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O louva-a-deus

Leão Zargo, em 19.02.18

 

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O Vasco é um louva-a-deus que mal se viu a nascer começou logo a bombar. Não dorme. Nunca dorme. É uma marca registada vinte-e-quatro horas por dia. O Vasco é uma cópia. É conforme. É informe. Já seguiu Bruno Gimenez. E Marioni. Agora segue o Mestre. O Vasco não é lagartixa. Nunca foi lagartixa. TV só Sporting TV. Não vê o Preço Certo. Nem a Passadeira Vermelha. Vade retro. Nem as Tardes da Júlia se ainda as houvesse. Népias. O Luís Goucha já era. Talvez o Canal Panda. O Vasco é YoungNetwork. É um filtro que tudo filtra. Uma cassete pirata. O Vasco pica-o-ponto-a-toda-a-hora. Não lê jornais. Nem o Borda d'Água. Diz apenas o que aprendeu a dizer. Que lhe mandaram dizer. Sim divino, sim óleo de fígado de bacalhau, sim carapau, sim D. Quixote, sim Rocinante, sim moinhos de vento, sim sublime Mestre. É um ladino topa-a-tudo. Um louva-a-deus. Sê um Vasco. Vasca e lasca. Casca e descasca. Fight and resist!

 

O Vasco copiou para o Facebook: "O Mestre chegou-se à frente e com a sua bela voz rouca falou das maravilhas do seu reino e contou como no tempo das lagartixas o sol tinha deixado de nascer todos os dias. E anunciou o fim das lagartixas. E logo ali fez aprovar o Regimento Contra os Incréus (o RCI). E à vista de todos criou o Grupo dos Vascos que Seguem o Mestre Acima de Todas as Coisas (o GVSMATC)."

 

"O que eu gosto mesmo é de o ouvir, o meu repouso é a próxima batalha", exclamou o Vasco. E jurou que o Mestre é o D. Sebastião, e o reino o Quinto Império. Isto parece um filme já visto e revisto. Ou uma peça de teatro filmada. Se o dia ficar cinzento, imperial para dentro. Um dia de cada vez. Um dia é de vez.

 

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publicado às 12:38

Fotografia com história dentro (85)

Leão Zargo, em 18.02.18

 

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Yazalde e a “triunfante fatalidade”

 

A memória dos adeptos do futebol não costuma falhar. Não há esquecimento possível para um jogador que vestiu com galhardia a camisola do seu clube. No caso do Sporting, Hector Yazalde está entre os maiores que vestiram de leão ao peito. É que o craque das pampas, para além de ter sido uma excelente pessoa e um grande profissional de futebol, tinha aquele remate à baliza que deu tantas alegrias aos sportinguistas devido ao seu acerto e potência. Mas, também era jogador de grande subtileza em frente à baliza.

 

O “anjo com cara de índio”, como alguém lhe chamou, marcou 128 golos em 135 jogos, mas um dos mais surpreendentes terá acontecido num Sporting - Benfica em 31 de Março de 1974. Nesse derby, o inesquecível Chirola marcou um golo memorável, que de tão repentino, súbito e imprevisto impediu a reacção do Zé Gato que ficou a olhar para a bola que passou mesmo à sua frente. Uma bola que parecia perdida na pequena área, um salto de peixe, a subtileza de um toque de cabeça e o primeiro golo do desafio estava feito. Tudo com aparente simplicidade. É que Héctor Yazalde era portador de uma “triunfante fatalidade” (Dinis Machado) perante o guarda-redes adversário!

 

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publicado às 13:00

A Assembleia Geral

Leão Zargo, em 17.02.18

 

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Num artigo na revista Harper’s, “Me, Myself, and Id”, Laura Kipnis escreveu que o narcisista “vive como se estivesse rodeado de espelhos, mas não gosta do que vê”. Como centraliza em si mesmo a realidade por se imaginar o único actor dos acontecimentos, desenvolve hipersensibilidade à avaliação dos outros e revela sentimentos excessivos de autoridade. Encaixa que nem uma luva em Bruno de Carvalho.

 

Rob Riemen definiu o tipo de relacionamento que o narcisista estabelece com o próprio ego: “O meu ego torna-se a medida de tudo e só interessa o que eu sinto, o que eu penso. Eu exijo que o meu gosto, a minha opinião e a minha maneira de ser sejam respeitados, senão eu ficarei ofendido. Um ego sensível como medida de todas as coisas não suporta qualquer crítica e ignora a autocrítica.” Não suporta, por exemplo, aquilo que imagina ser falta de “reconhecimento”, de “confiança” ou de “gratidão”. Bruno de Carvalho “dixit”.

 

O “leitmotiv” da Assembleia Geral de hoje é o narcisismo do actual presidente do Sporting associado a uma surpreendente instabilidade emocional. Por estes dias, os acontecimentos deslizam mais rapidamente do que convém e ele procura monitorizar as circunstâncias, pois receia pelo futuro. Há o risco do tempo se tornar desfavorável, e Bruno de Carvalho consumiu-se numa superexposição mediática. Na vida nada é permanente e no futebol pouco ou nada é previsível.

 

É este o contexto da Assembleia Geral. Rogério Alves explicou de forma cristalina o paradoxo da situação. De facto, o estado de alerta permanente e o prolongamento da conflitualidade com tudo e com todos tiveram consequências nefastas. A encruzilhada passou a ter um sentido único. Mesmo que as propostas de Regulamento Disciplinar e de revisão dos Estatutos sejam aprovadas como Bruno de Carvalho exige, verificar-se-à apenas um breve adiamento: daqui a alguns meses, os sportinguistas estarão novamente confrontados com outro tipo de chantagem.

  

(Há coisas que se dizem que não podem ser esquecidas. Bruno de Carvalho, em 4 de Dezembro de 2012, afirmou o seguinte em entrevista ao programa Dia Seguinte, na SIC Notícias: “A estabilidade não é um meio: é uma consequência. Isto é o que Sporting tem de perceber de uma vez por todas: no dia em que tiver liderança e um modelo, terá estabilidade”. Ainda tem esta opinião?)

  

(Fotografia de Yves Lecocq, High Pressure)

 

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publicado às 11:55

Rafael Leão

Leão Zargo, em 14.02.18

 

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Cada um de nós já viu tanto filme, tanto enredo que correu mal, que nos habituámos a ficar de pé atrás com os jovens jogadores da Formação leonina que, periodicamente, vão surgindo na ribalta. Esta conversa é a propósito do jovem Rafael Leão, uma das maiores promessas da Academia de Alcochete, onde chegou com apenas nove anos de idade e em 2011 jogava nos Infantis A. No futebol não há adivinhos, mas para muitos observadores o sportinguista, internacional sub 21, tem o selo de garantia.

 

Rafael Leão estreou-se na equipa principal no Oleiros - Sporting, para a Taça de Portugal, disputado em 12 de Outubro de 2017. Entrou para o lugar de Gelson Dala aos 70 minutos e marcou um golo aos 86 minutos. Tinha 18 anos de idade e, no Sporting no século XXI, apenas Cristiano Ronaldo, Quaresma e Bruma eram mais novos quando marcaram pela primeira vez. No último fim de semana, no Sporting - Feirense, estreou-se na 1ª Liga.

 

Esta época já marcou 17 golos na UEFA Youth League, 2ª Liga, Taça de Portugal, Euro U 19 e amigáveis de selecções, num total de 31 jogos. Nada mau. Jorge Jesus parece apreciá-lo bastante e fez-lhe um elogio invulgar dizendo que nos treinos Rafael Leão “dá cabo” dos consagrados Piccini e Coates. O treinador Luís Martins, da equipa B, realça o facto de ser um avançado capaz de jogar nas alas onde faz valer a velocidade, técnica e drible e que aparece facilmente na grande área com grande sentido de oportunidade e eficácia.

 

Na realidade, Rafael Leão é um jogador invulgar, desconcertante e forte no um para um, jogando com a cabeça levantada e passada larga, que possui o talento dos predestinados. Manuel Fernandes não hesita quando o considera a “pérola” da Academia de Alcochete e Morato manifesta surpresa por ele jogar tão pouco na equipa principal. Chovem as comparações com Jordão pelo mesmo estilo ágil e felino e pelo arranque com a bola controlada, colada ao pé, correndo por entre os adversários. Ou quando recebe a bola de costas para a baliza e como se vira para ficar de frente para rematar.

 

Comparações à parte, frequentemente pouco saudáveis, a verdade é que a jovem promessa leonina está numa nova fase de aprendizagem do ofício de jogador profissional de futebol. Talvez nos próximos meses se perceba melhor até onde será capaz de ir. Oxalá, por ele e pelo seu Clube, que se concretizem as melhores expectativas.

 

Na fotografia, Rafael Leão no jogo de estreia Oleiros - Sporting depois de ter marcado o golo.

 

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publicado às 17:46

Uma derrota nada oportuna

Leão Zargo, em 11.02.18

 

 

O Sporting B defrontou e perdeu com o União da Madeira (0-1) na Academia de Alcochete. Foi uma derrota bastante comprometedora pois a equipa leonina apenas conseguiu vencer um jogo desde o início do ano de 2018. Trata-se da primeira vitória dos madeirenses fora de casa esta época. Demiral ocupou o lugar habitual de Ivanildo no centro da defesa por este estar suspenso pelo quinto cartão amarelo.

 

Uma derrota nunca é oportuna, é verdade, e hoje foi particularmente inoportuna pois os lugares de descida de Divisão ameaçam seriamente o Sporting B. No entanto, a equipa leonina não merecia perder este jogo, foi sempre mais ofensiva e inconformada com a evolução dos acontecimentos. Não conseguiu marcar e o União da Madeira, na única oportunidade de golo, concretizou através de Luan Santos aos 38 minutos. Quem não marca arrisca-se a sofrer.

 

Com este resultado, o Sporting B soma 29 pontos e está no 14º lugar da classificação. Já sofreu 40 golos, tendo a pior defesa da 2ª Liga juntamente com o Real Massamá.  No dia 17 de Fevereiro os leões deslocam-se a Barcelos para defrontar o Gil Vicente.

 

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Ficha de jogo:

 

Campeonato da 2ª Liga (24ª Jornada)

Sporting B 0 - União da Madeira 1

CGD Stadium Aurélio Pereira, 11 de Fevereiro de 2018

Árbitro: Hugo Miguel  (AF Lisboa)

 

Sporting B: Luís Maximiano, Mauro Riquicho, Guilherme Ramos, Merih Demiral, David Sualehe, Miguel Luís, Filipe Ribeiro (Cristian Ponde, 57), Paulinho, Rafael Barbosa, Ary Papel (Ricardo Almeida, 70) e Pedro Marques (Pedro Delgado, 70)

 

Treinador: Luís Martins

 

União da Madeira: José Chastre, Tiago Moreira, Allef Nunes, Miguel Lourenço, Laércio Morais (Nuno Lopes, 62), André Carvalhas (Júnior, 58), Pathé Ciss, Chris Nduwarugira, Tiago Almeida, Rodrigo Henrique (Bruno Morais, 88) e Luan Santos

 

Treinador: Ricardo Chéu

 

Golo: Luan Santos (38’)

 

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publicado às 17:53

Fotografia com história dentro (84)

Leão Zargo, em 11.02.18

 

F. Mendes, A. Capela e J. Carlos Taça das Taças

 

António Capela

 

António Capela (n. em 1927, f. em 1996) foi um fascinante fotógrafo desportivo que trabalhou na década de 1940 na mítica revista Stadium, passando depois pelo Diário Popular, jornal do Sporting e Record, entre outros. Dignificou imenso a sua classe profissional com fotografias feitas sempre com extraordinário rigor, brio, paixão, intuição e talento, e que pertencem ao imaginário de todos aqueles que acompanham o desporto-rei.

 

Procurou sempre conciliar as suas duas maiores paixões da vida, a fotografia e o Sporting, procurando estar presente nos grandes momentos desportivos do Clube. Foi o caso da final com o MTK de Budapeste para a Taça das Taças em 1964, quando se fez fotografar pegando no troféu entre Fernando Mendes e José Carlos. Pelo seu profissionalismo, personalidade e sensibilidade estabeleceu relações de proximidade pessoal com inúmeros jogadores leoninos. Quem o conheceu realça como nele a arte e o pensamento livre se conjugaram em diversas circunstâncias.

 

O Sporting homenageou-o atribuindo o nome de António Capela à sala de imprensa da Academia de Alcochete. No contexto da comemoração do Centenário do Clube, em 2006, esteve patente no Estádio de Alvalade uma exposição intitulada “Memória com Futuro”, com cinquenta trabalhos do fotógrafo. Entre os prémios de carreira que recebeu, destaca-se a medalha de “Bons Serviços” atribuída pelo Clube Nacional de Imprensa Desportiva, em 1995.

 

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publicado às 13:45

A insanidade

Leão Zargo, em 06.02.18

 

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Há uma insanidade em curso que ameaça seriamente o Sporting: o seu próprio presidente. O que se está a passar é uma tentativa de substituir no Clube o seu sistema democrático com normas, procedimentos e equilíbrios de poder por outros que favoreçam a autocracia e a consolidação do poder do “príncipe”. Bruno de Carvalho fez uma leitura apressada de Maquiavel e aplicou a si próprio o princípio de que “todos vêem o que o príncipe aparenta ser, poucos percebem aquilo que é”. Mas, felizmente, há cada vez mais sportinguistas que o “vêem” e “percebem” muito bem.

 

Na verdade, Bruno de Carvalho irá tão longe quanto os adeptos lhe permitirem, sem qualquer outro limite que não seja a sua aclamação e glorificação pessoal. De facto, a personalização do Sporting no seu presidente, o culto da personalidade, o “sebastianismo” com pinceladas “messiânicas”, usando e abusando de todos os poderes que tem, tudo apimentado por um discurso deveras propagandístico e autocentrado, possui uma grande capacidade destrutiva e paralisante. Se ele não for detido a tempo pelos sportinguistas, deixará o Clube numa situação caótica e fragilizado nas suas sinergias internas.

 

O seu modelo de gestão até pode ser bem acolhido noutros clubes, mas fracassará no Sporting. Fracassará pelo percurso histórico desta grande Instituição centenária, pelos princípios democráticos que progressivamente assumiu e integrou e pela especificidade dos seus adeptos e associados. Para evitar perder, Bruno de Carvalho seguirá um caminho que não vai ser fácil para ninguém, nem vai ser bonito de se ver. A sua queda vai produzir muitos estilhaços, mas, de ciência certa, sabe-se que não há memória de alguma tirania que tenha terminado bem, que no fim tenha um verdadeiro sucesso. 

 

(Amanhã temos um jogo crucial com o FC Porto, sendo fundamental que a nossa equipa consiga um resultado favorável. Dramaticamente, Bruno de Carvalho deslocou a atenção dos sportinguistas do embate no Dragão para os riscos que o Clube atravessa.)

 

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publicado às 15:55

Não houve piedade para os jovens leões

Leão Zargo, em 04.02.18

 

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O Sporting B foi derrotado, hoje à tarde, no terreno do CD Cova da Piedade por 3-1. Foi um resultado pesado para a equipa leonina que não encontrou um antídoto eficaz para se opor aos adversários. Os jovens leões continuam a revelar sérias dificuldades quando jogam na condição de visitantes.

 

O Sporting teve mais posse de bola (53%-47%), rematou mais à baliza com perigo (6-4) e teve mais pontapés de canto (9-4) mas perdeu o jogo perante uma equipa mais experiente que praticamente não falhou frente à baliza adversária. O treinador Luís Martins mexeu bastante na equipa no início da segunda parte, os leões passaram a ter algum domínio no jogo, mas não conseguiram alterar o rumo dos acontecimentos. Nem foram capazes de aproveitar a expulsão de Dieguinho aos 67 minutos. O golo do Sporting foi marcado por Filipe Ribeiro, recentemente contratado ao Sergipe.

 

Com este resultado, o Sporting B passou para o 14.º lugar na classificação, com 29 pontos. A excelente vitória no jogo com o Real Massamá não teve continuidade na Cova da Piedade. Nos últimos seis jogos os leões conquistaram cinco pontos em dezoito pontos possíveis. Na próxima jornada, em 10 de Fevereiro, o União da Madeira joga na Academia de Alcochete.

  

Ficha de jogo:

 

Campeonato da 2ª Liga (23ª jornada)

Cova da Piedade 3 - Sporting B 1

Estádio José Martins Vieira (Cova da Piedade), 4 de Fevereiro de 2018

Árbitro: Vítor Ferreira (AF Braga)

 

Cova da Piedade: Pedro Alves, Adilson, Wilian Rocha, Daniel Almeida, Evaldo, Soares, Róbson (Cléo, 58), Paulo Tavares, Miguel Rosa (Aylton Boa Morte, 75), Hugo Firmino (Yuhao Liu, 84) e Dieguinho

 

Treinador: Bruno Ribeiro

 

Sporting B: Maximiano, Riquicho, Demiral, Ivanildo Fernandes, Kiki (Bubacar Djaló, 53), Rafael Barbosa, Paulinho, Bruno Paz (Ary Papel, 46), Filipe Ribeiro, Ricardo Ribeiro (Kenedy Có, 46) e Ronaldo Tavares

 

Treinador: Luís Martins

 

Golos: 1-0, (Dieguinho, 16’), 2-0, Dieguinho (33’), 3-0, Miguel Rosa (41’), e 3-1, Filipe Ribeiro (89’)

 

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publicado às 17:45

Fotografia com história dentro (83)

Leão Zargo, em 04.02.18

 

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O último jogo de Álvaro Cardoso

 

Álvaro Cardoso integra uma restrita plêiade de grandes capitães de equipa do Sporting, juntamente com Francisco Stromp, Jorge Vieira, João Azevedo, Fernando Mendes, Vítor Damas, Manuel Fernandes e Oceano, entre outros. Nascido em Setúbal em 1914, vestiu a camisola leonina durante dez épocas (de 1938-39 a 1947-48), tendo participado em 254 jogos oficiais. Pelo seu carisma e espírito de liderança, tornou-se capitão em 1941.

 

A Selecção Nacional foi derrotada por 10-0 num Portugal - Inglaterra disputado em 25 de Maio de 1947, no Estádio Nacional, sendo Álvaro Cardoso o capitão da equipa. Aos 20 segundos de jogo, Portugal perdia por 1-0 e aos 15 minutos o resultado já estava em 3-0. Os jogadores foram acusados de não se terem empenhado, o governo mandou abrir um inquérito, a PIDE entrou em acção e houve interrogatórios na sede da polícia política. Os jogadores queixaram-se do autoritarismo dos dirigentes federativos e por não serem justamente recompensados pela sua participação no espectáculo.

 

Durante o interrogatório, Álvaro Cardoso assumiu o seu estatuto de capitão da Selecção Nacional, e por isso foi considerado o principal responsável pelo fraco desempenho colectivo. O Sporting meteu empenhos para que ele não fosse irradiado do futebol, ficando por um castigo de doze meses de proibição de participar em competições desportivas oficiais. Mais tarde, a suspensão passou para seis meses. Outros jogadores também foram punidos, embora com penas mais leves.

 

Álvaro Cardoso só voltou a jogar futebol em 15 de Fevereiro de 1948, num Sporting - Lusitano VRSA, e esteve na vitória leonina frente ao Belenenses (3-1) na final da Taça de Portugal, em 4 de Julho de 1948. Depois da entrega da taça, os jogadores das duas equipas transportaram-no em ombros numa volta olímpica no relvado do Jamor. Nesse dia, o ‘grande capitão’ como passou a ser chamado pela sua verticalidade no interrogatório na PIDE, despediu-se dos adeptos como jogador de futebol. 

 

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publicado às 15:04

Sábado há Assembleia Geral !

Leão Zargo, em 01.02.18

 

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Muitos sportinguistas acusam Bruno de Carvalho de considerar o Clube como uma coutada sua. Para ele, adeptos, jogadores, técnicos e restantes membros dos órgãos sociais são meros figurantes do seu projecto pessoal. Por estes dias percebeu-se que a sua estratégia se focou nos Estatutos do Sporting Clube de Portugal com uma finalidade que visa o reforço do seu próprio poder através de uma significativa alteração estatutária. As propostas de alteração do dos Estatutos, que se conheceram tarde relativamente à data da realização da Assembleia Geral (3 de Fevereiro), abrangem aspectos de carácter estrutural, funcional e disciplinar. Revelam uma intenção declarada de controlo autocrático do Clube, dos seus órgãos sociais e dos seus adeptos e associados.

 

Há propostas de alteração que podem parecer meramente simbólicas, mas que são reveladoras desse projecto de poder unipessoal. Refiro-me à intenção de estabelecer que, para além do Conselho Directivo, o Presidente passa a ser, ele próprio, um órgão social do Clube. Assim, constituiria uma entidade à parte do órgão no qual foi eleito. Por outro lado, a extinção do Conselho Leonino, cuja constituição decorre da votação dos sócios, e a sua substituição por um Conselho Estratégico cujos membros são designados pelo Presidente, configura uma grave limitação a uma participação mais plural na vida do Sporting. Com isto pretende-se reforçar ainda mais o poder do Presidente do CD.

 

Porventura mais grave é a vontade de terminar com a eleição por método de Hondt do Conselho Fiscal e Disciplinar, que passaria a ser constituído apenas por membros da lista vencedora.  É absurdo. Quando o CFeD foi eleito pela primeira vez pelo método de Hondt em 2013, foi consensual que isso constituía uma grande melhoria da democraticidade do Clube. Também surge como gravemente limitador da pluralidade do Sporting a intenção de impedir que movimentos independentes concorram apenas a um determinado órgão social, obrigando que se candidatem a todos os órgãos sociais. O controlo sobre os sócios vai ao ponto de se pretender estabelecer a obrigatoriedade de terem de comunicar ao CD o desempenho de quaisquer cargos sociais, incluindo a mera participação em listas eleitorais, em outras colectividades desportivas. Mesmo no bairro ou na aldeia!  

 

Percebe-se a volúpia minuciosa das alterações de natureza disciplinar no Regulamento. Pretende-se desesperadamente dominar o pensamento livre e crítico dos sportinguistas. Quem não repetir "ipsis verbis" a cartilha presidencial corre um sério risco de sanção. Por essa razão, entre outro articulado, pretende-se determinar que cada sócio colabore obrigatoriamente na prestação de declarações. Ou o carácter vago e arbitrário daquilo que passa a constituir infracção regulamentar. Finalmente, essa volúpia autocrática vai ao ponto de considerar que quem "no decurso de uma acção disciplinar, deixe por sua vontade de ser sócio, não mais poderá voltar a ser sócio do SCP". Mesmo que o associado esteja sujeito a um processo disciplinar injusto ou mal construído.

 

Estou confiante de que será repudiada esta intenção ditatorial que não reconhece aos sócios do Clube os direitos e as garantias consagrados na Constituição da República Portuguesa. Na verdade, opinar de forma livre e com espírito crítico constitui uma salvaguarda relativamente ao presente, mas também ao futuro. Unanimismos e caudilhismos de qualquer espécie não permitem que, em permanência, se descortinem as melhores soluções para o Sporting cujo caminho está enxameado de pedras. De tanto pretender domesticar a realidade, Bruno de Carvalho descolou dessa mesma realidade.

 

(Hoje, depois de ter este texto pronto para ser publicado, tomei conhecimento de um comunicado do CD, ao qual o Camarote Leonino deu o devido destaque. Na verdade, nada se altera, a não ser a constatação de que os proponentes procuraram arrepiar alguma coisa. A ameaça que pendia sobre quem participasse em grupos leoninos de reflexão foi substituída pelo que já está regulamentado nos Estatutos e que, afinal, se pretendia mudar. Por isso mesmo, levantou grande celeuma entre aqueles que tomaram conhecimento. No essencial nada muda: com a proposta de alteração dos Estatutos os proponentes pretendem controlar os sportinguistas e os órgãos sociais do Clube.)

 

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publicado às 14:51

Fotografia com história dentro (82)

Leão Zargo, em 28.01.18

 

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A inauguração do “novo” Estádio Metropolitano de Madrid (1944)

 

O Athletic Aviación (fusão entre o Athletic de Madrid e o Aviación Nacional em 1939) convidou o Sporting, o vencedor do Campeonato Nacional português, para estar presente na inauguração oficial do “novo” Estádio Metropolitano, em 12 de Outubro de 1944. O Metropolitano tinha ficado destruído durante a devastadora Guerra Civil espanhola.

 

Este jogo em Madrid permitiu que o Sporting reatasse os contactos internacionais, suspensos por causa da 2ª Guerra Mundial. Curiosamente, o último jogo dos leões com uma equipa estrangeira tinha sido no Estádio de Vallecas com uma equipa ‘colchonera’, em 22 de Setembro de 1940.

 

O Athletic, treinado pelo lendário Ricardo Zamora, era um dos principais candidatos ao título. Na época de 1943-44 tinha ficado em segundo lugar no Campeonato e possuía uma equipa onde brilhavam jogadores da selecção espanhola, como Riera, Gabilondo, Campos, Aparicio e Germán, entre outros.

 

Os ‘colchoneros’ venceram por 3-1, e segundo o jornal Marca foi um jogo muito disputado em que se destacou o duelo entre o defesa Aparicio e o avançado Fernando Peyroteo. As duas equipas voltaram a encontrar-se pouco tempo depois em Lisboa, em 31 de janeiro de 1945. Desta vez, os leões ganharam pelos mesmos números (3-1), com dois golos de Jesus Correia e um do “bombardeiro” Peyroteo.

  

Ficha de jogo

 

Jogo amigável (inauguração do Estádio Metropolitano)

Athletic Aviación 3 - Sporting 1

Estádio Metropolitano (Madrid), 12 de Outubro de 1944

Árbitro: Pedro Escartin (Espanha)

 

Athletic Aviación: Ederra, Riera, Aparicio, Gabilondo, Germán, Machin, Adrover, Martin, Taltavull, Campos e Vázquez

 

Treinador: Ricardo Zamora

 

Golos: Campos (15m) e Taltavull (63m e 87m)

 

Sporting: Azevedo, Álvaro Cardoso, Manecas, Canário, Octávio Barrosa, Veríssimo, Jesus Correia, João Cruz, Peyroteo, António Marques e Albano

 

Treinador: Josef Szabo

 

Golo: Peyroteo (65m)

 

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publicado às 12:51

Fotografia com história dentro (81)

Leão Zargo, em 21.01.18

 

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Digressão à Guiné-Bissau em Maio de 1966

 

O Sporting Clube de Portugal realizou uma digressão à Guiné-Bissau em Maio de 1966 para homenagear a sua filial nº 89, o Sporting de Bissau, que comemorava o trigésimo aniversário. O clube guineense foi fundado em 30 de Janeiro de 1936. O Campeonato tinha terminado no início desse mês, os leões conquistaram o título campeões nacionais, oito jogadores foram selecionados para o Campeonato do Mundo em Inglaterra, e os restantes jogadores do plantel participaram na digressão. Com eles viajou a equipa de juniores, num total de mais de vinte atletas. Júlio Cernadas Pereira (Juca) era o treinador.

 

O longo voo de nove horas realizou-se num Super Constelation da TAP e no aeroporto esperavam a comitiva as autoridades locais e um calor e humidade desconhecidos. Para além do jogo com a sua filial em Bissau, a equipa leonina deslocou-se a Bolama e a Bafatá para defrontar clubes locais. Ainda houve tempo para renhidas partidas de “futebol de 5” com militares portugueses mobilizados para a antiga colónia ultramarina. No final da digressão, a direcção do Sporting atribuiu um voto de louvor aos jogadores pela forma valorosa como se bateram desportivamente nos jogos que disputaram na Guiné-Bissau.

 

Na fotografia, uma das equipas do Sporting na digressão guineense:

 

Em cima - Barroca, João Barnabé, Mário Silva, Teixeira, Alfredo, Mário Lino, Barão, Caló, Dani, Valentim e Ferreira Pinto; 

 

Em baixo - Manaca, Rodolfo Seminário, Carlitos, José Carlos Jesus, José Veiga ‘Totala’ e Porfírio.

 

(A fotografia e a identificação dos jogadores foram retiradas do blogue Armazém Leonino).

 

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publicado às 13:31

 

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Bruno de Carvalho anda há quase cinco anos a puxar a conversa sempre mais para baixo. Desde o início, quando foi eleito presidente do Sporting, assumiu um comportamento que confunde a generalidade dos participantes no futebol português. O jornal Expresso chamou-lhe “presidente sem filtro”. Em teoria, quem se mete com ele… leva. Quase ninguém tem pedalada (ou paciência, ou até interesse) para o acompanhar nas suas constantes diatribes.

 

Esse comportamento acelerou-se ultimamente, o que tem uma razão de ser. É que o Sporting já não é o que foi no passado, mas ainda não se tornou num clube com futuro. Está num intervalo entre o passado e o futuro. Chama-se a isso “ser ainda não”. E “ser ainda não” preocupa muito os sportinguistas. Quando se vai à guerra com pouca sapiência e nenhuma estratégia sabe-se que muita coisa pode correr mal.

 

A conversa rasca de Bruno de Carvalho não constitui uma novidade. Comporta-se assim desde o primeiro dia. A novidade está na vulgaridade transgressiva da sua linguagem que se revela na forma como agora se dirige a tudo e a todos. Na grosseria permanente, na degradação pública que se tornou irreversível. Ele esqueceu-se de que o arqueiro é, simultaneamente, aquele que visa o alvo, o que o atinge, mas que pode ser atingido. 

 

(O cântico entoado pela claque leonina ontem no Dragão Caixa é consequência, em grande parte, da conversa rasca do actual presidente do Sporting. Convém distiguir o episódio patético do contexto que o favoreceu.) 

 

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publicado às 13:01

Fotografia com história dentro (80)

Leão Zargo, em 14.01.18

 

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Szabo e a táctica

 

Joseph Szabo era de uma dedicação extrema ao trabalho. Exigente, preparava com minúcia a táctica da sua equipa antes dos jogos. Foi sempre assim, mas tornou-se ainda mais meticuloso depois do estágio no Arsenal de Londres em 1935.

 

O treinador húngaro utilizava uns bonecos que colocava num tabuleiro a imitar um campo de futebol onde explicava a táctica do jogo, como os jogadores se deveriam colocar e organizar em campo e as características da equipa adversária. Fernando Peyroteo escreveu nas suas "Memórias" (1957) que, noutras ocasiões em que não tinha o tabuleiro, Szabo "pegava num lápis e num papel, onde marcava bolinhas e cruzinhas indicativas das posições dos companheiros e adversários".

 

Um dia, no Sporting, os jogadores tinham comprado bilhetes para uma 'matinée' no cinema e Peyroteo atreveu-se a dizer qualquer coisinha por causa de uma prelecção táctica de Szabo que parecia não ter fim. A resposta do Mestre foi pronta e definitiva: "Senhor Fernando, o seu cinema é este". Foi outra a 'matinée' dos atletas leoninos.

 

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publicado às 13:20

Fotografia com história dentro (79)

Leão Zargo, em 07.01.18

 

Sporting Rangers 3 Nov 1971.jpg

 

Os penáltis que afinal não valeram

 

O Sporting recebeu o Glasgow Rangers no Estádio de Alvalade, em 3 de Novembro de 1971, para a segunda mão dos oitavos-de-final da Taça dos Vencedores das Taças. Os escoceses tinham vencido na primeira mão por 3-2 e a eliminatória estava em aberto.

 

O jogo em Alvalade terminou no tempo regulamentar com o mesmo resultado de 3-2, mas agora favorável aos leões. No final do prolongamento o resultado estava em 4-3, ainda a favor do Sporting. Desconhecendo uma alteração recente do regulamento da UEFA, o árbitro holandês Van Ravens considerou a eliminatória empatada porque as duas equipas tinham os mesmos golos (6-6). Por essa razão, determinou que se procedesse à marcação de pontapés de grande penalidade.

 

Vítor Damas defendeu quatro remates de grande penalidade e Alvalade festejou. Pedro Gomes recordou assim no site Mais Futebol: "Todo o estádio era alegria e exuberância, nós festejávamos todos. Quando regressámos à cabine, foi uma desilusão." É que, entretanto, o árbitro e o delegado ao jogo foram alertados para a alteração do regulamento e reconheceram o erro. Declararam o apuramento do Glasgow Rangers, pois os escoceses tinham marcado mais golos no campo do Sporting.

 

As defesas de Vítor Damas nas penalidades de nada serviram e o Rangers acabaria por conquistar nesse ano o único troféu europeu da sua história. "Deu-me um grande gozo defender aqueles penáltis todos, mas tudo acabou por não passar de um episódio bizarro e triste", diria mais tarde o guarda-redes leonino.

 

Ficha de jogo:

 

Taça dos Vencedores das Taças (oitavos-de-final)

Sporting 4 - Rangers 3

Estádio de Alvalade, 3 de Novembro de 1971

Árbitro: Van Ravens (Holanda)

 

Sporting: Vítor Damas; Pedro Gomes, Caló, Laranjeira e Hilário; Tomé (Nélson, 65 m), Vagner e Fernando Peres; Lourenço, Yazalde e Dinis (Marinho, 81 m)

 

Treinador: Fernando Vaz

 

Rangers: McLoy; Greig, McKinnon (Smith, 73 m), Jackson e Mathison; Jardine e Conn; Henderson, Stein, Johnston (McLean, 65 m) e McDonald

 

Treinador: William Waddell

 

Marcadores: 1-0, Yazalde (25 m), 1-1, Stein (26 m), 2-1, Tomé (38 m), 2-2, Stein (46 m), 3-2, Pedro Gomes (86 m), 3-3, Henderson (100 m) e 4-3, Peres (115m, g.p.)

 

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publicado às 12:32

 

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O Sporting B deslocou-se a Braga para defrontar a equipa local e empatou por 0-0. As duas equipas iniciaram a partida receando-se mutuamente, procurando impedir situações de perigo nas proximidades das respectivas balizas. Nos últimos cinco jogos, o Sporting B perdeu três e ganhou dois e o SC Braga B foi derrotado em quatro e empatou um. Talvez por isso, na primeira parte, assistiu-se a muita circulação de bola no meio campo, com os defesas superiorizando-se aos avançados. Quando foi necessário, os dois guardas-redes impuseram-se aos adversários.

 

Os leões reagiram bem à pressão dos bracarenses na fase inicial da segunda parte, mas rapidamente o jogo voltou à toada do primeiro tempo. No entanto, nos últimos vinte minutos houve um jogo mais aberto, com algumas ofensivas perigosas de parte a parte. Por exemplo, aos 82 minutos Stojkovic num golpe de rins defendeu um cabeceamento de Leandro com selo de golo e aos 85 minutos Ary Papel em contra-ataque, em frente ao guarda-redes, podia ter marcado. No final, o empate foi um resultado justo que castigou ambas as equipas.

 

Depois deste jogo, a equipa leonina soma 25 pontos e está classificada em 11º lugar. No dia 13 de Janeiro, às 15h00, o Sporting recebe a filial da Covilhã na Academia de Alcochete.

 

Ficha de jogo:

 

Campeonato da 2ª Liga (19ª jornada)

Braga 0 - Sporting B 0

Estádio Municipal 1º de Maio, em Braga, 6 de Janeiro de 2018

Árbitro: Cláudio Pereira (AF Aveiro)

 

SC Braga B: Filipe Ferreira, Rui Silva, Dinis, Bruno Wilson, Thales, Loum, Didi, Trincão (Muric, 82), Simão (Ogana, 91), André Ribeiro (Leandro, 72) e Luther Singh

 

Treinador: João Aroso

 

Sporting B: Stojkovic, Riquicho, Ivanildo, Demiral, David Sualehe, Wallyson, Bruno Paz (Ary Papel, 81), Budag (Jovane, 63), Rafael Barbosa, Cristian Ponde (Paulinho, 72) e Ronaldo

 

Treinador: Luís Martins

 

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publicado às 17:33

 

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Bruno de Carvalho considera-se proponente de uma visão grandiosa para o Sporting na Europa, e até no Mundo. Para isso, com o patrocínio de estrategas de marketing e do Gabinete de Comunicação do Clube, reformulou e redefiniu os ângulos de abordagem da realidade sportinguista e do futebol, em geral. O resultado foi o entusiasmo ou a apreensão entre os adeptos leoninos, e a perplexidade nos principais competidores.

 

Na sua última Comunicação aos sportinguistas, Bruno de Carvalho deu mais um passo. Escreveu a seguinte prosa:

 

“Queremos consolidar o estatuto de Maior Potência Desportiva Mundial, ultrapassada que está a visão do nosso fundador.”

 

Trata-se de uma revelação subliminar. Imagina-se, ele próprio, o “Visconde de Alvalade da Era Moderna”. Mas, a realidade das coisas da vida não se compadece com determinados delírios. Como diria o inesquecível Neném Prancha, “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”.

 

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publicado às 11:16

Fotografia com história dentro (78)

Leão Zargo, em 31.12.17

 

Pedro Gomes Rangers-Sporting 20-10-1971.jpg

 

Pedro Gomes em Glasgow

 

Manuel Pedro Gomes (n. 1941) foi jogador do Sporting durante dezassete anos (treze anos na equipa sénior) e conquistou três vezes o Campeonato Nacional e a Taça de Portugal e uma a Taça dos Vencedores das Taças. Era um defesa lateral muito seguro, disciplinado tacticamente, mas mais ofensivo do que seria habitual nos anos 60 e início de 70. Apesar dessa propensão ofensiva marcou apenas dois golos em toda a sua carreira, e ambos nos jogos da eliminatória com o Glasgow Rangers na Taça das Taças, em Outubro e Novembro de 1971.

 

No jogo da primeira mão, o treinador Fernando Vaz optou por Laranjeira como defesa direito, com a finalidade de secar o temível Alfie Conn, extremo esquerdo do Rangers. Não podia correr pior. Conn, Colin Stein e Alex MacDonald desbarataram a defesa leonina e ao intervalo o resultado estava em 3-0. Pedro Gomes entrou para lateral direito logo no início da segunda parte, Conn “desapareceu” do jogo e o Sporting recuperou a iniciativa.  E foi ele que fez o 3-2 aos 87 minutos. No dia seguinte, o jornal Mundo Desportivo encheu a página central com “Formidável reacção leonina em Glasgow: Ibrox Park de bico calado ouvindo a ‘Patética de Alvalade’”.

 

A fotografia é bem elucidativa desse jogo e da têmpera de Pedro Gomes, que surge entre os escoceses MacDonald (esquerda) e Conn (direita). Percebe-se de imediato que ele não se intimidou com o gesto ameaçador do extremo esquerdo do Rangers e que, seguro de si, até parece avançar para se inteirar melhor do “problema” que preocupava o seu adversário. É que o defesa estava a ser um leão em campo e a equipa de Glasgow não conseguia impedir a crescente pressão sportinguista. No final do jogo, o justíssimo empate escapou apenas por um triz!

 

A fotografia foi retirada de SNS Group / Alamy Stock Photo.

 

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publicado às 13:17

Fotografia com história dentro (77)

Leão Zargo, em 24.12.17

 

Damas na Aldeia Nova de S. Bento 1966.jpg

 

O jovem Vítor Damas

 

No Verão de 1966, António Damas Oliveira, pai de Vítor Damas, organizou um grupo de jovens futebolistas lisboetas, quase todos com ligação ao Sporting, para um jogo com o Atlético Aldenovense, na Aldeia Nova de S. Bento. A fotografia refere-se a esse jogo na povoação do Baixo Alentejo e simboliza um momento de transição na vida de Damas, que foi o guarda-redes dessa equipa improvisada. O jovem guardião, apenas com dezoito anos de idade, preparava-se para iniciar a sua primeira época no plantel sénior sportinguista. O irmão dele também esteve lá.

 

Damas estreou-se na equipa principal num Sporting - Benfica, na festa de homenagem ao belenense Vicente Lucas em 22 de Janeiro de 1967, e oficialmente num Sporting - FC Porto, para o Campeonato Nacional em 12 de Fevereiro de 1967. Terminou a época como titular da baliza leonina. Os Neptunos da Estefânia, os torneios de Futebol de Salão no Cruzeirense e na Rua do Passadiço e os juvenis e juniores do Sporting já eram um passado distante. Aquela tarde de Verão numa aldeia alentejana tinha estabelecido simbolicamente o tempo da mudança.

 

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publicado às 12:00

Fotografia com história dentro (76)

Leão Zargo, em 17.12.17

Taça de Portugal 1972-73.jpg

 

A Taça de 1972-73

 

Mário Lino, Vítor Damas, Nelson, Yazalde e Tomé seguram a Taça de Portugal de 1972-73. O treinador, o capitão de equipa e os três marcadores dos golos na final com o Vitória de Setúbal (3-2). Uma conquista que chegou a parecer impossível de tão desastrosa que foi a época.  Longas digressões aos Estados Unidos da América, a Moçambique e à Europa de Leste, o fracasso logo na primeira eliminatória da Taça das Taças frente aos escoceses do Hibernian, a invasão de campo num Sporting-Leixões, a interdição do Estádio de Alvalade, a agressão a Damas por adeptos do Montijo, o fracasso de Ronnie Allen como treinador do Sporting, a demissão do presidente Brás Medeiros e um péssimo 5º lugar no Campeonato Nacional.

 

A Taça foi salvação da época. No final do mês de Abril, Mário Lino passou de adjunto a técnico principal e Osvaldo Silva dos juniores avançou para adjunto. Organizaram a “casa” e conquistaram a Taça de Portugal frente ao perigosíssimo Vitória de Setúbal. Yazalde fez um jogo soberbo, assistiu Nelson no 1-0 e fez ele próprio o 2-0 num remate que fulminou Torres. Depois, Tomé elevou para 3-0. O último quarto de hora foi de grande sobressalto por causa dos dois golos sadinos, mas Damas segurou as pontas lá atrás. Com este triunfo, Mário Lino conseguiu o direito de preparar a equipa para a 4ª dobradinha de história do Sporting em 1973-74 e para o percurso vitorioso na Taça das Taças até às meias-finais com o Magdeburgo.

 

Ficha de jogo:

 

Final da Taça de Portugal, 1972-73

Sporting 3 - Vitória de Setúbal 2

Estádio Nacional, 17 de Junho de 1973

Árbitro - Fernando Leite (AF Porto)

 

Sporting - Vítor Damas, Bastos, Laranjeira, Carlos Alhinho, Manaca, Tomé (Hilário, 80m), Vagner, Nelson, Marinho, Yazalde (Chico Faria, 80m) e Dinis 

 

Treinador - Mário Lino

 

Golos - Nelson (23m), Yazalde (34m) e Tomé (66m)

 

Vitória de Setúbal - Torres, Rebelo, João Cardoso, José Mendes, Carriço, Amâncio, José Maria, Câmpora (Vicente), José Torres e Jacinto João (Arcanjo)

 

Treinador - José Maria Pedroto

 

Golos - Duda (76m) e Vicente (84m)

 

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publicado às 12:00

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