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"Mentira intencional e deliberada"

Rui Gomes, em 01.03.17

 

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Deveras intrigante como José Maria Ricciardi está a tornar-se cada vez mais numa figura central na campanha eleitoral em curso, em apoio a Bruno de Carvalho. A sua resposta à muito reveladora carta aberta de Godinho Lopes, foi lançar a acusação que o antigo presidente "está por trás de Pedro Madeira Rodrigues". Muito além da ausência de fundamento factual e palpável, é por de mais óbvio que a imputação visa desviar atenções do que realmente merece reflexão.

 

Antes de referir a reacção do candidato da lista "A", não podemos deixar de adiantar uma consideração que nos confrontou desde que tivemos ocasião de ponderar o conteúdo da referida carta: se alguma parte desta não corresponde inteiramente à verdade - e isto também é aplicável à tão badalada reestruturação financeira - era de esperar que Sikander Sattar (KPMG) viesse a público desmentir Godinho Lopes, especialmente considerando o seu apoio a Bruno de Carvalho, verificável pela sua inclusão na notória comissão do ainda presidente do Sporting. Como tal não aconteceu até ao momento, só nos parece lógico assumir que é tudo verdadeiro. Nenhum outro argumento faz sentido, por muito que se pretenda adornar o caso.

 

Tudo isto não obstante, a candidatura de Pedro Madeira Rodrigues reagiu em comunicado à acusação de José Maria Ricciardi, classificando esta como uma "mentira intencional e deliberada".

Leia o comunicado na íntegra:

«Tomámos conhecimento das declarações feitas por José Maria Ricciardi (JMR) em que este afirma que é Godinho Lopes quem está por trás da candidatura de Pedro Madeira Rodrigues. Esta mentira intencional e deliberada de JMR só vem demonstrar o desespero que reina na candidatura do candidato por si controlado. Só é possível perceber estas afirmações se levarmos em linha de conta que esta é a forma como JMR vê o mundo, um mundo em que aquilo que parece afinal não é. Triste o mundo cínico em que vive JMR, em que não é concebível haver pessoas como Pedro Madeira Rodrigues que têm vontade própria, a força e a coragem para se lançarem numa candidatura ao Sporting sem dependerem de ninguém a não ser da vontade dos sócios no dia das eleições.

Estas afirmações são sintomáticas da forma como JMR tem pautado toda a sua actuação na vida do Sporting CP como, de resto, ficou bem patente na gravação a que todos tivemos acesso. Reiteramos mais uma vez a independência da candidatura da lista de Pedro Madeira Rodrigues, demonstrada de resto pela forma frontal como temos abordado todos os temas e criticado quem tem de ser criticado. Não deixa, no entanto, de ser verdade que a candidatura de Pedro Madeira Rodrigues tem gente por trás a apoiar. São, inclusivamente, cada vez mais. São os sócios do Sporting Clube de Portugal. Pessoas sérias e honestas que com o seu voto, no dia 4 de Março, vão dizer o que querem para o nosso Clube. Basta de pseudosalvadores do Sporting, com tiques ditatoriais que não têm a coragem de assumir os seus objectivos».
 

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publicado às 04:25

 

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"Só há uma verdade...

 

Muito pensei e hesitei antes de decidir intervir em plena campanha eleitoral do Sporting Clube de Portugal. E isto porque me considero um indivíduo isento, que gosta muito do seu Clube e que naturalmente segue com atenção, ainda que à distância, este momento eleitoral.

 

Na verdade, desde cedo intuí que não me surpreenderia com o facto de que qualquer um dos candidatos falasse de mim ou usasse indevida ou abusivamente o meu nome. Afinal, já mesmo fora do contexto deste processo eleitoral foram a meu respeito proclamadas calúnias várias que, a seu momento e no devido local, os tribunais, esclarecerão os Sportinguistas e o público em geral sobre a verdade.

 

Posto isto, o que me levou a escrever estas palavras é, por um lado, a revelação de uma gravação; e, por outro, a invocação do meu nome por parte de José Maria Ricciardi num tom e numa linguagem que considero, no mínimo, ligeiros e abusivos.

 

Já muita gente irresponsável me destratou na televisão do Sporting e em outros meios de comunicação social. Mas sim, é gente irresponsável e sobre a qual não nutro qualquer respeito - tenha essa gente o lugar que tiver no clube... Gente que se considera maior do que o Sporting e que, por uma estrita questão de ego, acredita estar acima do Clube. Mas essa gente simplesmente ignoro-a e não dou resposta.

 

No entanto, crendo ainda ser José Maria uma pessoa de bem, entendo que devo repor a verdade em duas frentes:

 

- sobre a gravação, ouvi com atenção, telefonei a Sikander Sattar (pessoa em que acredito) e fiquei sem dúvidas de remontar a 2013. Não posso deixar de criticar veementemente a forma como se grava uma "reunião" e se usa a mesma, como se os presentes tivessem sabido e concordado na sua divulgação. Sobre o conteúdo, seguramente, quem esteve presente explicará;

 

- no que se refere ao propalado Plano de Reestruturação, não é natural que José Maria Ricciardi, embora não participando nas reuniões, ignorasse que se fizeram em 2012 e nos princípios de 2013. Embora Sportinguista dos "quatro costados", mas isso somos todos, prejudicou e sobremaneira o Clube pelas suas atitudes de querer controlar os candidatos. E não gostei das afirmações que ouvi.

 

José Maria "empurrava" Sikandar Sattar (e este sim, deu a cara vezes sem conta pelo Clube) para que convencesse os bancos a ajudar o Sporting. E também é verdade que José Maria me apoiou depois e que me acompanhou nas reuniões do Conselho Directivo.

 

Mas também no seu modo de querer controlar, recordo que Daniel Sampaio, em entrevista ao Diário de Notícias, revelou jantares com Eduardo Barroso nos quais diz que José Maria o incitava a ser Presidente - quando eu ainda era o Presidente. E já fora assim em 2009, com José Eduardo Bettencourt, quando se hesitava entre este actual administrador do Novo Banco e Eugénio Dias Ferreira como candidatos.

 

Não foi assim comigo pois, quando me pediu para ir a uma reunião, no início de 2011, convencido de que me iria condicionar, tratei de, taxativamente, o informar de que seria candidato às eleições.

 

Caro José Maria, sabes que a Reestruturação financeira estava pronta. Pronta, mas não por ti nem contigo. Pronta, sim, numa reunião final na KPMG, com os administradores dos dois bancos credores, Millennium e BES, Sikander Sattar e comigo.

 

Caro José Maria, quem salvou o Sporting foram os Sportinguistas, não algum Salvador ou milagre.

 

O tempo encarregar-se-á de repor a verdade e não é por tantas vezes invocares o meu nome que o "milagre" se vai fazer.

 

Cumprir com os bancos no primeiro ano não foi obra de um grande gestor, foi  apenas obrigação, para sobreviver. A partir daí basta olhar para as contratações e o desatino total.

 

Agora, caro José Maria, tanta preocupação e interesse, para mais consubstanciados ao longo de tantos anos de intervenções na sombra, não crês que estaria na altura de te candidatares e de, assim, demonstrares o teu amor, que conheço, pelo Sporting Clube de Portugal? E demonstrares que, como eu, não precisarias de te servir do Clube nem do Clube para viver? Ou será que nunca o farás por teres a perfeita noção, por fora claro, dos prejuízos pessoais, familiares, económicos, empresariais e de imagem que tal decisão acarreta - como em mim acarretou?

 

Sabes bem que o Sporting está acima de mim e que eu, por ele, me tenho mantido calado. Mas quando falam de mais de mim e me destratam de forma vil e mentirosa, não me calo. Nem hoje, nem nunca!"

 

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publicado às 16:52

Como falir o Sporting em poucos anos

Drake Wilson, em 27.02.17

 

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Análise Financeira por Bruno de Carvalho. A razão pela qual a RTP negou o Serviço Público...

 

 

Este é o verdadeiro projecto em curso no Sporting

 

Um documento-audio recentemente tornado público através das redes sociais, onde José Maria Ricciardi e Sikander Sattar – quais agentes administrativos da nossa SAD – refutam intenções de privatização/aquisição do Capital Social da SAD do Sporting, merece a devida reflexão por parte de todos os adeptos, em menor ou maior grau de familiaridade com a real situação económica do Clube. Trata-se de um dos maiores tabús leoninos – perder a maioria do Capital Social do Sporting para uma entidade privada. Um tema que conheço, sob o qual tenho já “assobiado” de soslaio em diversos textos pelo Camarote. Um dia estimado leitor, este será um tema obrigatório. Seja enquanto continuarmos nas mentiras presidencialistas que não revelam a verdade, seja quando acontecer a bancarrota voluntária/involuntária do Sporting, ou no dia em que estes dois senhores tomarem conta do nosso Clube – que ninguém duvide que existem pessoas a aguardar pelo momento certo para entrarem no Sporting. Bruno de Carvalho ainda não percebeu. E mesmo que tenha percebido, sabe que não tem arcaboiço para os dois anteriormente referidos. A “Restruturação” foi a pior coisa que poderia ter acontecido ao Sporting. Em Abril de 2016 mencionei algo a respeito. Ficámos à mercê.

 

O que valem as pessoas.

 

O Sporting está virtualmente erguido, mas estruturalmente de rastos. A minha modesta contribuição como redactor no Camarote, fundamentada com insistência em assuntos de ordem económica, intenciona o direito como sportinguista – de convicção e carácter – que me assiste, em alertar para o que se anda a passar de facto no Clube. Algumas reacções sensíveis à discussão destes temas, que aqui e além se foram manifestando embora engolidas pelo tempo, demonstram que infelizmente estamos pouco preparados para entender a verdade sobre algo inadiável. Para tal, muito contribui esta mentira que nos vendem todos os dias relativamente à “consagrada” salvação do Clube.

 

Conheço e acompanhei com consonante proximidade a ascensão de Sattar até à cerca de 10 anos. Um homem cuja remansada presença não revela a ubiquidade que detém em diversos quadrantes da nossa sociedade – a superior inquietação deste senhor foi desde sempre o poder da comunicação social, e per si, o desmantelamento ao abrigo da lei do que será a desresponsabilização de um "mero" auditor numa falência de milhões. Multiplique-se Sattar por 5, e obtemos a génese dos “donos disto tudo”, nesta nossa Nação tanto portuguesa, como sportinguista. Tudo isto começa quando o vazio se torna em heroísmo, ou quando o apedeuta se revê no mais talentoso dos seres.

 

Ontem mentira, hoje verdade. Amanhã ninguém se lembra.

 

Um exemplo em como a pouca-vergonha está instalada. O recente debate presidencial foi um lamentável exemplo do vazio no qual o nosso Clube se encontra, no que respeita a uma matéria humana crítica e conhecedora, capaz de impedir que o Sporting tenha os seus dias contados. Ignorando que outros detenham igual acesso ao conhecimento das reais contas do Clube como o próprio, Bruno de Carvalho teve a ousadia de – através da apresentação de prints feitos a mando ou pelo próprio – mentir em relação a números:

 

– “Redução do Passivo em 88 Milhões”, desconhecendo que o mesmo foi transformado em Valores Convertíveis e transportado para uma diferente secção do Relatório & Contas.

 

– “Melhoria dos Capitais Próprios em 90 Milhões”, quando na realidade se trata de uma consequência directa da medida acima descrita.

 

– “Resultados sempre acima de 3 Milhões…”, o que por redundante lapso, apenas acontece em 2015 (2014 foi positivo mas apenas nos €368 Mil, e não €3 Milhões), com um 2016 a terminar nos €31 Milhões negativos…

 

– “Resultados da SAD sempre positivos 2 anos”, assumindo posteriormente a versão correcta, sem se aperceber.

 

– “Direitos de TV em 2012 de €12,500 Milhões, 2013 de €11,5 Milhões, 2014 cerca de €15,300 Milhões, 2015 de €20,5 Milhões, 2016 de €26,218…”, extrapolando os números sob sua gestão – em 2015 foram €17,353 e 2016 foram €24,809 Milhões.

 

– “Passámos os patrocínios e publicidade de €9,5 Milhões para €12 Milhões”, quando na realidade o Sporting baixou de €10,181 Milhões de 2015 para €9,921 Milhões em 2016.

 

Que nos tenha passado ao lado por mero desconhecimento, considera-se aceitável. Mas vergonhoso foi, quando em pleno directo com 1h30 de debate, Bruno de Carvalho omite a brutal ascensão dos seus custos operacionais em Junho de 2016, através de um gráfico onde a linha dos custos se submete visualmente à referência dos proveitos, empolando a verbalização dos ganhos, encobrindo a mais do que duplicação de custos com imparidades de 2016 (€80,110 Milhões) em relação a 2014 (€31,081 Milhões). Se o leitor tiver interesse em fazer estas contas, facilmente percebe que Markovic, Elias e Meli são dispensados para evitar a apresentação de Custos com Pessoal em Junho de 2017, na ordem dos… €62,950 Milhões/estimativa, tendo como base os valores apresentados no último trimestre.

 

Existem Óscares para gestão financeira em Portugal?

 

Estamos a falar de um valor em ordenados que supera em 400% o Orçamento Anual desejado para o Futebol – temos de entender que só com Ofertas Públicas de Subscrição e Cash-Advance o Sporting pode ombrear com orçamentos de SL Benfica e FC Porto – por enquanto esta é a realidade que temos de aceitar, a bem ou a mal. Estamos a falar que só em vencimentos da estrutura do Futebol, os Rendimentos Operacionais são absorvidos em quase 93%. Qualquer aluno de Ensino Secundário, com razoável conhecimento de Matemática, sabe que isto é o mais aproximado a uma tragédia – fazer contas a transacções de atletas para desculpar esta alarvidade, é o caminho que Ricciardi e Sattar desejam que os adeptos façam.

 

Uma palavra para Pedro Madeira Rodrigues

 

Pedro Madeira Rodrigues, independentemente da apreciação que cada um de nós faça ao talento para o cargo a que se candidata, merece o respeito de todos os sportinguistas. Para lá de um homem calmo ou acutilante, diplomático ou acusador, está um ser humano que tem uma família e uma carreira, e que em prejuízo destes, tomou a decisão que tomou – arriscar por aquilo que acredita. Em 2 meses, Madeira Rodrigues estruturou uma equipa e uma campanha, viajou e reuniu. Seguramente que nem tudo lhe correu bem, mas de certeza que neste período, fez mais trabalho institucional que Bruno de Carvalho em 4 anos. E tudo isto, sempre de sorriso e olhar amigo, não por benefício pessoal, mas pelo Sporting.

 

Se ganhar, merece o apoio de todos. Se não vencer, todos lhe devemos uma palavra de amizade por aquilo que ofereceu, de livre vontade.

 

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publicado às 10:00

Foto do Dia

Rui Gomes, em 27.02.17

 

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O que ontem era verdade hoje é mentira... e vice-versa.

 

 

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publicado às 04:28

 

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Falando no Núcleo Sportinguista de Vendas Novas, Pedro Madeira Rodrigues respondeu à letra a Ricciardi, pela ameaça deste de avançar com um processo-crime em Tribunal, por difamação:

 

«Uma pessoa dessas colocar-me um processo é um prazer. Ele de facto já deve ter levado com muitos, é a primeira vez que levo um.

 

Jaime Marta Soares também me ameaçou. É uma das medalhas que levo desta campanha. O que disse ontem é verdade. Disse o nome dele, mas devia ter dito BESI ou Haitong. Eles ganharam comissões, tenho provas disso.

 

Caso se confirme o processo, Ricciardi não tem qualquer chance de ganhar. Vai ser muito bom vencermos estas eleições e vermo-nos livres de Ricciardi. É um putativo presidente do Sporting, que nunca teve a coragem que eu tive de se lançar para presidente. Pode ser que daqui a quatro anos seja um adversário meu».

 

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publicado às 04:32

O pior cego é aquele que não quer ver

Ricardo Leão, em 02.01.16

 

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(...) "É extraordinário [o desempenho do Sporting esta época], pois a equipa é praticamente a mesma."(...)

J.M. Ricciardi

 

Creio que Ricciardi não vê um jogo do Sporting há uns meses bastante largos... A equipa é praticamente a mesma!? Só se o "praticamente" for com a excepção de todos os reforços recebidos na era Jesus, claro está! Bem diz Leonardo Jardim que, para ser melhor do que ele, Jesus vai ter de ganhar o título.

 

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publicado às 08:06

A verdade, precisa-se...

Rui Gomes, em 24.01.15

 

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Quem desejar saber a verdade, toda a verdade, e nada menos do que a verdade, deve ler a crónica de hoje de José Eduardo, no jornal "A Bola", intitulada:

 

«História - A revolução no SCP (XLVII)»

 

(O acordo entre Ricciardi e Bruno de Carvalho)

 

Aparentemente, o "Zé dos Tachos" continua a ser o papagaio de serviço, mesmo com o "blackout" em vigor.

 

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Muito especial, apenas hoje, pode ler aqui a edição deste sábado do jornal "A Bola". Na realidade, não devia promover este diário e menos ainda o artigo do acima referido. Enfim...

 

 

 

 

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publicado às 04:06

As palavras do Dr. Ricciardi

Desert Lion, em 21.10.13

 

 

 

Respondendo a um desafio do nosso comentador HY, que apesar de muitas vezes estar em desacordo connosco, sempre o fez com enorme inteligência, respeito e educação, permitindo um debate civilizado de ideias - ao contrário de outros que parecem ter inclinações mais belicosas -, passarei aqui a dar a minha interpretação sobre as palavras do Dr. Ricciardi:

 

O que eu penso que se conseguiu foi uma reestruturação que foi positiva, não só para os dois bancos (BCP e BES) como para o Sporting, mas também muito dura. Estávamos a falar há pouco da consolidação das nossas contas públicas, ora o que isso representa para o Sporting também é muito duro [...] O Sporting passou a ter de ter um orçamento que é talvez menos de metade daquele que tinha anteriormente, mas, como se vê, no futebol profissional não é só o dinheiro que faz com que os clubes consigam ter melhores ou piores desempenhos. Basta olhar para exemplos como o Braga ou o Paços de Ferreira, que, no ano passado ficou em terceiro lugar. Foi uma boa reestruturação, acho que se conseguiu que o Sporting ficasse com a situação financeira estabilizada, mas, por outro lado, para que isso fosse possível, foi preciso que o Sporting fizesse um trabalho extremamente duro e corajoso na diminuição dos seus custos [...] Fiquei surpreso, não por ser este presidente, mas porque a tarefa seria muito difícil para qualquer um”.


No que concerne às palavras finais, de louvor ao trabalho duro e a capacidade para enfrentar a dificuldade da tarefa da reestruturação, penso

que essa será a opinião geral, e também nós aqui já o havíamos louvado e referido. Passo a citar parte do meu post de análise aos primeiros 6 meses de vigência desta Direcção Leonina:


“- Gostei da reestruturação financeira. Quem não tem cão caça com gato e foi o que a nova Direcção fez. Ameaçou não pagar e, aproveitando a fraqueza estrutural dos nossos credores (BCP e BES estão com graves prejuízos que não podem deixar agravar ainda mais), conseguimos um acordo que nos permitiu sobreviver, se bem que limitados e dentro de baias extremamente curtas.

- Gostei que tivesse avançado a redefinição de meios – incluindo meios humanos - do Clube e SAD. Apesar de não ter sido feita nos moldes que me pareciam mais adequados, houve a coragem de reestruturar e mexer com hábitos e direitos adquiridos, o que é de louvar.

- Gostei da reestruturação informada das actividades amadoras – contra a qual antes batalhei e do aqui faço um mea culpa. O presidente referiu que as diminuições de orçamentos estariam em linha com o que os outros grandes iriam fazer e, tanto quanto fui lendo, parece que tal se confirmou. Foi pois bem pensado e estrategicamente correcto reduzir os orçamentos quando a concorrência também o fez, não desperdiçando os muito escassos meios de que vamos dispondo.”

 

Pergunta depois o HY porque é que, estando o Dr. Ricciardi no CFD há tanto tempo, nunca se lembrou de que talvez este caminho, do corte radical de custos, fosse o mais correcto. E posso-lhe responder aqui que estou certo de que, muitas vezes, se terá lembrado disso. No entanto, houve sempre a convicção de que assumir um orçamento de 20 milhões, contra cerca do triplo ou quádruplo dos nossos rivais, Benfica e Porto, nos condenaria a uma situação de subalternidade competitiva permanente, pontuada aqui e ali por um ou outro sucesso, obtido de modo não sustentável. Assumiu-se que a sustentabilidade de um Clube que terá cerca de metade da massa crítica do seu maior rival (Benfica) só poderia advir de uma gestão semelhante à do outro rival (Porto), em que os sucessos desportivos, propiciassem receitas (via TV, Champions, bilheteira, patrocínios, venda de jogadores e outras), que por sua vez permitiriam reforçar a componente desportiva, para se gerarem mais sucessos, e assim sucessivamente. Esta aposta precisaria de um esforço inicial de investimento, que foi o que vários presidentes tentaram fazer – o Dr. Soares Franco com a venda do património e as VMOCS iniciais, o Dr. Bettencourt com crédito (até lho cortarem...), e o Eng. Godinho Lopes com recurso a crédito e recursos diversos de Fundos -, para depois se colherem os frutos em vitórias. Um Clube vencedor atrairia também investidores externos e, com as essas injecções de capital, liquidar-se-iam os créditos iniciais, deixando o Clube a gerir tranquilamente os seus activos vencedores, sob controlo de profissionais do desporto e finanças.

 

Esta estratégia de risco nunca resultou, fundamentalmente porque nunca houve uma gestão desportiva capaz no Sporting. Centenas de jogadores entraram e saíram sem sequer se saber sequer se eram bons ou maus. Mas também porque, sejamos justos para quem passou pelo Clube, nos foram cortadas as pernas em momentos críticos da ultima década e meia... E sim, estou a falar de arbitragens “frutadas” que nos arredaram da compita, geralmente logo antes do Natal. Estas, não só nos destruíram campeonatos, como nos impediram de solidificar equipas e jogadores, transformando os bons em médios e os médios em medíocres. Como referi no meu primeiro post neste blogue, só durante três épocas houve sorteio nas nomeações de árbitros em Portugal, tendo, curiosamente, o Sporting sido campeão em duas delas.

 

Gostava ainda de aqui recordar que também o actual presidente do SCP advogava essa política mais “pró-investimento”, há dois anos e meio atrás. Foi ele que apareceu com um Fundo de 50 milhões de euros para comprar jogadores para o Sporting que, naturalmente, comparticiparia dessas compras e pagaria os salários e os outros custos. Ou seja, as filosofias de gestão que nos foram propostas aos longo dos últimos anos não diferiram muito, até o Clube chegar a uma situação em que já não havia dinheiro (nem crédito) para nada. Chegados aí, quer BdC quer Couceiro prometeram fazer uma redução das despesas e adaptar o Clube à sua realidade. BdC ganhou e fê-lo, não se notando quebras de competitividade, pelo menos até esta altura. Só podemos aplaudir e desejar que se consiga manter o mesmo nível ao longo  de toda a época, quer no futebol (SAD), quer nas modalidades a cargo do Clube.

 

Apenas uma última nota para a posição do Dr. Ricciardi, que sempre se “esticou” muito pelo SCP. Os montantes investidos pelo BES no Clube foram, constantemente, objecto da discordância da generalidade do Conselho de Administração (o que, aliás, é público), sendo o Dr. Ricciardi a, de uma forma quase pessoal, insistir para que fosse permitido o aumento de exposição da Banca ao Clube (com taxas de juro e condições invejáveis), nos momentos em que este mais precisou.

 

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publicado às 12:41

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