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É por de mais óbvio que ainda existe alguma confusão entre adeptos relativamente ao todo do sistema de vídeo-árbitro. Surgiram aqui algumas considerações conflituosas que me levaram a indagar a informação necessária. Aproveito para esclarecer, desde já, que contrário à ideia de alguns leitores, o sistema recorre às mesmas câmaras que são usadas na transmissão televisiva dos jogos, embora seja possível - depreende-se em casos excepcionais - usar câmaras adicionais. Isto significa que os telespectadores têm acesso às mesmas imagens que estão disponíveis a quem está perante os respectivos monitores.

 

- Quem vai desempenhar as funções de vídeo-árbitro? 


Podem exercer as funções de vídeo-árbitros os juízes de primeira categoria que estejam no activo e aqueles que tenham terminado a carreira há pouco tempo. Neste segundo caso, só podem ser escolhidos árbitros que tenham apitado na categoria dos jogos que vão analisar. A FPF segue, neste caso, as normas do IFAB (International Board), o órgão independente que estipula as leis do futebol.


- Onde está o vídeo-árbitro em cada jogo?


O projecto da Federação Portuguesa de Futebol prevê a instalação de um centro de vídeo-arbitragem na cidade do Futebol, junto ao Estádio Nacional, em Oeiras. A ideia é que as imagens sejam transmitidas dos estádios para este centro, onde ficarão colocados os vídeo-árbitros. Estes vão estar em contacto áudio permanente com os colegas que apitam no relvado. Os testes realizados até agora permitem esperar que haja um intervalo máximo de 1,7 segundos entre o lance e a chegada das imagens respectivas ao centro. Numa primeira fase, é possível que sejam usadas carrinhas móveis, com a presença física do vídeo-árbitro no estádio onde o jogo decorre. Sobretudo no caso de estádios onde o sistema de transmissão por fibra não esteja ainda em pleno funcionamento.

- Que lances vão ser analisados?


O vídeo-árbitro vai dar indicações ao juiz da partida na validação de golos, amostragem de cartões de vermelhos, expulsões de jogadores e na identificação de infracções disciplinares que possam não ter sido detectadas durante o jogo. A qualquer momento, o árbitro pode solicitar o apoio do vídeo-árbitro ou, ele próprio, consultar as imagens dos lances através de monitores colocados no lado oposto ao do banco dos suplentes.

No caso dos golos, o vídeo-árbitro vai analisar a jogada desde o seu início, esclarecendo se houve ou não alguma falta, fora de jogo ou outra irregularidade desde o início do lance. Nos casos disciplinares, a intervenção do vídeo-árbitro visa, sobretudo, esclarecer dúvidas sobre a correcta identificação dos infractores e dos factos que dão origem ao castigo.

 

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- A indicação do vídeo-árbitro sobrepõe-se à do árbitro?


Não. A decisão final sobre o lance em causa cabe sempre ao árbitro da partida. Aliás, o árbitro de jogo tem sempre de tomar uma decisão durante o jogo e só depois pode pedir a opinião do vídeo-árbitro. Não pode parar o jogo para decidir, tem de decidir primeiro e verificar depois. 

 

- Que câmaras vão ser usadas?


O sistema recorre às mesmas câmaras que são usadas na transmissão televisiva dos jogos. Caso seja necessário, poderão ser usadas câmaras adicionais.

 

- Qual o primeiro jogo a recorrer ao vídeo árbitro?


Já houve várias experiências de utilização de vídeo-árbitro em jogos do campeonato e da Taça de Portugal, mas sempre em modo off-line, ou seja, sem que houvesse intervenção deste na partida. A final da Taça de Portugal entre o Benfica e o Guimarães, realizada a 28 de Maio, foi a primeira vez que se usou o sistema com a possibilidade de ter influência no jogo. Esta operação foi feita com uma carrinha de exteriores colocada junto ao Estádio do Jamor.

 

- As imagens podem ser vistas à posteriori para efeito de castigos disciplinares?


A questão ainda está a ser analisada. Em princípio, tal não deveria acontecer, mas uma vez que as imagens do vídeo-árbitro  são as mesmas da transmissão televisiva, é natural que possam ser usadas depois dos jogos, para avaliar situações que impliquem sanções disciplinares.

 

- Como se vai proceder quando houver vários jogos em simultâneo?


A FPF pretende centralizar o sistema na cidade do futebol, mas está previsto o uso de carrinha de exteriores em estádios que não garantem uma ligação rápida a Oeiras. As mesmas carrinhas deverão ser usadas quando houver vários jogos em simultâneo – sobretudo no caso da última jornada do campeonato, em que adversários directos jogam à mesma hora.

 

- Quanto custa o sistema?


A Federação avançou com o número de 1 milhão de euros para pagar todo o sistema, mas é provável que este valor seja largamente ultrapassado. Até porque, numa primeira fase, o recurso a carrinhas – com as despesas de deslocação de árbitros e técnicos -  deverá ser necessário.

 

- Quanto recebe cada vídeo-árbitro?


O valor ainda não foi divulgado pela Federação, mas deverá rondar os 400 euros por jogo.

 

- As equipas podem solicitar a intervenção do vídeo-árbitro?


Para já, essa possibilidade não está prevista, mas fonte da Federação revela que esse cenário foi ponderado e poderá acontecer no futuro. Por agora, apenas o árbitro da partida pode pedir para ver as imagens. Os ecrãs em que o juiz do jogo pode ver as imagens serão propositadamente colocados no lado oposto ao dos bancos das equipas, para evitar que se instale a confusão enquanto o juiz toma uma decisão.

 

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publicado às 03:47

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24 comentários

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De Pedro O. a 11.08.2017 às 12:13

sem entrar naquele folclore dos braços, dos empurrões, das intensidades, onde acho que o VAD não deve (por regra) intervir, parece-me no entanto que o golo anulado ao Ricardo Horta, é uma situação preocupante e que para bem da credibilidade deveria ser esclarecido pelo CA.

O VAD, no meu entender é uma ferramenta que escrutina e valida aquilo que é metricamente "validavel", concretamente a questão dos off-sides.

Das imagens disponibilizadas, é claro que Ricardo Horta não está à frente do penultimo defesa do slb (Seferovic), seria importante para bem da transparência que fosse detalhado o seguinte:

- Que imagens foram analisadas pelo VAD nesse mesmo lance?
- Que diferenças eventualmente existirão quanto ao acesso a TODAS as imagens de TODAS as camaras, das produções SPORTV e BTV? (pode o protocolo ser rigorosamente igual, mas convém confirmar essa informação)
- A geração de linha virtual de off-side é da responsabilidade do produtor da transmissão? Que razões levam a que a linha virtual seja visivel nalgumas transmissões e noutras não?

Sem dramatizar, sem entrar naquela coreografia onde não me revejo de meu clube de ser vitima de árbitros, quando se fez uma época transacta tão incompetente, mas seria muito importante perceber o que aconteceu na análise daquele lance. Aquele lance, não tem nada a ver com hipoteticos braços, hipoteticos empurrões e coisas que servem para alimentar programas de TV, e justificar insucessos, aquele lance não pode passar em claro, e se passou justifique-se para bem da transparencia porque foi decidido assim.

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