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Fotografia com história dentro (52)

Leão Zargo, em 25.06.17

 

SCP 3 - MTK 3 Fernando Mendes e Sándor Károly Br

 

 

Fernando Mendes, um “grande capitão”

 

Fernando Mendes tinha 20 anos de idade quando, em 1956-57, se estreou na equipa principal do Sporting, vindo dos juniores. Apenas dois anos depois já era titular indiscutível. Sendo um médio combativo e resiliente, com boa técnica e grande disponibilidade física, em breve revelaria extraordinários dotes de liderança. Por isso, aos 22 anos passou a ser um dos capitães de equipa, integrando uma restrita plêiade de grandes capitães leoninos, como foram, antes dele, Francisco Stromp, João Bentes, Torres Pereira, Serra e Moura, Jorge Vieira, António Faustino, Rui Araújo, Álvaro Cardoso, João Azevedo, Manuel Passos e José Travassos.

 

Esteve presente em todos os jogos da campanha da Taça das Taças 1963-64. É referido pelos jogadores sportinguistas o papel essencial que o capitão de equipa teve na viragem histórica com o Manchester United, em Alvalade, ou na vitória sobre o Olympique Lyonnais no desempate em Madrid. Na realidade, durante toda a prova, na final de Bruxelas e na finalíssima de Antuérpia transmitiu aos seus companheiros a coragem, a combatividade e a ambição imprescindíveis para se alcançar o triunfo. Na fotografia, Fernando Mendes e Sándor Károly, o capitão do MTK de Budapeste, cumprimentam-se minutos antes da final de Bruxelas.

 

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publicado às 12:28

Hoje há Assembleia Geral. Sabia?

Leão Zargo, em 23.06.17

 

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Hoje há Assembleia Geral Comum Ordinária do Sporting. Os sócios ficaram a saber disso mesmo através de uma breve informação no sítio oficial do Clube. Isto, no próprio dia da sua realização, quando nos estatutos do Clube consta a obrigação de ser feita com a antecedência mínima de oito dias. Também obriga a que estas reuniões magnas sejam “convocadas por meio de anúncios insertos em dois jornais diários, no jornal do Clube…” (artigo 52º). Em vez disso, optou-se por uma convocatória discreta e quase confidencial.

 

Como também não houve possibilidade de consulta dos documentos para discussão, a Assembleia Geral vai realizar-se sem o conhecimento adequado do que será votado e aprovado. Nem mais nem menos do que o orçamento de receitas e despesas do exercício económico, elaborado pelo Conselho Directivo, acompanhado do plano de actividades e do parecer do Conselho Fiscal e Disciplinar. O que é que se pode chamar a uma coisa assim? Ardil, desrespeito ou manha? Tudo isto, provavelmente.

 

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publicado às 11:12

Manuel Pedro Gomes.jpg

 

O livro “Uma Taça Uma Vida”, de Manuel Pedro Gomes, foi publicado em 2014 no contexto da comemoração dos cinquenta anos da conquista pelo Sporting da Taça das Taças, mas continua a suscitar o interesse dos sportinguistas e a ser reeditado. Vai já na 3ª edição. Com inteira justiça, pois, a partir da sua memória pessoal e de um texto intimista, o antigo jogador leonino oferece-nos uma narrativa que recorda e homenageia todos aqueles que contribuíram para esse magnífico triunfo europeu.

 

Para além dele próprio, o autor recorda os jogadores que participaram na epopeia: Alexandre Baptista, Alfredo, Augusto, Bé, Carvalho, David Julius, Fernando Mendes, Ferreira Pinto, Figueiredo, Géo, Hilário, José Carlos, Louro, Lúcio, Mário Lino, Mascarenhas, Monteiro, Morais, Osvaldo Silva e Pérides. Com excepção dos jogos da 1ª eliminatória com o Atalanta, Pedro Gomes alinhou em todos que se seguiram, sempre na posição de defesa-direito. Essa condição permitiu-lhe uma narrativa quase autobiográfica, cheia de pequenas histórias bem reveladoras do estado de espírito e da intimidade da equipa leonina.

 

Mas, o atleta-escritor não esquece todos os outros, aqueles que só aparentemente estavam fora do campo, pois que também entraram para o relvado em cada um dos jogos: “o homem da relva, os roupeiros, os massagistas, os médicos, os treinadores, os dirigentes, os familiares dos jogadores, a comunicação social”.

 

Na apresentação do livro no Café In, em Lisboa, em 2014, Pedro Gomes assinalou que pretendeu “contar a viagem ao interior da Taça das Taças de 1964, absorver todos os intervenientes da odisseia”. E logo acrescentou que “as pessoas que se lembrarem deste percurso vão chorar de saudade quando lerem o livro. Pois também se pode chorar por coisas boas. E esta é, sem dúvida, uma coisa boa”.

 

O autor dedicou aos vinte e um jogadores sportinguistas uma nota biográfica individual. Todos eles ficaram imortalizados da mesma maneira, destacando-se apenas o inesquecível capitão Fernando Mendes. Dele disse Pedro Gomes que “era um óptimo colega e um excelente capitão. Era o que se entregava mais à luta. E fica imortalizado na história do Sporting. Aquele gesto de levantar a Taça foi um enorme abraço de amor a todos os sportinguistas”.

 

O livro “Uma Taça Uma Vida” destina-se a todas as gerações de sportinguistas. As que vibram ainda com as conquistas do passado, como as que procuram no passado as memórias que enobreçam o presente.

 

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publicado às 12:33

Fotografia com história dentro (51)

Leão Zargo, em 18.06.17

Jesus Correia Sporting C.P..jpg

 

Seis golos em Madrid

 

 

Jesus Correia, o ‘Necas’, era uma dor de cabeça para os defesas adversários. Com uma velocidade e técnica estonteantes, uma imaginação constante, um remate forte e colocado e um invulgar instinto para o golo, jogando na posição de extremo-direito conseguiu revelar toda a sua capacidade ofensiva nos míticos ‘Cinco Violinos’. Esta linha avançada constituída por Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano, num misto de força e de técnica, de energia e de habilidade, improvisava verdadeiros recitais nos campos de futebol. Música clássica ou vanguardista, sempre de acordo com as circunstâncias do jogo.

 

Uma das tardes de glória de Jesus Correia aconteceu no dia 5 de Setembro de 1948, no Estádio Metropolitano, em Madrid, frente ao Atlético. Aos 67 minutos o Sporting vencia por 6-0, com seis golos do ‘Necas’. Até ao final do jogo os madrilenos marcaram três vezes e amenizaram a dura derrota. No dia seguinte, o jornal ‘El Mundo Deportivo’ escreveu que “os homens do Sporting dominam com perfeição a escola moderna concebida na marcação e na desmarcação, trocando de posições continuamente de maneira a desconcertar os adversários, sobretudo Jesus Correia, o magnífico extremo-direito”.

 

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publicado às 13:23

 

Amado de Aguillar.jpg

 

Na década de 1940, o regime do Estado Novo mantinha com o futebol em Portugal uma relação autoritária e centralizadora no que refere ao dirigismo dos clubes e dos organismos federativos. Mas, de enorme ambiguidade e oportunismo no que refere aos seus méritos enquanto actividade desportiva.

 

Segundo a perspectiva ideológica do regime nessa altura, o futebol não era a modalidade desportiva que permitiria uma finalidade regeneradora da condição física e espiritual dos portugueses. A ginástica, a vela, o remo ou o atletismo desempenhariam melhor essa função. Aliás, a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho e a Mocidade Portuguesa privilegiavam estas modalidades. É apenas a partir dos anos 50 que a FNAT começou a proporcionar aos trabalhadores a possibilidade de praticar desportos colectivos. O futebol era ainda frequentemente associado a situações de indisciplina individual e de grupo e à alteração da ordem social. 

 

Mas, a popularidade do futebol, a sua importância económica, a cultura urbana de massas e o crescimento urbano colocaram o desporto-rei na agenda das reformas urgentes. Assim, a sucessiva acção legislativa, a centralização das instituições desportivas e a reorganização das competições decorreram da necessidade de adequar o futebol às novas realidades sociais, culturais e demográficas e às intenções de um Estado que se caracterizava por ser altamente hierarquizado, autoritário e disciplinador. O Decreto nº 32 946, de 3 de Agosto de 1943, teve essa intenção ordenadora.

 

Foi neste contexto ideológico que se verificou uma das situações mais dramáticas que envolveram um dirigente desportivo português. Tratou-se da irradiação determinada pelo governo, em 1943, de Augusto Amado de Aguillar, presidente do Sporting. Por essa decisão governamental, o dirigente sportinguista ficou impedido de voltar a exercer quaisquer cargos de direcção em instituições ou organismos desportivos. O Supremo Tribunal Administrativo levantou o castigo em 1959, mas manteve a fundamentação da pena aplicada em 1943.

 

Amado de Aguillar foi um futebolista praticante muito activo na sua terra natal, Cuba, nos anos 20, um dos fundadores do Lutador Foot-Ball Club e, mais tarde, do Sporting de Cuba, filial nº 50 do Sporting. Advogado, foi eleito presidente do Sporting em 2 de Setembro de 1942 e demitido em 26 de Outubro de 1943.

 

A irradiação de Amado de Aguillar aconteceu na sequência da entrada em vigor do Decreto nº 32 946, e da nova regulamentação sobre as transferências dos futebolistas. O Sporting pretendeu contratar António Marques ao Académico do Porto, mas, depois de uma primeira autorização pela Direcção-Geral dos Desportos, a transferência do jogador ficou suspensa. O presidente leonino reclamou da suspensão da transferência e em ofício solicitou que “a própria Direcção-Geral não entrave a indispensável reorganização legal da secção de futebol do Clube”.

 

A troca de correspondência continuou nos dias seguintes, com Amado de Aguillar queixando-se em ofício de 13 de Outubro que “aborrece-me, profundamente, trabalhar no cumprimento de ordens dadas por V. Exa. em tom de quem se dirige a funcionários inferiores, esquecendo, lamentavelmente, que isto de dirigir um clube desportivo é coisa que só nos leva o repouso, amizades e, até, muito dinheiro”. O Director-Geral dos Desportos, Sacramento Monteiro, considerou, em 16 de Outubro, ter havido um “grave acto de indisciplina” e que o presidente do Sporting não possuía “idoneidade para o exercício de funções dirigentes em organismos desportivos”. Por essa razão, propôs a sua irradiação sumária, sem a realização de processo disciplinar, no que foi aprovado pelo Ministro da Educação Nacional. No entanto, conhecedor da decisão do governante, o presidente do Sporting tinha-se demitido das suas funções na véspera.

 

A irradiação de Amado de Aguillar implicou a nomeação pelo governo de uma Comissão Administrativa, dirigida por Diogo Alves Furtado, o presidente da Assembleia Geral do Sporting. Esta Comissão Administrativa entrou em funções no próprio dia 16 de Outubro, mas cessou-as em 17 de Novembro de 1943 em virtude da eleição de uma lista presidida por Alberto da Cunha e Silva para a direcção do Clube. Curiosamente, a época de 1943-44 foi boa para os leões, que conquistaram o Campeonato Nacional e a Taça Império. Amado de Aguillar só voltou a desempenhar funções desportivas na gerência de Brás Medeiros, como presidente da Assembleia Geral, entre 1965 e 1973.

 

Nota: A correspondência de Amado de Aguillar e a decisão de Sacramento Monteiro citadas neste texto podem ser consultadas no Arquivo da Direcção-Geral de Educação Física, Desportos e Saúde Escolar, Caixa, 04/357 - Actividades Desportivas, Corpos Gerentes, Disciplina, Diversos, 1954. Pasta 1959 - Corpos Gerentes. Procº 2/2, in “A pureza perdida do desporto: futebol no Estado Novo”, de Rahul Mahendra Kumar.

 

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publicado às 12:41

Fotografia com história dentro (50)

Leão Zargo, em 11.06.17

 

 Sporting Grupo Misto 26.2.1911.png

 

“Matches de foot-ball”

 

“No domingo gordo (26 de Fevereiro de 1911) realisou-se no Campo do Lumiar um desafio de foot-ball entre um team constituido por jogadores do Imperio e do Internacional e outro formado por socios do Sporting de Portugal.

 

O grupo mixto compunha-se dos senhores: Freitas, Daniel Cruz, Alvaro Freitas, Borja Santos, Augusto Sabbo, Travassos Lopes, Pestana, Carlos Sobral Charles Etur e Miranda.

 

Pelo Sporting jogaram os senhores: Gastão Pinto Basto, Costa, Joaquim Alves, A. Oliveira, Antonio Couto, A. Victal, Antonio Stromp, A. Rodrigues, Francisco Stromp, Candido Rodrigues e João Bentes.”

 

Foi assim que o jornal Os Sports Ilustrados (nº 38 de 4 de Março de 1911) começou a notícia sobre um desafio entre os “foot-ballers” do Sporting e de um misto do Sport Club Império e do Club Internacional de Foot-Ball. Como título tinha Matches de foot-ball”. Na primeira página do jornal constavam cinco fotografias do jogo e, nas páginas interiores, o jornalista terminou a crónica referindo que “a victoria do Sporting deu-se por 5 goals a 2”.

 

Os jogadores das duas equipas, acompanhados por uma criança, fizeram-se fotografar numa janela no Campo do Lumiar num ambiente de grande companheirismo. O autor do registo foi Arnaldo Garcez, um dos mais prestigiados fotógrafos portugueses da primeira metade do século XX.

 

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publicado às 12:49

Fotografia com história dentro (49)

Leão Zargo, em 04.06.17

 

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A linha avançada do Sporting em 1910-11

  

O Sporting Clube de Portugal foi fundado em 1 de Julho de 1906 com a finalidade de ser “tão grande quanto os maiores da Europa” (José Alvalade, 8 de Maio de 1906). Essa finalidade faz parte do ADN do Clube desde o seu instante original. Por essa razão, o próprio José Alvalade assumiu a presidência do Sporting em 1910, orientando-o no sentido do ecletismo (ténis, atletismo, ciclismo…), da criação de delegações (a primeira foi o Viana Taurino Club, de  Viana do Castelo, em Agosto de 1910) e da glória desportiva.

 

No seu início, o futebol era eminentemente ofensivo e uma equipa vencedora construía-se lá à ‘frente’. A fotografia refere-se à poderosíssima linha avançada leonina de 1910-11, constituída por António Rosa Rodrigues ‘Neco’, Francisco Stromp e Cândido Rosa Rodrigues ‘Candinho’ (de pé) e António Stromp e João Bentes (sentados). Uma memória longínqua que permanece, um fio invisível que junta diferentes gerações de sportinguistas, uma emoção que capta a atmosfera do tempo. Uma imagem, um século de História!

 

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publicado às 13:15

Sporting B (2016-17)

Leão Zargo, em 29.05.17

 

Portimonense Sporting B 2016-17.png

 

As equipas B participam no Campeonato da 2ª Liga desde 2012-13. Logo nesta época, o Sporting inscreveu na competição uma equipa com origem, essencialmente, na Academia de Alcochete, constituída por seniores de 1º e de 2º ano e por juniores de último ano. Jogadores mais experientes (3º e 4º ano), formados na Academia, proporcionaram uma maior capacidade competitiva. Houve, ainda, alguns jogadores contratados, no Verão de 2011 e em Janeiro de 2013, ou por empréstimo. No decurso da época de 2012-13 houve atletas que transitaram da equipa B para a equipa A.

 

Apesar de Bruno de Carvalho sempre ter afirmado (e de constar no seu programa eleitoral de 2013) que dirige pessoalmente todo o futebol do Clube, há em muitos sportinguistas a convicção de que nunca existiu um projecto específico para a equipa B. De facto, é pouca ou nenhuma a reflexão e a intervenção do presidente nessa área.

 

O Sporting B teve em 2016-17 uma época penosa, tendo permanecido durante algumas jornadas na zona de despromoção. A partir do mês de Fevereiro, com a substituição do treinador João de Deus por Luís Martins, houve uma recuperação significativa e evitou-se a despromoção. No final, a equipa classificou-se no 14º lugar, com 55 pontos, mais 3 pontos do que o Académico de Viseu, obrigado a participar no playoff de manutenção.

 

Para esta época foram contratados dezasseis jogadores e nas 42 jornadas da 2ª Liga alinharam 41 jogadores com a camisola leonina. Um número tão elevado de contratações nunca se tinha verificado anteriormente. Os técnicos da equipa B trabalharam com um plantel excessivo. Com um plantel assim não é possível haver um bom planeamento individual e colectivo, tudo é casuístico, decidido de acordo com as necessidades de cada momento competitivo.

 

Evitou-se um grande mal quando Luís Martins assumiu a orientação técnica da equipa. Com o novo treinador passou a haver uma maior solidez defensiva, com os jogadores mais próximos uns dos outros e mais pressionantes sobre os adversários. Isto permitiu maior posse de bola, menos riscos na grande área leonina e melhores soluções ofensivas. Havendo mérito de todos os jogadores em campo, destaca-se a boa integração do médio Rafael Barbosa, que regressou em Janeiro do empréstimo ao União da Madeira, e do avançado Gelson Dala que se estreou em Portimão, em 15 de Janeiro, e foi o melhor marcador da equipa.

 

Outro aspecto em que Luís Martins revelou grande acerto foi na utilização dos “reforços” da equipa A. Esta utilização é habitual e verifica-se todos os anos, embora nem sempre seja bem sucedida. Também se verificou com João de Deus, mas com resultados muito irregulares. O novo treinador teve o contributo de jogadores “resgatados” em Janeiro que alinharam na B com elevada mestria. Refiro-me a André Geraldes, Francisco Geraldes, João Palhinha (no jogo com o Guimarães B) e Ryan Gauld. Ricardo Esgaio e Matheus Pereira também desempenharam um papel relevante. Luís Martins foi capaz de colocar a qualidade individual destes jogadores ao serviço da dimensão colectiva da equipa.

 

Nas catorze jornadas em que orientou o Sporting B, Luís Martins obteve oito vitórias, três empates e três derrotas. Foram estes resultados desportivos que possibilitaram que a equipa saísse da zona de despromoção, quando estranhamente alguns sportinguistas já questionavam sobre a valia ou a necessidade da existência de uma equipa B. É importante que não se repita uma época assim. 

 

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publicado às 13:10

Fotografia com história dentro (48)

Leão Zargo, em 28.05.17

 

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O último dia do ‘leão’ Yazalde

  

A fotografia é do jornal francês L´Équipe e refere-se ao jogo em que o Sporting defrontou o Fluminense para o Torneio de Paris, em 19 de Junho de 1975. Hector Yazalde não se equipou e dois dias antes tinha feito o seu último jogo com a camisola leonina frente ao Paris Saint-Germain. O Olympique de Marseille pagou 12 500 contos e levou o goleador argentino.

 

Que se tratava do fim de um ciclo para uns e do início para outros é bem evidente nas expressões dos presidentes João Rocha e Fernand Méric, do Marselha. Méric procurava um goleador que substituísse Josip Skoblar, “l’Aigle Dalmate”. O presidente sportinguista ainda não podia imaginar o que Manuel Fernandes seria capaz de fazer com a camisola nove do ‘Chirola’.

 

Optimismo e dúvida. Expectativa e tensão. Ou como uma fotografia origina uma percepção invulgar da emoção quando consegue captar a atmosfera do momento e constitui um testemunho do acontecimento. A história pela imagem !

 

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publicado às 13:51

SC Braga B 1 - Sporting B 1

Leão Zargo, em 21.05.17

 

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Braga B e Sporting B defrontaram-se hoje no Estádio 1º de Maio na última jornada do Campeonato da 2ª Liga. O resultado final foi um empate (1-1). Ambas as equipas tinham o lugar na tabela classificativa já definido, embora os bracarenses ainda sonhassem aproximar-se do pódio em caso de vitória. Desta vez, o treinador Luís Martins não fez alinhar os “reforços” da equipa principal.

 

A partida foi bem disputada, com frequência na proximidade das duas grandes áreas. O Braga B foi mais ofensivo, sempre com muita gente no meio campo leonino, o Sporting B fazendo da velocidade dos seus jogadores e do contra ataque a sua estratégia para o jogo. O empate ajusta-se ao que se passou no campo.

 

Quando Joca colocou os arsenalistas a vencer por 1-0 aos 52 minutos, a equipa leonina acusou o golo e desorganizou-se. Alguns minutos depois, Martinez podia ter aumentado a vantagem. No entanto, com a entrada de Elói, Rafael Leão e David Sualehe no jogo, o Sporting equilibrou os acontecimentos. Mudou o 3-5-2 inicial para um 4-3-3. Sualehe segurou a defesa na faixa esquerda, Elói e Leão posicionaram-se na frente do ataque. Este jogador, um júnior que se estreou na equipa B, acabou por ser determinante, porque aos 89 minutos fez o golo do empate com um bom cabeceamento de cima para baixo. Um balde de água fria para os bracarenses que, pelos resultados noutros campos, chegaram a estar no 3º lugar da classificação.

 

O Sporting B terminou o Campeonato da 2ª Liga no 14º lugar, com 55 pontos. Uma posição frustrante, considerando as legítimas expectativas existentes no início da época e o desempenho habitual das equipas B leoninas.

 

Ficha de jogo:

 

Campeonato de 2ª Liga (42ª jornada)

SC Braga B 1 - Sporting B 1

Estádio Municipal 1º de Maio, 21 de Maio de 2017

Árbitro: Pedro Vilaça (AF Viana do Castelo)

 

SC Braga B: Tiago Pereira, Anthony D’Alberto, Inácio, Queirós, Simão, Bruno Jordão, Loum, Joca (Edelino Ié, 89′), Tomás Martínez (Trincão, 90′), Leandro (Rúben Alves, 63′) e Ogana

 

Treinador: João Aroso

 

Golo: Joca (52’)     

          

Sporting B: Stojkovic, Fidel Escobar, Kiki, Ivanildo Fernandes, Bubacar, Edu, Guima, Aouacheria, Diogo Nunes (David Sualehe, 72), Ronaldo (Elói, 60) e Leonardo Ruiz (Rafael Leão, 68)

 

Treinador: Luís Martins 

 

Golo: Rafael Leão (89’)

 

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publicado às 18:57

Fotografia com história dentro (47)

Leão Zargo, em 21.05.17

 

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Partir sem o ‘Chirola’, regressar com ele…

 

 

Nos anos de 1960 e 1970 era frequente haver em Portugal, em Janeiro, uma interrupção de duas semanas nas competições de futebol. Por essa razão, os dirigentes leoninos prepararam uma digressão ao México e ao Brasil na segunda quinzena de Janeiro de 1971. A fotografia refere-se ao momento em que Celestino, Nelson, Marinho, Gonçalves e Tomé, no Aeroporto de Lisboa, se preparavam para a partida.

 

Durante essa digressão, o Sporting obteve três vitórias (Curitiba, Chivas e León), duas derrotas (Atlas Guadalajara e São Paulo) e um empate (Vasco da Gama). Mas, a sua relevância decorreu do facto de Hector Yazalde se ter juntado no Brasil à comitiva e ter vestido pela primeira vez a camisola verde e branca.

 

Depois da conquista do título em 1969-70, a época seguinte não estava a corresponder às aspirações leoninas. A contratação mais sonante, o peruano Jaime Mosquera, estava a revelar-se um fracasso. Por isso, o interesse sportinguista centrou-se em Yazalde e o dirigente Abraão Sorin viajou para Buenos Aires para negociar com o Independiente. A tarefa não era fácil, o jogador era seguido por vários clubes, mas ‘Chirola’, por 3 500 contos, veio para o Sporting.

 

Apesar de já não poder ser inscrito na época de 1970-71, Yazalde juntou-se à comitiva leonina no Brasil, participou em dois jogos com o São Paulo e o Vasco da Gama, em 25 e 27 de Janeiro, e foi apresentado aos adeptos em Alvalade numa partida com os franceses do Red Star, em 24 de Fevereiro. A estreia oficial aconteceu num Sporting – Boavista disputado em 12 de Setembro de 1971, os leões venceram por 4-1 e o craque das Pampas marcou dois golos.

 

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publicado às 13:01

Fotografia com história dentro (46)

Leão Zargo, em 15.05.17

 

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De onde saiu a bola mágica?

 

A final da Taça das Taças disputada entre o Sporting e o MTK de Budapeste em 13 de Maio de 1964, em Bruxelas, foi emocionante, em grande parte pelas constantes alterações no marcador. O resultado foi um empate (3-3), mas dois golos seguidos dos húngaros, aos 70 e aos 72 minutos, fizeram prever o pior. No entanto, a nove minutos do fim do jogo, o sentido de oportunidade e a bravura física de Figueiredo numa jogada na pequena área obrigaram à finalíssima.

 

Dois dias depois, as equipas reencontraram-se em Antuérpia. Com a lesão de Bé no jogo da final, Anselmo Fernandez atribuiu a João Morais a marcação dos pontapés de canto. Figueiredo ficou com função de se colocar perto do guarda-redes, movimentando-se quando a bola partisse para que este o seguisse e desguarnecesse a baliza. Morais, que nessa noite tinha sonhado marcar daquela maneira, desenhou numa folha de papel A4 um pontapé de canto quase impossível e colocou a bola directamente na baliza. A magia do “cantinho do Morais”!

 

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publicado às 12:30

Sporting B 1 – Académica 2

Leão Zargo, em 14.05.17

 

 

O Sporting B foi derrotado hoje pela Académica de Coimbra por 1-2, na Academia de Alcochete. Com este resultado, os leões comprometeram definitivamente a candidatura a um dos objectivos definidos pelo treinador Luís Martins: um lugar no “top ten” da classificação da 2ª Liga. Azbe Jug, Ricardo Esgaio, Ryan Gauld e Francisco Geraldes jogaram de início, tal como Gelson Dala.

 

O Sporting entrou bem no jogo, marcou logo aos 6 minutos por Gelson Dala e conseguiu algum ascendente. Solidez no processo defensivo, com os jogadores próximos uns dos outros, e rapidez e agressividade no meio campo adversário através de trocas rápidas de bola, com boa ocupação do espaço interior, permitiram esse controlo da partida.

 

Na 2ª parte a Académica tornou-se mais ameaçadora e procurava o golo do empate, quando aos 58 minutos aconteceu uma situação absolutamente caricata. Budag Nasyrov, que aquecia perto da baliza do Sporting, procurou controlar uma bola que saía pela linha de fundo, tocando-lhe com a mão direita. Dentro da grande área! Penálti contra o Sporting e Rui Miguel conseguiu o empate.

 

A equipa leonina acusou as circunstâncias em que o penálti se verificou, desarticulou-se e enveredou por um futebol confuso. A Académica tornou-se mais perigosa. Aos 77 minutos um falhanço de Kiki permitiu que Rui Miguel encostasse para o golo e bisasse. Até ao final do jogo, os jogadores do Sporting B reagiram e podiam ter marcado por Ronaldo Tavares, que falhou de cabeça, perto da linha de golo, um pontapé de canto bem executado por Esgaio. Minutos antes Ryan Gaul tinha visto o cartão vermelho por entrada dura sobre um adversário. Foi um fim de tarde triste na Academia.

 

Com esta vitória, o Sporting B soma 54 pontos e ocupa o 14º lugar da classificação. Na próxima jornada, em 21 de Maio, os leões deslocam-se a Braga para defrontar a equipa B dos bracarenses. É a último jogo do Campeonato da 2ª Liga.

 

Ficha de jogo:

 

Campeonato da 2ª Liga (41ª Jornada)

Sporting B 1 – Académica 2

Stadium Aurélio Pereira, 14 de Maio de 2017

Árbitro: Tiago Antunes (AF Coimbra)

 

Sporting B: Azbe Jug, Fidel Escobar, Kiki, Ivanildo Fernades, Ricardo Esgaio, Edu Pinheiro, Ryan Gauld, Francisco Geraldes, Bilel (Ronaldo Tavares, 83), Gelson Dala (Budag, 75) e Leonardo Ruiz

 

Treinador: Luís Martins

 

Golos: Gelson Dala (6')

 

Académica: Ricardo Ribeiro, Correia (Ernest, 62), Diogo Coelho, Yuri Matias, Makonda, Jimmy, Nuno Piloto (Kaká, 73), Leandro, Marinho, Traquina e Rui Miguel (Diogo Ribeiro, 78)

 

Treinador: Francisco da Costa (Costinha)

 

Golo. Rui Miguel (60’ e 77’)

 

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publicado às 18:52

 

Foto Filipe Amorim.jpg

 

Assim que terminou o jogo com o Belenenses em Alvalade, Bruno de Carvalho apressou-se para o seu bilionésimo post no Facebook. Escrito a quente, procurando aliviar as costas de responsabilidades, colocou-se na pele do adepto desiludido e atirou-se ao treinador e aos jogadores. Nem o futsal escapou. Como se não fosse ele o presidente do Clube, pediu desculpa aos sportinguistas, ao mesmo tempo que sacudiu a água do capote. Os erros são dos outros.

 

Depois de quatro anos de “cultura de exigência”, de muitas voltas olímpicas aos estádios e de variadas entrevistas aos jornais, ocorreu a Bruno de Carvalho que pode ficar com a carne, enquanto os outros roem os ossos. Não pode, porque, no regime que instituiu no Sporting, é ele o primeiro responsável. Isto consta nos seus programas eleitorais e em inúmeras dissertações suas sobre o funcionamento do Clube. É ele que tem de dar a cara se a época foi mal preparada, se houve fracasso na generalidade das contratações e se as promessas de vitórias ficaram todas pelo caminho.

 

No Sporting não existe alguém com autonomia de funções e pensamento próprio que faça a ligação entre o presidente e o treinador. Que tenha autoridade e conhecimento, simultaneamente. Por exemplo, não há um director desportivo de facto, com competência funcional, que apoie a Direcção na análise e na responsabilização de decisões. Não é necessariamente mau, muitos clubes funcionam assim, mas isso coloca Bruno de Carvalho no topo da cadeia de responsabilidades pois é a figura omnipresente e omnipotente.

 

Tudo se complica quando se sabe que ele é absolutamente desconhecedor da realidade e dos meandros do futebol. Que esse desconhecimento é agravado pelo deslumbramento e pelo convencimento pessoal. Mas, ainda fica pior, quando nele há um invulgar sentido de irresponsabilidade e de ausência de capacidade de autocrítica. Ao fim deste tempo todo, o presidente ainda não percebeu que tem de organizar o futebol do Sporting. Nem percebeu aquilo que correu mal e que tem de ser corrigido. Ninguém consegue tapar o sol com uma peneira.

 

Mais uma vez, Bruno de Carvalho vem para a rua gritar que “tudo tem de ser diferente na próxima época”. Na verdade, nada adianta gritar muito alto, se não preparar o Clube para vencer. Ainda vai ser pior do que aquilo a que estamos a assistir este ano. No Sporting, percebe-se que é volátil tudo o que foi feito nestes quatro anos, que nada resiste a um abanão. Não há estrutura, não há resiliência. Não há estratégia, não há projecto. Tudo é efémero, tudo muda à velocidade da luz, apenas permanece a “luta contra tudo e contra todos”.

 

Em casos assim, quando as coisas correm mal, cada um procura salvar a pele e fugir para longe dos problemas. Continuando desta forma, como tem acontecido até agora, no próximo ano, por esta altura, os sportinguistas estarão confrontados com o espectro de eleições antecipadas. Ou porque já foram marcadas. Ou porque terão de ser marcadas. É que esta rotina de gabarolice e de prosápia, seguida de fracasso e de pedido de desculpas, conduz sempre inevitavelmente ao desastre.

 

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publicado às 12:36

Fotografia com história dentro (45)

Leão Zargo, em 07.05.17

 

Ac. Viseu - Sporting 27.11.1988.jpg

 

O último jogo de Damas

  

Vítor Damas vestiu pela última vez a camisola leonina no Estádio do Fontelo, em 27 de Novembro de 1988. Foi num Académico de Viseu – Sporting (empate a 2-2), num tempo muito conturbado do Clube, com a instabilidade da presidência de Jorge Gonçalves a minar o desempenho da equipa de futebol. Um jogo difícil, os leões conseguiram colocar-se à frente no marcador, mas, no último minuto um desentendimento na defensiva sportinguista permitiu o golo do empate viseense. José Alhinho foi o marcador do golo.

 

Poucos dias depois, em 30 de Novembro, Damas anunciou, em conferência de imprensa, o final da sua carreira de futebolista. Quando foi questionado sobre a razão, afirmou que por intuição sentiu que chegara o momento de terminar. Tinha 41 anos de idade e despediu-se de forma amargurada, quase anónima, um dos maiores símbolos da história do Sporting, cuja presença na baliza impunha respeito aos adversários pelo seu carisma pessoal, sentido posicional e personalidade que revelava em todos os momentos dos jogos. Foi o fim de um ciclo que se iniciou num longínquo 4 de Fevereiro de 1961, quando uma equipa de juvenis do Sporting defrontou o Palmelense.

 

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publicado às 12:00

FC Porto B 3 - Sporting B 2

Leão Zargo, em 30.04.17

 

 

O Sporting B defrontou hoje o FC Porto B em Vila Nova de Gaia. O resultado de 3-2 a favor dos portistas não exprime o que se passou no relvado, pois as duas equipas equivaleram-se durante os 90 minutos. Sem dúvida, foi um dos melhores jogos desta época na 2ª Liga. Os leões alinharam logo de início com André Geraldes, Ryan Gauld e Matheus Pereira.

 

Os portistas marcaram logo no primeiro minuto por Kayembe. Ainda as equipas se organizavam, e o Sporting B já estava a perder. Os minutos que se seguiram foram difíceis para os leões, mas aos dez minutos Ryan Gauld ameaçou a baliza de Gudiño. Depois, Rafael Barbosa e Matheus Pereira fizeram o mesmo. O golo de Gelson Dala aos 24 minutos colocou justiça no marcador. Mas, futebol é futebol, e Rui Moreira (28 minutos) e Gelson Dala (34 minutos) agitaram de novo uma partida que se estava a revelar espectacular. E, nos minutos seguintes, Kayembe, Govea e Matheus Pereira (por duas vezes) podiam ter marcado.

 

A segunda parte começou de forma mais calma, com observação mútua do jogo das duas equipas. Havia equilíbrio quando Rafael Barbosa foi expulso, aos 67 minutos, por entrada dura sobre André Pereira. Três minutos depois, o mesmo jogador portista fez o 3-2. Aos 85 minutos o árbitro Bruno Esteves anulou um golo a Gelson Dala por considerar que este estava em posição irregular. E o Sporting não voltou a criar verdadeiro perigo.

 

Gelson Dala esteve muito inspirado, foi um jogador em grande destaque durante toda a partida. Marcou 11 golos em 15 jogos na 2ª Liga. Ele e o colombiano Leonardo Ruiz são os melhores marcadores da equipa.

 

Com este resultado, o Sporting B desceu para o 14º lugar na classificação, com 53 pontos. Na próxima jornada há dérbi, pois os leões defrontam o Benfica B em Alcochete, no dia 5 de Maio.

 

Ficha de jogo:

 

Campeonato de 2ª Liga (39ª jornada)

FC Porto B 3 - Sporting B 2

Estádio Dr. Jorge Sampaio, Vila Nova de Gaia, 30 de Abril de 2017

Árbitro: Bruno Esteves (AF Setúbal)

 

FC Porto B:  Gudiño, Ferrnando Fonseca (Inácio, 75), Verdasca, Rui Moreira, Musa Yahaya, Govea, Fede Varela (Bruno Costa, 87), Francisco Ramos, Kayembe, Galeno (Ismael Díaz, 80) e André Pereira

 

Treinador: António Folha

 

Golos: Kayembe (1m), Rui Moreira (28m) e André Pereira (70m)

 

Sporting B: Pedro Silva, André Geraldes, Kiki, Escobar, Pedro Empis (Bilel Aoucheria, 83), Ryan Gauld, Guima (Edú Pinheiro, 61), Leonardo Ruiz (Budag, 73), Matheus Pereira, Rafael Barbosa e Gelson Dala

 

Treinador: Luís Martins

 

Golos: Gelson Dala (24m e 34m)

 

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publicado às 17:50

Fotografia com história dentro (44)

Leão Zargo, em 30.04.17

 

Juca e Bettencourt Cardoso 1949.jpg

Juca homenageado por Abel Bettencourt Cardoso, presidente do Sporting

de Lourenço Marques, 1949 (Fotografia in “The Delagoa Bay Company”)

 

 

Juca

 

 

Júlio Cernadas Pereira (o inesquecível Juca) nasceu para o futebol nas camadas juniores do Sporting de Lourenço Marques. Era guarda-redes e disputava a baliza com Costa Pereira. Fosse por causa da concorrência, ou pela sua qualidade para jogar na linha média, a verdade é que o seu treinador o colocou no meio-campo. Desportista eclético, também praticou basquetebol.

 

Em 1949, apenas com 20 anos idade, Juca já era titular na Selecção de Moçambique e brilhava graças ao seu futebol elegante e tecnicista, com grande visão de jogo. Um dos directores da filial sportinguista laurentina, o proprietário da Papelaria Progresso, convenceu o Sporting - sede a contratá-lo. Depois, foi a longa viagem para Portugal no navio “Mouzinho de Albuquerque”, durante trinta e um dias.

 

Juca chegou a Lisboa em 10 de Setembro de 1949, acompanhado por Mário Wilson. Estreou-se na equipa principal leonina pouco tempo depois, em Outubro, num jogo com o Lusitano VRSA. Jogava na linha média, normalmente a quarto-defesa, uma espécie de trinco da altura, uma novidade no futebol. Como era inteligente tacticamente, adaptou-se sem problemas ao lugar. Por ser eficaz a jogar de cabeça, chamaram-lhe o “cabecinha de ouro”.

 

Juca vestiu a camisola leonina até 1958, foi Campeão Nacional cinco vezes e conquistou uma Taça de Portugal. Foi o autor do primeiro golo no Estádio de Alvalade inaugurado em 1956, num jogo com o Vasco da Gama. Terminou prematuramente a carreira em virtude de grave lesão num joelho. Em 1961-62 conduziu o Sporting ao título, tornando-se aos 33 anos no mais jovem treinador a sagrar-se Campeão Nacional em Portugal.

 

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publicado às 13:05

Jesus a perder a graça ?

Leão Zargo, em 26.04.17

 

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Para muitos sportinguistas, Jorge Jesus perdeu a graça. Nas conversas, no Estádio de Alvalade ou nas redes sociais percebe-se isso mesmo. Os aspectos negativos do seu trabalho sobrepuseram-se (e muito) aos aspectos positivos.

 

Cada vez mais adeptos leoninos recordam que a equipa que conquistou a Supertaça foi quase a mesma da final da Taça de Portugal em 2015. Concluem que Jesus deu seguimento ao trabalho de Marco Silva. Este ano, a pré-época foi mal preparada. Com Jesus, jogadores medianos tornaram-se medíocres. E grandes jogadores não chegaram ao estrelato. Nele, a relação custo – benefício é catastrófica. O próprio salário. O fiasco de tantas (demasiadas!) contratações. Um plantel com uma massa salarial absurda. A Formação que parece que secou. O absoluto fracasso desportivo de uma época errática (2016-17). As desculpas de mau pagador. As incoerências. A prosápia. Na verdade, ninguém pode ser ele mesmo e o seu oposto. Ou é, ou não é.

 

Era crucial vencer o derby do fim-de-semana. Por várias razões, nomeadamente por três: reafirmar o orgulho leonino, garantir a dignidade competitiva da equipa até ao fim da época e lançar a próxima. Jesus não teve a ambição de ganhar, jogou para não perder. Ederson não defendeu sequer um remate. À lentidão geral do jogo da equipa, juntou a lentidão natural de Bryan Ruiz. A entrada de Podence aos 80 minutos tornou-se reveladora. Quase que não houve um canto, um livre ou um lançamento da linha lateral que revelassem preparação nos treinos. Agora, o Sporting de Jesus para alcançar a pontuação do Sporting de Marco Silva tem de vencer todos os jogos até ao final do Campeonato.

 

Uma coisa é certa, quem perde a graça, mais cedo ou mais tarde, cai em desgraça. Não há volta a dar a isso.

 

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publicado às 13:07

Fotografia com história dentro (43)

Leão Zargo, em 25.04.17

 

Final da Taça de Portugal 1973-74.jpg

 

O 25 de Abril no Jamor

 

O Sporting e o Benfica disputaram uma final da Taça de Portugal em 9 de Junho de 1974 num ambiente invulgar e irrepetível. Pouco tempo antes tinha-se verificado o 25 de Abril e os adeptos do futebol festejaram a Revolução dos Cravos nas bancadas e no relvado do Jamor.

 

Helicópteros sobrevoaram o recinto e lançaram cravos vermelhos sobre a multidão. Os jogadores entraram em campo em clima de festa. O general António Spínola, presidente da Junta de Salvação Nacional, chegou à tribuna do Estádio Nacional ao som de ‘Grândola Vila Morena’. O primeiro-ministro Adelino da Palma Carlos convenceu os presidentes do Sporting e do Benfica, João Rocha e Borges Coutinho, a abraçarem-se em nome da Liberdade e a reactivarem as relações institucionais entre os dois clubes interrompidas desde 1961 pelo diferendo sobre Eusébio.

 

Naquele dia o relvado foi invadido várias vezes por espectadores. Quando se marcava um golo e quando o jogo terminou. A final foi disputadíssima, verdadeiramente épica. O Benfica esteve à frente do marcador, mas Chico Faria empatou a dois minutos do fim. Outro leão, Marinho, marcou aos 107 minutos do prolongamento. Ao título de Campeão Nacional em 1973-74, o Sporting juntou a Taça de Portugal.

 

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publicado às 08:28

Sporting B 3 – V. Guimarães B 0

Leão Zargo, em 23.04.17

 

 

O Sporting B venceu com alguma facilidade o V. Guimarães B hoje à tarde na Academia de Alcochete. Aos vinte e cinco minutos já vencia por 3-0, que seria o resultado final. André Geraldes, Ricardo Esgaio, João Palhinha, Francisco Geraldes e Ryan Gauld alinharam de início. O técnico Jorge Jesus assistiu ao jogo.

 

Os leões entraram muito fortes na partida e, aos 8 minutos, Matheus Pereira inaugurou o marcador. Jogada de envolvimento pela direita, com o brasileiro a furar pela defesa contrária e a rematar sem hipótese de defesa para Miguel Oliveira. O Sporting B continuou a pressionar, e Gelson Dala bisou aos 20 minutos e aos 25 minutos. O primeiro golo por solicitação de Ricardo Esgaio, o segundo dando seguimento a uma iniciativa de Francisco Geraldes.

 

Na segunda parte, a equipa leonina geriu a vantagem, baixou o ritmo do jogo e privilegiou a posse de bola. Com pouca emoção, a partida arrastou-se até ao final, valendo pelos primeiros quarenta e cinco minutos. Gelson Dala esteve em destaque ao marcar por duas vezes. O internacional angolano soma 9 golos em 14 jogos, sendo o segundo melhor marcador da equipa logo seguir a Leonardo Ruiz, com 11 golos.

 

Com este resultado, o Sporting B está no 12º lugar da classificação, com 53 pontos. Na próxima jornada, em 30 de Abril, os leões viajam até Vila Nova de Gaia para defrontar o FC Porto B.

 

Ficha de jogo:

 

Campeonato da 2ª Liga (38ª Jornada)

Sporting B 3 – V. Guimarães B 0

Stadium Aurélio Pereira, 23 de Abril de 2017

Árbitro: Manuel Mota (AF Braga)

 

Sporting B: Pedro Silva, André Geraldes, Kiki, Fidel Escobar, Ricardo Esgaio, Palhinha, Francisco Geraldes (Ronaldo Tavares, 80), Ryan Gauld, Matheus Pereira, Rafael Barbosa (Bilel, 66) e Gelson Dala (Leonardo Ruiz, 72)

 

Treinador: Luís Martins

 

Golos: Matheus Pereira(8') e Gelson Dala (20' e 25')

 

V. Guimarães B: Miguel Oliveira, Falaye Sacko, Denis, Marouane, Vigário, Al Musrati (Joseph, 45), Kiko, Haashim Domingo (Xande Silva, 67), João Correia (Sérgio, 72), Hélder e Bruno Mendes

 

Treinador: Vítor Campelos

 

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publicado às 19:50

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