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Um dia mau em Penafiel

Leão Zargo, em 21.10.17

 

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O Sporting B deslocou-se a Penafiel para defrontar a equipa local e perdeu por 4-1. Uma derrota dura, algo injusta na sua dimensão, e que constitui o pior resultado esta época. Mauro Riquicho alinhou de início, voltando à competição depois da grave lesão na época passada num jogo com o Leixões.

 

A equipa dos "leões" até começou bem o jogo, reagiu à pressão inicial dos penafidelenses e inaugurou o marcador através de Rafael Barbosa aos 38 minutos. No entanto, a segunda parte foi demasiado má. Os da casa superiorizaram-se, a equipa leonina desuniu-se, a defesa esteve particularmente mal, e os golos sucederam-se. O angolano Fábio Abreu fez um hat-trick e foi a figura do jogo.

 

Se tivesse vencido, o Sporting B poderia posicionar-se na terceira posição da tabela da 2ª Liga. Assim, desceu para o nono lugar, sofreu 21 golos em dez jogos e tem a pior defesa na competição, ficando a aguardar a conclusão da jornada. No dia 29 de Outubro os leões recebem o Leixões na Academia de Alcochete.

 

 

  

Ficha de jogo:

 

Campeonato da 2ª Liga (10ª jornada)

Penafiel 4 - Sporting B 1

Estádio Municipal 25 de Abril, 21 de Outubro de 2017

Árbitro: Cláudio Pereira (AF Aveiro)

 

Penafiel: Ivo Gonçalves, Kalindi, João Paulo (Paulo Bessa, 83), Luís Pedro, José Gomes, Rafa Sousa, Ludovic (Fábio Fortes, 75), Tiago Ronaldo, Gustavo (Caetano, 89), Vasco Braga e Fábio Abreu

 

Treinador: Armando Evangelista

 

Sporting B: Pedro Silva, Mauro Riquicho, Demiral, Ivanildo Fernandes, David Sualehe, Budag (Kenedy Có, 76), Paulinho, Rafael Barbosa (Pedro Delgado, 71), Jovane, Pedro Marques (Cristian Ponde, 66) e Ary Papel

 

Treinador: Luís Martins

 

Golos: Rafael Barbosa (38’), Gustavo (55’) e Fábio Abreu (64’, 76’ e 79’)

 

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publicado às 15:08

Fotografia com história dentro (67)

Leão Zargo, em 15.10.17

 

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Szabo, Manecas e os ‘bonecos’ da táctica do jogo

 

Manuel Marques, o 'Manecas do Sporting', foi sempre um jogador duro e voluntarioso, uma verdadeira dor de cabeça para os avançados. Jogava futebol como uma lapa agarrada à rocha, nunca largando os adversários. No entanto, possuía uma personalidade muito extrovertida, com grande sentido de humor, indispensável para manter a boa disposição no balneário. Era muito popular entre os adeptos do futebol, como escreveu a sempre bem informada revista 'Flama'.

 

Jozef Szabo foi contratado pelo Sporting em Março de 1937. O que Manecas possuía de folgazão, o treinador húngaro tinha de autoritário e de disciplinador implacável. Planeava os treinos e os jogos com minúcia, detestava o improviso, e era de pouco ou nenhum sentido de humor. Para além de, nesse tempo, ainda falar (e entender) muito mal a língua portuguesa.

 

Szabo utilizava uns bonecos que colocava num tabuleiro a imitar um campo de futebol onde explicava a táctica do jogo e as características da equipa adversária. Mas, para seu grande desespero e irritação, por vezes 'Manel do Lenço' escondia-os algures no balneário. "Carágo, sinhores! Mônécas ser maniáco!", exclamava o treinador quando se preparava para a palestra e dava conta do sumiço.

 

Acontece que aquilo não podia durar muito tempo, paciência e poder de encaixe não eram uma característica da personalidade do 'Mestre'. Os bonecos apareciam rapidamente, até porque com Szabo havia horas para começar o trabalho, mas nunca se sabia quando é que o treino terminava e o pessoal tinha autorização para ir à sua vidinha.

 

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publicado às 13:35

Fotografia com história dentro (66)

Leão Zargo, em 08.10.17

 

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João Martins e a Bola de Prata 1953-54

  

João Martins foi o melhor avançado-centro do Sporting na década de 1950. No entanto, quando alguém o observava fora dos campos de futebol, magro e tímido como era, com o característico falar arrastado de alentejano, teria grande dificuldade em imaginá-lo com a camisola nº 9 da equipa leonina. Naquele tempo, os jogos de futebol ainda não eram classificados como sendo de alto risco, mas “lá dentro” disputavam-se com grande vigor e dureza. Aquilo era para homens de barba rija.

 

O avançado leonino tem sido desvalorizado pelos próprios sportinguistas, talvez por ter sucedido ao inesquecível Peyroteo. No entanto, ele foi um avançado extraordinário, versátil e corajoso, veloz e audacioso, muito eficaz, que no Sporting jogou em todas as posições da linha avançada antes de se fixar como avançado-centro. Até foi guarda-redes em duas ocasiões por ainda não haver lugar a substituições. Dir-se-ia hoje que nunca se escondia do jogo.

 

Depois da despedida de Peyroteo em 1949, o treinador Randolph Galloway experimentou vários jogadores no centro do ataque. Mário Wilson, Joaquim Pacheco, Galileu, Jesus Correia e João Martins jogaram no lugar de avançado-centro.

 

João Martins levou algum tempo a afirmar-se nessa posição pois no início da década de 1950 imaginava-se que seria para um jogador encaixado no eixo do ataque, entre os dois interiores, onde daria luta aos defesas adversários. Exigia-se que fosse possante, resiliente, combativo e marcador de golos. O futebol de João Martins era diferente, menos físico e estático, mais tecnicista e versátil, um avançado moderno que jogava de uma forma rara na época. Na verdade, ajudou a criar um novo conceito para o nº 9.

 

Há palavras que perduram para sempre por serem extraordinárias. O violino Travassos, companheiro de equipa, no dia da morte de Martins, fez-lhe um elogio invulgar garantindo que “foi o melhor avançado-centro que já existiu no futebol português. Desmarcava-se muito bem, isolava-se com facilidade, fugindo à marcação dos adversários, e tinha excelente aptidão para o jogo de cabeça, o que causava o pânico entre as equipas que defrontávamos”. O nosso ‘Zé da Europa’ jogou ao lado dos grandes avançados do seu tempo, inclusivamente do mítico Peyroteo.

 

João Martins, sportinguista convicto por admiração ao ciclista Alfredo Trindade, foi sete vezes Campeão Nacional, realizou 248 jogos oficiais e marcou 163 golos, sendo o autor do primeiro golo no jogo inaugural da Taça dos Campeões Europeus (Sporting - Partizan em 4 de Setembro de 1955). Nunca sofreu um castigo disciplinar nos jogos em que participou. Conquistou a Bola de Prata em 1953-54, sendo o melhor marcador do Campeonato com 31 golos, à frente de António Teixeira (26) e José Águas (24).

 

Na fotografia, Ribeiro dos Reis, director do jornal A Bola, entrega a João Martins o troféu Bola de Prata referente à época de 1953-54.

 

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publicado às 12:45

Fotografia com história dentro (65)

Leão Zargo, em 01.10.17

 

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Vendaval de golos no Clássico de 1936-37

  

Um Clássico é um Clássico é um Clássico! Trata-se, quase sempre, de um jogo com o Estádio cheio, de emoção a rodos, disputadíssimo, vibrante. O FC Porto vai a Alvalade com uma almofada de dois pontos de vantagem, mas nada que não possa ser anulado.

 

No Sporting - FC Porto disputado em Lisboa na época de 1936-37 um verdadeiro vendaval de golos varreu a baliza portista. Foi uma tarde de glória para os leões orientados pelo Mestre Joseph Szabo. Destacaram-se o avançado-centro Soeiro, que repetiu o póquer com o Barreirense na final Campeonato de Portugal (1934), o extremo-esquerdo João Cruz, contratado ao Vitória de Setúbal no Verão, com um hat-trick, e o veloz Pireza com dois golos.

 

A força desta fotografia está no que ela ainda hoje nos revela sobre esse jogo e a sua história: a técnica e o oportunismo do avançado, a eficácia da jogada, a emoção do remate, o desamparo do guarda-redes, o desespero do defesa, a beleza coreográfica, a multidão de espectadores. E celebra inteligência do movimento!

 

Ficha de jogo:


Campeonato da 1ª Liga (10ª Jornada)
Sporting 9 - FC Porto 1
Campo Grande (Lisboa), 4 de abril de 1937
Árbitro - Henrique Rosa (Évora)


Sporting - Azevedo, Jurado, Galvão, Rui Araújo, Paciência, Manuel Marques 'Manecas', Mourão, Pedro Pireza, Soeiro, Heitor e João Cruz


Treinador - Jozeph Szabo


FC Porto - Soares dos Reis, Ernesto, Vianinha, Nova, Reboredo, Carlos Pereira, Valdemar, António Santos, Pinga, Gomes da Costa e Guilhar


Treinador - François Gutskas


Golos - 1-0 (Cruz, 33m), 2-0 (Soeiro, 40m), 3-0 (Cruz, 43m), 4-0 (Pireza, 47m), 4-1 (Pinga, 48m), 5-1 (Pireza, 57m), 6-1 (Cruz, 60m), 7-1 (Soeiro, 64m), 8-1 (Soeiro, 86m) e 9-1 (Soeiro, 89m).

 

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publicado às 12:01

Recordar Vítor Damas !

Leão Zargo, em 13.09.17

 

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Carvalho defendeu a baliza do Sporting durante cerca de nove anos, até que Vítor Damas, na época de 1968-69, conquistou a titularidade e iniciou uma nova saga leonina.

 

Mais tarde, depois do falecimento de Damas em 2003, Carvalho referiu-se assim ao seu companheiro de equipa: “O Vítor tornou-se num dos meus ídolos. Substituiu-me num jogo com o Belenenses em que me lesionei e a partir daí passou a titular da equipa. Eu próprio, depois de uma ausência prolongada, queria que ele continuasse como primeiro guarda-redes, pela qualidade que tinha. Um dado curioso: nunca me tratou por tu, como lhe pedi por várias vezes. Sempre por sr. Carvalho”.

 

Damas vestiu a camisola leonina pela primeira vez em Fevereiro de 1961, quando uma equipa de juvenis do Sporting defrontou o Palmelense. Depois, o que se seguiu faz parte da história do futebol português até um Académico de Viseu – Sporting, no Estádio do Fontelo, em 27 de Novembro de 1988. Foi o último jogo do inesquecível guarda-redes, que equipou de leão em mais de 700 jogos.

 

Em memória de Vítor Damas, a baliza do topo sul do Estádio José Alvalade foi baptizada com o seu nome em 2009. Hoje, 13 de Setembro de 2017, completam-se catorze anos sobre o seu falecimento.

 

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publicado às 11:16

 

 

Sporting B e Gil Vicente defrontaram-se hoje à tarde na Academia de Alcochete, num jogo a contar para a 6ª jornada da 2ª Liga. Duas equipas diferentes, os leões ofensivos e com jogadores ainda muito jovens e os gilistas bem organizados na defesa e no meio campo, e principalmente mais experientes. Gelson Dala jogou a titular.

 

A partida começou da melhor maneira para os de Barcelos. Aos 6 minutos, de grande penalidade, Rui Miguel inaugurou o marcador. Ainda havia muito tempo para jogar, mas os jogadores leoninos, apesar do esforço e de alguma pressão no meio campo adversário, não conseguiram bater o guarda-redes Rui Sacramento. Na verdade, Rafael Barbosa, Pedro Delgado e Gelson Dala podiam ter empatado, mas não tiveram sucesso. Sualehe e Ary Papel foram os mais eficazes a empurrar a equipa para a frente.

 

Havia supremacia leonina quando Kiki Kouyaté foi expulso com vermelho directo, aos 53 minutos. A jogar com dez jogadores ficou mais difícil a recuperação no resultado. Mesmo assim, Demiral podia ter marcado na sequência de um pontapé de canto nos últimos minutos do jogo. Foi a primeira derrota do Sporting B esta época no campeonato da 2ª Liga.

 

Com este resultado, o Sporting B soma dez pontos e está no 4º lugar da classificação, em igualdade pontual com o FC Porto B e a cinco pontos do líder Santa Clara. Marcou 9 golos e sofreu 7 golos. Na próxima jornada, 17 de Setembro, os leões deslocam-se a Coimbra para defrontar a Académica.

 

Ficha de jogo:

 

Campeonato da 2ª Liga (6ª Jornada)

Sporting B 0 – Gil Vicente 1

CGD Stadium Aurélio Pereira, 10 de Setembro de 2017

Árbitro: Fábio Piló

 

Sporting B: Stojkovic, Bruno Paz, Kiki Kouyaté, Ivanildo Fernandes, Sualehe, Bubacar Djaló (Pedro Marques, 74), Pedro Delgado, Rafael Barbosa, Ary Papel (Kenedy Có, 80), Cristian Ponde (Merih Demiral, 60) e Gelson Dala

 

Treinador: Luís Martins

 

Gil Vicente: Rui Sacramento, Sandro, Miguel Abreu, Jonathan, Rafael B., Tormena, Jaimes I., Luís Tinoco, Ricardinho, Alioune Fall e Rui Miguel 

 

Treinador: Jorge Casquilha

 

Golo: Rui Miguel (6’)

 

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publicado às 18:53

Fotografia com história dentro (64)

Leão Zargo, em 10.09.17

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Mário Wilson, de avançado-centro a defesa-central

 

 

O Sporting contratou Mário Wilson ao Desportivo de Lourenço Marques, em 1949, para substituir Peyroteo no lugar de avançado-centro. Foi o melhor goleador da equipa logo no seu primeiro ano com a camisola leonina, com 21 golos em 22 jogos. No entanto, não terá convencido totalmente o treinador Randolph Galloway, pois Joaquim Pacheco, acabado de chegar de Macau, é que surgiu no centro do ataque no início da época seguinte.

 

Em 1950-51, Mário Wilson só se estreou na 3ª jornada, com dois golos na vitória sobre o Atlético por 3-2. Recuperou a camisola nº 9, mas nunca foi um titular indiscutível. Na verdade, nesta época, para além do moçambicano, também Joaquim Pacheco, João Martins, Galileu e Jesus Correia jogaram na posição de avançado-centro. O goleador da equipa foi o interior-direito Vasques.

 

Entretanto, em jogos particulares, Mário Wilson começou a surgir em zonas mais recuadas do terreno, principalmente a defesa-central. Aconteceu nos jogos de preparação da época com o União de Montemor e o Boavista, em Setembro de 1950. Voltou a jogar nesse lugar em Abril de 1951 em jogos amigáveis com os brasileiros do São Paulo e com o Marinhense. Foi ele próprio que contou numa entrevista a Carlos Rias (A Bola, 17 de Outubro de 2009):

 

“O Sporting vai jogar uma Taça Latina e lesiona-se o Passos. Não tinham outro defesa-central, eu até era polivalente e perguntaram-me: ‘É menino para fazer o lugar do Passos?’ Claro, disse que sim. (…) Foi no Sporting que comecei nesse lugar. Quando vou para a Académica já vou com a sensibilidade do lugar. Não estranhei ocupar essa posição.”

 

A partida da Taça Latina a que Mário Wilson se refere é o Atlético de Madrid - Sporting, disputado em 24 de Junho de 1951, que os madrilenos venceram por 3-1. Em 9 de Julho fez o último jogo com a camisola do Sporting, num amigável com a Portuguesa Santista, em Santos. Entretanto, invocou regulamentação desportiva para estudantes-futebolistas e transferiu-se para a Académica de Coimbra. Mas, isso já é outra história.

 

A fotografia refere-se a um Sporting - Belenenses para o Campeonato Nacional, em 12 de Novembro de 1950. Mário Wilson e o guarda-redes José Sério disputam a bola na grande área belenense. Os leões venceram por 6-2 e o jogador sportinguista marcou dois golos.

 

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publicado às 13:34

 

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O longo monólogo de Bruno de Carvalho à Sporting TV na passada 3ª feira inseriu-se na estratégia de reforço do pacto de auto-engano que mantém com o seu círculo interno de dirigentes e de fiéis seguidores. É o lado negro do modelo de gestão que adoptou. Na realidade, neste momento da pré-época, imaginar-se-ia o presidente focado naquilo que é essencial e indispensável. Da equipa de futebol quase que não falou, para além das atoardas e gabarolices habituais. As modalidades desportivas pouco foram mencionadas, mas referiu-se (e muito) a assuntos internos do Clube. A razão principal da entrevista residiu no tacticismo subterrâneo permanente de Bruno de Carvalho.

 

Para ele, adeptos, jogadores, treinadores e outros membros dos órgãos sociais são meros figurantes do seu projecto pessoal. Por serem figurantes mandou calar sportinguistas durante um jantar num Núcleo, ameaçando ir-se embora, ou decidiu que o adepto perfeito é aquele que fala, lê e ouve como o “Vasco”. Ou revelou-se na forma como afirmou que deu indicações a Leonardo Jardim e despachou William Carvalho proclamando que este lhe é devedor da sua carreira de futebolista.

 

Bruno de Carvalho considera o Sporting como uma coutada sua. A propósito de um processo a José Manuel Meirim, presidente do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, garantiu que “vou colocar os meus advogados a trabalhar nesta atuação muito parcial no que à minha pessoa diz respeito”. Na verdade, estava a referir-se ao gabinete jurídico do Sporting e não a advogados cujos honorários paga do seu bolso. Há algum tempo falou com evidente volúpia do “meu treinador”. No monólogo de 3ª feira referiu-se ao “meu Estádio”.

 

Acontece com frequência que a cadeira do poder faça o seu “ocupante” perder a própria identidade pessoal e assumir uma outra identidade determinada pela "forma" e pelo “modelo” de governo. O que se passa com Bruno de Carvalho é algo bem diferente, pois ele limitou-se a refinar as características pessoais que já possuía.

 

Ele tem a necessidade de criar um clima que iluda o seu receio de fracasso depois de quatro anos na presidência, e de manter os sportinguistas na ilusão e na esperança do sucesso. Como vive obcecado com o reconhecimento forte por parte dos sportinguistas, desespera por ter uma impressão favorável entre os adeptos. Mas, de tanto pretender domesticar a realidade corre o risco de descolar dessa mesma realidade.

 

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publicado às 12:35

Fotografia com história dentro (63)

Leão Zargo, em 03.09.17

 

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Jaguaré, o primeiro guarda-redes estrangeiro do Sporting

  

O Sporting contratou Jaguaré Bezerra ao Corinthians em 1935. Antigo estivador, era um jogador reputadíssimo, internacional brasileiro, e para além do “Timão”, também tinha jogado no Vasco da Gama, o primeiro clube no Brasil a reconhecer o profissionalismo, e no Barcelona, a troco de cerca de 30 mil pesetas. Felino entre os postes, bravo nas saídas aos pés dos avançados, provocador dos adversários, era muito aplaudido pelos adeptos e um dos seus ídolos preferidos. Influenciou no uso das luvas pelos ‘goleiros’ brasileiros. Foi o primeiro guarda-redes estrangeiro a vestir a camisola leonina.

 

Em 1935, o Sporting tinha Dyson para a baliza, normalmente o titular, mas a memória quase mítica dos guarda-redes da década de 1920, Amadeu Cruz e Cipriano dos Santos, nunca lhe deu descanso. Foi sempre um mal-amado. Ainda por cima, tinha jogado no rival Benfica. Por outro lado, o madeirense Jordão Jóia tinha saído e considerava-se que João Azevedo, contratado nesse ano ao Luso do Barreiro, ainda era muito jovem.

 

Os olhares sportinguistas concentraram-se em Jaguaré. Ele, o defesa Vianinha e o médio Fernando Giudicelli estavam comprometidos com equipas italianas, mas ficaram retidos em Lisboa por causa da guerra da Itália com a Abissínia, e o Sporting contratou-os.

 

No futebol, muitas vezes, um nome sonante e um grande currículo não são o suficiente para conquistar um lugar ao sol. Naturalmente, Dyson não cedeu a titularidade a Jaguaré, e este nunca chegou a mostrar o seu verdadeiro valor. Na realidade, fez sete jogos pela equipa principal do Sporting, contribuindo apenas para a conquista do Campeonato de Lisboa de 1935-36.

 

De súbito, a posse da baliza leonina ficou clarificada. É que num Belenenses-Sporting, nas Salésias em 12 de Abril de 1936, João Azevedo fez uma exibição de tal ordem que o treinador romeno Wilhelm Possak não voltou a ter dúvidas. Iniciou-se nesse dia a era do “Hércules do Barreiro” que durou longos anos até outro clássico nas Salésias em 1951.

 

Jaguaré no final da época deixou o Sporting e partiu para França, onde representou o Olympique de Marseille com proveito e glória durante três anos, foi campeão nacional e conquistou a Taça francesa. Ainda voltou a Portugal, em 1938, para jogar no Académico do Porto e no Leça. Tinha 37 anos de idade quando regressou ao Brasil no Verão de 1942.

 

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publicado às 14:50

Fotografia com história dentro (61)

Leão Zargo, em 27.08.17

 

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O jovem José Júlio

 

A fotografia refere-se a uma equipa de juniores do Sporting, na época de 1980-81. Reconhecem-se alguns jogadores, nomeadamente José Júlio, Caeiro ‘Calminhas’ (guarda-redes), Damas, Fernando Marques, Morato, Carlos José ‘Fininho’…

 

José Júlio, o primeiro em cima à esquerda, observa o ambiente de frente e de queixo bem levantado. Revela confiança e algum espírito de desafio. Isso é certo. Chamando-lhe José Júlio poucos saberão de quem se trata, mas se acrescentar que o nome completo do jogador leonino é José Júlio de Carvalho Peyroteo Martins Couceiro aposto que ninguém ficará com dúvidas.

 

Na realidade, o sobrinho-neto do mítico goleador Fernando Peyroteo, jogou nos juniores do Sporting como defesa central, era conhecido por José Júlio, e só na época seguinte, no Montijo, é que passou a chamar-se José Couceiro. Até hoje!

 

A fotografia e a informação relevante foram retiradas do “Armazém Leonino”, um notável ponto de encontro na blogosfera sportinguista.

 

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publicado às 12:30

Os Bês não tiveram dó nem piedade…

Leão Zargo, em 23.08.17

 

 

Sporting B e Cova da Piedade mediram forças hoje na Academia de Alcochete, num jogo a contar para a 4ª jornada da 2ª Liga. Duas equipas diferentes, mas com os mesmos seis pontos antes da partida se iniciar. O Sporting B, naturalmente com jogadores ainda muito jovens, possui uma boa organização defensiva (destacam-se Stojkovic, Ivanildo e Demiral), e, do meio campo para a frente, valem a acutilância de Jovane, o espírito de luta de Rafael Barbosa, a maturidade de Cristian Ponde e os golos de Pedro Delgado e Rafael Leão.

 

O Cova da Piedade faz valer a experiência de Pedro Alves, Adilson, Daniel Almeida, Evaldo, Hugo Firmino e Paulo Tavares, que são jogadores com currículo para a 2ª Liga portuguesa. O capital chinês na SAD do clube piedense explica muita coisa, incluindo a presença do avançado Yuhao Liu, que entrou a dois minutos do fim do jogo.

 

A primeira parte foi disputada com muita luta, muito ardor (e uma temperatura a rondar os 30 graus), mas sem grandes oportunidades para ambos os lados. As excepções foram uma jogada anulada na grande área sportinguista que o árbitro interrompeu antes da bola ter entrado na baliza e o penálti que Pedro Delgado rematou e Pedro Alves defendeu.

 

A segunda parte foi bem diferente. Pelos três golos e não só. Aos 50 minutos Robson Shimabuku viu bem uma incursão de Adilson e bateu Stojkovic. Poucos minutos depois, Pedro Delgado redimiu-se (e de que maneira!) do penálti que não concretizou. Encheu pé direito, ainda fora da área, e marcou um grande golo. Rafael Leão compôs o ramalhete aos 74 minutos, marcando o golo da vitória. E, nos últimos instantes do jogo, Pedro Marques falhou um golo cantado!

 

Foi uma vitória justa e preciosa perante uma equipa muito mais experiente. Mas, os jovens jogadores leoninos fizeram por isso. Terceira vitória, terceira recuperação no marcador. Assim, o Sporting B passou a somar 9 pontos e subiu ao 3º lugar da classificação. Na próxima jornada, em 27 de Agosto, os leões deslocam-se à Ribeira Brava para defrontar o União da Madeira.

  

Ficha de jogo:

 

Campeonato da 2ª Liga (4ª Jornada)

Sporting B 2 - Cova da Piedade 1

CGD Stadium Aurélio Pereira, 23 de Agosto de 2017

Árbitro: Carlos Espadinha (AF Portalegre)

 

Sporting B: Stojkovic; Bruno Paz, Ivanildo, Demiral e Sualehe; Miguel Luís, Rafael Leão (Näsirov, 87), Cristian Ponde (Pedro Marques, 66) e Delgado; Barbosa e Jovane (Tiago Djaló, 81)

 

Treinador: Luís Martins

 

Golos: Pedro Delgado (54’) e Rafael Leão (74’)

 

Cova da Piedade: Pedro Alves; Adilson, Wilyan, Daniel Almeida e Evaldo; Manconi Sori Mané (Paulo Tavares, 60), Soares (Liu Yuhao, 88) e Robson Shimabuku; Firmino, Onyilov (Ballack, 65) e Dieguinho

 

Treinador: João Barbosa

 

Golo: Robson Shimabuku (50’)

 

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publicado às 18:26

 

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O Sporting B deslocou-se ao complexo desportivo do Real Massamá, para conseguir um precioso, embora dramático triunfo. Na realidade, a equipa leonina parecia que iria sair derrotada, quando Pedro Marques, aos 89 minutos, fez o golo do empate. E, a coroar a reacção sportinguista nos últimos 20 minutos de jogo, Pedro Delgado fez o golo da vitória aos 90+3 minutos. De certa forma, repetiu-se no Monte Abraão o que se passou na Covilhã, vitória por 2-1 conseguida nos derradeiros minutos com golpes de audácia e de persistência.

 

O árbitro Jorge Sousa protagonizou uma cena algo caricata e que, por certo, dará que falar, ao dirigir-se a Stojkovic em português vernáculo: “Eu não brinco com ninguém, cara…, põe-te na pu... da baliza, cara…”! Realça-se a calma e a paciência do guarda-redes leonino perante o desatino do árbitro portuense. Estavam decorridos 63 minutos de jogo e o resultado ainda em 0-0.

 

 

Com esta vitória, o Sporting B está classificado em 5º lugar, com 6 pontos. Na próxima jornada, em 23 de Agosto, recebe o Cova da Piedade na Academia de Alcochete, às 16h00.

 

Ficha de jogo:

 

Campeonato da 2ª Liga (3ª jornada)

Real Massamá 1 - Sporting B 2

Complexo Desportivo do Real Massamá, Monte Abraão, 20 de Agosto de 2017

Árbitro: Jorge de Sousa (AF Porto)

 

Real Massamá: Tom Santos, Jorge Bernardo, Vasco Coelho, Dmytro Lytvyn, Zé Pedro, Kikas (Morgado, 58), Brash, João Basso (Gustavo Cazonatti, 84), Abou Touré, Marcos Barbeiro (Marcelo Lopes, 79) e Carlos Vinícius

 

Treinador: Filipe Martins

 

Sporting B: Stojkovic, Bruno Paz, Merih Demiral, Kiki Kouyaté, David Sualehe (Abdu Conté, 71) Miguel Luís, Pedro Delgado, Rafael Barbosa, Jovane Cabral, Cristian Ponde (Kenedy Có, 55) e Rafael Leão (Pedro Marques, 71)

 

Treinador: Luís Martins

 

Golos: 1-0, Jorge Bernardo (65’), 1-1, Pedro Marques (89’) e 1-2, Pedro Delgado (90’+3’)

 

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publicado às 15:59

Fotografia com história dentro (60)

Leão Zargo, em 20.08.17

 

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Caldeira e o nervoso da estreia

 

O Sporting contratou Manuel Caldeira ao Lusitano de Vila Real de Santo António no Verão de 1950. O jogador, com 23 anos de idade, já possuía bastante experiência como defesa direito, e os leões precisavam de reforçar o seu sector recuado que acusava alguma veterania. Constou que terá recebido 100 contos de “luvas”, uma quantia significativa para a época.

 

A estreia oficial verificou-se num Benfica - Sporting para o Campeonato Nacional, no Jamor, em 17 de Setembro de 1950. Caldeira era um jogador enérgico, destemido, que não virava a cara à luta, muito seguro de si, mas naquele derby as pernas tremiam-lhe como varas verdes e suava abundantemente. Como dava sinais de nervosismo e ansiedade, o capitão de equipa, o guarda-redes João Azevedo, perguntou-lhe se havia algum problema. “É medo, senhor João, é medo”, respondeu-lhe o algarvio. O Sporting venceu por 3-1 e o novo leão fez uma exibição muito positiva, ficando aprovado no exame.

 

O medo passou-lhe depressa. Manuel Caldeira vestiu a camisola leonina em 217 jogos oficiais durante nove temporadas e conquistou o título de Campeão Nacional por cinco vezes. Participou em 4 de Setembro de 1955 no Sporting - Partizan de Belgrado, o primeiro encontro para a Taça dos Clubes Campeões Europeus. Em 2003 foi distinguido com o Prémio Stromp na categoria Saudade.

 

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publicado às 14:51

Fotografia com história dentro (59)

Leão Zargo, em 13.08.17

 

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Abrantes Mendes e a tentativa por Pelé

 

A vida de António Abrantes Mendes cruzou-se com o Sporting durante quase meio século. Na realidade, começou em 1926 nos juniores e vestiu a camisola leonina até 1939, tendo integrado uma linha avançada precursora dos “Cinco Violinos”, com Mourão, Gralho, Valadas e “Abelhinha”. Depois, jogou ao lado de outros grandes nomes como Peyroteo, Pireza, Soeiro e Francisco Lopes. Chamaram-lhe o “avançado doutor” por se ter licenciado em Direito. Vestiu a camisola das quinas por duas vezes.

 

Quando terminou a sua carreira de jogador de futebol, Abrantes Mendes continuou ligado ao Sporting. Foi “olheiro” (por exemplo, descobriu o avançado João Martins na CUF), treinador (dos juniores por várias vezes, da equipa principal em 1945-46 e adjunto de Cândido de Oliveira), dirigente (fez parte das direcções dos presidentes Joaquim Oliveira Duarte e António da Cunha Rosa) e Secretário Técnico da equipa que conquistou a Taça dos Vencedores das Taças, em 1964.

 

O jornalista Afonso de Melo publicou no jornal i (11.8.2017) uma história verídica sobre o dirigente sportinguista, mas pouco conhecida. Aconteceu no início de 1964 quando ele foi ao Brasil tentar contratar Pelé. O Sporting possuía um plantel fortíssimo, que se equivalia ao do Benfica, ficando apenas a perder pelo desempenho de Eusébio que frequentemente desequilibrava nos jogos decisivos. Por sua vez, o craque do Santos atravessava um tempo conturbado no clube que o acusava de pouco empenhamento e de aburguesamento. E que se queixava demasiado de lesões.

 

No Brasil, Abrantes Mendes entrou em contacto com os dirigentes santistas, apresentou uma proposta financeira, que no entanto não foi aceite. É que, entretanto debelada uma lesão, Pelé levou o Santos à vitória no Campeonato Paulista, sendo o melhor marcador da competição, e teve um papel decisivo na goleada por 5-1 à Inglaterra, no Maracanã, em Maio desse ano. Um pouco por essa razão, o Secretário Técnico leonino regressou a Lisboa de mãos a abanar e Pelé ficou no clube brasileiro ainda por mais dez anos, até 1974.

 

Na fotografia, equipa leonina em 1935-36

 

Em cima: Martinho de Oliveira (capitão-geral), Faustino, João Correia “Abelhinha”, Rui Araújo, Jurado, Vianinha, Azevedo e Wilhelm Possak (treinador);

 

Em baixo: Abrantes Mendes, Pedro Pireza, Manuel Soeiro, Adolfo Mourão e Francisco Lopes.

 

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publicado às 12:25

Fotografia com história dentro (58)

Leão Zargo, em 06.08.17

 

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Um jogo de enganos

 

Em 31 de Março de 1974 disputou-se um Sporting – Benfica que é irrepetível. Alguns minutos antes do apito inicial do árbitro, Marcello Caetano, o Presidente do Conselho de Ministros, dirigiu-se à tribuna presidencial do Estádio de Alvalade acompanhado por João Rocha e Borges Coutinho, presidentes do Sporting e do Benfica, e Veiga Simão, Ministro da Educação Nacional. A multidão, calculada em 60 000 espectadores, tributou-lhe uma enorme ovação.

 

O antigo primeiro-ministro considerou que a ida a Alvalade era um teste político. Poucos dias antes, em 16 de Março, tinha-se verificado a sublevação do Regimento de Infantaria 5, nas Caldas da Rainha, e a marcha militar sobre Lisboa que obrigou Marcello a refugiar-se num quartel militar em Monsanto. No seu livro “Depoimento”, publicado em 1974, ele refere que ficou descansado pelo ambiente no Estádio, para além de que “as informações que chegavam ao governo também garantiam sossego geral e apoio ao regime”.

 

Afinal, saber-se-ia depois, tratou-se de um jogo de enganos. O Sporting mesmo tendo perdido por 5-3, conquistou o título de campeão, e a vitória do Benfica não foi decisiva nas contas finais. Para além de se ter falado durante a semana de um árbitro estrangeiro que afinal não houve. E Marcello Caetano, apesar de se ter convencido de que não corria o perigo de um golpe militar, menos de um mês depois estava confrontado com a Revolução do 25 de Abril. Um jogo de enganos!

 

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publicado às 12:09

Contratações (pouco) cirúrgicas

Leão Zargo, em 04.08.17

 

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No início e no final de cada época desportiva, Bruno de Carvalho prometeu sempre aos sportinguistas que apenas efectuaria “contratações cirúrgicas”. Com poucas alterações, trata-se de um tipo de discurso que ele utiliza desde 2013 e que, no essencial, corresponde ao que garantiu numa entrevista à TSF, em Abril de 2016: “Vamos manter aquela que é a equipa e os seus valores e faremos unicamente contratações cirúrgicas. Apenas duas ou três e absolutamente cirúrgicas”. Esta época, o presidente do Sporting sublinhou que os futebolistas a contratar terão de possuir talento, combatividade, capacidade de trabalho, capacidade de superação e compromisso com o Clube e os seus objetivos.

  

O que se passou nas últimas semanas corresponde em absoluto a um padrão antigo e bem conhecido. Para já, em 2017-18, foram contratados André Pinto, Cristiano Piccini, Bruno Fernandes, Mattheus Oliveira, Rodrigo Battaglia, Fábio Coentrão, Marcos Acuña, Jérémy Mathieu e Romain Salin. Na linha dos “empréstimos”, este ano temos Seydou Doumbia. Ao que consta Stefan Ristovski está quase a chegar. No entanto, continua-se a falar de necessidades para posições específicas e ainda de outros nomes.

 

A conversa sobre as contratações cirúrgicas visa iludir a incapacidade da construção de um plantel coerente, equilibrado e vencedor. Na mesma entrevista à TSF Bruno de Carvalho garantiu que “o Jorge (Jesus) é o cimento que veio agarrar toda esta infraestrutura que está a ser criada, todo este projeto”. Na verdade, não se percebe qual é o projecto e parece que há areia a mais e cimento a menos.

  

Desde que Bruno de Carvalho foi eleito, para além dos jogadores que contratou esta época, vieram os seguintes futebolistas para a equipa principal do Sporting:

 

- Época de 2013-14 (dez jogadores): Jefferson, Montero, Welder, Gerson Magrão, Slimani, Vítor Silva, Maurício, Iván Piris, Shikabala e Heldon.

  

- Época de 2014-15 (dez jogadores): Tanaka, Ryan Gauld, Jonathan Silva, Slavchev, Paulo Oliveira, Oriol Rossel, Nabi Sarr, Ramy Rabia, André Geraldes e Ewerton.

 

- Época de 2015-16 (Treze jogadores): Zeegelaar, Schelotto, Bruno César, Teo Gutierrez, Paulista, Aquilani, Brian Ruiz, João Pereira, Naldo, Azbe Jug, Barcos, Coates e Ciani.

 

- Época de 2016-17 (dez jogadores): Spalvis, Bas Dost, André, Elias, Castaignos, Beto, Meli, Alan Ruiz, Petrovic e Douglas.

 

A realidade é que o plantel não estabilizou. Por exemplo, da equipa que conquistou a Taça de Portugal em 2014-15 restam quatro atletas (Rui Patrício, William Carvalho, Adrien Silva e Gelson Martins). Trata-se de uma estratégia que apenas aumenta “gorduras”, em que as mais-valias são as excepções e que resolve poucos problemas, mas que acrescenta muitos. É uma estratégia que fez subir excessivamente a massa salarial do futebol e que dificulta a aposta em jogadores da formação. Afinal, o contrário do que foi prometido uma e outra vez e ainda outra vez. Há exibicionismo a mais e rigor a menos. Assim, é difícil construir um projecto vencedor e com futuro. Assim, é difícil que se renove a esperança, a confiança.

 

Nota: Para além dos jogadores que são referidos no texto há mais algumas dezenas que não são citados por, em teoria, se destinarem à equipa B: Hugo Sousa, Salim Cissé, Dramé, Lewis Enouh, Everton Gonçalves, Hadi Sacko, Seejou King, Federico Ruiz, Eduardo Pinheiro, Diogo Nunes, Ricardo Guimarães, David Sualehe, Boubakar Kouyaté, Leonardo Ruiz, Budag Nasyrov, Fidel Escobar, Liam Jordan, Ricardo Almeida, Pedro Delgado, Bilel Aouacheria, Gelson Dala, Ary Papel e Merih Demiral, entre muitos. Por outro lado, Nani, Campbell e Markovic eram jogadores “emprestados” e, por isso, não constam da lista.

 

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publicado às 12:30

Fotografia com história dentro (57)

Leão Zargo, em 30.07.17

 

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Osvaldo Silva e a eliminatória com o O. Lyonnais em 1964

 

Osvaldo Silva teve muitos jogos de glória com a camisola leonina, entre 1962 e 1966. Foi um excelente jogador de futebol, um médio de ataque explosivo, a faísca da equipa, e que desempenhou um papel fundamental na caminhada épica pela Taça das Taças em 1964. Anselmo Fernandez e Juca tinham grande confiança nele. É muito referido o seu hat-trick naquela noite prodigiosa do Sporting - Manchester United quando obrigou David Gaskell a ir buscar a bola ao fundo das redes aos 2, 11 e 54 minutos.

 

Mas, houve outra eliminatória dessa Taça das Taças que ficou para a história e que é recordada frequentemente pelos sportinguistas. Foram os três jogos nas meias-finais com o Olympique Lyonnais, onde jogavam dois craques temíveis, Combin e Di Nallo. Depois dos empates em Lyon (0-0) e em Alvalade (1-1), as duas equipas defrontaram-se no Metropolitano de Madrid para o desempate. O desafio decorria com muita luta e muito equilíbrio, quando, num imprevisto, aos 65 minutos de jogo, “Osvaldão” inventou um remate à meia volta que deu o golo que eliminou os franceses.

 

Naquela noite madrilena Osvaldo Silva foi a principal figura em campo, pelo que jogou, pelo que fez jogar e por esse lance decisivo. Um gigante! E a final de Bruxelas ficou logo ali ao alcance de uma mão.

 

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publicado às 14:29

 

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A Sporting SAD ainda não procedeu ao pagamento voluntário da dívida à Doyen Sports relativa à transferência de Marcos Rojo para o Manchester United e da rescisão do contrato com Zakaria Labyad. Inicialmente tratava-se de 14,2 milhões de euros (Rojo) e de 1,5 milhões de euros (Labyad), acrescidos de uma determinada quantia referente a juros (0,5% por cada mês de atraso). A decisão do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), depois confirmada pelo Supremo Tribunal da Suíça, foi tomada em Dezembro de 2016 e considerada irrevogável.

 

O acórdão do TAS foi particularmente duro ao declarar que “o painel determina que o Sporting não pode, em boa-fé, alegar que tinha justa-causa para terminar unilateralmente a relação contratual com a Doyen”. Os juízes consideraram que Carlos Vieira, administrador financeiro da Sporting SAD, “não foi capaz de responder à questão lançada pelo painel sobre quais os danos materiais causados pela Doyen ao Sporting”. Foi rejeitado, assim, o pedido de indemnização apresentado pelos leões.

 

Em Maio de 2017, o TAS executou 2,5 milhões de euros que entregou à Doyen. A verba para essa execução foi retirada de um montante de 18 milhões de euros referentes aos prémios de participação do Sporting na Liga dos Campeões em 2016-17 e que se encontram retidos no ‘Office des Poursuites’, na Suíça. Nessa data a dívida era de cerca de 17 milhões de euros, embora a empresa de fundos reivindique um valor superior a 20 milhões de euros.

 

Por enquanto, a Doyen optou por não acionar a penhora das verbas retidas na UEFA, através de um tribunal de Nyon, pois, oficialmente, aguarda pelo pagamento voluntário da dívida. Entretanto, os juros vão aumentando a cada mês que passa, agravando a factura. Carlos Vieira defende-se afirmando que o Sporting aguarda uma decisão de uma instância portuguesa (Tribunal da Relação de Lisboa) e que o valor devido está provisionado no último Relatório e Contas semestral.

 

Na inauguração do Pavilhão João Rocha, no passado mês de Junho, Bruno de Carvalho recordou que tinha garantido “que iríamos ter pavilhão 'Doyen a quem doer' e aqui está”. Sublinhou dessa maneira que a construção da obra, em grande parte, verificou-se com dinheiro da dívida à empresa de fundos. Mas, oxalá que ele saiba o que está a fazer e que o pavilhão desportivo não se torne num dos mais caros do mundo!

 

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publicado às 12:27

Fotografia com história dentro (56)

Leão Zargo, em 23.07.17

 

Taça das Taças desfile em Lisboa 16.5.1964.jpg

  

Sinal de esperança!

 

A comitiva sportinguista regressou a Lisboa no dia seguinte à vitória na finalíssima em Antuérpia da Taça das Taças disputada em 15 de Maio de 1964. A viagem foi um tanto rocambolesca com um percurso de comboio até Paris para se conseguir uma ligação aérea directa para Portugal. As bagagens desapareceram no aeroporto, mas reapareceram em Alvalade.

 

A direcção leonina preparou um desfile em caravana automóvel desde o aeroporto de Lisboa até ao Estádio de Alvalade. Depois da recepção no Estádio, os jogadores foram à casa do infortunado Hilário, para que ele também beijasse a taça, e dali para o Portugal – Inglaterra no Jamor, para a apresentação nacional dos vencedores. O avançado Figueiredo diria mais tarde que nunca tinha visto uma coisa assim e que houve alturas em que os automóveis não conseguiam avançar tão grande era o entusiasmo de quem se acumulava nos passeios e invadia as ruas.

 

Ao contrário do que pode parecer, esta fotografia não é sobre o passado, pois na realidade refere-se ao presente. O presente é a esperança da conquista do título nacional em 2017-18, o desejo de que os jogadores leoninos saibam minimizar as suas fraquezas e potenciar as suas forças. E que os dirigentes e os técnicos sejam capazes de estar sempre à altura das circunstâncias e das responsabilidades.

 

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publicado às 15:00

Fotografia com história dentro (55)

Leão Zargo, em 16.07.17

 

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O último jogo do “Hércules do Barreiro” no Sporting

 

O mítico João Azevedo já acusava alguma veterania em 1950 quando o jovem Carlos Gomes foi contratado pelo Sporting ao Barreirense. O “Hércules do Barreiro”, também conhecido por “Gato de Frankfurt”, era o dono da baliza leonina desde um longínquo jogo com o Belenenses nas Salésias em Dezembro de 1936, mas continuava ágil entre os postes, valente nas bolas pelo ar e corajoso nas saídas. Carlos Gomes teve de esperar pela sua oportunidade.

 

Na época seguinte, em 1951-52, na primeira jornada do Campeonato Nacional o Sporting foi às Salésias para defrontar o Belenenses. As mesmas Salésias onde Azevedo tinha conquistado a titularidade a Dyson e Jaguaré. Mas, nos azuis havia Matateu, e naquele dia o moçambicano estava com a pontaria muito afinada: marcou quatro golos e os de Belém venceram por 4-3. Os leões perderam o desafio e houve olhares desconfiados na direcção do guarda-redes.

 

O “Hércules do Barreiro” já não entrou em campo no domingo seguinte com a Académica, pois o treinador Randolph Galloway mandou avançar Carlos Gomes para a baliza. Azevedo que chegou a jogar com vértebras e costelas fracturadas, com um pé partido ou com doze pontos na cabeça, e que tinha de fumar um cigarrinho antes dos jogos para acalmar os nervos, não sobreviveu à tarde de génio de Matateu. Foi o seu último dia com a camisola leonina.

 

A fotografia refere-se a uma fase da juventude de João Azevedo. Quando ainda não era um ícone e estava a começar a construir a lenda.

 

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publicado às 12:32

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