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Fotografia com história dentro (84)

Leão Zargo, em 11.02.18

 

F. Mendes, A. Capela e J. Carlos Taça das Taças

 

António Capela

 

António Capela (n. em 1927, f. em 1996) foi um fascinante fotógrafo desportivo que trabalhou na década de 1940 na mítica revista Stadium, passando depois pelo Diário Popular, jornal do Sporting e Record, entre outros. Dignificou imenso a sua classe profissional com fotografias feitas sempre com extraordinário rigor, brio, paixão, intuição e talento, e que pertencem ao imaginário de todos aqueles que acompanham o desporto-rei.

 

Procurou sempre conciliar as suas duas maiores paixões da vida, a fotografia e o Sporting, procurando estar presente nos grandes momentos desportivos do Clube. Foi o caso da final com o MTK de Budapeste para a Taça das Taças em 1964, quando se fez fotografar pegando no troféu entre Fernando Mendes e José Carlos. Pelo seu profissionalismo, personalidade e sensibilidade estabeleceu relações de proximidade pessoal com inúmeros jogadores leoninos. Quem o conheceu realça como nele a arte e o pensamento livre se conjugaram em diversas circunstâncias.

 

O Sporting homenageou-o atribuindo o nome de António Capela à sala de imprensa da Academia de Alcochete. No contexto da comemoração do Centenário do Clube, em 2006, esteve patente no Estádio de Alvalade uma exposição intitulada “Memória com Futuro”, com cinquenta trabalhos do fotógrafo. Entre os prémios de carreira que recebeu, destaca-se a medalha de “Bons Serviços” atribuída pelo Clube Nacional de Imprensa Desportiva, em 1995.

 

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publicado às 13:45

Fotografia com história dentro (73)

Leão Zargo, em 26.11.17

 

Pérides Taça das Taças.jpg

 

José Pérides

 

José Peridis (Pérides) nasceu em Moçambique em 1935, filho de um emigrante grego que por lá se fixou. A revista Ídolos do Desporto chamou-lhe o “Luso-Grego de Tete”. Veio para Portugal em 1953 para jogar nos juniores da Académica, o Sporting contratou-o três anos depois e foi leão até 1964, com uma curta passagem pela Covilhã. Era um médio interior e extremo tecnicista e criativo, mas bastante irregular. Com o tempo recuou alguns metros no terreno para funções menos atacantes.

 

O treinador Anselmo Fernandes não ficou satisfeito com a prestação defensiva do Sporting na final com o MTK que terminou empatada a 3-3. Por essa razão, questionou os jogadores sobre quem dava mais confiança à defesa, o Pérides ou o Bé. O luso-grego mereceu a confiança dos companheiros e avançou para a finalíssima.

 

Numa bola parada, Pérides encolheu-se e não saltou com o jogador que tinha de marcar, que cabeceou sem oposição e só não fez golo por acaso. A bola saiu mesmo junto ao poste. Consta que o guarda-redes Carvalho lhe deu uma estalada, mas o capitão Fernando Mendes resumiu tudo da seguinte maneira: “agarrámos-lhe no pescoço e chamámos-lhe filho de tudo e mais alguma coisa. Aquilo foi uma cena mesmo canalha, ‘pusemos-te aqui dentro e agora tens de cumprir’. Ele lá reconsiderou e melhorou muito.” (in “Estórias d'Alvalade”, de Luís Miguel Pereira). Curiosamente, a finalíssima de Antuérpia foi o seu último jogo com a camisola leonina, pois assinou contrato pouco tempo depois pelo Benfica.

 

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publicado às 12:26

Fotografia com história dentro (57)

Leão Zargo, em 30.07.17

 

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Osvaldo Silva e a eliminatória com o O. Lyonnais em 1964

 

Osvaldo Silva teve muitos jogos de glória com a camisola leonina, entre 1962 e 1966. Foi um excelente jogador de futebol, um médio de ataque explosivo, a faísca da equipa, e que desempenhou um papel fundamental na caminhada épica pela Taça das Taças em 1964. Anselmo Fernandez e Juca tinham grande confiança nele. É muito referido o seu hat-trick naquela noite prodigiosa do Sporting - Manchester United quando obrigou David Gaskell a ir buscar a bola ao fundo das redes aos 2, 11 e 54 minutos.

 

Mas, houve outra eliminatória dessa Taça das Taças que ficou para a história e que é recordada frequentemente pelos sportinguistas. Foram os três jogos nas meias-finais com o Olympique Lyonnais, onde jogavam dois craques temíveis, Combin e Di Nallo. Depois dos empates em Lyon (0-0) e em Alvalade (1-1), as duas equipas defrontaram-se no Metropolitano de Madrid para o desempate. O desafio decorria com muita luta e muito equilíbrio, quando, num imprevisto, aos 65 minutos de jogo, “Osvaldão” inventou um remate à meia volta que deu o golo que eliminou os franceses.

 

Naquela noite madrilena Osvaldo Silva foi a principal figura em campo, pelo que jogou, pelo que fez jogar e por esse lance decisivo. Um gigante! E a final de Bruxelas ficou logo ali ao alcance de uma mão.

 

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publicado às 14:29

Fotografia com história dentro (56)

Leão Zargo, em 23.07.17

 

Taça das Taças desfile em Lisboa 16.5.1964.jpg

  

Sinal de esperança!

 

A comitiva sportinguista regressou a Lisboa no dia seguinte à vitória na finalíssima em Antuérpia da Taça das Taças disputada em 15 de Maio de 1964. A viagem foi um tanto rocambolesca com um percurso de comboio até Paris para se conseguir uma ligação aérea directa para Portugal. As bagagens desapareceram no aeroporto, mas reapareceram em Alvalade.

 

A direcção leonina preparou um desfile em caravana automóvel desde o aeroporto de Lisboa até ao Estádio de Alvalade. Depois da recepção no Estádio, os jogadores foram à casa do infortunado Hilário, para que ele também beijasse a taça, e dali para o Portugal – Inglaterra no Jamor, para a apresentação nacional dos vencedores. O avançado Figueiredo diria mais tarde que nunca tinha visto uma coisa assim e que houve alturas em que os automóveis não conseguiam avançar tão grande era o entusiasmo de quem se acumulava nos passeios e invadia as ruas.

 

Ao contrário do que pode parecer, esta fotografia não é sobre o passado, pois na realidade refere-se ao presente. O presente é a esperança da conquista do título nacional em 2017-18, o desejo de que os jogadores leoninos saibam minimizar as suas fraquezas e potenciar as suas forças. E que os dirigentes e os técnicos sejam capazes de estar sempre à altura das circunstâncias e das responsabilidades.

 

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publicado às 15:00

Manuel Pedro Gomes.jpg

 

O livro “Uma Taça Uma Vida”, de Manuel Pedro Gomes, foi publicado em 2014 no contexto da comemoração dos cinquenta anos da conquista pelo Sporting da Taça das Taças, mas continua a suscitar o interesse dos sportinguistas e a ser reeditado. Vai já na 3ª edição. Com inteira justiça, pois, a partir da sua memória pessoal e de um texto intimista, o antigo jogador leonino oferece-nos uma narrativa que recorda e homenageia todos aqueles que contribuíram para esse magnífico triunfo europeu.

 

Para além dele próprio, o autor recorda os jogadores que participaram na epopeia: Alexandre Baptista, Alfredo, Augusto, Bé, Carvalho, David Julius, Fernando Mendes, Ferreira Pinto, Figueiredo, Géo, Hilário, José Carlos, Louro, Lúcio, Mário Lino, Mascarenhas, Monteiro, Morais, Osvaldo Silva e Pérides. Com excepção dos jogos da 1ª eliminatória com o Atalanta, Pedro Gomes alinhou em todos que se seguiram, sempre na posição de defesa-direito. Essa condição permitiu-lhe uma narrativa quase autobiográfica, cheia de pequenas histórias bem reveladoras do estado de espírito e da intimidade da equipa leonina.

 

Mas, o atleta-escritor não esquece todos os outros, aqueles que só aparentemente estavam fora do campo, pois que também entraram para o relvado em cada um dos jogos: “o homem da relva, os roupeiros, os massagistas, os médicos, os treinadores, os dirigentes, os familiares dos jogadores, a comunicação social”.

 

Na apresentação do livro no Café In, em Lisboa, em 2014, Pedro Gomes assinalou que pretendeu “contar a viagem ao interior da Taça das Taças de 1964, absorver todos os intervenientes da odisseia”. E logo acrescentou que “as pessoas que se lembrarem deste percurso vão chorar de saudade quando lerem o livro. Pois também se pode chorar por coisas boas. E esta é, sem dúvida, uma coisa boa”.

 

O autor dedicou aos vinte e um jogadores sportinguistas uma nota biográfica individual. Todos eles ficaram imortalizados da mesma maneira, destacando-se apenas o inesquecível capitão Fernando Mendes. Dele disse Pedro Gomes que “era um óptimo colega e um excelente capitão. Era o que se entregava mais à luta. E fica imortalizado na história do Sporting. Aquele gesto de levantar a Taça foi um enorme abraço de amor a todos os sportinguistas”.

 

O livro “Uma Taça Uma Vida” destina-se a todas as gerações de sportinguistas. As que vibram ainda com as conquistas do passado, como as que procuram no passado as memórias que enobreçam o presente.

 

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publicado às 12:33

Fotografia com história dentro (37)

Leão Zargo, em 19.03.17

 

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Anselmo Fernández

 

A fotografia refere-se à forma vibrante como o treinador Anselmo Fernández viveu no banco leonino a noite épica dos 5-0 ao Manchester United, em 18 de Março de 1964. O arquitecto do Estádio de Alvalade (1956) substituíra uma semana antes Gentil Cardoso na orientação técnica da equipa do Sporting, já se tinha sentado no banco num empate com o Benfica na Luz (2-2), e este era o seu primeiro jogo internacional.

 

Anselmo Fernández, que desempenhava as funções de observador das equipas que os leões defrontavam nas competições europeias, era um estudioso do futebol e possuía uma grande versatilidade táctica. Com ironia, costumava dizer que “julgo nunca ter actuado mais de 20 minutos seguidos com a mesma táctica”. Foi um dos primeiros treinadores no mundo a recorrer a imagens gravadas de televisão para que os seus jogadores analisassem com rigor a equipa adversária.

 

Profundo conhecedor dos ‘red devils’ de Bobby Charlton e Denis Law, Fernández procedeu apenas a duas alterações naquela partida decisiva: substituiu o extremo Alfredo por Mascarenhas e concedeu liberdade de acção a Osvaldo Silva. O plano foi perfeito, pois Mascarenhas dinamitou a defesa inglesa e Osvaldo fez um jogo de sonho coroado com um hat-trick. A finalíssima de Antuérpia ficou ao alcance da mão!

 

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publicado às 12:40

Fotografia com história dentro (19)

Leão Zargo, em 23.10.16

 

A festa do golo.jpg

 

A festa do golo!

 

 

No Estádio esperamos ansiosamente pelo momento em que a nossa equipa concretiza, finalmente, uma jogada em golo. Quando o golo acontece, quando a nossa equipa vence, o mundo agrada-nos tal como é e tudo nos parece perfeito tal como existe. Na vida, pelo menos por um momento, naquele momento, tudo se aquieta e fica de acordo com a nossa ilusão.

 

Na fotografia, os jogadores do Sporting festejam o desejado golo. Pela arquitectura do Estádio, reacção dos espectadores, painel publicitário, equipamento e identificação dos jogadores leoninos (Osvaldo Silva, Mascarenhas, Pérides, Figueiredo, João Morais e Géo), suponho que se trata de um jogo no estrangeiro para a Taça das Taças, em 1964.

 

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publicado às 14:22

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