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O Sporting B deslocou-se ao complexo desportivo do Real Massamá, para conseguir um precioso, embora dramático triunfo. Na realidade, a equipa leonina parecia que iria sair derrotada, quando Pedro Marques, aos 89 minutos, fez o golo do empate. E, a coroar a reacção sportinguista nos últimos 20 minutos de jogo, Pedro Delgado fez o golo da vitória aos 90+3 minutos. De certa forma, repetiu-se no Monte Abraão o que se passou na Covilhã, vitória por 2-1 conseguida nos derradeiros minutos com golpes de audácia e de persistência.

 

O árbitro Jorge Sousa protagonizou uma cena algo caricata e que, por certo, dará que falar, ao dirigir-se a Stojkovic em português vernáculo: “Eu não brinco com ninguém, cara…, põe-te na pu... da baliza, cara…”! Realça-se a calma e a paciência do guarda-redes leonino perante o desatino do árbitro portuense. Estavam decorridos 63 minutos de jogo e o resultado ainda em 0-0.

 

 

Com esta vitória, o Sporting B está classificado em 5º lugar, com 6 pontos. Na próxima jornada, em 23 de Agosto, recebe o Cova da Piedade na Academia de Alcochete, às 16h00.

 

Ficha de jogo:

 

Campeonato da 2ª Liga (3ª jornada)

Real Massamá 1 - Sporting B 2

Complexo Desportivo do Real Massamá, Monte Abraão, 20 de Agosto de 2017

Árbitro: Jorge de Sousa (AF Porto)

 

Real Massamá: Tom Santos, Jorge Bernardo, Vasco Coelho, Dmytro Lytvyn, Zé Pedro, Kikas (Morgado, 58), Brash, João Basso (Gustavo Cazonatti, 84), Abou Touré, Marcos Barbeiro (Marcelo Lopes, 79) e Carlos Vinícius

 

Treinador: Filipe Martins

 

Sporting B: Stojkovic, Bruno Paz, Merih Demiral, Kiki Kouyaté, David Sualehe (Abdu Conté, 71) Miguel Luís, Pedro Delgado, Rafael Barbosa, Jovane Cabral, Cristian Ponde (Kenedy Có, 55) e Rafael Leão (Pedro Marques, 71)

 

Treinador: Luís Martins

 

Golos: 1-0, Jorge Bernardo (65’), 1-1, Pedro Marques (89’) e 1-2, Pedro Delgado (90’+3’)

 

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publicado às 15:59

Fotografia com história dentro (60)

Leão Zargo, em 20.08.17

 

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Caldeira e o nervoso da estreia

 

O Sporting contratou Manuel Caldeira ao Lusitano de Vila Real de Santo António no Verão de 1950. O jogador, com 23 anos de idade, já possuía bastante experiência como defesa direito, e os leões precisavam de reforçar o seu sector recuado que acusava alguma veterania. Constou que terá recebido 100 contos de “luvas”, uma quantia significativa para a época.

 

A estreia oficial verificou-se num Benfica - Sporting para o Campeonato Nacional, no Jamor, em 17 de Setembro de 1950. Caldeira era um jogador enérgico, destemido, que não virava a cara à luta, muito seguro de si, mas naquele derby as pernas tremiam-lhe como varas verdes e suava abundantemente. Como dava sinais de nervosismo e ansiedade, o capitão de equipa, o guarda-redes João Azevedo, perguntou-lhe se havia algum problema. “É medo, senhor João, é medo”, respondeu-lhe o algarvio. O Sporting venceu por 3-1 e o novo leão fez uma exibição muito positiva, ficando aprovado no exame.

 

O medo passou-lhe depressa. Manuel Caldeira vestiu a camisola leonina em 217 jogos oficiais durante nove temporadas e conquistou o título de Campeão Nacional por cinco vezes. Participou em 4 de Setembro de 1955 no Sporting - Partizan de Belgrado, o primeiro encontro para a Taça dos Clubes Campeões Europeus. Em 2003 foi distinguido com o Prémio Stromp na categoria Saudade.

 

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publicado às 14:51

Fotografia com história dentro (59)

Leão Zargo, em 13.08.17

 

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Abrantes Mendes e a tentativa por Pelé

 

A vida de António Abrantes Mendes cruzou-se com o Sporting durante quase meio século. Na realidade, começou em 1926 nos juniores e vestiu a camisola leonina até 1939, tendo integrado uma linha avançada precursora dos “Cinco Violinos”, com Mourão, Gralho, Valadas e “Abelhinha”. Depois, jogou ao lado de outros grandes nomes como Peyroteo, Pireza, Soeiro e Francisco Lopes. Chamaram-lhe o “avançado doutor” por se ter licenciado em Direito. Vestiu a camisola das quinas por duas vezes.

 

Quando terminou a sua carreira de jogador de futebol, Abrantes Mendes continuou ligado ao Sporting. Foi “olheiro” (por exemplo, descobriu o avançado João Martins na CUF), treinador (dos juniores por várias vezes, da equipa principal em 1945-46 e adjunto de Cândido de Oliveira), dirigente (fez parte das direcções dos presidentes Joaquim Oliveira Duarte e António da Cunha Rosa) e Secretário Técnico da equipa que conquistou a Taça dos Vencedores das Taças, em 1964.

 

O jornalista Afonso de Melo publicou no jornal i (11.8.2017) uma história verídica sobre o dirigente sportinguista, mas pouco conhecida. Aconteceu no início de 1964 quando ele foi ao Brasil tentar contratar Pelé. O Sporting possuía um plantel fortíssimo, que se equivalia ao do Benfica, ficando apenas a perder pelo desempenho de Eusébio que frequentemente desequilibrava nos jogos decisivos. Por sua vez, o craque do Santos atravessava um tempo conturbado no clube que o acusava de pouco empenhamento e de aburguesamento. E que se queixava demasiado de lesões.

 

No Brasil, Abrantes Mendes entrou em contacto com os dirigentes santistas, apresentou uma proposta financeira, que no entanto não foi aceite. É que, entretanto debelada uma lesão, Pelé levou o Santos à vitória no Campeonato Paulista, sendo o melhor marcador da competição, e teve um papel decisivo na goleada por 5-1 à Inglaterra, no Maracanã, em Maio desse ano. Um pouco por essa razão, o Secretário Técnico leonino regressou a Lisboa de mãos a abanar e Pelé ficou no clube brasileiro ainda por mais dez anos, até 1974.

 

Na fotografia, equipa leonina em 1935-36

 

Em cima: Martinho de Oliveira (capitão-geral), Faustino, João Correia “Abelhinha”, Rui Araújo, Jurado, Vianinha, Azevedo e Wilhelm Possak (treinador);

 

Em baixo: Abrantes Mendes, Pedro Pireza, Manuel Soeiro, Adolfo Mourão e Francisco Lopes.

 

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publicado às 12:25

Fotografia com história dentro (58)

Leão Zargo, em 06.08.17

 

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Um jogo de enganos

 

Em 31 de Março de 1974 disputou-se um Sporting – Benfica que é irrepetível. Alguns minutos antes do apito inicial do árbitro, Marcello Caetano, o Presidente do Conselho de Ministros, dirigiu-se à tribuna presidencial do Estádio de Alvalade acompanhado por João Rocha e Borges Coutinho, presidentes do Sporting e do Benfica, e Veiga Simão, Ministro da Educação Nacional. A multidão, calculada em 60 000 espectadores, tributou-lhe uma enorme ovação.

 

O antigo primeiro-ministro considerou que a ida a Alvalade era um teste político. Poucos dias antes, em 16 de Março, tinha-se verificado a sublevação do Regimento de Infantaria 5, nas Caldas da Rainha, e a marcha militar sobre Lisboa que obrigou Marcello a refugiar-se num quartel militar em Monsanto. No seu livro “Depoimento”, publicado em 1974, ele refere que ficou descansado pelo ambiente no Estádio, para além de que “as informações que chegavam ao governo também garantiam sossego geral e apoio ao regime”.

 

Afinal, saber-se-ia depois, tratou-se de um jogo de enganos. O Sporting mesmo tendo perdido por 5-3, conquistou o título de campeão, e a vitória do Benfica não foi decisiva nas contas finais. Para além de se ter falado durante a semana de um árbitro estrangeiro que afinal não houve. E Marcello Caetano, apesar de se ter convencido de que não corria o perigo de um golpe militar, menos de um mês depois estava confrontado com a Revolução do 25 de Abril. Um jogo de enganos!

 

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publicado às 12:09

Contratações (pouco) cirúrgicas

Leão Zargo, em 04.08.17

 

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No início e no final de cada época desportiva, Bruno de Carvalho prometeu sempre aos sportinguistas que apenas efectuaria “contratações cirúrgicas”. Com poucas alterações, trata-se de um tipo de discurso que ele utiliza desde 2013 e que, no essencial, corresponde ao que garantiu numa entrevista à TSF, em Abril de 2016: “Vamos manter aquela que é a equipa e os seus valores e faremos unicamente contratações cirúrgicas. Apenas duas ou três e absolutamente cirúrgicas”. Esta época, o presidente do Sporting sublinhou que os futebolistas a contratar terão de possuir talento, combatividade, capacidade de trabalho, capacidade de superação e compromisso com o Clube e os seus objetivos.

  

O que se passou nas últimas semanas corresponde em absoluto a um padrão antigo e bem conhecido. Para já, em 2017-18, foram contratados André Pinto, Cristiano Piccini, Bruno Fernandes, Mattheus Oliveira, Rodrigo Battaglia, Fábio Coentrão, Marcos Acuña, Jérémy Mathieu e Romain Salin. Na linha dos “empréstimos”, este ano temos Seydou Doumbia. Ao que consta Stefan Ristovski está quase a chegar. No entanto, continua-se a falar de necessidades para posições específicas e ainda de outros nomes.

 

A conversa sobre as contratações cirúrgicas visa iludir a incapacidade da construção de um plantel coerente, equilibrado e vencedor. Na mesma entrevista à TSF Bruno de Carvalho garantiu que “o Jorge (Jesus) é o cimento que veio agarrar toda esta infraestrutura que está a ser criada, todo este projeto”. Na verdade, não se percebe qual é o projecto e parece que há areia a mais e cimento a menos.

  

Desde que Bruno de Carvalho foi eleito, para além dos jogadores que contratou esta época, vieram os seguintes futebolistas para a equipa principal do Sporting:

 

- Época de 2013-14 (dez jogadores): Jefferson, Montero, Welder, Gerson Magrão, Slimani, Vítor Silva, Maurício, Iván Piris, Shikabala e Heldon.

  

- Época de 2014-15 (dez jogadores): Tanaka, Ryan Gauld, Jonathan Silva, Slavchev, Paulo Oliveira, Oriol Rossel, Nabi Sarr, Ramy Rabia, André Geraldes e Ewerton.

 

- Época de 2015-16 (Treze jogadores): Zeegelaar, Schelotto, Bruno César, Teo Gutierrez, Paulista, Aquilani, Brian Ruiz, João Pereira, Naldo, Azbe Jug, Barcos, Coates e Ciani.

 

- Época de 2016-17 (dez jogadores): Spalvis, Bas Dost, André, Elias, Castaignos, Beto, Meli, Alan Ruiz, Petrovic e Douglas.

 

A realidade é que o plantel não estabilizou. Por exemplo, da equipa que conquistou a Taça de Portugal em 2014-15 restam quatro atletas (Rui Patrício, William Carvalho, Adrien Silva e Gelson Martins). Trata-se de uma estratégia que apenas aumenta “gorduras”, em que as mais-valias são as excepções e que resolve poucos problemas, mas que acrescenta muitos. É uma estratégia que fez subir excessivamente a massa salarial do futebol e que dificulta a aposta em jogadores da formação. Afinal, o contrário do que foi prometido uma e outra vez e ainda outra vez. Há exibicionismo a mais e rigor a menos. Assim, é difícil construir um projecto vencedor e com futuro. Assim, é difícil que se renove a esperança, a confiança.

 

Nota: Para além dos jogadores que são referidos no texto há mais algumas dezenas que não são citados por, em teoria, se destinarem à equipa B: Hugo Sousa, Salim Cissé, Dramé, Lewis Enouh, Everton Gonçalves, Hadi Sacko, Seejou King, Federico Ruiz, Eduardo Pinheiro, Diogo Nunes, Ricardo Guimarães, David Sualehe, Boubakar Kouyaté, Leonardo Ruiz, Budag Nasyrov, Fidel Escobar, Liam Jordan, Ricardo Almeida, Pedro Delgado, Bilel Aouacheria, Gelson Dala, Ary Papel e Merih Demiral, entre muitos. Por outro lado, Nani, Campbell e Markovic eram jogadores “emprestados” e, por isso, não constam da lista.

 

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publicado às 12:30

Fotografia com história dentro (57)

Leão Zargo, em 30.07.17

 

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Osvaldo Silva e a eliminatória com o O. Lyonnais em 1964

 

Osvaldo Silva teve muitos jogos de glória com a camisola leonina, entre 1962 e 1966. Foi um excelente jogador de futebol, um médio de ataque explosivo, a faísca da equipa, e que desempenhou um papel fundamental na caminhada épica pela Taça das Taças em 1964. Anselmo Fernandez e Juca tinham grande confiança nele. É muito referido o seu hat-trick naquela noite prodigiosa do Sporting - Manchester United quando obrigou David Gaskell a ir buscar a bola ao fundo das redes aos 2, 11 e 54 minutos.

 

Mas, houve outra eliminatória dessa Taça das Taças que ficou para a história e que é recordada frequentemente pelos sportinguistas. Foram os três jogos nas meias-finais com o Olympique Lyonnais, onde jogavam dois craques temíveis, Combin e Di Nallo. Depois dos empates em Lyon (0-0) e em Alvalade (1-1), as duas equipas defrontaram-se no Metropolitano de Madrid para o desempate. O desafio decorria com muita luta e muito equilíbrio, quando, num imprevisto, aos 65 minutos de jogo, “Osvaldão” inventou um remate à meia volta que deu o golo que eliminou os franceses.

 

Naquela noite madrilena Osvaldo Silva foi a principal figura em campo, pelo que jogou, pelo que fez jogar e por esse lance decisivo. Um gigante! E a final de Bruxelas ficou logo ali ao alcance de uma mão.

 

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publicado às 14:29

 

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A Sporting SAD ainda não procedeu ao pagamento voluntário da dívida à Doyen Sports relativa à transferência de Marcos Rojo para o Manchester United e da rescisão do contrato com Zakaria Labyad. Inicialmente tratava-se de 14,2 milhões de euros (Rojo) e de 1,5 milhões de euros (Labyad), acrescidos de uma determinada quantia referente a juros (0,5% por cada mês de atraso). A decisão do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), depois confirmada pelo Supremo Tribunal da Suíça, foi tomada em Dezembro de 2016 e considerada irrevogável.

 

O acórdão do TAS foi particularmente duro ao declarar que “o painel determina que o Sporting não pode, em boa-fé, alegar que tinha justa-causa para terminar unilateralmente a relação contratual com a Doyen”. Os juízes consideraram que Carlos Vieira, administrador financeiro da Sporting SAD, “não foi capaz de responder à questão lançada pelo painel sobre quais os danos materiais causados pela Doyen ao Sporting”. Foi rejeitado, assim, o pedido de indemnização apresentado pelos leões.

 

Em Maio de 2017, o TAS executou 2,5 milhões de euros que entregou à Doyen. A verba para essa execução foi retirada de um montante de 18 milhões de euros referentes aos prémios de participação do Sporting na Liga dos Campeões em 2016-17 e que se encontram retidos no ‘Office des Poursuites’, na Suíça. Nessa data a dívida era de cerca de 17 milhões de euros, embora a empresa de fundos reivindique um valor superior a 20 milhões de euros.

 

Por enquanto, a Doyen optou por não acionar a penhora das verbas retidas na UEFA, através de um tribunal de Nyon, pois, oficialmente, aguarda pelo pagamento voluntário da dívida. Entretanto, os juros vão aumentando a cada mês que passa, agravando a factura. Carlos Vieira defende-se afirmando que o Sporting aguarda uma decisão de uma instância portuguesa (Tribunal da Relação de Lisboa) e que o valor devido está provisionado no último Relatório e Contas semestral.

 

Na inauguração do Pavilhão João Rocha, no passado mês de Junho, Bruno de Carvalho recordou que tinha garantido “que iríamos ter pavilhão 'Doyen a quem doer' e aqui está”. Sublinhou dessa maneira que a construção da obra, em grande parte, verificou-se com dinheiro da dívida à empresa de fundos. Mas, oxalá que ele saiba o que está a fazer e que o pavilhão desportivo não se torne num dos mais caros do mundo!

 

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publicado às 12:27

Fotografia com história dentro (56)

Leão Zargo, em 23.07.17

 

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Sinal de esperança!

 

A comitiva sportinguista regressou a Lisboa no dia seguinte à vitória na finalíssima em Antuérpia da Taça das Taças disputada em 15 de Maio de 1964. A viagem foi um tanto rocambolesca com um percurso de comboio até Paris para se conseguir uma ligação aérea directa para Portugal. As bagagens desapareceram no aeroporto, mas reapareceram em Alvalade.

 

A direcção leonina preparou um desfile em caravana automóvel desde o aeroporto de Lisboa até ao Estádio de Alvalade. Depois da recepção no Estádio, os jogadores foram à casa do infortunado Hilário, para que ele também beijasse a taça, e dali para o Portugal – Inglaterra no Jamor, para a apresentação nacional dos vencedores. O avançado Figueiredo diria mais tarde que nunca tinha visto uma coisa assim e que houve alturas em que os automóveis não conseguiam avançar tão grande era o entusiasmo de quem se acumulava nos passeios e invadia as ruas.

 

Ao contrário do que pode parecer, esta fotografia não é sobre o passado, pois na realidade refere-se ao presente. O presente é a esperança da conquista do título nacional em 2017-18, o desejo de que os jogadores leoninos saibam minimizar as suas fraquezas e potenciar as suas forças. E que os dirigentes e os técnicos sejam capazes de estar sempre à altura das circunstâncias e das responsabilidades.

 

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publicado às 15:00

Fotografia com história dentro (55)

Leão Zargo, em 16.07.17

 

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O último jogo do “Hércules do Barreiro” no Sporting

 

O mítico João Azevedo já acusava alguma veterania em 1950 quando o jovem Carlos Gomes foi contratado pelo Sporting ao Barreirense. O “Hércules do Barreiro”, também conhecido por “Gato de Frankfurt”, era o dono da baliza leonina desde um longínquo jogo com o Belenenses nas Salésias em Dezembro de 1936, mas continuava ágil entre os postes, valente nas bolas pelo ar e corajoso nas saídas. Carlos Gomes teve de esperar pela sua oportunidade.

 

Na época seguinte, em 1951-52, na primeira jornada do Campeonato Nacional o Sporting foi às Salésias para defrontar o Belenenses. As mesmas Salésias onde Azevedo tinha conquistado a titularidade a Dyson e Jaguaré. Mas, nos azuis havia Matateu, e naquele dia o moçambicano estava com a pontaria muito afinada: marcou quatro golos e os de Belém venceram por 4-3. Os leões perderam o desafio e houve olhares desconfiados na direcção do guarda-redes.

 

O “Hércules do Barreiro” já não entrou em campo no domingo seguinte com a Académica, pois o treinador Randolph Galloway mandou avançar Carlos Gomes para a baliza. Azevedo que chegou a jogar com vértebras e costelas fracturadas, com um pé partido ou com doze pontos na cabeça, e que tinha de fumar um cigarrinho antes dos jogos para acalmar os nervos, não sobreviveu à tarde de génio de Matateu. Foi o seu último dia com a camisola leonina.

 

A fotografia refere-se a uma fase da juventude de João Azevedo. Quando ainda não era um ícone e estava a começar a construir a lenda.

 

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publicado às 12:32

Fotografia com história dentro (54)

Leão Zargo, em 09.07.17

 

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O Sporting na Cidade Luz

 

É uma fotografia histórica. Foi a primeira vez que uma equipa portuguesa de futebol exibiu daquela maneira publicidade nas camisolas. E foi a última vez que Hector Yazalde jogou pelo Sporting. Aconteceu no Torneio Internacional de Paris, em 17 de Junho de 1975, num jogo com o Paris Saint-Germain.

 

Em Portugal, naquela altura, conhecia-se o nome de patrocinadores nas camisolas do ciclismo, mas isso não se verificava no futebol. Até aquela noite parisiense em que a equipa sportinguista entrou em campo com a expressão “France-Soir Sport 4”. Depois, foram necessários doze anos até chegar a publicidade à “FNAC”.

 

Mas, a fotografia tem ainda uma outra dimensão histórica, pois aquele foi o último jogo do inesquecível Chirola com o leão rampante ao peito. É que no dia seguinte, Fernand Méric, presidente do Olympique de Marseille, confirmou a proposta de 12 500 contos e ‘levou’ o goleador argentino.

 

Há um exemplar desta camisola devidamente conservada e exposta no “Museu do Sporting”, em Leiria. Em boa hora foi oferecida a Bernardes Dinis, o organizador do Museu, pelo antigo jogador leonino Fernando Tomé que participou no jogo com o Paris Saint-Germain na Cidade Luz.

 

Na fotografia estão os seguintes atletas:

 

Em cima - Fraguito, Bastos, Manaca, Tomé, Alhinho e Damas;

Em baixo - Paulo Rocha, Yazalde, Nelson, Dinis e Marinho.

 

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publicado às 13:24

Fotografia com história dentro (53)

Leão Zargo, em 02.07.17

 

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António Oliveira e o Sporting

  

O presidente João Rocha contratou os serviços de António Oliveira no Verão de 1981, quando ele exercia as funções de treinador-jogador no Penafiel. Chegou a Alvalade como jogador, juntando-se a Manuel Fernandes, Jordão, Eurico, Carlos Xavier, Meszaros, Bastos, Inácio e Mário Jorge, entre outros. Uma grande equipa. Permaneceu no Sporting durante quatro épocas.

 

Os sportinguistas recordam-se bem de Oliveira, até porque formou com Manuel Fernandes e Jordão um triângulo ofensivo inesquecível. Houve sempre uma história de conflitos de egos entre eles, mas o treinador Malcolm Allison tirou o capitão dessa equação, garantindo que “Manuel Fernandes era o mais envergonhado, altruísta”. Os problemas terão surgido depois da saída de 'Big Mal'.

 

No início da temporada de 1982-83, João Rocha entregou-lhe a orientação técnica da equipa na sequência de uma pré-época polémica na Bulgária com Malcolm Allison. Assim, Oliveira passou a treinador-jogador, conquistou a Supertaça e conduziu o Sporting até aos quartos-de-final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, a melhor prestação do Clube nesta competição.

 

No dia 29 de Setembro de 1982 o Sporting recebeu o Dínamo de Zagreb, campeão da Jugoslávia, na primeira eliminatória da Taça dos Campeões Europeus. Na primeira mão os jugoslavos tinham vencido por 1-0. O jogo de Alvalade disputou-se num contexto de grande conflito emocional para Oliveira pois o seu pai tinha sido hospitalizado e estava entre a vida e a morte.

 

No entanto, ele quis jogar para “vingar aquele momento trágico”. Nas bancadas foi-se conhecendo a terrível situação do camisola dez. No relvado o jogador realizou uma exibição magistral culminada com três golos fabulosos. Ciro Blatzevic, o treinador do Zagreb, exclamou que “Oliveira é um fora-de-série”. Poucas horas depois, o jogador teve conhecimento da morte do pai.

 

A época de 1982-83 não correu bem aos leões. Se calhar, já estava escrito nas estrelas. Num derby na Luz que o Sporting perdeu por 3-0, Oliveira não compareceu alegando motivos de saúde. João Rocha percebeu o erro que tinha cometido e contratou Josef Venglos. Depois, muita coisa aconteceu no Sporting, mas desde aquele jogo com o Zagreb tenho uma dívida de gratidão para com António Oliveira!

 

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publicado às 12:33

Fotografia com história dentro (52)

Leão Zargo, em 25.06.17

 

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Fernando Mendes, um “grande capitão”

 

Fernando Mendes tinha 20 anos de idade quando, em 1956-57, se estreou na equipa principal do Sporting, vindo dos juniores. Apenas dois anos depois já era titular indiscutível. Sendo um médio combativo e resiliente, com boa técnica e grande disponibilidade física, em breve revelaria extraordinários dotes de liderança. Por isso, aos 22 anos passou a ser um dos capitães de equipa, integrando uma restrita plêiade de grandes capitães leoninos, como foram, antes dele, Francisco Stromp, João Bentes, Torres Pereira, Serra e Moura, Jorge Vieira, António Faustino, Rui Araújo, Álvaro Cardoso, João Azevedo, Manuel Passos e José Travassos.

 

Esteve presente em todos os jogos da campanha da Taça das Taças 1963-64. É referido pelos jogadores sportinguistas o papel essencial que o capitão de equipa teve na viragem histórica com o Manchester United, em Alvalade, ou na vitória sobre o Olympique Lyonnais no desempate em Madrid. Na realidade, durante toda a prova, na final de Bruxelas e na finalíssima de Antuérpia transmitiu aos seus companheiros a coragem, a combatividade e a ambição imprescindíveis para se alcançar o triunfo. Na fotografia, Fernando Mendes e Sándor Károly, o capitão do MTK de Budapeste, cumprimentam-se minutos antes da final de Bruxelas.

 

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publicado às 12:28

Hoje há Assembleia Geral. Sabia?

Leão Zargo, em 23.06.17

 

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Hoje há Assembleia Geral Comum Ordinária do Sporting. Os sócios ficaram a saber disso mesmo através de uma breve informação no sítio oficial do Clube. Isto, no próprio dia da sua realização, quando nos estatutos do Clube consta a obrigação de ser feita com a antecedência mínima de oito dias. Também obriga a que estas reuniões magnas sejam “convocadas por meio de anúncios insertos em dois jornais diários, no jornal do Clube…” (artigo 52º). Em vez disso, optou-se por uma convocatória discreta e quase confidencial.

 

Como também não houve possibilidade de consulta dos documentos para discussão, a Assembleia Geral vai realizar-se sem o conhecimento adequado do que será votado e aprovado. Nem mais nem menos do que o orçamento de receitas e despesas do exercício económico, elaborado pelo Conselho Directivo, acompanhado do plano de actividades e do parecer do Conselho Fiscal e Disciplinar. O que é que se pode chamar a uma coisa assim? Ardil, desrespeito ou manha? Tudo isto, provavelmente.

 

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publicado às 11:12

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O livro “Uma Taça Uma Vida”, de Manuel Pedro Gomes, foi publicado em 2014 no contexto da comemoração dos cinquenta anos da conquista pelo Sporting da Taça das Taças, mas continua a suscitar o interesse dos sportinguistas e a ser reeditado. Vai já na 3ª edição. Com inteira justiça, pois, a partir da sua memória pessoal e de um texto intimista, o antigo jogador leonino oferece-nos uma narrativa que recorda e homenageia todos aqueles que contribuíram para esse magnífico triunfo europeu.

 

Para além dele próprio, o autor recorda os jogadores que participaram na epopeia: Alexandre Baptista, Alfredo, Augusto, Bé, Carvalho, David Julius, Fernando Mendes, Ferreira Pinto, Figueiredo, Géo, Hilário, José Carlos, Louro, Lúcio, Mário Lino, Mascarenhas, Monteiro, Morais, Osvaldo Silva e Pérides. Com excepção dos jogos da 1ª eliminatória com o Atalanta, Pedro Gomes alinhou em todos que se seguiram, sempre na posição de defesa-direito. Essa condição permitiu-lhe uma narrativa quase autobiográfica, cheia de pequenas histórias bem reveladoras do estado de espírito e da intimidade da equipa leonina.

 

Mas, o atleta-escritor não esquece todos os outros, aqueles que só aparentemente estavam fora do campo, pois que também entraram para o relvado em cada um dos jogos: “o homem da relva, os roupeiros, os massagistas, os médicos, os treinadores, os dirigentes, os familiares dos jogadores, a comunicação social”.

 

Na apresentação do livro no Café In, em Lisboa, em 2014, Pedro Gomes assinalou que pretendeu “contar a viagem ao interior da Taça das Taças de 1964, absorver todos os intervenientes da odisseia”. E logo acrescentou que “as pessoas que se lembrarem deste percurso vão chorar de saudade quando lerem o livro. Pois também se pode chorar por coisas boas. E esta é, sem dúvida, uma coisa boa”.

 

O autor dedicou aos vinte e um jogadores sportinguistas uma nota biográfica individual. Todos eles ficaram imortalizados da mesma maneira, destacando-se apenas o inesquecível capitão Fernando Mendes. Dele disse Pedro Gomes que “era um óptimo colega e um excelente capitão. Era o que se entregava mais à luta. E fica imortalizado na história do Sporting. Aquele gesto de levantar a Taça foi um enorme abraço de amor a todos os sportinguistas”.

 

O livro “Uma Taça Uma Vida” destina-se a todas as gerações de sportinguistas. As que vibram ainda com as conquistas do passado, como as que procuram no passado as memórias que enobreçam o presente.

 

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publicado às 12:33

Fotografia com história dentro (51)

Leão Zargo, em 18.06.17

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Seis golos em Madrid

 

 

Jesus Correia, o ‘Necas’, era uma dor de cabeça para os defesas adversários. Com uma velocidade e técnica estonteantes, uma imaginação constante, um remate forte e colocado e um invulgar instinto para o golo, jogando na posição de extremo-direito conseguiu revelar toda a sua capacidade ofensiva nos míticos ‘Cinco Violinos’. Esta linha avançada constituída por Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano, num misto de força e de técnica, de energia e de habilidade, improvisava verdadeiros recitais nos campos de futebol. Música clássica ou vanguardista, sempre de acordo com as circunstâncias do jogo.

 

Uma das tardes de glória de Jesus Correia aconteceu no dia 5 de Setembro de 1948, no Estádio Metropolitano, em Madrid, frente ao Atlético. Aos 67 minutos o Sporting vencia por 6-0, com seis golos do ‘Necas’. Até ao final do jogo os madrilenos marcaram três vezes e amenizaram a dura derrota. No dia seguinte, o jornal ‘El Mundo Deportivo’ escreveu que “os homens do Sporting dominam com perfeição a escola moderna concebida na marcação e na desmarcação, trocando de posições continuamente de maneira a desconcertar os adversários, sobretudo Jesus Correia, o magnífico extremo-direito”.

 

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publicado às 13:23

 

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Na década de 1940, o regime do Estado Novo mantinha com o futebol em Portugal uma relação autoritária e centralizadora no que refere ao dirigismo dos clubes e dos organismos federativos. Mas, de enorme ambiguidade e oportunismo no que refere aos seus méritos enquanto actividade desportiva.

 

Segundo a perspectiva ideológica do regime nessa altura, o futebol não era a modalidade desportiva que permitiria uma finalidade regeneradora da condição física e espiritual dos portugueses. A ginástica, a vela, o remo ou o atletismo desempenhariam melhor essa função. Aliás, a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho e a Mocidade Portuguesa privilegiavam estas modalidades. É apenas a partir dos anos 50 que a FNAT começou a proporcionar aos trabalhadores a possibilidade de praticar desportos colectivos. O futebol era ainda frequentemente associado a situações de indisciplina individual e de grupo e à alteração da ordem social. 

 

Mas, a popularidade do futebol, a sua importância económica, a cultura urbana de massas e o crescimento urbano colocaram o desporto-rei na agenda das reformas urgentes. Assim, a sucessiva acção legislativa, a centralização das instituições desportivas e a reorganização das competições decorreram da necessidade de adequar o futebol às novas realidades sociais, culturais e demográficas e às intenções de um Estado que se caracterizava por ser altamente hierarquizado, autoritário e disciplinador. O Decreto nº 32 946, de 3 de Agosto de 1943, teve essa intenção ordenadora.

 

Foi neste contexto ideológico que se verificou uma das situações mais dramáticas que envolveram um dirigente desportivo português. Tratou-se da irradiação determinada pelo governo, em 1943, de Augusto Amado de Aguillar, presidente do Sporting. Por essa decisão governamental, o dirigente sportinguista ficou impedido de voltar a exercer quaisquer cargos de direcção em instituições ou organismos desportivos. O Supremo Tribunal Administrativo levantou o castigo em 1959, mas manteve a fundamentação da pena aplicada em 1943.

 

Amado de Aguillar foi um futebolista praticante muito activo na sua terra natal, Cuba, nos anos 20, um dos fundadores do Lutador Foot-Ball Club e, mais tarde, do Sporting de Cuba, filial nº 50 do Sporting. Advogado, foi eleito presidente do Sporting em 2 de Setembro de 1942 e demitido em 26 de Outubro de 1943.

 

A irradiação de Amado de Aguillar aconteceu na sequência da entrada em vigor do Decreto nº 32 946, e da nova regulamentação sobre as transferências dos futebolistas. O Sporting pretendeu contratar António Marques ao Académico do Porto, mas, depois de uma primeira autorização pela Direcção-Geral dos Desportos, a transferência do jogador ficou suspensa. O presidente leonino reclamou da suspensão da transferência e em ofício solicitou que “a própria Direcção-Geral não entrave a indispensável reorganização legal da secção de futebol do Clube”.

 

A troca de correspondência continuou nos dias seguintes, com Amado de Aguillar queixando-se em ofício de 13 de Outubro que “aborrece-me, profundamente, trabalhar no cumprimento de ordens dadas por V. Exa. em tom de quem se dirige a funcionários inferiores, esquecendo, lamentavelmente, que isto de dirigir um clube desportivo é coisa que só nos leva o repouso, amizades e, até, muito dinheiro”. O Director-Geral dos Desportos, Sacramento Monteiro, considerou, em 16 de Outubro, ter havido um “grave acto de indisciplina” e que o presidente do Sporting não possuía “idoneidade para o exercício de funções dirigentes em organismos desportivos”. Por essa razão, propôs a sua irradiação sumária, sem a realização de processo disciplinar, no que foi aprovado pelo Ministro da Educação Nacional. No entanto, conhecedor da decisão do governante, o presidente do Sporting tinha-se demitido das suas funções na véspera.

 

A irradiação de Amado de Aguillar implicou a nomeação pelo governo de uma Comissão Administrativa, dirigida por Diogo Alves Furtado, o presidente da Assembleia Geral do Sporting. Esta Comissão Administrativa entrou em funções no próprio dia 16 de Outubro, mas cessou-as em 17 de Novembro de 1943 em virtude da eleição de uma lista presidida por Alberto da Cunha e Silva para a direcção do Clube. Curiosamente, a época de 1943-44 foi boa para os leões, que conquistaram o Campeonato Nacional e a Taça Império. Amado de Aguillar só voltou a desempenhar funções desportivas na gerência de Brás Medeiros, como presidente da Assembleia Geral, entre 1965 e 1973.

 

Nota: A correspondência de Amado de Aguillar e a decisão de Sacramento Monteiro citadas neste texto podem ser consultadas no Arquivo da Direcção-Geral de Educação Física, Desportos e Saúde Escolar, Caixa, 04/357 - Actividades Desportivas, Corpos Gerentes, Disciplina, Diversos, 1954. Pasta 1959 - Corpos Gerentes. Procº 2/2, in “A pureza perdida do desporto: futebol no Estado Novo”, de Rahul Mahendra Kumar.

 

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publicado às 12:41

Fotografia com história dentro (50)

Leão Zargo, em 11.06.17

 

 Sporting Grupo Misto 26.2.1911.png

 

“Matches de foot-ball”

 

“No domingo gordo (26 de Fevereiro de 1911) realisou-se no Campo do Lumiar um desafio de foot-ball entre um team constituido por jogadores do Imperio e do Internacional e outro formado por socios do Sporting de Portugal.

 

O grupo mixto compunha-se dos senhores: Freitas, Daniel Cruz, Alvaro Freitas, Borja Santos, Augusto Sabbo, Travassos Lopes, Pestana, Carlos Sobral Charles Etur e Miranda.

 

Pelo Sporting jogaram os senhores: Gastão Pinto Basto, Costa, Joaquim Alves, A. Oliveira, Antonio Couto, A. Victal, Antonio Stromp, A. Rodrigues, Francisco Stromp, Candido Rodrigues e João Bentes.”

 

Foi assim que o jornal Os Sports Ilustrados (nº 38 de 4 de Março de 1911) começou a notícia sobre um desafio entre os “foot-ballers” do Sporting e de um misto do Sport Club Império e do Club Internacional de Foot-Ball. Como título tinha Matches de foot-ball”. Na primeira página do jornal constavam cinco fotografias do jogo e, nas páginas interiores, o jornalista terminou a crónica referindo que “a victoria do Sporting deu-se por 5 goals a 2”.

 

Os jogadores das duas equipas, acompanhados por uma criança, fizeram-se fotografar numa janela no Campo do Lumiar num ambiente de grande companheirismo. O autor do registo foi Arnaldo Garcez, um dos mais prestigiados fotógrafos portugueses da primeira metade do século XX.

 

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publicado às 12:49

Fotografia com história dentro (49)

Leão Zargo, em 04.06.17

 

SCP 1910-11 linha avançada.png

 

A linha avançada do Sporting em 1910-11

  

O Sporting Clube de Portugal foi fundado em 1 de Julho de 1906 com a finalidade de ser “tão grande quanto os maiores da Europa” (José Alvalade, 8 de Maio de 1906). Essa finalidade faz parte do ADN do Clube desde o seu instante original. Por essa razão, o próprio José Alvalade assumiu a presidência do Sporting em 1910, orientando-o no sentido do ecletismo (ténis, atletismo, ciclismo…), da criação de delegações (a primeira foi o Viana Taurino Club, de  Viana do Castelo, em Agosto de 1910) e da glória desportiva.

 

No seu início, o futebol era eminentemente ofensivo e uma equipa vencedora construía-se lá à ‘frente’. A fotografia refere-se à poderosíssima linha avançada leonina de 1910-11, constituída por António Rosa Rodrigues ‘Neco’, Francisco Stromp e Cândido Rosa Rodrigues ‘Candinho’ (de pé) e António Stromp e João Bentes (sentados). Uma memória longínqua que permanece, um fio invisível que junta diferentes gerações de sportinguistas, uma emoção que capta a atmosfera do tempo. Uma imagem, um século de História!

 

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publicado às 13:15

Sporting B (2016-17)

Leão Zargo, em 29.05.17

 

Portimonense Sporting B 2016-17.png

 

As equipas B participam no Campeonato da 2ª Liga desde 2012-13. Logo nesta época, o Sporting inscreveu na competição uma equipa com origem, essencialmente, na Academia de Alcochete, constituída por seniores de 1º e de 2º ano e por juniores de último ano. Jogadores mais experientes (3º e 4º ano), formados na Academia, proporcionaram uma maior capacidade competitiva. Houve, ainda, alguns jogadores contratados, no Verão de 2011 e em Janeiro de 2013, ou por empréstimo. No decurso da época de 2012-13 houve atletas que transitaram da equipa B para a equipa A.

 

Apesar de Bruno de Carvalho sempre ter afirmado (e de constar no seu programa eleitoral de 2013) que dirige pessoalmente todo o futebol do Clube, há em muitos sportinguistas a convicção de que nunca existiu um projecto específico para a equipa B. De facto, é pouca ou nenhuma a reflexão e a intervenção do presidente nessa área.

 

O Sporting B teve em 2016-17 uma época penosa, tendo permanecido durante algumas jornadas na zona de despromoção. A partir do mês de Fevereiro, com a substituição do treinador João de Deus por Luís Martins, houve uma recuperação significativa e evitou-se a despromoção. No final, a equipa classificou-se no 14º lugar, com 55 pontos, mais 3 pontos do que o Académico de Viseu, obrigado a participar no playoff de manutenção.

 

Para esta época foram contratados dezasseis jogadores e nas 42 jornadas da 2ª Liga alinharam 41 jogadores com a camisola leonina. Um número tão elevado de contratações nunca se tinha verificado anteriormente. Os técnicos da equipa B trabalharam com um plantel excessivo. Com um plantel assim não é possível haver um bom planeamento individual e colectivo, tudo é casuístico, decidido de acordo com as necessidades de cada momento competitivo.

 

Evitou-se um grande mal quando Luís Martins assumiu a orientação técnica da equipa. Com o novo treinador passou a haver uma maior solidez defensiva, com os jogadores mais próximos uns dos outros e mais pressionantes sobre os adversários. Isto permitiu maior posse de bola, menos riscos na grande área leonina e melhores soluções ofensivas. Havendo mérito de todos os jogadores em campo, destaca-se a boa integração do médio Rafael Barbosa, que regressou em Janeiro do empréstimo ao União da Madeira, e do avançado Gelson Dala que se estreou em Portimão, em 15 de Janeiro, e foi o melhor marcador da equipa.

 

Outro aspecto em que Luís Martins revelou grande acerto foi na utilização dos “reforços” da equipa A. Esta utilização é habitual e verifica-se todos os anos, embora nem sempre seja bem sucedida. Também se verificou com João de Deus, mas com resultados muito irregulares. O novo treinador teve o contributo de jogadores “resgatados” em Janeiro que alinharam na B com elevada mestria. Refiro-me a André Geraldes, Francisco Geraldes, João Palhinha (no jogo com o Guimarães B) e Ryan Gauld. Ricardo Esgaio e Matheus Pereira também desempenharam um papel relevante. Luís Martins foi capaz de colocar a qualidade individual destes jogadores ao serviço da dimensão colectiva da equipa.

 

Nas catorze jornadas em que orientou o Sporting B, Luís Martins obteve oito vitórias, três empates e três derrotas. Foram estes resultados desportivos que possibilitaram que a equipa saísse da zona de despromoção, quando estranhamente alguns sportinguistas já questionavam sobre a valia ou a necessidade da existência de uma equipa B. É importante que não se repita uma época assim. 

 

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publicado às 13:10

Fotografia com história dentro (48)

Leão Zargo, em 28.05.17

 

H. Yazalde J. Rocha F. Méric 1975.jpg

 

O último dia do ‘leão’ Yazalde

  

A fotografia é do jornal francês L´Équipe e refere-se ao jogo em que o Sporting defrontou o Fluminense para o Torneio de Paris, em 19 de Junho de 1975. Hector Yazalde não se equipou e dois dias antes tinha feito o seu último jogo com a camisola leonina frente ao Paris Saint-Germain. O Olympique de Marseille pagou 12 500 contos e levou o goleador argentino.

 

Que se tratava do fim de um ciclo para uns e do início para outros é bem evidente nas expressões dos presidentes João Rocha e Fernand Méric, do Marselha. Méric procurava um goleador que substituísse Josip Skoblar, “l’Aigle Dalmate”. O presidente sportinguista ainda não podia imaginar o que Manuel Fernandes seria capaz de fazer com a camisola nove do ‘Chirola’.

 

Optimismo e dúvida. Expectativa e tensão. Ou como uma fotografia origina uma percepção invulgar da emoção quando consegue captar a atmosfera do momento e constitui um testemunho do acontecimento. A história pela imagem !

 

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publicado às 13:51

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