticar quem anda à frente e não ter de despender as nossas energias e capital.  

 

Como já disse e escrevi inúmeras vezes, não apoiei Godinho Lopes no último acto eleitoral, apoiei sim, quem hoje menos merece o meu respeito e confiança para liderar o Sporting: Bruno de Carvalho. Não obstante os evidentes erros que foram cometidos por Godinho Lopes, o Conselho Directivo demissionário e os directores da SAD, aprendi a respeitar a sinceridade e a profundidade da entrega do presidente e, entre tanto, não deixo de também identificar alguns positivos, algo que é completamente ignorado porque a preocupação da vasta maioria é somente os resultados desportivos. Se o Sporting estivesse em primeiro lugar na Liga, e com os mesmos problemas estruturais e financeiros, o «zé povinho» andaria radiante da vida.

 

Por mal que as coisas estejam é sempre possível ir ainda para pior e pelo caminho que temos vindo a percorrer, as probabilidades disso vir a acontecer são enormes.

   

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publicado às 17:49

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