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Deus é do Sporting.

Drake Wilson, em 06.03.17

 

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“Qual a coisa mais importante para o Homem? Se a maior necessidade do Homem fosse o dinheiro, Deus ter-nos-ia enviado um Ministro da Economia. Se fosse a protecção, Deus teria enviado um Chefe de Polícia. Se fosse um emprego melhor, Deus teria enviado um Ministro do Trabalho. Se fosse a Saúde, Deus teria enviado um Médico. No entanto, por Ele entender que o mais importante é a própria relação do Homem com Deus, enviou-nos o Salvador Divino…”

 


A febre de Sábado à noite – Como no Sporting as coisas geralmente começam

 

Em inequívoca manifestação de intenções por parte dos associados, Bruno de Carvalho foi com quase 90% dos votos, reeleito este Sábado como Presidente do Sporting. Uma esmagadora vitória sobre a outra candidatura, que deixou a nú dois factos de análise: Carvalho tem do seu lado a larga maioria dos adeptos, e estes, emocionalmente ligados à sua mensagem, quase que por unanimidade rejeitam qualquer contestação à sua obra. Um invulgar estado de graça, diria, que não requer grande ciência para ser explicado: em 4 anos debateu-se tudo menos Sporting. Nomeações, Árbitros, Vouchers, Doyen, Benfica, etc… tudo isto gerou a desgastante ilusão de que tudo o que corre mal em Alvalade advém de um alheio que intenciona sempre em prejuízo do Clube. Enquanto os adeptos recebem estas pistas e procuram pelo infame sabotador, gera-se uma onda de solidariedade ao Presidente. Assistimos a isto no final da época passada, como se assistiu agora, quando Bruno de Carvalho se dirigiu ao palanque no alto de uma tribuna improvisada, após o resultado eleitoral. Viva o Sporting, porque a culpa nunca é nossa.


Hoje, é notório que o adepto sportinguista vive em torno de um estado psicótico de perseguição – já não se discute Sporting, discute-se sim o “Inimigo da Semana”. Qualquer voz discordante que se imponha ou candidato que surja, logo é considerado como anti-Sporting. Anti-estabilidade. Anti-Bruno de Carvalho. Assim, se dúvidas existirem, elas que se dissipem: neste Sábado, não existiram eleições. Existiu sim uma solene manifestação de apoio ao actual Presidente por parte dos adeptos. Isto revela o vazio no qual o Clube se encontra – esta mobilização dos adeptos em torno do escrutínio eleitoral deveu-se, essencialmente, a uma dívida de gratidão que estes sentem para com um homem, e não para com o Clube. Assim, não terei pejo em afirmar que Bruno de Carvalho vai estar muitos anos no Sporting, provavelmente mais do que o próprio João Rocha. A efígie de Bruno de Carvalho tornou-se já indissociável do nosso Sporting Clube de Portugal, em definitivo, para a maioria dos adeptos. Carvalho é hoje, uma espécie de Deus.

 

A azia de Domingo à noite – Como no Sporting as coisas geralmente acabam.

 

Apesar da minha contribuição para o Sporting ser feita de bom grado, tanto pelos anos de associado como pelo Camarote que detenho no Estádio, não consigo sentir empatia por este nosso “estado da nação”. Trata-se de uma prosaica distância entre o gostar do Sporting, e o gostar deste Sporting em particular. Confesso que, entre a qualidade dos croquetes disponibilizados pelo Catering de José Eduardo ou o trovar de uma versão contrafeita de Sinatra antes de cada partida, o resultado do jogo com o Guimarães torna-se um mal menor nesta noite de Domingo. Já tudo isto para mim é um frete. Chego a casa, “puxo” a programação para trás e assisto à conferência de imprensa de Jorge Jesus. Fala o iletrado sobre o meu Sporting, um tipo que ganha 7 Milhões para falar do passado, da falta de estrutura, do FC Porto e do SL Benfica. Ok, chega de Futebol. A minha família é mais importante do que isto.

 

É por isso que me choca a falta de honestidade intelectual dos adeptos. A nossa vida tem sido constantemente a mesma, onde se termina um Sábado em apoteose e um Domingo em tristeza. São 20, 30, 40 anos disto. Os mesmos adeptos que legitimam a vitalidade do Sporting pela tremenda mobilização ao voto, não comparecem nas Assembleias Gerais, não têm opinião quando esta seria importante, nem distinguem um Resultado Líquido de um Rendimento Operacional. Os adeptos andam embebedados com a mesma conversa de sempre, como se entre conversa e acção não existisse diferença. Diz Bruno de Carvalho, mais uma vez, que os adversários até tremem… Provavelmente tremem com o Dom de um homem que só reconhece o âmago da derrota em cada pelouro no qual se senta. Seja no banco de suplentes da equipa de Futebol, ou no banco de qualquer empresa de construção.

 

Eu sou filho de alguém importante. De Deus, por exemplo.

 

Não gostaria de terminar este texto sem relembrar uma das inúmeras demonstrações de pedantismo por parte de Bruno de Carvalho, nomeadamente a alusão constante da obra do seu Tio-Avô. "Colando-se" frequentemente à sombra de José Pinheiro de Azevedo (que por sua vez ficou na sombra de António Ramalho Eanes – foi para mim um dos maiores portugueses de todos os tempos – nas eleições de 76), a Bruno de Carvalho fica-lhe mal tamanha paridade. Carvalho não tem nem obra nem mundo para este efeito. Se fosse inteligente, o Presidente do Sporting poderia referir alguém mais próximo, como por exemplo o meu estimado Vítor Rabaça Gaspar, seu primo. Vitor Gaspar, que foi um dos homens mais inteligentes que passou por algum Governo da nossa República, um dia disse acerca de Bruno de Carvalho, ao semanário Sol: "Nós eramos muito amigos, mas quando ele ficava de trombas ninguém lhe podia dizer nada. Já não me dou com esse indivíduo, desde os tempos da faculdade que ficou com a mania que é o maior e eu não gosto de gente arrogante (...) a mim é que ele não me oferecesse o cachimbo de água marroquino e os charutos cubanos como costuma fazer às pessoas que recebe em casa dele."

 

Com algum humor, descobri que tenho algo em comum com Bruno de Carvalho: os charutos. Estes, juntamente com um Courvoisier, são uma bela maneira de passar o tempo enquanto a bola rola no relvado. Fica a sugestão ao Presidente, para o dia em que decidir abandonar o banco onde se senta. De suplentes, diga-se, para bom entendedor.

 

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publicado às 10:00

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